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8. Capítulo Oito


Fic: Regras do Jogo


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Gina estava sentada de pernas cruzadas sobre o ma­cio tapete oriental na sala de televisão de Hermione. Em algum momento durante a quarta entrada, desistira de tentar ficar sentada numa poltrona. À sua direita, Rony e Hermione estavam aconchegados num sofá de brocado de dois lugares. Winky havia se superado, preparando sua especialidade, um bife Wellington, e ficara silen­ciosamente ofendida quando Gina fizera pouco mais do que brincar com a comida no prato. Apesar de censurar a si mesma por seu nervosismo, Gina não fora capaz de fazer nada além de se preocupar com o resultado dos jogos dos playoffs, desde que Harry via­jara para o estádio dos Valiants.


Ela conseguira ouvir parte do primeiro jogo da tar­de pelo rádio, enquanto seguia de carro para uma lo­cação. Um dos membros da equipe tinha levado um rádio portátil com fone de ouvido, e acompanhado os comentários entre as tomadas da filmagem. Gina sentira um imenso alívio quando os Wizards ganharam o primeiro jogo, e frustração e nervosismo quando per­deram o segundo. Agora, assistia ao terceiro pela TV na pequena e elegante sala de Hermione.


—   Aquele homem foi eliminado na segunda base — disse Gina, se retorcendo sobre o tapete azul des­botado. — Qualquer pessoa com dois olhos podia ver isso.


Enquanto ela lançava seu ataque pessoal, um diri­gente, um homem atarracado cujo rosto o fazia pare­cer um duende, discutia com o árbitro da segunda base. Se não estivesse tão furiosa, Gina poderia ter admirado os gestos teatrais enquanto ele se virava, er­guia os olhos para o céu e apontava um dedo acusador para o rosto do árbitro. Mas este permaneceu impassí­vel, e a eliminação foi mantida. Com os Wizards lideran­do por apenas um ponto, um corredor na segunda base com um eliminado não era boa coisa.


Quando o próximo rebatedor mandou a bola por sobre a cerca e a pequena vantagem se inverteu, Gina gemeu.


—     Não consigo agüentar isso — decidiu, batendo os punhos no tapete. — Não consigo.


—     Gina se envolveu com o jogo — murmurou Hermione para Rony.


—     Eu notei. — Ele lhe deu um beijo suave no rosto. — Seu aroma é maravilhoso.


A sensação do sangue subindo e fazendo-a corar era prazerosa. Hermione fora cortejada por sutis mestres no jogo do romance por mais de 25 anos, mas não se lembrava de ninguém que a tivesse feito se sentir da maneira que Rony Dutton fazia. Se estivessem sozinhos, ela teria se aconchegado mais em Rony, mas, lembrando-se de Gina, apenas segurou-lhe a mão.


—   Tome um pouco de vinho, querida — falou para Gina enquanto pegava a garrafa gelada a seu lado. — É bom para os nervos.


Como estava suspirando de alívio quando o próxi­mo rebatedor foi eliminado, Gina não reconheceu o tom de provocação.


—    São três fora — disse quando pegou o copo frio da mão de Hermione.


—    Dois — corrigiu Rony.


—    Só se você acreditar em um árbitro míope — contradisse ela, dando um gole no vinho. Quando ou­viu a risada de Rony, enviou um sorriso por sobre o ombro. — Pelo menos não o xinguei de algo pior.


—    Relaxe um pouco — aconselhou Rony, piscando para Hermione quando ela lhe passou um copo.


—    Sabe, alguns dos jogadores... — começou Gina, então parou subitamente no momento em que uma bola violenta foi rebatida em direção à tercei­ra base. Nós de tensão se formaram em seu estômago instantaneamente. Harry mergulhou para o lado, es­tendendo o braço em direção à bola. Agarrou-a com a ponta da luva um instante antes que o corpo caísse na grama artificial e áspera. Gina quase podia sentir ela mesma o impacto.


—    Ele conseguiu! — Rony agitou-se no sofá e quase derrubou o vinho de Hermione. — Olhem isso, olhem isso! Ele conseguiu! — repetiu, apontando as imagens de Harry erguendo a luva para mostrar a captura da bola enquanto ainda estava deitado de bruços. — Aquele filho da... — Detendo-se a tempo, pigarreou. — Harry é o melhor da liga com uma luva — resolveu.


— De ambas as ligas! — Inclinou-se à frente e deu um tapinha amigável nas costas de Gina. — Harry o roubou, criança. Roubou a rebatida dele.


Porque viu Harry se levantar e tirar a poeira da rou­pa, Gina relaxou.


—     Quero ver isso no replay — murmurou ela. — Em câmera lenta.


—     Você vai ver essa jogada uma dúzia de vezes an­tes de a noite acabar — previu Rony. — E de novo no jornal das 11. Ei, olhem ali. — Sorrindo, ele gesticu­lou para a tevê. — É isso que chamo de sincronia per­feita.


Gina voltou sua atenção à propaganda da DeMarco. E claro que a vira uma dúzia de vezes na sala de edição e outras tantas na tevê. Ainda assim, a cada vez que assistia, procurava por falhas. Estudou mais uma vez o logo enquanto ouvia a voz clara de Harry.


—     Está perfeito — declarou com um sorriso. — Absolutamente perfeito.


—     Como está indo a próxima propaganda? — Rony perguntou a Hermione.


—     Estamos apenas aguardando que Harry esteja disponível. Esperamos gravar na semana que vem.


Ele se recostou novamente, um dos braços ao redor de Hermione.


—     Vou gostar de ver as propagandas durante a World Series.


—     Eles ainda precisam ganhar dois jogos — Gina o relembrou. — Eles estão um ponto atrás neste, e...


—     O jogo só acaba quando termina — disse Rony suavemente.


Gina virou a cabeça para olhá-lo. Hermione estava aconchegada nele, um copo de cristal em uma das mãos. A barriga de Rony esticava-se contra os botões da camisa xadrez. O tornozelo de uma das pernas descan­sava sobre o joelho da outra, enquanto ele balançava o pé num ritmo pessoal. De súbito, Gina os viu como um casal perfeito.


—   Gosto de você, Rony — disse ela com um sorriso amplo. — Realmente gosto de você.


Ele piscou duas vezes, e seus lábios se curvaram de maneira hesitante.


—   Bem... Obrigado, criança.


Ela acabou de nos dar a sua bênção, pensou Hermione com uma risada secreta quando pegou a mão de Rony na sua.


 


Gina seguiu seu caminho em meio à multidão no aeroporto com firme determinação. Além do habitual trânsito confuso, havia torcedores, muitos torcedores, esperando para cumprimentar o time dos Wizards, que chegaria em breve. Alguns carregavam placas, outros, bandeiras. Havia, notou ela com algum divertimento, um bom número de estudantes de Los Angeles que faltara à escola naquela manhã, sem mencionar os que fugiram do trabalho. Após a vitória da 12a entrada, Gina achava mesmo que os jogadores mereciam um pouco de adulação. Também se perguntava se seria ca­paz de lutar para passar pela multidão, de modo que Harry pudesse vê-la. O impulso de surpreendê-lo, per­cebeu, não fora prático. O pai de um aluno que faltara à escola colocou o filho de aproximadamente oito anos sobre o ombro. Gina sorriu. Talvez não fosse práti­co, mas seria divertido.


Erguendo os óculos escuros para o topo da cabeça, ela semicerrou os olhos contra o sol e esperou o avião aterrissar. Quando o avião não era mais um pontinho no céu e tomou forma, Gina começou a sentir os primeiros sinais de tensão. Mexeu nervosamente na bolsa, enquanto ficava parada, praticamente esmagada entre torcedores animados.


Ele deve estar cansado, pensou, ouvindo as dúzias de conversas ao seu redor. Harry provavelmente está ansioso para ir para casa e dormir umas 24 horas. Gina correu uma das mãos pelos cabelos. Eu deveria ter avisado que vinha. Mudou o peso do corpo para o outro pé, segurou firme a barra de metal à frente e as­sistiu ao pouso do avião.


No momento em que a porta se abriu, a algazarra começou, aumentando quando o primeiro homem desceu do avião. Eles acenavam de volta, parecendo cansados e, de certa forma, vulneráveis sem seus uni­formes. Homens, pensou ela. Simplesmente homens, sofrendo de jetlag, e talvez alguma ressaca. Então, Gina sorriu, concluindo que gladiadores deveriam ter tido exatamente a mesma aparência no dia seguin­te ao de uma luta.


Assim que o viu, Gina se sentiu quente. Ao seu lado, uma adolescente agarrou sua companheira e gritou:


— Oh, ali está Harry Potter! Ele é... lindooooo! Gina engoliu uma risada ao pensar em como Harry reagiria àquele adjetivo.


—   Todas as vezes em que o vejo, meus joelhos fi­cam fracos. — A adolescente pressionou seu corpo jovem e flexível contra a cerca. — Você viu aquele co­mercial? Quando ele sorri, é como se estivesse olhando diretamente para mim. Eu quase morri.


Apesar de não tirar os olhos de Harry, Gina sor­riu. Exatamente como planejei, pensou, satisfeita con­sigo mesma. Por que me sinto uma mulher esperando seu homem chegar da guerra?


Apesar de seu olho de diretora ver um grupo de homens tensos e cansados, os fãs viam heróis. Eles os animavam. Alguns dos jogadores meramente acenavam e seguiam em frente, mas a maioria vinha até a cerca de proteção para trocar palavras, brincadeiras, um toque de mãos. Gina viu Harry andar em direção à barreira com um homem que ela reconheceu como Snyder, o primeira base. Imaginou, pela intensidade da discussão dos dois, se estavam traçando estratégias de campo.


—    Seriam necessárias somente 25 ou 30 latas de creme de barbear para encher o armário dele — insis­tiu Snyder.


—    Demora muito e evapora rápido demais — co­mentou Harry. — Você precisa ser prático, George.


Snyder praguejou baixinho e ergueu uma das mãos em resposta a um grito na multidão.


—    Tem uma idéia melhor?


—    Dióxido de carbono — Harry observava aten­tamente a multidão enquanto eles se aproximavam. — Rápido e eficiente.


—    Ei, é isso! — satisfeito, Snyder lhe deu um tapa nas costas. — Eu sabia que esse seu cérebro servia para alguma coisa, Einstein.


—     E enquanto eu estiver ajudando você com a mecânica da coisa, não vou encontrar meu armário cheio de creme de barbear — adicionou Harry.


—     Isso também — concordou Snyder. Então seu sorriso se ampliou. — Está vendo esse pessoal? Fantás­tico!


Harry começou a concordar... E então avistou uma nuvem brilhante de cabelos ruivos com toques dou­rados ao sol. A fadiga desapareceu num passe de mágica.


—   Fantástico — murmurou ele, e andou direta­mente para Gina.


A adolescente ao lado dela emitiu um gemido e agarrou o braço de sua amiga.


—   Ele está vindo para cá — conseguiu dizer num sussurro estrangulado. — Diretamente para cá. Acho que vou morrer!


Gina inclinou o queixo, de modo que seus olhos ficassem no nível dos de Harry quando ele parou do outro lado da cerca.


—     Olá! — A mão de Harry se fechou sobre a dela na barra de metal. O simples contato foi extremamen­te íntimo.


—     Olá! — Gina sorriu lentamente, aceitando a onda de desejo e a sensação de proximidade sem ques­tionar.


—     Posso pegar uma carona?


—     Quando quiser.


Ele pressionou os lábios nos dedos ainda curvados sobre o metal.


—   Encontre-me do lado de dentro. Preciso pegar minha bagagem.


Pelo canto do olho, Gina viu as duas adolescen­tes de queixo caído.


—     Incrível a bola ontem à noite. Ele sorriu antes de se afastar.


—     Obrigado.


Snyder o segurou pelo braço enquanto Gina se perdia na multidão a caminho da saída.


—    Ei, isso é bem melhor do que pegar uma bola.


—     Fora de cogitação — disse Harry simplesmente, seguindo seu próprio caminho pela fila de torcedores e mãos estendidas.


—     Ora, Harry, nós somos companheiros de time. Um por todos e todos por um.


—   Pode esquecer.


—  O problema com Harry — Snyder começou a falar para um senhor idoso atrás da cerca — é que ele é egoísta. Faço os arremessos dele parecerem bons. Eu é que tomo o tiro quando ele manda aquelas bolas assassinas. E o quê eu recebo em troca? — Ele enviou a Harry um sorriso esperançoso. — Você poderia pelo menos me apresentar.


Harry sorriu enquanto autografava um pedaço de papel que uma fã passara através da cerca.


—   Não.


Ele levou quase meia hora para escapar da multi­dão e chegar ao terminal. A impaciência o dominava. O simples toque de dedos do lado de fora abrira seu apetite para muito mais. Nunca antes se sentira solitá­rio viajando. Mesmo em dias chuvosos, mesmo muito longe de casa, sempre vivia cercado por pessoas que conhecia. As pessoas se tornavam tão próximas como uma família... próximas o bastante para que ele pudes­se compartilhar inúmeras noites ou optar por passá-las sozinho sem se sentir triste. Não, ele jamais fora soli­tário. Até agora.


Harry era incapaz de contar as vezes em que havia pensado nela nos últimos quatro dias, mas sabia que tudo de repente entrara em foco de novo no momen­to em que a vira parada ali. E agora a avistava nova­mente.


Gina estava inclinada contra o pilar perto da es­teira de bagagens, a sacola de viagem de Harry a seus pés. Sorriu, mas não mudou a postura corporal quan­do o viu. Não queria que ele soubesse o quão louca­mente seu coração estava disparado.


—   Você viaja com pouca bagagem — comentou ela.


Ele lhe segurou o rosto na mão e, indiferente às pessoas ao redor, puxou-a para um beijo longo e apai­xonado.


—   Senti saudade — murmurou contra a boca de Gina, então a beijou novamente.


Ainda havia vários jogadores ociosos ao redor, que começaram um coro de aprovação.


—     Com licença. — Snyder deu um tapinha no ombro de Harry e sorriu sedutoramente para Gina. — Acho que você cometeu um engano. Eu sou Geor­ge Snyder. Este é o homem que cuida dos bastões e equipamentos de beisebol. — Ele deu um tapa cari­nhoso em Harry.


—     Prazer. — Gina estendeu a mão, a qual foi apertada com força e firmeza. — Uma pena aqueles dois strikeouts ontem à noite.


Assobios soaram no ar quando Snyder fez uma careta.


—     Na verdade, estou tentando fazer os Valiants baixarem a guarda.


—     Oh! — Divertida, Gina lhe deu um sorriso amplo. — Você foi bem convincente!


—     Desculpe, Snyder, hora de você partir. — Harry sinalizou para dois companheiros de time, que alegre­mente engancharam seus braços nos de Snyder para afastá-lo dali.


—     Ora, Potter, dê uma folga! — Bem- humorado, Snyder se deixou ser conduzido. — Eu só quero discu­tir minha estratégia com ela.


—     Tchau, George. — Gina acenou enquanto Harry se abaixava para pegar sua sacola.


—     Vamos sair daqui.


Com os dedos entrelaçados nos dele, Gina não teve escolha senão segui-lo.


—     Harry, você poderia ter me apresentado aos seus amigos.


—     Homens perigosos — declarou ele. — Todos eles.


Com uma risada, ela apertou o passo para acompa­nhá-lo.


—     Sim, deu para ver. Especialmente aquele com uma criança em cada braço.


—     Há algumas exceções.


—     Você é uma delas?


Harry a segurou ao redor da cintura e a puxou con­tra si.


—   Claro.


—     Oh, ótimo. Quer ir para casa comigo e me contar sobre sua estratégia?


—     Esta é a melhor oferta que recebi hoje. — De­pois de jogar sua sacola no banco de trás do carro de Gina, Harry se acomodou no banco de passageiro. Já acostumado ao jeito como ela dirigia, relaxou e come­çou a contar sobre o dia anterior ao jogo. Gina falou pouco, satisfeita em ouvir, satisfeita por ter consegui­do tirar o dia de folga, de modo que pudessem passar algumas horas juntos. Sozinhos.


—     A propaganda foi ao ar durante todos os inter­valos do jogo, sabia? — comentou ela enquanto saíam da cidade.


—     Como ficou? — Harry recostou a cabeça contra o assento. Deus, como era bom saber que não tinha de ir a lugar algum ou fazer qualquer coisa por 24 horas.


—     Fantástico. — Quando a estrada se alargou, ela pisou mais fundo no acelerador. — E ouvi isso da fonte.


—     Hmm?


—     Uma adolescente no meio da multidão no ae­roporto. — Com uma imitação quase perfeita, Gina relatou os comentários da garota. Viu a careta automá­tica de Harry ante o termo lindooooo, mas engoliu uma risada e continuou.


—     É bom saber que arraso com as garotas de 16 anos — disse ele secamente.


—     Você ficaria surpreso com o poder de compra das garotas de 16 anos. — Com habilidade, ela fez as curvas necessárias para pegar a estrada mais estreita. — Não de modo direto, é claro, mas indiretamente, através dos pais. E, uma vez que elas gostam que seus namorados as deixem de joelhos bambos também, irão pressioná-los a comprar jeans DeMarco, assim como camisas, cintos e tudo o mais. — Jogando os cabelos para trás, olhou-o. — E você tem um sorriso lindo.


—   Sim — ele suspirou com modéstia. — Eu te­nho.


Gina parou na garagem de sua casa com uma deliberada freada abrupta, que o fez praguejar. Sabia­mente saindo do carro antes que ele pudesse reclamar, ela foi direto para a porta da casa.


—   Só por isso — começou Harry quando pegou sua sacola do banco de trás —, não vou dar o presente que comprei para você.


À porta, Gina se virou, seu sorriso se transfor­mando numa expressão confusa.


—   Você comprou um presente?


Como ela parecia uma criança que esperava rece­ber uma caixa vazia embrulhada num papel brilhante, Harry tratou o assunto com leveza.


—   Comprei. Mas estou considerando seriamente mantê-lo comigo agora.


—     O que é?


—     Você vai abrir a porta?


Gina deu de ombros, tentando fingir indiferença enquanto girava a chave.


—     A lareira está preparada — murmurou ela, en­trando. — Por que não acende enquanto vou buscar um café?


—     Certo. — Colocando a sacola no chão, Harry alongou os músculos tensos pela viagem. Com uma careta, pressionou os dedos nas costelas ainda dolori­das pelo tombo na grama.


Ela levara algumas de suas plantas para dentro, no­tou, vendo o vaso de zínias sobre a mesa lateral do outro lado da sala. A mesa, observou, era Queen Anne. O vaso era de material fraco e barato. Sorrindo, foi até a lareira. O contraste combinava com Gina: o ele­gante e o prático.


Harry acendeu um fósforo e colocou-o cuidadosa­mente sobre o papel enrolado embaixo dos gravetos. A madeira seca pegou fogo com um estalo. Ele inalou o cheiro que lhe trazia imagens do passado: noites acon­chegantes na sala de visitas com sua família, acampa­mentos com seu tio e primos, fins de semana na Ingla­terra na casa de um amigo de faculdade. Queria adicionar as memórias de Gina deitada em seus bra­ços diante do fogo enquanto faziam amor vagarosa e infinitamente.


Quando a ouviu retornando, ele se levantou, virando-se para vê-la entrando com uma garrafa e dois cálices em uma bandeja.


—   Pensei que talvez você preferisse vinho. Sorrindo, Harry pegou a bandeja.


—     Sim. — Depois de colocá-la sobre a grande al­mofada redonda, ele ergueu a garrafa, examinando o rótulo com uma sobrancelha arqueada. — Isso é uma comemoração?


—     Uma pré-comemoração — corrigiu Gina. — Espero que você vença amanhã. — Pegou as duas taças, erguendo-as. — E, se não vencer, teremos toma­do o vinho de qualquer maneira.


—   Parece justo. — Harry serviu o líquido dourado nas duas taças. Pegando uma das mãos dela, uniu as bordas num brinde. — Ao jogo? — perguntou, com um sorriso lento.


Gina sentiu a excitação percorrê-la e assentiu.


—   Ao jogo — concordou e bebeu. Arregalou os olhos, mas permaneceu firme quando Harry se aproxi­mou para lhe pegar uma mecha vermelha na mão.


—   Vi seus cabelos à luz do sol — murmurou ele. — Mesmo no meio da multidão do aeroporto, não sei o que eu teria feito se não fosse aquela cerca nos sepa­rando. — Deixou as mechas deslizarem pelos dedos. — Faz quatro longos dias, Gina.


Ela assentiu, pegando-lhe a mão e puxando-o para sentar no sofá ao seu lado. As curvas do corpo de Gina pareciam feitas para se encaixar naturalmente no dele.


—     Você está tenso — murmurou ela baixinho.


—     Playoffs. — Harry a puxou para mais perto, sa­bendo que a tensão gradualmente diminuiria, antes de aumentar de novo no dia seguinte. — Talvez os sortudos sejam os jogadores que já estão cuidando de seus jardins em outubro.


—    Mas você não acha isso de verdade. Harry riu.


—   Não, não acho. Os playoffs nos deixam exaus­tos, quase a ponto de explodir, mas a World Series...


—     Ele meneou a cabeça. Não queria deixar sua mente pensar tão adiante. As regras eram vencer três jogos de cinco, e eles ainda não haviam chegado lá. Por en­quanto, não queria pensar nisso, mas na mulher ao seu lado, na tarde tranqüila e na longa noite pela frente. Achou que se lembraria dela daquela forma, um tanto pensativa, com o aroma de madeira queimando e flo­res de outono misturadas com o próprio perfume de Gina. Sua mente vagou preguiçosamente, de manei­ra agradável, enquanto bebia o vinho gelado e obser­vava as chamas dançarem.


—   Você esteve ocupada?


Gina inclinou a cabeça, concordando distraida­mente. Também não queria pensar em trabalho.


—   O de sempre — respondeu de forma vaga. — E.J. me convenceu a assistir um filme horroroso, em que o elenco se vestia em roupas mitológicas e lançava fogo.


—  Olympian Revenge?


—     Tinha um dragão de três cabeças que falava.


—   É este mesmo. Eu o assisti na Filadélfia o mês passado, quando tivemos um cancelamento de jogo por causa da chuva.


—   Vi o microfone em quadro três vezes. Harry riu do desprezo profissional dela.


—     Ninguém mais viu — ele lhe assegurou. — Es­tavam todos dormindo.


—     Inaptidão grosseira me mantém acordada. — Gina inclinou a cabeça contra o ombro dele. Ocorreu-lhe o quanto sua casa parecera vazia nos últimos dias, e como estava aconchegante novamente. Nunca sentira a necessidade de compartilhar sua casa antes. Na verdade, sempre tivera uma forte sensação de posse sobre o que lhe pertencia. Sentada em silêncio no sofá, percebeu que já havia começado a abrir mão de sua privacidade, de bom grado e de forma totalmente in­consciente. Virando a cabeça, estudou o perfil de Harry.


—   Senti sua falta — confessou finalmente.


Ele virou a cabeça, também, de modo que os lábios de ambos estivessem muito perto, mas não se tocando.


—   Esperei que sentisse. — Então, movimentou-se para lhe roçar o rosto com os lábios. Ela tremeu. Ainda não, disse Harry a si mesmo enquanto um calor interno o envolvia. Ainda não. — Talvez eu lhe dê aquele presente, afinal de contas.


Os lábios de Gina se curvaram contra o pescoço dele.


—   Não acredito que você tenha me trazido coisa alguma.


Reconhecendo o truque, mas disposto a jogar, Harry se levantou.


—     Você terá de se desculpar por isso — disse ele seriamente enquanto andava até sua sacola. Abriu o zíper, então vasculhou do lado de dentro. Quando en­direitou o corpo novamente, tinha uma caixa branca nas mãos. Gina olhou para o pacote com curiosida­de, mas quase com a mesma cautela que ele percebera poucos momentos antes de eles entrarem na casa.


—     O que é?


—     Abra e descubra — sugeriu Harry, pondo a cai­xa no colo dela.


Gina a virou, examinando a caixa branca, testan­do o peso. Não estava acostumada a presentes espon­tâneos, e durante o pouco tempo em que se conhe­ciam, Harry já lhe dera dois.


—     Você não precisava ter...


—     A gente precisa dar um presente de Natal para uma irmã — disse ele suavemente, sentando-se ao seu lado. — Você não é minha irmã e não é Natal.


Gina franziu o cenho.


—     Não sei ao certo se entendo a lógica disso — murmurou ela, então abriu a tampa. Embrulhado em folhas de papel seda, havia um gordo hipopótamo fê­mea de cerâmica cor-de-rosa com bolinhas multicolo­ridas, cílios longos e um sorriso sedutor. Com uma risada, Gina o tirou para fora.


—     Ela é maravilhosa.


—     Ela me lembrou você — comentou Harry, sa­tisfeito com a risada e com o brilho de humor nos olhos de Gina quando ela o fitou.


—     Verdade? — Gina ergueu o hipopótamo no­vamente. — Bem, ela tem olhos encantadores. — Emocionada, alisou as laterais do objeto de cerâmica. — Ela é muito doce, Harry. O que o fez pensar nisso?


—     Pensei que isso combinaria com sua coleção de animais. — Vendo a expressão intrigada no rosto dela, Harry gesticulou em direção à prateleira que continha o macaco e o urso. — E tem aquele porco na porta da frente, a pequena lebre em seu quarto, a coruja de porcelana chinesa no peitoril da janela da cozinha.


A compreensão veio devagar. Havia animais de ti­pos e materiais variados espalhados pela casa inteira. Ela os vinha colecionando havia anos sem ter a menor idéia do que estava fazendo. Mas Harry vira. Pegando a ambos de surpresa, Gina começou a chorar.


Atônito, depois alarmado, Harry a abraçou, sem saber o que podia oferecer para confortá-la. Contudo, vira muitas lágrimas de suas irmãs para saber que a lógica freqüentemente não tinha nada a ver com o choro. Envergonhada, e incapaz de conter as lágrimas, Gina escapou dos braços dele e se levantou.


— Não, não, por favor. Dê-me um minuto. Detes­to fazer isso.


Embora dissesse a si mesmo para respeitar os dese­jos dela, Harry a seguiu. Apesar da resistência de Gina, ele a puxou contra si.


—     Não consigo suportar vê-la fazer isso — mur­murou. Então, com uma ponta de impaciência, acres­centou: — Por que está chorando?


—     Você vai pensar que sou uma idiota. Detesto ser idiota.


—     Gina. — Com firmeza, ele colocou uma das mãos sob o queixo dela e o ergueu. As lágrimas rola­vam livremente pelo rosto. Não conhecendo outro remédio, Harry a beijou... os lábios suaves, as faces mo­lhadas, as pálpebras úmidas. O que começou com um esforço cego para oferecer conforto se transformou em paixão ardente.


Ele pôde sentir o desejo crescer em seu interior quando buscou a boca sensual novamente. Suas mãos se moviam ao longo dos cabelos dela quase com deses­pero. E enquanto isso, Gina tremia. Se de desejo ou pelos soluços, Harry não tinha mais certeza, conforme o beijo se aprofundava. Ela se abriu totalmente, lhe oferecendo além do que ele podia se lembrar. As defe­sas de Gina sucumbiram, lembrou a si mesmo, lutando contra a impaciência de satisfazer suas próprias necessidades rapidamente. Seus murmúrios eram sus­surrados, para tranqüilizar, suas mãos gentis, acaricia­vam para excitar.


Mesmo reconhecendo sua própria vulnerabilidade, Gina não resistiu. Queria mergulhar naquele mun­do leve e nebuloso, onde cada momento parecia acon­tecer em câmera lenta. Queria sentir o calor atordoante que a deixava sem fôlego. Queria o contentamento tranqüilo que a induziria ao sono e continuaria pela manhã.


Quando ele a deitou no chão, o cheiro de madeira queimando se tornou mais forte. Gina podia ouvir os estalos das toras enquanto as chamas as consumiam. Os beijos longos e pacientes de Harry a faziam se sentir dividida... entre a realidade do tapete de lã sob suas costas, a luz vermelha do fogo e do sol sobre suas pál­pebras fechadas e o mundo de sonhos que só os aman­tes entendiam. Enquanto sua mente flutuava, flertan­do com cada sensação separadamente, ele a despiu.


Harry tomou infinito cuidado com os minúsculos botões redondos de sua blusa, como se pudesse deixar que as estações passassem do lado de fora das janelas altas. Não havia tempo ali, nem inverno, nem primavera, somente um momento eterno. Gina deslizou as mãos por baixo da camisa dele, os dedos a percorrê-lo, sentindo o calor e a força. De maneira tão paciente quanto Harry, ela ergueu o tecido da camisa, passou pelos ombros largos, depois a descartou.


Pele contra pele, ficaram deitados diante do fogo, enquanto o sol se infiltrava pelas grandes janelas e os banhava. Os beijos eram cada vez mais longos, inter­rompidos apenas por suspiros e murmúrios. Gina provou o gosto de vinho na língua dele e se sentiu inebriada.


Lentamente, sem jamais lhe abandonar os lábios, Harry começou a explorar o corpo que adorava. Peque­nos arrepios a percorreram, seguindo o caminho das mãos másculas. Sentindo o roçar dos dedos contra a lateral do seio, Gina gemeu, um som de puro prazer. Ele aprofundou o beijo, explorando gentilmente a pe­quena fraqueza, até conseguir o efeito total. Ela estava relaxada, entregue, totalmente sua. Então, e somente então, Harry deu aos próprios lábios a liberdade de lhe provar a pele novamente. O sabor era tão marcante quanto o aroma feminino, e, de alguma forma, mais erótico.


Com beijos úmidos e sensuais, Harry a saboreava, a hipnotizava. Então, a rápida pressão de seus dentes em algum ponto sensível a fazia ofegar e se mexer. Os lá­bios dele suavizavam de novo, tranqüilizando-a mais uma vez. Repetidamente, Harry a levou em direção ao fogo, guiando-a de volta para as nuvens, até Gina não conseguir saber o que mais desejava.


Ela o sentiu deslizar sua calça pelos quadris, en­quanto continuava com aqueles beijos provocantes e atordoantes em seu abdome. Uma louca excitação a envolveu, tornando-a incapaz de fazer qualquer coisa além de se mover quando ele exigia. A respiração de Harry era quente em seus pontos mais íntimos, fazen­do com que os longos músculos de suas coxas tremes­sem, para, então, relaxarem novamente.


Ainda assim, a boca máscula continuava se moven­do vagarosamente. As mãos que já haviam descoberto cada ponto secreto de prazer continuavam a acariciar sem pressa, enlouquecendo-a. O poder que Gina experimentara antes abalava todo seu corpo, mas a mente estava confusa demais para reconhecê-lo. Sen­tia-se à beira do abismo, na corda-bamba do desejo, e queria continuar andando sobre ela tanto quanto que­ria mergulhar de cabeça no mar selvagem abaixo. En­tão, Harry estava sobre seu corpo de novo, os olhos fi­xos nos seus por um longo, longo momento, antes que os lábios sensuais descessem. Ele estava esperando, e ela entendeu. Com as bocas ainda unidas, Gina o guiou para dentro de si.


Seu gemido se derreteu dentro da boca de Harry, ardente e apaixonado. Embora ela o estivesse agarran­do com uma súbita força, ele se movimentava lenta­mente. Gina se sentiu sendo preenchida, preenchida até o ponto desesperador da explosão. Em seguida, vieram os tremores convulsivos, até que ela pareceu deslizar de um caminho tranqüilo para a torrente mais uma vez. Como uma nadadora presa na correnteza, foi levada de pico em pico enquanto Harry se movia com aquela tortuosa lentidão. Gina podia sentir a rigi­dez, o controle tenso nele, ouvir na respiração ofegan­te que combinava com a sua, enquanto ele prolongava o prazer e a agonia. Então, Harry sussurrou alguma coisa, uma prece, um apelo, uma praga, e levou ambos a uma queda livre da corda.


 


Devia ter dormido. Harry pensou que fechara os olhos somente por um instante, mas, quando os reabriu, a inclinação do sol estava diferente. Gina estava ao seu lado, os cabelos longos envolvendo os dois. Os olhos estavam abertos e fitavam os seus. Ela o estivera obser­vando por quase uma hora. Harry sorriu e levou os le­vou os lábios ao ombro delgado.


—   Desculpe. Eu adormeci?


—     Por um tempinho. — Gina enterrou o ros­to no pescoço dele por um instante. Era como se Harry lhe tivesse despido a pele, expondo todos os seus pensamentos. Não tinha muita certeza sobre o que deveria fazer em relação a isso. — Você devia estar exausto.


—     Não mais — disse ele com sinceridade. Sentia-se alerta, repleto de energia e... limpo. O último pen­samento o fez menear a cabeça brevemente. Passou uma das mãos ao longo do braço dela. — Há uma coisa que quero lhe perguntar antes que eu... me dis­traia. — Apoiando-se sobre o cotovelo, fitou-a. — Por que estava chorando?


Gina deu de ombros e começou a se afastar. Com mão firme, Harry a impediu. Podia sentir o esforço que ela fazia para escapar, mas percebeu que não podia mais permitir isso. Soubesse ou não, Gina entrega­ra-se por completo. Ele não a deixaria fugir mais.


—   Gina, não tente me afastar — murmurou calmamente. — Não vai funcionar mais.


Ela começou a protestar, mas a expressão tranqüila e firme nos olhos de Harry lhe disse que ele falava nada menos que a verdade. Porém, aquilo deveria ser um aviso de para onde seu coração a estava levando.


—  Ter me dado um presente foi um gesto muito doce — disse ela finalmente. — Não estou acostuma­da com gestos doces.


Harry arqueou uma sobrancelha.


—   Isso pode ter sido parte do motivo. E o resto? Com um suspiro, Gina sentou-se. Desta vez, ele a deixou fazer isso.


— Eu não tinha me dado conta de que estava colecionando. — Com ambas as mãos, ela afastou os cabelos para trás e abraçou os joelhos. — Reagi exa­geradamente quando você apontou isso. Eu sempre quis um cachorro, um gato, um passarinho, qualquer animal quando era criança. Não era viável, dada a freqüência com que eu mudava de casa. — Gina deu de ombros novamente, fazendo com que os ca­belos desalinhados roçassem em suas costas. — Foi um choque descobrir que eu ainda estava compen­sando.


Harry sentiu uma onda de compaixão e a reprimiu. Não havia maneira mais rápida de fazê-la se afastar.


—     Você tem sua própria casa, sua própria vida agora. Pode ter tudo que quiser. — Inclinando-se so­bre ela, ele serviu mais vinho para ambos. — Não pre­cisa compensar. — Deu um gole, estudando-lhe o perfil.


—     Não — concordou ela num murmúrio. — Não preciso.


—   Que tipo de cachorro você quer?


Gina girou o copo na mão, e, subitamente, riu.


—   Algo bastante comum e doméstico — disse ela, virando-se para lhe sorrir. — Totalmente doméstico. — Inclinando-se, colocou uma das mãos sobre o rosto dele. — Eu nem mesmo lhe agradeci.


Harry considerou, assentindo solenemente enquan­to tirava o copo da mão dela.


— Não, você não me agradeceu. — Num movi­mento rápido, a fez rolar por cima dele. — Por que não me agradece agora?

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