Depois de toda a confusão da guerra, casei com Rony, tal vez empurrada pela emoção que nos causava a todos ter acabado a maldita guerra contra os Comensais, e pela pressão que todos pareciam exercer sobre nós para que nos uníssemos em matrimônio.
Já passaram alguns anos desde que Harry matou Voldemort, e todos temos vidas completamente normais. Tão normais que me causa frustração.
Harry, é claro, casou com Gina, mas ao contrário do que eu e o Rony, eles têm dois belos meninos, uma menina e um menino, tão parecidos a eles que parecem cópias exatas. A relação deles é maravilhosa, e continuam se amando como no primeiro instante em que se viram.
Meus outros amigos? Ficaram os mesmos casais do que no colégio: Lilá com Simas, Parvati com Dino, Luna com Neville... Todos eles felizes e suas relações, exemplares. Sempre que vou visitá-los falo com seus filhos, todos tão lindos que me dá até enveja vê-los. Rony... não quer ter filhos. Pessoalmente, eu tampouco queria tê-los neste momento, mas sim mais adiante. Ele, porém, não os quer nem agora nem nunca.
Professionalmente, estou bastante bem. Tenho um bom posto no Departamento de Relações Internacionais em Magia (para o qual tive que aprender vários idiomas, entre eles o espanhol) e recebo um bom salário, mas ainda não é suficiente para comprar uma boa casa onde viver... Além disso, do jeito que estão as coisas entre eu e o Rony, não quero me arriscar a comprar uma casa para nós dois, e menos se ele não se comprometer a pôr um pouco mais da sua parte, sim, econômicamente; mas por encima de tudo ao nosso casamento.
Rony há muito tempo que deixou de me satisfazer, e agora é um homem totalmente frívolo e superficial. Entediante, em certo modo. Ele mudou muito desde que éramos adolescentes, e não posso suportar isso. É como se gostasse da monotonia da nossa relação, e não faz nada por recuperar aquela antiga paixão nossa. Às vezes, tenho a sensação de que ele não me demonstra nada porque esgota a sua energia satisfazendo outras. Essa idéia me faz ferver o sangue, não porque ainda sinta algo minimamente forte por ele (que há muito tempo eu deixei de sentir), mas porque estou desperdiçando a minha vida junto a um homem que não me ama. De qualquer maneira, sabia que nós íamos acabar assim.
Vejo como os anos passam na minha frente e não posso fazer nada por evitá-lo. Sinto que vou ficar velha e não terei aproveitado a minha vida. Quero viver ao limite, não posso suportar esta maldita monotonia. Devo pensar em algo para quebrar a rotina.
Me consola pensar que, ao ter um posto neste departamento do Ministério, quem sabe não me custaria muito esforço mudar de vida...