Desnecessário dizer que Masako descobrira tudo. O que impressionou Mitkov foi o tempo. Não havia dado nem mesmo meia hora e ela já estava com um sorriso misterioso que deixaria Mona Lisa de Da Vinci perplexa. Somente semanas depois, ela puxou o assunto novamente com Mitkov. Os professores haviam finalmente liberado a quarentena na escola. Como Hogsmeade não mostrava mais sinais de infecção com a Praga os alunos poderiam novamente passar alguns fins de semana no lugar.
A quarentena acabou antes que Mitkov concluísse o treinamento de se comunicar através do fogo. Até por que os treinos com Vanessa eram rápidos e superficiais. Ela sempre estava ocupada. Um garoto que Mitkov não conhecia, mas sabia ser mais velho sempre estava próximo de Vanessa. Ela começava a dar mais atenção à ele do que aos outros fora do grupo. No dia que eles receberam a notícia da liberação, todos marcaram de se encontrar na porta no dia seguinte.
O dia era uma tarde típica de primavera, diversas das árvores no caminho mostravam flores. Alleria se despediu deles na porta, não iria a Hogsmeade por que teria que estudar. Com todos longe, se despede de Mitkov com um beijo leve, oculto aos outros.Vanessa logo se afasta com duas amigas da Grifinória, logo sendo quase cercadas por alguns alunos, incluindo o aluno mais velho que perseguia Vanessa. Pietro e Aurora se afastam assim que chegaram no vilarejo. O que surpreendeu Mitkov. Ele não sabia que os dois estavam juntos. Masako riu quando o Holopainen apontava perplexo para os dois e para Vanessa e o garoto.
- Todo mundo agora está namorando? – Ele olhava para frente e Masako mostra novamente o seu sorriso que Mitkov aprendera a detestar. Era um sorriso que significava que ela sabia os seus segredos mais profundos. Essa havia sido a primeira vez que o sorriso era para algo sobre ele. Era o primeiro segredo que Masako descobria dele sem que ele contasse para ela.
- Quase todo mundo... – Ela para por um instante como se escolhesse as palavras. Nesse momento ele descobriu que havia falado algo do qual potencialmente iria se arrepender. E quando a voz morta de Li ecoou novamente ele se arrependeu de haver perguntado. – É claro que ninguém está em um relacionamento tão avançado quanto o seu... – O guerreiro sentiu seu rosto arder em pudor e vergonha. – Mas Pietro e Aurora começaram a namorar a algumas semanas... – Ela continuava falando, alheia ao rubor do amigo. – E a Vanessa te mata se você falar em namoro... Ela simplesmente se diverte com ele. E pelo que eu imagino, não somente com ele... – Ela olha para Mitkov, cujas feições ficaram subitamente pétreas, todo o rubor sumindo subitamente, o ar de riso desaparecendo ainda mais rápido.
- C-Como assim? – A voz ainda mais fria do que o de costume. Masako simplesmente sorria. Os dois estavam na frente do Três Vassouras. Mitkov abre a porta e a segura, deixando que Masako passasse por ele e entrando logo em seguida. Escolhe uma mesa semi-oculta onde eles puderam continuar a conversa sem mais problemas.
- Ela sabe sobre você e Alleria. – O guerreiro sempre se impressionava com a habilidade da amiga de contar as coisas mais absurdas sem nem mesmo hesitar. – E aparentemente cansou de esperar o Cavaleiro de Armadura Brilhante.
- Como assim? – O sorriso presunçoso de Masako começava a irritá-lo. A habilidade que ela possuía de ler mentes fazia com que ela sempre se sentisse como a dona da verdade. Mas o jovem Holopainen engolia o seu orgulho. Raríssimas eram as vezes que a oriental se sentia bondosa o suficiente para contar tantas coisas assim.
- Caso você não tenha reparado... – e olha para um canto onde o grupo de Vanessa estava. Mitkov não havia reparado que eles estavam ali. E desviou o olhar quando o garoto se inclinou sobre ela, a ocultando por alguns segundos. Ele não era obrigado a ver esse tipo de coisa... Mas Masako continuava falando. – Diversos garotos sempre tentaram chamar a atenção dela. Não é de se surpreender que eventualmente ela se renda...
A oriental se levanta e volta pouco depois com algumas garrafas de cerveja amanteigada. O sonserino esvazia uma garrafa em alguns segundos. Ele se sentia estranhamente vazio. Não era fome. Não era sede nem nada do gênero, mas ele se sentia cansado. Como se um peso extra houvesse sido colocado sobre ele e ele não conseguisse identificar o porque. Sua mente enxadrista tentava buscar padrões e problemas. Procurava uma batalha. Ele tinha vontade de lutar. Pela primeira vez ele sentia a sede de sangue o afligiu quando ele lutava fora de combate. Queria atacar e matar algum bruxo das trevas. Como se a morte de outra pessoa fosse aliviar sua dor. Seus pensamentos estavam cada vez mais negros até que Masako toca o seu rosto. O toque gentil da amiga lhe trás de volta da espiral descendente.
Masako o encarava com o olhar que ela guardava exclusivamente para ele. O olhar de quem gostaria de saber o que estava se passando em sua cabeça. Os olhos teimosos de Mitkov buscavam o pequeno grupo de Vanessa e por uma fração de segundo, ele teve a impressão de que Vanessa olhava para ele. No segundo seguinte ela já estava novamente dando atenção ao garoto. E o rosto de Mitkov voltou à impassibilidade habitual. Se ela estava feliz, ele iria ficar feliz.
Ele percebe que Masako o olhava com um ar ligeiramente divertido. Como se ele fosse um rato de laboratório e houvesse passado em algum teste maluco. Mas Masako sempre tinha um olhar semelhante a isso...
Terminando de tomar as cervejas amanteigadas, os dois se levantam saindo do lugar. Ao passarem perto do grupo de Vanessa, Mitkov força um sorriso e acena quando a loira olha para ele. Assim que sai olha para o céu, que estava começando a ficar estranhamente nublado. Balançando a cabeça como que para afastar pensamentos ruins, ele começa a caminha, com Masako ao seu lado.
Passam pelo Madame Pudifoot, um lugar onde os casais apaixonados geralmente iam. Como sempre Mitkov se pergunta o porque de uma pessoa com o mínimo de bom senso iria a um lugar como esse. Não chegando novamente a uma resposta, ele se surpreende ao ver pessoas conhecidas lá: Pietro e Aurora estavam de mãos dadas, olhando um para o outro de forma que Mitkov só podia classificar como retardada. Não pôde deixar de rir com a situação. Pietro que sempre causava medo como primeira impressão. Mesmo com os braceletes que restringiam o seu tamanho a níveis aceitáveis, ele ainda era muito maior e mais forte do que qualquer pessoa que Mitkov conhecesse. E lá estava ele com um olhar apaixonado para Aurora que retribuía.
- Só eu não tenho ninguém. – Masako falava como se estivesse citando um simples fato. Sua voz não trazia nenhuma emoção, exceto talvez um tom leve de diversão. – Até o gigante arrumou alguém. – Mitkov olhava para ela com um leve grau de compaixão, mas a oriental não aparentava precisar de ninguém. Passa a mão nos olhos afastando as lembranças com Masako.
Subitamente uma explosão chama a atenção de todos. De relance, Mitkov vê Pietro se levantando e os localizando rapidamente. Os olhos de Li ficam completamente negros enquanto ela aponta para a antiga Casa dos Gritos. Os dois começam a correr na direção da Casa, sendo logo alcançados por Pietro em suas passadas largas. O céu parecia mais escuro do que antes, as nuvens engordando e adquirindo uma maligna aparência de tempestade. Várias pessoas estavam na rua, algumas se aproximando da Casa dos Gritos.
Um rugido corta o ar sendo perniciosamente seguido por uma rajada de luz alaranjada subindo velozmente. Todos estavam parados olhando somente o jato. Mesmo Pietro havia parado, segurando os dois amigos. Quando a rajada atinge as nuvens, um novo rugido ecoa pelo ar, o jato de luz explodindo com o som e formando uma cabeça de leão. Uma Leoa. As nuvens ficam subitamente arroxeadas, os trovões eram como rugidos e os relâmpagos eram avermelhados.
- Demoníaco... – a voz de Pietro era baixa e temerosa. Eles começam a correr, sendo impelidos pela adrenalina. Olhando rapidamente para o lado, Mitkov percebe um grande lobo de pelos brancos correndo ao lado deles. Agora o grupo estava completo. Com um pensamento, Mitkov começa a liberar lentamente o fogo interior. Conforme Vanessa havia ensinado. “Domine o Elemento, não seja por ele dominado...”
Os braceletes de Pietro passam raspando pela cabeça de Mitkov, distraído pelas lembranças, o nervosismo sendo banido pela vontade de lutar. As primeiras gotas caem, e Mitkov vê os pelos puros do lobo que corria se mancharem de negro. Antes mesmo que possa falar algo, eles haviam chegado no topo da colina onde se encontrava a Casa dos Gritos.
Havia seis pessoas lá. Eram todas mulheres. Uma delas, uma pouco distanciada, usava uma roupa negra estilizada, e seu rosto, semi-oculto por um capuz, trazia uma espécie de transfiguração que havia transformado sua cabeça na cabeça de uma leoa. Todas as outras estavam completamente ocultas. Uma sétima pessoa, somente o cabelo muito negro e comprido visível entre as cinco subalternas da Leoa.
Vanessa pula e vai para uma forma híbrida entre lobo e mulher. A voz rosnada da russa ecoa baixo entre eles.
- Pietro fica e me protege. Eu vou esconjurar essas nuvens daqui. – A histeria da vila começava a alcançar a colina. Nenhuma das outras pessoas que estavam subindo a colina chegaram. Provavelmente haviam descido depois que a Marca da Leoa houvesse surgido. O gigante rapidamente concorda com um aceno de cabeça e logo depois um grande machado surge em suas mãos. O presente de Mitkov.
O guerreiro e a oriental avançam, sujos da água negra que caía. Duas das cinco, saíram do círculo e foram na direção de Vanessa, que começava a gesticular e rosnar em um complexo ritual elemental. Pietro sorri, a água negra escorrendo por seu corpo, o machado em punho e um urro desumano ecoando de sua boca, de seu peito.
Mitkov faz com que a legendária Holopan apareça em sua mão e a chuva parece se afastar da lâmina sagrada. A chuva que já havia caído evapora ante o calor que emanava de Mitkov. Seus olhos brilham em chamas, a espada respondendo ao seu poder, se inflamando com puras chamas brancas. As outras três sacam sua varinha e a apontam para Mitkov, ignorando a presença de Masako. Antes mesmo de pensar, Mitkov deflete três feitiços que vinham em sua direção, sua mão esquerda buscando a varinha nas vestes. Inclinando-se levemente para as oponentes, ele as saúda, se levantando e erguendo a Caçadora das Trevas. Sua voz se eleva em uma saudação. Seu sangue fervia. Sua espada brilhava. Ele sorria.
Em apenas alguns segundos, Mitkov havia diminuído o espaço entre ele e a primeira das bruxas. Um débil feitiço de Escudo é cortado ao meio pela lâmina de Mitkov. O arco do golpe termina afundando no lado esquerdo da bruxa. A carne dela chiava com o fogo, impedindo o sangramento. Mantendo o movimento, ele desvia um passo para o lado, e os feitiços que eram destinados a ele, atingem a bruxa atingida, que tem o seu grito interrompido pelos impactos. Mitkov sorri quando o sangue impuro dela respinga em seu rosto. Seu olhar era fogo. Seu sangue era fogo.
O olhar de Mitkov se vira por apenas um momento para o lado. Seu coração treme no peito quando vê Masako de joelhos no chão, a chuva negra caindo impiedosamente sobre ela. Ela cuspia sangue no chão. Pietro estava com diversos cortes espalhados pelo corpo, mas lutava bravamente contra dois oponentes. A chuva finalmente começava a ceder, as nuvens arroxeadas consumidas por nuvens cinzas normais. Vanessa estava intocada, seu pelo lavado pela chuva normal. A gritaria no vilarejo diminuía lentamente conforme a feiticeira afastava o perigo, consumindo a Magia Negra com os poderes da Natureza. Outro feitiço faz com que Mitkov volte a prestar atenção no combate.
Alguns passos à frente, as bruxas pareciam começar a temer o adolescente com uma espada em chamas e fogo nos olhos. Esquivando-se de um feitiço e bloqueando outro, Mitkov dança até chegar as oponentes. Um corte vertical de baixo para cima decepa o braço com a varinha de uma das bruxas, a força do golpe ampliado pelo movimento do corpo de Mitkov. O sangue fluía livre, manchando o chão negro de chuva. O grito da mulher ferida ecoava alto, distraindo a outra que tem um dos seios destruído por um golpe de Mitkov. O sangue dela se misturando ao sangue das outras duas no rosto do Guerreiro Sagrado. Quando Mitkov se vira para a mulher com cara de leoa a espada ressoa em sua mão.
A leoa olhava impassível para outro lugar, como se Mitkov fosse somente um inseto irritante que não pudesse lhe causar mal. Hesitando por um segundo, o garoto olha para trás ao mesmo tempo em que ouve um urro desumano. Masako estava de pé, mas seu rosto estava deformado. Ódio. Puro ódio. De sua fronte, dois estranhos chifres se recurvavam para trás. Suas feições demoníacas. A parte de trás de sua roupa preta havia se rasgado. Duas grandes asas de couro quase transparente se agitavam malignamente. E ela olhava para a leoa com olhos completamente negros. Essa foi uma das poucas vezes na vida que Mitkov teve medo.
A leoa levanta sua varinha e aponta para Masako. A espada de Mitkov ressoava com uma fúria nunca antes vista. Mitkov não sabia o que fazer. Sua espada queria o sangue do mal. Mas sua mente se recusava a atacar Masako. Seu corpo não obedecia. Masako agita a mão na direção de Mitkov e ele sente um impacto violento no corpo. Como se houvesse sido atropelado por um caminhão. Ele ouve alguns ossos se partirem, mas a adrenalina o impede de sentir qualquer tipo de dor. A magia da espada o protegia. Ele sente o anel se aquecer em sua mão e seus olhos flamejantes vêem pela primeira vez uma aura negra ao redor de Masako. Muito maior do que a aura da leoa. Um certo negrume se faz presente em sua visão enquanto voava.
Bate em algo macio e quando termina de cair olha para cima, vendo o rosto marcado por cortes de Pietro. O amigo havia derrotado duas bruxas adultas e ainda impedido que elas atacassem Vanessa. Ele vê a chuva cessar aos poucos, o céu azul se tornando lentamente visível e dando um aspecto surreal à cena. Se obrigando a se levantar, Mitkov pela primeira vez sente a dor dos ossos quebrados. Havia fraturado algumas costelas e o braço esquerdo.
Erguendo levemente os olhos anuviados pela dor, ele vê uma Masako Demoníaca arrancar com as mãos nuas o braço da bruxa com cara de leoa. O grito agudo da mulher rasga o céu. Fincando a espada na terra, Mitkov guarda sua varinha com a mão direita. Pega novamente a espada e passa os olhos cansados pelo campo de batalha. Vanessa estava terminando o ritual que afastava o perigo da chuva negra. Pietro estava caído no chão atrás de Mitkov. Masako estava andando lentamente na direção da bruxa que parecia asfixiar sob o poder de Masako completamente liberto. E a poucos metros da bruxa, a pessoa de longos cabelos negros as bruxas havia trazido. Inspirando profundamente, Mitkov sente a pontada das costelas quebradas e avança, de espada em punho até a mulher desmaiada. Sente novamente o anel se aquecendo em seu dedo. Como se a própria presença de Masako o sobrecarregasse. Os gritos da bruxa ecoavam pelo ar.
Se ajoelhando perto da mulher de cabelos negros, Mitkov percebe que ela era Amaranth. Não parecia estar ferida, mas começa a acordar com o toque de Mitkov. O sonserino ouve diversos estalos altos, e algumas dezenas de bruxos aparecem do nada. Todos apontavam para Masako, que aparentemente estava distraída pela aparição de tantas pessoas. Ela ainda consegue arrancar o pé da bruxa antes de ser derrubada por diversos Feitiços Estuporantes. Vanessa corre para Masako e ao visarem ela com os feitiços, ela pula e muda de forma, usando uma espécie de impulso metamórfico ao pular e esquiva das rajadas. Quando cai no chão, rola de forma que se joga sobre Masako, protegendo o corpo da garota que lentamente voltava ao normal. Ela fala alguma coisa, mas Mitkov havia voltado sua atenção para Amaranth.
Os olhos muito negros da garota o olhavam estranhamente. Um sorriso ilumina o seu rosto e uma das mãos da garota vai até o seu pescoço. Com uma simplicidade surpreendente ela o puxa com delicadeza e o beija. Uma sensação muito estranha toma conta dele, um aperto estranho no peito. Como se ele não estivesse fazendo alguma conexão importante. Até um barulho de explosão leve chama sua atenção e ele levanta o rosto. O número de pessoas havia crescido. Um fotógrafo apontava a câmera para ele. Diversos Aurores estavam presentes no local. Alguns medi-bruxos estavam cuidando de Masako que estava desmaiada, da leoa e das duas bruxas que Mitkov havia ferido. As outras três estavam mortas. Um medi-bruxo cismava em tentar cuidar de Pietro, mas o meio gigante já estava de pé e tentava se aproximar de Masako e Vanessa. A única sem ferimentos era Vanessa, graças a Pietro. Mitkov sorri com sinceridade ao ver os amigos. Esquecia-se que Amaranth estava em seus braços, um deles quebrado.
Um auror toca-lhe o ombro e pega Amaranth, que se levanta sem muita dificuldade. Um medi-bruxo se aproxima e lhe dá alguma coisa para beber. Assim que termina de beber o que quer que fosse, um sono violente toma-lhe os sentidos. A última coisa que Mitkov consegue fazer é segurar com força a Holopan antes de cair em um sono profundo e sem sonhos...
Ele acorda um tempo depois confuso. A espada estava apertada em sua mão. Seus olhos percorrem o que parece ser a enfermaria da escola. Um tanto quanto confuso, ele olha para o seu braço enfaixado e para o peito sem camisa. Ele estava oculto por faixas também. Parecia que alguém havia tentado mumifica-lo. Ele estava sem dor e perto dele, havia diversos rolos de pergaminho. A enfermeira logo aparece mas o examina sem falar nada. Tinha somente um sorriso bondoso no rosto.
Logo depois ela o libera com um gesto. Ele se levanta da cama sem dificuldade e move o braço e o torço. Sem dor. Não satisfeito ele se deita no chão e faz algumas flexões como que para ter certeza de que estava bem. Satisfeito com o resultado, ele pega uma muda de roupas que estava ao lado de sua cama e guarda todos os rolos de pergaminho na sua mochila que estava no pé da cama. Sua varinha estava guardada dentro da mochila. Ele a prende na calça e sai, agradecendo a enfermeira.
A escola parecia estranhamente vazia, mas assim que ele olha o relógio, percebe que estava na hora da janta. Ele avança calmamente, sabia que não havia problema se atrasar para isso. Na metade do caminho ele encontra Masako. Ela estava pálida, o que lhe dava um tom estranho de amarelo. A garota o abraça forte e Mitkov não tem a coragem de lhe dizer que não gostava de abraços. Ele sente o corpo dela tremer um pouco e sente suas faixas molhadas. Masako estava chorando. Ele não sabia o que fazer. Nunca nem imaginara Masako chorando. Ela era a mais forte do grupo. Mas lá estava ela. Abraçada a Mitkov e chorando. Soluçava de leve. Murmurava em japonês.
- Eu perdi o controle... Eu perdi o controle... – e Mitkov simplesmente colocava a sua mão na cabeça dela e fazia um carinho desajeitado.
- Está tudo bem... Passou... – as memórias pareciam confusas. Como aquela garota, sua amiga, tinha se transformado em um demônio impiedoso... Ele sabia que ela era fria e que tinha um pouco de sangue corrupto, mas a esse ponto?
Os dois ficam abraçados por alguns minutos, até que Li consegue se controlar e readquirir a compostura. Depois de secar os olhos, ela assume a mesma postura fria de sempre.
- Se você contar para alguém... – E Mitkov sorriu.
- Você sabe que eu não vou... – e a pegou pela mão. Os dois fizeram o resto do caminho juntos para o Salão Principal. Assim que abriram a porta, eles perceberam o burburinho habitual do Salão de calar. Ele estava enfeitado para uma festa. Pietro e Vanessa estavam sentados na mesa dos professores. Todos olhavam para eles. Até que a Diretora se levantou e sem falar nenhuma palavra, bateu palmas uma vez. Os alunos começaram a bater palmas um tanto quanto à contra-gosto. Poucos eram os que gostavam de Mitkov ou de Masako.
As palmas cessão assim que a Diretora para. Era claro que aquilo não era opcional para os alunos. Mitkov e Masako andam até a mesa dos professores, onde haviam dois lugares reservados para eles. Assim que se sentam, a Diretora faz um longo discurso enaltecendo os alunos, que fizeram com que três bruxas das trevas fossem presas. Mitkov percebe que ela não mencionara as três bruxas mortas por ele e Pietro. Falou também sobre a força que tinham as quatro casas unidas. Falou por um bom tempo e quando terminou, os alunos começaram a comer. Os elfos domésticos haviam realmente se superado. O burburinho deixava Mitkov levemente incomodado. Ele ouviu a palavra demônio diversas vezes. Quando tudo terminou e o Salão estava esvaziando rapidamente, ele se levantou e saiu. Não via Amaranth e nem Alleria em lugar nenhum.
Assim que chegou na porta, ele viu Vanessa se aproximando rapidamente e antes que ele pudesse abrir um sorriso, ela lhe dá um sonoro tapa, o que faz com que as poucas pessoas no lugar olhem para os dois.
- Seu imbecil! – e sai como um furacão. Mitkov olha em volta confuso. Pietro chega sorrindo e lhe dá um tapinha no ombro. Ele estava com os braceletes que controlavam o seu tamanho e um jornal na mão. Ele entrega o jornal ao sonserino e se afasta sorrindo, encontrando Aurora no meio das pessoas. Assim que abre o jornal, a foto lhe chama atenção. Mostrava-o, com o braço quebrado, mas mesmo assim segurando Amaranth. Eles se beijavam. E acima, mesmo a foto sendo em preto e branco, Mitkov sabia que era laranja, o Sinal da Leoa.
Tentando ignorar a foto, Mitkov presta atenção na matéria.
“NOVA AMEAÇA PARA O REINO UNIDO
Desde que o novo “lorde das trevas” se provou uma fraude, o povo teve pouco mais de alguns dias antes de ser assolado com uma praga nunca antes vista. Bruxos e trouxas morriam. A boa notícia: A cura foi descoberta graças a captura da bruxa responsável por criá-la. As más notícias: Quando o “Novo Lorde” caiu, seus três maiores tenentes, incluindo o temido assassino Dragão Negro, resolveram manter sua política terrorista e se organizaram em um novo grupo liderado por eles. Um Triunvirato que eles batizaram de Quimera. Somente os melhores candidatos são aceitos nesse grupo. Eles se dividem de acordo com o seu líder. Os membros do chamado Bando da Leoa, são todas bruxas com um talento enorme em poções e herbologia. Elas são as responsáveis por criar novas armas químicas e feitiços para enfraquecer e adoecer. A própria Leoa criou o Ebola Negro. A Revoada do Dragão, discípulos do Dragão Negro, são exímios assassinos e já lhes foi creditado o assassinato de alguns políticos importantes e do General dos Aurores no dia de ontem. Por último, mas não menos perigoso, a Matilha do Lobo. São todos combatentes de elite, o equivalente aos nossos aurores. São tropas de choque que lutam como se possuíssem uma só mente. Sua agenda é desconhecida, mas dado o estrago da Praga, temos muito o que temer...”
Mitkov levanta a cabeça do jornal e olha para Masako. Ela provavelmente já sabia. Ele nem mesmo se dá ao trabalho de olhar a parte que falava dele. Pelos comentários que ouvia pelas costas, falavam que ele tinha lutado para salvar Amaranth e convenientemente salvado o vilarejo. A escola fervilhava com as novidades. E Mitkov, em seu afã de acabar com mal e desmascarar o Lorde das Trevas, acabou colaborando para um golpe de estado, tirando a mulher que se fingia de Voldemort da jogada e de quebra, dando o subsídio para os três bruxos das trevas mais poderosos da Europa se unir em um poderoso Triunvirato. Agora em vez de ter um bando que aceitava qualquer um com intenção de ser mal, o mundo bruxo era ameaçado por uma poderosa Quimera que crescia em força e treinava os seus membros de forma especializada. Um grupo bruxo terrorista do qual muito pouco se sabia. Quem seriam o Lobo e o Dragão? O que eles planejavam agora que a Leoa estava presa?
Mitkov olha para Masako, mas a oriental parecia tão perdida quanto ele...