“A vida é como andar de bicicleta. Para manter seu equilíbrio, você precisa continuar em movimento.” – Albert Einstein
Capítulo 12
- Lene, vamos por esse corredor, eu não me lembro de já ter passado por aqui.
Eu era tão ridícula. Mas não podia fazer nada para controlar. Assim que segunda-feira começou a se aproximar, eu comecei a me perguntar como eu agiria com James. E se aquilo tudo que aconteceu na sexta-feira começasse e terminasse lá? E se não fosse assim? Eu não tinha a menor idéia do que deveria fazer quando encontrasse com ele.
De modo que eu o estava evitando a todo custo a manhã inteira. E eu tinha me saído muito bem até agora. Tenho certeza de que ele não me viu. Eu sou um camaleão, é isso.
- Pelo amor de Deus, Lily. Para de ser ridícula – Marlene respondeu, mas me acompanhou pelo pequeno desvio que eu fiz, de qualquer maneira.
- Desculpa, mas você também não me disse o que eu deveria fazer.
- É claro que não. Não tem receita, Lily. Segue os seus instintos, só isso – ela sugeriu, como se essa fosse uma ótima dica.
- Não tenho instintos – reclamei.
Eis que, inacreditavelmente, Marlene conseguiu encontrar seu peguete estrangeiro ali mesmo, naquele corredor, saindo de uma sala de aula. Acho que nunca tive aula aqui. Bem, de qualquer maneira, Lene tinha tido um encontro com Miguel, o chileno, na noite de sábado, e ela tinha achado a coisa mais incrível do mundo. E como as coisas para ela eram muito fáceis, encontrei os dois juntos assim que cheguei na escola hoje.
- Miguel! – ela falou quando o avistou. Ele sorriu para ela.
- Quer almoçar? – ele perguntou. – Comigo?
Dã, amigo, é claro que ela quer.
- Claro – Lene concordou prontamente. – Eu só tenho que resolver uma coisa com Lily primeiro, rapidinho. Encontro você no refeitório.
Lene nem se despediu dele apropriadamente, o que eu estava torcendo para acontecer. Talvez eles não conseguissem se controlar e acabassem tendo um beijo prolongado... E eu teria a oportunidade de escapar dela. Porque eu sabia o que ela precisava resolver comigo “rapidinho”. Estava na cara que ela ia me empurrar para o James assim que o avistasse. E eu não me sentia nem um pouco preparada para isso.
- O que é que você tem que resolver comigo? – me fiz de desentendida enquanto caminhávamos lado a lado até o refeitório. Marlene estava muito mais alta que eu graças aos saltos de suas botas. Isso é tão injusto. Garotas deviam ser proibidas de usar salto na escola.
Lene nem se deu ao trabalho de responder à minha pergunta. Ela apenas revirou os olhos e continuou a caminhar parecendo muito serena e despreocupada.
Quando chegamos perto da entrada do refeitório, ela se encostou à parede e disse:
- Vamos só esperar aqui... Por Alice. Frank não veio hoje.
Essa era a pior desculpa que eu já tinha ouvido.
- Tenho certeza de que Alice consegue achar o caminho até a mesa sozinha.
- Lily, não seja difícil – Lene pediu, parecendo finalmente se cansar da coisa toda. – Não importa o que aconteça, não vai ser nada com que você não possa lidar. Eu acredito em você, Lils. Você não acredita?
- Esse discurso barato de incentivo é a pior coisa que eu já ouvi – falei, mas me encostei-me à parede ao lado dela e sorri. – Se você acredita... Bem, seja o que Deus quiser. Porque James está vindo pra cá – terminei num quase sussurro, fazendo Marlene se virar automaticamente para os lados tentando vê-lo.
Ele sorriu assim que nossos olhares involuntariamente se encontraram. Isso era um bom sinal. Certo? Bom, quero dizer, talvez não seja. Tenho certeza de que James ainda sorri para todas as garotas que beijou aleatoriamente, mesmo que aquilo tenha sido tudo que podia oferecer. Beijar, quero dizer. Em um dia qualquer, mas só aquele dia.
- Bom dia – ele nos cumprimentou, colocando muito significado nessas duas palavras, como se quisesse frisar o fato de já ser hora do almoço (o que poderia ser considerado como tarde) e ele estar me dando oi pela primeira vez. Lene respondeu ao cumprimento dele, e eu tenho certeza de que murmurei alguma coisa em uma tentativa frustrada de comunicação.
- Eu vou lá no refeitório... Esperar Alice. E encontrar o Miguel – Marlene falou sem esperar qualquer resposta para começar a se afastar. Eu sabia que a história de esperar Alice do lado de fora porque Frank não tinha vindo era desculpa esfarrapada para me prender ali. E agora o fato tinha sido comprovado.
- Então, vai me contar porque você está fugindo de mim a manhã inteira? – James perguntou. – Mesmo quando tínhamos aula juntos?
- Anh... – Eu tentei pensar em alguma desculpa qualquer. Eu era muito ridícula para falar o motivo verdadeiro. – Eu não estava fugindo de você.
E, aparentemente, apesar de querer ser uma escritora, não tenho criatividade nem para intentar nem uma mentirinha inocente.
- Desculpa aí, Evans, mas você não vai me enganar nessa. – James piscou. – Vai ter que melhorar sua habilidade de se esquivar.
Eu mordi o lábio inferior tentando arranjar palavras para dizer. Eu precisava dar uma explicação, mas nada surgia na minha mente.
- Ok, quer saber a verdade? – O olhar dele claramente dizia que a resposta dessa pergunta era extremamente óbvia. Tentei pensar em qualquer coisa uma última vez, mas não funcionou. Mente completamente vazia para boas idéias. Ok. Respirei fundo. – É só que... Sabe, sexta-feira... Foi tudo tão... Tão bonitinho... – Meu Deus, como essas pausas a cada duas palavras são irritantes. Mas eu não conseguia parar com a hesitação. – Quero dizer, foi ótimo. Certo?
James estava sorrindo. Sabe, para não ser obrigado a rir da minha falta de jeito.
- E eu só não queria encarar você de novo e ser obrigada a perceber que começou lá e terminou lá – terminei olhando para meu Converse azul. No way in hell eu iria olhar para ele e captar sua expressão. Eu já estava desejando com todo meu coração poder voltar no tempo para calar a boca antes de falar isso.
- Ah, então você está preocupada... – ele disse. Parecia prestes a cair na gargalhada. Que maravilha. – Lily – ele me chamou, mas eu não desviei o olhar nem um centímetro do cadarço do meu tênis, então ele levantou meu rosto para que eu olhasse para ele. E não tinha nada que eu pudesse fazer para impedir. – Acha mesmo que eu iria esperar dois anos... Uma definição alternativa de esperar, admito... – Ele estava fazendo piada do que eu disse quando estava brigando com ele. Quando eu falei que a idéia de esperar dele difere da maioria das pessoas. – Se eu quisesse só uns quinze minutos com você? Sério?
Eu tentei pensar em alguma coisa para dizer. Mas a única coisa que eu conseguia pensar era em como, por trás das lentes de contato, os olhos deles eram bonitos naquela iluminação. Quase verdes.
- E você acha – ele continuou – que quando você finalmente abrisse sua cabeça e me desse uma chance, eu ia te deixar escapar tão rápido? – Ele perguntou, pondo uma mão nas minhas costas e tirando uma mecha de cabelo do meu rosto com a outra.
- Bem... – Foi o que eu consegui dizer.
- Não – ele disse, aproximando o rosto do meu. – Definitivamente, não, Evans.
E daí me beijou. No meio do corredor por onde todo mundo era obrigado a passar, para todo mundo ver.
Mas a festa não durou muito. A voz estridente da funcionária que cuidava dos corredores soou bem perto do meu ouvido:
- Vocês não podem beijar na escola – ela dizia.
James parou de me beijar, mas manteve o braço pela minha cintura e sorriu para a pobre mulher de meia-idade que tinha que resolver todos os conflitos dos corredores dos alunos da escola.
- Tem crianças por aqui, e elas não são obrigadas a ver essa pouca vergonha – ela continuou dando discurso.
- Jeanine, nós só estávamos beijando. As crianças vêem isso o tempo todo na televisão aberta, horário nobre. – Jeanine? James devia ser íntimo da coitada, depois de tudo que ele já aprontou por esses corredores junto com os amigos. Agora que eu parei para pensar, nunca mais soube de estripulias deles. – Até na Branca de Neve, e olha que aquilo é mais velho do que... Todos nós – Ele se saiu bem. Tenho completa certeza de que ia dizer que era mais velho do que ela. – Certo? – ele perguntou para mim, em busca de apoio.
- Dã, James! O Príncipe acordava a Branca de Neve com um beijo, lembra? – falei.
- É. Claro que lembro. – Ele claramente não lembrava.
- Bom, Potter, Branca de Neve e seu príncipe encantado não estavam na escola quando se beijaram – disse Jeanine, impassível. – Não me faça mandá-lo para a coordenação. A sua conselheira comemora o fato de nunca mais ter aparecido lá.
- Beleza – concordou James. – Vou me comportar. Podemos ir andando, então?
Ela assentiu e seguiu seu caminho.
- Aposto que ela estava morrendo de saudades de mim – James falou quando a mulher já estava a uma distância considerável. – Jeanine me ama. É sério – ele completou, quando eu revirei os olhos. James ainda estava me segurando pela cintura. – Bem, Lily, acho que deveria almoçar na minha mesa hoje.
Nós começamos a entrar no refeitório e ele continuou me abraçando. Ok, muito público. Muita publicidade. O que você está fazendo, Lily? Mas fico orgulhosa de dizer que a maioria dos alunos não estava nem prestando atenção na gente. Talvez eu devesse dar mais crédito aos meus colegas.
- Eu... – Eu ia arranjar uma desculpa para não fazer isso. Mas do que é que estava com medo, afinal? Ele tinha dito que queria dar uma chance para... isso aqui acontecer. Eu não podia estar preocupada com o que as pessoas iam pensar, certo? Até porque não tinha absolutamente nada de errado no que eu estava fazendo. Talvez só fosse um pouco surpreendente.
E eu acabei descobrindo, conforme os minutos iam passando e eu comecei a perceber como James levava tudo com naturalidade – como qualquer outra pessoa menos retardada que eu provavelmente faria – que era fácil. Era bom e era fácil. Os amigos dele, com que nós sentamos, também tornaram tudo muito simples, agindo... Bem, naturalmente.
Só que mais tarde eu descobri que não era James, e não eram seus amigos, que estavam tornando tudo isso fácil. Era fácil, simplesmente isso. Mas eu complicava tudo, emaranhava tudo. Então decidi que ia levar tudo numa boa. Eu tinha gostado da sensação de ser espontânea no momento em que beijei James há alguns dias.
E eu decidi que queria levar essa espontaneidade adiante. Viver um dia de cada vez, dar um passo de cada vez. Eu era capaz disso.
x
Eu nunca entendi porque Petúnia resolveu sair da Marion Collins depois da educação obrigatória. A escola nova dela era menor e muito mais sem graça.
Eu andava pelos corredores a procura da sala da professora Cole para entregar meu conto a ela. Eu ia mesmo usar aquele conto que tinha passado apenas quatro horas escrevendo. Bem, ao menos posso dizer que passei praticamente o fim de semana inteiro relendo, editando, adicionando e cortando algumas partes. E a idéia era que os contos não fossem muito longos, é claro, afinal a revista publicava os resultados em apenas duas semanas. Provavelmente muita gente gastava tempo lendo, mas agora que cada fase tinha um número x de candidatos, suponho que ficasse mais fácil. Afinal, era uma quantidade bem menor de textos.
Bati na porta da professora Cole. Espero que ela esteja disponível. Não faço a menor idéia de por que não pensei em ligar para avisar que viria, e perguntar se estava tudo bem. Acho que só estou meio apavorada porque até sexta-feira à tarde tenho que entregar esse texto nos escritórios da Publisher. E nesse meio tempo, a Srta. Cole tem que ter tempo para ler e fazer as anotações, eu tenho que vir buscá-lo, ajeitar no computador, reimprimir e entregar do outro lado da cidade. E fora isso tudo, tenho que estudar. Não vou nem pensar no que acontece se a professora Cole não gostar. Bom, se isso acontecer, vou ter que dizer “só lamento” e mandar minhas chances pelo ralo.
Afinal, eu ainda não sou um robô, ao contrário do que pensa minha irmã e talvez algumas outras pessoas.
- Olá, Lily – ela disse quando abriu a porta. – Entre.
Eu entrei e me sentei em uma das cadeiras.
- Estava preocupada... Se passou um bom tempo desde que nos falamos e essa é a sua última semana – a professora Cole continuou falando, fechando a porta e sentando-se à sua mesa. – Eu estava prestes a telefonar para você.
- É que a pesquisa que eu estava fazendo me tomou muito tempo. E os fatos que sucederam tomaram mais tempo ainda – eu expliquei rapidamente. – Mas o maior problema é que eu não tinha inspiração nenhuma... E demorei muito tempo para perceber que o tema do conto permitia que a minha história fosse muito diferente de um filme teen americano. Enfim. Demorou, mas consegui.
Eu estendi para ela o envelope de papel pardo novinho em folha contendo as dez páginas de Word lotadas de palavras em corpo Arial 11, espaçamento 1,5. Não dá para escrever praticamente nada seguindo essas especificações, mas o que eu ia fazer? Eram as regras.
A Srta. Cole pegou o envelope mas não o abriu. Ao invés disso, pousou-o sobre a mesa lotada de provas a serem corrigidas.
- Acha, então, que conseguiu fugir do clichê? – ela perguntou.
- Bem, esse tema em si já é um clichê, certo? – perguntei. Porque, sinceramente, o tema era um completo clichê, não importando o quão criativo você fosse para desenvolvê-lo. – Mas acho que consegui escrever narrando tudo sob uma ótica diferenciada. Acho que consegui transformar o atleta popular no... Bem, atleta popular mais incomum, bem diferente dos rótulos.
- Bom, bom... Espero que sim. Acredito que tenha feito um bom trabalho. – Um pouco de animação era sempre reconfortante. – Bem, Lily, vou lê-lo o mais rápido que puder, certo? E mandarei uma mensagem assim que terminar para que possa buscá-lo. Vou fazer o possível para devolver seu conto a você na quarta-feira.
É claro que ela ia tentar, mas se não conseguisse, o problema era todo meu. Não era culpa dela, afinal, que eu tivesse demorado todo esse tempo para finalmente decidir sentar na cadeira do computador e começar a digitar.
- Certo, claro – concordei. – Eu venho buscar assim que receber a mensagem.
- Ou talvez eu possa mandá-lo por Petúnia, se você achar mais fácil – ela sugeriu. Mas eu me apressei para negar.
- Não, não é uma boa idéia. Acho melhor eu mesma vir buscar. Petúnia tem a cabeça meio nas nuvens, sabe como é – dei uma desculpa qualquer. Não queria dizer que a última coisa que eu desejava no mundo era minha irmã lendo o que eu escrevia... Até porque se estivesse ruim, ela ia me zoar o resto da vida. Era bem provável que ela me zoasse pelo resto da vida se estivesse bom
A Srta. Cole deu de ombros. Eu perguntei se tinha mais alguma coisa para falar comigo, e como ela não tinha, agradeci mais uma vez e me retirei da sala para depois ir para casa. também. – Mas obrigada.
x
Recebi uma mensagem da Professora Cole na quarta-feira pela manhã, mesmo. Ela dizia que o conto já estava corrigido e que eu podia aparecer para pegá-lo naquela tarde. E também dizia “bom trabalho”. Isso me deixou feliz e sorridente para passar o resto da manhã.
Eu tinha almoçado com James na terça de novo, e na quarta sugeri que ele fosse almoçar na minha mesa com os meus amigos. E ele concordou prontamente. Nunca tínhamos feito isso.
Fiquei surpresa com a maneira como James se deu bem com todo mundo que sentava lá, sabe, conversando sobre Halo (aquele jogo de vídeo-game) com Frank, sobre os filmes de Quentin Tarantino com Edgar e sobre os Caçadores de Mitos (sim, isso mesmo) com Mary. Esse garoto era como... Como um dado. Várias facetas interligadas. Olhando dali, parecia tão fácil tornar-se amigo dele, eventualmente. Ele parecia tão pronto a aceitar pessoas completamente diferentes em seu círculo de amizades, capaz de ser um bom amigo para quem quer que fosse. Eu não podia mais negar que ele tinha mudado com o tempo, mesmo que fosse uma simples conseqüência da chegada da maturidade. James parecia perfeitamente apto a ser um garoto de quem eu gostaria muito e verdadeiramente. Isso era bom.
O que não era bom era que algumas pessoas (incluindo algumas pessoas que eu mal conhecia, diga-se de passagem) eventualmente se materializavam na minha frente, bloqueando meu caminho, e me perguntavam se eu e Potter estávamos saindo. E eu, a muito contragosto, respondia que sim, estávamos. Qual era a necessidade de perguntar isso? Afinal, James tinha decidido ignorar o aviso de Jeanine e não estávamos escondendo nada de ninguém. E é claro que ainda tem o pequeno fato de que você não deve sair questionando a vida pessoal de pessoas com quem você nunca trocou mais de meia dúzia de palavras. Só um aviso.
Entretanto, não foram só garotas quase desconhecidas que me perguntaram sobre James. Tiveram conhecidas também. Incluindo Clarissa. Nós não nos falávamos muito mais agora, apesar do telefonema no dia do meu aniversário, já que eu não era mais sua monitora em História. Até onde eu sabia, estava dando tudo certo para ela. E eu sabia que Turner me chamaria para ser tutora de novo se fosse necessário. Mesmo assim, logo depois do último almoço, ela me parou no corredor.
- Oi, Lily!
Parecia animada. Nos últimos tempos ela andava parecendo bem mais contente do que em todo o tempo em que estudou aqui nessa escola. Se eu tiver alguma coisa a ver com isso, ponto para mim. É sempre bom saber que você é responsável por uma boa ação.
- Oi – respondi a ela com um sorriso. Não era mais difícil parecer simpática com Clarissa Vermont, apesar do pouco tempo que tinha se passado desde o dia em que ela tinha me contado sobre sua história.
Eu estava sozinha no caminho para a aula hoje. James ia para uma direção contrária, e Lene nem tinha almoçado conosco hoje. Ela estava estudando cálculo com seu amigo sênior, Amos Diggory. E de qualquer maneira, tínhamos tido um tempo livre antes do almoço, e como nem James nem Miguel estavam disponíveis, nós o gastamos juntas assistindo... Bem, aos dois e a um monte de outros garotos na Educação Física. Preciso dizer uma coisa: a violência presente nos jogos de futebol deles não é brincadeira.
- Então, você e James, hein? – ela perguntou. – Admito que fiquei muito surpresa, já que uma das primeiras coisas que vi quando cheguei nessa escola foi você dando um fora nele na frente de muita gente.
- Sério? – eu perguntei, rindo. Aquilo tinha sido engraçado na verdade. Na época, eu só estava irritada, mas agora parecia divertido. Mas duvido que James concorde se eu perguntar a ele qual é sua opinião a respeito dos fatos. – Bom, até eu ainda estou meio surpresa – admiti.
- Acho que vocês fazem um casal bonito – ela disse, pensativamente. Wow, isso era legal. Porque, para mim, nós poderíamos ser no máximo um casal bonitinho. Sabe? Brad Pitt e Jennifer Aniston formavam um casal bonito. Ou Jude Law e Sienna Miller. Só que Brad trocou a Jennifer pela Angelina Jolie, e Jude tinha um caso com a babá. O que me leva a concluir que casais bonitos não funcionam. Talvez esse seja o jeito de o universo equilibrar as coisas. Embora Brad e Angelina formem um casal bonito também, e mais, uma família linda com todos os seus filhos. (N/A: E a Sienna voltando com o Jude? Sei que ele é lindo e gostoso e sexy, mas fala sério, amiga? Amor próprio, cadê? PS: Nem sei se eles voltaram mesmo, minha amiga que me disse. Eu não sei nada de notícias sobre celebridades)
- Obrigada – eu disse pondo um fim nos meus devaneios. Esse tipo de informação não era bem aquele com o qual eu deveria ficar ocupando minha memória.
Nós continuamos conversando enquanto andávamos em direção às nossas salas de aula e eu me peguei refletindo sobre as coisas mudaram nessas míseras três semanas. James, Clarissa, dezesseis anos, as amigas de Potter...
x
Meu plano para sexta-feira era sair da escola e ir direto para o escritório da Publisher entregar o conto. Eu só tinha que pegar um ônibus, descer dele e esperar pelo próximo. Tudo isso na chuva. Mas se eu conseguisse passar para a próxima fase, ia valer a pena. Então nem estava me importando muito e estava até animada com a idéia. Sabe como é, na medida do possível.
Como estava chovendo, James não ia para o tênis, e daí me chamou para fazer alguma coisa com ele. E apesar de eu realmente querer dizer que ia, eu disse que tinha um compromisso que não podia deixar de lado. Eu gostava de passar tempo com ele. Não que nós tivéssemos feito muita coisa fora da escola. Porque nós não tínhamos. No máximo uma conversa no MSN quando James resolvia estar em casa muito por acaso e eu não estava estudando ou gastando todo meu tempo comendo brownie e vendo episódios aleatórios de seriados americanos na televisão.
Acontece que meu plano foi frustrado. Porque quando eu estava bem perto da saída do prédio, dei de cara com Emmeline Vance. E ela disse que era muito bom me encontrar ali, porque ela estava precisando falar comigo. E, como eu não queria parecer mal-educada, concordei. Só que eu não me sentia muito confortável conversando com a amiga-colorida do garoto com quem eu estava por acaso saindo no momento. Embora James tenha me dito que o negócio dele com Em tinha terminado. Na verdade nem tinha começado, ele explicou. Eu disse que tudo bem. Eu devia confiar nele, não é isso? E nem estávamos namorando ou qualquer outra coisa equivalente.
- Bom, eu só queria dizer que, bem, eu sei que você sabe sobre mim e James...- Ela parecia desconfortável com o assunto também, enquanto procurava pelas palavras corretas para dizer. – E queria que soubesse que agora que você está com ele, nós não temos mais nada. Certo?
- Ah... Claro.
- E espero que esteja tudo bem para você, que as coisas não fiquem estranhas entre a gente – ela falava rapidamente.
Eu assenti. Era meio estranho, mas eu tinha certeza de que podia lidar com isso.
- Posso perguntar uma coisa? – eu quis saber. Ela concordou. – Isso... Isso que você e ele tinham... Funcionava mesmo?
- Ah... – ela começou desconfortavelmente. Acho que não foi uma pergunta muito inteligente. Mas eu estava estranhamente curiosa a respeito. – Bom, sim. Mas não acho que “amizade colorida” funcione com muita freqüência. Acho que quase sempre alguém acaba machucado porque os sentimentos... Evoluem. Não que isso tenha acontecido com a gente – ela afirmou rapidamente. – Mas... Bem. Funcionou. Tanto é que agora você está com ele e ele não poderia estar mais feliz. E eu estou feliz por ele porque sei o quanto ele gosta de você, sabe? Admira você. Há anos.
- Hum, é mesmo?
- É, sim. Não deixe James escapar. Ele tem os defeitos dele, é claro, mas é um cara muito, muito legal – ela garantiu. – Mesmo.
Eu assenti. Eu estava começando a perceber isso também.
- Certo – ela falou. – Que bom que finalmente tivemos essa conversa, eu não queria mesmo que as coisas ficassem estranhas. E, por sinal, eu acho que você também é superlegal, então já disse para o James, sabe como é... Não deixar você escapar. – Ela riu e deu de ombros.
- Obrigada. Mesmo, Em. E, bem, eu não quero parecer mal-educada, mas agora que a chuva aliviou um pouco eu preciso correr... Tenho um negócio par fazer e preciso pegar dois ônibus. Então tenho mesmo que ir.
- Claro, vai lá – ela disse com um sorriso, e eu me despedi e comecei a andar rapidamente.
Então depois de duas horas, tênis ensopados, meu ser completamente encharcado apesar de eu ter carregado um guarda-chuva, eu estava em casa. Meu conto estava entregue. Missão cumprida.
Por ora.
---------------
N/A: Gosto desse capítulo porque a Lily parece bem mais humana e adolescente com todas as dúvidas dela a respeito do que ela devia fazer a respeito do James. E gosto que James seja um amor com ela também :)
Estou postando esse capítulo rápido, né? Até porque eu demorei eras para postar o outro... E agora eu estou conseguindo equilibrar meu tempo entre ver as temporadas de Greek, ver os novos episódios de House e Vampire Diaries (que vai ficar em hiatus até 25 de março. Estou morta) e fazer... As outras coisas. Bem, eu terminei de ver todas as temporadas de Greek, então desocupei um pedação do meu dia. Hahaha Alguém aí assiste? Tem o personagem mais amor de tooodos! Ha.
Respondendo os comentários:
Gih Meadowes: Você disse que não achava que aquele conto do capítulo 11 ia ser o conto, mas foi. Ele é importante por mostrar a mudança de visão da Lily, sabe? Tinha que ser aquilo mesmo. Agora tem outras coisas para acontecer e tal ;)
vanessa .: Obrigada, que bom que você gostou! Ah, nunca mais vi Hannah ou FWP, cara. Na verdade eu nem acho mais muito engraçado :/ E eu já assisto tanta coisa que não dava tempo :B
Tainá Rodrigues: Ah, minha família inteira me incomodou por um ano inteiro mais ou menos porque eu não queria fazer festa de 15 anos. Sério, todos eles. Mas não cedi às pressões não. Não fiz. Acho as festas bonitas, gostava de procurar vestido para ir às festas das minhas amigas e amava as mesas de doces (!) que sempre tinha, mas pra mim não, obrigada. Ah, PSS é aquele vestibular seriado? Aqui não tem isso, então não sei muito bem.
Lúuh McKinnon Black: A Lily é meio distante mesmo, acho que comentei isso nas narrações. Mas para mim, no capítulo 12 agora ela fez uma grande evolução. Haha. É que bem na verdade ela ainda acha estranho, sabe, o que ela está sentindo pelo James, porque ela estava acostumada a “odiar” ele. É mais ou menos isso. E que bom que tu gosta de Clarissa, eu também gosto :) Por enquanto. Muahaha.
Lily Ruiva Potter: Muito obrigada! E adoro leitoras teorizando sobre as coisas que eu escrevo ;) Ainda está no hospital? Como correu tudo? Olha, se você quiser dicas de fics pra ler, procura nas fics das minha leitoras aqui, tem várias óótimas :) E não, não estou puxando saco só porque são minhas leitoras! Hahaha
Maari V. Potter: Dizem que a gente deve escrever só sobre aquilo que conhecemos. Eu acredito nisso, de certa forma. Porque, por exemplo, como eu posso escrever um romance político (ou qualquer outra coisa) se eu não sei absolutamente nada sobre política? Como eu posso escrever sobre um gênio que inventa um software mágico se eu não sei absolutamente nada sobre programação? Nesse sentido. Não tem como autores escreverem somente sobre coisas que eles vivenciaram, certo? Por que daí não precisaria de criatividade. Porque então J.K. Rowling jamais teria escrito Harry Potter. Então, não, essa história não é autobiográfica. Nunca nem conheci algum garoto remotamente parecido com o James ;) Infelizmente. Quem sabe um dia?
E. Conde: Não posso garantir isso, mas posso dizer que concordo com a sua afirmação e que essa fanfic vai ter um final feliz. E super obrigada!
nath krein: ué, se você optar por jornalismo, de repente a gente se encontra! Já que quase todo mundo que prestou pra jornalismo esse ano tava na mesma escola. De repente começamos a estudar juntas! Haha Se bem que estou em dúvida. Estou pensando seriamente em letras. Ou Direito. Tenho medo de morrer de fome se fizer jornalismo,e tenho medo de nunca passar pra direito. E de qualquer jeito, tantos advogados se formam todo ano que fico com medo de ser uma bem ruim e nunca conseguir um emprego na defensoria pública :/ A vida é muito complexa. Ahauahuaha
Espero que tenham gostado.
Fernanda M.
PS: Se vocês tiverem tempo, dêem uma passadinha aqui: http://fanfic.potterish.com/menufic.php?id=36353 Obrigada! ;)