Definitivamente perdi minha capacidade de pensar por conta própria. Se o cúmulo do absurdo for fazer o que a Granger me pedir estou absolutamente ferrado.
Lá estava eu na frente daquela gárgula enorme, tentando tomar coragem para pronunciar a senha que me levaria - na pior das hipóteses - para o inferno.
Respirei bem fundo, na tentativa inútil de me acalmar.
Besteira.
Vamos lá Malfoy. É só mais um pequeno problema ao qual você terá que enfrentar. Uma vozinha dizia dentro de mim. Vai ser fácil. É só você ser bastante objetivo. Ir direto ao assunto. Chegar e dizer: Olha diretor, estou aqui por que fui designado para matar o senhor. Mas a Granger me convenceu que eu devia era lhe pedir ajuda e não mata-lo. E a propósito estou apaixonado por ela. Fácil. Simples assim.
_A quem estou tentando enganar? - Verbalizei a mim mesmo em completo desespero levando as mãos ao rosto e deslizando-as pelos cabelos desalinhados. - Isso será um verdadeiro desastre.
_Não. Não será, se você confiar em mim.
Virei-me rapidamente na direção da voz. Lá estava ela, parada, me olhando.
_Hermione.
_Oi.
Hermione se aproximou de mim com um sorriso confiante, e por um momento me senti leve como se tivessem tirado uma tonelada de minhas costas.
_O que você faz aqui?
_Vim para te acompanhar até a sala de Dumbledore.
_Mas...
_Não, eu insisti que você falasse a verdade. O mínimo que posso fazer é estar do seu lado para te dar coragem.
Olhamos-nos por um minuto e pude perceber que eu tinha realmente muita sorte. Ela descobrira sobre meu segredo naquele dia em que fomos para a reunião na sala da McGonagal. Mais também a culpa foi minha por ter falado tão alto naquele corredor com o professor Snap. Ele tentara me alertar sobre alguém poder escutar mais estava tão irritado que não seguira seu conselho.
Agora ela estava ali, me dando todo apoio que precisaria para entrar naquela sala que certamente me levaria por um caminho sem volta.
...
_Diga alguma coisa professor. Hermione insistiu, vendo que Dumbledore se mantinha em total silêncio.
Admito que todo aquele silêncio estivesse me dilacerando por dentro. Ele nos fitava por cima de seus óculos de meia lua e seu olhar me parecia apreensivo demais. Daria tudo para saber o que se passava em sua mente naquele momento.
_Estou tão surpreso, Srta. Granger.
Dumbledore juntou a ponta dos dedos em cima do tampo da mesa e continuou a nos encarar com um ar misterioso...
Não agüentando mais todo aquele silêncio desatei a falar.
_ Olha professor Dumbledore, sei que não é uma coisa muito boa de ouvir mais preciso de sua ajuda. Não tenho mais a quem recorrer, estou desesperado. Se eu não cumprir as ordens do Lorde ele irá matar minha mãe.
Dumbledore levantou-se, rodeou a mesa e se aproximou um pouco de nós.
_Sabe senhor Malfoy, embora compreenda perfeitamente por que veio aqui. – Ele olhou para Hermione sugestivamente. – Uma coisa ainda me intriga. Por que negou a ajuda do professor Snap quando ele quis lhe ajudar?
Por Mérlim! Até onde aquele velho sabia?
_Como sabe...
Porém fui interrompido, pois a porta da sala se abriu e meu queixo caiu alguns centímetros.
_Ah, Snap. Que bom que chegou. Dumbledore o cumprimentou, como se nada estivesse acontecendo. Como se não houvesse tensão na sala.
_Professor Dumbledore.
Ouvimos Snap sibilar.
_O senhor Malfoy e a senhorita Granger vieram me fazer uma visita muito reveladora.
Snap olhou para nó dois como se questionasse um aluno que chegara atrasado em sua aula.
_Vieram, é?
_Sim, sim. Acho que o senhor Malfoy, encontrou um motivo muito forte para aceitar nossa ajuda.
Os dois olharam Hermione e pude a ver fuzilar o chão com o olhar, ao mesmo tempo em que suas faces coravam violentamente.
Por Mérlim! Ele disse: “Aceitar nossa ajuda”. Até onde todos estavam sabendo do meu plano?
_Acredito que devemos começar com os treinamentos o mais rápido possível. Antes que Voldermort convoque vocês para alguma reunião de ultima hora.
_Espere. – Foi inevitável não interromper. – Do que vocês estão falando? Não estou entendendo. Que treinamento?
Olhei ambos tentando compreender do que os dois falavam.
_Ora, senhor Malfoy. O Treinamento Avançado de Oclumência que o senhor e a senhorita Granger terão a partir de amanhã.
_Treinamento Avançado de Oclumência?
Minha voz se misturou com a da Hermione quando pronunciamos as palavras em unissomo. A dela uma oitava mais alta que a minha.
Porém antes que eu pudesse me rebelar, Hermione foi mais rápida.
_Desculpe professor Dumbledore. Mas acho que ficaremos sobrecarregados com mais uma aula. Temos que monitorar o castelo à noite. Planejar todos os simulados extras das turmas com a professora McGonagal, estudar para as provas bimestrais, e também para as provas finais. Fazer os trabalhos que os professores passam como dever de casa... Malfoy ainda tem o treino de quadribol... Definitivamente não vamos dar conta de tantos afazeres.
Acho que se deixássemos, Hermione poderia enumerar mais um milhão de coisas que fazíamos naquela escola sem realmente darmos conta de que fazíamos.
Porém apenas uma coisa me interessava, naquele “um milhão de coisas” que ela não havia dito, por uma questão de manter a nossa privacidade. Não teríamos tempo para ficarmos juntos. Embora dois itens citados na longa lista, nos manteria juntos, mas ao mesmo tempo muito separados, pois estaríamos cercados de gente por todos os lados. E o que eu gostava de fazer com a Granger certamente não seria muito aprovado pelos olhos de nenhum professor ou algum aluno mais conservador.
_Não se preocupe, senhorita Granger. Tenho certeza que a professora McGonagal encontrará outros alunos que possam substituí-los nessa tarefa. Quanto às provas, também posso lhes assegurar que se sairão muito bem. Afinal vocês dois são meus melhores alunos. O senhor Malfoy poderá treinar nos finais de semana, quando não houver passeios a Hogsmead. Embora em épocas como as que estamos vivendo, acho muito arriscado que os alunos saiam do castelo. Todos estão sujeitos a acidentes inesperados, não é mesmo? Como serem enfeitiçados, por exemplo.
Tenho toda a certeza que essa ultima parte do comentário foi para mim.
E como ninguém disse nada, Dumbledore continuou:
_ Vocês dois terão aulas com o professor Snap a partir de amanhã, depois do jantar e antes de fazerem seus trabalhos como monitores.
_Mas, professor, eu achei que...
Tentei argumentar antes de ser interrompido.
_Não se preocupe senhor Malfoy. Estou a par de todos os acontecimentos. Vamos encontrar uma solução para seu problema, isso eu posso lhe garantir.
Fitei Hermione que por sua vez ficou olhando para cada rosto na sala sem saber também o que dizer.
Porém foi Dumbledore quem quebrou o silêncio.
_Bom... Se ninguém tem mais nada a dizer acho que nossa reunião esta encerrada. Vejo vocês mais tarde crianças.
Era a frase para que nos retirássemos de sua sala.
Hermione e eu nos encaminhamos para a porta enquanto ouvíamos murmúrios de dentro da sala. Snap ficara para falar com o professor.
Assim que ouvi o barulho da tranca da porta se fechar atrás de mim. Voltei-me com muita rapidez e grudei a orelha na porta.
Hermione deu dois passos, até perceber que eu não a seguia. Virou-se me procurando e fechando o semblante num mixto de curiosidade e espanto.
_O que você esta fazendo? – Sussurrou irritada ao perceber que eu tentava ouvir o que estavam conversando.
Levei o dedo indicador ao lábio.
_Shiiiiii...
Hermione ficou parada me olhando como se eu estivesse cometendo um crime imperdoável.
De repente ela se curvou e também grudou a orelha na porta para me fazer companhia.
A curiosidade falou mais alto pelo que pude perceber.
Sorri meio lábio pela descoberta, mas ela nem ligou para minha expressão.
Então continuamos ouvindo.
_E então Dumbledore? O que acha?
_Draco é um bom rapaz. Só está sobre muita pressão.
_Você acha que ele vai saber o momento certo de agir?
_Acredito que sim. Ele está sobre uma boa influência.
_A Granger?
_Sim.
_Acredita mesmo que ela vai conseguir muda-lo?
_Oh, sim. O amor às vezes fazem coisas que até Mérlim duvida, Severo.
A menção dessa frase nos olhamos bem no fundo dos olhos um do outro, e pude sentir que o que acabamos de ouvir fosse algo totalmente verdadeiro.
Paramos de nos encarar para que continuássemos a escutar.
_Mas e quanto ao plano de Draco? O que faremos?
_Iremos ajudá-lo, contanto que ele nos ajude em troca.
Silêncio.
Forcei ainda mais a orelha contra a madeira, tentado ouvir o que falavam mais foi inútil.
Com certeza lançaram um abafiato na sala para que não fossem ouvidos.
_Droga. – Praguejei baixinho. – Não ouço nada.
Hermione se afastou da porta cruzando os braços na frente do corpo e começando a caminhar de um lado para o outro.
_E agora? – Ela sibilou.
Hermione tinha um semblante preocupado. E isso me deixava apreensivo. Ainda não me acostumara com aquele olhar penetrante que ela exibia toda vez que estava planejando alguma coisa.
Sem dizer nada ela agarrou minha mão e saiu me puxando corredor afora.
_Aonde nós vamos?
Perguntei tentado arrancar dela a resposta.
Querem saber se eu consegui?
Continua...
Eeeeebbaaaa.. mais um cap galerinha. Esse cap saiu bem sutíl, como eu queria. Agora ele vão entrar numa fase de mais aventura e acabaram descobrindo o que realmente sentem um pelo outro. Sem terem dúvidas. E mais uma coisa como a Cris sumiu a minha vida por completo... acho que já faz duas semanas que eu falei com ela, resolvi postar os caps sem a betagem dela.
Se um dia ela estiver mais livre do que agora eu posso enviar os caps para ela fazer os ajustes necessários mais por enquanto os caps vão ser postados do geito que estão, totalmente cru. Sem cozinhar mesmo.. rsrsrsr. E para aqueles que propuserem a me ajudar por enquanto vou dispensar a ajuda até ter um aval da Cris. Se ela não se importar em ser substituida eu peço para outra pessoa. Até lá vou ser extremamente fiel a ela. espero que gostem do cap e dixem seus comentarios...