Harry não tardou a rumar para o castelo de Krum para informá-lo pessoalmente sobre o ocorrido. Era uma explicação a um suserano, como ele, e Harry tratava quem fosse do seu nível como queria que eles o tratassem. Enviar um mensageiro com a notícia do desfecho da batalha com Draco não teria bastado, e Harry sempre cumpria com seu dever.
Conversou muito pouco com Gina nos dois dias que levou para preparar-se para essa viagem e também não interagiu muito com ela de outras formas. Partiu de Weasley sabendo que sua esposa pensava que ainda estava furioso com ela e, embora ele sofresse muito por testemunhar a mágoa e o silêncio dela, lembrou-se de que tudo tinha sido para seu próprio bem. Se essa lição lhe pudesse ensinar a ser cautelosa, então teria valido a pena suportar a dor. Todavia, muito embora ele escondesse seus verdadeiros sentimentos por ela, não pôde resistir a puxá-la para si e lhe dar um beijo intenso e apaixonado antes de partir.
Dumbleodor assistiu à despedida de marido e mulher com um contentamento silencioso. Sempre tinha considerado Gina muito inteligente, e estava surpreendido pelo fato de ela não conseguir perceber quais eram os verdadeiros sentimentos do marido. Será que não via o amor irradiando dos olhos do esposo? Era muito evidente, para todos que tivessem capacidade de raciocinar, que aquele homem estava claramente apaixonado pela esposa!
Gina sempre costumava a imitar as características do esposo, a sua personalidade, mas ultimamente andava agindo mais como um animal que havia levado uma surra do que como o gato-do-mato que tinha sido ao crescer.
O avô já tinha decidido interferir, sabendo que não devia e sem se importar nem um pouco com isso. Trataria de alegrar a neta de forma que ele pudesse também se sentir feliz. Sim, admitiu, seus motivos eram, de certa maneira, egoístas.
Dumbleodor deixou Gina sozinha durante todo aquele longo dia, e esperou até se sentarem no salão silencioso para jantar. Harry tinha levado metade do contingente de soldados do castelo consigo, incluindo o mais novo amigo de Dumbleodor, Sirius, e o silêncio, depois de tanto caos que a presença de Harry provocava, era perturbador.
— Eu te desafio para um jogo de xadrez, Gina — declarou Dumbleodor depois que a refeição foi servida.
— Infelizmente não vou ser capaz de pôr meu coração neste jogo — respondeu Gina com um suspiro cansado. Ela estava se entregando à melancolia, agora que Harry não estava presente para testemunhá-la, e gostando muito desse desalento, segundo Dumbleodor observou.
— Não desejo que ponhas teu coração no jogo — disse Dumbleodor enquanto ordenava as peças do baú de madeira sobre a mesa — Só que uses a cabeça. Em tudo deves usar a cabeça, minha neta.
— Pareces até meu marido — respondeu Gina. — Que tens em mente? — perguntou, olhando o avô desconfiada. Deslocou um peão para começar e tentou se concentrar.
— Deixas teu coração ditar tuas ações, só isso — Dumbleodor declarou presunçoso. Estava querendo irritá-la e, pela cara que ela fez, viu que tinha conseguido.
— Não deixo não!
Dumbleodor deslocou seu peão para a casa pretendida com uma risadinha baixa, sem mostrar que tinha percebido o protesto.
— Gina, não tenta enganar este velho. Já estás de luto desde o momento em que teu marido saiu de perto de ti. É extremamente difícil falar contigo, pois tua cabeça está escondida em teu peito enquanto andas em círculos. O amor não precisa ser tão deplorável assim.
— Deplorável? Pareço-te deplorável?
— Não repitas o que te digo feito papagaio. Ages como teus cães de vez em quando, juro — disse ele, dando um sorriso amarelo diante da expressão de ódio no rosto da neta. Ele podia entender por que Harry gostava de esgrimar com a esposa, pois era fácil provocar Gina.
— O que desejas me dizer? — exigiu Gina. Fez uma jogada ousada, movendo um dos cavalos e tamborilando com os dedos na mesa quando Dumbleodor rapidamente comeu a peça. Ele ganharia o jogo em pouco tempo se ela não prestasse atenção no que estava fazendo. — Dize-me, de uma vez, para eu poder prestar atenção neste jogo. Já te derrotei antes, meu avô — recordou-lhe ela. — E te derrotarei de novo esta noite.
— Ah! — bufou o avô achando graça. — Infelizmente não me vencerás, mocinha. Teu coração não está no jogo.
— Meu coração nada tem que ver com isso — retrucou Gina, enquanto via Dumbleodor comer-lhe mais um peão.
— Disseste ao teu marido que o amas? — perguntou Dumbleodor de repente, proferindo a pergunta com a velocidade de um falcão atacando sua presa inocente.
— Não estou disposta a falar do meu marido — respondeu Gina raivosa, olhando fixamente o tabuleiro na tentativa de fingir que o assunto não a interessava.
Dumbleodor não ia cair nessa. Seu punho bateu com força na mesa, sacudindo tanto suas peças quanto as de Gina sobre o tabuleiro de xadrez.
— Dá-me tua atenção quando falo contigo — exigiu. — Sou mais velho, e seria bom te lembrares disso. Desejo discutir o assunto e tu vais obedecer-me, sim — acrescentou ele com voz de trovão.
— Pois muito bem — respondeu Gina mordida pela raiva do avô. — Não sei como chegaste à conclusão de que amo meu marido, mas — acrescentou quando viu o avô prestes a interromper — é verdade. Eu o amo, sim.
— E por acaso comunicaste isso a ele?
— Sim, eu lhe disse que o amo. — Gina recolocou as peças na posição em que estavam antes e disse: — É sua vez, meu avô.
— Quando eu estiver preparado — respondeu Dumbleodor. Sua voz agora estava mais calma, e Gina olhou para ele para lhe interpretar os motivos. — Harry gostou de ouvir tua declaração?
A pergunta abriu a ferida de Gina, fazendo-a sentir de novo toda a mágoa e a raiva de antes.
— Ele não gostou! — Apressou-se em negar que ele tivesse gostado, sem esconder do avô que estava sofrendo por isso. — Ele não quer saber de amor, nem de afeto. Disse-me isto com essas exatas palavras. — declarou quando Dumbleodor se mostrou incrédulo. — Devo guardar meu amor e afeto para meus filhos. O amor enfraquece o espírito — explicou ela. — Fica sabendo, meu avô, que meu marido não tem sentimentos. — E depois se corrigiu, resmungando: — A não ser a raiva.
— Ahááá! — Dumbleodor quase gritou de júbilo. — Aí é que está a solução, imagino.
— Não entendo — respondeu Gina, franzindo o cenho. — Divertes-te com minha tristeza e me falas de um jeito misterioso para mim. Harry vive zangado, e eu já estou cansada disso. Ele é inflexível, irracional e indiferente. Vou te dizer o que estou pensando em fazer, avô. Vou tentar deixar de lado meu amor por ele. Sim! Eu vou mesmo, estou te avisando. É inútil continuar. Sou como um cavaleiro cercado por um exército inimigo e reconheço minha derrota.
— Bobagem, meu amor. Põe essa tristeza de lado. Estou para te contar um segredo. Teu marido te ama. — Dumbleodor riu da reação da moça a essa declaração. A descrença estava em seu olhar, a raiva também. — Antes de terminarmos este jogo aqui, vou te provar isso — prometeu. — Mas preciso ter tua completa colaboração sobre o assunto. — Aguardou o meneio de cabeça de Gina concordando e, quando ela finalmente concordou, ele continuou em um tom bastante tranqüilo: — Agora me diga o que houve quando tentaste salvar o vassalo do afogamento. Conta-me tudo, não omitas nada.
Gina sabia que seu avô estava em uma das suas crises de teimosia. Foram seu maxilar contraído e o tom de voz que agora lhe revelaram que era melhor fazer o que ele lhe pedia, senão ia passar a noite inteira sentada àquela mesa. Tão rápido quanto lhe foi possível, ela recitou o ocorrido, incluindo a informação de que tinha matado inimigos com suas próprias flechas — fato que causou um largo sorriso no rosto do avô, segundo ela percebeu — e terminando a história com a reação inteiramente insatisfatória do marido ao que ela havia feito.
— Achei que ele ficaria muito grato com minha ajuda, mas ele não ficou.
— Dize-me o que ele fez — persistiu Dumbleodor. Agora ele é que estava tamborilando na mesa com os dedos, sua impaciência com a neta era evidente.
— Não sei o que queres — protestou Gina. — Ele ficou zangado e começou a berrar, é claro, sempre grita comigo, e não me deixou explicar meus motivos.
— Não entendeste a pergunta, filha — insistiu Dumbleodor com toda a delicadeza. Ele notou que a conversa estava deixando-a transtornada, mas sentia que precisava continuar. Escolhendo as palavras com todo o cuidado, disse: — Ele te tirou da água pelos cabelos? Jogou-te no chão e te deu pontapés?
Gina arquejou ao ouvir essas perguntas absurdas.
— Ele jamais encostaria a mão em mim. Sabes disso, avô, sabes que ele é honrado e...
O lento sorriso do avô lhe interrompeu o protesto.
— Procura recordar o que ocorreu outra vez e me conta todos os detalhes, desde o momento em que te jogaste na água.
— Insistes, então? — perguntou ela sem querer obedecer.
— Insisto!
— Pois muito bem. Ele me tirou da água, mas não pelos cabelos — disse, sacudindo a cabeça —, pelo menos acho que me tirou da água, e aí, na frente dos homens, começou a me sacudir com tanta força que pensei que meus dentes iam se soltar todos. Foi muito constrangedor, na frente dos soldados, a forma como ele me sacudiu — disse ela ainda mais irritada.
— Prossegue — incentivou Dumbleodor.
— E aí ele... — os olhos de Gina arregalaram-se de espanto quando ela se lembrou. Devagarinho seu rosto se descontraiu, e uma centelha de esperança lhe surgiu no olhar.
Dumbleodor testemunhou essa mudança e suspirou. Sua neta estava começando a cair em si.
— E aí ele fez o quê? — indagou Dumbleodor procurando ao máximo conter o riso.
— Aí, ora, ele me apertou contra ele e me abraçou. É verdade. Eu estava chorando tanto que não ouvi o que ele estava dizendo. — Gina agarrou a mão de Dumbleodor e começou a sorrir. — Deus é testemunha, ele me tratou feito uma boneca de trapos, meu avô. Primeiro me sacudia, depois me abraçava, depois voltava a repetir essa tortura sem parar. Era como se ele não conseguisse decidir o que fazer.
— É, foi assim que Sirius me disse que aconteceu — confirmou Dumbleodor, sorrindo de orelha a orelha. — E agora mesmo — acrescentou com voz firme — acabei de ouvir-te acusando-o de ser inflexível, irracional e indiferente.
— Disse sim — admitiu Gina. — Eu só quis ser honesta — explicou.
— Com todos, menos contigo mesma — emendou Dumbleodor. — Não vou mais te interrogar, Gina. Vais começar a usar tua cabeça daqui por diante e encontrar tua própria solução.
— Dize-me o que pensas — suplicou Gina.
— Meus pensamentos não significam nada — esquivou-se Dumbleodor. A cara de decepção de Gina o fez abrandar. — Muito bem. Para mim é muito simples. O homem te ama, queira ele ou não.
— Se o que dizes é verdade — respondeu Gina —, então ainda resta um problema.
— Que é...?
— Ele ainda não sabe disso.
— Então será teu dever instruí-lo — declarou Dumbleodor com um brilho no olhar.
O jogo de xadrez prosseguiu, mas Gina não conseguiu concentrar-se no que estava fazendo. Sua cabeça estava ocupada, tentando pensar em um plano de ação para lidar com seu marido, o que lhe exigia toda a sua atenção.
— Vovô? — interrompeu ela a certa altura. — Harry acha que fui desleal para com ele e eu não sei como mudar esse seu modo de pensar — admitiu ela.
— Com o tempo essa atitude dele vai se suavizar. Teus motivos eram puros, minha filha, e ele certamente vai perceber isso bem rápido — respondeu o avô, enquanto refletia sobre a próxima jogada.
Gina pensou nas palavras do avô, depois voltou a interromper-lhe a concentração.
— Sempre me ensinaste a elaborar algum plano antes de uma mudança. Estou achando que poderia...
— Não me contes o que pretendes fazer — interrompeu-a Dumbleodor. — Não quero tomar conhecimento dos teus engodos.
— Engodos! Tu me envergonhas, avô. Eu tratarei meu marido com honra. Sempre — declarou enfática. — Se Harry me amar de verdade, então o que planejo será extremamente honroso.
— Xeque-mate!
— O que disseste?
— O jogo, Gina. Eu venci.
— Não, meu avô — negou Gina com um sorriso. — Eu é que venci.
— Como assim? Capturei tua rainha e teu rei não tem para onde ir. Venci a partida.
— Sim, isso é verdade — reconheceu Gina balançando a cabeça. — A vitória é tua, sim... Mas o cavaleiro é meu...
Enquanto Harry estava longe de Weasley, Gina preparou seus pertences para a transferência ao castelo do marido. Foi extremamente difícil. Cada manhã, ao despertar, Gina enfrentava ondas de náusea. A bile lhe subia até a boca, e seu estômago virado costumava derrotá-la na maioria das vezes. Gina viu-se comendo cada vez menos, pensando em eliminar a toxina que tinha misteriosamente lhe atacado o estômago, e descansava várias vezes durante o dia para recobrar as forças.
Ela não ousou usar um colar de alho em torno do pescoço para se proteger, pois queria esconder seu mal-estar do avô. Não queria que se preocupasse, mas não podia deixar de se preocupar. A doença era mesmo muito estranha, pois depois da luta de todas as manhãs para conter a náusea ela, de repente, se sentia completamente normal. Até a noite, quando todos os sintomas voltavam.
Atribuía seu mal-estar ao fato de Harry estar longe de casa. O amor estava lhe transtornando o corpo assim como a mente, concluiu ela. Mesmo assim, quando Harry voltou a Weasley, sete dias depois, Gina não melhorou nem um pouco. O marido estava ocupado demais com os preparativos para a mudança para dar muita atenção a Gina. Ela se viu ao mesmo tempo feliz e contrariada pela falta de atenção do marido. Logo ficou óbvio que ele estava tentando evitá-la, até mesmo para os menos astutos. Ele ia se deitar bem depois de Gina ter adormecido, e saía antes de Gina abrir os olhos de manhã.
Ela procurava dar a impressão de calma por fora, enquanto o estômago continuava a lhe fazer uma verdadeira guerra por dentro, ganhando nova força a cada vez que seu avô lhe dava uma piscadela ou um sorriso. Cada sinal de cabeça, cada sorriso lhe recordava aquela conversa... um reconhecimento de que seu marido realmente a amava.
Meu Deus, mas ele era teimoso demais! Será que ainda estava zangado a ponto de mal olhar para ela quando estavam no mesmo aposento? E nem sequer a tocava desde que tinha retornado. O coração dela doía tanto quanto seu estômago quando ela percebia o quanto precisava dos seus beijos, do seu abraço, do seu amor.
Gina viu-se lutando para se controlar na manhã em que ela e Harry deviam partir para seu novo lar. Estava quente demais para ser início de verão, e ela estava se sentindo muito deprimida ao se despedir. Sabia que o marido não ia gostar se demonstrasse muita emoção, e ficou procurando se recordar disso enquanto fazia cócegas no irmãozinho e o abraçava, voltando-se depois para o avô.
— Vou sentir saudades tuas — disse-lhe baixinho.
— Tu te lembraste de colocar teu estandarte no baú? — perguntou o avô. — Uma pequena lembrança de teu passado te ajudará a enfrentar a incerteza do futuro.
— Lembrei-me, sim — respondeu Gina. — Eu te amo, avô. Deus te proteja e proteja Rony também.
Seu avô abraçou-a com força e depois a ergueu, colocando-a sobre a égua.
— Passaste por muitas coisas nestes últimos meses, minha filha — declarou Dumbleodor em voz mansa. Ele pegou a mão dela e a apertou. — Contudo tens muita coragem. É vontade de Deus que sigas teu destino e teu marido. Os dois estão entrelaçados, como a hera que trepa pelas muralhas do castelo. Não temas, Gina. E lembra-te, confia em teu coração, mas usa a cabeça.
Gina sorriu diante da ordem absurda do avô, então respondeu:
— Farei todo o possível.
Harry ficou assistindo à despedida da neta e do avô dos degraus de Weasley. Sentia orgulho da esposa, sabendo como ela estava contendo suas emoções. Ela parecia muito digna e serena; sim, pensou ele, tem os modos régios de uma rainha; no entanto ele sabia como era difícil aquela separação para ela. Estava deixando para trás tudo que lhe era familiar para seguir o marido, um homem que ela considerava incapaz de sentir qualquer emoção a não ser raiva.
Harry admitia que gostava da terna demonstração de afeto entre Dumbleodor e Gina, e percebeu que se sentia irritado por apenas observar e não participar. Mesmo assim não sabia como tomar parte naquela cena de despedida e, portanto, continuou ali parado, olhando com uma expressão sorumbática no rosto.
Neste momento, Rony exigiu a atenção do guerreiro. O menino pulou na perna de Harry, mal tocando o suserano com sua força insignificante. Harry ergueu-o bem alto, sem esforço, e depois o abaixou devagar até os olhos de ambos estarem no mesmo nível.
— Vais comportar-te e obedecer ao teu avô! — Sua voz soou áspera aos seus ouvidos, mas o garoto não pareceu ter medo. Sorriu e assentiu, expressando sua concordância.
Harry fingiu que deixaria Rony cair, e o garoto soltou um gritinho de prazer. Então o Lorde pôs o menino no chão e pareceu não se incomodar quando o pequeno abraçou sua perna. No fundo, ele gostou de o menino demonstrar-lhe afeto de modo tão franco e sincero, e lhe afagou a cabeça enquanto olhava para Dumbleodor que se aproximava.
— Tomarei conta de Rony muito bem — disse Dumbleodor.
— E eu da tua Gina — prometeu Harry em tom solene.
— E então ambos estaremos competindo de forma sadia — disse Dumbleodor com uma risadinha.
Harry pegou-se sorrindo, e então se virou para olhar de soslaio para Gina. Viu a agonia que ela procurava ocultar.
— Preciso me apressar, antes que minha esposa mude de idéia e se recuse a partir — disse ele a Dumbleodor. Começou a dirigir-se à sua montaria, e aí parou e se virou de novo para Dumbleodor. — Ainda há risco enquanto Pettigrew estiver livre. Toma tuas precauções — disse ele. Era o mais perto que Harry podia chegar de admitir sua preocupação e afeto.
Dumbleodor, porém, não tinha esse tipo de inibição. Deu um vigoroso tapa nas costas de Harry e passou o braço em torno do seu ombro.
— Filho, tu vais sentir falta deste velho — informou ele ao sisudo cavaleiro.
Harry soltou uma risada de leve e respondeu sacudindo a cabeça:
— Nunca me vi cercado por tantos vassalos destemidos. É um mistério — admitiu.
— É porque somos todos da tua família — disse Dumbleodor.
— Sim — disse Harry montando no corcel. — Da família.
Lançou a Gina um olhar demorado e virou-se para o portão. Sirius estava ao lado de Harry, e os dois, flanqueados pelos cães de Gina, lideraram as tropas que cercavam Gina, saindo de Weasley.
Harry deixou metade de seu contingente de homens com Dumbleodor e isso o fez ficar tranqüilo. Olhava para a frente ansioso pela viagem.
Gina preferiu olhar para trás, procurando memorizar as muralhas de seu lar. O futuro a assustava, e ela sentia uma solidão devastadora que lhe partia o coração.
Seu desconforto físico logo lhe afastou a mente da solidão. Parecia-lhe que a cada hora, mais ou menos, precisava esvaziar tanto a bexiga quanto o estômago. Era ao mesmo tempo inconveniente e constrangedor ter de parar com tanta freqüência. Ela devia ter encontrado uma aia para trazer consigo, pensou. Outra mulher teria lhe aliviado o constrangimento e, talvez, dividido com ela suas preocupações.
Quando o sol chegou ao seu zênite, Gina sentiu calor, depressão e cansaço. Fechou os olhos para descansar um segundo e quase caiu do cavalo, porém Harry subitamente surgiu ao seu lado e a amparou exatamente neste momento. Ele a ergueu e a acomodou contra si sem deter o cavalo. Gina suspirou, mostrando que aceitava sua proteção, e rapidamente adormeceu a cabeça aninhada contra o peito do marido e os braços em torno da sua cintura.
Com um braço, Harry segurava a esposa junto de si saboreando a sensação boa que era a maciez dela contra seu corpo. Ela cheirava a flores silvestres, pensou Harry esfregando o queixo contra o alto da cabeça da moça enquanto inalava seu aroma adocicado, e também a maçãs, como as do parco almoço que tinham dividido. Ouviu a esposa suspirar durante o sono, e silenciosamente imitou o som.
Gina dormiu durante toda a tarde. Harry finalmente mandou todos pararem uma hora antes do pôr-do-sol. As pernas da jovem não a sustentaram quando ela tocou o chão, precisando segurar-se no braço de Harry até o tremor passar.
— Estás enferma? — Harry fez a pergunta parecer uma acusação, e Gina empertigou-se na mesma hora.
— Não estou não! — contradisse ela. — Só meio indisposta. Vai passar.
Ela tentou desviar o olhar, mas Harry pôs as mãos nos ombros dela e a puxou para si. Era a primeira mostra de atenção em tanto tempo que Gina se viu tímida.
— É época das tuas regras? — indagou ele baixinho.
A timidez desapareceu quando ela ouviu essa pergunta íntima. Gina arquejou e sacudiu furiosamente a cabeça.
— Não podemos falar dessas coisas — disse corando. — Não é direito.
Ela tentou afastar-se de Harry, entretanto ele não a soltou.
— Se marido e mulher não discutirem essas... coisas, então como vou saber quando posso te tocar? — perguntou como se fosse um raciocínio lógico.
— Ah! Eu não sei — Gina murmurou olhando para o chão. Uma idéia súbita, porém, fez seu olhar voltar-se para o marido. — E por isso que não tens, esse é o motivo pelo qual não temos... — gaguejou ela, incapaz de expressar seus pensamentos. Ela aguardou, na esperança de que Harry terminasse a frase, mas ele continuou calado e vigilante. — É por isso que não tens me tocado? — finalmente perguntou.
A voz dela parecia o sussurro da brisa, mas Harry a ouviu.
— Não — respondeu. Sua voz era meiga, confundindo bastante Gina.
— Então ainda estás zangado comigo? — perguntou Gina. — É por isso? — Em seu coração, ela rezava para estar certa, para ser a raiva de Harry por seu comportamento que o fazia evitar de a procurar no leito conjugai. Ela não sabia como iria encarar qualquer outro motivo. E se ele não a considerasse mais desejável...
Harry assistiu às emoções desencontradas que transpareciam no rosto da esposa e sentiu vontade de abraçá-la e beijá-la até dissipar todas as suas dúvidas, suas preocupações. Ele mal conseguia disfarçar sua fome de possuí-la. Sua promessa de esperar até Gina ter se acostumado com o novo lar antes de contar que a amava, antes de mostrar a ela seu amor agora não lhe parecia nada razoável. E, ademais, Harry lembrou-se com um sorriso, ele sempre se comportava de modo razoável, não?
Gina testemunhou o sorriso e ficou muito mais confusa. O que ele estava pensando que lhe trazia ao rosto um sorriso assim? perguntou-se. Será que um dia entenderia como a cabeça do Harry funcionava?
— Vem, Gina. Acampamos perto de um regato muito límpido. Vem refrescar-te enquanto cuido das minhas tarefas.
— Posso tomar um banho? — perguntou Gina com grande expectativa. Suas roupas lhe pareciam quentes, e ela sabia que estava coberta de uma crosta de poeira. Ergueu os cabelos pesados, arejando a nuca e deixando a brisa suave lhe refrescar o pescoço.
— Depois de comeres — disse Harry. — Aí encontrarei um lugar bem reservado para poderes te banhar. — O modo como sua esposa ficou parada segurando o cabelo no alto da cabeça fez seus seios sobressaírem através do tecido do vestido, e Harry teve de fazer força para não agarrá-la.
— Então esperarei ansiosa — respondeu Gina. Ela virou-se e foi para o regato, não querendo atrapalhar seu marido enquanto ele desempenhava suas tarefas.
Eu também, pensou Harry com uma expectativa cada vez maior. Esta noite, meu amor, abrirei meu coração para ti e o dividirei contigo, esta noite e para sempre.
— Meu senhor? — a voz de Neville intrometeu-se nos pensamentos de Harry, e ele virou-se ao escudeiro com um grunhido de frustração. — Desejas que tua tenda seja armada no meio do acampamento?
— Esta noite não, Neville — respondeu Harry. Relanceou os olhos em torno de si e depois indicou uma área entre as árvores. — Com as árvores atrás de mim, longe dos homens — decidiu. — E apressa-te, Neville. O jantar deve estar pronto e minha cama feita o quanto antes.
Neville confirmou que entendera a ordem com a mão sobre o coração, e virou-se depressa para cuidar dos preparativos.
Pareceu que tinha se passado uma eternidade antes que a carne-seca, as frutas e o pão estivessem dispostos à sua frente. Levou Gina até a tenda e a acomodou ao seu lado, tratando de obrigá-la a comer pelo menos um pouco.
— Pareces estar com muita pressa, senhor — declarou Gina. — Estás querendo dormir cedo hoje? Eu poderia tomar meu banho outra hora, se não for conveniente.
— Não! — respondeu Harry áspero. — Termina de comer agora e pega tua capa e tudo o mais de que necessitares. Precisamos acabar antes que o sol se ponha.
Gina correu a procurar as essências perfumadas para o banho, a capa e, depois, seguiu Harry. Ele parecia irritado e impaciente com ela, entretanto Gina, após virar o cérebro ao avesso, não conseguiu encontrar nada que justificasse tal comportamento. Ela corria para poder acompanhar Harry, mas recusou-se a perguntar por que toda aquela pressa. Se ele desejava que ela soubesse o que passava pela cabeça dele, então devia lhe dizer. Ela tinha aprendido isso durante o pouco tempo de vida a dois, admitiu. O marido fazia o que bem entendia, e ela teria de ter paciência até ele estar pronto para lhe revelar.
Gina e Harry seguiram a margem do rio um pouco, até ele descrever uma curva e se aprofundar. Para chegar ao ponto escolhido por Harry, foi preciso abaixar-se para passar sob vários galhos, contudo o desconforto dos espinhos que pinicaram os braços de Gina foi esquecido quando ela se endireitou e viu a beleza que a cercava. Árvores gigantescas, postadas como sentinelas, circundavam o lugar. Os ramos se estendiam, formando um dossel que permitia apenas a passagem de raios estreitos de luz, filtrando-se por entre as folhas. Os tons vermelho e dourado do sol poente lançavam um feitiço estranho, quase místico, sobre as folhas e a relva.
— Harry, que lugar lindo! É mágico — sussurrou ela.
— Mágico não, só retirado — corrigiu Harry, sorrindo. — Eu desci o rio antes do jantar com teus mastins e encontrei esse lugar.
Gina concordou e sentou-se na margem para tirar os sapatos. Depois olhou para Harry, que ainda estava de pé. Parou ao ver que ele também estava tirando as botas. Enquanto o olhava, Harry continuou tirando todas as suas vestes.
Ela sabia que estava corando e sentiu-se uma boba por isso. Mesmo assim não conseguia tirar os olhos do marido, hipnotizada pelo vigor de sua musculatura, que ele exibia assim tão naturalmente.
— O sol pinta-te como um deus — murmurou ela. A pele dele estava dourada à luz do poente, sua beleza rústica magnífica.
Harry sacudiu a cabeça e seus cabelos negros e espessos caíram-lhe na testa.
— Tuas palavras impensadas te levarão ao purgatório — admoestou ele.
— Não quis blasfemar — declarou Gina. Harry sorriu para ela.
— Será que preciso ser tua aia para ver-te tirar as roupas? — indagou ele em voz meiga e rouca. Suas palavras eram para provocá-la, mas seu olhar, repleto de paixão e ânsia, desmentiu a brincadeira.
Gina sentiu o calor que irradiava dele invadi-la. Não conseguiu lhe retribuir o sorriso, apenas fitá-lo. Devagarinho ergueu a mão, e Harry agarrou-a e ergueu-a. Sem dizer nada, começou a tirar-lhe as roupas. Primeiro abriu o cinto de couro que lhe cingia os quadris; depois ergueu a sobreveste, tirando-a pela cabeça de Gina. Em seguida lhe puxou a camisa e, finalmente, a anágua cor de marfim. Teve o cuidado de não deixar que suas mãos tocassem os seios da esposa, embora seus dedos roçassem os lados deles mais de uma vez.
Harry e Gina ficaram parados um de frente para o outro durante um longo e silencioso momento, deixando o desejo fluir entre eles como um vento a reunir forças. Quando Gina não conseguiu mais suportar a distância, deu um passo na direção do marido.
— Harry? — O nome dele era uma súplica, e Harry teve certeza de que sabia o que ela estava pedindo.
— Espera um pouco, Gina — sussurrou. Ele virou-se e foi entrando na água sem parar, até o límpido líquido lhe cobrir o peito.
Gina pegou as essências perfumadas e seguiu Harry sem perder tempo. Soltou um arquejo quando a água a tocou.
— Está fria demais — gritou, recuando um passo. A água lhe cobriu as ancas, e Gina fez uma concha com as mãos, molhando vagarosamente os braços. Tremendo, esfregou as essências pelo corpo e se apressou para terminar logo de se banhar. Deu as costas a Harry, por timidez, enquanto esfregava o corpo para livrar-se da poeira.
— Vem até teu marido, Gina.
A jovem virou-se, viu a distância e franziu o cenho.
— Estou com frio, Harry — repetiu. Segurando o lábio inferior entre os dentes, aguardou, esperando que Harry fosse ter com ela.
— Estou te esperando, esposa. — A voz de Harry estava brincalhona, e Gina pegou-se sorrindo. — É teu dever vir até mim — avisou ele, fingindo que estava começando a se irritar.
— Sempre estou disposta a cumprir meu dever — gritou Gina. Inspirando profundamente, começou a andar na direção de Harry, deixando a água cobrir-lhe os seios e os ombros. Então parou, procurando evitar que as pernas cedessem e a corrente a levasse.
— Agora precisas aproximar-te de mim, Harry — disse. Eles estavam apenas a um metro ou dois de distância um do outro, a água gelada a bater contra ambos. Ela já estava para dizer-lhe que iria submergir completamente caso se arriscasse a ir mais longe, e para lhe recordar também que não sabia nadar, a menos que ele tivesse se esquecido disso.
O olhar de Harry impediu-a de formar as palavras ou pensar de forma coerente. Ela não conseguia dizer nada, só lhe retribuir o olhar enquanto o sorriso lhe abandonava o rosto. Ela estava começando a ficar enfeitiçada por seu olhar, tão ardente e exigente. Ele a estava chamando sem dizer nada. Ela ouvia a ordem com todos os sentidos, e não hesitou em responder.
Ambos deram um passo na direção do outro no mesmo instante. E aí os braços de Harry circundaram a cintura de Gina. Ele a puxou contra si, prendendo-lhe as pernas entre as dele e deixando-a sentir seu desejo.
— Pensei em banhar-te com tua essência para saborear cada contato com tua pele e, depois de banhar-te, dizer-te as palavras amorosas que toda dama anseia por ouvir. — Sua voz estava rouca e entrecortada ao dizer: — Nunca quis nenhuma outra tanto quanto te quero, Gina. Meu objetivo era te cortejar esta noite, fazer o papel de pretendente gentil.
Os olhos de Gina arregalaram-se diante das declarações do marido.
— Agora que chegou a hora, esposa, descobri que não sei as palavras necessárias para te cortejar, e admito que não tenho disciplina nem paciência para essa tarefa. Se eu tivesse tentado te banhar, o banho teria sido esquecido e eu teria te possuído na mesma hora.
Um sorriso repuxou os cantos da boca de Gina.
— Chamas cortejar de tarefa, meu senhor? — indagou baixinho. Harry fez uma cara tão séria e decidida que Gina achou graça e, ao mesmo tempo, viu-se confusa diante de suas palavras. — Harry, não estou com muita paciência para ser cortejada também. Podes me dizer quais são teus sentimentos sem todos os floreios, que ficarei muito satisfeita.
Harry pareceu surpreender-se e depois franziu o cenho.
— O que sabes de como um homem faz a corte? — perguntou.
— Muito pouco — admitiu Gina, enquanto lhe roçava as costelas com os dedos. — Só que me parece que dizer palavras de amor um para o outro não devia ser considerado uma tarefa. — Ela puxou um dos pêlos macios do peito do marido para sublinhar o que dizia.
Harry lhe deteve as mãos, pondo os braços dela ao redor de sua cintura, e aí começou a acariciar-lhe as costas de cima até embaixo.
— Parece-se muito com o treinamento para brandir uma espada — comentou Harry.
— Não entendi — respondeu Gina, inclinando a cabeça para trás para ver se ele estava brincando.
— Esse negócio de fazer a corte. Exige prática — explicou Harry.
Gina riu, ignorando a cara fechada do marido.
— Não há necessidade, marido. Cortejar é para quem não declarou ainda seu amor um ao outro. Eu já te disse o que tenho no coração.
— Mas eu ainda não expliquei a ti o que eu sinto, Gina. — Harry parecia exasperado. — Sei que desejas ouvir; portanto, por favor, deixa-me prosseguir — murmurou.
— Estou ouvindo — respondeu a moça baixinho. Por dentro ela estava quase gritando de felicidade. Sentia vontade de rir e chorar ao mesmo tempo. Harry a amava, exatamente como seu avô dissera.
— Fica séria — exigiu Harry, beliscando-lhe a curva das nádegas. Gina concordou, esfregando o rosto contra o peito dele. — Antes eu pensava que, quando fosse mais velho e tivesse deixado de lado muitos de meus deveres, encontraria tempo para dizer-te que te amo — começou. E aí Gina começou a beijar de leve seu peito, distraindo-o e fazendo-o deixar o discurso de lado.
Ela usou a língua para circundar e acariciar os mamilos sensíveis de Harry e ouviu-o inspirar de súbito.
— Gina!
— Eu te amo, Harry. — Um mero sussurro, inalado como um afrodisíaco, despertando os sentidos de Harry, libertando seu coração.
— E eu te amo também. — Muito de mansinho, enchendo a moça de imensa alegria.
Harry enrolou os cabelos dela nas mãos e inclinou-lhe a cabeça para trás. Devagar abaixou a cabeça, pretendendo selar sua confissão com um beijo. Gina entreabriu os lábios e aguardou. Lágrimas de amor e prazer lhe encheram os olhos. Os lábios de Harry tocaram os dela, a ponta de sua língua parou de acariciar o contorno macio da sua boca. Gina produziu um som parecido com o ronronar de um gatinho. Harry assumiu o controle de sua boca inteiramente nesse momento, metendo a língua dentro dela para acariciar e afagar a doce quentura lá dentro. Suas mãos soltaram os cabelos sedosos da moça e deslizaram sensualmente por suas costas, apalpando eroticamente a macia carne das nádegas dela.
O beijo era devorador e revigorante, e nenhum dos dois saiu vencedor nem vencido. Harry finalmente conseguiu afastar a boca da dela. Gina abriu a boca para protestar, e Harry, mais do que rápido, a silenciou com outro beijo, deixando a língua da esposa invadir sua boca, esperando que ela conhecesse e sentisse a escuridão e o mistério também.
— És tão linda — sussurrou ele e sua boca foi descendo até o pescoço dela. Ergueu-a nos braços para poder lhe reverenciar os seios, forçando-a a envolver-lhe a cintura com as pernas.
Quando a boca de Harry abarcou um dos seios, Gina segurava-se nos ombros dele, as mãos trêmulas, gemendo de prazer. A aspereza do rosto do marido contra sua pele macia era um estímulo erótico. Harry continuou a sugar o mamilo duro até Gina começar a puxar-lhe os cabelos.
— Não me faças esperar — suplicou meio que murmurando. — Já demoraste bastante, Harry. Por favor.
Harry levantou a cabeça e olhou para Gina com os olhos escuros de paixão. A respiração dela saiu com um gemido baixo. O amor e a avidez que irradiavam do olhar ardente de Harry queimavam e derretiam, acariciavam e chamuscavam. Ele era a chama, ela o fogo.
— Tu és uma requintada tortura — gemeu Harry, afundando a cabeça em seus cabelos sedosos.
A resposta de Gina foi apertá-lo em seus braços tanto quanto possível. Harry segurou-lhe os quadris com as mãos e vagarosamente caminhou rumo à margem.
Quando chegou ao seu destino, deixou Gina deslizar por seu corpo inteiro até pisar no chão, e a abraçou ainda colado a ela. Aí ele afastou com delicadeza os braços dela de si e virou-se para estender a capa dela sobre a relva. Virou-se outra vez para chamar Gina, mas sua esposa já estava perto dele, jogando-se em seus braços. Ele sentiu o calafrio dela e imediatamente a abaixou até o chão na intenção de cobrir o corpo dela com o seu.
— Tu estás com frio — sussurrou contra seu ouvido — mas eu te aquecerei.
— Não estou com frio, não — murmurou Gina. Ela mordiscou o lóbulo macio da orelha dele e, em seguida, tocou a parte de dentro com a pontinha da língua.
Harry reagiu esfregando o membro duro contra ela em um movimento lento e sensual, depois foi descendo. Sua boca circundou-lhe o umbigo, ao passo que sua mão acariciou o triângulo úmido que escondia o ardor de Gina. Seus dedos a buscaram e a encontraram várias vezes, tornando-se mais exigentes a cada toque, a cada mudança de pressão. Gina começou a esfregar os quadris contra a mão dele, seus olhos fechados, esplendorosa. Ela sentia-se como se estivesse para se estilhaçar em mil pedacinhos, e gemeu para expressar a sua necessidade.
— Vou provar tua doçura, beber teu néctar — disse Harry rouco, com a boca encostada nela. Sua boca e sua língua substituíram-lhe a mão, e Gina transformou-se em fogo líquido. As mãos dela afundaram-se na relva, e ela não pôde se concentrar em mais nada a não ser a língua ígnea e incontrolável que a acariciava assim tão intimamente. Ela tremeu quase violentamente.
— Harry! — O nome dele foi um grito de prazer e medo. Harry pressentiu a confusão, reconheceu o medo e acalmou-a com palavras tranqüilizadoras. Ele subiu e emoldurou seu rosto com as mãos, desejando que ela olhasse para ele. Lágrimas rolaram pelo rosto de Gina, e ele as enxugou suavemente antes de depor um beijo terno em cada pálpebra.
— Não temas o que acontece contigo quando estás comigo.
— Perco todo o controle quando me tocas — sussurrou Gina. Ela viu a expressão de máscula satisfação nos olhos de Harry e soube que suas palavras o tinham agradado. — Durante esse curto tempo, meu corpo não me pertence mais, e é tão fácil essa transformação, tão inevitável, que me amedronta. — Seus dedos contornaram a boca do marido enquanto ela falava, sua honestidade e vulnerabilidade ali em seus olhos, indefesa.
— Ocorre o mesmo comigo — disse-lhe Harry. Ele se esfregou contra ela, inquieto, deixando-a sentir-lhe o desejo. — Tua maciez me atrai. Eu me perco de boa vontade em tua quentura, mas não desisto da minha força. Tu te tornaste minha fonte de poder, Gina. Teu amor me revigora. Quando estamos juntos, como agora, sinto-me invencível. Deixa-me possuir-te agora, amor. Dá-me teu fogo. — Sua boca cobriu a dela, sua língua mergulhando em uma invasão terna que a excitou. Suas mãos expressaram fome máscula, enquanto a afagavam e a acariciavam. As brasas incendiaram-se e, quando ele afinal a penetrou totalmente, mergulhando até o fundo de sua alma, o fogo do desejo e do amor rugiu sem ser detido entre eles. Eles deram um ao outro o fogo purificado e renovado, e cada qual sentiu a vitória do êxtase simultâneo. Gina abriu os olhos e viu a transformação subjugar Harry. Uma profunda alegria invadiu os dois, dividida e cobiçada. O amor existia.
Ele afundou a cabeça no ombro de Gina e suspirou de contentamento. Ela imitou o som, abraçando-o bem contra seu corpo, sustentando seu peso. Harry apoiou-se na outra perna, segurando-a nos braços. Beijou-lhe as faces, aninhado contra seu ouvido, e sussurrou elogios absurdos e promessas que produziram rubor no rosto da esposa.
— Quando foi que entendeste que me amavas? — indagou Gina, afagando o contorno do maxilar de Harry com a ponta de um dedo. — Foi quando pensaste que eu tinha me afogado?
Harry deu uma risadinha encabulada e sacudiu a cabeça.
— Eu estava zangado demais para pensar em amor naquela hora — admitiu ele. Rolou, ficando deitado de costas e, deixando Gina apoiar sua cabeça nas mãos, com os cotovelos sobre seu peito musculoso, continuou: — Os guerreiros não registram esses fatos na memória. O momento em que percebi que te amava não tem importância — provocou ele.
Gina sorriu. As chispas douradas nos olhos verdes dele a fascinavam. Como ela tinha sido capaz de julgá-lo frio e inflexível? viu-se perguntando a si mesma.
— Quando foi que percebeste que me amavas? — indagou ele contra-atacando. Suas mãos começaram a massagear de leve as curvas das nádegas dela, enquanto esperava a resposta.
— Não me lembro — disse Gina. O brilho estava de volta ao seu olhar, e Harry viu-se sorrindo feliz, sabendo que ela estava para provocá-lo outra vez. — As esposas dos guerreiros não registram esses fatos na memória — disse ela, dando risadinhas. — Além disso, não importa.
Harry lhe deu um apertão de brincadeira.
— Ficas me provocando o tempo inteiro, esposa. Vou ter de aturar essas tuas criancices para o resto da vida, pois te amo de todo o meu coração.
— Pensei que nunca te ouviria dizer estas palavras — sussurrou Gina. O sorriso sumiu de seu rosto e ela, abaixando a cabeça, o beijou.
— Eu tinha umas idéias meio tolas sobre o amor — respondeu Harry quando terminou o beijo. — Pensava que ia me enfraquecer, e agora sei como estava errado. Tu renovas a minha determinação, Gina. Uma parte de mim anseia por te trancafiar em nosso quarto e não te dividir com mais ninguém.
— Sempre pertencerei a ti, Harry — respondeu Gina.
— Sei que é verdade — disse Harry. — E depositarei fé e confiança em tua lealdade para comigo. Acreditarias se te dissesse que acho difícil te dividir até com teu avô e teu irmão? Costumava zombar de homens que deixavam o ciúme controlar suas vidas, e agora descubro que, se não me cuidar, também serei controlado por ele.
Os olhos de Gina expressaram surpresa, e Harry voltou a sorrir.
— Não convivi com minha família como tu — explicou. — E preciso ter certeza de que para ti venho antes de qualquer outra pessoa.
— Existem os mais diversos tipos de amor — disse Gina, a voz mansa. O marido estava lhe revelando sua vulnerabilidade, e ela soube, no fundo do coração, que iria guardar esse momento na memória pelo resto da vida. — O que sinto por meu avô e pelo pequeno Rony é diferente do que sinto por ti. Com o tempo, acho que vai amá-los tanto quanto eu, e exatamente da mesma forma. O que sinto por eles não elimina o que sinto por ti.
Harry puxou-a para baixo e beijou-a durante um momento longo e ofegante. Gina agarrou-se a ele, retribuindo com a mesma dose de paixão e desejo.
Arrependido, Harry finalmente conseguiu se afastar.
— Está ficando escuro — disse. — Vai vestir-te depressa para eu poder te levar de volta a nossa tenda e te despir de novo. — Ele lhe deu um tapa forte no traseiro e riu-se quando ela fingiu que não tinha gostado.
Nenhum dos dois disse uma palavra até estarem a caminho do acampamento. E aí Gina falou, em voz tão baixa quanto o farfalhar das folhas sob seus pés:
— Tu sentes mesmo ciúme da minha família?
— Vou superar isso — respondeu Harry, apertando-lhe a mão. — Um cavaleiro é leal e jura submissão a apenas um suserano, como jurei a Fudge, meu rei — começou. — Tu te comprometeste para comigo — continuou —, e não posso exigir que deixes de amar tua família porque me amas. Mesmo assim, preciso ter certeza de que venho antes de qualquer outra pessoa em teu coração, e que me preferirias a todos os outros, assim como eu te preferiria.
Gina escondeu seu sorriso. Ela entendia que seu marido nunca tinha se apaixonado, e que ele estava tentando encarar esse sentimento como encarava todas as outras coisas na vida. Estava tentando ordenar o que sentia e encontrar o lugar apropriado para esse sentimento. Seu erro estava em usar a lógica como instrumento para lidar com suas emoções.
— Nunca vou ter de escolher entre ti ou minha... — Gina ia dizer família, mas substituiu a palavra por meus parentes. — Tu és minha família agora, Harry, assim como eu sou a tua. E Dumbleodor e Rony... são nossos parentes. Todos pertencemos uns aos outros, mas não como vassalos e suseranos.
— Tens razão, Gina. Jamais precisarás escolher — disse Harry. — Eu não o permitiria. Nem jamais exigiria um teste assim de tua lealdade, pois começo a entender teu raciocínio. Eu te amo, e isso é tudo que importa.
— Estavas ainda tão inseguro assim de minha lealdade para contigo que deixaste Dumbleodor com Rony em Weasley?
— Eu queria ter-te apenas para mim durante algum tempo — admitiu Harry.
Gina recostou-se contra o lado do marido e pensou em suas palavras. Ele tinha dividido seus mais íntimos sentimentos com ela esta noite, e havia alegria e amor em seu coração. Tinha feito um progresso tremendo, aprendendo a demonstrar afeto e expressando seus pensamentos a ela, e Gina estava radiante. Contudo, era preciso terminar o processo, ela percebia, pois Harry ainda se sentia incerto e (embora ela jamais fosse usar essa palavra) inseguro. Logo isso também mudaria, e a conversa sobre testes e escolhas acabaria. Ninguém nunca mais iria sugerir uma coisa terrível assim. Ninguém.
Gina sonhou naquela noite, e o sonho começou muito agradável. Ela estava toda de branco, um vestido que parecia flutuar ao redor de seus tornozelos. Caminhava pelo pátio de um grandioso palácio e uma névoa fina cobria o chão. Sorria ao abrir as portas e entrar em um grande salão. E aí o sonho virou pesadelo. Alguém a chamava, mas ela não sabia quem. Sua pulsação foi a mil diante do horrível som de agonia e desespero na voz que a chamava. Ela correu, procurando a voz, empurrando uma multidão de homens sorridentes que pareciam não saber nem mesmo que ela estava ali. Quando chegou ao centro do salão, parou. Um grito lhe encheu os pulmões. De pé, diante dela, estava o marido, as mãos e os pés acorrentados com pesados grilhões de ferro. Ele não a via, e estava olhando para o outro lado do salão. Gina virou-se e viu o avô também acorrentado.
A voz começou de novo, mas agora não expressava angústia, e sim triunfo. Era Pettigrew. A névoa aos seus pés se avermelhou, e no pesadelo Gina sentiu que era um símbolo do sangue que logo seria derramado.
Pettigrew ergueu a mão e apontou para ela.
— Vais escolher quem morrerá. E se não escolheres, ambos morrerão.
Aí ele riu, uma risada diabólica, que fincou as garras na alma de Gina. Ela sacudiu a cabeça, negando uma resposta para a pergunta, e Pettigrew puxou a espada de Harry e a ergueu bem alto.
Seus gritos acordaram Harry. Ele imediatamente pegou a espada, e aí notou que Gina estava bem ao seu lado. Suas mãos tremiam quando ele puxou a esposa para seus braços e a embalou suavemente contra seu corpo.
— Abre os olhos, Gina. Foi só um pesadelo — murmurava ele sem parar. — Eu estou aqui.
Gina despertou estremunhada. Agarrou-se aos ombros de Harry e inspirou sofregamente, tentando acalmar seu coração.
— Foi horrível — sussurrou.
— Não fales nisso — tranqüilizou-a Harry. Depois, ternamente, afastou os cabelos da testa da esposa e a beijou. — Estiveste sonhando apenas. A viagem hoje foi muito puxada para ti e estás muito cansada. Descansa a cabeça apoiada em mim e fecha os olhos. Tudo está bem.
— Estou com medo — confessou ela ao marido. — Se eu dormir, terei esse pesadelo de novo.
— Não terás não — murmurou Harry. Mudou de posição até Gina estar debaixo dele. Seus braços lhe sustentaram o peso, apoiados de cada lado da esposa. — Sonhará só que estás fazendo amor comigo — jurou ele. Com essas palavras, Harry aproximou-se do rosto de Gina e a beijou.
Murmurou palavras de amor com voz aveludada e acariciou-a com mãos calmantes que voltaram os pensamentos de Gina apenas para ele e para o que ele estava fazendo com ela. O pesadelo foi esquecido.
n/a: atendendo aos pedidos postei antes!! Esse é o penúltimo capítulo!!!! Espero que gostem!!!