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102. CARAMUJO


Fic: O Acordo Perfeito RxHrm- Fic completa by marja


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CAPITULO 102 - CARAMUJO


 


 


 


 


Anna corava a cada balde de água quente que trazia ao quarto.


Rony havia tirado a camisa encharcada e os sapatos, respeitando a presença da menina, manteve o resto das roupas. Calada, do outro lado do quarto, Hermione esperava que a banheira estivesse cheia.


Completamente sem jeito, olhando para o patrão com olhos apreciativos vez ou outra, a pequena Anna deixou-os, fechando a porta.


-Tranque – disse Rony, sem muita vontade de conversar com ela depois do indigesto banho de água suja.


-Porque não me contou sobre meu... Sobre o conde? – era estranho chamá-lo de pai, embora a palavra estivesse em seus lábios mais vezes do que poderia admitir.


Rony tirou a calça enquanto observava-a trancar a porta, preparar a água com sais e separar as toalhas. Vestia um vestido perolado, quase branco, com decote quadrado com um corte moderno e sofisticado, embora não fosse da alta costura. Era relativamente simples.


-De onde veio esse vestido? – o ciúme subiu a cabaça – Mandei que não saísse na minha ausência!


-Já disse mil vezes que não acato suas ordens! - ela rebelou-se, tentando conter a fúria, pois prometera a si mesma que pequenas coisas não a incomodariam mais, não enquanto estivesse grávida e provavelmente depois, quando nascesse o bebê teria que se controlar também, para que a criança não fosse criada em um ambiente hostil!


-Quem lhe deu esse vestido? – não era uma simples pergunta.


-Acha que aceito vestidos de homens? - a pergunta era muito simples – Acredita que em três dias em Londres, minha beleza estonteante faria os homens jogarem vestidos pela minha janela? – carregou na ironia – Está me confundindo com alguma musa do amor, meu querido.


A despeito de sua ironia, Rony respondeu:


-Para mim não me surpreenderia nem um pouco se algum homem a estivesse cortejando pelas minhas costas!


-Sou casada e estou grávida! Que homem iria me querer? Além disso, não sou tão bela ou prendada que...


-Diga agora onde conseguiu esse vestido! – agarrou seu braço, fitando-a dentro dos olhos.


Hermione estava surpresa. Visivelmente surpresa.


-Luna Lovegood me emprestou. Disse que não os usa, e é um alívio que alguém possa usá-los antes que saia de moda. Satisfeito em saber?


-Devolva-os – ele disse, erguendo uma das mãos para acariciar seu rosto, um pouco arrependido do arrombo de ciúmes - não precisamos da caridade dos outros! Posso comprar roupas para minha mulher!


-Ninguém disse o contrário. Luna é uma moça diferente, ela não tem esses apegos sociais. Para ela estou fazendo um favor em usar as roupas que ganhou, mas não gosta de ter que vestir!


-Os Lovegoods devem estar pensando que não posso sustentar minha própria família! – ele se afastou sentindo o gosto da humilhação.


Hermione não havia pensado por esse prisma. Rony era um homem muito orgulhoso e lutava para sobreviver, e não aceitava ser escorraçado por outras pessoas. Por outro lado, Hermione não queria desfazer-se dos vestidos que lhe caíram tão bem.


-Luna é uma boa amiga, a primeira que conheço aqui em Londres. Não gostaria de magoá-la por apenas algumas semanas de uso. Logo, não me servirão mais.


Rony virou-se a procura de enganação e encontrou.


-Está bem, gostei dos vestidos – admitiu irritando-se profundamente em ter que admitir detalhes tão bobos – Pelo que vi nas revistas, por aqui se usam vestidos exageradamente enfeitados, e as roupas que Luna me emprestou são mais do meu agrado e gosto. Mas se quer tanto que as devolva...


-Não, não precisa devolve-las – disse sentindo-se culpado – Faremos um almoço para agradecer...


-Não é necessário, fiz uma torta e eles adoraram. Infelizmente não sabe, pois não esteve em casa nos últimos dois dias completos – foi impossível não soar acusadora.


-Estive cuidando de assuntos pessoais do seu pai. Ele não tinha ninguém de confiança para fazê-lo!


-Imagino que não há mensageiros na casa do conde. Por isso não houve nenhuma oportunidade de comunicação! – ironizou, profundamente magoada com seu pouco caso para com ela!


-Ficou preocupada com minha ausência? – não era uma surpresa, mas era deliciosa a sensação de sentir-se querido. Hermione corou e afastou a face, se virando para arrumar algumas roupas.


-Não sei onde fica a casa de Harry e Gina, muito menos tenho dinheiro para pagar um cocheiro para me levar à casa do conde. Acha que não tinha razões para me preocupar em ser abandonada sozinha em uma cidade que não conheço?


-Não me darei ao trabalho de responder a isso – ele disse tão irritado que se despiu e entrou na água morna, fechando os olhos e pedindo a Deus toda paciência do mundo. Apoiou os braços nas beiradas da banheira, deixando-se relaxar depois de dois dias completos dentro de uma carruagem procurando por aquela desvairada que ousara tentar matar o conde.


Estava moído de cansaço, mas não podia reclamar ou Hermione perguntaria as razões. Afinal, cuidar de negócios financeiros não era tão cansativo assim! Devia supor que ao menos dormiria algumas horas na casa do conde, fato que não ocorrera!


Hermione fitou o homem que repousava. Se fosse cega, poderia fingir não notar as olheiras e os vincos de preocupação em sua testa. Mas não era, e ainda por cima insistia em sentir aquela preocupação exagerada com sua saúde!


Parte da raiva havia ido embora, e ela se pegou despindo o vestido e se aproximando da banheira. Com a camisa diáfana, mesmo molhada, não seria tão trabalhoso secar quando um vestido de tantas camadas de tecido!


Na fazenda, bastavam uma hora sob o sol escaldante e as roupas estavam secas, mas naquele clima mais ameno, era um milagre secar as roupas, pois Londres era uma cidade muito úmida, mesmo no verão.


Ajoelhou-se no chão e apanhou a esponja, ensaboando-a e molhando na água morna antes de começar a esfregar o braço direito.


Ele não abriu os olhos, mas resmungou algo como um gemido de apreciação.


Hermione não era boba para se deixar enganar por suas mentiras. Eram mentiras de boas intenções, mesmo assim mentiras. Ele estava muito cansado, tenso e sujo, a despeito da água mal cheirosa de antes, para ter estado cuidando das finanças do conde. Alguma coisa mais séria acontecera, e por mais que odiasse ficar de fora de uma situação, preferia não saber.


-Rony... – ela falou baixinho, e ele não respondeu, mas sabia pelo ritmo de sua respiração que estava acordado – Eu não quero saber a verdade do que está acontecendo. Não agora. Depois que o bebê nascer, me conte. Porém, não saber os detalhes, não quer dizer que precisa mentir para mim...


Sem respostas, seguiu esfregando a pele dos ombros, com atenção redobrada para o pescoço. Não era a primeira vez que o banhava, fizera isso quando estivera convalescendo, mas era a primeira vez que fazia isso sem seu total interesse e atenção.


Talvez estivesse certa, e estar em Londres novamente fizera-o esquecer de seu desejo por ela.


A espuma se espalhou pelo peito amplo, e ela suspirou rodando a esponja pelos mamilos masculinos, sentindo a incontrolável vontade de usar as mãos. Para que? Ele não estava interessado mesmo!


Confusa por essa súbita constatação de ser descartável para Rony continuou. Esfregou sua barriga, suas coxas. Languidamente, ele esticou as pernas na banheira, permitindo que ensaboasse seus pés que estavam sobre a borda por ele ser alto demais.


Pronta para admitir que seu marido não a queria mais, voltou a ensaboar sobre a barriga, com muito cuidado, pois deixara por último limpar sobre a ferida cicatrizada.


Quem olhasse diria ser apenas uma ferida pequena cicatrizando, mas ela sabia que era mais que isso, e com muito cuidado juntou água nas mãos nuas e jogou cautelosamente sobre ela, usando os dedos para ensaboar sobre a pele nova que cobria o que antes fora à entrada de uma bala.


Pensou ter ouvido um resmungo vindo de Rony, mas era apenas o barulho da água que derramava sobre aquela barriga bem feita.


Conteve um suspiro, quando apanhou novamente nas mãos a bendita esponja decidida a acabar logo com isso.


Era delicioso tocá-lo e vê-lo nu, mas saber que não lhe despertava reação alguma era angustiante.


Seguindo, ensaboou suas partes íntimas cuidadosamente, erguendo os olhos e esperando vê-lo prestar atenção a isso. Nada. Deveria saber, pois continuava placidamente amolecido em seu ninho de pelos ruivos.


Grande coisa!


Irritada, jogou a maldita esponja dentro da água e apanhou água nas mãos, jogando sobre sua cabeça ruiva. Ele abriu os olhos, assustado, pois estivera num gostoso cochilo, e olhou para ela assustado, até entender que estava lavando seus cabelos.


Havia fechados os olhos para descansar um segundo, e quando ela começara a massagear sua pele com tanta delicadeza, fora inevitável ao seu corpo exausto apagar completamente. Irritadíssima, ela esfregou sabão nas mãos e então, em seus cabelos, fazendo-o achar que poderia arrancá-los se pusesse apenas, mais um pouco de pressão.


Terminado com aquela tarefa que para ela era penosa, após ser rejeitada, enxaguou os cabelos, quase o matando afogado ao empurrar sua cabeça para dentro da banheira com força.


-Está limpo – resmungou levantando-se e estendo-lhe uma toalha.


No instante em que ele segurou o tecido felpudo, ela se afastou, batendo uma gaveta ao tirar suas roupas limpas de dentro dela. Roupas impecavelmente dobradas, e cuidadosamente arrumadas para seu conforto.


Conforto que ele aparentemente nem se importava em notar!


-Precisa de mais alguma coisa?


Rony notou sua secura e raiva, mesmo assim, saiu do banho, secando-se sem entender o que fizera.


Até mesmo perdoara Hermione pela desfeita de há pouco tempo atrás!


-Sinto cheiro de pão quente. – ele disse sorrindo para ver se ela amolecia um pouco a expressão.


-Vou pedir a Anna que prepare um café para você – ela disse seca.


-Anna? Não pode preparar meu café? - ele estranhou.


-Não – disse séria.


-Mas eu quero que você prepare meu café! Gosto do modo como cozinha para mim!


-Não faço mais trabalhos pesados. Para ser franca, não faça mais nenhum tipo de trabalho. Não até o bebê nascer. – avisou, sentindo uma pontinha de vingança na própria voz.


-Não pode ao menos preparar o café? Gosto do modo como faz o café. Do gosto que o seu café tem.  – pediu, enrolando a toalha na cintura e se aproximando.


-Talvez não deva tomar café. Tantas noites acordado, será melhor um leito morno, para que possa dormir calmamente.


Aquele velho e conhecido olhar de mágoa, rancor e ironia estavam de volta, culpando-o de algo que não fazia a mínima idéia do que era! E pelo visto, Hermione não lhe contaria!


-Pode ao menos separar minhas calças? – pediu humilde, sentando na beira da cama, cansado – Estou cansado. Talvez tenha razão, e precise dormir um pouco.


-Porque não faz isso? – sugeriu falsamente preocupada com ele.


Cínico. Mal chegara a Londres e esquecera-se dela!


Lembrando-se de suas palavras sempre carinhosas, insistindo em dobrar sua vontade e lhe fazer amor, Hermione sentiu que seus olhos ficavam úmidos. Para que fazê-la acreditar que era especial, se mal chegara a Londres e esquivava dela?


Para que?


-Hermione, venha cá – ele pediu ao notar que ela estava magoada por alguma razão que não eram as noites passadas fora. Lembrava-se de suas palavras, ainda no banho, pedindo que não a sobrecarregasse com informações que lhe fizessem mal nesse momento.


-Não. Estou com raiva de você. – foi sincera. – Pedirei a Anna que traga leite e pão.


Rony deixou-a sair sem saber o que dizer. Talvez ela esperasse que a levasse para passear e mostrasse a cidade. Mas Rony não sentia vontade de exibi-la a outros olhares, muito menos queria que se encantasse com aquela cidade!


Para ser franco, pretendia manter Hermione trancada em casa o maior numero possível de horas!


Somente assim garantiria sua colaboração quando voltassem.


Estava ficando muito preocupado.


Hermione não lamentara de saudade uma única vez. Não falara nos pais, na irmã, na fazenda, em Juanita, nos meninos de Juanita... Não lamentara uma única vez! E para ser franco, parecia contente demais cuidando daquela casa!


Era só o que lhe faltava!


Perder Hermione para a Cidade de Londres!


Desconsolado, jogou a toalha longe e deixou-se cair contra o colchão, fechando os olhos para pensar melhor.


Em poucos minutos, dormia profundamente.


Pouco tempo depois, quando Anna voltou correndo do quarto, com a bandeja e as mãos tremulas, Hermione perguntou o que se passara, mas ela não dissera nada, apenas deixara a bandeja sobre a mesa e saíra correndo, corada e gaguejante.


Aflita, subiu e entrou no quarto. Rony dormia explendorosamente nu sobre a cama. Pobre Anna, era inocente demais para ver um homem nu!


Ela também já fora assim, até ser deflorada por esse homem!


Sem conter a vontade de tocá-lo se aproximou, dizendo a si mesma que apenas o cobriria e sairia, deixando-o dormir. Mas não foi o que fez. Ficou de pé, correndo os olhos por cada curva, cada relevo, cada pedacinho daquele corpo masculino, com atenção redobrada os seus lábios, as mãos e, sobretudo ao seu falo, repousante e inerte.


Sentiu a boca cheia de água, e precisou se conter para não tirar as roupas e deitar-se ao seu lado, fazendo-lhe amor com a boca e as mãos, e todo o corpo feminino!


Inocente a paixão que despertava, Rony virou de lado, e Hermione pensou em como deveria ser agradável morder aquelas nadegas carnudas e então, quem sabe... Assustada com o rumo dos próprios pensamentos, deu um passo para trás.


 Não podia desejar um homem que se tornara indiferente a ela! Era humilhante demais!


Sabia que com o tempo isso acontecia com os casais, mas não esperava que acontecesse tão cedo. Logo quando decidira aproveitar dessa sensação e das incríveis emoções que lhe despertava!


Sem saber que o que sentia nesse momento era frustração sexual e, sobretudo paixão, saiu do quarto e fechou a porta atrás de si. Tinha mais o que fazer do que ficar lamentando um marido que não a queria mais!


 


 


 


 


 


 


 


AUTORA: lá vai a Hermione inventar sofrimentos de novo!


 


As atualizações vao voltar para o horário da noite, ok? Depois das dez da noite. Quando der posto antes, como aconteceu hoje.


Beijinhos!


 


 


 


 

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