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103. TECENDO MAGOAS


Fic: O Acordo Perfeito RxHrm- Fic completa by marja


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CAPITULO 103 –TECENDO MAGOAS


 


 


 


 


O mau humor reinava na carruagem. Depois de alugar uma carruagem, juntamente com o cocheiro, Rony convidara Hermione para ver o conde.


Haviam passado uma noite terrível, e as marcas dessa noite estavam no rosto de ambos.


Cansado, havia dormido parte da tarde, e quando se juntou a ela para o jantar, encontrou uma Hermione calada e emburrada. Séria e ranzinza.


Mais tarde, prontos para dormir, recebera um não descarado ao encontrá-la deitada, imóvel e fingindo dormir.


Frustrado, decidiu não obrigá-la a nada, depois do que fizera no trem. Apenas deitou-se e fingiu dormir também.


Se Hermione não o queria mais, não havia nada que pudesse fazer. Jamais voltaria a forçá-la!


Era manhã, e bem cedo, e cortavam Londres num silêncio profundo de quem não quer conversar, apesar de ter muito o que falar!


Duran havia ficado em casa, apesar dos esforços de Hermione em convencê-lo a levá-lo com eles.


-Deixe o menino aproveitar um pouco o tempo Hermione. – ele dissera como justificativa para não levá-lo.


-Sim, tenho certeza que ele aproveitará. Mas saiba que será você que reparará o mal que ele fizer!


Sem compreender exatamente o que ela dizia, seguiu para a carruagem, apenas pelo prazer de irritá-la, embora tenha ficado intrigado e aborrecido com seu silêncio.


Ao seu lado, Hermione torceu as mãos sobre os joelhos, sentindo que as pessoas olhavam muito para eles.


-Porque olham tanto para nós dois? – ela perguntou, pois não podia mais suportar a curiosidade e o incomodo.


-Lovegood – ele disse com um meio sorriso – é um bom senhorio, mas é também fofoqueiro. Londres inteira deve estar comentando sobre a chegada da filha desconhecida do conde Edgar Françoar de Valença.


-E como sabem que sou eu? – sentiu-se insegura.


-Sou amigo de Harry e já freqüentei muito as rodas sociais por causa disso. Se ele espalhou que sou casado com essa filha misteriosa, então... É obvio que é você – esclareceu.


-Está querendo dizer que sou piada para todos eles?


-Não, estou dizendo que é a novidade do momento.


-Isso soa terrivelmente fútil – disse mordaz.


-Soa e é fútil. Londres é fútil.


Hermione manteve-se em silêncio por um instante, enquanto a carruagem dobrava uma esquina.


-Nunca fui uma pessoa fútil – achou melhor esclarecer.


-Disso não há a menor dúvida – ele suspirou.


Da próxima vez alugaria uma carruagem fechada para que não se sentisse tão afetada. Mas elas eram mais caras e precisava economizar, ou teriam que recorrer ao conde ou a Harry, coisa que detestaria precisar fazer!


-Tenho pensando muito Hermione, sobre mantê-la em casa o maior tempo possível, longe da agitação e dos olhares. O que me diz disso?


Hermione poderia facilmente tê-lo jogado para fora da carruagem em movimento. Rony desejava prendê-la em casa, como um animal em uma jaula?


-Sempre fui livre – ela disse em tom seco, como vinha fazendo desde o do dia anterior.


-Uma senhora casada não tem liberdade em Londres – ele reclamou, sabendo muito bem a que se referia.


-Trouxe-me a Londres apenas para me prender – afirmou, magoada – Espera que aceite isso?


-Porque tem estado tão arredia desde ontem? Eu lhe expliquei porque dormi fora! – não suportou mais desconhecer suas razões.


-Essa viagem o transformou – ela disse muito baixo, olhando para um dos lados da rua, onde várias pessoas passavam.


Rony não soube a que se referia, mas achou melhor não insistir e causar uma discussão bem no centro de Londres, no meio de tantos olhares famintos por escândalos de estação.


Todos os anos acontecia o mesmo. Alguma debutante ou senhora casada se evolvia em algum grande escândalo que embalaria os falatórios de todos os salões de baile da cidade. Alguns escândalos passariam rapidamente, outros se arrastariam para o ano seguinte.


Uma filha bastarda do homem mais rico e influente de Londres era um grande escândalo, subjugado pela necessidade de tirar partido. Por isso desejava proteger Hermione. Protegê-la das pessoas interesseiras. E principalmente, protegê-la desse mundo de glamour que poderia macular seu coração honesto e seu caráter forte e correto.


O cocheiro parou os cavalos em frente a uma mansão que tirou o fôlego de Hermione. Afastada do centro, era divinamente bem construída e desenhada. Não havia nada em sua estrutura e fachada que pudesse recriminar.


-Essa é a residência oficial do Conde de Valença – Rony disse contrariado, ajudando-a a sair da carruagem. - uma das muitas que possui em Londres e em vários outros países.


Nunca em sua vida pudera supor que um dia o dinheiro, poder social e o luxo esfuziante fossem lhe causar dor, medo e rejeição. Tinha receio que Hermione se apegasse aquele estilo de vida e não houvesse lugar em sua vida para um marido interesseiro e desagradável.


-O conde sabe de nossa visita? – ela perguntou ao ser guiada até a majestosa porta de entrada.


-Sim, nos aguarda em sua sala pessoal – ele disse, cumprimentando o mordomo com desenvoltura e conduzindo-a para o amplo salão de entrada.


Sem que notasse, Hermione admirou seus gestos e sua postura enquanto se dirigia ao empregado, avisando de sua chegada e pedindo que providenciasse o necessário para o conforto de Hermione.


Havia algo natural em Rony, que o fazia agir com tanta propriedade num ambiente como aquele.


-É por aqui – ele segurou sua mão para lhe indicar o caminho.


-Espere, me deixe olhar essa sala – pediu baixinho, admirada com as lindas esculturas e os quadros nas paredes.


-Gosta de arte? – sorriu, vendo seu encantamento.


-Não é lindo? – perguntou se referindo as imagens pintadas com tanto talento.


-Sim, é muito lindo – respondeu, sem tirar os olhos dela.


Sua expressão de deslumbramento a fazia tão bonita que era quase incontrolável a vontade de beijá-la no meio do amplo salão.


-O conde nos espera – quebrou o encanto, antes que fizesse algo que o contradissesse bem no meio do salão da casa do conde.


Hermione olhou para ele com tanta decepção em seu olhar que o feriu.


Ela lutava para manter-se impassível, sem lutar contra aquele sentimento que a sufocava. Desejava quebrar algo na cabeça ruiva para chamar sua atenção, ou gritar até furar seus tímpanos, para que voltasse a olhar para ela, mas não faria nada disso.


Pensou em seu filho e o seguiu, sentida por não ter mais sua completa dedicação.


Londres lhe roubara Ronald.


 


 


........................................................................


 


 


 


O conde estava de pé, em frente à lareira, segurando-se em uma bengala de madeira nobre e ouro. Vestia-se elegantemente, mas parecia um pouco pálido. Sua expressão séria, e a sombra de preocupação apagou-se de sua face no momento em que viu o genro adentrar sua sala pessoal, onde encontrava paz e sossego em meio a sua vida atribulada de negócios e compromissos sociais.


A imagem do jovem sempre sorridente e espirituoso era agradável, mas a imagem da jovem atrás dele, fez seu velho coração se acelerar.


Usando um vestido rosa claro, em seda e musseline, num corte delicado e cheio de babados, os cabelos presos em um coque modesto, luvas de renda e uma bolsinha presa no punho, Hermione era a imagem vívida de tudo que o fazia feliz. Sua filha.


Sua amada filha.


-Hermione – ele disse saboreando o som, e principalmente, saboreando o prazer de olhar em seus olhos novamente – que alegria que esteja qui!


Estendeu uma das mãos para ela, e Hermione se aproximou, aceitando seu contato, e aceitando sobretudo, que mantivesse sua mão entre as suas por mais tempo que o necessário.


-Está linda, minha filha – analisou-a atentamente – Nota-se meu neto! – disse surpreso, com o suave relevo em sua cintura.


-Mesmo? - ficou surpresa, sorrindo abertamente – Desculpe conde, mas creio ser sua vontade de vê-lo e não a realidade. As roupas não permitem que veja o contorno ainda!


-Não me chame de conde – ele pediu emocionado, levando sua mão aos lábios – me chame de pai. É o que sou, seu único pai.


-Fizemos uma ótima viagem até aqui – ela começou a contar – Pensei em vê-lo antes, mas... Ronald não quis – havia mágoa e rancor em sua voz, e o conde olhou para o genro antes de responder:


-Não desejava que me visse de cama por causa de um único tornozelo machucado! Perdoe minha vontade de agradá-la!


-Ser meu pai, faz de você alguém que deseje ver num momento de dor – ela confessou, sentindo os olhos úmidos. – Senti muito sua partida!


-Não tanto quanto eu senti deixá-la – ele deixou sua mão para acariciar seu rosto delicado. – Agradeço ao seu marido por tê-la trazido a Londres, mesmo que isso signifique que ele esteja em perigo de ser preso – sorriu, numa grata brincadeira que a fez sorrir.


-Acredito que não será a primeira vez e nem a última que ele colocará a todos nos frente uma situação dessas! O senhor deve saber, mas ele é muito provocador. O mal do qual sofre, foi causado por ele mesmo!


-Hermione... – delicadamente Rony tentou calar suas palavras ácidas.


-Cortesãs, jovens enganadas, pais furiosos... Quem pode culpar alguém por querer prendê-lo? Comete erros e deve ser punido! – era a raiva de ontem que falava por ela.


-Deseja sua prisão? – perguntou o conde.


Rony não era tolo para não saber o que de verdade perguntava. Se houvesse o mínimo desejo de livrar-se de um marido incomodo, o conde não se faria de rogado e se aproveitaria de sua situação para afastar o mal que afligia sua única filha. Não era um homem ruim, era apenas desesperado em agradar alguém tão difícil de ser agradado.


Rony o compreendia, e esperou ansioso pela resposta de Hermione.


Ela soltou um profundo suspiro de desconsolo antes de responder:


-E qual prisão poderia dar conta dele? – ridicularizou – Por certo, mal teria tempo de respirar aliviada antes que me aparecesse à porta, mal vestido, mal alimentado, e aos berros atrás de mim! Conformo-me com meu destino.


O conde sorriu, adivinhando que por trás de sua piada havia uma verdade de amor.


Se Rony fosse preso, se manteria ligada a ele, mesmo na prisão. Era essa sua mensagem, e Rony não pode compreender.


-Não encontrará outro homem que suporte os afrontamentos de sua filha, conde - ele disse para esconder o mal estar que sentia e a humilhação.


-Muito menos outro tão bom em contas e leis – ele sugeriu, trocando um olhar cúmplice com Rony, pois se referia as noites perdidas no encalço de sua ex-mulher, Michelle de Valença.


-Sentem-se – o conde lembrou-se das boas educações, permitindo que Rony o apoiasse pelo braço para cruzar a ampla sala e sentar-se em um sofá luxuoso – e me contem, porque não está morando comigo, com todo o conforto que posso oferecer.


Hermione olhou para Rony esperando que ele respondesse.


-Se deixar Hermione sem nada para fazer, ela é capaz de enlouquecer o mais são dos homens. Em nossa casa alugada, ao menos terá os afazeres para se preocupar. – preferiu a diplomacia, e não abrir seu coração revelando o medo de perdê-la para a vida luxuosa que o conde poderia lhe oferecer.


-Compro-lhe uma adorável casa, filha. É só me dar seu consentimento – ele disse ansioso para agradá-la.


-Não será necessário – juntou toda sua dignidade para negar – estou confortável onde estou.


-Mesmo assim, não pode me negar o gosto de lhe dar presentes. – ele pediu com uma nota de humildade e talvez desespero na voz. Nada parecia agradá-la o suficiente.


-Hermione apreciará alguns vestidos novos, apropriados para a cidade e uma carruagem a sua disposição, preferencialmente fechada – Rony decidiu por ela.


-Aparentemente meu marido não quer pagar por meus vestidos – ela disse rancorosa – Aceita livrar-se do infortúnio com muita facilidade!


-Pelo contrário, deixo seu pai lhe dar um presente, para que ele não se ofenda com seu pouco caso e seu descaso com os sentimentos alheios – ele alfinetou de volta – Estou acostumado a ser insignificante para você, mas o conde ainda tem esperanças de ser importante em sua vida.


Todo o rancor de ser ignorado estava em sua voz, e Hermione se perguntou o porquê disso. Talvez estivesse tão arrependido daquele casamento agora que estava em Londres, que além de perder o desejo por ela, perdera também a paciência.


-Me arrume outro marido meu pai, pois esse não há de durar muito com a língua comprida que tem – ela vociferou.


O conde pareceu perder as palavras por ser chamado de pai. Hermione notou o erro, mas não teceu comentários, assim como Rony que apenas maneou a cabeça. Estava sobrando naquela conversa entre pai e filha, e se fosse sincero, estava sobrando na vida de Hermione também.


A chegada do mordomo, com uma criada trazendo uma bandeja acabou com o impasse. Rony aceitou apenas o chá, pois confessava, andava enjoado de uns tempos para cá. A comida da casa do conde era boa, assim como da menina Anna, mas não era a mesma coisa que comer a comida de Hermione.


Era egoísmo seu, pois estava grávida e se cuidando o máximo possível, mas se pegou pensando que ao menos, podia assar um bolo para ele. Um pequenino que fosse... Mas porque faria isso por um homem que detestava?


-Seu marido está muito pensativo hoje – o conde sugestionou e ela não sorriu.


Séria, olhou para a própria xícara de chá antes de responder.


-Sim.


Desconfortável não disse mais nada.


Um silêncio tenso se estabeleceu. Teria se estendido por horas se dependesse de Hermione e Rony. Mas o conde não deixaria nada interferir em seu dia ao lado da filha.


-Amanhã cedo começo no meu antigo trabalho – Rony explicou em determinado momento.


-O Sr.Loren há muito tempo cuida de alguns dos meus importantes negócios – o conde disse com um meio sorriso – pedirei a ele que o designe para cuidar pessoalmente de alguns trabalhos inacabados por meu secretário pessoal.


-Não será possível – ele alertou – Não se ofenda, mas não quero ser insubstituível quando for embora.


-Insubstituível? – o conde pareceu compreender, mas teve que ouvir para se convencer.


-Não sou tolo conde de Valença. Sou seu genro. Hermione sua única filha. Se demonstrar a lealdade que espera de mim, me prenderá a você e a sua fortuna através de ofertas irrecusáveis. Tenho uma mulher e terei um filho, e acabarei cedendo. Não será muito diferente do que tentaram me fazer, e por causa disso estou aqui, tentando recuperar minha liberdade.


-O que há com aquela fazenda para prender a todos que amo? – o conde perguntou amargurado por essa verdade.


-A decisão de viver em Londres deve ser nossa... Meu pai – Hermione tomou partido, tocando sobre a mão do conde, que repousava em sua porta, sobre a calça.


-Não posso ao menos ajudar? Oferecer conforto, pelo pouco tempo que tenho ao lado da minha filha? – pareceu desconsolado.


Hermione acabou sorrindo, e Rony estranhou seu sorriso. Vê-la sorrir para outra pessoa, mesmo que fosse seu pai, sempre lhe causava uma pontada de ciúmes.


-Se puder disponibilizar uma emprega para ajudar no serviço, agradeceria. A menina que me ajuda é muito nova, não deve trabalhar tanto. E poderia conseguir uma escola para o menino de Juanita? Veio conosco para me vigiar.


-Vigiar não, acompanhá-la na minha ausência - Rony disse contrariado.


-Lhe conta tudo que faço! – recriminou.


-E o que esperava? – revidou. – Preciso ir agora, antes que... - conteve a vontade de dizer que precisava sair ante que arrebatá-la em seus braços e calar suas ofensas com beijos ardentes e de preferência, fazer isso sem a interferência das roupas! – Venho buscá-la antes do jantar.


Era um aviso direto para que ela não saísse sozinha.


Acompanhou-o com os olhos por toda sala, até que saísse finalmente. O conde acompanhou seu olhar e a intensidade, até mesmo quando ela baixou os olhos, olhando para a xícara que estava em sua mão. Havia muita tristeza, e não conseguia disfarçar.


-Está infeliz com seu casamento? – não era propriamente uma pergunta.


-Achei que não – ela deixou escapar, sem saber por que seus olhos estavam cheios de lágrimas.


Sem saber por que não conseguia se conter, pousou a delicada xícara de porcelana na bandeja de prata e olhou para o pai.


-Ronald é outro homem em Londres.


-Porque diz isso? – o conde demonstrou toda sua preocupação, segurando suas mãos entre as suas, sentindo como estavam geladas – Me pareceu o mesmo jovem que conheci. O mesmo temperamento, a mesma fibra.


-Sim... Mas estar em Londres... - não sabia por que as palavras não paravam de sair de sua boca -... Fez com que se esquecesse de mim.


Pronto, verbalizara toda a dor dos últimos dias.


O conde observou aquele olhar de dor e secou gentilmente uma lágrima que corria na face de sua filha, pensando em como era bobo o primeiro amor.


Com a certeza que palavras não afastariam sua incerteza, abraçou-a, consolando seu coração quebrado.


Hermione deveria sentir-se envergonhada, mas não estava. O choro guardado rompeu seu autocontrole e ela derramou todas as lágrimas guardadas dentro de si desde a tarde anterior, quando nem mesmo seu toque íntimo tivera o poder de atrair a atenção de Rony.


 


 


 


 


 


 


 


 


AUTORA: tem coisa mais boba que isso?


 


 

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