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108. ACABANDO COM A NOITE


Fic: O Acordo Perfeito RxHrm- Fic completa by marja


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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CAPITULO 108 – ACABANDO COM A NOITE


 


 


 


 


 


Rony esperava o regresso de Hermione para tirá-la daquele baile e ter uma conversa com ela. Furioso, precisou de todo seu autocontrole para não agarrá-la, jogar sobre o ombro seu corpo frágil, e subir para o quarto, apenas para dar o que ela tanto queria!


Bebeu uma taça de vinho inteira em um único gole, ouvindo muito longinquamente a voz do conde lhe dizendo para ser paciente com Hermione, a voz de Gina relembrando-o que estava grávida e nervosa.


Blá, blá, blá.


Estava cheio dos ‘não me toques’ de Hermione!


-Oh, Deus – ele ouviu o sussurro de Gina, e notou o modo assustado com que ela olhou para o centro do salão.


Alguma debutante tropeçara no pé de seu parceiro, ou coisa mais boba ainda. Não deu atenção.


-Venha meu genro, vamos conversar na minha saleta particular. Precisa se acalmar – o conde disse, cheio de melindres, olhando na mesma direção que Gina.


-Não. Vou esperar a louca da sua filha aqui mesmo! – disse revoltado.


-Não se refira a minha filha desse modo! – o conde demonstrou sua clara irritação, batendo a bengala ao qual se apoiava no chão lustroso e caro.


-Me refiro a minha mulher do jeito que eu quiser! – revidou.


Cheio de tudo e todos, olhou finalmente na direção em que Gina olhava com tanto pavor.


Hermione mal sentiu quando foi levada em direção aos casais que dançavam. Seus olhos estavam fixos na imagem de Rony, que a distancia não a notava. Chegou a ver Gina fazer-lhe sinais para que não fizesse isso, mas não deu importância.


Começou a perceber o próprio erro, quando aquele homem a enlaçou pela cintura, apertando seu corpo contra o dele, de uma forma que a incomodou.


O braço de Malfoy apertava em suas costas, moldando-a de um modo tão intimo contra seu corpo, que ela sentiu contornos que definitivamente não deveria sentir!


-Perdão, não posso evitar meu corpo corresponder à paixão que sentimos – ele disse em seu ouvido, roçando os quadris contra os dela.


Alarmada, sentiu o contato de suas virilhas e reconheceu o desejo masculino, pressionando sua barriga de uma forma horrível.


-Paixão que sentimos...? – olhou para ele com horror.


Ele sorria.


Malfoy tinha certeza que a pequena mulher em seus braços tremia de paixão. Era inevitável, era um homem desejável, e já tivera mulheres o suficiente para saber o quanto poderia excitar uma fêmea com um único abraço.


-Conheço seu marido, não se preocupe. Sei o infortúnio que vive – ele continuou falando em seu ouvido, sentindo-a completamente enrijecida em seus braços, tensa. – Despertou minha paixão e meu amor no momento em que a vi, mesmo que a distância. Perdoe meu atrevimento, mas permito-me tal atrevimento, por sentir que desperto o mesmo desejo em você.


Que audácia!


Hermione quis empurrá-lo e no mínimo chutar-lhe as partes íntimas, mas não o faria em consideração ao conde. Não poderia arruinar o baile que fizera em sua homenagem!


Corada de indignação, sentiu-se sendo arrastada pelo salão, tentando acompanhar os passos rápidos da dança, achando que cairia e seria pisoteada por aquelas pessoas que dançavam rapidamente a sua volta.


Do outro lado do salão do baile, Rony precisou de alguns segundos para entender o que via.


Draco Malfoy dançava de corpo colado com uma mulher vestida de vermelho. E essa mulher era Hermione.


Uma mulher que o permitia colar o peito em seus seios. Grudar as coxas em suas coxas. Que permitia que corresse as mãos sujas de Malfoy por suas costas e sussurrasse em seu ouvido.


Não, se fosse a sua Hermione, ele precisaria matar Malfoy.


Rony sentiu que o conde segurava em seu ombro enquanto dava uma ordem a um empregado, para que trouxesse sua filha até ele.


Então, era mesmo Hermione. Não era apenas uma ilusão. Não eram seus olhos pregando-lhe uma peça?


Com um movimento brusco, livrou-se da mão do conde.


Hermione tentou impor alguma distância, sentindo-se a cada passo, mais pressionada contra o corpo bem proporcionado. Não era aquele corpo que desejava que a pressionasse desse modo! Não mesmo!


-Por favor, me solte - ela pediu, tentando não chamar atenção sobre eles – Sou casada!


-Sim, um inconveniente. Saiba, minha deusa de fogo, que não a criticarei por sentir desejo por mim. Meu corpo reconhece o seu, e tudo em que posso pensar é em beijá-la!


-Não se atreva! – tentou empurrá-lo – Sou casada! Estou grávida do meu marido! Não quero ser tocada por outro homem!


-Não minta, pequena. Por que aceitou dançar comigo, além de me desejar com o mesmo ardor que a desejo? - ele sorriu, apertando sua cintura – Atrevo-me a beijá-la aqui, em público, para que todos saibam que roubou meu coração!


-Não faça isso!


Hermione estava decidida a livrar-se dele, e teria feito isso, não fosse uma interrupção.


Em um segundo Malfoy a apertava a ponto de sufocá-la, e no instante seguinte, havia sido apartado dela e estava no chão.


Braços conhecidos a puxaram para longe da briga, e embora olhasse para trás durante todo o caminho, não conseguiu ver muita coisa.


O lacaio do conde a fez entrar numa saleta particular, e um segundo depois o conde e Gina haviam entrado e a porta se fechado atrás deles.


-O que pensa estar fazendo sua menina tola? – o conde perguntou, olhando para ela com tanta crítica que se sentiu pequena.


-Eu...


-Uma mulher casada não dança com outro homem, a menos que seu marido conceda! Muito menos permite ainda mais em público, que um homem a toque do modo como aquele bastardo a tocava! Deseja que toda Londres se refira a você como uma mulher sem moral? Que pensem que não passa de uma prostituta?!


-Era apenas uma dança! – ela tentou argumentar.


-Conde – Gina colocou-se entre eles, antes que pai e filha dissessem mais ofensas e se magoassem irreversivelmente – Quando Hermione fica furiosa com meu irmão, faz coisas tolas para irritá-lo. Confesse, aceitou dançar com esse homem para ofendê-lo não foi?


Hermione se recusou a responder, mas o conde o fez por ela:


-Tenha certeza que o ofendeu! Outro homem jamais voltaria a olhar para uma esposa capaz de tal humilhação! Menina tola! Dei-lhe a oportunidade de livrar-se de um marido indesejado, e não aceitou! Não humilhe o pobre rapaz, se não o quer isso pode ser resolvido facilmente!


-Pobre rapaz! Pobre rapaz! Pobre rapaz! – ela levantou-se jogando sobre o onde toda a sua raiva.


 


 


...................................................................


 


 


 


Harry lutou para separar os dois corpos. Malfoy era um homem sem fibra, mas era bom de briga, por causa dos anos espancando meninos menores que ele. Rony, por sua vez, era bom de briga, pelos anos em que se defendera de valentões iguais a Malfoy.


Havia um silêncio no salão, todos os olhares direcionados para os dois homens que se atacavam em socos. A música havia cessado, os músicos mais interessados no espetáculo do que em fornecer diversão.


-Chega Rony! – ele agarrou a massa ruiva e segurou-o, enquanto o lacaio do conde segurava Malfoy para longe de Rony.


-NÃO! – ele tentou se soltar – Vou matá-lo! E depois vou matá-la!


-Não, não vai! – mais dois cavalheiros se aproximaram para ajudar Harry a segurá-lo, pois o ódio o fazia frenético.


-Minha mulher! – ele gritou para Malfoy - NUNCA MAIS SE APROXIME DA MINHA MULHER!


Sua resposta foi uma risada longa, enquanto Malfoy se soltava do rapaz e limpava o sangue do rosto, passava as mãos nos cabelos, aprumando-se, com um sorriso triunfante.


-Doce como mel – ele disse provocador.


Foi preciso segurá-lo com mais força, conseguindo arrastá-lo pelo salão, enquanto Malfoy era retirado por dois seguranças do conde. Aos poucos o silêncio chocado do salão se quebrou pelo burburinho e então as vozes altas, debatendo o acontecido.


Os músicos retornaram sua missão de entreter, e a música voltou a tocar, enquanto as debutantes debatiam fervorosamente entre suspiros, a sorte de uma mulher ser disputada por dois homens tão bonitos e de tanto porte.


Harry não acreditava que deveriam levá-lo para o mesmo lugar onde estivesse Hermione, mas não havia outro lugar completamente privativo, e subir as escadas com Rony furioso e tentando se soltar seria impossível.


No instante em que eles irromperam pela porta, Hermione praticamente correu para o fundo da saleta, próxima a lareira, bem longe dele. Tão arredia quando uma mulher que sabe que errou e que seus erros terão conseqüências podia sentir-se!


Harry não o teria soltado, mas os outros homens o fizeram e a única coisa que pode fazer, foi se apressar a tirá-los dali, saindo também, para que não houvesse dúvidas que tudo estaria bem, ou os mexericos aumentariam ainda mais!


Rony ficou parado, de pé, olhando para a mulher que até a pouco era a razão da sua vida. Hermione manteve o olhar no dele, desafiando-o. Depois de tudo ainda o desafiava! Malfoy a tivera em seus braços. Provara de suas curvas, não duvidava que a houvesse beijado, embora não fosse seu estilo.


Draco Malfoy não era homem de beijos.


-Tenho certeza que essa situação pode e deve ser resolvida com calma e ponderação – a voz autoritária do conde impedia-os de continuarem em silêncio, desafiando um ao outro – Tenho certeza que o biltre cavalheiro que ousou dançar daquele modo com uma dama casada, não deve ter lhe dado alternativa. É seu primeiro baile, não se envergonhe filha, de admitir que não soubesse ser errado dançar daquele modo com um homem em público – ele lhe ofertava a oportunidade de mentir e escapar.


Gêmeas.


A palavra gritou em sua cabeça e ela ergueu o queixo, sem poder afastar o olhar do azul intenso que queimava em sua direção.


-Não. Eu quis dançar com ele.


-Viu irmão? Hermione queria apenas dançar, não é isso Hermione? Apenas dançar? – Gina tentou desesperadamente contornar a situação, pois pela expressão dos dois, algo muito ruim aconteceria.


-NÃO! – ela por fim explodiu – queria mais que dançar!


-É mesmo? – ele deu um passo para frente e Hermione se moveu pela sala, andando para longe – E o que mais você queria?


-Queria que me abraçasse! Queria que me apertasse! Queria que me beijasse! – gritou, sem que ele pudesse saber que se referia ao que desejava que o próprio Rony fizesse com ela – Feliz? Agora sabe o que eu queria!


-Queria e conseguiu, se expor ao ridículo! – ele sentia a raiva tão forte dentro de si, que poderia facilmente passar por cima do conde, que astuciosamente, se colocara parcialmente em seu caminho, barrando a passagem em direção a sua filha, que verdadeiramente merecia ser estrangulada! – Expôs seu pai ao ridículo! Expôs Harry e Gina, seus amigos, ao mais completo ridículo! Expôs o filho que carrega e expôs a si mesma! Como uma vadia, se roçando naquele assassino desgraçado!


Suas palavras tiveram seu efeito e ela empalideceu.


-Não sabia não é? Uma menina da idade da sua irmã, violentada a assassinada no mesmo leito sujo pelo sangue da sua inocência! É para esse homem que quer se entregar? Então vá! – furioso, abriu a porta da saleta, apontando para o corredor – VÁ DE UMA VEZ SUA VADIA!


-QUEM TEM QUE IR EMBORA É VOCE, APROVEITADOR! MENTIROSO! HIPÓCRITA!


Gina tinha certeza que seus gritos eram ouvidos do salão.


-Precisam parar! – ela tentou dizer para acalmá-los – Conversarem com calma! São marido e mulher, não podem...


-Meta-se com seu marido! – Hermione gritou para ela, furiosa com sua ousadia de interferir – Não deveria estar correndo atrás dele?


Gina não respondeu, magoada. Era isso que merecia por tentar ajudá-la a se livrar do anzol ao qual se prendera?


-Procure seu marido e peça que encerre o baile – o conde pediu a ela.  - Tentarei colocar juízo na cabeça desses dois!


Gina não relutou, pois a mágoa a fazia querer que Hermione fosse para o inferno.


-Não permitirei que se ofendam – ele disse quando os três ficaram sozinhos. - Minha filha não é uma mulher sem moral, muito menos meu genro é um mentiroso. Contenham-se!


-Acontece que essa situação não é da sua conta conde – Rony disse fervendo, só tendo olhos para ela.


Infelizmente nenhum dos dois poderia olhar para outro lugar que não fosse o outro!


-Tudo que é relativo à minha filha é da minha conta!


-Não, não é! Pela lei é minha esposa, e somente eu decido o que é da conta dela! Não se meta entre nós! – sua raiva infelizmente respingava no conde. – não tem direitos legais sobre ela, não é reconhecida como sua filha, e se permito que seja próximo a minha mulher deve ser agradecido e não se meter entre nossos assuntos!


-Assuntos que agora, dizem respeito a toda cidade de Londres! –ele disse orgulhoso e ofendido pela postura do genro – Ambos – olhou para Hermione então para Rony – mancharam meu nome com um escândalo, dentro da minha casa, num baile oferecido por mim, para apresentá-los formalmente a sociedade e deixar claro meu apreço. Devo relevar e aceitar o que se passou aqui dentro? O que devo pensar de ambos, meu genro e minha filha?


-Não importa o que pensa – Rony foi categórico – Quero ficar a sós com minha mulher.


-Imagine se deixarei um homem no seu estado de nervos sozinho com minha filha!


-Não se preocupe meu pai, esse daí não tem coragem para fazer nada além de gritar com mulheres indefesas!


Seu desprezo alertou o conde de que talvez defender sua filha não fosse a atitude mais acertada. Olhou demoradamente para ela, lembrando-se de dias atrás quando lhe confessara seu sofrimento pelo marido ter outras distrações e não lhe dar mais a atenção desejada.


Estava às voltas com a forma mais antiga de uma mulher chamar atenção de seu marido. O ciúme.


-Sejam discretos, e ao menos subam para o quarto, para resolverem esse dilema – ele sugeriu, chegando à conclusão óbvia de que o único remédio para a dor que os dois padeciam era a privacidade de uma reconciliação apaixonada. – usem a escada particular.


Não era um pedido, era uma ordem.


-Não vou a lugar algum com esse homem. – ela disse entre dentes, furiosa com o conde também.


-Claro que não, prefere assassinos como o Malfoy – ele desdenhou.


-Não ouse dizer o que eu gosto ou deixo de gostar! Seu... Seu...!


-CHEGA! CALEM-SE OS DOIS! – finalmente o conde perdeu a paciência - Gritem o quanto quiserem, mas façam isso longe dos meus ouvidos e dos ouvidos dos meus convidados!


Engolindo essa desfeita, Hermione praticamente marchou pela sala, passando bem longe de Rony, seu vestido farfalhando a sua volta, enquanto andava a passos duros que ecoavam pela saleta.


Sua esperança era chegar antes dele no quarto e se trancar.


A escada privada era mais estreita do que a escada principal, que majestosa adornava o hall de entrada, por siso foi fácil escapar de um confronto, pois seria praticamente impossível subirem lado a lado.


Sua felicidade por ter chegado primeiro ao quarto foi substituída por pânico quando descobriu que a chave não estava na fechadura. Estava sobre o criado mudo ao lado da cama, e correu, na vã esperança de apanhá-la a tempo e trancar a porta.


O estrondo atrás de si a fez saltar, consciente que aquela chave não servia mais para nada agora que ele estava dentro do quarto. Deixou a chave cair e olhou para ele, constatando que não haveria conversa.


Não mesmo!


Covarde, correu para o banheiro, aliviada quando não ouviu seus passos. Foi então que ouviu o som da porta sendo trancada. Seu coração estava acelerado, e ela olhou em volta do pequeno vestíbulo à procura de algo para usar contra ele.


Por um segundo se perguntou se enlouquecera. Era o mesmo Rony que sempre a defendia! Por maior que fosse a ofensa, ele não bateria nela! O máximo que faria seria... Respirou fundo ao lembrar-se da última vez em que discutiram desse modo. O prazer que sentira ultrapassava todos os limites. Sentiu as pernas bambas ao pensar nisso.


Precisou se apoiar numa das paredes, pensando em porque fizera isso. Provocava um furacão quando tudo que desejava era a calmaria!


Inferno! Era ele o culpado! Como podia julgá-la por dançar com um mau caráter, quando era ele quem se deitava com duas irmãs ao mesmo tempo? E gêmeas!


Sentindo as brasas da raiva reacender, saiu do seu esconderijo, para encontrá-lo esperando por ela no meio do quarto. Não havia a menor sombra de dúvida sobre seu estado de exasperação e raiva.


-Eu quero ficar sozinha – ela disse afinal, depois de longos segundos de olhos nos olhos, desafiando um ao outro a ceder.


-Não – ele disse gelado – Não quer ficar sozinha. Quer um amante na sua cama. Quer um homem qualquer lhe fazendo companhia!


-Isso é mentira! Deixe de ser dramático!


-A mulher que eu vi lá embaixo, naquele salão, nos braços do Malfoy, queria sexo. Queria que todos soubessem o que aconteceria quando o imbecil do seu marido virasse as costas!  - Seu pescoço estava avermelhando rapidamente à medida que a fúria o consumia, e os poucos passos que o separaram não foram o bastante para afastar também o rancor – Sabe o que todos comentarão pelas minhas costas? Que eu sou traído! Que a mulher com quem me casei deita-se em qualquer cama quente onde haja um homem! Vão chamá-la de meretriz, e pôr duvidas sobre o nascimento do meu filho! Será chamado de bastardo, mesmo que lhe dê meu nome, pois daqui para diante, todos saberão que se deita com outros homens!


-ISSO É MENTIRA! - ela aproximou-se, gritando na sua cara, com a voz quase rouca de tanto ódio – ESTÁ MENTINDO!


-A ÚNICA MENTIRA AQUI É VOCE! – ele revidou na mesma moeda – Se queria outro marido, porque não disse ao conde? Pouparia-me tanto trabalho!


-Tanto trabalho? – as palavras soaram um pouco frágeis, sem entender o que se passava.


-Aceite Malfoy como marido – disse com dureza. Aspereza – com sua fortuna eminente, ele não se negará a casar com uma mulher de segunda mão. Usada. Para ser franco, vai comemorar tudo que lhe ensinei! Eu, por minha vez, volto para minha vida, talvez até aproveite para me casar com Suzan. – seu choque era tão evidente que ela sequer respondeu, quando mais respirou diante dessa sugestão – uma mulher que não me exponha ao ridículo se agarrando com o homem que fez da minha vida um verdadeiro inferno, e que passou anos perseguindo Harry! Um homem que não vale a sola sapato que usa! É isso que você quer Hermione? – deu mais um passo em sua direção, ficando tão perto que ela sentiu na face o hálito quente de sua respiração tão acelerada quanto à dela – Uma palavra, e eu mesmo busco Malfoy para ocupar meu lugar em sua cama!


Era uma ameaça tão forte que ela tremeu da cabeça aos pés. Só de pensar nos apertos daquele homem em seu corpo sentiu um embrulho no estômago.


Estava sendo colocada contra a parede. Era isso. Jogava sobre ela a culpa de seu descontrole, quando na verdade a culpa era toda dele!


Inacreditável ao ponto que ele chegava para reverter o jogo a seu favor!


-Para que? Devo querer outro traste para que? – ela perguntou com toda a coragem que havia dentro de si.


-Ele a beijou?


Se Rony desse mais um passo ela sairia correndo. Não tinha a menor dúvida sobre isso.


-Uma pena, não houve tempo – provocou.


-Marcaram um encontro? – esse passo estava muito próximo de ser dado, e olhando no fundo do azul de seus olhos, sentiu que estava perdida.


-Como disse, não houve tempo. Mas... – afastou-se, esperando que ele notasse todo seu desprezo. Perto da cama, ela olhou para ele com olhos miúdos. Olhos de rapina, de cobra preparando o bote -... Tenho certeza que não demorará para se fazer notar novamente. Como sabe, a filha do conde não é difícil de ser notada – ela mesma não se reconhecia falando desse modo – Sabe do que ele me chamou? “Minha deusa de fogo”.


Quase riu quando ele mudou a postura, enrijecendo o maxilar, as mãos tensas na cintura. Podia ver os nós dos dedos esbranquiçados pela força que ele fazia para não avançar sobre ela.


- Minha deusa de fogo – ela repetiu – me pergunto se foi pela cor do vestido, ou pelo toque do meu corpo.


-Não importa - ele disse manso demais, os olhos fixos nela – Ele estará morto antes que tenha oportunidade de descobrir.


Se houvesse gritado, teria uma resposta para lhe dar. Mas não. Sério. Completamente sério.


Controlado? Então era assim? Enquanto ela sentia sua falta e sofria as agulhadas do ciúme, ele estava controlado?


Rony fazia força para se controlar e não repetir a miserável atitude que tivera no trem. Esforçava-se além do que era capaz para não agarrar seu cabelo e beijá-la até arrancar de sua memória o contato de outro homem!


-Durma aqui – ele disse entre dentes, uma veia saltando em seu pescoço. – é melhor dormirmos separados essa noite.


Sua frase soou como uma explosão em sua mente. Ele queria dormir sozinho? Usava de seu deslize como desculpa para talvez, corresponder aos sorrisos da Srta.DeLuy? Ou melhor, das senhoritas DeLuy! Cínico! Mentiroso! Verme!


Rony não chegou a dar um passo em direção a porta quando algo passou rente a sua cabeça e espatifou-se contra a porta, ao mesmo tempo em que ouvia seu grito:


-GÊMEAS!


Virou-se para olhar para ela sem entender o que dizia


-GÊMEAS! - Hermione apanhou outro enfeite e jogou com toda sua força nele, errando apenas porque foi mais rápido e se afastou.


-VIÚVA SOPHIE!


Achando que havia enlouquecido apenas saiu da frente, quando a bela escova de cabelos cruzou o ar em sua direção.


-SRA. WINTERS! SEU HIPÓCRITA! – pegando a primeira coisa que viu pela frente, Hermione lançou o vasinho adornado por rosas coloridas, sem vê-lo espatifar-se contra a parede, espalhando água e flores pelo tapete caríssimo que adornava o quarto.


-GÊMEAS! UMA MULHER NÃO É O BASTANTE! QUER DORMIR SOZINHO? É CLARO QUE QUER! – frenética, agarrou um atiçador da lareira e apontou para ele, vendo-o parar e ficar imóvel, com a ponta pontiaguda em sua direção. – ROXANNE LAMMER!


A essa altura, Hermione não percebia as lágrimas que corriam de seus olhos, ou notava que estava aos berros, muito menos percebia que aquele atiçador entre eles era quase uma ameaça de morte.


-G.Ê.M.E.A.S – disse pausadamente, as imagens dos dois corpos femininos entrosados ao dele sobre uma cama – COMO EU TE ODEIO!


O atiçador era muito pesado, então jogou no chão, alcançando uma estatueta de porcelana que voou pelo quarto, acertando um espelho que balançou e quase caiu, mas não se espatifou por milagre.


Rony começara a entender a que se referia quando ela mencionara o nome de suas ex-amantes, uma a uma, com atenção redobrada para a fúria a cada vez que se repetia ‘Gêmeas’ em sua boca.


Hermione estava descabelada, o vestido vermelho rivalizando com suas bochechas e olhos avermelhados.


-COMO PODE ME CRITICAR? – Ela esbravejou, notando o estafo em que estavam e o desabafo que fizera – Eu te odeio. Eu te odeio tanto! – era verdade, era a mais perfeita verdade!


Fora de si, reclusa em sua própria ira, não o viu se aproximar, mas quando notou, empurrou-o. Era estranho, porque o empurrava enquanto uma de suas mãos agarrava seu braço.


-EU TE ODEIO!


Ele tentou segurá-la, mas não conseguiu. Hermione avançou sobre ele, querendo no mínimo, arranhar todo aquele rosto debochado, mas sem saber como, acabou em seus braços.


Aquela mulher que avançou sobre seu corpo fez Rony perder o controle e erguê-la para cima com pressa, raiva e paixão. Segurou suas pernas em volta de sua cintura e a levou para a parede, grudando suas costas frágeis contra o papel de parede sofisticado.


Era um quarto dos sonhos, como uma princesa de contos de fadas merecia, mas Hermione não era uma princesa, era uma bruxa.


Uma bruxa que gritava, esperneava e ameaçava acabar com seu juízo.


Uma bruxa que quase morreu de agonia e ansiedade quando ele rasgou a anágua que usava.


Uma bruxa que gritou apaixonadamente quando a penetrou...


 


 


 


 


 


ATUTORA: Será que continua...


Beta: Continua, e como continua!!! Rs

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