Capítulo 11
Quando o avião aterrissou em Sydney, Gina praticamente correu para a fila para recolher a bagagem.
— Gina...
— O que? — perguntou sem olhá-lo
— O que acha de irmos comer algo antes de ir para casa?
— Obrigado, mas não tenho fome.
— Não comeu em todo o dia.
— Foi porque não tinha fome — olhou-o. — Quando isso mudar, comerei. E agora me deixe procurar minhas malas.
— Olhe, Gina — suspirou e mexeu o cabelo, — sei que o que aconteceu na noite passada a incomodou... demônios, a mim também! Mas temos que decidir aonde iremos a partir daqui...
— Eu vou para casa — indicou sem afastar a vista da mala que tinha divisado na fila. — Você pode fazer o que mais o agrade.
— Não me referia a isso. Não podemos fingir que não aconteceu nada — estendeu a mão no instante em que ela ia recolher a mala, descobrindo que embora o estivesse deixando louco, tocá-la conseguia que inclusive esquecesse seu nome. — Gina...
— O que?
— Olhe para mim.
Antes de elevar a cabeça tirou alguns momentos para se acalmar. Foi inútil; um olhar para esses olhos verdes como esmeraldas fez com que sentisse calor em lugares que só queria que Harry tocasse. Incapaz de manter o olhar e a dignidade ao mesmo tempo, girou a cabeça e o azar fez com que aparecesse a distração perfeita.
— Olhe, Harry, aí está sua mala.
— Esquece a maldita mala! — agarrou-a pelos ombros e a colocou diante dele. — Não podemos evitar falar do que aconteceu a ilha.
— Bom, claro que não — disse, maravilhada pelo tom tranqüilo de sua voz. — Duncan esperará um relatório detalhado da transação. Amanhã na primeira hora é perfeito para mim...
— Deixa de ser obtusa, droga! — espetou. — Falo de termos dormido juntos! — a frustração fez com que elevasse a voz, provocando que algumas cabeças girassem em sua direção.
— Céus, Harry, por que não pede que anunciem isso pelos alto-falantes do aeroporto? — protestou com a cara vermelha e furiosa.
— Farei isso, se com isso conseguir que deixe de tentar evitar a situação. Não há na... Maldição! O que ela faz aqui?
Gina seguiu seu olhar indignado para as portas de vidro do terminal nacional, e ao ver o Hermione se sentiu aliviada.
— Mione! — gritou, embora não pudesse agitar a mão porque Harry a segurou.
— Eu teria deixado você em casa — disse com frieza.
— Não seja ridículo — soltou-se. — Vive na outra ponta da cidade. A tarifa do táxi teria sido exorbitante.
— Quando começou a preocupá-la uma tarifa de táxi? Desde que roubaram o seu carro você gastou mais que ninguém em táxis.
— Ponto que nenhuma vez deixou de me recordar — replicou. — Não há modo de agradar você, não é?
— Isso não é verdade, Gina. Na outra noite conseguiu... várias vezes.
— Não estou interessada em falar do acontecido essa noite. Nunca.
— É uma pena, porque dentro de alguns meses possivelmente tenhamos que falar de técnicas de parto.
— Não estou grávida.
— Isso veremos. Infelizmente, a esperança não é uma medida confiável para evitá-lo.
— Olá, meninos! — para Gina, a chegada de Hermione não poderia ter sido melhor sincronizada. Não só lhe evitou ter que responder, mas também coincidiu com o desaparecimento pela segunda vez das malas dele nas entranhas do edifício. — Como foi a viagem, Harry?
— Frutífera — repôs ela, decidida a abortar qualquer conversa. — Toma — adiantou o carrinho com sua bagagem e agarrou Hermione pelo cotovelo. — Muito bem, vamos. Onde estacionou?
Se Harry ofereceu alguma resposta a seu “Nos vemos”, Gina não a ouviu por cima do caos emocional que reinava em seu interior; mas sentiu seus olhos nela todo o trajeto até a saída.
— O que está acontecendo? — perguntou Hermione.
— Nada.
— Então, qual a pressa e por que aperta meu cotovelo com tanta força, como se quisesse cortar minha circulação?
— Sinto muito — a soltou.
— Tudo bem... o que está acontecendo entre Harry e você?
— Nada.
— Vamos, Gina. Está falando comigo. Sei quando se sente irritada. E não imaginei a tensão que havia entre vocês dois.
— Muito bem — sorriu ao mesmo tempo que soltava um suspiro resignado. — Tem razão, estou irritada... Draco Malfoy estava hospedado na ilha.
— Santo céu! — Ellee ficou boquiaberta. — Está brincando, não é?
— Não. Draco e sua recém adquirida esposa estavam lá. A propósito, obrigado por vir me buscar. Convido para uma comida chinesa a caminho de casa.
— Boa tentativa, mas esquece a comida — disse Ellee. — Só quero que me conte o que aconteceu no Illusion. Tudo. Repito... o que está acontecendo entre Harry e você?
— Já disse... nada.
— Exato. Assim começa a me contar algo.
— Mione, não há nada que contar. De verdade. Nenhum drama; a situação ficou um pouco incômoda quando Draco apareceu.
— Por que?
— Por que, o que? Por que Draco foi para lá?
— Por que o desconforto?
— Deus, Hermione! Por que você acha? — espetou, decidindo que fazer a ofendida era o melhor em vista de sua tenaz curiosidade. — Não foi muito fácil estar na mesma ilha nessas circunstâncias. E, se não esqueceu, Harry não se alegrou muito quando lhe contei o que sentia por Draco. Ao tê-los na ilha, não deixou de me recordar que estavam casados e que eu tinha ido trabalhar. Imagino que se percebeu tensão entre nós é porque me incomodou que me tratasse como uma espécie de boneca pouco séria — Gina se felicitou por sua resposta sincera, mas ambígua, embora quando a expressão de Hermione sugeriu que não estava de todo convencida, acrescentou: — E tampouco ajudou que a última esposa de sir Frank tenha sido uma antiga amante de Harry. Asseguro-lhe isso, Mione, Harry e eu não temos feito outra coisa que andar nas pontas dos pés; é de estranhar que estejamos um pouco tensos? Não foi fácil se concentrar nas negociações quando ambos nos víamos constantemente enfrentados com nosso passado emocional.
— Céus, Gina, não me surpreende que tenha olheiras. Aposto que se alegra que tudo tenha terminado.
— Sim... — aí acabou-se por cingir à verdade.
Os últimos pedaços do sonho que restavam do pouco que tinha dormido, desvaneceram-se quando o viu ante sua porta.
— O que faz aqui?
— Sempre abre de pijama sem perguntar quem é? — grunhiu Harry.
— A esta hora — tentou não pensar no fato de que estava melhor em carne e osso que em suas fantasias — me pareceu seguro assumir que as únicas pessoas que podiam estar esmurrando minha porta seriam os bombeiros, que vinham me evacuar por causa das chamas que devoravam minha casa.
— Espero que isso não signifique que já tinha começado a preparar o café da manhã — disse, conseguindo de algum modo passar junto a ela para avançar pelo corredor. — Porque no caminho trouxe alguns pães-doces.
— Por que fez isso?
— Para economizar seu tempo. Já sabe o quanto Duncan é exigente com a pontualidade.
Sentindo-se como em um sonho, Gina fechou os olhos e voltou a abri-los. Tudo continuava igual.
— O que acontece? Supunha que devíamos nos reunir com Duncan às sete e meia no escritório.
— E é assim. Mas decidi que o melhor era passar para buscar você.
Devia estar brincando. Vivia na outra ponta da cidade e só a vinte minutos do escritório; da casa de Gina demorariam quarenta e cinco minutos para chegar, sempre que não houvesse engarrafamento em Harbour Bridge.
— Harry, está...?
— Onde está o rádio, Gina? Gostaria de escutar as notícias enquanto tomo o café da manhã.
— Sinta-se em casa — indicou o aparelho de som, incapaz de dirigir a situação até ter tomado banho, — mas não se incomode em me preparar nada. Só tomarei café.
— Deve comer, Gina.
— Não, se não quiser.
— Onde guarda o descafeínado? — pôs dois serviços na mesa, como se não a tivesse escutado.
— Não tenho.
— Oh... bom, nesse caso imagino que tomarei chá. Depois pode comprar descafeínado.
— Não farei isso — replicou, irritada pelo modo em que se apropriou de sua cozinha. — Odeio descafeínado. Nem sequer começo a respirar até não ter tomado uma xícara e meia de bom café preto.
— Bom — encolheu de ombros, — a partir de agora terá que praticar respirar desde o momento em que desperte. Mas não se preocupe, já que não conheço ninguém que tenha morrido por deixar o café.
— Mesmo? Pois as pessoas que morreram nas mãos de alguém desesperado por sua dose de cafeína correm o perigo imediato de aumentar em um — ele lhe sorriu com expressão condescendente ao mesmo tempo que servia alguns pães-doces nos pratos. — Harry! Disse que não quero tomar o café da manhã.
— Sei. Mas, como sempre dizia Flo, o café da manhã é a refeição mais importante do dia. E aposto que uma dentada neste croissant a fará mudar de idéia. Como quer o chá? Com folhas ou tem saquinhos?
— Harry! — agarrou-o pelo braço para chamar sua atenção. — Não quero chá, nem descafeínado, nem pães-doces que lhe alteram a mente! Só quero café. C-A-F-É. Certo?
— Não, Gina...
— O que?
— A cafeína não é boa para o bebê, assim...
— Que não é bo...? Oh, pelo amor do céu! Não estou grávida! — rugiu.
— Não sabemos com segurança — respondeu com calma. — E até então, o melhor é não correr nenhum risco. Ontem à noite pensei muito nisso, e assim como ambos esperamos o melhor, devemos estar preparados para o pior. O fato de que não planejássemos não elimina nossas responsabilidades; razão pela qual, se estiver grávida, nos casaremos imediatamente. A propósito — continuou, enquanto vertia água quente no bule, — também falei com um advogado amigo meu, e parece que há um período de espera entre o pedido de uma licença e casar-se. A boa notícia é que se pode evitar em certas condições, e estou seguro que Duncan conhecerá alguém que nos acelere o processo.
— Harry... está tomando algum remédio?
— Não, por que? — franziu o cenho. — Oh, já entendi. Quer saber se existe a possibilidade de que afete meu esperma. Relaxe, embora se de verdade se preocupa posso me submeter a algum exame.
Quando entraram no escritório de Duncan, este os saudou com aberto entusiasmo.
— Muito bem! Muito bem! — estreitou a mão de Harry com força nas duas dele. Logo se voltou para Gina e a abraçou com o entusiasmo reservado só para os aniversários e os natais, lhe plantando um beijo em cada bochecha.
Harry jamais tinha duvidado do carinho que Duncan sentia por eles dois, mas as demonstrações tinham sido poucas e espaçadas. O que só podia significar que seu tutor, igual a ele, jamais tinha compreendido o prazer que brindava a Gina as amostras tangíveis de afeto. Mas Harry o viu nesse momento nos olhos e no sorriso dela, que lhe iluminou todo o rosto de um modo que lhe chegou à alma. Nesse instante estava mais bonita que nenhuma mulher que já tivesse visto. Sentiu-se extasiado ante a idéia de que pudesse levar seu filho em seu interior.
O filho de ambos. Uma pessoinha que os dois tinham criado...
Os sentimentos que o conceito produziu nele, tanto mental quanto fisicamente, estavam além de toda descrição. Só sabia era que Gina podia discutir tudo o que quisesse sobre um casamento de verdade só podia existir se fosse apoiado no amor, e que ela jamais se casaria de outra maneira... de nada lhe serviria. Se levava seu filho, também ia levar seu anel.
Queria abraçar a fantasiosa ideologia do amor, perfeito. Harry nunca tinha acreditado nisso e não pensava mudar de idéia, embora não pudesse negar que a idéia de compartilhar sua cama e abraçá-la cada noite durante o resto de sua vida começava a escavar sua aversão pelo matrimônio.
— Certo, adiante, Harry — insistiu o homem mais velho, tirando-o de seus sonhos eróticos. — Sentem-se e vamos falar de nossa última aquisição — ordenou. — Sabe, Harry? É um excelente negociador. Como bem sabem, ser proprietário de uma ilha sempre foi meu maior objetivo. Mas me é impossível lhes contar o que significa para mim ter o complexo de Illusion Island.
— Não precisa — indicou Harry. — Seu sorriso diz tudo. Mas, como lhe expus ontem à noite por telefone, não teria conseguido sem Gina.
— Exagera, Duncan, eu... — começou a ruborizar.
— Não pelo que Mulligan me contou — interveio Duncan.
— Falou com Mulligan? — perguntou Harry depois de trocar um olhar alarmado com Gina. Esperava que fosse apenas uma alucinação.
— Sim, me ligou ontem na última hora, pouco depois de você. Parecia um pouco alegre, embora haja rumores de que gosta da bebida tanto quanto das mulheres. Bom — continuou, — parece que vai vir a Sydney em alguns dias e quer que nos reunamos de modo informal — a expressão desesperada na cara de Gina refletiu a de Harry. — Naturalmente aceitei... — Duncan calou-se ao observar com desconcerto a Harry e uma Gina pálida. — O que foi? — inquiriu com tom precavido e olhos penetrantes. — Há algum problema ou inconveniente com o contrato que não vou gostar?
— Inconveniente é uma palavra adequada, não acha Gina?— comentou Harry.
— Vamos, deixem desses olhares furtivos e respondam — insistiu Duncan. — É evidente que algo está acontecendo e que eu desconheço. Do que se trata?
— Provavelmente se refere a nosso casamento — disse Harry.
Assim como a primeira reação de Duncan ao se inteirar da farsa tinha sido de incredulidade e diversão, não pensava deixar que algo pouco tão insignificante como a verdade absoluta lhe amargasse um trato brilhante; de modo que se lembrou que a história do casamento teria que se reativar durante a estadia dos Mulligan. Entretanto, ao mesmo tempo que Duncan estava disposto a respaldar a história, lavou as mãos de todos os pequenos detalhes.
— Não penso em me mudar para seu apartamento, Harry — informou Gina enquanto jantavam a comida chinesa com que ele tinha aparecido essa noite na porta de sua casa.
— Mas é muito mais confortável e mais apropriado como lar para um casamento de executivos com êxito.
— Não se pensa ter uma família. E não esqueça que foi você quem me deixou grávida... — ruborizou-se. — Hmmm... eh... quero dizer, você contou a Tory que podia estar, e...
— E nos deu má sorte aos dois, segundo sua forma de expor.
— Bom... em qualquer caso, o que... Harry, deixa de me olhar dessa maneira.
— De que maneira?
— Como... como... como se tentasse ver em meu interior.
— Tenho curiosidade...
— Sobre o que?
— Como acha que seria um filho nosso?
— Harry... — piscou —... eu não...
— Não para de repetir isso. Mas me acompanhe, certo? Nunca antes tinha pensado em crianças, e agora não deixo de ter imagens de como seriam as nossas — franziu o cenho. — Sabe se há algum caso de gêmeos em sua família?
— Gêmeos! Deseja que tenha gêmeos?
— É obvio que não! É que em um momento imagino um menino ruivo e gordinho e no seguinte a uma menina com cachos vermelhos. Por isso me perguntava...
— Duvido que tivessem o cabelo ruivo — não lhe custou imaginar um menino com o cabelo tão escuro e brilhante como Harry.
— Por que não? — sorriu. — Sei que o seu é natural.
— E o seu tão negro como seu perverso senso de humor — repôs sabendo que ruborizava.
— Bom, apesar de conhecer o rápido que é seu raciocínio, meu coeficiente intelectual é quatro pontos mais alto, assim provavelmente meu intelecto seja o dominante.
— Mas só se estiver compensado por um código moral superior, assim descartarei esses quatro pontos de “intelecto” que nos meteram nesta encrenca. Embora fosse bem feito para você ter uma filha com a mesma intensidade sexual que a sua — a expressão de pânico que apareceu no rosto dele fez com que risse. — Seria maravilhoso ver você tentar controlar uma filha com uma libido desbocada!
— Não vai acontecer — afirmou. — Porque a nenhuma filha minha permitirei que saia com garotos até completar trinta anos.
— Mesmo? Bom, eu posso assegurar a você que nenhuma minha filha suportará uma existência tão dominada, protegida e aborrecida.
— Não se aborrecerá. Há um montão de coisas que posso encontrar para mantê-la ocupada... entre elas aprender a cozinhar. Claro que nessas circunstâncias... — piscou um olho — ...seria de grande ajuda que nosso filho desejasse ser bombeiro.
— Não será muito isso e aprender o negócio dos hotéis?
— Você gostaria de ter um filho no negócio?
— Bom, não... a menos que ele desejasse. Mas não é um segredo que Duncan escolheu você para que, chegado o momento, ocupe seu posto, e supus que você gostaria de passá-lo a seu filho.
— Nunca pensei nisso — calou uns momentos. — Embora imagine que deve ser estupendo poder legar a seu próprio filho algo tão único como Sanders. Mas não sou chauvinista, assim não me importaria que fosse um menino ou uma menina. Salvo que, como você bem disse, deve desejá-lo. E eu gostaria de pensar que o apoiaria sem importar que quisesse seguir meus passos ou se tornar surfista profissional.
— É o mesmo que eu penso! Supõe-se que os pais devem guiar e apoiar seus filhos, não empurrá-los e limitá-los.
— Acha que é o que Duncan fez conosco?
— Não intencionalmente. Convenhamos, Duncan não tinha nem idéia do que fazer conosco até que terminamos o secundário. Se não fosse pelas excursões e as férias que Flo organizava para nós, é provável que, além da escola, só tivéssemos ido ao escritório.
— Está dizendo que não foi feliz? — perguntou com cara preocupada.
— Não, Harry! Claro que não! Amo Duncan e eu adorei tê-lo como tutor. O que acontece é que às vezes me dá a impressão de que perdeu muitas das boas coisas que devem desfrutar dos pais.
— Mas como?
— Ele jamais antecipou que seria pai, e quando caímos em cima dele, assentar e dirigir Sanders tinha embotado todos os instintos paternais. A mim sempre pareceu que estava obcecado e preocupado por ser um tutor responsável, de modo que jamais relaxou o suficiente para desfrutar do prazer que pode representar o mero feito de ser um bom pai. Não digo que perdemos algo, mas o padrinho sim, embora ele não saiba.
— Gina — disse depois de ficar pensativo outro momento, — sei que não me considera preparado para ser um bom pai, mas...
— Nunca disse isso!
— Talvez não com tantas palavras — encolheu de ombros, — mas afirmou categoricamente que não quer se casar comigo.
— Só porque sei o que pensa sobre o casamento. Harry, o fato de que duvide de sua capacidade como marido não quer dizer que não o considere um bom pai para nosso filho.
— Mas acaba de mencionar que um dos problemas que Duncan enfrentou é que jamais antecipou ser pai — recordou-lhe. — E essa também foi uma das coisas mais afastadas de minha mente; por onde...
— Pode ser que no passado tenha sido — cortou ela. — Mas durante dias não tem feito outra coisa que pensar nisso! Pelo amor do céu, se já começou a fiscalizar minha dieta e a especular sobre o aspecto que terão nossos filhos, e ainda nem sequer sabemos se estou grávida.
— De modo que embora considere que seria o equivalente ao Anticristo como marido, crê que seria um bom pai, eh?
— Sim, acredito que seria um bom pai — assentiu com sinceridade. — Pode ser que seja um sedutor contumaz — sorriu, — mas estou convencida de que esse não é um traço genético, assim não há motivo para que nosso filho saia a você. Além disso, basicamente é uma boa pessoa.
— E basicamente você é uma malcriada, mas...
— Não sou — mentiu indignada, — e jamais fui.
— Sim é — corrigiu rindo. — No passado foi bonita o suficiente para conseguir o queria — estendeu a mão sobre a mesa e lhe acariciou a bochecha. — Agora é mais que bonita para conseguir o que quer — com o polegar roçou seu lábio, fazendo com que o coração dela se acelerasse. — Diga-me uma coisa... o que predomina os lindos olhos castanhos, ou os comuns e insípidos olhos verdes?
— Seus olhos não são insípidos nem comuns!— sussurrou ela. — São verdes como esmeraldas — só pode ser o último vestígio de respeito por si mesma o que impulsionou Gina a se afastar quando seu avariado cérebro girou sua boca para a palma da mão dele.
— Verdes como esmeraldas, eh? — murmurou divertido. — Terei que fazer com que mudem minha descrição no passaporte.
Sentindo-se como uma tonta pelo que havia dito e feito, começou a recolher a mesa. Ele a ajudou. Seu desconforto aumentou quando, sem elevar a vista, sentiu seu olhar intenso e sua mente doente começou a imaginar que podia sentir suas carícias sobre seus seios. Quando os mamilos se endureceram saiu correndo para a cozinha.
— O que é que domina? — insistiu Harry, seguindo-a. — castanho-esverdeado ou o verde? — ela girou surpresa pela descrição que fez dos seus. Ninguém, à exceção de Flo, jamais tinha notado que tendiam a mudar de cor, segundo seu estado de ânimo. — Agora mesmo são castanhos — indicou ele, lendo sua mente. — Mas aposto que sou capaz de mudá-los para verde.
— Eu... não o aconselharia — murmurou, depositando os pratos que tinha na mão na pia.
— Por que?
— Porque depois da confusão em que nos colocou com os Mulligan — repôs em uma tentativa de ser sarcástica, — me enfureça agora e existem sérias possibilidades de que seja a única que fique viva na sala.
— O que a faz pensar que quero enfurecer você? — perguntou, grudando suas coxas metidas em jeans contra a parte posterior das dela. De repente o fôlego de Harry em sua nuca pareceu mais devastador que o contato de seu corpo.
— Porque... hmmm... Flo diz que quando me zango meus olhos se tornam verdes.
— Sim, bem. Flo não conhece tudo... — finalmente sua boca estabeleceu contato com a pele do pescoço, lhe provocando calafrios de prazer. Umas mãos grandes e masculinas pousaram sobre as dela, agarradas na borda da pilha. — Também o desejo e a paixão os deixam de um belo verde suave... Gina — sussurrou quando ela sentiu a extensão de seu corpo ficar rígido. — Diga não e me deterei agora mesmo.
— Então, sim — riu com ironia. — Sim. Sim. Sim. Sim.
A fez girar e a aprisionou entre a dureza sólida e segura da pia e a perigosa dureza de sua masculinidade.
— É esplêndida, sabia? — subiu as mãos até seus ombros, logo ao pescoço e as deixou quietas em sua nuca, ao mesmo tempo que com os polegares lhe acariciava as orelhas. Logo baixou lentamente a cabeça e lhe roçou os lábios uma, duas e três vezes.
Quando posou as mãos em seus glúteos e a aproximou dele, Gina sentiu como se o coração estivesse em uma nuvem, e não quis aceitar a opção de não rodeá-lo com as pernas. O que desejava era aproveitar a oportunidade de voltar a ser a amante de Harry, sem importar a brevidade desse papel. Levantou os dedos e começou a seguir o fascinante contorno de seu rosto.
— Diga — pediu ela com voz rouca pela paixão, — vamos experimentar outro amasso de uma noite ou mudou de idéia sobre ter uma aventura?
— Oh, querida — disse com expressão tão reverente que Gina se sentiu como se fosse a mulher mais bonita do mundo. — Mudei de idéia em tantas coisas...
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Almofadinhas Marota Potter
ansiosa para saber a resolução dessa charada, como disse Gina...
Parabns a adaptação é ótima!
Bjs
Almofadinhas, aí está mais uma parte dessa charada!
Muito obrigada! Fico super feliz que esteja gostando!!!
Beijos