Alguém Me Disse
A volta para Inglaterra demorou bem mais do que se imaginava para Hermione. O trabalho na França a completava de uma maneira incrível. Ela tinha tudo o que queria e ainda podia se divertir. Sim! A sabe-tudo certinha agora era uma mulher independente, segura de si, “baladeira”... tinha amigos influentes e estava nos principais eventos do país. Fazia quase sete anos que ela estava morando lá.
Cartas dos amigos que antes chegavam praticamente todos os dias agora apareciam uma vez no mês. Geralmente eram de Harry dizendo como ser pai pela segunda vez em plenos 22 anos estava deixando maluco e ao mesmo tempo tão feliz. Luna era uma mãe exemplar. Sempre carinhosa com seu marido e filhos...
Mas, antes de tudo isso acontecer, no primeiro ano de sua viagem, as coisas não foram tão bem assim. Ela sentia muita falta dos amigos e parentes. Era tudo novo e glamoroso demais para ela. Sem falar nos sentimentos que por carta ela descobriu que eram correspondidos. Como sentia falta de Rony... como queria concretizar seu amor por ele com um beijo longo e apaixonado.
As amigas que ela fez em BeauxBattons sempre tentavam levantar seu humor, dizendo que reler incessantemente as cartas que recebia só ia fazer a saudade aumentar. No começo, obviamente, ela ignorou tal sugestão e até ficou chateada, mas percebeu que aquilo seria o melhor a fazer por enquanto. Seriam apenas alguns meses até ela voltar para lá.
Depois de um tempo as cartas pararam de vir. Apenas Harry mandava cartas, mas nenhuma delas falava de Rony. Isso esmagou o coração da menina e a deixou profundamente magoada... foi daí que a estadia dela começou a mudar.
Disseram-me que as nossas vidas não valem grande coisa,
Elas passam em instantes como murcham as rosas.
Disseram-me que o tempo que desliza é um bastardo
Que das nossas tristezas ele faz suas cobertas
Num dia que parecia outro qualquer, Hermione estava checando suas correspondências quando uma coisa a surpreendeu bastante. Uma carta de um correio trouxa lhe informava que sua caixa postal seria desativada se ela não reativasse o serviço. Ela jamais pediria algo do gênero! Sempre usou corujas. Intrigada, ela decidiu ir à agência para verificar e não pôde acreditar no que viu. Seis anos de cartas acumuladas no cofre, sendo que a maioria era de Rony. Ela levou a montanha de envelopes para seu apartamento e começou a ler um a um:
- Nossa, como essas cartas foram parar lá? – perguntava-se ela, não contendo as lágrimas ao ver as declarações apaixonadas de Rony.
E o conteúdo era sempre o mesmo. O relacionamento a distancia entre Rony e Hermione. As cartas da Gina começavam a partir do segundo ano, quando Hermione “parou” de enviar cartas para seu irmão. Ela sempre perguntava de modo chateado se ela havia conhecido alguém e porque não recebia resposta. As ultimas tinham até um tom de briga, pois ela pedia que a castanha fosse sincera com Rony e dissesse de uma vez que jamais voltaria para ele. O mais estranho é que ela nunca deixou de escrever! Eles que tinham, supostamente, parado de responder.
Ela procurou satisfações na agência dos correios e descobriu que a conta tinha sido aberta por uma amiga sua de lá. Ela mandou uma carta no nome da castanha indicando a caixa postal para mandar coisas sobre o Rony, inclusive para o próprio. E enquanto ela brigava e chorava, mais uma carta chegou. Era diferente das outras. Não tinha remetente. Apenas dizia:
Rony ainda pensa em você, dá tempo de mudar as coisas...
Ass.: Um Amigo
No entanto alguém me disse...
Que você ainda me amava,
Foi alguém que me disse que você ainda me amava.
Seria isto possível então?
E ela não pensou duas vezes. Pegou o primeiro avião e voou para Londres. Não gostava de aparatar ou de pó de flú. Durante a viagem ela pensava em tudo que deve ter passado na cabeça do ruivo, pois na sua ela pensava que aquilo não era mais do que uma paixonite de adolescentes. Sempre tão racional até nesses momentos...
Como ela tinha contato com Harry, ela procurou pelo rapaz em sua casa. Ficou muito feliz ao vê-lo exatamente do mesmo jeito, só que coberto de talco e visivelmente exausto. Seus filhos eram umas pimentinhas! Luna amamentava a mais nova enquanto o mais velho corria pela casa após ter tomado um banho. Certamente estaria sujo de novo em segundos.
- Mione! – Harry cumprimentou evitando abraçá-la – Desculpe te receber assim... filhos!
- Tudo bem. – sorri Hermione, sentando-se – Eu preciso perguntar uma coisa...
- O que?
- O que houve com o Rony esses anos.
Luna que até então estava calada resolveu responder...
- Sofreu muito por sua indiferença. – diz Luna, seca.
- Lu, não foi bem isso... – começa a dizer Hermione, relatando tudo o que descobriu no dia anterior.
Agora as coisas faziam sentido...
- E as cartas que você mandava, descobriu onde estavam? – pergunta Harry.
- Não. Mas o que eu desejo é saber onde o Rony está e se ainda há como ficarmos juntos...
- Eu te conheço, Mi. Sei que não se arriscaria assim se não tivesse uma base...
Hermione sorri cansada e mostra a ultima carta para Harry e Luna.
- Não custa tentar. – diz Luna, sorrindo, escrevendo o endereço novo de Rony.
Disseram-me que o destino debocha de nós
Que não nos dá nada e nos promete tudo
Faz parecer que a felicidade está ao alcance das mãos,
Então a gente estende a mão e se descobre louco
Dessa vez a castanha preferiu aparatar. Queria resolver as coisas o mais rápido possível. A casa não era muito luxuosa, mas se mostrava confortável. Ele não estava lá. Deveria estar trabalhando. Hermione apenas sentou e decidiu esperar.
Esperou por minutos...
Esperou por horas...
Estava quase desistindo quando ele chegou. Pareceu sorrir de inicio. Não deu para ver direito, mas sabia que o que veio depois era um olhar de mágoa. Cordialmente ele a convidou para entrar. Ela não perdeu tempo. Exibiu as memórias que explicavam o motivo da viagem dela. Se ele acreditou ou não aquilo não importava. Ele simplesmente a beijou como sempre quis fazer e repetiu exatamente as mesmas palavras que estavam no bilhete que ele entregou antes de ela viajar.
Mas quem me disse que você ainda me amava?
Eu não recordo mais, já era tarde da noite,
Eu ainda ouço a voz, mas eu não vejo mais seus traços
'ele ama você, isso é segredo, não diga a ele que eu disse a você'