“O verdadeiro teste na vida não ocorre quando tudo está indo bem. O verdadeiro teste acontece quando enfrentamos desafios.” – Catherine Pulsifer
Capítulo 13
Nos últimos três finais de semana eu tinha saído mais do que eu costumava sair em um semestre. James e os amigos dele sempre tinham algo para fazer, nem que fosse um chá das cinco com bolinhos, e eu estava fazendo parte daquilo. Tudo bem, não teve nenhum chá das cinco com bolinhos. Mas tiveram outras coisas. A minha preferida foi assistir uma maratona Freddy Krueger na TV de LED dos Potter, em uma chuvosa noite de sexta-feira. Eu não prestei a mínima atenção, nem James. Mas faltou luz, naquela noite, e a coitadinha da Dorcas estava morrendo de medo porque, como estava chovendo, não era difícil ouvirmos barulhos que poderiam ser considerados assustadores em uma casa enorme, escura e ocupada apenas por um grupo de adolescentes (os pais de James tinham ido a um baile para levantar fundos para salvar as baleias ou alguma coisa assim).
Mas apesar de a super festa de arromba a qual eu fui levada pelo James sem precisar de carteira de identidade falsa nem nada (hahaha. Estou brincando) ter sido bem interessante e tudo o mais, o que era mais interessante foi que ao longo das duas semanas que se passaram, James me surpreendeu mais um pouquinho.
Descobri que ele era viciado em Sudoku, aquele jogo do “quadrado mágico” que você precisa ir completando com números de 1 a 9 sem repeti-los nas colunas, linhas e nos nove retângulos no qual o quadrado era dividido. Isso era tão nerd. Bom, de qualquer maneira, primeiro James me ensinou a jogar, depois me ensinou várias dicas para encontrar os números mais facilmente. E ele era mesmo bom naquilo, ele demorava só um quarto do tempo que eu levava para resolver um jogo.
Ele me contou algumas das besteiras que tinha feito na escola que tinham acarretado em detenção ou suspensão, tipo encher completamente um vaso sanitário de terra dos canteiros ou qualquer coisa tão estúpida quanto essa. Mas quem puxava esses assuntos era ele mesmo. Na verdade, ele ficava subitamente irritado se eu começava a falar sobre isso. Suponho que seja por imaginar que o estava julgando (e, bem, eu não posso culpá-lo).
Descobri que James lia algum livro muito raramente mesmo, e basicamente só Stephen King. Ele disse que gostaria de acostumar a ler tanto quanto eu, porque se queria mesmo fazer direito um dia, ele sabia que o material de leitura seria extenso e torturador. Eu concordava: legislações e código penal? Ew!
E ele tinha estado no Festival de Glastonbury há uns dois anos. Aquele enorme festival de música a céu aberto, terrivelmente lotado de gente. James disse que tinha sido uma das coisas mais bacanas da vida dele, mas eu não consigo ver como. Não que eu não ache legal. Mas é que multidões me dão vertigem. Sério. James disse que isso era desculpa da minha meia idade prematura e que ia me levar no próximo. Eu concordei no final só para por fim na discussão.
Ele me trouxe para assistir o treino do time com ele hoje. James estava sem poder jogar por duas semanas inteiras porque tinha machucado o tornozelo, e apesar de todos os seus protestos dizendo que tudo estava ótimo, ele tinha sido cortado do time para se recuperar. E isso estava acabando com ele, de modo que, quando ele me chamou, dizendo que podíamos aproveitar a temperatura mais amena que estava fazendo sentados na arquibancada, não consegui dizer não.
Ele abraçava meus ombros parecendo muito à vontade encostado no concreto da arquibancada imunda e eu estava tentando não encostar meu casaco branco imaculado no degrau da arquibancada. Eu estava tentando parecer relaxada também, mas estava completamente nervosa. O resultado da terceira fase do concurso de contos saía hoje às seis da tarde. Isso era tudo em que eu conseguia pensar.
- Podmore é quem tem a melhor visão de jogo em todo o time, e é isso que faz dele um meia tão bom – James estava tentando me explicar as posições dos jogadores em um time de futebol. Eu estava me esforçando para prestar atenção, porque ele tinha ouvido toda a história de O Mercador de Veneza quando eu comecei a matraquear alguns dias atrás e nem tinha reclamado. – Vê? É ele quem tem que criar as jogadas do ataque.
- Certo – concordei tentando ao máximo parecer aplicada. – Você é do ataque?
- Não, Lily. Eu sou o lateral-esquerdo do time. – Ele parecia achar minha ignorância divertidíssima.
- Tudo bem, certo. Mas o que faz um lateral-esquerdo? – Eu estava genuinamente confusa. Era tão mais fácil assistir a um jogo de futebol na mais completa ignorância.
Como dizem, a ignorância é abençoada.
- Como eu disse antes, os laterais ficam na defesa com os zagueiros e são responsáveis por cruzar a bola para a área do time adversário ou começar jogadas pelas laterais, vindos de trás. É extremamente simples uma vez que você está em campo.
- Bom, certo. Mas não vejo qual é a graça se não é você quem faz gols. – Eu dei de ombros. E acho que Física provavelmente é inúmeras vezes mais fácil do que entender as posições no futebol.
- Laterais fazem gols também. Até zagueiros fazem gols de vez em quando. E, é claro, futebol é muito mais do que fazer gols, Lily. Sem um bom armador para começar uma boa jogada, gols não saem. Sem a zaga para fazer a defesa e sem o goleiro para impedir gols do adversário, o time perde. É por isso que se chama esporte coletivo. Você pode ter Pelé, Maradona ou Cristiano Ronaldo no seu time, mas sozinhos eles não fazem porr... Porcaria nenhuma.
- Tudo bem, Sr. Defensor-do-Esporte-Coletivo, eu não quis ofender.
Ele sorriu.
- Estou só mexendo com você. Sei que está achando isso entediante, então vou tornar mais fácil e parar de fazer comentários, além de obrigá-la a assistir o treino. – Ele riu um pouquinho. – No que é que está pensando com toda essa concentração?
Eu continuei olhando para as nuvens de algodão no céu quando respondi à pergunta dele:
- Estava me lembrando de uma vez, quando eu devia estar com uns treze anos, e eu decidi vir a um jogo da Marion Collins pela primeira vez. Era final de um campeonato, nós ganhamos... Foi uma festa incrível, e foi bonita. Você nem jogava no time principal ainda, parece que foi há séculos atrás.
- Sei. A escola não ganhava há anos, então a diretoria fez uma comemoração colossal, não foi? – ele falava com os olhos no campo, mas parecia completamente capaz de prestar atenção nas duas coisas. Ponto para o James.
- Isso – concordei. – Bom, acontece que quando eu começo a lembrar de dias felizes que há muito já ficaram para trás, começo a ficar nostálgica. É sempre assim. Você não sente isso quando pensa em Liverpool, e nos amigos que deixou lá, em tudo que ficou?
Ele pareceu refletir por algum tempo, desviando a atenção do treino que acontecia à nossa frente.
- Faz muito tempo, Lily. Eu tenho outras coisas aqui, agora... Mas é claro que penso nisso de vez em quando. É natural, acho. Quando passamos por coisas, sabe... Hm, marcantes... Bem, acho que não tem nada mais normal do que sentir saudade. – Ele deu de ombros.
- Certo – concordei sem hesitar. – Mas é que eu me pego pensando em como tudo parecia mais fácil...
James me interrompeu.
- Parece mais fácil porque era mais fácil. Quanto mais você envelhece, mais problemas tem para se preocupar. Pode apostar nisso. Provavelmente porque mais dias vão se passando, e você vai tendo cada vez mais chances de fazer merda.
Eu ri.
- Que bela perspectiva... – Observei ele dar de ombros novamente. Bem, ele não deixava de estar certo. – É só que, continuando, às vezes eu sinto tanta vontade de voltar... Viver tudo de novo.
- Normal de novo. Mas a questão, Evans, é que é só quando você deixa o que viveu se tornar apenas boas lembranças, é que consegue viver novas situações que vão se tornar boas lembranças mais tarde. É assim que você abre espaço para... er... Aprender. Crescer. Eu sou ótimo para discursar improvisado.
Revirei os olhos para a última parte, que foi dita como se ele ainda estivesse enumerando aquilo que acontecia quando você percebia que o que passou, passou e aceitava o fato.
- Bom, é o que dizem, não? “Saudade é a maior prova de que o passado valeu a pena”?
- Quem diz isso?
- As pessoas, James. Pessoas no geral. – Ele nunca tinha ouvido alguém falando isso? – Tudo bem, vou parar com esse papo de garota nostálgica. Daqui a pouco passa.
- Vamos desocupar sua cabeça, então – ele disse, se desligando completamente do treino no campo logo em frente e virando para mim. – Beleza?
Antes que eu pudesse responder, ele já estava me beijando e ignorando completamente os garotos em campo berrando “BOA, POTTER!” ou qualquer coisa assim, até porque a algazarra não durou muito. O treinador Ford começou a berrar com eles e apesar de eu não estar olhando, tenho certeza absoluta de que todos eles abaixaram a cabeça para ouvir as ordens.
E depois, parei de prestar atenção nisso. Eu tinha algo muito, muito melhor para preencher meus pensamentos.
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O treino não durou muito mais tempo, o que era bom, porque hoje eu não estava sendo só escandalosa, eu precisava mesmo ir para casa fazer os catorze exercícios de geometria. Eu disse isso a James, e ele disse que se eu quisesse passar as respostas a ele, não tinha problema algum. Quando eu ri e perguntei o que ele faria se eu me negasse, ele disse que ia pegar o dever do Sirius, se ele por acaso tivesse ficado entediado depois de tantas horas de Wii e tivesse decidido tênar alguma coisa diferente... Como dever de casa.
- É sério, James – eu insisti. – Você não estuda?
- Claro que estudo – ele disse, falsamente ultrajado. – Nas provas finais. Estou me preparando para a experiência universitária. Sabe? Festas o semestre todo e depois precisar virar a noite e viver à base de café.
Eu não consegui controlar um revirar de olhos.
- Esses são seus planos para a universidade? – perguntei em um tom divertido. Era bem a cara dele.
- Sim. Sei lá, vou pensar nisso quando chegar lá. Mas provavelmente, é o que vai acontecer... Só que como é praticamente isso que eu faço agora, sei que funciona. E, Lily, eu só não estudo mais porque sei que não é necessário. Até hoje deu tudo certo.
- Às vezes eu realmente queria ter nascido um pouquinho mais James Potter e menos Lily Evans – falei, enquanto entrávamos no prédio da escola indo em direção à saída.
- A convivência ajuda. – Ele piscou. – Mais um mês e você nem vai mais se reconhecer.
- Também não é assim, James. – Eu ri. – Eu também gosto da pessoa que é Lily Evans.
Isso, soou completamente estranho. Mas não acho que James também tenha achado estranho, porque ele disse:
- Eu também gosto.
E sorriu, um daqueles sorrisos que chegam aos olhos também.
- Awn! – eu me vi obrigada a exclamar, sem alternativas. Porque o que você faz numa situação dessa? Diz “awn!”. – Isso foi muito fofo.
James piscou e riu para mim, mas continuou andando. Eu também continuei.
Foi quando nós passamos pela secretaria que James lembrou que tinha que pegar uma cópia do histórico escolar com a Sra. Jackson, para alguma coisa que ele chegou a falar o que era, mas eu não entendi direito.
- Tudo bem – eu disse. – Vou ficar esperando em uma das cadeiras. – Indiquei as cadeiras estofadas azuis, iguais àquelas em que você tem que ficar sentado em uma agência de banco ou qualquer semelhante.
Foi quando me sentei que vi quem estava ali parecendo entediado. Severus Snape. Snape, que costumava ser o meu melhor amigo. Ele precisava urgentemente de um corte de cabelo e usava calças pretas e um casaco preto. Na verdade, a única coisa que quebrava todo o preto (além de sua pele pálida) era um cachecol vermelho em volta do pescoço. Um cachecol que eu tinha comprado para ele quando fizemos uma viagem com a escola, há uns três anos. Era inverno e nós passamos por essa loja e eu disse que queria que ele usasse em todos os invernos para lembrar de mim.
Bem, podíamos não ser mais amigos, mas ele ainda lembrava de mim.
Eu pensei no que poderia fazer. Fugir, sentar ao lado dele e ignorá-lo ou sentar ao lado dele, ser educada e cumprimentá-lo. Eu estava quase optando por fugir quando ouvi sua voz enrouquecida:
- Lily.
Certo. Eu não podia mais me esquivar. Mas eu podia dar oi, sentar e esperar que James terminasse o que tinha que fazer rapidinho. Ia ser praticamente indolor, eu acreditava completamente nisso.
- Sev. – Sentei-me, desconfortável. – Tudo bem?
Ele deu de ombros como se dissesse “na mesma”.
- Então... A história é verdadeira? – ele olhava para a capa do jornal da escola que estava sobre a pequena mesinha de canto ao lado de sua cadeira.
- Que história?
- Você está saindo com Potter? – Quando disse Potter, parecia estar falando a palavra mais suja que já tinha dito na vida. Eu ignorei isso.
- É – falei sem rodeios, olhando para o fichário rosa que segurava nas mãos.
- Depois de toda aquela cena há dois anos... – Pelo canto do olho, vi ele balançando a cabeça como se não acreditasse.
- Não foi uma cena, Severus. Eu não queria. Mas eu o conheci de verdade agora e mudei minha opinião a respeito dele. É muito simples. – Meu tom de voz soou frio até mesmo para meus ouvidos acostumados a isso. – E não me reprove. Você não tem absolutamente nada a ver com a minha vida ou com as coisas que eu faço. Não mais.
Snape riu baixo, sem humor algum.
- Eu sei, Lily. Acredite, isso já ficou bem evidente.
- Lily? – Era James me chamando a uma distância de uns cinco passos. Ele olhou para Severus com uma frieza que eu não me lembrava de ter visto em seus olhos desde que nos aproximamos. Sev correspondeu ao olhar dele. Era quase como uma disputa silenciosa e não violenta. Eu precisava sair dali antes que eles resolvessem brigar de novo. Fazia tempo, muito tempo que isso não acontecia. Mas os olhares dos dois mostravam claramente que poderia acontecer de novo a qualquer momento.
Eu me levantei sem olhar para Snape e comecei a andar até James, que continuava o encarando. Mas antes que eu chegasse até ele, ouvi a voz de Severus às minhas costas:
- Eu me pergunto como é que você se sente, Potter, estando com os meus restos. – O tom dele era de completo escárnio. Eu me virei para ele. Os restos dele? Snape olhou para mim também, e eu vi sua expressão suavizar por um segundo quando seu olhar desviou para o meu. Mas muito rapidamente, ele desviou o olhar e voltou a encarar James.
- Eu não sei de que porra você tá falando, mas Lily não é resto de ninguém . – O tom de voz de James era tão calmo e contido que eu sabia que não veio sem esforço. – E peça desculpas a ela agora.
- Que lindo, Lily. Você achou seu cavalheiro – Sev falou antes de soltar uma risada. – Realmente, não sei para quem a situação é pior. – Ele tinha voltado a se dirigir a James. – Você ou eu, que a perdi pro cara mais babaca que essa escola já viu.
Eu sei o que James queria fazer. Eu vi as mãos dele se contraírem em punhos apertados, eu vi seu maxilar se contrair. Eu sabia que ele queria voar em cima de Snape. E eu não tinha muita certeza de que isso não estaria certo.
Mas mesmo assim, consegui sair do lugar e andar até ele.
- James, vamos embora – eu disse, tocando seu rosto com uma das minhas mãos geladas. – Não vale a pena. Simplesmente não vale. – Eu nem estava tentando falar baixo. Eu não dava a mínima se Severus podia ouvir ou não.
James assentiu para mim, mas depois me tirou do caminho com suavidade.
- Se eu ouvir você falando com ela ou sobre ela dessa maneira de novo, pode se preparar para ver meu punho na sua cara – ele disse. Snape não pareceu nem um pouco abalado com a ameaça. Bom. Estava na hora de isso acabar.
- Vamos, James – eu disse simplesmente, pegando a mão dele. Comecei a andar, e ele me seguiu. Nós andamos em silêncio por um longo tempo, até chegarmos aos portões da escola e depois, à rua.
- Lily... Se você quiser me contar o que é que houve com você e o idiota, afinal, eu serei todo ouvidos, certo? – Acho que ele percebeu que eu me retraí involuntariamente, porque imediatamente acrescentou. – Só se você quiser.
Eu respirei fundo.
- Tudo bem. Eu quero. Vai ser bom para você entender.
E então contei a ele. Contei o que eu tinha tentado esquecer e que tinha conseguido ignorar com o tempo, cada vez mais. Severus e eu nos conhecemos quando ainda éramos muito crianças, antes mesmo de James chegar a essa cidade. Sev morava em um prédio há algumas quadras de distância da minha casa, e nós nos víamos seguidamente na praça que ficava por perto. E estudávamos na mesma escola. Então fomos ficando cada vez mais amigos. Ninguém realmente compreendia, porque ele parecia tão estranho e sombrio, mas não era assim comigo. Ele foi um grande, enorme amigo; ele me tratava bem, ele fazia com que eu me sentisse alegre. E ele chegou até mesmo a conhecer a minha família. E mesmo a minha família gostava dele, de verdade.
Foi depois que Potter me chamou para sair pela primeira vez, que Severus me disse que gostava de mim. Gostava gostava. Então nós meio que ficamos juntos, só que ninguém realmente sabia disso. Não durou muito tempo, também. Ele começou a se envolver com aqueles garotos arruaceiros e estranhos, talvez vândalos. Eu sabia que estavam metidos com drogas, coisa pesada. Eu disse isso a Sev, pedi que ele se afastasse daquelas pessoas. Mas ele não o fez. Ele me acusou de ser falsa e estar com medo do que as outras pessoas iam comentar, os outros amigos de quem, segundo ele, eu não tinha vergonha de me relacionar.
E eu pus um ponto final, então. Disse que se ele queria continuar com aquela gente, tudo bem. Só que podia tratar de esquecer de mim. Eu me afastei, eu mal olhava para ele. Mas ele precisava, aparentemente, falar comigo. E daí começou a andar atrás de mim, a me chamar no meu quintal. Ele disse, certa vez quando eu já estava começando a ficar com medo e preocupada com sua sanidade mental, que ia dormir lá esperando para que pudéssemos conversar. Eu tentei impedir que meu pai fosse brigar com ele, mas não consegui. Meu pai foi, minha mãe foi, e o que eu sei é que meu pai falou que se Snape não se afastasse, ele ia conseguir um mandado judicial para mantê-lo longe de mim. O que só tornou a coisa muito mais drástica e dolorosa, para falar a verdade. Porque meu pai nem estava realmente pensando em fazer isso, é claro. Ou pelo menos eu acho que não.
De qualquer modo, Severus se afastou depois dessa, mas eu ainda fiquei muito machucada. Só que, como dizem, o tempo cura tudo. O tempo somado à minha família incrível e aos amigos incríveis que eu tinha. Antes disso, eu acho que nunca tinha realmente percebidos o quanto eles eram incríveis. E foi depois que me ajudaram a passar por isso que eu comecei a valorizar todos que eu tinha em minha vida de uma maneira muito maior.
Em algum dia não definido, as coisas voltaram ao normal. Sev não falava mais comigo, eu evitava praticamente todo tipo de contato – até mesmo visual – com ele e o tempo foi passando, fui vivendo novas coisas e tendo outras coisas para me preocupar... De modo que esses acontecimentos foram ficando cada vez mais escondidos na minha memória.
Até hoje, quando tudo acabou saindo num jorro incontrolável. Mas quando terminei de botar para fora, me senti bem. Eu era completamente capaz de falar nisso, já tinha passado e eu já tinha passado por cima.
- Eu lamento, Lily – James disse quando eu terminei, me abraçando. – Não deve ter sido fácil para você.
- Agora já passou. Águas passadas. – Eu dei de ombros. – E, além disso, desafios te fortalecem. Certo?
- É, certo. – Eu me perguntei o que ele estaria achando dessa minha mania de filosofar e usar frases de efeito. Eu tentava ao máximo fazer com que elas realmente tivessem significado, e não fossem só mais uma combinação de palavras bonitinha.
- Não vai dizer que você sempre soube que ele era um idiota? – eu perguntei, tentando fazer soar como uma brincadeira, mas falhando. Tinha soado completamente triste.
- Não quando você está assim – James negou. – Eu não faria uma coisa dessas.
Ele segurou meu rosto nas mãos muito suavemente e depois encostou os lábios nos meus, muito de leve. Era estranha a maneira como era tão bom saber que eu tinha ele por perto.
- Ninguém deveria magoar você. Isso é quase um crime.
- James... – eu sussurrei antes de continuar com a voz alta o suficiente. – Eu já tirei você da fase de testes, sério. Não precisa mais dizer essas coisas fofas.
Eu já estava melhor – estava fazendo piadas. Tinha certeza de que isso era o efeito dele.
- Sério? Obrigado, é uma grande notícia. – James sorriu. É claro que nunca antes na vida tínhamos falado em fase de testes, mas ele entendeu a brincadeira.
- Embora eu goste quando você diz – continuei – Faz eu me sentir ainda mais estúpida por ter rejeitado você há dois anos. – Eu disse isso com sinceridade, por trás de uma aparentemente brincadeira.
- Não se preocupe com isso, Evans. Há dois anos eu era muito mais idiota do que agora, e tenha certeza absoluta de que ia se arrepender se de fato tivesse aceitado algum dos meus convites para sair.
Eu ri. É claro.
- Tudo bem, é você quem está dizendo. E agora... – Eu olhei o relógio no meu pulso. Já passavam das seis. – Eu preciso ir para casa.
Saber se passei para a próxima fase do concurso com o conto que eu escrevi me baseando em você. Mais ou menos. O conto que foi o motivo de eu ter começado a me aproximar de você. O motivo de eu começar uma mentira na qual eu ainda não pus um fim.
Pensar nisso me deixou subitamente desanimada. Eu era uma mentirosa enorme e eu precisava consertar. É só que tudo parecia tão bem que eu tinha muito medo de estragar.
Nós caminhamos juntos até a estação de metrô próxima, e depois tivemos de nos despedir, porque íamos para direções diferentes.
Não muito tempo depois, eu estava em casa, ligando o computador.
Droga de processador lerdo (bem, ele não é realmente lerdo, mas parecia naquele momento).
O site da publicação dos resultados também demorou uma eternidade sem fim para carregar. Eu abri o link certo, dos resultados e me preparei. O que quer que viesse, eu aceitaria. Se passasse, seria mais uma etapa vencida. Se não... Bem, eu tinha passado por duas delas.
Abri o comando de localizar e digitei “Lily Evans”.
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N/A: Primeiro: eu realmente me dediquei a fazer a pesquisa sobre o futebol, certo? Eu já me considerava muito esperta por saber o que é impedimento ou escanteio ou tiro de meta, mas agora eu sei sobre posições em campo! Quando eu estiver vendo os jogos do campeonato turco, libanês ou coreano que meu irmão me obriga a ver (isso é só uma piada, sabe. Porque ele assiste qualquer jogo que estiver passando), vou entender o que é que os comentaristas querem dizer quando falam sobre jogar com esquema 3-5-2. HAUHAUAHAU Até parece. Já esqueci toda a baboseira que eu pesquisei pra escrever o capítulo. Prosseguindo.
Snape. Snape é a história da Lily. Sabem, eu realmente odiava o Snape. Mesmo depois de ler Relíquias da Morte pela primeira vez. Eu peguei raiva da J.K. por querer colocar ele como bonzinho no final e principalmente por todo aquele negócio de Alvo Severo. Embora eu ainda não a tenha perdoado pelo negócio do Alvo Severo, eu realmente parei de odiar o Snape. Mesmo. E acho que ele é um dos personagens mais interessantes de toda a saga, talvez o mais complexo deles. E, não importa o que digam, hoje em dia não consigo acreditar que nunca rolou nada entre ele e a Lily. Desculpa aí. Sou totalmente J/L por toda a vida, mas...
Acho que era isso, espero que tenham gostado :) Ah, e só pra avisar, vou tentar manter o ritmo dos posts, mas eu já estou em aula (terceirão, ae! Not) e talvez seja mais difícil.
Obrigada pelos comentários.
Fernanda M.
P.S.: Me desculpem se tiver alguma erro no capítulo. Eu revisei faz um tempão e não estou com cabeça nenhuma para revisar ele de novo agora, conforme o plano :S Mas me avisem, qualquer coisa, que eu ajeito.