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18. Capítulo 17


Fic: Entre a Guerra e o Amor


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Olá gente!


Eu sei que demorou... Mas eu entrei em aula e to no 3° ano, logo, tá cada vez mais complicado escrever a fic! Mas eu tentei deixar o capítulo o melhor possível e aqui está ele pra vocês


Escrevi ouvindo Heart - Alone e The Corrs - Hurt Before (alguém percebeu que The Corrs é a minha banda preferida? HSAUAHSUASHASHUAS) Enfim, espero que gostem.


Boa leitura!


***


- Você também está sentindo arder ou eu estou sonhando? – Ruby perguntou sonolenta a Colbie enquanto chutava as cobertas e ia atrás de seu roupão, Colbie que estava mais do que satisfeita com o rumo de suas ações, respondeu sombriamente:


   - Está ardendo sim e pela primeira vez, eu estou feliz de sentir a dor.


   - Eu hein, depois você diz que eu que sou masoquista Summers... – Ruby respondeu confusa antes de dar um bocejo e apanhar algo para vestir, realmente não entendia o que estava acontecendo. Colbie desaparecera durante a tarde e a noite e só aparecera agora pela madrugada. Realmente, se a Marca ardera, de alguma forma aquilo tinha a ver com ela.


   Colbie foi até o banheiro e lavou o rosto, observou-se no espelho e viu uma expressão cansada. Seus olhos tinham espessas olheiras por baixo e ela parecia mais pálida e mais magra que o normal, mas ainda sim tinha uma expressão determinada no rosto. Ela tinha que estar preparada para o que ia fazer, aliás, tinha que estar preparada para tudo dali em diante.


   Voltou ao quarto e deparou-se com Ruby completamente vestida e a observando com uma expressão indagadora, Colbie apenas deu de ombros e ambas desceram as escadas sendo observadas por Pansy Parkinson que acordara e tentara entender porque a sua já esquecida Marca Negra ardia naquele momento.


 


   - Achei que vocês duas não desceriam mais. – Draco Malfoy sibilou venenosamente enquanto aproximava-se de Ruby e dava a mão para ajudá-la a descer a escada, Ruby negou e deixou o garoto encarando-a com desprezo. Colbie deu um sorrisinho irônico e disse maldosamente:


   - Pelo visto, dessa vez, sua covardia não o impediu de vir não é Malfoy?


   - Cale a boca Summers. – Foi só o que Draco conseguiu dizer, estava com o rosto mais pálido e trazia uma expressão mista de medo e de ignorância. Estava com medo de Colbie como nunca esteve, Crabbe e Goyle observavam a cena com cara de bobos, então Draco disse cheio de si:


   - Colemann exigiu a nossa presença lá, disse que era de extrema importância.


   - E desde quando ele manda em alguma coisa por lá? Pelo que sei, o Lorde não anda muito feliz com ele... – Colbie disse misteriosa enquanto abria a passagem e saía para os corredores escuros da escola, Ruby arqueou a sobrancelha e perguntou:


   - O que você sabe que nós não sabemos Summers?


   - Nada de mais, apenas algumas informações adicionais e garanto pra vocês que hoje teremos algumas mudanças bem drásticas nas ordens do Lorde. – Colbie tornou a dizer contente enquanto saía para os jardins, tinha certeza de que após a “traição” de Spike, Voldemort ficaria bastante obstinado para ter Hogwarts em suas mãos. Draco segurou o braço de Colbie com violência e perguntou:


   - O que você quer dizer com tudo isso garota?


   Colbie lançou um olhar frio ao rapaz, Draco rapidamente enfraqueceu a expressão e olhou para ela cheio de pânico quando viu a garota sacar a varinha. Colbie colocou a varinha na jugular do rapaz e disse ameaçadora:


   - Sugiro que você me solte agora Malfoy senão tudo que veremos será todo o seu sangue sair pela sua jugular.


   Malfoy soltou o pulso de Colbie e deu vários passos para trás, ficando bem longe dela. Crabbe e Goyle encaravam Colbie com nojo, assim que viram o olhar frio que Colbie lhes lançou, rapidamente olharam para o chão e foram até o local onde Draco estava petrificado de medo. Ruby aproximou-se de Colbie com uma expressão brincalhona no rosto e disse:


   - Você realmente é uma simpatia, o que custava pedir com educação sem usar de ameaças?


   - Custava a minha dignidade Valentine, vou devolver tudo na mesma moeda a partir de agora. – Colbie disse rude dando as costas a todos e caminhando a passos largos até os portões de entrada do castelo. Os outros a acompanharam apressados e assustados, até mesmo Ruby estava assustada com o comportamento de Colbie.


   Parecia que agora ela realmente não se importava com nada, ela realmente estava em uma missão suicida.


 


   O grupo nem percebeu que um rapaz de rosto redondo os observava e que agora estava correndo para a Torre da Grifinória contar tudo que ouvira para Gina Weasley.


 


***


 


   Gina acordou com uma das meninas de seu dormitório a chamando com urgência, ainda era madrugada e a garota amaldiçoou o ser que perturbava as únicas horas de paz que ela tinha nos últimos dias. Estava tendo um sonho muito bom com Colbie onde podia vê-la como sempre fora, sem a Marca e sem aquela tristeza nos olhos. Talvez por ter sido acordada de tal sonho, Gina estivesse mal humorada, levantou os olhos vendo o contorno difuso da menina na escuridão e perguntou irritadiça:


   - O que você quer a essa hora garota?


   - Eu não quero nada Gina, quem quer é o Neville, ele está lá embaixo na sala comunal e quer falar com você urgentemente. – A garota respondera ligeiramente ofendida com os modos de Gina, a ruiva bufou impaciente, Neville estava tornando-se extremamente insuportável. O que podia ser tão importante que não poderia esperar até o dia amanhecer?


   Gina levantou-se e apanhou o roupão, desceu as escadas vestindo-o por cima do pijama e encontrou Neville caminhando de um lado para o outro em frente à lareira. A garota pigarreou para sinalizar que estava ali e disse sonolenta:


   - Espero que seja realmente importante, você acabou de destruir um sonho particularmente agradável.


   - Calma Ginny, é realmente sério, ao menos eu achei. Eu vi Malfoy, Summers e Valentine saindo do castelo apressados. – Neville disse excitado enquanto encarava Gina, os olhos castanhos da ruiva arregalaram-se um pouco. Era bem normal Colbie sair do castelo, mas nunca acompanhada de outros comensais da escola. A ruiva sentiu as suas mãos ficarem frias e perguntou:


   - E você ao menos sabe por que eles saíram da escola? Ou me acordou só pra me contar que eles resolveram dar um passeio noturno?


   - Realmente, você é extremamente mal humorada quando acorda. – Neville disse sorrindo tristemente enquanto observava a amiga, tinha certeza de que a ideia de salvar Colbie Summers ainda não saíra da cabeça dela, podia ver a determinação e a coragem impressos em seus olhos. O rapaz não sabia se devia apoiar a amiga ou seguir o que Harry dissera a ele e ele tinha sido bastante claro quando disse para que Gina ficasse segura. Mas ao mesmo tempo, Neville não conseguia deixar de sentir-se emocionado com todo o sacrifício que a ruiva fazia...


   Gina deu um pequeno sorriso a ele, abrandou a expressão e deixou os músculos de sua face relaxarem. Tudo o que ela queria era que não existisse Guerra, que não existisse inimigos, que não existisse dor e morte... Ela só queria um mundo onde amar uma sonserina não fosse crime, onde todos seriam iguais. Colbie mudara seus pensamentos e fizera com que perdesse seu preconceito com sonserinos, ela mostrara que era humana e que também era suscetível ao amor como qualquer outra pessoa.


   A ruiva sentou-se na poltrona em frente a lareira ainda sorrindo, enquanto observava as chamas, disse brincalhona:


   - Me diga uma coisa que não sei Neville, até parece que você não conhece o velho humor dos Weasley.


   - É mesmo deveria ter me acostumado. – Neville respondeu rindo, sentando-se em outra poltrona, ele e garota se encararam por alguns segundos e Neville viu cicatrizes incuráveis na alma da ruiva. Gina estava sofrendo com a distância de Colbie, conseguia ver o coração da garota sangrar mesmo com toda aquela fachada de menina forte que Gina sacrificava-se para colocar em prática. E agora com Luna desaparecida, ela parecia ainda mais vulnerável.


Gina viu Neville a observar preocupado, entrelaçou suas mãos sobre o colo e perguntou:


   - Estamos nos desviando do foco, o que você acha que eles iriam fazer?


   - Ouvi Malfoy dizendo que um tal de Colemann os chamara e que era extremamente urgente, algo me diz que isso, de alguma forma pode ter a ver com a Luna. – Neville respondeu novamente sério, Gina sentiu seu coração na garganta, estava preocupada com Luna há semanas e a Ordem não conseguira encontrá-la em lugar algum. Mas por um lado, também tinha medo de ver Colbie envolvida naquilo tudo, não seria capaz de perdoá-la caso acontecesse algo. Gina suspirou e disse:


   - Nem tudo pode ter a ver com Luna, nós podemos estar criando esperanças só porque estamos desesperados para encontrá-la...


   - Não Gina, sem contar que a Summers estava estranha. Parecia saber mais que os outros, algo me diz que ela está envolvida com o sumiço de Luna. – Neville disse as palavras que Gina jamais queria ouvir, a ruiva sentiu o vazio dentro de si aumentar. Ela não queria decepcionar-se com Colbie, não queria perder a única razão que a fazia lutar naquela Guerra de corpo e alma. Colbie podia fazer tudo, menos tocar em seus amigos e provocar o sofrimento deles. A ruiva tirou esses pensamentos obscuros da cabeça, concentrando-se na conversa com Neville, perguntou interessada:


   - Estranha em que sentido?


   - Não sei Gina, é apenas a minha intuição. Mas ela me parecia eufórica com a Marca ardendo na sua pele, disse algo sobre os planos de Você-Sabe-Quem mudarem nessa noite e que isso iria provocar a aceleração das ações dos comensais. Ela meio que deu a entender que algo grande iria acontecer e mais rápido do que o programado. – Neville respondeu confuso, Gina tentou juntar as peças, mas elas pareciam não se conectar de forma alguma. O assassinato de Mallows, alguns sumiços em Hogsmeade, alterações no quadro de empregados do Ministério, os dementadores a solta, o ataque de gigantes aos trouxas... Tudo parecia não se encaixar. A ruiva pigarreou e perguntou temerosa:


   - E você acha que ela está envolvida nisso tudo?


   - Não só envolvida, acho que ela provocou tudo, por isso estava eufórica. Colbie Summers é quem está comandando todas as ações dentro de Hogwarts, ela tirou esse posto da Valentine há muito tempo. – Neville respondeu sério encarando Gina e tentando mostrar a ela que Colbie não era nenhum anjo da guarda, ela podia não atacar e nem matar ninguém, mas seus atos estavam gerando algo muito grande que eles ainda não tinham descoberto. Gina balançou a cabeça negativamente e disse:


   - A Colbie que eu conheço não seria capaz de provocar sofrimento a uma mosca.


   - Mas ela mudou Gina! A Marca a transformou em outra pessoa ou vai me dizer que não percebeu a mudança nas ações dela? Ou talvez, a mudança nos sentimentos dela em relação a você? – Neville disse rapidamente e quando dera por si, as palavras que tentava evitar dizer a Gina para poupá-la do sofrimento saíram como foguetes de sua boca. Gina o encarou incrédula e perguntou:


   - O que você quer dizer a respeito dos sentimentos dela por mim?


   - Olha Gina, eu pareço ser meio lerdo, mas não sou. Já percebi que o que existe entre vocês vai além da amizade e também percebi que ela tem tentando te manter longe dela há algum tempo. Está bem claro que ela escolheu o lado dela, que ela é uma comensal sem qualquer sentimento! – Neville disse fora de si enquanto encarava a ruiva, considerava a garota como uma irmã e desde que ficara encarregado da segurança dela, tentava protegê-la a todo custo e evitar o seu sofrimento. Gina aproximou-se dele a passos largos e decididos, então deu um tapa na face do rapaz e disse vermelha:


   - Nunca ouse acusá-la, de forma alguma. Você não a conheceu o bastante para saber o ser humano que ela é! Melhor do que qualquer comensal e talvez, melhor até mesmo que o Harry e a Hermione!


   - Você não sabe o que está dizendo Gina! Ela te confundiu, ela te faz pensar que é boa quando na verdade, só está desviando sua atenção para você não se empenhar na Guerra! – Neville disse furioso, segurando os pulsos de Gina com força. A garota soltou-se dele e deu vários passos para trás, depois respondeu:


   - E por que ela faria isso? Aliás, se ela estiver mesmo fazendo isso, será um favor. Eu não quero lutar em uma Guerra que já não é minha!


   - Ela realmente te tirou a sanidade Gina! Ela está te afastando de todos, não está percebendo? Você se isolou desde que ela te deixou, brigou até mesmo com o Harry que te ama e quer seu bem e com Hermione que é sua melhor amiga! – Neville disse aproximando-se de Gina novamente para tentar colocar a menina nos eixos, Gina porém levantou os olhos gélidos para ele e sibilou:


   - Não fale de Harry e Hermione na minha frente, não os coloque como vítimas da história porque você nem ao menos sabe o que está acontecendo!


   - Então agora Colbie Summers tornou-se mais importante que nós pra você? Se for isso Gina, você me decepcionou seriamente agora! – Neville disse visivelmente cansado e confuso, Gina o encarou com uma expressão forte e decidida, as lágrimas queriam cair, mas ela não mostraria um sinal de fraqueza para o rapaz. A ruiva respirou fundo antes de dizer:


   - Você não sabe o que tá falando Neville, ela é muito mais do que parece pra mim!


   - Eu que não sei o que estou falando? Olhe para você Gina! Você nem é mais a mesma, vive quieta pelos cantos esperando notícias dela enquanto ela nem ao menos olha na sua cara pelos corredores! Você está se humilhando diante de uma sonserina, a Gina que eu conhecia não deixaria isso acontecer! – Neville respondeu sem a menor pena de Gina, aquelas palavras cortaram o coração da garota e ela não conseguiu fazer nada a não ser dar as costas a Neville e limpar algumas lágrimas que escorriam por sua face. A ruiva virou-se novamente para o rapaz e disse melancólica:


   - Ela é muito mais do que Harry e Hermione ou qualquer outro foi pra mim. Ela me curou Neville quando todos vocês me deixaram de lado, preocupados apenas com a Guerra! Ela apareceu do nada e mostrou que podia me dar um mundo a parte, o mundo dela onde só existia eu e ela... Eu quero esse mundo de volta e principalmente, eu a quero de volta! E não vai ser você, nem Harry e Hermione que vão me impedir de ir atrás da minha felicidade!


   - A sua felicidade é representada por uma sonserina? Eu hein Gina, nunca esperava isso de você. – Neville respondeu irônico, Gina enfureceu-se rapidamente e sacou a varinha de dentro do roupão sem pensar muito no que fazia. Neville arregalou os olhos assustado enquanto erguia a palma das mãos em sinal de paz, Gina o encarou passível, não sabendo o que fazer agora que tinha a varinha em mãos. Será que Neville não estava certo? Será que ela não estava lutando por uma causa perdida ao querer Colbie de volta? Dúvidas que antes nunca haviam passado pela mente da ruiva agora se transformaram em possibilidades cruéis.


   Gina baixou a varinha e respirou fundo, colocando as ideias no lugar e principalmente, acalmando-se. Ela levantou os olhos para Neville e disse melancólica:


   - Por favor, não ouse zombar do meu amor por ela. Você nem ao menos sabe o que é isso que eu sinto, se soubesse entenderia que por ela, eu dou a minha vida se preciso.


   Dizendo isso, Gina deu as costas ao rapaz sentindo as lágrimas escorrerem por sua face. Ninguém fazia questão de entender o seu sentimento e muito menos a sua luta, ela estava sentindo-se cada vez mais só sem Luna e Rony e cada vez mais perdendo as esperanças... Talvez não devesse ser como ela queria, talvez o destino estivesse mostrando as suas garras e revelando que ela e Colbie jamais ficariam juntas. Mas de alguma forma, a ruiva ainda tinha esperanças e quando deitou em sua cama desejou do fundo de seu coração que o destino fosse incerto e que ela não estivesse errada a respeito de Colbie.


 


***


 


   Colbie, Ruby, Draco, Crabbe e Goyle chegaram a Mansão dos Malfoy ainda de madrugada. Com Colbie a frente, entraram no local sem fazer muita cerimônia, a morena aproximou-se de uma comensal e perguntou friamente:


   - Onde o Lorde está?


   - Está lá em cima e parece estar bem irritado com vocês... – A mulher respondeu com a voz sombria, Colbie lançou um olhar irritado a Malfoy, provavelmente o culpando pelo atraso. O loiro crispou os lábios e fechou os punhos desejando lançar uma maldição na garota naquele exato momento.


   Colbie ajeitou a capa sobre os ombros e subiu as escadas decidida com os outros em seu encalço, assim que chegaram ao andar superior perceberam que o clima mudara, estava tudo muito quieto e a maioria dos comensais que estavam ali em cima prefeririam estar em qualquer outro lugar, a não ser ali.


   Chegaram a porta do antigo escritório de David, Colbie bateu na porta educadamente e pode sentir Ruby suspirar preocupada ao seu lado. Mas Ruby não tinha porque ficar preocupada, ela não seria obrigada a ver tudo até o final, isso é, se o plano de Colbie funcionasse perfeitamente bem até o final.


   A porta abriu-se silenciosamente, revelando um Lúcio Malfoy pálido e magro. Draco imediatamente tomou a frente e foi se juntar ao pai, Colbie e os demais entraram logo atrás observando a cena que se desenrolava lá dentro.


   Belatriz Lestrange, David Colemann e Lorde Voldemort observavam o que parecia ser uma pessoa encolhida a seus pés. Narcissa e Lúcio Malfoy preferiam ficar longe da cena e estavam encolhidos em um canto com os olhos aflitos. Colbie fez uma ligeira reverência para Voldemort e disse educadamente:


   - Estamos aqui milorde, como o senhor nos chamara, atendemos o mais rapidamente que pudemos.


   - Mas ainda estão atrasados Summers, achei que você poderia ser mais firme com seus mandados e fazer eles se apressarem... – Voldemort disse friamente ignorando a reverência de Colbie, ele estava visivelmente irritado. Ruby fez uma reverência e disse temerosa:


   - Perdoe-nos milorde, nós tentamos vir o mais rápido que podíamos mesmo.


   - Cale-se Valentine, estou falando com Summers no momento. – Voldemort sibilou novamente enquanto lançava os olhos vermelhos violentos para Colbie, esta por sua vez levantou os olhos firmemente e não fraquejou em momento algum. Encarou o homem e disse novamente:


   - A culpa não foi nossa milorde, Draco Malfoy fez questão de ter uma conversinha comigo antes de sairmos, senão fosse essa interrupção, teríamos chego mais cedo.


   - Está dizendo a verdade Colbie? Se for dessa forma, fico extremamente aliviado que ao menos você e Ruby não tenham me decepcionado... – Voldemort disse abrindo um sorriso sem sentimentos e logo depois lançando um olhar desgostoso aos demais que estavam presentes na sala. Colbie deu um sorriso satisfeito e levantou-se observando com devida atenção a pessoa encolhida no meio da sala.


   Era Spike Cervantes, disso ela não tinha a menor dúvida. Ela reconhecera as milhares de cicatrizes nos braços, o homem estava encolhido em posição fetal e tremia compulsivamente. Seus olhos estavam atordoados e ele parecia extremamente fora de si, Draco observava a cena confuso e David parecia suspeitar de alguma coisa.


   Brevemente os olhares de Colbie e David se cruzaram e a garota deu um sorriso maldoso ao rapaz e percebeu um lampejo de entendimento nos olhos azuis do rapaz, mas era tarde demais, ele já estava fadado a morrer agora. David pigarreou e disse temeroso:


   - Milorde, acho que deveríamos reconsiderar o caso de Spike, podemos ter deixado passar alguma coisa.


   - Como ousa duvidar do julgamento do lorde das trevas Colemann? Você perdeu o juízo, ou melhor, perdeu a noção do seu lugar entre os comensais? – Belatriz sibilou maldosamente enquanto dava um sorriso sádico a David, o rapaz encarou-a com rancor, mas não pronunciou uma palavra sequer. Então, Voldemort virou-se abruptamente para ele fazendo com que Crabbe e Goyle que estavam ao seu lado corressem atordoados. Os olhos vermelhos de Voldemort pareciam ainda mais ameaçadores, ele agitou a varinha e o corpo de David ergueu-se no ar, a expressão de dor no rosto dele fez com que Colbie abrisse um sorriso ainda mais largo. Ruby por sua vez desviou os olhos para os próprios pés enquanto ouvia Voldemort dizer repleto de raiva:


   - Você ainda tem coragem de duvidar de meus julgamentos Colemann? Uma maneira extremamente desagradável de me agradecer depois de eu ter poupado a sua vida rapaz!


   - Me desculpe mi... Milorde. – David disse entre dolorosos suspiros, a dor estava cortando-o de fora para dentro. Ele sentia como se todos os órgãos de seu corpo estivessem explodindo, Colbie beneficiou-se um pouco daquele momento, mas ainda não era a hora de David desaparecer do seu caminho, o que Voldemort estava fazendo com ele naquele momento era pouco para o que ele merecia. Colbie disse séria:


   - Milorde, deixe-o. Teremos tempo para cuidar dele depois, agora, temos que lidar com Cervantes... Alguém pode me explicar o que ele faz aqui nessa posição tão deplorável?


   - SUMMERS SUA DESGRAÇADA! – A voz de Spike ecoou furiosa no meio de todos, a maioria dos presentes se assustou. Mas parecia que somente o timbre de voz de Colbie fora capaz de despertar Spike de seus devaneios e de seu sofrimento, o homem tentou avançar até a garota, mas Colbie sacou a varinha e desferiu um profundo corte no peito do homem que berrou de dor. Colbie parou próxima a Spike e agachou, olhando profundamente nos olhos do homem e disse maldosa:


   - Agora você sabe por que eu não apaguei a sua memória, não é mesmo?


   Spike encarou-a a garota com os olhos negros ardendo em fúria, sua varinha havia sido quebrada e ele tinha os pés e mãos algemados. Ele levantou-se com dificuldade e disse suplicante a Voldemort:


   - Milorde, eu não sou o verdadeiro culpado nessa história. Eu não tive nada a ver com as informações que a Ordem da Fênix recebeu e se tem alguém trabalhando de agente duplo nessa história toda, esse alguém é a Summers.


   Voldemort lançou os olhos vermelhos para Colbie e a garota imediatamente fechou sua mente com Legilimência, mas ao contrário do que esperava, Voldemort não tentou entrar em sua mente, ele parecia confiar plenamente nela. Depois, o homem virou-se mais uma vez para Spike com a expressão fechada, girava a varinha entre os dedos enquanto sibilava tranquilamente:


   - Pelo que parece Colbie, Spike tem uma imaginação surpreendente. Ele crê que você tomou uma poção polissuco e que assumiu a forma dele, passando informações para a Ordem.


   Colbie deu uma gargalhada fria que soou histérica para muitos da sala, a garota tinha um brilho sádico nos olhos que não se igualava nem mesmo aos olhos de Belatriz. Colbie pigarreou para retomar o fôlego e aproximou-se de Voldemort, depois encarou os olhos do homem sem qualquer medo e perguntou afetada:


   - Mas mestre, o senhor realmente confia mais nele do que em mim?


   - De forma alguma Colbie, só que concordemos, tem algumas pontas nessa história que não se encaixam minha cara. – Voldemort respondeu com um sorriso frio, escondendo a sua surpresa ao ver a garota encará-lo com tanta determinação. Colbie olhou para Ruby que lhe sorriu encorajadora, depois olhou para David e conseguiu sentir o cheiro de medo saindo por todos os poros do corpo dele e por fim Belatriz que parecia ao menos começar a confiar nela. Colbie fez um sinal afirmativo com a cabeça e perguntou sorrindo:


   - Pois bem mestre, sou toda ouvidos, o que o senhor quer saber?


   - Primeiramente, onde a senhorita estava nas últimas horas? – Voldemort perguntou aproximando-se da garota com um ar imponente, Colbie continuou a sorrir e respondeu:


   - Na escola mestre, Ruby pode confirmar isso para o senhor.


   Ruby olhou assustada para Colbie, mas esta não lhe retribuiu o olhar. Os passos de Voldemort tomara outro rumo, o homem sorriu friamente para Ruby e lhe afagou os cabelos. A garota quase fugiu ao seu toque, depois ele disse educadamente:


   - Me desculpe Ruby por minutos atrás, entende a minha raiva ao surpreender um dos meus me traindo, não entende?


   - Tudo bem mestre, eu ficaria no mesmo estado. – Ruby respondeu tremendo a voz levemente, fato que passou despercebido por Voldemort, mas não por Colbie. A morena lançou um olhar preocupado a Ruby, acabara apegando-se a ela de uma forma que nunca imaginara e via que ela não tinha mais forças para continuar naquela Guerra, precisava tirá-la dali antes que ela se perdesse ainda mais, ela merecia ser feliz com Pansy. Enquanto isso, Belatriz revirava os olhos diante de tamanha puxação de saco.


   Voldemort continuou a sorrir e a brincar com a varinha entre os dedos, então suspirou e perguntou tranquilamente:


   - Você confirma que Colbie esteve na escola durante todas essas horas?


   Ruby forçou a memória e lembrou-se de ter acordado com Colbie chegando ao dormitório no mesmo momento em que sua marca ardera, mas não se lembrava de ter visto a garota antes. Ruby lançou um olhar a Colbie que apenas lhe respondeu com os olhos verdes suplicantes, então, ela sorriu para Voldemort e respondeu:


   - Ela estava comigo, o tempo todo.


   - Eu não me lembro de tê-la visto na sala comunal... – Draco resmungou baixo, mas alto o bastante para que Voldemort ouvisse. O homem aproximou-se dele e perguntou:


   - O que você disse Draco?


   - Eu não a vi entrar na sala comunal nas últimas horas... Só isso milorde. – Draco respondeu tremendo de medo junto ao pai e a mãe, Colbie lhe lançou um olhar furioso, mas permaneceu calada. Voldemort então agitou a varinha e Lúcio caiu no chão berrando de dor, depois encarou Draco com escárnio e disse:


   - E você realmente acha que eu vou acreditar em você e não nelas? Ora Draco, as duas nunca me decepcionaram enquanto você e sua maldita família me decepcionaram tantas vezes que eu até perdi a conta....


   Draco agachou-se ao lado do pai e o ajudou a levantar-se, depois olhou repleto de raiva para Colbie que apenas lhe deu um sorrisinho irônico. Voldemort perguntou novamente a Ruby:


   - Ela realmente esteve com você?


   - Sim senhor. – Ruby respondeu sorrindo para Colbie e para Voldemort, Belatriz suspirou aliviada e David engoliu em seco. Então, as algemas nos pés e nas mãos de Spike agitaram-se e ele gritou descontrolado:


   - ELAS ESTÃO JUNTAS NISSO MESTRE! EU JURO POR TUDO QUE EU NUNCA TRAIRIA O SENHOR!


   - Será que você não percebeu que o lorde das trevas te quer calado? Seu imundo! – Belatriz disse sadicamente enquanto executava mais um feitiço de corte em Spike e ele sangrava novamente. Colbie deu uma gargalhada fria que foi acompanhada por Belatriz, as duas trocaram um olhar cúmplice e pareceram se entender pela primeira vez. Voldemort sorriu para as duas satisfeito, depois se virou para David que pareceu encolher-se ainda mais no canto da sala, ele tremia da cabeça aos pés quando Voldemort disse malévolo:


   - Então vamos à prova de fogo Cervantes... Colemann, repita tudo o que você me disse agora pouco...


   - Bem, estava escuro, mas eu acho que vi Spike correr até o local onde minutos atrás fora registrado que Remo Lupin e Ninfadora Tonks desaparatavam... – David respondeu temeroso olhando para os próprios pés, Voldemort ergueu a varinha na direção dele e disse frio:


   - Você parecia ter plena certeza do que dizia há minutos atrás Colemann, será que está mentindo pra mim novamente?


   - Claro que não mestre, tenho certeza que vi Cervantes ir até o local! – David respondeu voltando ao seu juízo perfeito e encarando o homem com raiva, ele queria o poder de Voldemort para si, queria botar medo em todos que o afrontassem. Voldemort sorriu para ele e baixou a varinha delicadamente. Spike choramingava e dizia palavras do tipo:


   - Você sabe que não era eu, você não pode estar fazendo isso comigo David, você deve dizer a eles que não era eu...


   - Calado homem, você agora terá o que merece por trair Lord Voldemort! – Voldemort disse repleto de fúria enquanto levantava a varinha, pronto para lançar a maldição imperdoável da morte. Porém, Colbie não estava satisfeita. A morena tomou a frente e disse:


   - Me perdoe mestre, mas acho que o senhor não precisa sujar as mãos com um traste como ele.


   - O que você sugere Colbie? – Voldemort perguntou mais calmo, lançando um olhar desconfiado a Colbie, a morena sorriu maldosamente enquanto aproximava-se de Spike, encarou todos na sala e disse:


   - Meu senhor, nossos lobisomens precisam de carne fresca, acho que é hora de alimentá-los.


 


***


 


   Uma estrada próxima a Hogsmeade estava bem escura e repleta de névoa, nesse instante, três figuras materializaram-se. Harry Potter, Hermione Granger e Rony Weasley rapidamente correram para um lado escuro do vilarejo, próximo a mesma floresta que ocupava os terrenos de Hogwarts. Rony tinha alguns arranhões no rosto e estava profundamente mal-humorado, assim como Harry e Hermione, aliás, a situação não melhorara muito entre os três desde o Natal, concentravam-se apenas em procurar as Horcruxes e nada mais.


   Rony estava profundamente irritado, cansado de ter que ver Harry e Hermione juntos e ainda mais cansado de ter que agüentar as brigas infantis dos dois. Aquilo tudo estava desgastando todas as suas energias, o ruivo suspirou cansado enquanto sentava-se a sombra de uma árvore e perguntou irritado:


   - O que viemos fazer aqui Harry? Você perdeu o juízo por acaso?


   - Não Rony, o meu juízo continua intacto. Só que Lupin pediu para que ficássemos próximos a Hogwarts durante algum tempo... – Harry respondeu recolhendo-se para a escuridão da orla da floresta quando viu uma figura encapuzada passar a poucos metros deles, Rony olhou para o amigo inconformado e respondeu:


   - E então, sendo você um gênio, achou que Hogsmeade ia ser um excelente esconderijo! Quem garante que essa informação veio mesmo de Lupin?


   - Eu realizei um feitiço de autenticidade na carta Rony, era mesmo de Lupin. – Hermione respondeu baixinho, recebendo em troca um olhar furioso de Rony. O ruivo jamais a perdoara por tudo que acontecera com eles, jamais perdoaria a morena por ter magoado a sua irmã. Hermione calou-se junto a Harry, o moreno encarou o amigo com raiva e respondeu:


   - Será que dá pra você largar de ser rabugento só um pouco e enxergar as coisas? Nós viemos aqui pela sua irmã também!


   As palavras de Harry provocaram uma reação estranha nos outros dois. Hermione arregalou os olhos para o namorado e encarou-o completamente incrédula, Rony levantou-se de salto e aproximou-se do amigo olhando como se ele estivesse mentindo. O ruivo então passou a mão nos cabelos e perguntou fora de si:


   - Por que não me disse isso antes Potter?


   - Pra evitar essa sua atitude infantil cara! Você iria querer vir logo e poderia colocar tudo a perder! – Harry respondeu apertando o punho, estava cansado de toda aquela situação, ele queria ter evitado tudo que acontecera ele entre e Hermione, mas não conseguia, estava fora do seu alcance. Rony encarou o amigo e disse furioso:


   - Eu colocar tudo a perder? Ah claro, esqueci que eu não sou o Sr. Perfeito Potter não é mesmo?


   - Por favor Rony, pára com isso. – Hermione pediu sem graça ao amigo enquanto segurava-o pelo peito, os olhares do ruivo e da morena se encontraram por alguns instantes e Hermione sentiu seu peito arder, ela só não sabia qual a natureza daquela ardência e dor em seu peito. Sentiu-se confusa enquanto encarava os olhos azuis de Rony que estavam tão distantes e frios, o ruivo lhe lançou um olhar fuzilante e murmurou:


   - Me solte Hermione.


   - O que você vai fazer Rony? – Hermione perguntou assustada quando soltou o garoto e o viu sair caminhando para dentro da floresta. Rony bufou impaciente e respondeu:


   - Vou procurar um lugar para acamparmos e ficarmos seguros, preciso ficar sozinho mesmo. Quando eu encontrar algo, dou um sinal de luz pra vocês.


   Harry e Hermione ficaram observando o garoto entrar na floresta e rapidamente desaparecer de suas vistas, depois os dois encararam-se e Harry encarava a namorada confuso. Depois perguntou aproximando-se da morena:


   - Por que você o defendeu hein?


   - Ah pelas calças de Merlim né Harry? Eu não estava defendendo o Rony, eu só estava tentando evitar mais uma briga sem sentido entre vocês dois! – Hermione respondeu indignada dando as costas a Harry, o rapaz bufou insatisfeito e disse:


   - Mas não precisava tomar partido dele, era só nos mandar parar! Afinal, eu sou o seu namorado, você devia estar do meu lado!


   - Harry, só porque nós estamos namorando, não quer dizer que eu vá deixar o Rony de lado! – Hermione disse indignada a Harry, tinha horas que o moreno era extremamente ciumento e também, indesejável. Harry olhou bem fundo nos olhos de Hermione e percebeu ali uma dúvida que nunca pairava no olhar dela, ele respirou fundo tentando se acalmar e justificou:


   - Mas mesmo assim Mione, você está diferente comigo nas últimas semanas... O que tá acontecendo entre a gente?


   - Não está acontecendo nada Harry, eu só estou cansada dessa mau humor do Rony e dessas brigas constantes entre vocês dois... – Hermione respondeu abraçando os ombros e olhando para o chão, pela primeira vez desde que ficara com Harry estava sentindo-se confusa. Quando encarava a dor e o sofrimento nos olhos de Rony, ela sentia como se cada pedaço de seu coração estivesse sendo despedaçado.


   A morena não entendia seus sentimentos e nem mesmo o que o seu coração queria, se existisse um livro no qual ela pudesse ter todas as suas dúvidas sanadas, com certeza ela já tinha lido. Mas não, o amor era uma estrada desconhecida para ela e que muitas vezes deixava vários questionamentos em sua cabeça. Realmente, razão não combinava com coração e Hermione via que no amor, a sua inteligência não adiantava nada.


   Perdida em seus pensamentos, não percebeu quando Harry cruzou os braços e assumiu uma expressão séria. Há dias que o moreno percebera que Hermione estava começando a nutrir um sentimento desconhecido por Rony, a sombra de dúvida que pairava nos olhos dela e as pequenas ações e convivência do dia-a-dia faziam com que cada vez mais ele acreditasse que ela estava começando a arrepender-se do que fizera no Natal. Ele temia perder Hermione, porque perdera Gina e agora, não sabia como se redimir.


   Harry aproximou-se de Hermione e a encarou, rapidamente a morena baixou os olhos. Harry então perguntou sério:


   - Não é só por causa disso Mione...


   - O que você quer dizer? Que eu estou gostando dele? É isso?! – Hermione pronunciou as palavras que ela mesma se perguntava, a garota encarava Harry aflita, esperando uma resposta dele que não veio instantaneamente. O rapaz continuou a encará-la inexpressivo, depois suspirou e após alguns minutos, disse conformado:


   - Eu não preciso querer dizer nada, isso tá escrito nos seus olhos. Você se arrependeu do que aconteceu, não é?


   - Eu não me arrependi de nada Harry e me surpreendo ao saber que você ainda duvida do que eu sinto! – Hermione disse tentando convencer não só a Harry, como a si mesma. Depois, deixando Harry com um último olhar de sinceridade, a morena entrou na floresta ao ver o sinal de luz de Rony. Harry agachou-se e sentou-se no chão, a lembrança dos cabelos ruivos de Gina veio a sua mente, o sorriso dela tocou seu coração e o perfume floral embriagou sua mente. O rapaz fechou seus olhos, arrepiou os cabelos com os dedos e perguntou:


   - Aonde foi que a minha Gina se perdeu?


 


***


 


   Colbie caminhava a frente do grupo por um escuro corredor, ouvia passos rápidos que soavam como melodia em seus ouvidos. Trazia um tímido sorriso maldoso nos lábios e brincava com uma das mechas de seus cabelos perfeitamente negros, tinha certeza que todos estavam aos seus pés agora, no ponto exato em que ela precisava que eles estivessem.


   Voldemort trazia Spike Cervantes flutuando a sua frente, tinha uma expressão de orgulho nos olhos enquanto observava a jovem comensal caminhar a sua frente com tanta majestade e poder. De alguma forma, ele conseguia acreditar nela e crer que ela estava ao seu lado fielmente. Belatriz por sua vez, apesar do desprezo inicial (que ainda não a abandonara) passara a respeitar Colbie Summers pela devoção e fidelidade ao seu Lorde.


   David Colemann tinha os olhos fixos em algum ponto da escuridão, tentando assimilar a verdade que caía pesadamente sobre seus ombros. Não conseguia acreditar que Spike fora tão burro a ponto de se deixar levar por alguns aurores da Ordem, aliás, ele achava que conhecia Spike bem o suficiente para saber que ele jamais faria isso, a desconfiança pairava em sua mente incansavelmente, aquela história toda estava muito estranha. Mas sendo covarde como era, ignorou sua intuição e não defendeu o companheiro, calou-se enquanto sentia um ódio por Voldemort e Colbie crescer dentro de si. Aliás, tudo que queria era tirar Colbie de seu caminho, ela estava atrapalhando seus planos e se tivesse aliado suas forças a Draco antes, talvez a morena não estivesse dando tanta dor de cabeça.


   Ruby Valentine caminhava a passos rápidos e desengonçados. Seus movimentos já não tinham a mesma sensualidade e elegância de antes, a Guerra parecera finalmente atingi-la por inteiro. A moça olhava para o chão e tinha a expressão fria, enquanto dentro de si tudo que tinha era um turbilhão de sentimentos que iam da raiva a incompreensão. Não conseguia entender as reais intenções de Colbie ao metê-la em seu joguinho sádico de agente duplo e também, ardia em raiva e tristeza ao lembrar-se que mal se recordava do cheiro de Pansy em sua pele...


   Draco Malfoy e seus pais estavam fechando o cortejo com um ar assustado, Crabbe e Goyle não haviam tido muito estômago e coragem para o que se seguiria. A Família Malfoy nem mais parecia a mesma, estava rebaixada a um nível que nunca imaginara ocupar e a situação só se agravara depois que Colbie Summers desprezou seu herdeiro e depois, ocupou o lugar dele aos olhos de Voldemort. Lúcio estava pálido de raiva e Narcissa parecia ter o rosto ainda mais enojado que o normal, enquanto as emoções do filho Draco variavam do medo a fúria.


   O grupo parou diante de uma pesada grade de metal, podiam-se ouvir ruídos animalescos e respirações pesadas vindas de lá de dentro. Colbie virou-se para Voldemort com um sorriso ainda maior nos lábios, a morena disse orgulhosa:


   - Pronto mestre.


   - Ótimo Colbie, a cada dia a senhorita me impressiona mais, não só pelo poder, mas também pela lealdade... – Voldemort disse com um sorriso frio que foi acompanhado por sorrisos amarelos dos demais, Colbie retribuiu o elogio do lorde com um aceno de cabeça e um sorriso irônico nos lábios. Tinha que se concentrar mais para esconder suas intenções, começava a achar Voldemort extremamente burro em acreditar nela.


   Spike murmurou algo com a voz dolorida, atraindo a atenção de todos para ele. Voldemort desfez o feitiço e ele caiu com um baque duro e seco no chão molhado do porão onde se encontravam, tinha algumas machas de lodo e poças d’água espalhadas por todos os cantos. O homem moribundo remexeu-se no chão e então seus olhos focalizaram Colbie e ele disse:


   - Você... É... Uma... Filha... Da... Mãe!


   - Tenho plena consciência da mãe e do pai que eu tenho, obrigada, não preciso ficar ouvindo isso de um traste como você! – Colbie respondeu sarcástica enquanto agachava-se a frente do homem e o encarava com os olhos verdes intensos, Spike baixou os olhos para as mãos sujas que agora se apoiavam no chão. Então, sentiu um leve cutucão em sua mente e a voz de Colbie murmurar maldosamente:


   - Eu disse a você que queria que você soubesse por que está morrendo. Ora Spike, aquelas menininhas todas que você abusou me pareceram tão inocentes que eu uni o útil ao agradável... Usei seu corpo fétido para visitar alguns amigos e também, ajudei algumas delas. Fique tranqüilo, você será lembrado como traidor e também, como grande ajudante de moças recém-abusadas...


   Spike não conseguiu responder as palavras que vinham a sua mente com seus pensamentos, estava muito cansado para aquilo, mas não para avançar a frente e cuspir na face de Colbie. A morena fechou os olhos e sentiu o ar pausar a sua volta, como se todos tivessem parado de respirar. Limpou a saliva do homem delicadamente, levantou-se e ajeito a capa negra, depois sacou a varinha e disse friamente:


   - Crucio!


   O corpo do homem já maltratado contorceu-se no chão e de sua boca rompeu um berro de dor. Ruby desviou os olhos da cena assim como os Malfoys, mas David e Voldemort observaram cada atitude da garota. Um estava sentindo-se enjoado e outro, orgulhoso. Voldemort abriu um sorriso ao ouvir os gritos de Spike, depois disse:


   - Vamos com calma Colbie, por favor.


   - Estou apenas amaciando a carne dele para os lobisomens, mestre. – Colbie respondeu irônica enquanto sorria, Belatriz deu uma gargalhada satisfeita e os olhos dos demais se arregalaram, uns por surpresa e outros por medo. Ruby encarava Colbie sem reconhecê-la, totalmente incrédula em relação à garota que estava a sua frente. Voldemort deu uma gargalhada satisfeita, agitou a varinha e rapidamente a grade de metal moveu-se e a luz tocou a escuridão aparente da cela.


   Alguns pares de olhos brilharam na escuridão e também se pode sentir o hálito quente e o cheiro de cachorro molhado que vinha de lá. Ruby crispou os lábios, David começou a tremer compulsivamente e os Malfoys encolheram-se ainda mais na parede. Apenas Voldemort, Belatriz e Colbie permaneciam confortáveis diante daquela situação.


   Passos foram ouvidos no piso de pedra e um homem atravessou a grade. Fenrir Greyback rompeu animalesco no portal, com um filete de sangue escorrendo pelo canto da sua boca. Spike acovardou-se e tentou sair de seu alcance, mas Colbie lhe deu um chute no estômago, fazendo com que ele perdesse a respiração temporariamente. Voldemort pigarreou e disse incomodado:


   - Trouxemos algo para você Fenrir...


   - Cervantes mestre? Carne de segunda hein... – Fenrir disse com um rosnado sarcástico, seus olhos pousaram temporariamente em Colbie que lhe encarou com firmeza, na batalha final que aconteceria, seria a primeira a derrubá-lo. Não deixaria que ele colocasse aquelas garras sujas em Gina. Colbie lhe deu um sorrisinho e disse:


   - Mas vocês estão com fome não é mesmo?


   - Não somos cachorrinhos que aceitam qualquer coisa Summers... – Fenrir respondera irritadiço, com a respiração ofegante. Colbie não o temeu, sabia lidar com lobisomens, deu um passo a frente, inclinou a cabeça e disse meigamente:


   - Não mesmo Fenrir? Lutando ao nosso lado apenas para garantir sangue humano não faz você diferente de um cachorrinho que implora comida todos os dias para seu dono.


   Fenrir ficou calado, mas rapidamente partiu para cima de Colbie e a derrubou no chão, a unha do dedo indicador dele cravou-se em sua pele e fez-lhe um corte na face direita. Greyback sorriu maldosamente, revelando dentes amarelos e um bafo fedorento, depois disse:


   - Acho melhor você tomar cuidado com o que diz.


   - E eu acho melhor você tomar cuidado aonde mete esse seu focinho! – Colbie disse sarcástica antes de realizar um movimento com a mão direita e tirar o homem de cima de si, Voldemort riu e Belatriz encarou tudo espantada. Colbie levantou-se e limpou as vestes, chutou Spike na direção de Fenrir e disse friamente:


   - Faça bom proveito dele.


   - Ora sua...! – Fenrir não terminou a frase, pois seus olhos encontraram os vermelhos de Voldemort que o calaram silenciosamente. O homem então pegou Spike do chão e colocou-o sobre os ombros, Spike ainda gritou suplicante:


   - Por favor David! Me ajude! Você não pode fazer isso, eu sempre fui leal a você!


   Mas David deu as costas e iniciou seu caminho de volta a sala da Mansão, os Malfoys fizeram o mesmo. Voldemort, Belatriz e Colbie observaram de perto quando os rosnados furiosos foram ouvidos e também viram quando Fenrir jogou o corpo de Spike na escuridão e ouviram o som de carne sendo estraçalhada. Gotículas de sangue respingaram nas vestes de Colbie, Ruby desviou o olhar rapidamente e começou a chorar baixinho. Assim que os sons cessaram, Colbie disse séria:


   - O canil está devidamente alimentado agora, mestre.


   - Agradeço a sua preocupação com nossos cães de guarda Colbie, agora, você e Valentine podem voltar a escola, de preferência levem os outros três covardes com vocês... – Voldemort respondeu agradecido, Colbie conseguia ver o orgulho nos olhos dele e subitamente, sentiu que tudo valera a pena, ele seria derrotado pela própria ganância em tê-la ao seu lado.


   Colbie fez uma ligeira reverência e saiu da sala acompanhada por uma Ruby assustada. Ruby pigarreou e disse séria enquanto caminhavam pelo corredor escuro de volta a Mansão:


   - Preciso falar com você.


   - Agora não Ruby, tenho assuntos mais importantes a tratar, seus resmungos sobre dignidade e mudança podem esperar. – Colbie disse friamente enquanto aparatava na frente de Ruby, a outra morena suspirou e fez o mesmo, desaparatando em frente aos portões de Hogwarts.


 


***


 


   Depois de um turbilhão intenso de cores e lugares, Colbie aparatou novamente no quartinho escuro onde trancafiara Luna. De alguma forma, sentia-se desconfortável na presença da loira, parecia que ela conseguia ler todos seus pensamentos e também, ver o quanto se esforçava tentando manter Gina longe de si.


   Colbie passara a madrugada toda tentando evitar pensar em Gina na presença de Voldemort, mas agora que estava sozinha caminhando escuridão artificial daquele quartinho, pode sentir todo o peso do seu esforço e do seu amor desabar sobre seus ombros. Rapidamente sua postura majestosa caiu deixando em seu lugar os ombros caídos e cansados, ela passou a mão nos cabelos e respirou fundo. Em seguida, pigarreou e perguntou:


   - Luna?


   - Estou aqui Colbie, mas achei que não fosse você que viria... – Luna respondeu saindo das sombras com a varinha clareando seu caminho, estava a alguns passos de Colbie e tinha uma expressão confusa. Colbie respondeu séria:


   - Mudança de planos, preciso que uma pessoa veja você chegando comigo, para dar mais veracidade a história.


   - Está falando da Gina, não é? – Luna mais afirmou do que fez uma pergunta, Colbie deu de ombros e passou a movimentar-se pelo quarto. Abrindo as persianas das janelas e deixando a rala luz do sol entrar no aposento mal cuidado. Quando se passaram cinco minutos e ela pareceu ter terminado toda a sua tarefa, respondeu cansada:


   - Sim, ela precisa ver pelos próprios olhos, senão vai continuar vindo atrás do que não deve.


   - Por que você faz tudo isso Colbie? Você sabe muito bem o tamanho da decepção que ela terá quando me ver com você. – Luna disse séria aproximando-se de Colbie, a morena deu um passo para trás e cruzou os braços, seus lábios começaram a tremer e ela sentiu novamente a fraqueza tomar conta de seu corpo. As lágrimas fizeram menção de cair, mas foram reprimidas com um suspiro pesado, assim que retomou seu controle, Colbie respondeu firme:


   - Ela precisa me odiar, precisa esquecer que eu existi e que passei pela vida dela...


   - Sim, ela precisa. Até porque você não faz muita questão de sair viva disso tudo pra ficar com ela... Eu já percebi que você está se suicidando nisso tudo, por que não pode simplesmente acabar o que tem a fazer e ser feliz com ela? – Luna perguntou timidamente, Colbie deu um soco na mesa que estava próxima a si, a morena respondeu entre lágrimas:


   - Porque depois disso, eu não vou ser mais digna de ficar com ela! Eu mudei, eu sou uma pessoa cruel e sem qualquer sentimento no peito! Ela não merece alguém como eu! Ela merece ser feliz, merece alguém que seja tão puro quanto ela é!


   - Na boa Colbie, ela não se importa com isso... O amor pode curar tudo que te machuca, claro, cicatrizes restaram... Mas com o tempo, essas cicatrizes não doem mais! – Luna disse firme e inconformada, tentando a todo custo mudar aquele pensamento sem sentido que se passava na cabeça de Colbie. O que importava era o que ela sentia por Gina, ela fazia tudo que fazia por amor e os fins justificam os meios... E ela fazia aquilo para proteger Gina, por amor, ela se arriscava e matava por amor.


   Colbie deu uma gargalhada fria e sem humor, Luna não entendia o seu lado. Ela não queria contaminar Gina com a sua própria imundice, ela queria que a ruiva achasse alguém bom de verdade, alguém que não foram corrompido por nada. Não queria justificar seus atos utilizando a única coisa pura que trazia dentro de si, não queria contaminar seu amor, tão bem guardado em seu peito, com atos horríveis como assassinato e tortura. Então, a morena sacou a varinha e disse:


   - Me desculpe Luna, mas a nossa conversa acaba aqui.


   Dizendo isso, Colbie executou um feitiço estuporante e derrubou Luna no chão. Correu para apanhar o corpo da loirinha antes que caísse ao chão e rapidamente, transfigurou a pele dela em alguns pontos para que parecesse que ela fora torturada, claro, não iria doer, mas visivelmente parecia terrível. Levantou-se com o corpo de Luna nos braços e respirou fundo saindo do quarto e indo de encontro ao que seria o pior momento da sua vida.


 


   Gina observara o sol nascer da Torre de Astronomia, refugiara-se lá para que ninguém a perturbasse e também para colocar seus pensamentos no lugar. E tudo que pensava era em Colbie. Precisava encontrá-la e lhe dizer que ainda a amava depois de tanto tempo...


   Mas então, seus olhos encontraram uma cena estranha no gramado.


   Um vulto de capa negra entrara com uma garota loira nos braços, ela logo reconheceu ser Luna. O vulto caminhava rapidamente, sem dificuldade e deixou o corpo de Luna na escada com cuidado, Gina apoiou-se no encosto da Torre quase pulando de lá diretamente na cabeça do vulto. Mas a curiosidade lhe impediu.


   O vulto observou o jardim e começou a tirar a capa...


   Gina desejou que não tivesse jamais visto a face que se escondia na capa.


   Reconheceria aquele cabelo negro em qualquer lugar, aquele cabelo que tantas vezes esteve preso em seu suor. Também conhecia aquelas mãos brancas magras e de dedos longos que dedilhavam os contornos de seu corpo durante as noites mais felizes de sua vida e principalmente, reconhecia aquele corpo que se encaixava perfeitamente ao seu, lhe aquecendo e trazendo proteção...


   A ruiva saiu da Torre e rapidamente desceu as escadas, completamente inconsciente de que estava a dezenas de metros de Colbie e Luna. Estava tão cega pela raiva que mal conseguia raciocinar direito, quando finalmente chegou ao Saguão de Entrada, do outro lado, Colbie a observava enquanto virava um corredor.


   Nos olhos da morena lágrimas escorriam sem parar e nos olhos da ruiva, nada havia além de raiva e fúria.


 


***


 


   Colbie entrou no dormitório da Sonserina jogando a capa na cama e chorando compulsivamente, arrancou alguns muxoxos impacientes das meninas que dormiam. Mas Pansy ao perceber de quem se tratava, pulou da cama e acompanhou os movimentos da morena com os olhos, escondida sobre seu emaranhado de cobertas.


   Observou Colbie agachar-se em um canto do quarto e colocar a cabeça entre as pernas, a morena chorava sem parar, parecia fraca demais, magra demais para alguém que até tempos atrás, era majestosa e imponente em tudo que fazia. Pansy levantou-se silenciosamente e Colbie presa em sua dor, não notou.


   A loira foi até onde a outra estava e sentou-se ao seu lado, Colbie então percebeu e limpou as lágrimas rapidamente. Porém, Pansy segurou seu pulso e lhe disse sorrindo tristemente:


   - Lágrimas não são sinal de fraqueza.


   - Uma pessoa como eu não deve chorar Pansy... – Colbie disse fria enquanto destinava seu olhar para algum canto qualquer do quarto, a loira deu uma risadinha triste e disse sincera:


   - Acredite, melhor chorar do que guardar tudo para si.


   - Sem lições de moral Pansy, eu não sou digna nem das lágrimas que eu mesma derrubo. – Colbie disse amarga enquanto entrelaçava as mãos, Pansy ficou em silêncio, incapaz de responder a altura. Mas então, a voz de Colbie rapidamente irrompeu no silêncio e disse sincera:


   - Você perdeu muitas coisas Pansy. Eu não mereço nada desse mundo, mas você merece.


   - O que você quer dizer com isso Colbie? – Pansy perguntou confusa, Colbie pegou a mão da loira e deu-lhe um beijo, depois sorriu e tirou algo de dentro da capa. Colocou na mão da outra e fechou-lhe os dedos sobre o objeto, era frio e pequeno. De outra parte da capa, Colbie tirou uma carta e entregou a Pansy que apanhou-a relutante. A morena continuou a lhe sorrir e disse:


   - Aqui está a redenção da Ruby e principalmente, a sua felicidade.


   - O que é isso? Você tá maluca Colbie? – Pansy perguntou confusa, mas foi em vão, porque Colbie já se levantara e preparava-se para sair novamente. Pansy apressou-se e conseguiu segurar a morena pelo pulso quando ela já saía pela porta. Colbie virou-se para ela com um sorriso triste, deu-lhe um beijo na testa e disse:


   - Não tente compreender, apenas faça.


   Dizendo isso, a morena saiu da sala e desceu as escadas rapidamente. Deixando Pansy estática no quarto segurando um frasco e uma carta. A loira abriu a carta e seus olhos correram rapidamente por ela, assim que terminou de ler, lágrimas rolaram da sua face. Ela respirou fundo e sentiu uma pena enorme de Colbie.


   A morena carregava um fardo enorme e ainda conseguia arrumar tempo para salvar outras pessoas da Guerra.


 


***


 


   Gina caminhava de um lado para o outro na Ala Hospitalar, imersa em um turbilhão de pensamentos que não conseguia compreender. Se Luna acordasse rapidamente, poderia lhe explicar o que estava acontecendo e se o que vira era realmente verdade. A ruiva estava com Neville que não parava de lançar a ela olhares preocupados e também, superiores, como se estivesse ali a prova clara de tudo que ele tentara lhe avisar.


   Logo que vira Luna sendo deixada no Saguão, ela saiu em perseguição atrás de Colbie, submersa em tanta raiva que mal conseguia pensar direito. Mas assim que a sensação do momento passou, ela foi invadida por uma dor terrível, a dor da traição e da decepção preencheu todas as partes de seu corpo e ela desabou, indo buscar ajuda em Neville e revelando a ele o que vira.


   A princípio, o rapaz ouvira tudo silenciosamente, mas depois, disse que já esperava isso de Colbie e que perdoava Gina por estar tão cega. E realmente, a ruiva odiava admitir que estava cega. Agora que tudo se comprovara e ela vira quem Colbie era, ela não conseguia enxergar nada além da Comensal cruel e sádica.


   As portas da enfermaria onde Luna fora levada abriram-se. Madame Pomfrey saiu com uma expressão satisfeita e disse que ambos poderiam entrar, Gina saiu na frente, praticamente correndo de encontro a amiga que lhe sorria da cama. A ruiva deu-lhe um abraço e disse chorando:


   - Achamos que tínhamos te perdido!


   - Hey, calminha aí... Sou dura na queda Gina! – Luna respondeu rindo da reação da amiga enquanto lhe afagava os cabelos cor de fogo, Neville lhe deu um aceno e logo em seguida lhe lançou um olhar inquisidor, perguntando sobre Colbie, a loira não retribuiu o olhar e observou Gina limpar as lágrimas e perguntar séria:


   - O que foi que houve Luna?


   - Aquele dia que nos separamos em Hogsmeade, bem... Me apanharam pelas costas e eu apaguei, acordei em um quartinho escuro e amarrada. – Luna disse receosa enquanto observava as reações dos amigos, tanto Neville como Gina pareciam interessados e ela tinha medo que a ruiva tivesse visto Colbie com ela. Aliás, estava irritada com Colbie, ela nem ao menos sabia terminar uma conversa decentemente. Gina respirou fundo e lhe lançou um olhar que dizia mais do que palavras, Luna temeu o que viria a seguir e a ruiva perguntou:


   - Quem te fez isso?


   - Não sei Gina, me pegaram por trás e estavam todos mascarados. – Luna respondeu tentando parecer o mais sincera possível, mas ouviu sua voz tão mentirosa que duvidou que os outros dois acreditassem nela. Gina bufou impaciente e disse:


   - Diga a verdade, por favor.


   Luna ficou calada e um silêncio penetrante preencheu o local. Gina observava cada parte do seu corpo com determinação, Luna achava tudo muito estranho, via cicatrizes horríveis em sua pele, mas não sentia absolutamente nada. Talvez fosse mais uma de Colbie para tornar a situação ainda mais realista para Gina. A ruiva perguntou mais uma vez:


   - Quem te fez isso?


   Luna quebrou o contato visual e encarou o teto, sentiu Gina levantar-se de sua cama e caminhar em direção a porta. Rapidamente perguntou assustada:


   - O que você vai fazer?


   - Estou decepcionada com você Luna, esperava que você quisesse mandar ela pro fim do mundo depois do que houve! – Gina disse fora de si, Neville aproximou-se dela tentando contê-la em vão. A ruiva desvencilhou de seu aperto e Luna fez uma cara piedosa, não conseguindo murmurar nenhuma palavra, nunca vira Gina daquela forma. Neville observou a ruiva ir até a porta e perguntou estupefato:


   - Aonde você vai?


   - Acertar contas. – Gina respondeu decidida sacando a varinha e saindo da Ala Hospitalar, Luna e Neville entreolharam-se tristes sem saber o que fazer.


 


   Colbie estava numa posição estratégica na saída da Ala Hospitalar, viu quando Gina saiu de lá completamente fora de si e também viu quando os olhos castanhos lhe encontraram no meio da multidão de alunos que se arrastava para ir tomar café. A ruiva veio ao seu encalço, com varinha em punho, quando estava bem próxima, Colbie virou-se na direção contrária e apressou o passo em direção aos jardins, mais especificamente, em direção a orla da Floresta Proibida.


   Caminhou a passos rápidos, ouvindo os passos de Gina na grama fofa e sentindo o orvalho molhar suas meias. Colbie apertava os punhos, tentando canalizar seus sentimentos e colocar a melhor máscara fria que poderia talhar.


   - Summers! – Colbie ouviu a voz furiosa de Gina em suas costas, virou-se rapidamente e recebeu um feitiço que a derrubou no chão. Era um feitiço estuporante, mas Gina estava tão furiosa que mal conseguia se concentrar no que fazia. Colbie sentiu uma dor no peito e caiu no chão retomando fôlego. Viu os sapatos de Gina entrarem em seu campo de visão, a ruiva suspirou e perguntou irritada:


   - O que você fez?!


   Colbie ia responder, mas algo dentro de si lhe informou que tudo seria mais fácil se ela continuasse calada, era fria e insensível, mas não a ponto de mentir na cara dura para Gina. Sem contar que precisava que Gina acreditasse que não prestava e o silêncio era a melhor forma de afirmar isso. A ruiva bufou impaciente e esperou Colbie se levantar, a morena permanecia com os olhos baixos, Gina aproximou-se totalmente fora de si e deu um tapa na face de Colbie. A morena não reagiu.


   - O QUE VOCÊ FEZ?! – Gina gritara dessa vez, talvez pensasse que Colbie precisasse de um susto para cair na real. Mas a morena continuou calada e Gina enfurecia-se cada vez mais diante da frieza que a outra demonstrava diante de um assunto tão sério.


   Pensamentos conflituosos povoavam a mente da ruiva... Será que Colbie não percebia que ela não queria acreditar no que vira? Será que Colbie não percebia que Gina só queria acreditar no melhor que ela representava? Parecia que não. Colbie mal fazia questão de se defender.


   Gina afastou-se dela retomando a calma e conseqüentemente, a racionalidade. E então, sentindo-se mais calma ela viu o peso do que vira cair sobre suas costas e derrubar todas as certezas e todas as razões que a fazia estar na Guerra. Não tinha mais pelo que lutar, tinha perdido a coisa mais importante que guardava dentro de si, aquilo que a fazia levantar-se todas as manhãs e acreditar num mundo melhor.


   Doía admitir, mas ali encostada naquela árvore na orla da Floresta Proibida e observando Colbie, percebeu que perdera a morena para sempre. Observava a garota que tantas vezes lhe protegera transformada em um individuo calado e frio, se ela ainda tinha algum sentimento por Gina, ela escondera-os perfeitamente bem. Gina sentiu a fúria invadir-lhe novamente, mas não era por Colbie e sim, pela Guerra.


   Ela aproximou-se de Colbie rapidamente com passos desajeitados e derrubou a garota na grama, caindo em cima dela devido a sua fraqueza emocional. Ela colocou a cabeça no peito de Colbie, sentindo por alguns momentos a sensação de reconhecimento de seu corpo pelo dela e também, a segurança. Depois, com a voz embargada perguntou:


   - Por que você fez isso?!


   Colbie não respondeu, as lágrimas começaram a cair de seus olhos e ela mal conseguiu raciocinar enquanto sentia Gina chorar. As lágrimas dela molhavam sua camiseta e ela sentia seu peito arder, a dor de Gina era a sua dor e a sua fraqueza, odiava admitir, mas mesmo longe, a ruiva influenciava sua vida de uma forma absurda. Colbie não raciocinou muito bem e apenas afagou os cabelos ruivos de Gina, depois lhe deu um beijo no topo da cabeça.


   Mal conseguia falar, mal conseguia pensar. A única coisa que sentia era a dor, a dor das lágrimas de Gina e de ser a razão do derramamento delas e também, a dor de um adeus que parecia cada vez mais próximo. A ruiva parou de chorar e começou a soluçar, a respiração retomou o ritmo normal e ela sentiu o golpe da realidade cruel em que vivia.


   Não podia estar ali, deitada com uma sonserina, ainda mais depois do que presenciara ainda cedo. Colbie não era a mesma, em alguma parte daquele corpo, a sua Colbie estava aprisionada por ódio, crueldade e insensatez. A ruiva levantou-se rapidamente e observou Colbie fazer o mesmo, depois respirou fundo limpando as lágrimas com dificuldade e disse:


   - Eu não posso mais te amar.


   - Eu sei. Nem deve. – Colbie respondeu rapidamente com a voz mais fria e irônica que conseguiu produzir e que agora, Gina percebera o tamanho da ironia. Sentiu raiva novamente e apertou a varinha em punho, depois respirou fundo e disse:


   - Eu não vou continuar a insistir em algo que pra você não tem mais valor, finalmente você conseguiu provar o ser humano terrível que é. Você não mede mais esforços pra agradar Voldemort, passa por cima de tudo e todos, inclusive do amor que você disse sentir por mim.


   Dizer que aquelas palavras não atingiram a máscara de mármore de Colbie seria hipocrisia. Os olhos verdes da morena semicerraram-se e ela controlou-se para não dizer a Gina o que estava fazendo, mas depois pensou no futuro e tudo o que menos queria era que a ruiva chorasse a sua morte. Vendo a falta de reação de Colbie, Gina continuou ainda mais cruel:


   - Você só me fez mal... Me fez mudar e agora, me abandona a própria sorte. Isso não te faz diferente de nenhum outro comensal Summers! Você é tão nojenta quanto eles, tão cruel quanto eles e principalmente... Tão podre por dentro quanto eles, você nem tem coração para me amar! Faça-me o favor de não morrer nessa Guerra, porque quem vai matá-la será eu.


   Dizendo isso, Gina aprumou a postura e saiu caminhando em direção ao castelo. Colbie sentiu-se sozinha novamente, só que dessa vez foi pior. O vazio que ela sentiu foi desgastante, ao menos das outras vezes sabia que Gina a esperava, mas dessa vez não, a ruiva levava um pedaço de si consigo e ela sentia aquele vazio arder e preencher-se de dor a cada minuto que passava.


   Inevitavelmente, as lágrimas rolaram. Ela ajoelhou-se na grama e chorou como nunca chorara em vida, nem quando o pai falecera. As lágrimas ardiam em sua pele, provocando uma dor insuportável e ela não agüentou fraquejando o próprio corpo em direção ao chão. Deitada ali, observando o dia clarear aos poucos e sem nenhuma esperança, foi que ela percebeu que tudo que queria para Gina se realizara.


   A ruiva a odiava e queria matá-la.


   Ironicamente, sorriu diante disso. Não faria mal morrer pelas mãos de quem amava.


   Levantou-se da grama e a chuva começou a cair sob seus ombros, quando saiu da orla, ainda pode ver os cabelos ruivos de Gina antes de entrar no castelo. Se ela achara que se acostumaria com aquela dor, enganou-se, porque as lembranças irromperam em sua mente e fizeram-na mais uma vez encostar-se em uma árvore para manter o equilíbrio. As gotas de chuva molhavam sua face e talvez fosse por isso que não se percebia qualquer choro.


   Então, Colbie ouviu um estrondo vindo de dentro do castelo. Saiu correndo até lá, limpando as lágrimas e reassumindo seu disfarce.


 


***


 


   Muito longe dali, Remo Lupin trabalhava com uma série de mapas sobre uma escrivaninha já desgastada pelo tempo. O local onde estava era uma casa repleta de mofo e com um cheiro de podridão. Tonks entrou no local sem pedir licença e disse afobada:


   - Remo, uma garota foi morta em Hogwarts.


   - E quem é? – Remo perguntou alarmado enquanto apanhava a capa e a varinha ao mesmo tempo. Tonks pigarreou e disse:


   - Pansy Parkinson.


   Remo ficou alarmado, Colbie Summers estava realmente louca, ou talvez, estava realmente desesperada para salvar os inocentes daquela Guerra, afinal, a escola seria esvaziada e restariam ali, apenas os comensais e os homens de Dumbledore. Um cenário ideal para uma batalha final. O homem ajeitou a capa sobre os ombros e disse severo:


   - Deixem todos sobre aviso, a batalha vai estourar a qualquer momento.


 


***


 


E então? O que acharam? *-*


Eu particularmente acho este um dos melhores capítulos de toda a fic e um dos melhores que eu já escrevi! Comentem viu?


E antes que me perguntem, sim, a fic tá acabando =/


Até a próxima, beijos!

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