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5. E forma-se uma grande amizade.


Fic: A incerteza de amar


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Kyra passou o resto do dia no quarto, só saiu para comer. Ela não queria andar pelo castelo porque para ela aquilo, mesmo depois de um mês, era uma zona desconhecida. Ficou a estudar, também era importante. Era o seu quinto ano, o futuro dela dependia dele. Acabou por adormecer depois do jantar a ler um livro de Defesa. Quando as amigas deram por ela, tiraram-lhe o livro e deitaram-na em condições.


Segunda-feira de manhã, Kyra acordou mais cedo do que o costume. Foi logo para o salão principal. Quando Dumbledore chegou e viu-a ali estranhou e foi ter com ela:


- O que se passa, Kyra? - Ela sorriu-lhe.


- Isto tudo ainda é muito novo para mim. Custa-me a adaptar, os ingleses são muito estranhos... que engraçado, eu sou inglesa, parece que não às vezes.


- É natural, sempre viveste na Alemanha. Mas, vais ver tu vais adaptar-te muito, muito bem.


- Obrigada, Albus – agradeceu com um sorriso – Obrigada por tudo. - Ele foi-se embora para se sentar.


Aos poucos e poucos, os outros alunos foram chegando, Kyra adorava Hogwarts, mas ainda não a conhecia e isso era um grande perigo. Não conhecer o sítio onde se mora é uma grande desvantagem, principalmente quando o olho do inimigo está sempre à espreita. Foi o que Kyra pensou quando Draco Malfoy chegou acompanhado dos seus guardas olhando para todos os lados. Também foi isso que a fez sair rapidamente. Ela tinha medo embora não o admitisse. Foi para a aula. Tinha que o fazer, tinha que conseguir estar em Hogwarts um ano. Queria estar ao lado de Dumbledore, mesmo que tivesse medo.


- Ainda bem que estão todos – disse Snape. – Agora vamos à aula. – E assim foi. A aula correu como planeada. Kyra estava distante mas ninguém percebia. Porquê? Ninguém que ali estava a conhecia verdadeiramente. Apenas conhecia uma parte, a parte que ela deixava conhecer. A parte dela que não tinha medos, desconfianças, nem sentimentos. Concluindo, a parte monótona e triste. A parte não-humana dela. Era nestas alturas que sentia saudades dos amigos da Alemanha, saudade, sim, saudade, um sentimento tão enorme para ela. Kyra sentia saudades de tanta coisa. Saudades dos pais, dos amigos, dos criados, dos antigos professores e, o mais estranho, saudades de Dumbledore, sim sentia saudades dele, embora ele estivesse ali, sempre apto para a ajudar. Talvez não sentisse saudades dele em si, talvez sentisse saudades do Dumbledore que mandava cartas, que lhe explicava as coisas da vida, que a compreendia mais que tudo, e que, numa maneira ou doutra, estava sempre com ela. Agora que Kyra estava em Hogwarts, Albus tinha-se afastado a pensar que já não era preciso manter esse tipo de presença, mas era oh como era, mais do que sempre fora, era preciso, tinha sido uma enorme mudança, não desagradável mas enorme, assustadora. Saiu da aula, embora não lhe apetecesse ir às outras, ela foi, não por querer, mas queria não pensar no que perdeu, queria esquecer tudo, queria falar com Albus e explicar-lhe como se sentia, mas não seria justo, pois não? Não seria justo Kyra fazê-lo sentir-se mal, depois de tudo o que ele tinha feito por ela e depois de ela o ter desiludido tantas vezes, embora não o tivesse feito ela pensava que sim, que o tinha feito.


- Para onde vais? - Perguntou uma voz distante, aliás tudo lhe parecia distante. Era Hermione que se encontrava atrás dela.


- Vou para o jardim. E tu? – Perguntou com um sorriso.


- Também. Porque não vamos juntas? – Ela acenou com a cabeça e seguiram juntas. – Como é que tem tudo corrido, Kyra? Eu devia ter estado ao pé de ti nos últimos dias, mas, eu não sabia se querias a minha companhia, e portanto…


- É claro que queria e ainda quero – disse com um sorriso. – Acho que podes ser uma óptima ajuda.


- Ainda bem. Eu quero ajudar em tudo. Quero ser tua amiga e quero que tu sejas minha.


- Não sei se vais querer quando eu te contar tudo. – Hermione sorriu. – Mas eu quero ser tua, mesmo que sejas, sei lá, a pior pessoa do mundo


- Eu também. Acho que precisas de ajuda. Eu vou-te ajudar, mas precisas de confiar em mim, Kyra.


- Não vai ser difícil, mas para te contar tudo, tenho que ter coragem de me lembrar.


- Demora o tempo que quiseres.


- Não, eu vou fazê-lo. Vou contar-te a minha história. Creio que o Albus não fez, mas eu vou fazê-lo. Uma pergunta antes. Podes faltar à aula? – Hermione hesitou, depois acenou afirmativamente com a cabeça. Chegaram ao jardim e sentaram-se num lugar escondido. – Quando a minha mãe ficou grávida, os meus pais não sabiam se ficavam alegres ou tristes. Eles tinham jurado nunca ter filhos, nunca meter um ser inocente neste mundo tão maléfico. Num mundo cruel, com mentes horripilantes como a do Voldemort. Mas numa coisa que eles tinham certeza, não iriam fazer nenhum aborto. Nunca tirariam nenhuma vida, nunca fariam o que mais lhes metia horror, nojo. – Ouviu-se a campainha. – E assim tiveram-me, trataram-me com todo o amor possível, não me olhavam como um ser que tinha estragado os seus planos, mas como um ser que lhes trouxe uma alegria diferente, que nunca tinham experimentado. Eles usaram o dom da vida e isso fê-los felizes. Durante os meus primeiros cinco anos de vida, eu permaneci longe de tudo isto, da maldade de mentes perversas. Foram eles que fizeram isso. Eu fico feliz da atitude deles. – Hermione sorriu. – A que aula é que estás a faltar?


- Defesa – disse simplesmente.


- Tu és doida. Bom, aos seis anos fui para uma escola muggle. Aprendi tudo, desde a matemática à escrita. Aí percebi que o mundo deles estava cheio de guerras e fiquei contente de o meu mundo não ser assim, mas aos oito anos, os meus pais já não podiam esconder o que se passava à minha volta. Voldemort nessa altura não estava de volta, mas ainda existia os seus seguidores. Durante dias fiquei fechada no meu quarto, só saia para comer. Tinha tudo no meu quarto. Agora que penso nisso, acho que foi a partir dessa altura que eu mudei para sempre. Que eu fiquei assim como sou hoje. Uma pessoa indolente, percebes? Eu não ligava a nada, ou pelo menos fingia que não ligava a nada, nada me afectava, nada me deixava triste ou feliz. Foi com muita pena que os meus pais viram-me crescer como uma pessoa fria, provoquei-lhes muito desgostos. Quando penso nisto, sinto-me tão culpada. – Começando a chorar.


- Mas não és. – Disse abraçando-a. – Com certeza, que, onde eles estiverem, estão orgulhosos de ti. A sério, tu és uma óptima pessoa.


- Não, não sou. Tu não me conheces, não digas o que não sabes. – Hermione sorriu, um sorriso que dizia que apesar de não a conhecer, sabia que ela era dócil e meiga. – Não faças esse sorriso. Continuando, eu já me tinha tornado uma pessoa fria quando fui para a minha escola na Alemanha. Lá arranjei amigos que queriam o meu bem. Fui tão feliz na Alemanha. No final do meu segundo ano, recebemos a pior notícia de toda a minha vida até àquele momento: Voldemort tinha voltado. Harry tinha-o visto. Foi um golpe muito duro para nós. Eu já tinha ultrapassado a fase da descoberta, mas isto abalou tudo e todos.


- Imagino, deve ter sido um choque, apesar de já estar previsto. – Ela acenou com a cabeça.


- Eu nunca duvidei que ele tivesse voltado, sabes? Algo em mim dizia que ele não estava derrotado, que vaso ruim não quebra, não tão facilmente. E ainda outra voz dizia que ele iria fazer-me sofrer e não me enganei. O meu terceiro ano foi marcado pela ausência dos meus pais nos assuntos escolares. Eles antes preocupavam-se em mandar cartas, naquele ano não. Algo de horrível estava a acontecer, e eu só pensava em coisas estúpidas como matérias e mais matérias, queria agradar aos meus pais, queria atenção da parte deles. Como é que eu não pude ver que eles me amavam? Naquele ano havia uma pergunta que me atormentava: “Será que eles me amam?”. Sabes, Hermione, eu não percebia que eles apenas queriam o meu bem, que eles queriam que eu estivesse protegida, que eu vivesse num mundo melhor, e eu, no meu egoísmo, dizia que eles já não me amavam, e tentava odiá-los, sabes? Eu tentei odiá-los, chorava dias e noites para os odiar e repetia que os culpados eram eles. Ainda bem que naquela altura não sabia que para odiar uma pessoa é preciso guardar tudo cá dentro. Não conseguia, simplesmente não conseguia, eles eram meus pais. Mas não era só a ausência dos meus pais que me fazia pensar isso. Foi no Natal, quando fui a casa, que me apercebi de algo. Durante o jantar do dia 10, é engraçado, ainda me lembro do dia, apareceu o Albus. Até àquele momento só o tinha visto e conversado com ele duas, três vezes…


- Não queres parar um bocado? – Perguntou Hermione. – Toma, bebe isto. – Disse dando-lhe uma garrafa de sumo de laranja. – Isto acalma. – Ela bebeu.


- Obrigada, vou continuar. O Albus chegou e ainda me lembro do seu estado fatigado, ao longe parecia frágil, mas quando se aproximou não. Sabes Hermione, ele é forte, é muito mais forte do que pessoas mais novas que andam por aí. Ele estava preocupado e receoso. Aí, percebi que ele queria pedir algo aos meus pais, algo que não se pede a ninguém. Foi isso que aconteceu. Eles foram falar sozinhos. O Albus disse-me que tinha dado aos meus pais uma missão muito perigosa, que ninguém tinha aceite. Os meus pais assim fizeram. Começaram por investigar.


“Nesse Natal, a presença do Dumbledore foi constante, tanto quando os meus pais estavam, tanto quando não estavam. Quando eles estavam, fechavam-se a conversar e quando não estavam, ele fazia-me companhia e eu a ele. Foi nessa altura que eu comecei a confiar nele. Regressei para a escola cada vez com mais certezas que os meus pais já não se preocupavam comigo. Só para veres a egoísta que eu sou, nem sequer reparei do medo deles, da sombra que os envolvia. O meu segundo período foi passado a estudar e a chorar.


“Na Páscoa, conheci mais uma pessoa que já não pertence a este mundo: o Sirius. – Hermione entristeceu. – Ele era engraçado. Acho que foi o único que me fez rir durante aquele ano. Também, entre nós surgiu uma cumplicidade enorme. Nunca esqueci aquelas férias, por muitas coisas: pela presença do Sirius e por… por ter sido a última vez que vi os meus pais. Nunca mais os vi. Estava na escola quando o Dumbledore foi ter comigo e disse-me que eles tinham morrido. Eu já estava à espera, aquilo não foi imprevisível. Eu tinha a certeza que eles iam morrer e então, quando fui chamada às 16 horas e 13 minutos por alguém que me dizia que o Dumbledore estava ali, tive a total certeza. Porque é que eu chorei quando ele me contou? Porque vi-me confrontada com a realidade. Quando o Albus estava a sair comigo da escola para eu passar aquele dia em minha casa eu estava mais calma, mas quando chegou a Helga a perguntar o que eu tinha e o Dumbledore respondeu que os meus pais tinham morrido, chorei, mais uma vez tinha sido confrontada com a realidade. Fui-me embora para casa e estava lá o Sirius. Ele disse-me que ia estar sempre ao meu lado, e eu voltei para a escola. No outro dia, soube que também o Sirius tinha morrido. – Elas as duas desataram a chorar. – Foi horrível, imagino como é que o Harry se sentiu. As minhas férias foram horríveis, o Dumbledore passou-as comigo em minha casa na Alemanha. Ele saia algumas vezes, por assuntos da Ordem talvez. Mas esses dias foram horríveis, a meio da noite acordava e ia até ao quarto dos meus pais, na cama começava a chorar, talvez esperançosa de que aquilo não fosse mais do que um pesadelo. O Albus via-me, mas nunca, nem um dia me interrompeu. Eu chorava pronta para esquecer tudo. Chorava pela morte dos meus pais, do Sirius, de todas as pessoas que tinham morrido tão cruelmente.


- Mas como, como é que eles morreram, tu sabes? – Perguntou Hermione.


- Sei. Eu sei de tudo. Eles tinham descoberto a maneira de matar Voldemort, depois de os Horcruxes estarem todos destruídos. Sim, eu sei dessa história. Eles precisavam num lugar seguro para ficar, e então escolheram a nossa casa na Bolívia. Só lá estive uma vez, com um ano, talvez. Mas os meus pais, estiveram lá quase sempre, era a casa que eles mais gostavam. Eles foram descobertos. A minha mãe escondeu a mensagem para o Dumbledore num sítio seguro. Eles acabaram por morrer, em primeiro torturados. A minha mãe nunca revelou, pois eles ainda procuram o papel. Quando o Albus pedir a minha ajuda, talvez eu consiga descobrir onde está. Talvez eu já saiba onde está.


- Sabes? – Hermione olhou-a. – Tu sabes, não sabes?


- Eles ainda não destruíram todos os Horcruxes. Quando destruírem, eu dou-lhes. – Hermione não queria acreditar.


- Já leste? – Ela disse que não com a cabeça. – Mas porque é que não dizes ao Dumbledore?


- Porque iria ser um perigo. Ninguém sabe que eu tenho, só tu. Mas ninguém vai desconfiar de duas adolescentes que não sabem que houve uma missão, mas e do Dumbledore? É claro que sim, já desconfiam. Mas assim eu estaria a dar-lhes uma razão para o matar e eu não quero isso, percebes?


- És inteligente. Vamos falar das nossas histórias. Eu não tenho uma história como a tua, mas posso contar-te que eu sou nascida muggle e que estou apaixonada pelo Ron.


 - Eu sei, toda a gente sabe. – Hermione corou. – Só ele é que não vê. E queres saber mais uma coisa? Ele também gosta de ti apesar de namorar com outra.


- Não digas isso. Continua lá a tua história.


- No quarto ano regressei à escola, revi os amigos. O meu quarto ano… No meu quarto ano aconteceram coisas horríveis para mim. Eu era a mesma, apesar de estar mais fria, de me importar menos comigo. Tu deves achar estranho, eu sendo uma slytherin. Depois de algum tempo comecei a ser mais egoísta, é essa a verdade. Bom, no meu quarto ano tive a minha primeira vez. Não por gostar dessa pessoa, mas procurava carinho, um carinho que me fizesse esquecer tudo. Não consegui e fui-me deitando com outros. O que me interessava não era que naquele momento me sentia vazia, mas era que eu não pensava noutras coisas. Não me deitei com rapazes só à procura de carinho, não. Como é que eu poderia se me deitava com os alunos mais perigosos do colégio? Sabes quando ficas com alguém e não estás preparada, foi o que me aconteceu. Eu já me deitei com alguns rapazes, mas nunca estive preparada, nunca. E tu, Hermione?


- Eu tive a minha primeira vez com… com o Ron. Não digas a ninguém, por favor. Foi tudo muito rápido, foi no sexto ano, ele traiu a namorada. Eu fui até ao quarto dele para lhe dizer o que sentia. Não fui capaz, mas sabes, ele beijou-me. – Ela entristeceu. – Ao outro dia disse para esquecermos o que se tinha passado, mas como é que eu podia, tinha sido a minha primeira vez. Acho que ele nem reparou.


- Tu pelo menos tiveste-a com alguém que amas, eu não. – A campainha tocou. – Já? No quarto ano, ainda outra coisa me atormentou. O Albus supostamente morreu. Chorei tanto, ele tinha-me abandonado depois de tudo o que eu tinha passado. Eu perguntei-me muitas vezes a mesma coisa: “Tu mereces, não mereces? É o teu castigo por tudo o que fizeste.”. Era sempre a minha conclusão, eu merecia o que tinha acontecido. Foi horrível. Quando vim assistir ao julgamento e vi aquele homem que ele tanto confiava senti que talvez ele confiasse em mim, mas que podia tê-lo morto. Ainda bem que tudo não passou de uma ilusão.


“Agora estou aqui em Hogwarts, pronta para o meu quinto ano, que não se vê uma tarefa nada fácil, mas aqui estou. – Ela olhou Hermione séria.


- O que foi? – Perguntou-lhe a amiga. Amiga, sim já se podia dizer isso.


- Ia contar-te uma coisa, mas assim acho que já não seríamos amigas. – Hermione ficou surpreendida.


- Diz, não tenhas medo de contar, a sério. Eu vou continuar a ser tua amiga.


- Eu já estive com um rapaz depois de chegar a Hogwarts. – Hermione olhou-a como a perguntar: “Com quem?”. – Foi com o Malfoy – Hermione surpreendeu-se. – Foi tudo muito rápido, depois da visita a Hogsmeade, eu fui para uma sala de Runas Antigas ao pé das Masmorras e ele foi lá, e pronto. Aconteceu. Eu tenho medo dele, Hermione, medo, percebes? O que ele fez o ano passado…


- Esquece, o Dumbledore não sente ódio por ele. Ele até gosta dele.


- É esse o mal dele, não percebes? O Albus confia demasiado nas outras pessoas.


- E tu não. Tu desconfias delas. Demasiado.


- Tenho essa necessidade, percebes? Mas também não era capaz de gostar de alguém que tentou a todo o custo matar-me.


- Ah está aqui, Ron! – Disse Harry para Hermione chegando mais Ron. – O Snape está passado… Tu nem imaginas.


- O que é que isso interessa? – Disse mostrando desinteresse. – Ele é um estúpido. Uma pessoa já nem pode faltar à aula. Há coisas muito mais interessantes.


- Estiveste a chorar? – Perguntou Ron. – O que é que aconteceu?


- Eu não estive a chorar, Ron! Eu estive a conversar com a Kyra.


- Então foste tu que a fizeste faltar à aula. – Acusou Ron.


- Eu é que quis faltar. Pára de culpar a Kyra.


- Não faz mal, eu percebo. Foi com o Snape. Vamos lanchar agora, pessoal?


- Sim, é o melhor a fazer. – Disse Harry. – A Ginny já deve estar à minha espera. Do que é que vocês estavam a falar? Deve ter sido muito importante para faltarem às aulas.


- Não queiras saber, Harry. – Disse Kyra. – Não interessa saberes. Vocês não têm que se despachar? As vossas namoradas estão à espera e eu e a Hermione vamos devagar, muito lentamente. O que eu quero dizer é que nós queremos ir para dentro sozinhas. – Eles olharam-na. – Por favor! Peço-vos! – Eles saíram a correr. – Foi bom conversar contigo, Hermione. A sério, tu ouviste-me. Já ninguém faz isso. Sinto-me bem.


- Ainda bem que ajudei. – Disse com um sorriso.


- Srta. Granger, posso saber porque faltou à minha aula?


- Não, não pode professor. Eu posso faltar às aulas que eu quiser que não é da sua conta saber o porquê, onde eu as passo e com quem. Percebeu, professor? – Kyra ficou parva. Snape não lhe ficou atrás.


- O Director vai gostar de saber isso, Srta. Granger. – Disse virando-se.


- Espere, professor. – Pediu Kyra. – A culpa foi minha. Eu precisava de ajuda e pedi-a à Hermione que se prontificou a ajudar-me. Estou-te muito agradecida, Hermione. – Elas sorriram.


- E posso saber que ajuda é que a Srta. Granger lhe ofereceu? – Kyra paralisou.


- Desculpe professor, mas não pode. São coisas de mulher, percebe? Foi algo muito urgente. Só  o podia pedir a uma mulher. A Hermione foi a primeira que vi e como o Albus disse-me para pedir ajuda a quem quisesse e então… Não olhei a modos e pedi-lhe uma mãozinha.


- Muito bem. Passa por agora, mas a próxima vez, Srta. Granger… – Hermione acenou com a cabeça. Ele foi-se embora. Hermione virou-se para Kyra e elas riram juntas.


- Vamos, vamos. – Disse Kyra e assim foram lanchar. Hermione sentou-se na mesa da sua equipa e Kyra na da sua. Ela tinha tirado um grande peso de cima das costas e sentia-se tão leve… Agora já tinha alguém da sua idade de confiança em Hogwarts, alguém com quem pudesse falar. Alguém sem ser Dumbledore. Alguém que nunca mais esqueceria. Alguém… Sim, tinha alguém. Uma amiga, uma grande amiga. Foi para o quarto, era estranho. Era estranho estar ali rodeada de pessoas que não conhecia verdadeiramente, por um momento quis ser uma muggle de 4 anos, cheia de inocência e que cresceria envolta de guerras mas sem perceber o que se passava no oculto, na escuridão da noite. Com medo do bicho-papão que seria esquecido quando crescesse. Mas ela era o que era, ninguém podia tirar isso.

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