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107. GÊMEAS


Fic: O Acordo Perfeito RxHrm- Fic completa by marja


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CAPITULO 107 – GÊMEAS


 


 


 


 


 


 


 


-Meu pai se empenhou – ela disse pensativa enquanto era conduzida pelo salão, notando que outros casais também se animaram para dançar.  – É um belíssimo baile.


Seu excesso de educação arrancou dele um riso divertido.


-Hermione, esses bailes são sempre chatos, cansativos e muitas vezes insuportáveis! Para mim não precisa esconder o quanto está desconfortável! Penso que o único momento prazeroso que teve, desde que chegamos, foi ao refugiar-se em alguma sala particular para conversar com Roxanne Lammer!


Surpresa, Hermione errou o passo e quase pisou em seu pé. Rony soube conduzi-la de modo que isso não acontecesse. Sem saber o que responder, deslizou uma das mãos de seu ombro em direção ao seu braço, descansando os dedos no músculo forte que se escondia sobre a roupa.


Não notou que nos casais ao redor, as mocinhas a imitaram. Rony notou esse fato por ela, achando melhor não comentar que era algo a ser admirado. Como filha do conde, tendia a ser alvo da admiração das mocinhas debutantes, e via de regra, elas a imitariam. Sem sombras de dúvidas, no próximo baile, o salão estaria lotado de mulheres usando vermelho!


-Vejo cada pequeno movimento seu, ouço cada suspiro que dá. Não tente me enganar Hermione. Notei quando fez um sutil sinal para atrair a atenção dela, e como ela a seguiu pouco depois. Além disso, demorou muito para uma simples ida ao banheiro!


-Eu não quero falar sobre minhas conversas pessoais – ela disse petulante, olhando para baixo, onde seus pés seguiam seus movimentos automaticamente – Como posso estar dançando? Eu nunca dancei...


-Estou te levando – ele disse olhando em seus olhos - Se me deixar conduzi-la, nunca perderá o ritmo – era uma oferta intensa demais para que se desse ao luxo de responder ali, no meio do burburinho de vozes e do som da música tocada em suas melodias belas e harmoniosas.


-Madame Lammer é uma mulher que sabe manipular as pessoas, Hermione – ele mudou de assunto, pois sabia que não poderia arrancar-lhe algo que não quisesse lhe contar – Tem feito muito pelas mulheres de origem simples, e isso é louvável. Mas, em contraponto, existem conseqüências para seus atos. Ela é alvo constante de ameaças e ódio de muitas pessoas influentes. Deve lhe ter feito mil propostas e enchido sua cabeça com a idéia de feminismo e direitos iguais e...


-Não. – ela disse categórica, com algo de desafio no olhar – Roxanne tem uma doçaria. Falamos sobre bolos e tortas. Como vê, não foi mais que uma conversa privada.


-Hermione - ele disse com a voz um pouco mais alta, exasperado. Conteve a irritação estreitando-a mais contra si, indo além do que a decência permitiria em público – Não tente me enganar! Não sou tolo para imaginar que Lammer desperdiçaria a possibilidade de ter o apoio do conde para sua escola de mulheres! Quero que escute e entenda de uma vez! Há diferenças entre uma escola preparatória para mulher e uma escola que prepara as mulheres para a rebeldia e perdição!


-Meu Deus! – ela ficou chocada – Não acredito que esteja dizendo um absurdo desses! Que perdição pode haver em ser capaz de cuidar de si mesma?


-Acha que é isso apenas que ela ensina? – revidou.


-E você? Esteve em alguma aula de madame Lammer para saber o que ela ensina?


Hermione parou de dançar, encarando-o com desafio. As mãos estavam unidas, mas estavam imóveis.


-Ela lhe fez um convite? – não era apenas uma pergunta, era uma exigência.


-Talvez sim... Talvez não – desafiou.


-Fez ou não fez um convite?


Rony soltou suas mãos, e sua expressão daria medo, mas em Hermione apenas ascendeu o pavio que estava absurdamente curto desde que chegaram a Londres e ele a esquecera completamente.


-Não me darei ao trabalho de responder novamente a sua pergunta. Não é da sua conta.


-Sou seu marido, tenho o direito de saber tudo que faz! – sua voz soou acima do som da música e alguns casais pararam para observá-los.


-E acaso tenho eu o direito de saber tudo que faz? – revidou, no mesmo tom.


-Do que está falando?


Com o sangue fervendo por ele ser cínico a ponto de não ter se dado conta que há quatro dias não encostava um dedo sequer sobre ela, virou-lhe as costas e deixou-o plantado no meio do salão de danças.


A vergonha de ser abandonado não foi maior que a raiva. Seguiu-a no mesmo passo rápido, e nem mesmo a presença do conde se colocou entre eles.


-Quero saber sobre o que estou sendo acusado! – ele exigiu, a despeito da surpresa do conde, e do silêncio que se instalou entre as demais pessoas com as quais conversava.


-É tão cínico que não é capaz de adivinhar?


-Como pode falar desse modo depois de tudo que... – ele conteve as palavras, sentindo-se como alguém que implora. Orgulhoso, assentiu com a cabeça – Tem razão, aconteceu algo que devo adivinhar. Esse sim é um comportamento racional!


Calada, afastou o olhar, sentindo o peito doer dentro daquele vestido apertado, tamanho esforço fazia para respirar e não esbravejar e gritar seu ódio.


“Você me abandonou”. Sim, queria gritar com todas as letras!


O pior tipo de abandono. Vê-lo todos os dias, mas não ter mais sua atenção ou seu interesse!


-Preciso tomar ar – ela disse ao conde, como quem pede desculpas por estar à beira das lágrimas.


Rony deu um passo na direção dela, mas o conde sorriu e deu-lhe um tapa amistoso em seu ombro.


-Harry, faça-me o favor de mostrar a sacada, desse modo, minha filha poderá tomar tanto ar quanto seja necessário.


Harry pareceu muito constrangido, mas aceitou. Gina olhou-o magoada, e com um olhar de desculpas ele conduziu Hermione para longe do movimentado salão de festas.


Ardendo de raiva, com lágrimas piscando em seus olhos, Hermione segurou o braço de Harry fazendo-o parar antes que estivessem longe demais.


-Me diga quais – ela pediu, fazendo força para não chorar.


Estava no limite. Mais um dia sem seu olhar, seu interesse e sua dedicação e iria enlouquecer!


-Do que fala? – Infelizmente Harry não prestava tanta atenção nela para saber o que estava pensando ao usar de tão poucas palavras.


-Amantes. Mostre-me quais dessas mulheres foram amantes dele!


-Hermione, isso é... Não tem importância. Ronald é seu marido e...


-Apenas diga! – sua fúria e o aperto de suas unhas delicadas em seu braço, o fez achar melhor saciar sua curiosidade, ou qualquer outro sentimento que a levasse aquele estado de nervos – E não minta! Não me obrigue a perguntar uma a uma quem se deitou ou não com ele!


Amedrontado, e certo que seria exatamente isso que faria, olhou pelo salão, achando um azar horrível que várias estivessem presentes naquele baile.


-Diga de uma vez Harry!


-No fundo do salão, vestida de amarelo, com a coroa de diamantes nos cabelos – discretamente ele apontou para uma linda mulher, com a pele muito clara e os cabelos loiros. Linda como o nascer do sol – É a viúva Sophie. Enviuvou muito jovem e teve vários amantes. Pelo que sei, passaram poucos momentos juntos.


Hermione precisou contar até dez para não chorar. Aquela mulher era divina, ainda mais linda do que Lavander Brown, se é que isso era possível!


-Quem mais? – esforçou-se para perguntar, pois sua garganta estava apertada.


-Reconheço a Sra.Winters – ele olhou para uma mulher gordinha, muito rosada e sorridente, que conversava com um cavalheiro. Era baixinha e roliça. – Tem um grande coração a Sra.Winters, foi abandonada pelo marido muito jovem, e teve poucos relacionamentos depois disso. Pelo que sei casou-se recentemente com um general. É uma mulher de respeito, não pode ser culpada por ter relacionamentos, afinal, estava sozinha e abandonada.


-E suponho, Ronald deve ter sido uma grande distração para ela!


Havia tanto rancor em sua voz que Harry estendeu uma mão e tocou em sua face, fazendo-a olhar para ele:


-Tive muitas mulheres antes de me casar com Gina. É permitido aos homens, e não se faça de tola ou ingênua fingindo não saber. Certo ou errado, não se pode mudar o mundo com uma simples vontade, ou apagar o passado. Rony é um homem íntegro que sempre foi discreto com suas amantes.


-Bem vi o quanto – ela afastou-se de Harry, batendo numa das mãos furiosamente o leque que Gina lhe emprestara. – Lavander Brown foi uma de suas mais dóceis amantes, suponho!


-Todos nós temos direito a ter um erro na vida – ele tentou remediar à situação.


-Mais alguma mulher?


-Aquela é Roxanne Lammer – ele apontou a mulher jovial, sem notar seus olhos se arregalarem de surpresa - Pelo que soube na época, foi apenas uma noite.


-Uma... Noite? – horrorizada, olhava para a mulher tão simpática e doce que a encantara numa conversa inteligente há pouco tempo atrás.


-Sra. Lammer é uma mulher a frente do seu tempo, optou por não se casar. Tem filhos e conduz sua própria vida.


-Ela... Esteve comigo, conversou e não... Tocou nesse assunto! – exasperada olhou para Harry em busca de respostas.


-E porque falaria? Uma noite que não significou nada para ambos além de distração e um pouco de entretenimento.


-Mas... Mas... Ela é...


-Uma mulher? – ele sorriu – Sim, é uma mulher que não acha necessário apaixonar-se para ter prazer. É madura o bastante para não desistir de uma amizade por causa de uma noite sem importância.


-Uma noite sem importância – essas palavras soaram estranhas em sua boca – Como uma... Uma noite pode ser sem importância?


-Sempre é sem importância quando não há amor – havia algo muito doce no olhar de Harry – Não é preciso que lhe diga isso, entende melhor do que eu de amor.


Hermione ficou na dúvida se lhe dizia isso por conta de uma conversa tida meses atrás, quando lhe dissera que conhecia o amor, por ter amado a família, ou se insinuava que amava Rony.


-Ainda deseja saber mais? – perguntou, notando a confusão em seu semblante.


-Sim. – precisava saber!


-Vejo mais duas mulheres. A Srta.Lizette DeLuy e Srta.Mariette DeLuy.


-Irmãs? – a palavra mal saiu de sua boca, notou algo mais – Gêmeas?


As moças eram idênticas. Altas, bem feitas, com cabelos negros e rostos inconfessavelmente pecaminosos de tão bonitos.


-As duas são bonitas e disponíveis, não pense que é grande coisa para elas.


-São... Cortesãs?


-Não. São ricas. Apreciam o prazer e sabem tentar um homem. Posso afirmar por experiência própria que as excita o jogo de seduzir, e raramente vão ao leito sem a companhia uma da outra.


-Não quero mais ouvir! – ela quase gritou, chocada, assustada e magoada. – Terá esse homem se deitado com todas as mulheres do mundo?


-É claro que não! Para os padrões de Londres, posso dizer que Rony foi quase um santo – sorriu para aliviá-la – Não pense que foram fáceis os anos de Rony em Londres. A maior parte do tempo estava estudando. Sei que parece estranho falar isso, mas nem ele, nem eu, tínhamos grande aptidão para os estudos, e enquanto eu pude contar com a benevolência dos professores por causa do meu nome e prestígio, Rony teve que contar com incontáveis horas de clausura sobre os livros. Talvez por isso não goste muito de ler... – sorriu – Poucas vezes saíamos do internato, e fomos quase monges por muitos anos. Depois disso, havia muito trabalho para ser feito, muitos compromissos, e as vezes que havia oportunidades para diversão, ele aproveitava. E não posso culpá-lo por isso. Você pode?


-Talvez Gina devesse ter aproveitado todas as oportunidades de diversão que teve antes de conhecê-lo! E o mesmo eu deveria ter feito antes de conhecer Rony! Não é disso que se refere?


Com esse feroz ataque deixou-o plantado no chão, sozinho e pensativo.


Cega pela raiva e pelo ciúme andou para longe das pessoas conhecidas, e esbarrou em alguém em seu caminho. Desequilibrou, mas não a ponto de necessitar ser segurada daquele modo.


Transferindo a raiva para seu ‘salvador’ empurrou-o nada gentilmente.


-Perdão, senhora – a voz era macia, e quando ergueu os olhos foi apanhada pela imagem de lindos olhos acinzentados. – Deseja companhia para retornar em segurança ao salão?


-Não, claro que não – afastou-se, olhando para o homem que ousara tocá-la e agir como se fossem conhecidos – Deixe-me passar, por favor.


-Com toda certeza – o loiro sorriu um sorriso que não a enganou em suas intenções.


Era um homem alto, da mesma altura que Harry, mas que não alcançava Rony, ficando para trás em alguns poucos centímetros. Os cabelos eram platinados, penteados para trás, o que salientava o rosto bonito de grandes olhos cinzas, penetrantes e sedutores.


-Sinto dizer senhor, mas continua no meu caminho – era uma observação mordaz.


-Desculpe, não pude evitar – ele fez uma singela mesura e deixou-a passar – Posso ao menos pergunta o nome da dama?


-Não se faça de bobo, todos aqui sabem meu nome. Hermione Wesley, a filha bastarda do conde. Não é o que dizem pelas minhas costas? – jogou sobre ele toda sua raiva e frustração.


-Como um cavalheiro que sou não a deixarei em desvantagem. Meu no nome é Draco Malfoy.


Ela não se preocupou em responder a sua mesura, querendo apenas sair dali, encontrar Ronald e arrancar seus olhos com as unhas!


Gêmeas! Gêmeas! Gêmeas!


Fechou os olhos, pedindo paciência aos céus.


-Tenho um nome incomum, assim como o seu – ele continuou falando – Hermione não é um nome comum.


-Sim, tenho certeza que não é. Mas não se preocupe, não estava em desvantagem, pois já ouvi seu nome antes. Agora, se me dá licença, preciso passar.


Comprou seu olhar, desafiando-o a não deixá-la ir. Que homem impertinente!


E não era uma impertinência boa não!


Respirando fundo, achou que perderia os sentidos, quando avistou uma das Senhoritas DeLuy conversando muito perto do local onde estava o conde e Rony. Ela olhava em sua direção, devorando-o com os olhos.


Furiosa, passou a língua nos lábios tentando umedecê-los, pois estavam muito secos. Sua respiração estava arfante, sua pele quente.


Queria que aquele baile acabasse e aquelas pessoas explodissem!


Um soluço escapou de seus lábios e ela sufocou a vontade de gritar.


Gêmeas!


Sentindo como se algo corroesse seu coração com profundas mordidas, sentiu-se pequena e inútil. Roxanne Lammer... Porque ele não dissera que foram amantes?


“Há diferença entre uma escola preparatória para mulheres e uma escola que prepara as mulheres para a rebeldia e perdição!”


Fora essas suas palavras. E falava com conhecimento total de causa!


Engasgada com o choro, viu tudo ficar negro diante de si por um segundo. Apoiou uma das mãos numa parede e respirou fundo várias vezes antes de decidir-se.


Acabaria com aquele casamento.


Não havia alternativa.


Desistiria desse marido mentiroso, mulherengo e interesseiro!


Ao inferno com Ronald Wesley!


Furiosa como nunca estivera na vida, sem saber que na verdade a razão de tanto desespero era o ciúme, ela olhava para aquele homem com olhos de pura paixão.


Vendo sua presa tão frágil e a sua mercê, Malfoy se aproximou quando ela pareceu prestes a desmaiar.


-A senhora me daria à honra dessa dança, Sra.Wesley?


A voz veio de longe, penetrando em seus pensamentos confusos e em meio a sua mágoa e rancor avistou aquela mão branca, impecavelmente cuidada, estendida em sua direção.


E quando olhou para a face sorridente de Malfoy, a única coisa que viu foi o corpo de Rony embrenhado no das gêmeas, em uma cama.


Sedenta por vingança colocou sua mão sobre a dele, se arrepiando pela sensação que a percorreu da cabeça aos pés.


Tinha algo nesse homem de olhos cinzentos.


Algo muito perigoso, mas o bom senso desapareceu quando se lembrou de Rony, Roxanne e as gêmeas.


 


 


 


 


 


 


 


 


AUTORA: Não vou nem dizer nada sobre essa das gêmeas.


Comentário os últimos 2 capitulos:


Gente, calminha sobre as conclusões finais.  Primeiro sempre achei que nos livros da JK o Malfoy tinha uma quedinha pela Hermione. Mas nessa fic em particular, era apenas interesse sexual. Isso, até descobrir a fortuna que tem por trás dela, isso aliado ao desejo de se vingar do Rony. Como vem, ela nem é tão deusa assim! Heheh...


Quanto a Gina, pobrezinha, ela meio que imagina as coisas, certo? O pobre do Harry apenas olhou na direção da escandalosa que usava vermelho. Em nenhum momento ele pensou ou fez algo que indicasse grande interesse. E mais, um homem de negócios não passa vinte e quatro horas paparicando a mulher. Ou os namorados, maridos e rolos de vocês as paparicam o tempo todo? Ela não sente inveja da Hermione, ela sente ciúmes do Harry, é diferente. E o que é dela ainda está guardado, pois virá umas coisas sobre ela daqui a pouco.


Quanto a Hermione nem vou dizer nada. Vocês verão nos próximos capítulos.


 


 


Beta: E a Mione apronta de novo!

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