Capítulo 009
Dumbledore chegou na enfermaria.
Pomfrey trabalhava nervosamente sobre um corpo inerte de ventre avantajado. Ao lado da cama, vestes rasgadas e sujas de sangue e barro.
- Como ela está, Poppy? - ele se aproximou, confirmando, temeroso, a identidade da "desconhecida".
- Não posso dizer com certeza, Albus. – a enfermeira respirou fundo. – Esta é Rosalie, não é? A mesma Rosalie que estava aqui em Hogwarts e com a qual Severus se envolveu?
- Sim. Como está ela e o bebê?
- Ela perdeu muito sangue e está grávida de sete meses. E não é “o bebê”, mas sim “os bebês”, são gêmeos. E ela está machucada na cabeça e nas pernas. Temo que Rosalie entre em trabalho de parto ainda nesta madrugada...
- E ela resistirá? - perguntou Dumbledore, sério, preocupando-se.
- Não posso garantir... - murmurou Pomfrey, em resposta.
- O que fizeram com ela? – perguntou ele, olhando os ferimentos.
- Não seria nada grave, caso ela não estivesse grávida. Apenas a estupidificaram e, aparentemente, a chutaram nas pernas. Mas o feitiço foi violento. Provavelmente, a pegaram de surpresa e ela deve ter caído e batido a cabeça, desmaiando, imediatamente.
- Por que ela está tão gelada? – perguntou o diretor, segurando no braço de Rosalie.
- Isso é que é o mais grave, Albus. – disse Pomfrey, amuada. - Eu arrisco dizer que ela passou umas boas duas horas deitada na chuva aos portões do castelo, antes que Hagrid a encontrasse. Ela apresenta um quadro agudo de hipotermia...
As chamas da lareira se esverdearam e Snape surgiu dentre elas, caminhando até Dumbledore e Pomfrey.
- Severus... – chamou Dumbledore, tentando evitar que o professor se aproximasse da cama.
- Eu trouxe as poções que... - mas os olhos negros caíram sobre a figura frágil sobre a cama, a reconhecendo. - Rosalie?! - berrou ele, incrédulo, se aproximando, passando as mãos sobre a face feminina pálida e fria. - Mas o quê...? - ele desceu os olhos sobre o ventre, compreensão chegando. - Quantos...?
- Sete.
- Sete... - repetiu Snape, atordoado, sorrindo de leve, o coração perdendo uma batida. - E como ela está? E o bebê?
- O quadro dela é instável, Severus. E quanto aos bebês... – respondeu Dumbledore.
- Bebês? - perguntou ele, ainda mais atordoado. - São dois?
- Sim, ela está grávida de um casal. - disse Pomfrey.
Snape olhou para Rosalie, não podendo evitar sorrir.
“Dois filhos, dois!”
- Mas... o que você quer dizer com quadro instável? - perguntou ele, preocupado.
- Ela deve ter ficado umas duas horas deitada no chão em frente ao castelo, sob a chuva, até que Hagrid a encontrasse...
- Não... – ele acariciou o rosto de Rosalie.
- ... ela está com um quadro grave de hipotermia e teve um sangramento sério. – continuou Pomfrey, um tanto preocupada com a reação do Mestre de Poções. “Meu Merlin, se ela morrer, o que será de Severus?” – Eu acredito que ela entrará em trabalho de parto até amanhã de manhã...
- Não. Ela pode não resistir! – exasperou-se Snape.
- Eu sei, Severus. – disse Pomfrey, nervosa. - Mas se as contrações começarem eu terei que realizar o parto ou, do contrário, ambas crianças poderão morrer!
Snape olhou para Rosalie, entre desolado, temeroso, aliviado e impotente. Desceu uma mão sobre o ventre avantajado, sentindo os bebês que se mexiam muito.
- Eles estão inquietos...
- Sim. Eles sentem que ela está mal... como eu disse, eles nascerão antes do sol de amanhã. - murmurou a medibruxa.
- Severus, acho que temos que conversar. - Dumbledore olhava para o Mestre de Poções, sério e repreensivo.
- Eu não quero ouvir nada, Albus! Se você não tivesse proibido de ficarmos juntos, ela estaria bem!
- Eu sei, meu filho. – ele respirou fundo, triste. - Tente entender meus motivos! Se vocês tivessem me ouvido, se não tivessem se envolvido, ela também estaria bem!
- Você já amou alguma vez na vida? – gritou Snape, partindo para cima de Dumbledore, furioso. – Eu nunca havia tido a chance de conhecer o que é o amor antes de Rosalie! Será que você não consegue entender isso? O quão difícil foi para mim, me manter afastado dela!
- Eu já amei, sim, Severus. E sei que é doloroso ter de se afastar de quem amamos. – Dumbledore ficou quieto por um tempo. Respirou fundo. – Peço desculpas por tê-los feito sofrer.
Rosalie se mexeu, mas não acordou.
- Ela vai ficar aqui comigo. – disse Snape.
- Você me fez uma promessa para o final deste ano letivo, Severus. Está lembrado? – disse Dumbledore, sério.
- Como eu poderia esquecer? – ironizou Snape. - Não se preocupe, Albus, nosso plano será mantido. Assim que Rosie melhorar, vou levá-la para a casa da minha família. – ele voltou a se aproximar da mulher sobre a cama, acariciando-lhe o ventre. - Nossa... Tia Mell vai ter um ataque de felicidade quando souber que eu serei pai! – Snape sorriu, leve, acariciando o rosto feminino.
***
Mas dois dias se passaram sem que Rosalie acordasse ou apresentasse qualquer melhora. As crianças se mexiam muito em seu ventre. Snape estava mais do que desesperado.
- Boa noite, Severus. - cumprimentou Dumbledore, entrando nas masmorras. – Não tive tempo de ir à enfermaria, hoje. Como está Rosalie?
- Do mesmo jeito, Albus... - murmurou ele, brincando com o copo de firewhisky na mão, sentado em frente a lareira, o tom derrotado.
- O que Pomfrey diz?
- A mesma coisa... quadro instável. O corpo dela sofreu ferimentos e... por conta da gravidez adiantada e por serem dois... ela não consegue reagir completamente às poções e também não posso administrar altas doses... - Snape respirou fundo. - Não sei mais o que fazer. - ele fez uma cara de dor, levanto a mão direita ao antebraço esquerdo.
- Está sendo chamado, Severus? - preocupou-se o diretor.
- Sim. - ele levantou, pegando a capa, vestindo-a.
- Não acho uma boa idéia você ir, meu filho.
- Eu preciso descobrir quem fez isso com ela.
- E vai fazer o que quando descobrir? - inquiriu Dumbledore.
- Vou matá-los.
- Não, Severus! Pense no seu disfarce! - exasperou-se o diretor.
- Mas que maldição, Albus! É só nisso que você pensa, não é? No meu disfarce. No quanto a preciosa Ordem da Fênix vai perder caso eu não possa mais servir de bode espiatório para vocês! - rugiu ele, irônico. - Foda-se você e a Ordem, Albus! Eu nunca tive a chance de ter algo bom na minha vida antes de Rosie! Só sujeira, perversidade, abusos...
- Mas sua mãe...
- Minha mãe! - interrompeu Snape, furioso, um sorriso maléfico nos lábios. - A mãe que eu amava e que encontrei morta na sala de casa, assassinada pelo meu pai bêbado que a matou logo após tê-la estuprado e agredido!
- O pai que você matou, anos depois. - disse Dumbledore, o tom desaprovador.
- Sim. Eu o matei. E sei que você desaprova muitos de meus atos, Albus, e eu me arrependo de muitos. Mas deste não. Eu o matei e assim faria de novo.
- E quanto sua madrinha?
- Tia Mell sempre foi como um anjo da guarda pra mim, me acolheu quando eu não tinha mais minha mãe... – ele respirou fundo. – Eu não vou arriscar meu disfarce, Albus. Mas não por você, nem pela maldita Ordem, mas porque isso poria Tia Mell, Rosie e meus filhos em perigo... - ele foi para a lareira, pegando o pó de Floo. - Mansão Malfoy!
***
Dumbledore foi à enfermaria, caminhou até a cama em que Rosalie estava deitada, imóvel.
- Minha querida... - murmurou ele. - Você é a luz que eu tanto pedi aos céus que viesse para a vida de Severus... e estes pequenos... - ele acariciou o ventre distendido. - ...vocês serão a razão para que ele sobreviva à esta guerra. - ele beijou a testa fria dela e saiu do quarto.
***
Sim, eu sei e concordo: demora imperdoável.
Bjinhu Emily!