Na minha cama...
“O dia em que ela se mudou para minha cama...”
Costumamos pensar que grandes mudanças acontecem lentamente. Isso é falso. A maioria das grandes mudanças são súbitas. Como terremotos à perturbar a paz. E mesmo que na hora não se perceba, algum tempo depois você poderá dizer exatamente em que segundo ela aconteceu.
Por exemplo eu lembro exatamente o momento em que me tornei Gina Weasley. Eu tinha quatro anos. Fred tentava me pregar uma peça, tentava fazer com que eu derramasse a poção redutora da mamãe no cesto de roupa suja. Eu saquei, derramei a poção na vassoura dele. Ali naquele momento eu vi que eu era capaz de tudo.
Eu também lembro o exato momento em que me tornei mulher, havia uma varinha apontada para mim no Ministério da Magia, e eu vi que a brincadeira havia acabado.
E o pior de tudo, eu me lembro do exato momento, do exato segundo, em que me apaixonei por ela. Não que eu já não a amasse, acho que a amava sempre. Mas eu me apaixonei por ela em um exato momento. No momento em que comecei a enumerar todos os meus erros.
O barulho da chuva batendo na janela era irritante. Eu me lembro que demorei muito para dormir naquela noite. A guerra havia deixado milhares de marcas. Quase todos nós tínhamos dificuldades para dormir. E mamãe soluçando no quarto ao lado não ajudava em evitar nossos pesadelos.
Naquela noite eu sonhei com Fred mais uma vez. Eu via apenas a sua mão, o resto de seu corpo preso em um amontoado de pedras. Sua mão pedindo ajuda silenciosamente. E eu presa ao chão. Acordei com o meu próprio grito e comecei a chorar convulsivamente. Era involuntário, as lágrimas simplesmente não paravam... Foi quando senti algo quente abraçar minhas costas.
– Calma... – sussurrou ela em meu ouvido – Está tudo bem...
– Eu não pude... – murmurei em meio a soluços.
Ela me virou suavemente me colocando de frente à ela. Ela se dedicou calmamente a acariciar cada uma de minhas lágrimas. Quando me acalmei ela me abraçou. Com a cabeça apoiada em seu peito minha respiração foi voltando ao normal.
– Não vai mais ter pesadelos. – disse ela. Eu não me perguntei como ela sabia. Por que no fundo eu sabia que com os braços dela em volta de mim, o som do coração dela em meus ouvidos, e o cheiro delicioso da camisola dela entorpecendo meus sentidos, eu nunca mais teria pesadelos. Desejei ficar ali para sempre. Meu primeiro erro.
Hermione era tudo que faria um pessoa enlouquecer. Me convenci de que esse tipo de sensação era normal. Meu segundo erro.
As coisas n'A Toca estavam estranhas. Rony e Harry pareciam incrivelmente taciturnos. Minha mãe era o espelho dos nossos desesperos. E meu pai parecia não saber onde estava. Jorge eu não posso precisar como estava. Todos nós o víamos muito pouco. Ele comia o necessário para não morrer e saia do quarto apenas para usar o banheiro. Todos os imensos vazios deixados pela última batalha. Eu quase não consegui pensar no meu irmão. Sem contar minha amiga Tonks, Lupin, meu colega Collin Crevey... Uma lista macabra e interminável.
A única pessoa que parecia sã para conversar era Hermione. Embora Rony quisesse passar algum tempo com ela, ele parecia preferir a companhia de Harry que não tinha a necessidade de falar como ele. E embora no início tentássemos estar com eles, e confortá-los, isso se tornou massacrante com o decorrer de alguns dias. Passamos a dedicar muito tempo uma à outra. Não que não estivéssemos sofrendo. Mas mulheres falam do que as machuca, homens não.
Costumávamos passar as tardes quentes do verão em uma das colinas. Embaixo de um grande carvalho.
– Isso parece interminável. – constatou ela enquanto subíamos a tal colina uma semana antes de regressarmos à Hogwarts.
– Você tem razão. – eu murmurei. Hermione vestia um shorts curto jeans, algo bem trouxa mesmo, e uma camiseta regata preta.
Ela estava linda e me incomodou que eu estivesse pensando nisso muito constantemente ultimamente. E havia algo mais que parecia extremamente constante nesses dias. Hermione parecia querer de todas as maneiras me tocar. Pegar as minhas mãos, me abraçar, apoiar a mão na minha perna... Me perguntei se eu estaria imaginando isto...
Como que lendo meus pensamentos ela pegou minha mão.
– Você acha que vai melhorar quando voltarmos à Hogwarts? – perguntei tentando deixar minha cabeça em ordem. As mãos dela eram tão macias...
– Não sei. Ocupar o tempo pode ser algo bom, mas...não sei. Hogwarts...são tantas lembranças... – eu tive que concordar com ela.
Hermione se sentou embaixo do velho carvalho. Eu me sentei junto a ela. Eu me deitei na grama e ela apoiou a cabeça em meu peito. As mãos voando para as minhas, ela começou a brincar com os meus dedos. Algo tão idiota e estava me impedindo de articular palavras. Todas aquelas sensações brincando comigo. Seria possível que eu estivesse sentindo atração por ela? Bom eu nunca considerei impossível me atrair por uma mulher... mas Hermione? Isso não era boa idéia. Eu ia tirar a mão e sentar, mas estava bom. Eu fiquei. Meu terceiro erro.
Eu não podia estar sentindo algo por ela podia? Isso não era bom. Tentei me lembrar se me sentia assim quando ela me tocava antes. Mas...acho que Hermione não me tocava antes. Tocava? Não antes do dia do pesadelo. Não antes de ela mudar permanentemente para minha cama. Por um segundo eu me arrepiei com o pensamento dela na minha cama.
– Gina você está me ouvindo? – chamou ela de repente.
– Ahm? – perguntei abobalhada. Ela ergueu o rosto para o meu e sua respiração. Me alcançou. Má idéia.
– Eu aqui discursando duas horas sobre o retorno à Hogwarts e você voando sem vassoura. No que está pensando, heim? – ela jogou a perna displicentemente sobre a minha enquanto falava, ficando de lado virada para mim. Ela apoiou a mão na minha cintura que estava descoberta. Péssima idéia. Péssima idéia mesmo.
– Nada. – eu tentei rir. Ela apoiou a cabeça no meu peito de novo. Eu pude respirar novamente. Ela não insistiu na resposta. Será que ela não percebia o quanto a cena era estranha? Ela deitada ali comigo, tão colada quanto poderia. Sua pele queimando minha cintura e o cheiro dos seus fios castanhos chegando à mim.
– A tarde está linda. – ela murmurou. Será que ela poderia tirar a mão?
– Sim está. Hermione, como você percebeu que estava apaixonada pelo Rony? – eu perguntei subitamente.
– Eu não sei. – Hermione parecia surpresa pela pergunta aleatória. – Eu queria sempre estar perto dele. O cheiro dele era bom...algo assim.
– Se apaixonou pelo meu irmão pelo cheiro dele? – perguntei estarrecida. Mas eu entendia, entendia plenamente.
– Ah, sei lá. É uma pergunta difícil. E você? Como se descobriu apaixonada pelo Harry? – ela perguntou.
– Não me lembro. Eu devia ter uns cinco anos. Me encantei com a história. – respondi. Era verdade. Eu me encantei pelo menino que sobreviveu na primeira vez que ouvi sobre ele.
– Depois eu que sou estranha. Pelo menos os ferormônios explicam meu caso. – justificou Hermione.
– Você acha que o amor é uma coisa química? Tipo você sente o cheiro de um parceiro ideal e pronto é ele. Vamos procriar e perpetuar a espécie. – eu disse exasperada – Então como você explica duas garotas se apaixonarem? – Porra. Saiu antes que eu planejasse. Houve uma pausa ou foi impressão?
– Ah, sei lá. – disse ela sem graça – E Você o que acha que faz uma garota se apaixonar por outra?
– Sei lá. – eu repeti as palavras dela. – Nunca aconteceu comigo para que eu saiba.
Eu esperei que ela dissesse: “Nem comigo.” Mas ela não disse. Apenas riu. Ficamos alguns minutos em silêncio.
– Mas então o que faz você se apaixonar? – perguntei.
Hermione riu.
– Sinceramente não sei mais. Seu irmão quebrou todos os meus preceitos. Mas tem algo primordial: a pessoa tem que ser diferente de mim, tem que me causar um friozinho na barriga, fazendo coisas inesperadas. – respondeu. Inesperadas é? Que tal sua cunhada querendo te beijar? – Mas e você?
– Carinho. Adoro carinho. – eu disse simplesmente. Ela riu e olhou para cima de novo. Algo rodou dentro da minha cabeça quando o hálito dela chegou até mim. E então algo me distraiu. Uma formiga picou a minha mão apoiada na grama.
– Porra! – reclamei esfregando a região vermelha. – Que merda! Caralho! – não parava de doer.
– Pára! Isso lá é linguagem? – perguntou Hermione fingindo-se zangada.
– Falar palavrões é psicologicamente saudável. – eu contestei – Você devia experimentar.
– Nunca falei um palavrão e não vai ser agora. – disse ela teimosa.
– Nunca? Nem um “porra” quando dá uma topada? – eu gargalhei – Experimenta! É ótimo. Vamos lá: comece com “porra”.
– Não. – ela balançou a cabeça. Eu a ergui. Nós duas nos sentamos.
– Vamos Hermione. Só um. – eu encorajei.
– Não.
– Você vai se arrepender. – eu imitei garras com as mãos e ela se retraiu. Hermione detestava cócegas.
– Não se atreva! – os olhos dela se estreitaram lindamente.
– Diga: Porra.
– Não.
– Hermione.
– Você não vai me fazer falar palavrões. – ela cruzou os braços se protegendo.
– Você pediu. – eu me joguei em cima dela e a ataquei em todos os lugares alcançáveis. Ela gargalhava e tentava ralhar comigo ao mesmo tempo. Era lindo.
– Pára Ginevra! Pára! – ela rolava de rir com qualquer toque.
– Diga: Pára porra! – ordenei. Eu estava por cima dela, prendendo os dois pulsos dela no chão. Eu me dei conta da posição.
– Desista. – ela sorriu. E eu me peguei olhando abobalhada para o sorriso dela. Um segundo, dois segundos, três... – Gina o que foi?
Eu a soltei.
– Nada. Fiquei tonta por um momento. – eu menti. Bom mais ou menos, eu havia ficado tonta.
Caminhamos por mais alguns minutos aquele dia. Foi um tarde muito boa. Eu havia me convencido de que sentia atração pela minha melhor amiga. Eu era lésbica? Bissexual? Eu precisava do Harry para descobrir isso. Apesar de termos “reatado” eu e Harry sequer trocamos um beijo desde que entramos n'A Toca. Bom, eu precisava de uma prova dos nove.
Naquela noite, depois que mamãe e papai foram dormir. Eu o encurralei na cozinha (colocar mais sal que o normal na comida funciona se você quer fazer com que a pessoa vá à cozinha à noite). Harry se empolgou. Em alguns minutos eu estava sentada em cima da mesa com ele entre as minhas pernas. Por mais que fosse...interessante... eu não conseguia deixar de pensar em Hermione lá em cima, na cama, sozinha...
– Há algo errado não há. – perguntou ele interrompendo-se.
– Eu só acho que...ainda tem coisa demais na minha cabeça. – eu justifiquei. E não era mentira.
– Eu entendo. – disse Harry dando um beijo na minha testa. – Quando quiser é só procurar.
Dei um selinho nele e subi.
Ela estava dormindo. Na minha cama. Eu não sei como ela criou esse hábito, mas ela só dormia na minha cama. “Durma na cama dela.” eu disse à mim mesma. Eu comecei a caminhar para a cama vazia.
– Ginny – ela murmurou sonolenta. Sequer acredito que ela tenha acordado. – Demorou... Não me deixa sozinha. – ela se virou. Ninguém conseguiria ir para um cama vazia depois dessa. Deitei ao lado dela e imediatamente ela me abraçou. Será possível que ela não via nenhuma maldade em dormir na minha cama? Mas afinal, eu era mulher. Mulheres dormem juntas na mesma cama, não é?
– Te amo.. – ela falou num sopro fraco.
– Eu também te... – e a palavra não queria sair. Não por que fosse mentira. Mas simplesmente por que parecia ter uma conotação muito mais específica. – ...amo. – eu falei baixinho – Te amo. – repeti.
– Bom...muito bom. – eu ri da voz pastosa dela e ela dormiu. Sequer abriu o olho durante toda a conversa. Creio que nem se lembre.
Passei os próximos dois dias em uma espécie de paranoia. Eu queria e não queria que ela saísse da minha cama. Eu queria e não queria sentir o cheiro dela. Eu queria e não queria que ela me tocasse. Eu estava descontrolada, confusa, amedrontada. Eu não era mais Gina. Eu era um ser esquisito e distraído perambulando pela casa. Mas... o lema da minha vida é: Sempre pode piorar.
Estávamos todos sentado à mesa. Eu cutucava um pedaço de empadão de frango enquanto Hermione brincava de contornar meu tornozelo com o pé, oculta pela mesa. Eu estava á ponto de um: “Porra, qual é a tua? Quer ir lá para cima para que eu possa te agarrar?” Mas isso não era apropriado. Por que ela não podia ficar sem me tocar? Fui distraída da minha tortura particular quando Rony começou a falar.
– Pai, mãe. – começou ele – Eu quero dizer algo, bom na verdade eu imagino que todos já saibam...
– Todos já sabem Rony. – debochou Harry. Rony fuzilou-o com o olhar. Harry precisava realmente aprender o que significava quando um Weasley tinha as orelhas da cor do cabelo. Perigo.
– Continue filho. – encorajou papai.
Eu esperei qualquer coisa: “Não vou voltar à Hogwarts” “Descobri que todos têm razão sou um babaca” “Bufadores de chifre enrugados existem”. Imaginei ele falando qualquer coisa, menos o mais óbvio. Meu cérebro realmente estava lesionado.
– Hermione e eu, estamos namorando. É oficial. – ele disse pegando a mão dela por cima da mesa. Silêncio. Espera aí, silencio não, todo mundo estava falando, mas eu não conseguia ouvir.
– Desculpe não te contar. Foi hoje à tarde. – disse a única voz que eu conseguiria ouvir. – Ginny? Ginny? Tudo bem?
Com que cara eu estaria? Que maldita pessoa eu era sentindo ciúmes? Ela era dele. Sempre fora.
– Tudo bem. – falei finalmente – Parabéns. – tudo rodou. Acho que ela sorriu. E então Rony se virou e beijou-a daquele jeito desajeitado dele. Um beijo tão incoerente com ela. Aquela tonteira era uma coisa estranha.
Eu tive de esperar alguns minutos intermináveis para poder sair da mesa sem causar nenhuma estranheza. Assim que os pratos esvaziaram e mamãe levantou para pegar o pudim de sobremesa, eu bocejei de forma deliberadamente exagerada. Murmurei algo e fui para o quarto.
Estava tão frio. Me enrolei fortemente no cobertor tentando parar de tremer. Devo ter ficado horas divagando. Como eu podia sentir ciúmes dela? Era tão absurdo! Ela era do Rony. Sempre fora. Não poderia ser normal aquela ânsia tão desesperada. Eu não podia estar apaixonada por ela. E junto com tudo eu sentia uma necessidade sobre-humana de falar sobre isso com ela. Mas seria o certo. Ouvi passos do lado de fora. Eu não estava afim de conversar, então fechei os olhos, mesmo estando virada para a parede. Ela deitou-se ao meu lado.
– Pode parar Weasley você finge muito mal. – disse ela. Pelo tom imaginei que tivesse sorrindo.
– Você não tem uma cama Granger? – respondi me virando. Impossível não sorrir ao vê-la. Ela olhou para a outra cama.
– Sem graça, aquela lá... – ela sorriu – Ginny precisamos conversar. – Sim precisávamos. Apenas a fitei. – Diga o que está te incomodando.
O que eu poderia dizer? Por favor não seja tão linda, não tenha uma personalidade tão incrível, para que eu possa deixar meu irmão em paz? Não me toque, não me olhe, não respire, não tenha nenhum perfume, não sorria, não se mexa...
– Não há nada me incomodando. – perguntas indesejadas. Respostas incoerentes. Ela sorriu.
– Ginny é totalmente normal se sentir como está se sentindo. – Hermione declarou.
– Não sinto nada. – respondi. Que maldita conversa era aquela?
– Tem medo de me perder. – respondeu ela.
– Convencida. – acusei. Ela riu.
– Estou certa. – Hermione enfatizou.
– Por que acha isso? – perguntei.
– Sempre estou certa. – ela declarou simplesmente. Malditas verdades imutáveis.
– E daí? – eu perguntei. Me senti ficando um pouco na defensiva.
– Não precisa ter medo. – ela explicou. Quem tinha medo? Ela acariciou meu cabelo. Eu retirei a cabeça de debaixo da mão dela. Ela suspirou. – Ginevra, você é minha melhor amiga, isso não vai mudar.
Será que não? Prova dos nove. De novo.
– E se eu te contasse um segredo? – eu me virei para parede. Ela se deitou.
– Que segredo? – ela perguntou.
– Um daqueles que tornam um pessoa, em uma pessoa ruim. – eu suspirei.
– Você matou alguém?
– Não.
– Roubou?
– Não. – Mas quero roubar. Pensei. Você.
– Estuprou alguém? – perguntou ela – Isto é, contra a vontade da pessoa, por que duvido quem não queira ser estuprado por você.
– Não. – Mas não é uma má idéia. Eu sorri para a parede.
– Fala. – ordenou ela.
– Pare de mandar em mim. – repliquei.
– Como se você não gostasse... – ela riu baixinho. Meus olhos se estreitaram e me virei subitamente.
– Pare.
– Ok. Fale. – ela revirou os olhos.
– Eu gosto de garotas. – falei de uma vez. Meus olhos correram pelos olhos dela. Tentando identificar alguma reação. Nada. Um segundo, dois segundos... Ela deu um sorriso de canto de boca.
– Combina com você. – disse simplesmente.
– O quê? Herms eu acabei de dizer que eu sou...sou... – Maldita palavra!
– Lésbica? – Toma. Minha cabeça deve ter batido na parede e voltado.
– Isso não... não te incomoda? – perguntei. Afinal o que estava acontecendo?
Ela riu.
– Não era algo impossível de se imaginar. Tudo bem, Ginny. As pessoas são do jeito que são. Bom, talvez isso não seja legal para o Harry. – maldita sabedoria.
– Não quero ser assim. – ela ficou séria.
– Não seja. – disse.
– Como?
– Ignore. Ignore o que você sente. – ela estava acariciando meus cabelos de novo.
– Você parece falar com conhecimento de causa... – ela sorriu. Parecia um pouco amarga, parecia ter 60 anos.
– Amamos as pessoas Ginny, pelo que são, pelo que fazem. Muitas vezes, na maioria delas, isso não tem nada a ver com o que estas têm entre as pernas. – ela acariciou meu rosto.
– Você já amou uma mulher! – eu exclamei.
– Não. – ela parou de sorrir.
– Bom...acho que sua cama vai parecer mais convidativa agora. – eu disse. A tristeza parecia agarrada à minha voz. Era impossível arranca-la.
– Não. – ela se cobriu melhor e fechou os olhos. – Vamos dormir.
Fiquei uma eternidade olhando para o rosto dela. Uma maldita esperança brotando no peito. Tão linda... Apertei meus pulsos para conter milhares de impulsos.
– Herms... eu acho...eu sinto atração por você... – murmurei como se fosse um segredo.
– Não cometa esse erro. – ela murmurou de volta apertando os olhos.
Fiquei muda.
– Prometa, que não vai deixar acontecer o que está acontecendo. – ela continuou, parecia haver algo em sua voz. Medo? Talvez.
– Não posso.
– Prometa.
– Sinto muito... – me virei para a parede – Não faço promessas que não posso cumprir, Hermione.
“Há um anjo em minha cama, ela se deita e me abraça.
Ela é pura demais para entender o perigo,
Há um anjo em minha cama, preso, agarrado à mim.
Você me enfeitiçou?
Há um anjo em minha cama, será pecado corrompê-la?
Não consigo resistir.”
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N/A: Aiiiii que delícia! Gente por que ninguém nunca me disse o quanto escrever Hermione e Ginny é bom? Não sei se vocês vão gostar mas adorei escrever. Lembrem-se bem dessa Gina, ela nunca mais será a mesma. Bom espero que gostem! Elogios, sugestões, reclamações, esculachos e afins são esperados. Quem acha a Ginny uma delícia fofa levanta a varinha! *levanta a varinha* Yeah! Amo vocês!
*ajeita a capa roxa e... crack!*