CAPITULO 111 – IDEIA DE MESTRE!
Luna mostrava algumas imagens nas revistas que tinha espalhado sobre o sofá.
-... Não gosto de costureiras. Nem tutoras. E que Deus me livre das governantas! – ela dizia com seu ar sonhador – para ser franca, coloquei fogo no vestido da minha última tutora, então, Neville sugeriu que não tivesse mais nenhuma pessoa no meu encalço o dia todo. Não que tenha colocado fogo em sua saia de propósito, foi um acidente... Mesmo assim, veio a calhar. Gosto de comprar meus vestidos pessoalmente, olhando as lojas. É cansativo, mas adorável.
Hermione e Gina dessa vez ouviam seu monólogo de vinte minutos sobre vestidos, costureiras e tutoras com verdadeiro interesse, absorvendo cada palavra. Por mais estranhas, e só Deus para saber como Luna conhecia palavras estranhas!
-Conhece lojas onde poderíamos comprar roupas adequadas? – Gina perguntou, tentando não parecer tão desesperada quando se sentia.
-Sim, mas algumas só de passagem, pois nunca entrei.
Gina olhou para Hermione antes de estender sua bolsa na direção de Luna e abri-la, perguntando enquanto corava, pois esses assuntos de dinheiro ainda eram um mistério para ela:
-Isso é suficiente para comprar alguns vestidos?
Luna espiou em sua bolsa e soltou um longo assobio.
-Sim, mais que suficiente. Para ser franca, poderia comprar uma ilha na Cordoalha! E ainda sobraria para...
-Certo! – Hermione levantou-se antes que Luna começasse seu discurso – Anna, peça ao cocheiro para preparar a carruagem. E mande Duran ao mercado, não quero que ele vá conosco!
-Senhora... Ele não saberá escolher as melhores frutas – ela explicou corando.
Certo, pensou Hermione. O garoto criado na roça não saberia escolher as melhores frutas? Quase riu.
-Ele pode acompanhá-la, mas por tudo que é mais sagrado Anna, lembre-se que esse menino está sobre a minha guarda, e que você não tem família. E principalmente, quero o bem dos dois.
Sem coragem para responder, Anna fugiu da sala.
-Que problema, Hermione – Gina ria dela.
-O único problema que tenho é seu irmão! – ela sentou-se pesadamente – Luna, conhece um homem chamado Malfoy?
-O pai ou o filho? De qualquer modo os dois não valem muita coisa...
-O filho, suponho. Draco Malfoy.
-Sim, o filho. – pela primeira vez, Luna não parecia ter muito a dizer.
-Sabe onde seria possível encontrá-lo?
-Sim, mas é inconcebível que alguém queira encontrá-lo. É uma pessoa estranha, o Malfoy. Bonito, rico, jovem. Deveria ser um dos grandes partidos de Londres, mas... Há algo sombrio nele.
-Eu senti isso – Hermione concordou.
-Então, porque quer encontrá-lo? – Gina estava assustada e boquiaberta.
-O tosco do seu irmão quer duelar com ele! – ela contou, notando seu choque – Pensei em apelar ao conde, mas ele concordou com essa loucura! Acredito que se oferecer uma grande soma em dinheiro, ele pode desistir do duelo. Afinal, esse tipo de homem gosta de dinheiro, não é verdade?
-Sim, soube que o pai dele está endividado, pois usou sua fortuna para manter o filho longe da cadeia – Luna confidenciou – Não conte ao meu pai, muito menos a Neville... Mas uma vez, ele ousou me beijar a força. Ele faz isso, agarra as jovens e as beija. Aquelas que se deixarem seduzirem acabam como a pequena Polyana: mortas. Ou abandonadas, o que vier primeiro.
-Meu irmão não participaria de um duelo... – Gina estava pensativa, pois não condizia com o irmão que conhecia.
-Esse homem não tem noção de nada! Luna, me diga onde posso encontrá-lo!
-Será prudente? – até mesmo ela pareceu em dúvida.
-Por favor!
Incerta, Luna confidenciou um endereço, e automaticamente completou:
-Não diga a meu pai que sei onde ele mora atualmente, ouvi sem querer, não era minha idéia saber essas coisas.
-Ele é tão ruim assim? – Gina perguntou – Pareceu um homem tão bonito!
-Só por fora Gina, só por fora – Hermione disse, enquanto levantava-se e sentava a uma mesa no canto da sala, apanhava papel e tinta, escrevendo uma curta carta, ao qual dobrou e endereçou. – Anna!
A jovem apareceu sorrindo, com farinha no avental. Havia ensinado-a a fazer um delicioso pão de ervas, e agora ela fazia quase todos os dias, feliz em agradar a patroa.
-Leve essa carta a esse endereço quando voltar do mercado. É muito importante que Duran não veja – ela colocou uma moeda na palma da mão da jovem – Não faça perguntas, apenas leve. E não conte para ninguém!
-Sim, senhora.
Depois que a jovem saiu, Gina olhou para Hermione e disse:
-Acho que isso é um completo erro!
-E o que devo fazer? Deixar seu irmão se matar? – revidou, magoada.
-Não. Porque não diz a ele o quanto o ama? Isso resolveria tudo! Tenho certeza!
-Não comece Gina! Não comece!
-Neville gostou quando disse que o amava. – Luna disse sonhadora, tocando os lábios, diante de uma longínqua lembrança – pena papai ter nos pego enquanto fazíamos... Oh... - ela calou-se espontaneamente.
-Quando pretendem se casar? – Gina perguntou, ocultando o sorriso diante da revelação da outra.
-Precisamos esperar. Neville está viajando com os pais. Eles sofreram um acidente quando ele era apenas um bebê e hoje, eles tem a saúde frágil. Sei que voltará a qualquer momento, pois me escreveu contando o quanto tem saudades.
Gina suspirou diante de um amor tão simples...
Hermione mal as ouviu, pensando em ver aquele homem novamente. Era um despautério ir sozinha vê-lo, mas qual opção tinha?
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Anna mal ouvia as palavras do jovem que andava perto dela. Estava preocupada. Em seu bolso pesava a responsabilidades de uma carta que a assustara até os ossos.
Tinha quatorze anos, mas não era inexperiente ou tola. Sozinha no mundo já vira de tudo um pouco. ‘Pobre de mim’ ,pensou.
Conhecia o nome escrito naquele envelope, e principalmente o endereço. Sua adorada patroa, tão gentil e preocupada com ela, estaria em grande perigo nas garras daquele homem.
Em uma rua fechada, Duran esbarrou o braço no dela, e Anna o olhou, afastando o olhar cheio de lágrimas.
O menino a fez parar perguntando o que se passava.
Como contar? Aquela carta pesava em seu bolso.
Sem saber por que se viu contando. Como se as palavras fossem simples e fosse fácil contar. Se viu abrindo seu coração:
-Há um ano, um cavalheiro veio a um baile onde servia com minha mãe. Quando a festa acabou, os convidados foram embora. Alguns ficaram para passar a noite. Esse cavalheiro entrou nos aposentou de minha mãe durante a noite. Eu dormia no chão, aos pés da cama, e vi tudo. Ele abusou dela. Depois, culpou-a por roubo. Fomos colocadas na rua. Era inverno, muito frio. Minha mãe morreu de peste. Pneumonia talvez. Nunca soube ao certo. Certo dia, quando mendigava no mercado, esse cavalheiro reparou em mim, e me colocou a força em sua carruagem. Abusou de mim e depois... Me jogou na neve, acho que para morrer, pois havia me batido muito. Uma senhora... Madame Lammer me encontrou, cuidou das minhas feridas e me ajudou a conseguir um emprego. – ela não notou que não chorava.
Não era capaz de chorar. Qualquer lágrima que houvesse dentro de si havia desaparecido com o tempo.
-A Sra.Wesley pediu que entregue uma carta para esse mesmo homem. Tenho medo que ele faça o mesmo com ela. A desgraçe para sempre.
Duran não respondeu nada, mas aceitou a carta que ela estendia, talvez dividindo a responsabilidade dessa decisão com ele.
Ele não estranhava que ela não chorasse. Ao longo dos anos, vira sua mãe perder a capacidade de chorar diante da dor. Ele mesmo pouco chorava.
Anna o viu rasgar a carta e jogar no chão, em pedacinhos. Então, lhe deu o braço, para que não andasse sozinha.
Emocionada, com o coração leve, Anna seguiu orgulhosa ao seu lado pelo mercado. Era a primeira vez que alguém lhe dava o braço sem sentir vergonha.
-Aquela é Madame Lammer – ela apontou uma senhora que ia pouco distante deles. – Ela odeia esse cavalheiro a quem me referia. Acho que o odeia mais do que eu.
Duran olhou para a senhora de cabelos arrumados e roupa bem cortada. Largando o braço de Anna, ele andou em sua direção.
Roxanne soltou um gritinho de empolgação quando viu os grandes olhos verdes na face marrom do menino. Era uma linda visão. As palavras do menino, no entanto, a deixaram sem ação por um segundo.
Pensativa, mandou-o cumprir suas obrigações, pois dali para frente, Malfoy era um problema dela.
Como era a vida, pensou Lammer, finalmente o destino lhe dava uma oportunidade de colocar suas mãos sobre um Malfoy.
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Hermione ainda sufocava o riso quando as três deixaram uma casa de tecidos. Era uma loja muito bonita e a dona muito simpática. Verdadeiramente encantada em atender as necessidades de duas jovens belas e ricas, e principalmente mal orientadas, as instruiu e atendeu pessoalmente.
Muitos vestidos e acessórios depois, as três deixaram a loja aos risos, depois de Gina ter confundido um delicado chapéu de penas com um espanador.
-Como poderia saber que as mulheres usariam isso na cabeça? – ela dissera nada delicadamente, arrancando risos de todos na loja.
-Não se preocupe, madame. Com sua beleza, pode dizer o que quiser - a proprietária se apressara a dizer, encantada com a beleza de Gina.
-Queria tanto ter algo para fazer – Gina disse quando as três andavam pela calçadinha, em direção ao cocheiro que as esperava como um cão de guarda.
-Porque não tenta ler? – sugeriu Hermione.
-O dia todo? – ela desdenhou.
-Poderia aprender a costurar – Luna sugeriu – é bem visto que mulheres ricas tenham suas lojas de vestidos.
-Sou uma negação com as agulhas.
-Sabe cantar? – Luna perguntou – tocar piano?
Gina gemeu em sofrimento.
-Eu ocupo meus dias lendo os jornais e escrevendo para alguns deles, mas meu pai não sabe. No entanto, sou insignificante, a mulher de Harry Potter chamaria muito mais atenção!
-E o que ela escreveria se não gosta nem de ler? – Hermione provocou.
-Hermione! – Gina também riu, as duas se cutucando, ameaçando derrubar os pacotes que carregavam.
A dona da loja insistira em oferecer uma empregada para ajudá-las, mas elas não quiseram, seria tolice pedir a alguém carregar aquilo que elas podiam fazer tão facilmente.
-Pode me visitar todas as tardes se quiser – Hermione ofereceu solidária.
-Mas e quando forem embora? – Gina aprecia tão desesperada que Hermione sentia vontade de rir. Era cruel da sua parte, mas muitas vezes alguém tão amigo, podia ser patético.
-O que fazia em sua casa antes de casar? – Luna olhava para ela, curiosa e interessada em seu caso aparentemente sem solução.
-Ajudava minha mãe nos trabalhos domésticos – disse, suspirando de saudades de casa.
-Ao menos tentou conversar com a criadagem e descobrir se há algo que possa fazer? Talvez ajudar a governanta com as decisões da casa. – Hermione sugeriu.
-Os criados não deixam que me aproxime. Falam de mim pelos cantos. Dizem que sou da roça, e que Harry deveria teria se casado com alguém mais digno.
Hermione parou no meio do caminho, fazendo-as pararem também.
-Eles dizem isso? – Gina concordou com um aceno, triste como nunca em sua vida – E por que você ainda não provou que eles estão errados?!
Sua veemência a fez corar.
-Acha que conseguiria? – ela estava prestes a chorar.
-Acho, e se Harry não pensasse o mesmo, não teria se casado com você!
-Ele se casou apenas porque havíamos... - se calou para não contar a verdade diante de Luna.
-Pobrezinho dele, que não sabia que deflorar uma virgem o levaria ao altar! Use a cabeça Gina, ele falava em casamento muito antes de perder o controle. Está sendo tola e abrindo mão do seu marido. Ninguém pode culpá-lo por se decepcionar com uma mulher que não faz nada para ser admirada! Ninguém lhe disse que seria fácil ser casada.
-Por que minha vida não pode ser simples como a sua Hermione? Rony a ama, não há duvidas. Mas Harry... Não sei o que sente por mim.
-Rony me ama? – Hermione ironizou para esconder o efeito dessas palavras sobre ela.
-Pois sim! - Gina insistiu, mas Hermione se negou a ouvir, recomeçando a andar, e mudando drasticamente de assunto, o que fazia Luna rir a todo o momento, antes claro dela iniciar um de seus monólogos, dessa vez sobre política, e fazer tanto Hermione quando Gina se calarem, afundarem os corpos nos estofados macios da carruagem e suspirarem.
Seria um longo caminho para casa, e as duas se entreolharam, suspeitando que estariam com os ouvidos doendo quando chegassem em casa...
AUTORA: tive um dia de cão hoje. Deu tempo para vir em casa e atualizar. Esse é um capitulo intermediário para as bombas que virão.
Recadinhos: Raissa, to tentando te mandar o email.
Bruna: ai que agonia, não acho tempo para responder os seus emails! Quero caprichar, pq temos mais em comum do que você imagina! Heheh...até o fim da semana, eu respondo, juro!
Mi: vou te mandar os cap novos hoje à noite. Para fazermos definitivamente as pazes, vou te lembrar do quanto gosto de voce: nomeei a minha vilã principal com seu nome! Isso não é para qualquer hum! Né?
(heheheheheheheheh....)