Isto não vai ser agradável, pensou Harry ao ver uma sorridente Bellatriz segurar um chicote nas mãos delicadas como se o acariciasse. Entendia agora porque ela amava Tom. Os dois eram feitos da mesma massa. O que Harry não entendia e nunca conseguira entender era o motivo de ela sentir tanto ódio por ele. Ser o líder das terras que Tom cobiçava não lhe parecia motivo suficiente.
— Você devia ter dado um nome ao menino — Harry disse a Bellatriz, e quase sorriu ao ver como suas palavras a tinham deixado admirada.
— Nunca pensei que o pequeno bastardo fosse sobreviver, — ela declarou, dando de ombros — . Mas, céus, que menino teimoso! Não pude me livrar dele enquanto ele estava dentro do meu útero e depois que ele me torturou com seu nascimento, pareceu ficar cada vez mais forte. Certa vez pensei que uma febre fosse levá-lo, mas a imbecil da irmã de Tom o alimentou até que ele recuperasse a saúde.
— Nós, os Potter, somos duros na queda.
— Isso é muito bom, pois quero que você demore a morrer.
Era estranho ouvir esse tipo de palavras de uma boca tão tentadora. Harry constatou que Bellatriz continuava bela, mas essa beleza não o emocionava mais. Podia ver a podridão sob aquela pele clara e lisa. Era tanta maldade que Harry não podia entender como ela continuava tão bela.
Agora Harry conhecia a beleza verdadeira. Gina tinha cicatrizes e não era tão sensual quanto Bellatriz, mas era muito mais bonita do que Bellatriz jamais poderia ser. Gina tinha a suavidade, a delicadeza e a generosidade de espírito que faltava em Bellatriz. Harry ficou um pouco constrangido por ter se deixado iludir por uma mulher daquele tipo.
— Tenho apenas uma pergunta a fazer antes que você comece a agir — ele murmurou.
— E o que é? — Tom perguntou, quando viu que Harry nada dizia.
— Confesso que estou curioso em saber por que você e Bellatriz têm tanto ódio de mim. Exceto pelas terras que vocês erroneamente acham que lhes foram roubadas, Tom, não me lembro de nenhum pecado que eu tenha cometido contra vocês dois.
— Scarglas deveria ser minha! — Tom gritou. — O louco do seu pai caiu nas graças do primo dele e a roubou de mim. Eu é que devia tê-la herdado, não você. Eu é que deveria ser o líder de Scarglas, não você. A partir do momento em que você nasceu, o filho daquele tolo James com a filha do velho líder, nós perdemos a chance de ficar com as terras. Você era o neto mais velho e não importava o que fizessemos, era o herdeiro verdadeiro aos olhos do rei, da igreja e da lei. Você não devia ter nascido.
— Mas você não precisa daquelas terras. É o líder das suas terras.
— Miserável, seus argumentos de nada adiantarão. Com aquelas terras acrescentadas às minhas, eu seria um líder muito poderoso. — Tom olhou na direção de Scarglas. — Aquela casa é muito melhor, também. Valeria mais nas mãos de um homem como eu. Eu poderia ser um homem rico e respeitado se tivesse aquela casa.
Isso tudo ainda não fazia muito sentido para Harry. Tom parecia pensar que ele tinha se tornado herdeiro de Scarglas por pura malícia e que tinha roubado dele algum futuro glorioso que só existia na cabeça dele, pelo menos em parte. Harry ainda sentia que devia haver mais motivos, que só faziam sentido na mente doentia de Tom. Em algum ponto da vida, Tom decidira que a perda de Scarglas era a razão de tudo o que dera errado para ele e, uma vez que Harry era o herdeiro, ele tinha que sofrer. O fato de Harry ter dado um filho a Bellatriz e ele não, tinha indubitavelmente reforçado aquela estranha noção de vingança.
— E você, Bellatriz? — Harry perguntou.
— Você matou minha família minha mãe e minha irmã.
— Não, eu não as matei.
— Talvez não por suas próprias mãos, mas seu clã foi o responsável. Elas foram sacrificadas em uma das suas investidas. Meu pai encontrou os corpos e se enforcou. Perdi todos por causa dos Potter. Ela sorriu malevolamente para Tom. Fiquei perdida e sozinha até encontrar Tom.
— Meus homens não matam mulheres.
— Vocês, Potter, entraram nas nossas terras. Seus homens foram vistos perto da minha casa. Você me insulta com suas negativas. Quem mais poderia ter feito aquilo?
Seu pai, Harry pensou, mas nada disse, apenas olhou para ela. Seu instinto lhe dizia que uma parte de Bellatriz sabia disso, mas em vez de enfrentar a terrível verdade preferia culpar seu clã e ele. Tinha sido sua má sorte esíar por perto naquele dia terrível.
A situação era até engraçada. Não fizera nada aquela gente. Seria torturado e assassinado por coisas que nunca havia feito, por crimes que nunca havia cometido. Ele era o demonio para eles, aquele que o haviam escolhido para culpar pelos seus próprios erros, dores e perdas. Durante anos tentara discutir com pessoas que não tinham raciocínio normal.
— Chega de conversa, —clamou Tom, dando um passo em direção de Harry, com o punhal na mão. — Isto é perda de tempo.
— Matar-me não lhe dará Scarglas — disse Harry.
— É verdade, mas me fará muito feliz,
— Você disse que eu começaria, Tom — declarou Bellatriz, um leve lamento na voz. — Por isso eu trouxe meu chicote. Se você começar a cortá-lo, ele ficará ensanguentado e eu poderei torturá-lo por ter ousado me tocar.
— Você é que me tocou, — Harry murmurou — . Eu não revelei meus segredos e você se enfiou na minha cama, e tentou me seduzir para que eu os contasse. Pode parar de agir como se fosse uma mulher virtuosa, abusada por um Potter. Não foi bem assim.
E, naquele momento, ela não era mais uma mulher bonita, pois seus traços estavam deformados pelo ódio e pela fúria. Agora era possível ver o que Bellatriz tinha dentro do coração. provavelmente não fora inteligente afirmar o que ele acabara de dizer, mas Harry não queria ser chamado de vilão por aquela mulher.
— Deixe-me fazê-lo pagar por isso, Tom — ela sibilou. — Deixe-me fazê-lo sangrar.
-— Eu a interromperei se você for longe demais, meu amor —Tom afirmou, dando um passo para trás. — Eu a deixarei se vingar, mas eu também quero torturá-lo. Vire-o de costas — ele ordenou a seus homens.
E esse será o começo, pensou Harry, enquanto era virado para que Bellatriz lhe açoitasse as costas. E ele rezou para ter força suficiente e não demonstrar sua dor. Quanto mais pudesse aguentar, mais chance teria de ser resgatado. Alguém poderia notar sua falta, notar que ele saíra sozinho. Gregor sabia o lugar onde ele deveria estar, coisa que os Riddle não tinham conhecimento.
Quando Bellatriz começou a açoitá-lo, Harry cerrou os dentes e começou a rezar para que alguém chegasse.
— Eu quero que vocês matem os dois — Gina disse, ao ver seu marido nu e sangrando, e lutando para encarar Tom quando os homens o viraram para que encarasse seu algoz de cima daquele estranho patíbulo.
— É o que pretendemos fazer — declarou Gregor.
— Poderemos fazer isso devagar — murmurou Sigimor, olhando de perto para Gina. — Dê-lhes uma amostra da que estão fazendo com seu marido.
— Ah, não me tente, Sigimor — Gina sussurrou, e respirou fundo. — Mas não, mesmo que eles mereçam, não agiremos da mesma maneira.
— Como quiser. Pronta?
Gina ajustou o corpete e despenteou os cabelos com os dedos.
— Sim, estou pronta. Como pareço?
— Deliciosa.
— Não dá para ver nenhum dos meus punhais?
— Nenhum.
— Então estou pronta.
— Tenha muito cuidado, Gina — disse Gregor— . Se eles a forem agarrar e feri-la, corra. Eu já a vi correr e seí que você tem capacidade de vencê-los, pelo menos até que desviemos a atenção dele em nossa direção.
— De acordo.
Gina pegou sua cesta e caminhou em direção dos Riddle, satisfeita com o ódio que incendiava seu sangue, pois diminuía seu medo. Embora todos houvessem achado seu plano bom, sempre havia a possibilidade de alguma coisa dar errado. Nenhum deles sabia com certeza o que os Riddle haviam ouvido falar dela. Se soubessem demais, ela poderia ser reconhecida e isso a poria em terrível perigo.
— Tio Robbie! — Gina gritou, enquanto se aproximava do casebre. — Oh! Trouxe bolos. — Ela parou e olhou para os Riddle como se tivesse acabado de vê-los. — Oh, céus, eu não sabia que tio Robbie tinha convidados. Eu teria trazido mais bolos.
Harry piscou. Não era possível. O que Gina fazia ali? A dor que sentia devia estar fazendo com que ele delirasse.
Então olhou para Tom e seus homens, para suas expressões de cobiça e percebeu que era realmente sua mulher que estava ali. Sua mulher, parecendo docemente confusa, os cabelos soltos, o corpo esguio e o corpete tão baixo a ponto de quase ser possível ver os bicos dos seus seios. Se ela respirasse fundo, seus seios saltariam fora do corpete na frente de todos. Quando estivesse livre, iria querer saber quem a deixara sair daquele jeito e o mataria aos poucos.
Então, Gina olhou para ele e, por um breve momento, ele viu ódio nos olhos dela. Mas foi apenas um vislumbre antes de ela parecer apenas curiosa e sem dar sinal de tê-lo reconhecido. De fato, considerando-se que ela olhava para um homem ensanguentado, a expressão de Gina era doce e calma demais, como se ela não tivesse sentimentos. Harry se pôs a pensar quantas facas sua esposa teria escondido no corpo.
— Quem diabos é você? — Tom perguntou, irado.
O modo como Tom olhava para os seios de Gina fez com que Harry desejasse que alguém o matasse imediatamente. Depois de olhar rapidamente para as expressões dos homens de Tom, Harry teve vontade de mandar Gina de volta para casa. Então ele viu o rosto de Bellatriz. A mulher olhava de Tom para Gina várias vezes. A expressão dela e o modo como apertava o chicote ensanguentado com as mãos fizeram com que Harry sentisse que ela devia ser observada mais de perto.
Harry manteve os olhos fixos em Bellatriz enquanto Gina representava seu papel. Pelo menos isso o manteria ocupado para não olhar para seus homens, que ele esperava estivessem se aproximando. Gina era impetuosa, mas não tentaria resgatá-lo sozinha. Era uma mulher inteligente e acostumada a lutar.
Harry lutava para não ceder à dor, para continuar a observar os Riddle ao menor sinal de ameaça a Gina se algum dos homens a reconhecesse.
— Sou sobrinha do velho Robbie — Gina respondeu, sorrindo para Tom. — Eu às vezes venho vê-lo e também a sua mulher.
— O velho não tem parentes — interveio Bellatriz.
— Bem, não sou parente de sangue, mas ele me considera da família.
— Isto está errado, Tom — Bellatriz declarou, aproximando-se do marido, que mantinha o olhar fixo em Gina. — Mande essa mulher embora ou acabe com ela.
— Oh, que falta de gentileza — Gina falou firme. Harry observou os olhares de todos os homens seguindo sua mão quando ela pressionou os seios. Se o resgate não chegasse logo, eles se atirariam sobre ela como lobos. Ou uma ciumenta Bellatriz a atacaria. Harry quase sorriu. Bellatriz estaria cometendo o erro mais grave de sua vida, um erro que a levaria à morte.
— Mas eu a perdo — continuou Gina — pois suspeito que essas manchas sejam muito desconfortáveis e a deixem de mau humor.
— Manchas?! Não tenho nenhuma mancha — Bellatriz passou a mão pelo rosto.
— Oh, desculpe. Devo ter visto alguma sombra. Errei. — Gina olhou para Harry. — Vocês deveriam vestir esse pobre homem. Não é certo mulheres ficarem expostas a esse tipo de demonstração. Pode ferir nossa sensibilidade.
— Você é uma idiota — vociferou Bellatriz.
— Cale a boca. Bellatriz — disse Tom. E você, moça — ele se voltou à Gina, — o que faz aqui?
— Eu espero — ela respondeu.
— Espera o quê?
— Espero que você morra.
Tom ficou surpreso pela mudança do tom de voz de Gina. Harry achou que nunca ouvira uma voz de mulher tão dura, tão fria e tão ameaçadora. Gina se aproximava lentamente dele e, pelo canto do olho, Harry viu alguém de cabelo vermelho se aproximando, e quase sorriu. Tudo que tinha de fazer agora era observar sua pequena esposa e rezar para que ela não fosse ferida na batalha que estava na iminência de começar.
— Você é louca. Certamente não pensa que uma moça como você possa me causar algum mal.
— Eu penso que posso, mas deixarei esse serviço para outros.
— Para outros? Para quem?
— Para mim, — disse Sigimor, que sorriu quando Tom se virou para olhar para ele.
Gina ficou perto de Harry quando a batalha começou. Pôs a cesta no chão e se armou com um punhal em cada mão. Queria soltar Harry, mas ele estava colocado alto demais para ela, e, além disso, não podia afastar os olhos dos Riddle, não podia se distrair.
— Vou bater em você quando estiver livre e curado dos meus ferimento, — Harry ameaçou.
— Você pode até tentar, — Gina respondeu. — Será uma batalha rápida.
— Muito rápida, — Naquele momento, Harry viu Bellatriz olhando para Gina como se apenas naquele momento tivesse percebido que se tratava de uma armadilha preparada para eles. — Fique atenta, garota.
Gina ficou tensa ao ver Bellatriz se aproximar. Era óbvio que a mulher estivera no meio da batalha. Gina lembrou-se de ter ouvido seu chicote estalar algumas vezes Como Bellatriz não portava mais o chicote, Gina deduziu que um dos homens de Harry o tinha arrebatado e ficou chateada por ela não ter sido morta no processo. Mas Bellatriz portava agora um grande e afiado punhal.
— Você é mulher que se casou com ele, não é? — Bellatriz perguntou a Gina.
— Sim, tive essa honra.
— Honra? Por se casar com ele? Suponho que não tenha conseguido coisa melhor depois que foí marcada por essas cicatrizes.
— E eu suponho que você não tem cérebro.
— Vou matar você e depois cortar seu corpo em pedacinhos. Você deveria ter fugido, sua tola, porque fui eu quem marcou Harry com a maioria das cicatrizes que ele possui.
— Sei disso, mas serei misericordiosa e não a farei sofrer quando a estiver matando.
Harry praguejou ao ver Bellatriz investir contra Gina. Um instante depois ele se acalmou e observou sua esposa com admiração.
Era fácil perceber sua habilidade e sua graça ao lutar. Levou vários minutos para Bellatriz perceber que Gina estava brincando com ela, que aquela pequena mulher já poderia tê-la matado se quisesse. Por um breve momento o medo tomou conta dela, que fixou os olhos em Gina.
— Eu levarei você comigo, — Bellatriz sibilou, consciente de que perderia a luta.
— Não, não levará. Você irá sozinha.
Um momento depois Bellatriz jazia no chão e Gina calmamente limpava a lâmina do punhal nas saias da mulher morta. Estava se levantando para olhar Harry quando o último dos Riddle caía. Harry sentiu uma ponta de decepção por não ter visto Tom morrer.
— Sigimor o fez suar, — Gina afirmou.
— Você lê meus pensamentos, não lê?
— Depois do que ele fez você sofrer, não é um grande dom saber o que você estava pensando.
Gregor e Sigimor desamarraram Harry. Ele caiu ajoelhado, as pernas fracas demais para sustentá-lo e não se fez de rogado ao apoiar a cabeça no colo de Gina. Ele fechou os olhos e respirou profundamente, inalando o cheiro de sua esposa que começara a limpar seus ferimentos. Ao redor deles podia-se ouvir os sons de seus homens removendo os corpos dos Riddle.
— Oh, Harry... — sussurrou Gina, enquanto com delicadeza lavava as feridas das costas do marido. — Gostaria de poder matá-los novamente. Suas pobres costas.
— Ficarei bom. Bellatriz não tinha a força de um homem, não me fez tanto mal.
— Não estou triste por tê-la matado.
— Ótimo. Não deve estar. Ah, garota, você se arriscou muito para me salvar.
— Não tive escolha.
Ele queria perguntar o que ela estava querendo dizer, mas Gregor chegou com um cobertor e uma calça para vesti-lo. Gina o ajudou a sentar-se e Gregor, com cuidado, vestiu o irmão rapidamente.
Harry teria que esperar para perguntar a Gina o significado daquelas palavras. A emoção da sua voz poderia não ser natural para uma mulher depois da batalha que enfrentara. Ou poderia significar que ela se importava muito com ele. Mais tarde, quando sua mente estivesse mais ciara, ele pensaria nisso com cuidado.
— Você pode montar? — Gregor perguntou ao irmão.
— Só amarrado ou se alguém me segurar. Como soube o que estava acontecendo?
— Percebi que você saíra sem mim e encontrei Sigimor aqui. Ele tinha seguido você, embora não tenha dito o motivo , — Gregor explicou, franzindo o cenho para Sigimor. — Por que você veio aqui?
— Achei que Harry estava agindo de maneira estranha, — respondeu Sigimo r— . Pensei que ele tivesse arranjado uma amante e decidi descobrir para pôr algum juízo na cabeça dele.
Gina riu, tanto pelas palavras de Sigimor como pelo alívio de não ser a única pessoa que achara que Harry saía furtivamente para se encontrar com outra mulher.
— Harry necessitará ser amarrado para se firmar sobre o cavalo e temos que tomar cuidado com suas costas.
— Eu farei isso. Ele poderá sentar-se atrás de mim, pôr seus braços ao redor da minha cintura e nós amarraremos seus pulsos juntos para que ele não caia, se desmaiar.
— Eu nunca desmaiei — resmungou Harry, e Sigimor apenas esboçou um sorriso.
Sigimor estremeceu quando ajudou Harry a ficar de pé e deu uma olhada nas costas dele.
— Aquela mulher amava seu chicote. O que você fez para ela o odiar tanto?
— Ela me culpa pela morte de sua mãe e de sua irmã, — respondeu Harry, apoiando-se em Sigimor quando os dois caminhavam até a clareira, onde havia deixado os cavalos. — Pelo que ela me contou, acredito que foi seu pai que matou as duas mulheres e depois se suicidou. Pude perceber que Bellatriz tinha essa suspeita, mas os Potter haviam invadido as terras dos Riddle naquele dia e ela decidiu culpar-nos.
— E Tom queria Scarglas.
— Sim, mas ele também tinha a mente confusa e eu me tomei o demónio que ele tinha de matar. — Vendo que Gina vinha atrás deles conversando com Simon, Harry perguntou ao primo: — E quanto às pessoas do casebre? Tom se esqueceu delas?
— Você se refere ao casal de velhos e ao seu filho?
— É claro que sim. Gina viu o garoto?
— Sim, ele e o casal estão em Scarglas. Você devia tê-la avisado.
— Faz apenas três dias que eu soube da existência dele. Eu estava tentando pensar na melhor maneira para contar a ela.
— Bem, enquanto você estiver se recuperando terá tempo de pensar no melhor modo para controlar o temperamento de sua esposa.
— Ela ficou brava?
Sigimor sorriu, mas não disse a Harry que essa pergunta era estúpida demais.
— É claro que ficou. E duro para uma mulher aceitar o filho bastardo do marido. Mas ela não está brava por você ter um filho bastardo. O irmão dela, Rony, tem cinco. E Gina tem o bom senso de entender que você nem sabia da existência desse filho. Ela ficou brava por você não ter contado a ela.
— Terei que tentar convencê-la, e sei que não será fácil — Harry suspirou, e Sigimor apenas riu.
Quando foi colocado no cavalo e seus pulsos amarrados ao redor da cintura de Sigimor, Harry soube que logo iria passar por mentiroso e desmaiaria. Olhou para Gina quando ela parou ao lado dele e apertou a coxa dele com a mão trêmula. Harry ficou emocionado com a expressão que viu no olhar de sua esposa. Havia muito mais do que apenas a preocupação de uma esposa obediente.
— Ficarei bem, Gina — ele disse. — Monte no seu cavalo e vamos embora. E suba seu corpete. Dá para ver os bicos dos seus seios.
Ele quase riu quando a viu ruborizar, puxar o corpete e olhar para ele antes de pôr o cavalo em movimento. Teria sido melhor ter ficado quieto ou ter arrancado algumas palavras doces dela, mas Harry sabia que esse não era o momento indicado.
Confortou-se com a ideia de que ela se preocupava com ele. Vira isso nos seus olhos lacrimejantes. Mais tarde, quando estivesse curado, tentaria encontrar um modo de fazê-la dizer aquelas palavras. O olhar de Gina lhe dera esperança, mas Harry necessitava dessas palavras. Foi seu último pensamento claro, pois Sigimor fez o cavalo andar e Harry depois de um minuto de dor mergulhou na escuridão.
N/A: E ai como foi o carnaval de vcs? O meu foi bastante ruim, pra acabr tive um casamento ontem pra ir, hunff. Tem logica?? Casamento dia de de TERÇA, kkkk. Eu to me lamuriando desde ontem. Aproveitem, pq só tem mais 3 capitulos. E pra felicidade de vcs irei adaptar 2 fics, uma classico historico e outra atualidade.
Divirtam-se.
Bjs