— Olá papai.
Harry abriu os olhos e olhou para o garotinho, parado ao lado de sua cama. Logo em seguida, tomou consciência de que suas costas não eram mais a massa inflamável de agonia que fora antes. A memória de como fora parar naquela cama e de quem havia tratado de seus ferimentos era muito vaga. O instinto lhe dizia que ele devia estar preso ao leito há mais de algumas horas, desde o momento em que desmaiara durante a viagem de volta a Scarglas.
— Olá, meu filho — Harry respondeu, a garganta seca como se tivesse comido areia.
— Meu nome não é mais Garotinho. Tenho um nome, agora.
Havia tanto orgulho e alegria na afirmação que Harry teve de sorrir.
— E qual é o seu nome?
— Ciaran Potter ou Ciaran Delacour. Sigimor e o vovô ainda estão discutindo.
— Qualquer um dos dois é um bom nome. Quem o deu?
— Minha nova mãe. Ela até pediu ao padre para batizar-me. Queríamos que o senhor estivesse presente, mas ainda está doente.
— Estou doente?
— Sim, há muitos dias — Ciaran confirmou. — Mamãe e Lily o fizeram tomar remédios e puseram esterco nas suas costas.
— Foi muita gentileza delas. Humm, Ciaran, você acha que pode me dar alguma coisa para beber?
— Posso tentar.
Harry olhou para sua esposa que se aproximava da cama com uma caneca. Ela sentou-se na beirada da cama e parecia calma, talvez calma demais. E não havia sentimento no seu toque quando ela passou o braço para que ele apoiasse a cabeça e pudesse beber o chá de sidra gelado que ela lhe oferecia. Não havia dúvida de que Gina estava brava.
— Há quanto tempo estou nesta cama? — Harry perguntou, depois de terminar a bebida.
— Três dias — Gina o informou, levantando-se da cama para ficar ao lado de Ciaran. — Pensei em esperar para que você pudesse ajudar a escolher um nome para seu filho e fazer com que fosse batizado, mas não pude aguentar mais do que um dia o fato de ele não ter um nome. Então fizemos uma reunião, regida por seu pai e quando você estiver bem daremos uma festa para festejar e apresentar oficialmente Ciaran aos seus tios e primos. E o nome dele entrará para o Livro.
— Ah, o Livro, — Harry sorriu para o filho. — Isso é muito importante — ele murmurou, pensando no livro onde seu pai registrava todos os filhos, a data dos nascimentos, batizados, nome das mães e todas as informações que pudesse ter. Também registrara as filhas, mas eram apenas três no meio da multidão de garotos. — Estou muito feliz por você já estar instalado, Ciaran. Mas não precisa esperar a cerimónia para conhecer todos.
— Não, mas eu preciso encontrá-los um por vez, — o menino afirmou, com muita seriedade — . São muitos e eu não posso esquecer dos nomes. É muito importante saber o nome das pessoas.
— Certamente que é — Harry sentiu que precisava aliviar-se. — Algum dos meus irmãos está por aí? — ele perguntou. — Preciso da assistência de um deles.
— Sim, vou chamar um deles — confirmou Ciaran, correndo até a porta e abrindo-a. — Precisamos de um irmão aqui. Meu pai precisa urinar!
— Oh, meu Deus — resmungou Harry, sem saber se ficava sério ou se ria como Gina, embora ela tentasse disfarçar. — Acho que ele já está bem à vontade aqui.
— Oh, está mesmo — Gina confirmou, um tanto chocada. Ah, um dos seus irmãos vem chegando. Vou providenciar alguma coisa para você comer.
— Nada de sopa de aveia — Harry falou, pegando a mão de Ciaran.
Harry ficou olhando para o filho enquanto Gregor o ajudava a voltar para a cama. Estava feliz por não se sentir tão fraco. Logo não precisaria mais de assistência desse tipo. Ao sentar-se na beirada da cama, Harry sentiu muita curiosidade para saber o que tinha acontecido que o deixara inconsciente durante três dias.
— Você teve febre — Gregor contou, ao ajudar o irmão a sentar-se em uma cadeira ao lado da cama. — Para evitar que as feridas das costas se agravassem, nós o amarramos à cama por dois dias. Gina arrumou cordas bem macias.
Apesar dos esforços, Harry não conseguiu deixar de corar, mas ignorou o olhar interrogativo de Gregor.
— Foi muita gentileza dela. E o terceiro dia?
— Você dormiu, graças às poções que Gina e Lily o fizeram ingerir para que dormisse profundamente e se mantivesse quieto. Você acordou uma vez na noite anterior, mas não disse nada coerente. Não está seriamente doente, mas precisava ficar deitado de bruços ou de lado para que as feridas das suas costas começassem a cicatrizar. — Gregor olhou para as costas do irmão. — Estão com bom aspecto. Acho que não precisará ficar deitado de bruços ou de lado por muito mais tempo. Os cortes não são profundos, embora Gina tenha dito que vão ficar algumas cicatrizes.
— Pude perceber que meu filho já está ambientado, — Harry disse, sorrindo ao lembrar-se de como o menino se pusera à porta para chamar alguém para auxiliá-lo.
— Sim, está. Gina e nosso pai não puderam esperar que você acordasse para ajudar na escolha do nome. Por uma vez ao menos, os dois não discutiram, ambos achando que o garoto não podia ficar nem mais um dia sem nome.
— Ele parece contente com a escolha.
— Sim, e se apresenta a todos que encontra. E, se o chamamos de Garoto ou Garotinho, ele rapidamente nos corrige. Acho que vai demorar até ele adotar o nome de maneira informal. Só por esse crime a mãe dele merecia morrer.
— É verdade, mas eu gostaria que não tivesse sido Gina a matá-la. Ela tem sujado as mãos de sangue desde que veio para cá.
— Nas duas vezes era matar ou ser morta. Não percebi nenhum sinal de que ela esteja perturbada por ter tido de matar Bellatriz. Na verdade, nem teve que correr para vomitar.
— É verdade, não teve.
— Ela quis aquela mulher morta desde o momento em que viu você pendurado naquele poste. Acho também que ela gostaria de matar Bellatriz por mais de uma vez pelo que ela fez ao seu filho.
— Nosso filho, — Harry sussurrou, subitamente consciente das palavras ditas por Gina.
— Ele a chama de mãe.
— Sim, você não precisa se preocupar se ela vai ou não aceitar o garoto. Mesmo na primeira vez que o viu, Gina rapidamente escondeu sua surpresa e foi muito gentil com ele, além de dar-lhe as boas-vindas. Papai também é bom com o menino. E, olhando nosso pai junto de Ciaran, vejo que, apesar de tudo, ele tem sido um bom pai para nós.
— Você tinha dúvidas sobre isso?
— Nunca pensei muito a respeito, pois sempre achei papai estranho. Ainda é, embora esteja mais calmo e, bem... Mais feliz.
Harry concordou e olhou em direção da porta, o estômago dando sinais de fome.
— Você acha que vão me trazer mingau de aveia?
— Apenas se Gina achar que essa seria uma forma de se vingar de você. É bom que arrume uma boa explicação por não ter lhe contado a verdade sobre o garoto. Ela ainda não decidiu se foi apenas um estúpido orgulho masculino, como ela diz, ou se você a insultou com a dúvida de que ela ficaria brava por você trazer o garoto para cá.
— Um estúpido orgulho masculino... — Harry murmurou.
— Sim — Gregor sorriu. — Parece que a irmã de Sigimor diz isso e Gina pegou esse mau hábito de Fleur. Ela disse também que Mione freqüentemente resmunga a mesma coisa. Parece que não apenas Fleur é uma mulher inteligente.
— Gina discute com Sigimor? — Harry sorriu, ao imaginar a cena da pequena Gina discutindo com o parente grandalhão.
— Sim, e nosso pai acha muito engraçado. Ele e Sigimor dão boas risadas. A aliança que você queria está firme, Harry. Papai aceitou os Delacour, que amaldiçoou durante tanto tempo.
— Isto é bom, mas por que os Delacour ainda estão aqui?
— Sigimor diz que, depois de tantos anos tendo nossos portões fechados na cara deles, ele está determinado a conhecer todos nós. Diz que não são apenas os Potter que ganharam com a aliança. Ele não está brigando com todos os seus vizinhos, mas tampouco os tem como aliados. Sigimor e papai podem discutir, mas é porque gostam. Se todos os casos que Sigimor conta são verdade, aquele clã é tão esquisito quanto o nosso. — Gregor olhou para a porta por onde Gina entrava carregando uma bandeja. — Ah, fique feliz, irmão. Parece que não é mingau, — Gregor murmurou.
Gregor ajudou a cunhada com a bandeja e saiu do quarto.
Ela sentou-se na cadeira perto da cama e ficou esperando para se certificar se Harry ia necessitar de sua ajuda. Agradou-a o fato de ele não parecer muito fraco. Apesar das afirmações de Lily de que nem a febre e nem as feridas eram muito sérias, ela estivera muito preocupada. Agora, podia apenas pensar em ficar brava com ele.
Logo que Harry acabou de comer, Gina o ajudou a deitar-se de lado, novamente. Quando ia se afastar, ele a agarrou pelo pulso e a puxou para perto dele. Ela sentou-se na cama e olhou para o marido, sua raiva diminuindo ao ver o olhar pesaroso e preocupado que ele lhe dirigiu.
— Eu não estava preocupado que você não aceitasse o menino, — Harry afirmou. — Eu estava preocupado que você não aceitasse o fato de eu ter um filho.
Gina olhou para o marido fixamente e percebeu que, com essa simples frase, Harry tinha conseguido fazer com que sua raiva diminuísse.
— Isso aconteceu oito anos atrás, Harry. Eu tinha doze anos. Nossa Mione ainda não chegara a Deilcladach e eu continuava a ser criada como um rapaz.
— Sei disso agora, que penso com mais clareza. Eu nunca mais ouvira falar daquela mulher desde que ela me traiu com Tom Riddle e, de repente, recebo uma mensagem dizendo que ela me entregava um filho e que ele se encontrava no casebre do velho Robbie. Tenho certeza de que Gregor lhe contou que pensávamos se tratar de uma armadilha, mas eu tinha que ter certeza. Um olhar foi o suficiente para eu me assegurar que ele era realmente meu filho.
— Isto é tudo o que eu necessito, Harry.
— Bem, Gina foi um choque e, por Deus, quando eu soube que o menino nem um nome tinha e nem fora batiza-do, quase enlouqueci. As pessoas o chamavam de bastardo... — Harry apertou a mão da esposa quando ela a levou aos lábios dele. — Ele perguntou se viria para Scarglas e se poderia dormir dentro de casa. — Harry meneou a cabeça ao ouvir Gina praguejar. — Se aquela louca ao menos me tivesse contado sobre o garoto, eu o teria poupado de tanto sofrimento.
—- O que está feito, está feito. Ciaran é um menino bom e forte. Há feridas no seu coração que nunca cicatrizarão por completo, mas ele crescerá corajoso e atrevido como um garoto de sete anos deve ser, e será aceito por todos. Ele ficará bem. Bellatriz tratava o filho como se ele fosse um cachorro sem dono. Como pode uma mãe agir dessa maneira?
— Não tenho uma resposta para isso, querida. E não sei porque não lhe contei sobre ele imediatamente. Tantos pensamentos passaram pela minha mente. Eu até me lembrei das discussões que meu pai tinha com suas esposas a respeito dos filhos bastardos.
— Se você tivesse tido um filho com outra mulher casado comigo, haveria briga e talvez uma separação.
Harry sorriu e a puxou para si a fim de beijá-la. A idéia de que ele pudesse ser infiel foi o bastante para deixar Gina enraivecida e isso agradou a Harry. Ciúme podia não ser o melhor dos sentimentos, mas geralmente era sinal de que o coração da mulher já tinha dono. Quando estivesse bom para poder fazer amor com Gina novamente, eles teriam uma conversa muito séria sobre o que sentiam um pelo outro.
Enquanto convalescia, teria tempo para adquirir coragem e parar de temer certas respostas.
— Eu estava confuso, Gina. Nem mais, nem menos. Eu ia trazê-lo para casa no dia em que fui pego por Tom e Bellatriz. — Harry franziu o cenho. — Ciaran sabe o que aconteceu à mãe dele?
— Sim, eu contei, — Gina suspirou. — Pensei em omitir certas partes, mas acabei falando tudo. Esse fato será contado por muitas pessoas e, fatalmente, ele iria acabar sabendo. Preferi que soubesse por mim. Ciaran sabe que ela tentou matar você e todo o resto que Bellatriz fez contra você. Não mencionei o chicote e ele não sabe exatamente o que aconteceu. Mas reconheceu as marcas que você tem nas costas.
— Oh, não... Ela não... — Harry praguejou, ao ver Gina meneando a cabeça.
— Ele não tem muitas cicatrizes, deve ter sido bom em fugir ou em se esconder, ou havia pessoas que a impediam de exagerar. Graças a Deus ele tinha Mary, que ele ama e pelo que conta, também é amado por ela. Contei a Ciaran que matei Bellatriz porque ela estava tentando matar-me e ele não duvidou disso nem por um minuto. No final da conversa, ele pareceu simplesmente ter posto o assunto de lado. Não mencionou mais nada.
—Deve ter sido muito duro para ele, eu sei, mas a verdade é melhor. E, talvez, ele nem se importe com o que aconteceu com a mãe.
— Ela não foi realmente uma mãe para ele, não é?
— Não, não foi. Mas nós seremos. Ele até já a chama de mãe.
— Foi escolha dele. Eu disse que ele poderia me chamar de Gina se quisesse, ou de mãe, apesar de eu não ser verdadeiramente mãe dele.
— Obrigado, Gina.
— Obrigado pelo quê? Ele é apenas um garotinho, um garotinho ferido, e você e eu nem nos conhecíamos. E, oh! Harry, Ciaran vê até a menor coisa que você faz para ele como um presente. Isso me toca o coração. Fiquei tão feliz em vê-lo parado na porta gritando por ajuda para você, como um menino normal, que nem ralhei com ele pelas palavras que usou. O que ele precisa é que o abracemos todas as vezes que virmos medo e insegurança no seu olhar. Acho que demorará algum tempo até que ele tenha certeza de que é bem-vindo. — Gina bocejou. — Desculpe.
Harry a puxou para deitar-se ao lado dele.
— Descanse aqui. — Ele a abraçou, de modo que Gina encostasse as costas no peito dele.
— Suas costas... — ela começou a protestar.
— Não estou sobre elas. Já dormimos desse modo antes e eu acordei só de manhã. Com as poções que você e Lily me fizeram beber acredito que logo estarei completamente curado.
Gina fechou os olhos. Sabia o motivo de estar cansada e logo teria que contar a Harry. Muitas pessoas haviam percebido que ela estava com muito apetite e que descansava todas as tardes. Logo começariam a comentar e ela não queria que Harry ficasse sabendo por outros, que logo seria pai novamente.
— Bellatriz era uma mulher muito bonita — Gina murmurou.
— Apenas por fora. Vendo-a novamente, fiquei até constrangido por tê-la tocado.
— Ah, mas se isso não tivesse acontecido, Ciaran não estaria aqui.
— Verdade, e isso seria uma pena. — Harry beijou a cabeça da esposa. — Houve um momento em que o ódio de Bellatriz lhe transfigurava o rosto. Fico pensando porque Deus deu tanta beleza a uma mulher tão má. Acho que a luxúria me cegou, mas tenho a desculpa de, naquela época, ser jovem demais.
— Humm. Você não foi tão descuidado. Ela teve que seduzi-lo.
— Verdade. Talvez eu tivesse um pouco de inteligência.
— Sim, talvez — Gina murmurou, quase dormindo.
— Eu ainda não ralhei com você por ter se arriscado tanto, — ele disse, esticando o braço para acariciar seus seios e sorrindo quando ela emitiu um som de contentamento.
— Bem, você poderá fazer isso daqui a pouco.
— Por que esperar?
— Porque eu estarei dormindo e não o escutarei.
— Que mulher impertinente. Você se arriscou muito, Gina.
— Você teria feito o mesmo por mim. E não foi um grande perigo. Você sabe que eles hesitariam em apenas me matar. Mesmo que tivessem adivinhado quem eu realmente era, e as chances de isso acontecer eram poucas, eles não me matariam imediatamente. Só o que precisávamos era que eles desviassem a atenção por alguns minutos para que seus homens e os homens de Sigimor pudessem se aproximar sem serem vistos. Você pode não ter gostado, mas tem que admitir que eu era a escolha perfeita.
— Sim, era, mas realmente não goste, — Harry disse, sorrindo.
— Eu os enganei, não foi?
— Sim, você os enganou, mas nunca mais fará alguma coisa perigosa dessa maneira. Eu baterei em você.
— Pode até tentar.
Quando ele soubesse da gravidez, ficaria ainda mais bravo, da mesma maneira que Gregor e Sigimor. Teria que ouvir admoestações até se cansar. Gina apoiou a mão sobre a mão que Harry apoiara nos seus seios e pensou, antes de cair no sono, que fora um preço pequeno a pagar para tê-lo de volta a Scarglas vivo, e com seus piores inimigos mortos.
Harry sorriu ao perceber o corpo da esposa relaxar, dominado pelo sono. Agora não tinha dúvida. Poderia demorar um pouco para transformar em amor o que ela sentia por ele. Mas conseguiria.
Conversaria com Gregor a esse respeito. Seu irmão mais novo entendia de mulheres e ele não tinha experiência. Era chegada a hora de galantear sua mulher para transformar aquele carinho em amor. Queria Gina de corpo, coração e mente e Gregor seria capaz de ajudá-lo nessa incapacidade de falar coisas bonitas e amorosas.
Pararia de mantê-la a distância. Harry sabia que Gina queria fazer parte de sua vida, de toda a sua vida. Ela tentara ser sutil, mas ele várias vezes sentira sua frustração pela maneira como ele hesitava em dizer-lhe coisas carinhosas, de revelar seus pensamentos e sentimentos, de partilhar seus planos para o futuro. Gina nunca hesitava em dizer-lhe esse tipo de coisa e era tempo de retribuir a confiança dela.
O som da porta se abrindo o afastou dos seus pensamentos e ele olhou para Ciaran, parado ao lado da cama. O menino olhava para Gina e Harry pôde ver amor nos olhos dele. Ciaran queria uma mãe e Harry tinha a certeza de que escolhera a melhor mulher para exercer essa função. Ela seria firme, mas gentil e saberia como minorar o sofrimento e curar as feridas do pobre garoto. Devido ao modo como fora criada, ela teria mais paciência com os modos do menino do que outras mulheres.
— Ela está doente? — Ciaran perguntou baixinho, com a voz trémula.
— Não — Harry sussurrou. — Está apenas descansando um pouco.
-— Ela trabalhou muito para que o senhor sarasse.
— Eu sei.
— Estou triste por minha antiga mãe ter tentado ferir você e a minha nova mãe.
— Não deve ficar triste. Você não fez nada e nem queria que isso acontecesse, não é verdade? — Ciaran meneou a cabeça vigorosamente. — Então, você não deve pensar que precisa se desculpar pelo que ela fez. Ela era sua mãe, mas era adulta e fez suas próprias escolhas, e tomou suas próprias decisões.
— Foi isso que mamãe e vovô me disseram.
—- E eles estão certos. Uma criança não é culpada pelos erros dos pais.
— Mas eu estou triste porque minha antiga mãe fez minha nova mãe ter de matá-la.
— Eu também, mas está feito e não há como mudar. Isto é passado e deveria ser esquecido.
Ciaran concordou e bocejou, esquecendo de cobrir a boca com a mão.
—- Acho que também estou um pouco cansado.
Harry teve que conter um sorriso pela sutileza do garoto, e sentiu uma onda de carinho pelo filho invadir seu coração. O garoto olhava para Gina com olhar de cobiça. Harry duvidava que o menino realmente quisesse descansar, mas com certeza queria estar perto da sua nova mãe por algum tempo. Era um sentimento que Harry conhecia bem.
— Bem, se você tomar cuidado para não acordá-la, há um lugarzinho ao lado dela.
O garoto moveu-se rapidamente, mas deitou-se com cautela, o que fez Harry pensar onde ele tinha conseguido tal habilidade. No momento em que Ciaran encostou-se a Gina, ela murmurou seu nome e o puxou para mais perto. Um suave murmúrio de pura alegria escapou da boca de Ciaran.
Harry ergueu a cabeça para olhar os dois. Naqueles três dias, enquanto estivera dormindo, os dois haviam ficado juntos de um modo que ele talvez nunca fosse capaz de entender. Mesmo dormindo, Gina reconhecera o menino perto dela, como uma verdadeira mãe sentiria por seu filho.
Aquele era seu futuro, Harry pensou. Aquela mulher, aquela criança e as crianças que Gina poderia lhe dar. Relaxou e enterrou a cabeça nos cabelos da esposa. Toda sua vida. desde o momento em que soubera que homem e mulher deviam ser companheiros, ele desejara e ansiara por uma mulher que fosse sua. Tolamente, imaginara que essa mulher fosse Bellatriz. A chegada de Gina na sua vida mostrou como fora tolo.
Ali estava tudo que ele queria para a sua vida e iria fazer o que fosse possível para conservar esse presente de Deus.
N/A: Olá de novo, eu estava pensando so em postar semana que vem, mas vocês insistiram tanto, tanto, que resolvi postar. Ta ai mais um capitulo, um dos que eu mais gosto. Espero que vocês também.
Besos