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15. Capítulo 15


Fic: Fora da Lei


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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n/a: todas as perguntas serão respondidas!!! Esse é o último capítulo, espero que gostem e não deixem de comentar!!!


 


Malfoy se aproximou até que estivessem separados apenas pela mesa.


-Gina – murmurou ele com voz paciente, estendendo-lhe uma taça de chá fumegante – Compreendo que está alterada depois do indesculpável comportamento de Blás. Por que não senta e se acalma?


-Você matou meu pai – repetiu ela.


-Isso é ridículo – sua voz era gentil – Eu não matei ninguém. Tome, querida. Eu lhe trouxe uma xícara de chá.  Vai ajudar a se acalmar.


A sinceridade nos olhos dele a fez hesitar. Draco deve ter notado, porque sorriu e deu um passo adiante. Gina retrocedeu de imediato.


-O que isso faz em seu escritório?


Malfoy olhou para a miniatura que ela tinha na mão.


-Uma mulher não devia revirar os pertences pessoais de um homem – disse com ar indulgente, deixando a xícara sobre a mesa. Mas, como já fez, vou confessar. Suponho que posso dizer que sou muito romântico. E quando o vi, fiquei apaixonado por você. Desejei desde o momento em que vi o seu rosto. Vamos Gina, não pode me condenar por isso.


A jovem moveu a cabeça confusa.


-Como isso chegou até seu escritório.


Draco olhou para ela com impaciência.


-Por acaso não basta que eu desnude minha alma para você? Você sabe desde o princípio o que eu sinto por você. Você me enganou.


E a olhou de um modo que a fez tremer.


-Não sei do que está falando – disse depressa, sem deixar de olhá-lo – Mas tem razão, estou fora de mim, e não sou eu mesma. Preferia ir para casa e deixar essa conversa para mais tarde.


Saiu de trás da mesa com o retrato apertado na mão e avançou até a porta. O homem a segurou com violência e a jogou contra a parede.


-É tarde demais. A interferência de Blás mudou tudo. A interferência dele e a sua curiosidade. Eu queria ser paciente com você, Gina. Agora é tarde demais.


Seu rosto estava bem perto dela, perto o bastante para a jovem lesse claramente em seus olhos. Se perguntou com medo como não havia visto antes. A loucura era visível no olhar dele. Tentou falar, mas teve que engolir a saliva antes.


-Draco, está me machucando.


-Eu a transformaria numa rainha - estendeu a mão e acariciou-lhe o rosto. A jovem estremeceu, mas não se moveu. –Eu lhe daria tudo o que uma mulher pode desejar: seda, diamantes; ouro... Meus Deus, Gina!. O ouro me pertencia. Meu avô tinha direito a me legar essa parte da minha herança. E seu pai não tinha direito de negar o que era meu.


Gina pensou que, se mantivesse a calma, talvez conseguisse acalmá-lo.


-Ele fez por mim – disse – queria assegurar-se que não me faltaria nada.


-Claro que sim. O mesmo que eu. Haveria de ser tanto seu quanto meu. Como minha esposa teria tido todos os luxos. Poderíamos voltar ao leste juntos. Esse era o meu plano. Eu a seguiria para o leste e a cortejaria lá. Mas você ficou. Não devia ter ficado, Gina. Este não é lugar para você. Eu soube desde o momento que vi seu retrato. Estava lá, naquela cabana miserável, do lado do colchão. O encontrei quando procurava a escritura da mina.


Sua expressão mudou de novo. Estava petulante como uma criança para qual negaram um pedaço a mais de torta.


-Fiquei muito chateado quando meu irmão e Snape mataram seu pai. Foi uma traição. Só tinha que convencer você a me dar a escritura. Logo em seguida, me ocorreu provocar o desabamento para esconder o que tinham feito. Não encontrei a escritura, mas sim, o seu retrato.


Gina não acreditava que  estivesse ciente do quanto lhe apertava o braço.  Nem tampouco estava certa do quanto lhe dizia. Permaneceu quieta, em silêncio, pois sabia que sua maior esperança era ganhar tempo.


-Delicada – murmurou ele – Um rosto tão delicado. A inocência brilhando em seus olhos, na curva suave da boca. Era mentira, certo? Não havia delicadeza, ou inocência. Brincou comigo, oferecendo-me sorrisos, só sorrisos, enquanto se entregava a Potter como uma prostituta. Devia estar morto por tocar no que era meu. Deveriam estar os dois mortos.


-Draco! – Blás apareceu na porta.


-Que faz aqui? Já pedi para livrar os cavalos da carroça.


-Já fiz isso. Vi cavaleiros. Estão vindo para cá. São Potter, o Xerife  e alguns homens da cidade. – olhou para Gina – Estão procurando por ela.


A jovem tentou se afastar, mas Draco a segurou pela garganta.


-Você se estrepou todo, trazendo-a para cá.


-Só fiz isso por que você a desejava. Podia tê-la matado no caminho. Diabos! Podia ter acabado com ela na noite em que colocamos fogo no estábulo, mas você falou que não queria que ela se machucasse.


Malfoy apertou o braço e Gina começou a sentir dificuldade para respirar. Ouvia muito longe, as vozes dos outros.


-Quanto tempo?


-Dez minutos, não mais. Mate-a agora.


-Aqui não idiota. Tente detê-los nas colinas.


O último pensamento de Gina antes de desmaiar foi que Harry estava próximo, mas era tarde demais.


 


 


 


-Escutem-me – Slughorn levantou a mão para deter os homens – Sei que gostaria de entrar lá como um demônio, mas pare um pouco  para pensar. Se eles a tem, temos que ir depressa.


-Eles a tem – em sua mente, os irmãos Malfoy já estavam mortos.


-Então, temos que resgatá-la com vida. Rony, quero que se aproxime pelo galinheiro. John, você vai pela parte de trás. Não quero que ninguém dispare antes que seja necessário.


Blás observou os homens se aproximarem e enxugou o suor da testa. Umedeceu os lábios e equilibrou o rifle. Draco havia dito para esperar até que se aproximassem. Então mataria tantos quanto pudesse, começando por Potter.


Harry sentiu a bala roçar a sua face. Rápido como um raio, ele se deixou cair de lado na sela. Com o revolver pronto, avançou até a casa, enquanto Slughorn gritava ordens. Viu os homens se protegerem e devolver os tiros, mas ele só pensava em uma coisa: entrar na casa e resgatar Gina.


Ao chegar a porta, saltou do cavalo. Quando abriu com um pontapé, tinha os dois revolveres na mão. O vestíbulo estava vazio. Ouvia os gritos do homens e o barulho dos tiros. Começou a subir as escadas.


Quando abriu a porta, Blás estava de costas para ele.


-Onde ela está?


Blás se virou lentamente.


-Está com Draco – sorriu e levantou o rifle. Tinha esperado meses por uma oportunidade de matar Potter e não estava disposto a desperdiçar aquela.


Quando caiu para frente, continuava sorrindo. Harry guardou as armas e começou a procurar pela casa. Slughorn se encontrou com ele nas escadas.


-Não está aqui – lhe estendeu a miniatura de Gina – Encontrei isso no chão.


Harry olhou por um momento e saiu correndo para fora, com Slughorn seguindo o de perto. Cruzaram com dois homens que transportavam Rony Prewett.


-Não está morto – John Granger o colocou no chão, segurando sua cabeça. Mas temos que levá-lo ao médico.


Slughorn se inclinou sobre ele e o viu abrir os olhos.


-Fique bem, filho.


-Ele me pegou de surpresa – respondeu Rony, com esforço – Era Draco Malfoy, xerife. Estava montado num cavalo. Acredito que estava indo para o oeste.


-Bom trabalho, Rony – Slughorn limpou o suor da testa dele, com seu lenço. Um de vocês pegue uma carroça e atrele os cavalos, e busquem cobertores. Você leva este garoto ao médico, John. Potter e eu seguiremos Malfoy.


Mas, quando se pôs de pé, o único rastro que viu de Harry foi a nuvem de poeira que o cavalo levantava em seu galope.


 


 


 


Gina recuperou os sentidos com uma sensação de náusea. Tentou levar a mão à cabeça, mas tinha os pulsos atados à sela. Por um momento pensou que ainda estava com Blás. Logo se recordou de tudo.


O cavalo subia, abrindo o caminho entre as rochas poeirentas. O homem sentado às suas costas balançava. Lutou para manter a calma e tentou guardar na memória o caminho que percorriam. Quando escapasse, e estava certa que iria escapar, não queria se perder.


Malfoy deteve o cavalo próximo da borda do cânion. Muito longe, lá embaixo se via uma  linha de água de um rio. Uma águia cruzou o espaço aberto, regressando depressa para o ninho construído na parede alta da rocha.


-Draco, por favor. –gritou quando ele tirou as tiras que prendiam seus punhos e a colocou no chão.


O homem a olhou com olhos vidrados. Seu rosto estava pálido e coberto de suor. O viu olhar ao redor com cautela, como se esperasse que algo saísse de dentro das rochas.


O homem que tirava o chapéu diante dela e lhe beijava os dedos, não estava ali naquele momento. Se alguma vez tivesse sido parte de Draco Malfoy, tinha desaparecido. O homem que a olhava agora estava louco e ficava tão selvagem como qualquer fera que vivia nas colinas.


-Que vai fazer?


-Ele vem vindo – levou uma mão à boca – Está vindo atrás de nós. Quando vier buscá-la, estarei pronto.


Arrastou-a para colocá-la de pé.


-Vou matá-lo, Gina. Eu o matarei como um cachorro - sacou o revolver e lhe passou o cano pela bochecha com gentileza, como numa carícia - E você irá ver tudo. Quero me vejas matá-lo. Assim compreenderá tudo. É importante que compreenda. Um homem assim, merece morrer com um tiro. Ele não é ninguém: um pistoleiro com sangue de índia. E lhe tocou. Eu o matarei por você, Gina. E em seguida iremos juntos, eu e você.


-Não!!!


Com um esforço, conseguiu soltar-se. O cânion estava às suas costas. Se desse um passo para trás, caíria até o nada. Tinha medo, mas não era por ela mesma. Sabia que Harry iria buscá-la e alguém morreria.


-Não irei a lugar nenhum com você. Acabou, Draco. Tem que entender. Sabem o que você fez e irão persegui-lo.


-O xerife? Ele riu e a segurou pelo braço antes que pudesse fugir. – Não é provável. Este é um grande país, Gina. Não vão nos encontrar.


-Não irei com você. Tenho que escapar.


-Se for necessário, e prenderei como prenderam minha mãe. Pelo seu próprio bem.


A jovem ouviu um cavalo ao mesmo tempo que ele, e gritou uma advertência:


-Não, Harry, ele vai matá-lo.


Voltou a gritar desta vez de dor, quando Malfoy lhe torceu o braço às costas. Apoiou  com calma, o cano do  revolver na cabeça dela.


-Eu vou matá-la, Potter. Saia devagar e ponha as mãos onde eu possa vê-las, ou a primeira bala entrará na cabeça dela – ele torceu o braço dela com força, porque queria que Harry a ouvisse gritar de novo. – Vamos, Potter, ou a matarei e jogarei o corpo no cânion.


-Não, Oh não. -Com lagrimas nos olhos viu Harry sair em campo aberto - Por favor, não. Não ganhará nada matando-o. Eu irei com você – tentou virar-se para olhar nos olhos dele – Irei com você aonde quiser.


-Não ganharei nada – riu Draco- Satisfação, querida. Será um prazer.


-Está ferida? – perguntou Harry com calma.


-Não- moveu a cabeça- Não me fez nada. E não vai fazer se você for embora.


-Está errada, querida, muito errada. Terei que fazê-lo porque você não compreende. A menos que eu o mate por você, não compreenderá nada. Me de o revólver, Potter. Tire-o lentamente e deixe-o de lado.


-Não – a jovem tentou debater-se e só conseguiu que ele lhe torcesse o braço com mais força. – Eu matarei você. – gritou com raiva. -Eu juro.


-Quando eu terminar com isso, querida, fará aquilo que eu mandar, quando eu mandar. Com o tempo irá compreender que isso é para o seu bem. Tire as armas, Potter - Olhou para ele sorridente e moveu a cabeça para que ele as afastasse com um chute – Isso, ai – afastou o revolver da cabeça de Gina e apontou para o coração de Harry. Sabe? Nunca matei um homem, sempre achei mais civilizado contratar alguém, mas creio que vou gostar disso.


Os músculos do maxilar de Malfoy, se contraíram.


-Você é um bastardo - disse.


Gina gritou e jogou todo seu peso contra a mão que segurava a arma. Sentiu a explosão como se a bala a tivesse  atravessado. Caiu de joelhos e quase cedeu ao ver Harry caído ao chão, ensangüentado.


-Não! Meu Deus, não!


Malfoy pôs a cabeça para trás e começou a rir.


-Eu tinha razão. Gostei. Mas ainda não está morto – disse levantando a arma de novo.


Gina não pensou em nada. Estendeu a mão e segurou um dos revolveres de Harry. Enrolando-se no chão, fez pontaria.


-Draco – murmurou e esperou que ele virasse a cabeça.


Quando disparou, o revolver saltou da sua mão. O ruído do tiro permaneceu durante um bom tempo no ar. Malfoy a olhou sem dizer nada. Com medo de não ter acertado, Gina se preparou para atirar de novo.


Então ele cambaleou. Olhou para ela e caiu para trás sem fazer nenhum som. Vacilou no ar e em seguida se precipitou pela borda do cânion.


 


A jovem ficou um momento imóvel. Em seguida começou a tremer e, tremendo ainda, se arrastou até Harry. Ele estava tentando se erguer sobre o cotovelo, e tinha uma faca na mão. Gina rasgou as anáguas chorando e começou a tentar estancar o sangue da ferida das costas.


-Pensei que estivesse morto. Está sangrando muito. Precisa de um médico. Vou tirá-lo daqui, para poder estancar a hemorragia.- Fez uma pausa; a voz começou a tremer - Foi uma loucura vir atrás de mim desse jeito. Pensei que fosse mais sensato.


-Eu também - sentia uma dor aguda no corpo e só desejava tocá-la mais uma vez antes de morrer – Gina...


-Não fale – as lágrimas abundantes, escorriam – Fique quieto. Vou cuidar de você. Não deixarei você morrer.


Harry não podia ver-lhe o rosto. Cansado do esforço, fechou os olhos. Achou que ouvia o som de cavalos se aproximando, mas não estava certo.


-Você é uma mulher formidável – murmurou e desmaiou.


 


 


 


Quando despertou, tudo estava escuro. Sentia um gosto amargo na boca e uma palpitação estranha na base do crânio. A dor nas costas seguia lá, mas um pouco mais fraca e constante. Ficou imóvel, se perguntando quanto tempo ficaria naquele inferno.


Fechou os olhos de novo pensando que não importava o tempo, mesmo porque não podia partir. Em seguida o sentiu. Sentiu o suave perfume de Gina. Mesmo que custasse um grande esforço, tentou abrir os olhos de novo e tentou se erguer.


-Não, não faça isso.


A jovem o empurrou com gentileza contra o travesseiro, e colocou um pano com água fria em sua testa.


-Quanto tempo...? – foi tudo o que conseguiu sussurrar antes que as forças o abandonassem.


-Não se preocupe – apoiou a cabeça dele com um braço e levou-lhe uma xícara aos lábios. – Tome um pouco. Logo voltará a dormir. Estou aqui com você.


-Não posso...- tentou focar o rosto dela, mas só viu a silhueta – Não posso estar no inferno - resmungou antes de afundar de novo na escuridão.


Quando voltou a despertar, era dia. E ela estava ali, inclinada sobre ele, sorridente, murmurando algo que não conseguia entender. Mas tinha lágrimas no rosto. Sentou-se ao seu lado, segurou sua mão e a levou aos lábios. Enquanto se esforçava para falar, voltou a perder os sentidos.


Gina achava que iria ficar louca na primeira semana. Harry recuperava os sentidos apenas por breves momentos. Ardia em febre e o médico não lhe dava esperanças. Se sentou ao seu lado hora depois de hora, dia depois de dia, lavando-lhe a pele quente, acalmando-o quando estremecia, rezando quando perdia os sentidos.


Havia perdido muito sangue. Quando Slughorn chegou até eles, ela quase havia conseguido conter a hemorragia, mas quando voltaram para a cidade, ele perdeu mais sangue. E ainda mais quando o doutor teve que extrair a bala.


Em seguida, começou a febre, sem trégua. Em uma semana, havia despertado apenas umas poucas vezes, quase sempre delirando, ás vezes falando em uma língua que Hagrid identificou como sendo apache, se não contivesse a febre, ele morreria.


Se sentou ao seu lado na cama e o observou a pálida luz do amanhecer.


O tempo se arrastava devagar. Havia perdido a conta dos minutos, das horas, dos dias. Quando chegava a manhã, segurava a mão dele entre as suas  e recordava os momentos que tinham vivido juntos.


Com ele havia encontrado algo maravilhoso e poderoso. Um amanhecer, um rio correndo rápido, uma tempestade. Sabia que o amor, o desejo, a paixão e o carinho podiam unir-se em uma só coisa.


Desde aquele noite no feno, ele tinha lhe dado mais que muitas mulheres recebiam a vida inteira.


-Mas eu sou gananciosa – sussurrou para ele – Quero mais, não me deixe, Harry. Não me prive do que podíamos ter.


Ouviu a porta se abrir, e tentou reprimir as lágrimas.


-Como ele está?


-Igual.


Ficou em pé e esperou que Minerva colocasse a bandeja sobre a cômoda. Fazia tempo que havia desistido de protestar contra a comida. Percebeu rapidamente que se queria ter forças para cuidar de Harry, necessitava de alimento.


-Não fui eu que preparei o café da manhã, e sim Anne Granger.


Gina lutou para conter as lágrimas.


-É muito amável da parte dela.


-Ela perguntou por Harry e pediu que eu dissesse a você que Katie está bem.


-Fico contente – levantou sem interesse o guardanapo que cobria os biscoitos.


-Pelo que parece, Cho deixou a cidade.


-Não importa mais, o dano já está feito.


-Garota, você precisa dormir numa cama de verdade. Vá para o meu quarto. Eu fico cuidando dele.


-Não posso- ignorou os biscoitos e pegou uma xícara de café – As vezes ele me chama e tenho medo de possa morrer se eu for embora. Pode ser uma bobagem, mas não posso deixá-lo, Minerva.


-Eu sei – ouviu um ruído na porta e se voltou para olhar – Que está fazendo aqui, John Granger?


Johnny entrou no quarto e ficou em pé com o chapéu nas mãos.


-Só queria vê-lo um pouco, é tudo.


-O quarto de um doente não é lugar para um garoto.


-Não tem importância – Gina lhe acenou para que entrasse e sorriu – Estou certa que Harry gostaria de saber que veio vê-lo.


-Ele não vai morrer, não é, Gina?


-Não – recuperou a confiança que perdera durante a noite – Não, não vai morrer, Johnny.


-Mamãe disse que está cuidando muito bem dele - estendeu a mão e tocou a testa – Está muito quente.


-Sim, mas a febre logo vai passar – Gina colocou a mão no ombro do garoto – Vai passar bem rápido.


-Rony está melhor – disse ele, sorrindo – Tem o braço na tipóia, mas anda muito bem. Já nem deixa que Hermione o mime.


-Não vai demorar muito, e Harry também não vai me deixar mais cuidar dele.


Horas depois adormeceu com o sol da tarde. Seu sono era curto, tinha a cabeça apoiada contra o encosto da poltrona e as mãos no joelho em cima do seu diário. Havia escrito tudo o que sentia naquelas paginas. Alguém pronunciou seu nome e ela levantou a mão como se quisesse afastar aquela voz. Só desejava dormir.


-Gina.


Abriu os olhos de susto e saltou da cadeira. Harry estava meio sentado na cama, com jeito confuso, mas os olhos olhavam diretamente para ela, e não estavam mais vidrados.


-Que diabo esta acontecendo aqui? - perguntou.


Então viu atônito, a jovem cair sobre o leito e começar a chorar.


Passaram três semanas antes que tivesse forças para levantar-se e andar. Tinha tempo para pensar, talvez até demais, mas quando tentava fazer algo, ficava frágil como um bebê.


Aquilo o deixava furioso. Uma manhã brigou com Minerva duas vezes em pouco tempo e a mulher disse a Gina que estava quase recuperado.


-Harry é duro – disse Minerva enquanto subiam as escadas – Disse que estava farto de mulheres que tentavam cuidar dele, dar-lhe de comer e banho.


-Não se pode dizer que ele seja bem agradecido – contrapôs Gina, com uma gargalhada.


Sentiu uma tontura e teve que se agarrar ao corrimão para não cair. Minerva segurou-lhe o braço.


-Você está bem, querida?


-Sim, claro – encolheu os ombros e esperou que a náusea passasse. -Acho que estou muito cansada.


Viu que Minerva a fitava astuciosamente e deixou de fingir para sentar-se num degrau.


-De quanto tempo está?


Gina se surpreendeu de que aquela pergunta direta não a fizesse corar. Em lugar disso, sorriu.


-Mais ou menos um mês – sabia o momento exato que tinha concebido o filho de Harry; no riacho – Faz uns dias que não consigo manter nada no estômago.


-Eu sei – Minerva sorriu encantada – Não acha que Harry vai cair de quatro quando souber?


-Não sei ainda se conto – disse a jovem – Não quero que saiba que nós ...- se interrompeu – Ainda não, Minerva.


-É você que deve contar.


-Sim. Você não contará a ninguém?


-Nem uma palavra.


Satisfeita Gina se levantou e seguiu subindo as escadas.


-O doutor disse que logo começaria a andar. Mas não falamos de nada mais importante ainda.


Chamou da porta e a abriu em seguida.


-Minerva??- gritou


-Estava aqui há menos de uma hora. Não sei onde...


Mas a jovem já não a escutava, descia correndo as escadas.


-Gina!! Gina!!- exclamou Johnny, correndo até ela – Acabo de ver Harry sair da cidade. Parece estar bem melhor.


-Por onde??- segurou os ombros do surpreso garoto – Por onde ele foi?


-Por ali – indicou um caminho – Eu o chamei, mas acho que não me escutou.


-Maldito teimoso!- murmurou Minerva, da porta.


-E ele acha que pode partir assim, sem mais – disse Gina entre dentes – Pois ele que espere uma boa surpresa. Preciso de um cavalo, Minerva. E um rifle.


 


 



Harry tinha pensado bem. Acreditava que Gina ficasse brava, mas com o tempo superaria.


Com o tempo iria encontrar alguém que fosse melhor para ela.


Falar com ela não  tinha adiantado nada. Nunca conheceu uma mulher tão teimosa. Por isso, encilhou o cavalo e saiu de Hogsmeade, como havia partido antes de muitas cidades. Só que daquela vez, sentia uma dor profunda e aguda.


Disse a si mesmo que também superaria. Era bobagem seguir fingindo que ela podia ser dele. Não esqueceria nunca o aspecto de Gina, enrolada no chão com seu revolver na mão e uma expressão de horror nos olhos. Ele a tinha ensinado a matar e não estava certo de algum dia se perdoar por isso.


A jovem havia salvado a vida dele. O que podia fazer de melhor por ela seria devolver-lhe o favor, saindo da vida dela.


Ainda mais agora que era rica. Poderia voltar para o Leste ou ficar  e construir a grande casa com salão da qual ela falava.


Ouviu que um cavaleiro se aproximava, virou-se no cavalo e levou instintivamente a mão à coronha do revolver. Lançou uma imprecação ao reconhecer Gina , que não demorou para se aproximar dele.


-Você é um bastardo! – gritou


Harry a saudou com um movimento de cabeça.


-Não sabia que montava, duquesa. Veio aqui para se despedir?


-Tenho algo para lhe dizer – segurou as rédeas com força, tentando controlar a fúria – Acredita que pode partir assim, sem dizer nada a ninguém?


-Sim. Quando chega o momento de partir, parto e pronto.


-Quer dizer que não tem razão para ficar?


-Assim é – sabia que a verdade podia doer, mas não tinha imaginado que uma mentira pudesse machucar tanto – Você é uma linda mulher, duquesa. Será difícil encontrar alguém melhor.


A jovem devolveu-lhe o olhar com uma expressão de dor. E logo levantou o queixo.


-Isso é um cumprimento? Pois tem razão. Será difícil que encontre alguém melhor. Nunca vai amar outra mulher como me ama.


-Volte para a cidade, Gina – começou a virar o cavalo, mas se deteve ao vê-la sacar o rifle e apontar-lhe para o coração – Você se importaria em apontar para outra direção?


Como resposta a jovem baixou o cano algumas polegadas e sorriu ao vê-lo franzir o cenho.


-Prefere que eu aponte para aí? -perguntou.


Harry se moveu ligeiramente.


-Duquesa, se é a mesma coisa para você, pode voltar a apontar para o peito.


-Desça do cavalo.


-Maldição, Gina!


-Já disse para descer. Vamos.


O homem se inclinou na sela.


-Como vou saber que está carregado? -perguntou.


Gina sorriu, aproximou o rifle do olho e disparou. O chapéu de Harry voou pelos ares.


-Está louca? - atônito, passou a mão pelo cabelo – Por pouco não me mata.


-Eu acertei onde queria. Não era isso que disse que eu devia aprender a fazer? – voltou a apontar-lhe – Agora desça do cavalo antes que eu aponte para outra coisa mais vital.


Harry lançou outra maldição e obedeceu.


-Que diabo quer provar com isso?


-Não se mova daí. - sacudiu a cabeça.


-Está doente?


-Não – sorriu – Nunca na minha vida me senti melhor.


-Então está apenas louca – ele relaxou um pouco, mas a palidez dela ainda o preocupava- Bom, se decidiu me matar depois de passar um mês tentando me manter vivo, vá em frente.


-Tem razão em dizer que eu o mantive com vida, e se acredita que o fiz para que fosse  embora quando estivesse bem, se enganou. Eu fiz porque te amo, porque você é o único homem que eu amo. Agora me diga por que vai partir?


-Já lhe disse, chegou o momento.


-Você é um mentiroso. Mais ainda é um covarde.


Suas palavras tiveram o efeito desejado. Harry a olhou com raiva.


-Não me pressione, Gina.


-Ainda nem comecei a pressioná-lo. Começarei por dizer a você por que foi embora. Foi embora porque tem medo de mim. Não, nem mesmo de mim, de você mesmo e do que sente por mim. Me amava o suficiente para se colocar desarmado diante de um louco, mas não o bastante para enfrentar o que sente.


-Você não sabe o que sinto.


-Não? Se acha isso mesmo, é que é mais bobo do que enganador. Não acha que eu  o sabia que cada vez que me tocava, cada vez que me beijava? – respirou fundo - Muito bem, pode subir nesse cavalo e partir. Pode seguir fugindo até mil milhas daqui. Talvez consiga se afastar de mim, mas antes de ir, tem que me falar.


-Falar o que?


-Quero que diga que me ama.


Harry a observou detidamente. Seus olhos brilhavam com determinação e suas faces estavam rubras de fúria. Devia saber que não tinha lugar nenhum para fugir.


-Um homem seria capaz de dizer qualquer coisa, quando estão apontando para sua virilha com um rifle.


-Pois diga.


Se agachou para pegar o chapéu e meteu um dedo no buraco.


-Amo você, Gina – pôs o chapéu na cabeça – E agora, quer deixar de me apontar isso?


A jovem olhou nos olhos dele. A fúria a tinha abandonado, mas também a esperança. Sem dizer nada, se virou o e colocou o rifle na sela.


-Bem, eu tive que ameaçá-lo para que me dissesse, mas ao menos uma vez você disse. Vá em frente, parta. Não vou mais detê-lo. Ninguém mais está apontando para você com um rifle.


Jurou para si mesma que não ia chorar. Não o prenderia com lágrimas. Fazendo um grande esforço para se controlar, tentou voltar a montar. Harry tocou-lhe o braço com suavidade.


-Te amo, Gina - repetiu – Mais do que devia. Muito mais do que posso suportar.


A jovem fechou os olhos, rezando para que tudo ficasse bem entre eles. Voltou-se para ele, lentamente.


-Se você for agora, eu vou segui-lo. Não importa para onde vá, eu estarei com você. E prometo que farei da sua vida um inferno.


Harry sorriu.


-E se eu não for?


-Só farei da sua vida um inferno algumas vezes.


-Acho que é uma proposta melhor – Baixou a cabeça e a beijou gentilmente. Em seguida a estreitou com força ao peito- Não acho que iria muito longe, mesmo que não tivesse disparado.


-Não queria correr riscos. Para sua sorte, apontei acima da sua cabeça.


O homem suspirou e a afastou um pouco.


-Me deve um chapéu. Acho que eu terei que casar com uma mulher que atira assim.


-Isso é uma proposta?


Harry encolheu os ombros.


-É o que parece.


Gina levantou as sobrancelhas.


-Não acha que pode fazer melhor?


-Não me dou muito bem com as palavras. Tem um pastor que vem à cidade uma vez a cada poucas semanas. Pode nos casar com toda a cerimônia que queira. Eu vou construir uma casa para você, entre a mina e a cidade, com um salão, se é isso que quer, um assoalho de madeira e um quarto de verdade.


Para Gina aquela era o mais eloqüente dos pedidos. 


-Vamos precisar de dois.


-De dois o que?


-Dois dormitórios.


-Escute, duquesa, ouvi que no Leste as pessoas tem alguns costumes estranhos, mas jamais pensei em deixar que minha mulher durma em outro quarto.


-Oh! Não – sorriu, toda feliz. -Dormirei na mesma cama que você durante o resto da minha vida. Mas vamos precisar de dois quartos. Pelo menos na primavera, vamos precisar.


-Não entendo...


Então ele finalmente entendeu. Ficou olhando para ela, sem dizer nada, atônito.


-Está certa? – perguntou então.


-Sim! – Gina conteve o fôlego – Vamos ter um filho.


Harry não estava certo de poder mover-se e menos ainda de poder falar. Segurou o rosto dela entre as mãos e a beijou com ternura. Em seguida, emocionado, apoiou a testa contra a dela.


-Dois quartos – murmurou – Para começar.


Gina o abraçou feliz.


-Sim, para começar.


 


 


 


 


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