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119. SEGREDOS DO PASSADO


Fic: O Acordo Perfeito RxHrm- Fic completa by marja


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CAPITULO 119 – SEGREDOS DO PASSADO


 


 


 


 


 


 


 


 


Três dias depois, ninguém ousava tocar no ocorrido na semana que se passara. Rony se vestia para o trabalho quando Hermione acordou. Espreguiçou-se, aconchegada em meio aos lençóis deliciosamente macios. Ela olhou em volta, até encontrar o alvo de sua atenção.


Ela usava a camisola que estava presa entre suas pernas, e quando se moveu, revelou as pernas delicadas e bem feitas que Rony admirou através do espelho, enquanto arrumava a gravata.


-Bom dia – ele disse malicioso, olhando-a se mover e sentar na cama, numa posição inconscientemente sexy. A ampla gola da camisa escorregara em seus ombros, e o ombro direito estava à mostra, revelando o seio direito, e se Hermione notou, não demonstrou se incomodar.


-É muito cedo ainda? – ela perguntou sonolenta.


-Um pouco. Hoje é um dia especial Hermione, consegui marcar uma reunião com o Juiz Digory.


-Porque não me acordou mais cedo? – ela perguntou subitamente acordada, diante do fato – Precisarei no mínimo de uma hora para me vestir e pentear! Não que me importe com isso, mas pelo que notei, faz toda diferença nessa cidade! – reclamou.


-Não avisei antes, pois é uma reunião de cavalheiros. Digory é muito antiquado. Além disso, o Sr.Loren estará presente, e ele é incrivelmente machista.


-Detesto esse Sr.Loren, ele o faz trabalhar como um burro de carga! – ela disse sem notar que Rony se alegrava em saber que se preocupava com seu bem estar.


-Guarde sua opinião para si, pois dependemos da boa vontade de Digory. – lembrou-a.


-Não será necessária minha presença? – parte sua estava decepcionada por ser tão descartável. Afinal, era parte integrante daquele problema, e se fossem totalmente sinceros, a mais interessada!


Afinal, se ele houvesse mentido, seria a vítima. A mulher enganada e desonrada, que estaria com a honra arruinada diante de todas as pessoas! Sem contar que seria um papelão horrível!


-Sua presença é imprescindível. – ele contou, se aproximando da cama e apanhando seu queixo entre os dedos, para olhar fundo em seus olhos – sua presença é vital e inexorável. Sem ela, não existo.


-Bobalhão – ela reclamou, tentando não rir – Sabe a que me refiro!


-Aqui em Londres temos um padrão a seguir. Terei a reunião que me ocupara boa parte do dia. Como de praxe, os convidarei para um jantar, para que conheçam minha esposa, meu sogro e minha harmonia familiar. Isso deve bastar para confirmar que somos um casal feliz. Claro, depois de conferirem toda a papelada que prova nosso casamento, e principalmente prove a minha solteirice antes do nosso enlace.


-Devo oferecer um jantar? – ela reteve o ar, apavorada – Nunca ofereci um jantar para ninguém! Quero dizer, um jantar sofisticado, para pessoas sofisticadas! Eu não tenho nem idéia de como fazer isso!


Num segundo Hermione estava de pé sobre a cama, apavorada e ao mesmo tempo agitada. Elétrica era a palavra certa.


-Não posso oferecer um jantar! Eu nem consigo manter o penteado por mais de uma hora sem parecer uma mulher que saiu do hospício! Eu...


-Hei pequena, calma – ele ergueu os braços, segurando suas mãos, adorando vê-la ter chiliques de moça boba. – Anna conhece os macetes, pode ajudá-la a preparar o jantar. Além disso, estou pensando numa coisa mais caseira, menos formal. Prepare uma das suas comidas deliciosas e os seus doces divinos. Compre vinho e champanhe. Vamos empanturrá-los e embebedá-los. O que me diz? Pegá-los pelo estômago?


-Acha que é o bastante? – havia fragilidade em sua voz, medo de não agradar.


-É impossível um homem ficar indiferente aos seus dotes culinários – assegurou, enlaçando sua cintura, e tirando-a de sobre a cama.


Nesse processo, ficaram abraçados, Hermione com os pés sobre os dele, pois estava descalça.


-Posso fazer a torta de nozes que tanto gosta – ela disse abraçada aos seus ombros, os olhos fixos em sua boca carnuda e sorridente. – E não se atreva a me chamar de pequena na frente das visitas. – lembrou desse detalhe.


-É mesmo? E devo chamá-la de meu amor? Minha querida? Meu desejo eterno? Minha fada? Minha princesa... – conciliou um beijo em seus lábios a cada sugestão.


-Prefiro o meu próprio nome, se não se importa - ela fingiu não se abalar – Ou terei de chamá-lo de ‘meu gigante’.  O que não é verdade, pois não é o maior homem da casa desde que contratei Adolph!


-Mas ainda sou o maior homem a fazer amor com você, não se esqueça disso – alfinetou – Não se esqueça nunca disso!


-E como poderia? Se também é o único? – ela sussurrou erguendo os olhos para seus olhos.


O azul escureceu rapidamente pela paixão. Um suspiro de antecipação escapou de seus lábios antes de se oferecer para um beijo. Um beijo que não veio.


Rony soltou-a e se afastou.


-Não posso beijá-la. Tenho que sair agora, ou me atraso. Se eu a beijar, vamos voltar para a cama, e perco a reunião! – lamentou.


-É tão fraco assim? Não resiste a um único beijo? – ela provocou.


Rony havia deixado-a sozinha, e ela voltou para a cama, estendendo o corpo languidamente sobre o lençol. Suas pernas estavam sedutoramente à mostra, assim como os braços erguidos para cima, as mãos pequenas entre os próprios cabelos, o rosto corado, os seios arfantes.


Rony pensou em negar, mas não pode. Apanhando o chapéu e sua caderneta de notas, onde guardava a papelada necessária para reunião, olhou para ela como quem olha para um diamante muito bonito, valioso e exclusivo.


-Sou fraco.  – admitiu – Com você, sou o mais fraco dos homens. Agora preciso ir, cuidar do nosso futuro.


-Vá – ela se moveu na cama, deitando de lado, e olhando-o através de olhos de pura admiração, pois estava muito bonito vestido elegantemente – Cuidarei de um delicioso jantar de fazendeiros. Avise-os para não almoçarem, e estarem com os estômagos bem vazios hoje à noite, pois irei saciá-los como nunca antes foram saciados em suas vidas!


Havia uma promessa sensual em sua voz, e ele engoliu visivelmente em seco antes de sair e fechar a porta.


Hermione ficou um bom tempo olhando para a porta fechada, sonhadora.


Estava começando a adormecer novamente quando Anna bateu e entrou.


-Anna! - ela disse Feliz em vê-la – Preciso tanto de você! Tanto!


-É mesmo? - ela disse pacientemente, pois aprendera a conhecer a patroa e saber de seus ataques, tanto de mau humor, quando de bom humor. E não era tola para não ligar essas mudanças diretamente ao seu jovem e bonito marido. E pelos assobios de alegria do Sr.Wesley, não era de surpreender que estivesse sorrindo de orelha a orelha.


-Tenho tanto a fazer! Preciso buscar Gina em casa, descobrir onde achar Luna, pois aquela não tem paragem e está sempre nos lugares mais inacreditáveis! Depois tenho que ir ao mercado escolher pessoalmente todos os ingredientes! Depois preciso comprar louças e talheres, pois não temos nada realmente apresentável, tenho que separar o que vestir, o que vou usar nos cabelos, tenho que preparar o melhor jantar que já fiz na vida e ainda preciso fazer tortas! Muitas tortas! Deus, eu tenho que fazer tantas coisas! Não vai dar tempo! Deus, como vamos conseguir servir o jantar com a cozinha suja? Será que dará tempo para preparar tudo e ainda escovar a cozinha até que brilhe? Agora entendo por que mamãe sempre reclamava de não ter uma sala de jantar!


Anna sorria quando ela terminou seu tolo monólogo.


-Posso pedir a Adolph ir buscar a Sra.Potter em casa, enquanto a senhora se prepara e veste. O Sr. Lovegood está em casa, então deve saber onde está a filha. Posso acompanhá-las ao mercado, pois sei onde achar mais facilmente todos os ingredientes que possa precisar. Quanto aos talheres... Sei que Madame Lammer ficará feliz em emprestar algumas peças. Poderá também usar sua cozinha, em sua doçaria. Ela já a emprestou dezenas de vezes a outras amigas!


-Madame Lammer? – Hermione sentiu um gosto amargo na boca.


-Sim, ela vive elogiando-a e falando da vez em que conversaram, lamentando não a ver mais. Disse que espera ansiosamente um convite seu para visitar-lhe.


-Acha que poderia mesmo usar sua cozinha? – ficou tentada, pois não haveria tempo para cozinhar e limpar, não até a noite.


-Tenho certeza! Madame ficará emocionada ao vê-la cozinhar, pois é a melhor cozinheira que já vi, e tenho certeza que Madame Lammer pensará o mesmo!


-Anna, Anna, cuidado, está me acostumando mal. Como viverei sem os seus elogios quando for embora? - ela levantou-se e abraçou a menina.


-Não sei senhora, mas sentirei muito a falta de alguém tão bom para mim.


-Não posso começar esse dia chorando! – ela reclamou – Me ajude com o banho, assim poderemos dar conta de tudo em tempo!


-Primeiro, pedirei a Adolph que busque suas amigas – Anna lembrou.


-Isso mesmo! – incentivou-a – Rony levou Duran com ele para o trabalho?


-Sim – Anna corou ao ouvir o nome do menino.


-Anna, por favor, não se apaixone por Duran – ela pediu – Preciso devolvê-lo para sua mãe, e detestaria que ele a desonrasse!


-Será impossível, senhora. Algum já o fez – ela disse triste, cabisbaixa – Não foi por querer. Eu não pude sequer lutar. Duran não corre perigo ao meu lado.


-Sinto muito, Anna. Também fizeram mal a minha irmã, e teriam feito o mesmo comigo, se não tivesse tido sorte – ela suspirou – Eu poderia pedir ao meu pai para conseguir-lhe um marido...?


-Não! - ela disse apressadamente – quero me casar por amor! Como a senhora, quero um marido que eu ame, e que me ame. Quero amor, Sra.Wesley.


-Se é o que deseja – ela sorriu, para disfarçar a pena que sentia daquela boa moça, e também para disfarçar a emoção de ver alguém que os via diariamente, acharem que eram apaixonados.


Anna não demorou muito tempo para trazer água para seu banho e ir cumprir suas obrigações. Hermione relaxou na água, acariciando sua barriga onde o bebê crescia.


Estava visivelmente redonda, e dilatada. Ninguém diria só de olhar que era gravidez, mas para ela que conhecia o próprio corpo, era notável a diferença.


Suspirou e relaxou aproveitando a água morna. Os enjôos haviam passado, mas o sono era permanente. Em momentos como aqueles, de completo silêncio, sentia o sono rondando. E era prazeroso poder recostar-se e aproveitar essa sensação.


Muito vagamente ainda se lembrava das horas de exaustivo trabalho na fazenda, solitária e sofrendo. Mas era uma lembrança tão vaga, que sua nova vida, seu casamento e seu bebê, iam criando novas lembranças e tornando as antigas e tristes recordações, apenas apagados resquícios de sofrimento passado.


 


 


 


 


O movimento do mercado quase as confundiu. Culpa de Luna que se perdera delas durante uma das vezes em que Hermione se concentrara na escolha dos produtos adequados para o que tinha em mente.


 Segundo Anna, a honrável Srta.Lammer as aguardava, tão logo comprassem todo o necessário para a arte da culinária. Desconfiada de tanta bondade, mas ansiando pelo momento de confrontar a ex-amante de seu marido, Hermione escolheu com cuidado cada ingrediente.


Em dado momento, ela avistou Anna escolhendo alguns legumes, e viu Gina entretida com alguns tecidos. Olhou em volta e não viu Luna.


Era só o que lhe faltava! Olhando em volta, pensou ter visto um nuance de vestido amarelo berrante passando entre duas bancas. Seguiu em sua direção, esperando trazer a ovelha desgarrada de volta.


Não era Luna quem estava naquele beco. Mas sim um cachorrinho muito pequeno e maltratado. Todo sujinho e magricela. Hermione se aproximou, mas ele se afastou. Indo atrás dele, pois fazia muitos anos que não tinha um cachorro, ou que via um de perto, seguiu-o até o fundo do beco.


Ouviu uma voz sussurrar alguma coisa, e notou que alguém se escondia num canto. Havia muito lixo e o cheiro era terrível.


Curiosa, avançou até ver um pedaço de tecido amarelo. Seus olhos viram pés descalços e subiram, analisando a mulher que estava encolhida naquele beco, tão encolhida e assustada quanto o cachorrinho que ela segurava contra o peito.


-Por favor, não o tire de mim – ela disse. Repetia essa frase sem parar.


-Não vou tirá-lo de você – disse apenada – O que está fazendo nesse lugar?


-É minha casa – ela disse muito baixo, olhando para os lados, como se esperasse que alguém a obrigasse a sair dali – Mademoiselle, aqui é quente. Tem um teto. Posso dormir.


Hermione notou que atrás daquela parede deveria ter um forno bem grande, pois as paredes eram sujas de carvão. Provavelmente seu calor irradiava o dia todo, e talvez à noite, o que permitia um certo calor, contra o frio intenso das noites londrinas.


A mulher era esguia, pode ver. O vestido estava velho e muito sujo, assim como sua pele. Seus cabelos estavam presos num coque, mas eram escuros como a noite, talvez lisos, e contrastavam com seus olhos cor de violeta. A pele era clara, mas havia ganhado uma cor bronzeada pelo sol.


-Não pode uma mulher viver aqui – ela disse horrorizada – Deve ter uma família! Como se chama?


-Não sei – ela disse olhando para o cachorrinho que tremia em seus braços. – Mas ela se chama Jô.


Então era uma cadelinha. Sorrindo triste, Hermione olhou para as duas mulheres naquele beco. Humana e animal, unidas no pior infortúnio.


-Porque não sabe seu nome? – perguntou interessada – Como é possível não saber seu próprio nome?


-Eu vim de longe – ela disse sonhadora, perdida em uma lembrança, ou talvez sonho – vim para me casar. Ah, um casamento dos sonhos, com o homem dos meus sonhos... Mas acordei aqui.


-Como assim, acordou aqui? – deu um passo para frente, mas ela se encolheu tanto que desistiu de se aproximar mais.


-Eu não sei. Lembro de ter descido do navio... Como se fosse uma princesa. Mas então, as luzes se apagaram, e eu estava aqui... Deitada na rua. Não consigo lembrar meu nome... Nem que dia é hoje... - ela seguiu dizendo, sonhadora. – Oh, vai ter uma jantar em sua casa! - ela pareceu resplandecer e até se aproximou um pouco, antes de temer novamente e se afastar.


-Como sabe? - estranhou.


-Candelabros de jantar – ela apontou sua sacola de tecido onde estavam os dois candelabros que comprara – Não são os certos. Deveriam ser mais longos, para velas finas. Não é elegante usar velas grossas num jantar formal.


-Porque não? – aquela mulher vivia em seu próprio mundo, mas Hermione não era cega para não reconhecer seu jeito de falar, pausado e educado, as palavras fluentes e rítmicas.


Seus gestos graciosos, sua beleza clássica. Até mesmo seu vestido era elegante.


-Não pode servir um jantar com o calor da vela no rosto dos convidados. Velas grossas queimam mais rápido – ela explicou.


-Sabe como servir um jantar elegante?


-É tão fácil! – ela sorriu, mas então seu sorriso morreu quando ouviu um som alto – Precisa ir embora! Eles não podem me ver!


-Eles quem? – surpresa, observou-a se esconder atrás de algumas caixas e entulhos, e estava tão encolhida que era impossível ver que havia alguém ali.


-O que é isso?


Uma voz alta e grossa a assustou.


Virando-se se deu de encontro com um homem todo aprumado. Era gordo e barbudo, e segurava uma bengala nas mãos, como se fosse o dono de toda a certeza e conhecimento do mundo. O homem ao seu lado era baixinho e esquisito, e olhou-a como o mesmo desdém.


-O que faz uma mulher em um beco como esse? Que despautério! – o mais gordo disse – Acaso seu marido ou seu pai não lhe ensinaram que uma dama não deve andar por becos? Onde já se viu!


-Desculpe senhor, devo ter me perdido – ela disse, engolindo a resposta azeda que estava na ponta da sua língua.


-Perdido? Típico das mulheres! São capazes de se perderem até mesmo dentro de uma carruagem! As mulheres que conheço, todas sem exceção, são tolas, incapazes de acharem o caminho certo! – riu o mais afortunado deles.


Hermione pediu paciência aos céus, mas um filme passou em sua mente, sobre como era capaz de ser melhor que um homem, e ao passar por eles não pode evitar de responder:


-Não me admira senhor, que as mulheres que conheça se esforcem ao máximo para se perder do senhor. Nesse exato momento sua arrogância me faz desejar ter me perdido em outro beco. Com licença – com uma mesura educada, cheia de sarcasmo e deboche, se afastou de cabeça erguida.


Ainda ouviu os insultos e comentários chocados, mas estava tão satisfeita consigo mesma, que foi atrás de suas companheiras de compras.


Com o decorrer da manhã, esqueceu-se completamente do incidente com os elegantes, porém desagradáveis cavalheiros.


Por outro lado, não conseguia se esquecer da mulher naquele beco. Seria uma pessoa desmemoriada, ou apenas uma mulher fora de seu juízo?


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


AUTORA: Mais pano para manga. Sou prima do capitão gancho por isso vivo dando ganchos para os próximos capítulos....hehe...Meninas, não posso responder as perguntas de vocês ainda.


Mas estamos quase na fase fazenda de novo. Diga-se de passagem a fase final. Era para já ter acabado, mas eu já disso isso outras vezes.


 


Alias, vamos elogiar minha beta que está betando e enviando em tempo recorde.


 


Beijos


 


 

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