CAPITULO 91 – A FORÇA
O riso e as vozes mais altas alertaram Rony e Hermione que a casa estava movimentada.
-O que acha de irmos embora? – ele perguntou segurando sua mão e sorrindo – Não sei se quero mais problemas.
Ela não pode evitar sorrir e manear a cabeça, soltando-se dele.
-Se fossem problemas, Gina não estaria rindo – disse meiga – Coragem. – indicou que entrassem.
-Porque não entra primeiro? – ele provocou e ela segurou o riso.
Sua vontade era abraçar aquele homem e dizer o quanto o queria bem.
-Porque é homem e deve me proteger.
Havia tanto cinismo, ao dizer essa frase machista que ele quase gargalhou.
De mãos dadas, por incidência de Rony, os dois entraram em casa. A primeira coisa eu eles viram, foi Gina de pé, tão feliz quanto bonita. Usava um colar tão caro e tão brilhante que poderia facilmente ofuscar. Usava brincos e uma tiara, combinando.
Ao seu lado, Harry.
Vestido impecavelmente, como quando o vira pela primeira vez, pensou Hermione.
Rony soltou sua mão, apanhando Harry num abraço de irmãos.
-Ele voltou – Gina disse baixo, apenas para Hermione ouvir.
-E porque não voltaria? – ela sorriu para a amiga, que abandonara definitivamente o ar sofrido e triste das ultimas semanas.
-Harry me trouxe de presente – ela tocou reverentemente o colar em seu pescoço. Sua mão tremia de emoção – Veja como é lindo...como brilham as pedras...
-diamantes, se chamam diamantes – Hermione corrigiu, tocando-as – São geladas. – achou adorável – Ficaram maravilhoso em você, Ginevra.
Rony e Harry se separaram e antes que pudessem dizer algo, Hermione se aproximou.
-Seja bem vindo, Harry! – abraçou-o, ignorando a mão que ele erguera em cumprimento.
Um abraço espontâneo, pensou Rony, invejoso e ciumento. Será que só teria paz quando Harry estivesse fora de sua vida?
Um abraço muito rápido, que mal teve tempo de aquecer o coração de Harry. Hermione parecia tão radiante, tão saudável que Harry se emocionou.
-Como foi à viagem a Londres? – ela perguntou ao se afastar, consciente que deveria ter pensando antes de abraçar Harry.
-Não foi uma viagem agradável. Passei todos esses dias tentando encontrar a documentação necessária para provar sua inocência – ele disse a Rony – Por fim, preparei o relatório que prova que saiu de Londres solteiro e totalmente desimpedido. – a expressão de Harry mudou ao continuar – A primeira coisa que fiz, ainda mais cedo, foi procurar o juiz e entregar o relatório.
-E ele? Enfiou o rabo entre as pernas finalmente? – perguntou irritado ao lembrar-se de quanto sacrifício para fugir de um golpe.
-Para ser franco me desagradou a maneira com que lidou com as provas. Com pouco caso, desrespeito. Foi um custo que me entregasse as comprovações do casamento que teve com Hermione. Se quer minha opinião, verdadeira, direi que a muito essa situação saiu do controle. Não é algo para a justiça comum. É pessoal.
-Sei disso, Harry e não me surpreende – ele disse entendendo plenamente o que Harry queria dizer.
-Agora está tudo bem, não é? – Gina interferiu – Rony apresentou as provas de sua inocência. O que mais pode haver contra ele?
-Essas provas existem? – Hermione perguntou, desconfiada.
-Sim, esses são os originais – Harry entregou a ela uma pasta em couro e fita, muito sofisticada, onde estava a papelada. Hermione leu quieta e atenta.
Ao terminar, ergueu os olhos para Rony, com algo de alivio e vergonha.
-Parece que estava dizendo a verdade, afinal – ela devolveu os documentos a Harry.
-Se não pensasse sempre o pior sobre mim, não teria essa duvida sobre sua cabeça. – ele irritou-se com sua postura.
-Não respondeu minha pergunta, marido – Gina insistiu, enganchando seu braço no dele.
-Oficialmente não há razão para dar seguimento a tal disparate, mas o juiz pode fazê-lo. Em alguns casos, não aceitando a legalidade de algum documento, pode exigir a prisão temporária até averiguar a situação de bigamia.
-Ou anular a segunda união realizada. – Rony completou – Xeque mate para o juiz. Solteiro, me absolverá de todas as acusações. E estarei casado com aquela cobra peçonhenta antes que tenha tempo de derramar uma lagrima por mim – disse a Hermione. – obviamente minha escolha é muito clara – ele disse.
Harry concordou com um aceno, mas Hermione parecia não saber a resposta.
-É claro que não anularei meu casamento, Hermione! – ele disse indignado por não saber disso – Vou enfrentar o processo e pagar para ver. Ele não terá coragem de me manter por muito tempo na cadeia.
Gina sentou-se pesadamente sobre o sofá da sala, cobrindo os lábios com uma das mãos, chocada.
-Meu irmão será preso?
-Não é para tanto desespero, Gina – ele consolou – Não poderá me manter preso mais do que poucos meses...
-Poucos meses? – Gina gritou, levantando-se assustadíssima – Precisa falar com papai! Alguém tem que trazer o juiz a razão! Não pode prender um inocente! Seja por um minuto, ou por um ano! Está errado!
-Deve haver outro modo – Hermione disse séria, olhando para Harry com rigidez, cobrando dele uma solução – Há uma outra maneira, não é verdade?
-Bem, em situações inusitadas, sempre há saídas inusitadas – ele disse com ar pensativo andando pela sala, seus olhos brilhavam com a esperteza de um homem que aprendera a defender causas usando do intelecto e da sagacidade. – Oficialmente, Rony não foi intimado. O juiz sequer recebeu os documentos oficiais dizendo que faria uma diligência até aqui para intimá-lo pessoalmente, sendo assim, tudo que ouvimos, todas as ameaças são meramente verbais. Rony é um homem livre nesse exato momento, inclusive para não estar aqui quando receber a intimação.
-Fugir? Esta sugerindo que eu fuja? – Rony avermelhou diante dessa sugestão.
-Sim! Fuja, irmão! Esse calhorda jamais se dará ao trabalho de procurá-lo! – Gina opinou quase chorando.
-Não me refiro a uma fuga – Harry abraçou Gina, acariciando seus cabelos para consolá-la de seu susto. – Uma viagem. Sim, que maldade há em uma longa viagem? Não estará negando-se a receber a intimação, apenas demorara a responder a ela. Pense, se estiver em Londres, terá todas as oportunidades de informar o que se passa ao nosso velho e conhecido Juiz Diggory. Provara que é vitima de uma armação e de quebra, escapará de alguns indigestos dias na cadeia.
-E me livro definitivamente da filha do juiz -ele concordou, olhando para Hermione – não posso viajar sozinho.
Hermione não acreditava no que ouvia. Eles falavam com tanta naturalidade sobre assuntos que a deixavam pálida e gelada.
Primeiro, a possibilidade de ser preso. Não era um piquenique, era a prisão! Meses longe dela, sofrendo e sendo maltratado dentro e um cela suja e fria!
Depois, falavam sobre fuga, sobre sumir e abandonar tudo. Livre, porém longe dela. E agora, falavam de viagem.
-Por quê? -ela se afastou, achando a sala subitamente fria.
-Não vou deixar minha mulher sozinha. Muito menos sabendo de tudo que acontece por aqui. A fazenda é nossa, mesmo que não tenha perdoado Harry por isso, mas é nossa. Suarez pode cuidar de tudo assim como Juanita cuidará da casa. Meu pai...
-Não vou sair daqui! – ela disse assustada com essa idéia – Vá sozinho!
-Hermione! Prefere que eu seja preso? – que ficou surpreso foi ele.
-Não posso deixar a fazenda! Não vou fazer isso! Vá sozinho se é tão necessário!
-Vai comigo sim! Não posso deixá-la sozinha!
-E porque não? – ela quase cuspiu as palavras, com ódio – Sou capaz de cuidar de mim mesma, não preciso de você para nada!
-Mentira! Precisa de mim, tanto quanto preciso de você! Não deixarei minha mulher e meu filho para trás! Vai comigo, nem que para isso tenha que levá-la amarrada!
-Você que tente! -ela tentou se afastar, mas Rony segurou-a com força.
-Vá ao quarto e apanhe a arma dela – ele disse a Gina – Na gaveta das roupas intimas. Dê a Harry – ele mandou, tendo que segurar Hermione.
Ela esperneou, e se debateu, mas Rony segurou-a por trás. Um braço em sua cintura, o outro, cobrindo sua boca para que não gritasse.
Assim que Gina voltou, Harry guardou a arma de Hermione em sua cintura, por trás do elegante terno.
-Quanto tempo temos até o juiz aparecer com a intimação? -ele perguntou, ainda imobilizando-a.
-Amanha pela manhã deve estar aqui. Tem presa, depois de ter visto os documentos verdadeiros. – ele informou. Imaginado o que Rony tinha em mente.
-ME SOLTE! - ela gritou quando ele soltou seus lábios. – EU TE ODEIO! SOLTE-ME!
-Quanto mais gritar, mais eu aperto! – ele avisou, mas não surtiu efeito. – Droga, Hermione!
Tendo que usar uma força física que não pretendia, ele tapou novamente seus lábios, sentindo a dor dos chutes e das pancadas que ela dava contra seus braços e peito. Quando lhe acertou sobre a ferida da bala, ele quase a soltou.
-Escute – ele disse em seu ouvido, mas ela não parou – escute um momento! Hermione, pare de me bater e escute!
Talvez a autoridade em sua voz, ou o cansaço, a fizeram parar numa trégua, que não prometia durar muito.
-Me escute, amor, é do seu interesse – achou que poderia amansá-la com palavras de carinho mas o chute que ela deu em sua canela o fez mudar de idéia – Coopere, viaje comigo, e prometo lhe dar algo em troca. Peça o que quiser.
Como ela pareceu se acalmar, ele descobriu seus lábios, apenas para ouvir seu grito de ódio:
-QUERO QUE MORRA!
Não tinha o que fazer. Cobriu novamente sua boca, e a arrastou para o quarto de hospedes. Depois de checar que a janela estava bem fechada, jogou-a sobre a cama.
Hermione estava de pé em um segundo, selvagem, mas não rápida o suficiente para impedi-lo. Rony trancou a porta por fora, e gritou para Duran chamar o padrasto e montar guarda na janela, para Hermione não fugir.
Ignorando os gritos furiosos que ela expelia, nada gentil ou amorosa, virou-se para Gina, como se nada estivesse ocorrendo:
-Faça as malas de Hermione. E as minhas, tenho assuntos a tratar com papai antes de viajarmos.
Tentando se recompor, olhou para Harry que lhe disse:
-Viajaremos com vocês - olhou para Gina – Posso arrastá-la para o quarto se assim o quiser – provocou-a.
-Não é necessário. Vou com meu marido, onde quiser. – ela disse tão doce que causou inveja a Rony.
-Daqui a pouco escurece. Temos muito o que fazer antes da viagem. – Rony disse respirando fundo e tentando controlar a raiva, a emoção e a vontade de destrancar aquela porta e pedir perdão de joelhos.
Depois de ordens expressas, Juanita começou a arrumar as malas.
Todos ignoraram os gritos. Mas eles estavam lá.
Hermione gritou todos os palavrões, ofensas e pragas que conhecia, até sentir-se esgotada.
Reteve o impulso de quebrar os moveis, quando lembrou-se do bebê. Chorando, sentou-se na cama, desesperada demais para lamentar.
Não queria ir embora. Não queria deixar sua vida para trás.
Estava destroçada pelo desrespeito, pela insensibilidade e pouco caso de seus sentimentos.
Depois daquela linda manhã em seus braços, sentir-se tão pequena e insignificante quebrava seu coração em pequenos pedaços.
-Hermione?
Ela ouviu um chamado baixo, através da porta e reconheceu a voz de Gina.
-É por amor, Hermione. É para não te perder que meu irmão está fazendo isso – falou rápida, com medo de ser ouvida. – Vou com Harry onde ele for. Faça o mesmo.
Se aproximando da porta ela respondeu:
-Se eu jurar que vou me comportar, abrirá a porta?
-Oh, Hermione...
Haviam se passado umas três horas desde que Rony a trancara. Gina estava com o coração esmigalhado de ouvir seu choro.
-Harry me proibiu, não posso decepcioná-lo! – lamentou quase chorando.
-Harry está de acordo com isso? – ficou chocada, como se alguém houvesse lhe jogado água muito gelada direto na face.
-Tem medo que Rony vá para a cadeia. Meu irmão é muito teimoso e obstinado, não anulará o casamento jamais! Uma viagem é a melhor escapatória. Hermione, se ama meu irmão, um pouquinho que seja, colabore!
-Vá para o inferno – ela disse chorando amargamente – todos vocês são iguais!
-Não, Hermione...eu sinto tanto!
Hermione se encheu de esperanças ao ver o trinco mexer, então um grito nada discreto interrompeu o movimento:
-Deixe-a trancada! -era Juanita aos berros, depois de gritar um de seus filhos – Se Hermione não ama e não colabora com o próprio marido, é melhor que fique trancada!
-Mas... – Gina iria defendê-la.
-Sigo meu marido, onde ele for. Você fará o mesmo. E Hermione? O que tem ela de tão diferente de nós? Está me ouvindo, Hermione? -ela elevou a foz para não deixar duvidas sobre estar falando para ela – Cuide de seu filho, pare de gritar e chorar! Uma viagem a Londres não lhe fará mal algum!
-Eu não quero ir! – ela disse rachando, num choro de pura dor – Não posso deixar a terra dos meus pais...Juanita, não posso deixar tudo para trás...
-Estarei aqui, Hermione. Juro-lhe, ninguém colocará um dedo sobre à casa de seus pais, eu lhe juro, menina, agora não chore mais. Tem um marido bom, e deve ajudá-lo. Depois, se quiser, livre-se dele, mas agora, obedeça!
-Vai cuidar da fazenda? – suas palavras estavam muito fracas, pois ela tremia da cabeça aos pés.
-Como se fosse minha! Juro-lhe de coração.
-Eu o odeio, Juanita – ela apenas disse, sem concordar. Referia-se a Rony.
-e com toda a razão – ela sussurrou para Gina, e até mesmo ela teve que concordar com um aceno.
Amava o irmão, mas essa maldade era horrível de se ver. Tirar de Hermione a única coisa que lhe causava segurança era um verdadeiro pecado!
Sozinha novamente, ela deitou-se na cama, quando achou que estava um pouco zonza.
Não adoeceria por causa daquele cretino! Queria estar forte para se vingar. Nem que vivesse mil anos, mas se vingaria!
AUTORA: heheheheh....eles não param de brigar nunca, será que não cansam?
Estamos indo para a segunda fase da fic, que acontece em Londres.
Beijos