FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout  
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout
 

(Pesquisar fics e autores/leitores)

 


 

ATENÇÃO: Esta fic pode conter linguagem e conteúdo inapropriados para menores de idade então o leitor está concordando com os termos descritos.

::Menu da Fic::

Primeiro Capítulo :: Próximo Capítulo :: Capítulo Anterior :: Último Capítulo


Capítulo muito poluído com formatação? Tente a versão clean aqui.


______________________________
Visualizando o capítulo:

3. Poção Morto Vivo


Fic: A Ordem Negra


Fonte: 10 12 14 16 18 20
______________________________

As lágrimas salgadas que desciam dos olhos cerrados foram enxugadas pelas costas das mãos enquanto ela corria para longe da visão do garoto morto na sessão de Defesa Contras as Artes das Trevas. Sem sequer olhar para trás, Hermione corria o mais rápido que conseguia para longe daquela biblioteca.


As pernas pesadas, milagrosamente, ás pressas a levavam para as masmorras, local onde teria aula de Poções com o odioso Severo Snape. Hermione nunca, por toda sua vida em Hogwarts, pensara tanto que as geladas e escuras masmorras poderiam ser quentes e aconchegantes como pensava naquele momento.


Ao chegar ás masmorras, Hermione parou de correr e apoiou as mãos suadas sobre os joelhos e respirou exageradamente várias vezes, esperando o agitado coração se acalmar e a mente esquecer-se do que vira.


O mórbido corredor estava completamente isolado de qualquer ruído. Até mesmo as costumeiras estátuas que se mexiam estavam paradas, congeladas. Hermione ouviu um baixo ‘bip’ e ela virou um pouco o pulso esquerdo para olhar as horas no relógio prata. Oito horas.


Um fino e longo arrepio acometeu seu corpo. Desde o dia em que entrara em Hogwarts, Hermione não havia chegado atrasada numa aula sequer. E agora estava exatamente meia hora atrasada para a aula que mais detestava com o professor que mais a odiava. Já poderia imaginar a voz mordaz e maliciosa de Snape ecoando em seus ouvidos fazendo-a ficar extremamente constrangida.


Hermione engoliu a saliva que se formara na boca e aproximou-se da sala de aula. Suas mãos apoiaram-se na porta e ela fechou os olhos, apenas reunindo bravura suficiente para adentrar ali. Soltou o pesado ar mais uma vez, e forçou suas mãos a abrirem a porta dupla.


Um rígido, agoniante e alto ruído foi feito e sem mesmo olhar para o rosto do professor caminhou, em passos extremamente apertados, em direção á quarta fileira, local onde costumava sentar. Hermione, porém, estancara em meio aos degraus de madeira ao ouvir a voz do professor.


-O quão magnífica é essa situação? – Indagou Severo Snape pausadamente. Era nítida a mistura de gratificação e gozo no timbre de voz do professor, como se ele tivesse esperado todos esses anos para tal cena. –Senhorita Granger, está ciente de que está meia hora atrasada?


Hermione decidiu ignorar as risadinhas debochadas dos sonserinos e os olhares perplexos dos grifinórios e lufenses. Seus olhos âmbares encaravam os sapatinhos marrons. 


-Sim, senhor. – Ela respondeu sem levantar os olhos. A voz rouca não saíra como planejado.


-E a senhorita tem, acaso, uma explicação aceitável para tal atraso? – Ele perguntou aumentando a malicia na voz alimentando gradualmente as risadas abafadas dos sonserinos.


-Não, senhor.


-20 pontos a menos para a Grifinória pelo seu atraso deliberado, senhorita Granger! Espero que não se atrase também para achar um lugar para sentar!


-Não, senhor. – Ela respondeu voltando a caminhar rapidamente.


 Ao passar pela quarta fileira de carteiras, os olhos castanhos de Hermione encontraram os azuis escuros de Rony logo á sua frente, sentado na quinta fileira, ao lado de Harry, e ela sentiu o coração debater-se ao lembrar o garoto ruivo morto na biblioteca. Hermione puxou a cadeira e sentou-se ao lado de Neville Longbottom que parecera aliviado com a presença da garota.


-Por um momento achei que não viria... – Neville comentou baixinho para a amiga ao lado.


-Ah, Neville, você me conhece. Sabes bem que não perderia aula, independente de qual seja.


-Não sei o que fazer sem você, Hermione... – Ele disse um pouco corado. Hermione supôs de amedrontamento. Era sabido o extremo pavor que Neville tinha de Severo Snape. –Ainda bem que está aqui.


-Você está bem? – Harry se encurvou um pouco para frente para perguntar a Hermione. A respiração de Harry tocou-lhe no ouvido e ela logo confirmou com a cabeça. Com o cenho franzido em descrença, Harry afastou-se e se ajeitou na cadeira de madeira, levantando os olhos verdes e prestando atenção á aula de Poções.


Hermione respirou fundo mais uma vez e pousou a mão no lado esquerdo do peito, em cima do coração, agradecendo mentalmente por Ron estar bem. Quando ela dobrara o corpo um pouco para a esquerda, um novo arrepio alcançou o corpo e rapidamente pôs as duas mãos sobre a cabeça. Por todo o medo sentido na biblioteca acabara esquecendo sua mochila no corredor da sessão em que estava. Como fora tão distraída a ponto de esquecer a mochila e seus livros?


-... Com pele de sapo de thora, mel aberrudo, raízes valerianas e vagem suporífera com folha de grama. Alguém sabe a que poção estou me referindo? – Indagou Severo Snape de costas para a turma. Não demorou minutos para ainda assim sentir que alguém estava com a mão levantada. – Ninguém?


-Poção do Morto Vivo. Ela é extremamente difícil de ser feita e deixa quem a bebe adormecida por horas... – Hermione de fato esquecera sua mochila na biblioteca com todos os seus livros. Porém, ela não precisava daqueles livros para identificar ingredientes e poções. Hermione só parara de falar quando a mão direita de Snape levantou-se, pedindo silêncio.


-Incrível como não consegue deixar de ser intragável, não é, senhorita Granger? – Hermione desviou os olhos para a mesa á sua frente com tal veracidade do professor.


-O senhor também, não é? – Rony levantou-se de onde estava sentado visivelmente irritado. As cabeças de todos os alunos ali presentes viraram para o ruivo e os olhos azuis de Rony não deixavam de demonstrar raiva e até mesmo audácia. –O senhor perguntou, naturalmente querendo que alguém responda, e Hermione respondeu corretamente. Se não queria que ninguém respondesse, não perguntasse!


Harry piscou os olhos para o amigo ao lado com um pouco de incredulidade, afinal poucos eram os que tinham coragem de enfrentar Severo Snape. Rony não desgrudava os olhos azuis dos negros de Snape e um ar de seriedade era visto no semblante do ruivo. Hermione voltou os olhos á mesa ali á sua frente e novamente sentiu o incômodo no estômago.


-25 pontos a menos para a Grifinória por seu comentário, senhor Weasley! E é melhor se sentar antes que tire mais cinco!


O semblante de seriedade de Ron logo foi modificado por um de indignação. Os punhos se fecharam e fazendo uma careta, Rony sentou-se inconformado. Ouviu risadinhas dos Sonserinos e as pontas de suas orelhas ficaram extremamente vermelhas, indicando raiva.


Professor Snape ficou em silêncio aguardando alguns minutos e quando as risadinhas cessaram, ele voltou á aula. –Terão exatamente uma hora para preparar a poção Morto Vivo. Os ingredientes estão no armário e as instruções no livro. Comecem.


Mal Snape acabara de falar e os alunos tangeram-se para o armário velho de madeira no final da sala. Empurravam uns aos outros para conseguir os ingredientes necessários e assim terminar de vez aquela poção.


Hermione ainda sentada na cadeira levantou a mão direita, trêmula, e esperou para que Snape desse liberdade para falar. Quando escutou um quase grunhido do professor, Hermione abaixou o rosto um pouco rosado em embaraçamento. –Eu esqueci os livros, professor.


Perturbador fora o silêncio que se formara na sala proveniente da fala dita por Hermione. Todos da Grifinória estavam com os olhos arregalados em terror enquanto os Lufenses e Corvinais piscavam os olhos incrédulos.  Até mesmo os Sonserinos se calaram com tal afirmação.


-Esqueceu os livros? – A voz do professor se antes estava em gratificação agora estavam em júbilo. Até um sorriso no canto dos lábios se formou. -10 pontos a menos para a Grifinória por estar sem material, senhorita Granger! Vá até ao armário e pegue um livro qualquer!


-Sim, senhor. – Rapidamente Hermione levantou-se da cadeira de madeira onde estava sentada e foi para o final da sala pegar o material necessário para a preparação da poção e o livro.


Hermione parou atrás de Justin Flinch-Fletchey, aluno da Lufa-Lufa, esperando que a fila de alunos á sua frente se acabasse e de uma vez pegar logo aqueles ingredientes. Ela olhou para o chão da sala e passou a mão sobre a testa mais uma vez, limpando o suor e engolindo em seco. Sua mente perturbada ainda via o dedo mindinho do garoto morto se mexendo, porém, por sorte, seu coração estava um pouco mais seguro de que aquele não na biblioteca não era Ron e isso a deixava mais aliviada a cada segundo.


Porém se não era Rony quem poderia ser? Os Weasley eram os únicos ruivos que Hermione conhecia. E bem sabia que o garoto também não poderia ser Fred e Jorge ou Percy Weasley. Nem em Hogwarts eles estavam mais!


-Pensando na morte da bezerra, Granger?


Hermione piscou os olhos castanhos ao ouvir a voz atrás dela e virou o rosto para trás, encontrando os olhos verdes azeitonas de Blaise Zabini. O sonserino continha os braços cruzados entre si na altura do peito e o pé direito batia ritmicamente no chão da sala,indicando impaciência. O nariz estreito do garoto contorceu-se de asco ao pousar os olhos sobre Hermione e, no mesmo instante, o braço direito se afastou do corpo, ficando numa reta, com o dedo indicador apontado para algo á frente.


Hermione seguiu o dedo indicador com os olhos e percebeu que a fila á sua frente havia sumido, restando apenas ela própria. Acomodando uma mecha do cabelo castanho atrás da orelha, Hermione apertou o passo e ao chegar ao armário, segurou os seis ingredientes entre as mãos.


Pele de sapo de Thora, mel aburrido, vagem suporífera, cogumelo vermelho e raízes.


Cuidadosamente, com os ingredientes nas mãos, foi ao local onde estava sentada junto com Neville e em cima da carteira de madeira, colocou os frascos necessários.


Sem nem menos olhar para o garoto ao seu lado, Hermione voltou ao final da sala, porém para outro armário, para buscar o livro de Poções. Abriu a porta do armário velho de madeira, exalando um cheiro desagradável de ácaro e mofo, e pegou o primeiro livro da pilha que ali continha.


Voltou á carteira e se colocou em pé ao lado de Neville Longbottom. Enxugou as mãos ainda molhadas de suor nas vestes do uniforme e abriu o livro na página recomendada.


-Como esqueceu o livro? – Perguntou Neville curioso com os olhos castanhos arregalados. Hermione notou que Harry, atrás de si, calou-se para ouvir a resposta. –Digo, de todas as pessoas que poderiam esquecer o livro alguma vez, você não estaria nem na lista.


-Eu fiquei lendo sobre outros assuntos na biblioteca e quando me dei conta, já estava atrasada. Saí correndo de lá, esquecendo-me dos meus livros. – Ela respondeu com um sorriso falso de bobo no rosto. –Após a aula voltarei lá para pegá-los.


Neville apenas fez um gesto de entendimento com a cabeça e voltou a atenção ás instruções no livro. Algumas vezes, coçava a cabeça confuso, não entendendo como um cogumelo vermelho, usado para causar raiva, poderia relaxar uma pessoa a ponto de fazê-la dormir.


Com a faca prateada, Neville começou a cortar a vagem em pequeninos cubinhos, mas logo parou ao ouvir a voz de Hermione.


-Você não tem que cortá-los, Neville, tem que amassá-los com a faca.


Neville usou a recomendação de Hermione e logo viu um líquido verde sair de dentro das finas cascas da vagem que cortava pregar-se á faca. Quando amassara todo o vegetal, Neville passou a ponta da faca sobre a borda do pequeno caldeirão, fazendo o líquido esparramar-se lentamente no fundo do recipiente.


-Agora, faça um pequeno corte horizontal entre o caule e o chapéu do cogumelo, sairá um líquido cor de groselha, misture com a vagem e mexa no sentido horário três vezes...


-Não posso colocar o caule junto? – Ele perguntou juntando as sobrancelhas. Depois, ao ver no livro uma pequena observação que era exatamente o caule do cogumelo que deixavam as pessoas irritadas, ele próprio pediu desculpas pela pergunta.


-Agora corte em cubinhos as raízes valerianas... quando você as colocar no caldeirão, a poção ficará um pouco mais magenta...


-Pergunto-me, Longbottom...- Neville e Hermione se calaram quando ouviram a voz tenebrosa de Snape á frente da dupla grifinória.  Neville prendeu a respiração e engoliu em seco, olhando para a mesa com as mãos tremendo. –O que faria sem a Sabe-Tudo?


Neville pensou em responder, mas decidiu se calar. Ouviu um ‘tsc,tsc’ do professor. –Tenho certeza que sem a senhorita Granger, você ainda estaria no primeiro ano...


O rosto do garoto se enrubesceu de vergonha e medo enquanto sonserinos e corvinais riam da situação. Hermione sentiu o sangue correr pelo corpo em irritação e pena. Ela levantou o rosto de forma prepotente e encarou os olhos negros do professor. O nariz grande e carnudo em forma de gancho se contorcia em desprezo.


-Tenho a certeza, professor, de que ele se sairia bem. – Respondeu Hermione alimentando a voz com os timbres considerados certos para se falar em frente a um professor.


Severo Snape desviou os olhos negros de besouro para Hermione e ela foi capaz de se ver na escura pupila dos olhos do mestre de poções. A sala estava caprichosamente calada, esperando o que provavelmente seria a primeira detenção de Hermione.


-Acredita totalmente nas formidáveis habilidades de Longbottom, senhorita Granger? – Hermione engoliu em seco e olhou para o amigo ao lado. Neville estava com o rosto abaixado e as mãos trêmulas. Novamente, levantando o rosto, Hermione encarou o rosto de Snape.


-Sim, senhor. – Respondeu segura de si.


Neville levantou o rosto amedrontado no mesmo instante enquanto os sonserinos explodiram em gargalhadas. Snape esboçou um sorriso malicioso e maldoso no canto dos lábios.


-Pois bem. Mudaremos as duplas... – Ele disse passando os olhos negros por toda a sala. Neville olhou assustado para Hermione. – O senhor Longbottom fará esta poção sozinho enquanto a senhorita Granger fará com o senhor Zabini, posto visto que também está sozinho...


-Mas senhor... – Blaise parara de falar quando viu a mão esquerda do professor levantada pedindo silêncio.


-Não contrarie minhas decisões, senhor Zabini! – Ao ouvir o comentário, Blaise fez uma careta de asco. – Fará dupla com senhorita Granger por hoje!


Hermione e Neville piscaram os olhos assustados enquanto os outros riam. Hermione olhou para o amigo ao lado e desejando um ‘boa sorte’ caminhou para a carteira onde Blaise Zabini estava. Na segunda fileira, em frente á Pansy Parkinson e Emile Bullstrade.


Hermione começava a sentir-se incomodada a medida que andava em direção para aquele lugar. Estaria rodeada de sonserinos puros a chamando de Sangue-Ruim por toda a aula, sem contar no crescente e íntimo medo de Neville errar algo durante a preparação da poção. Ela bem sabia que deveria acreditar firmemente em Neville, até pelo que havia dito ao professor, mas era conhecido o tanto de erros que o garoto poderia cometer sem a ajuda dela.


-Cuidado com a contaminação, Blás, não deixe que ela encoste em você. – Comentou Pansy Parkinson alto justamente para Hermione escutar.


-É melhor tomar um banho quando a aula acabar. – Emendou Emile Bullstrade ao lado.


Hermione apenas ignorou os comentários. Já estava acostumada com aquilo, afinal, desde o terceiro ano era alvo das brincadeiras e piadinhas das garotas da Sonserina. Pelo menos após consertar os dentes, elas pararam de chamá-la de ‘Esquilo’. Era o apelido que Hermione mais detestava.


 -Pelo menos eu vou tirar nota máxima...


Hermione encarou os olhos do garoto ao ouvir o comentário e quase sua mente disse-lhe para errar aquela poção. Ela negou com a cabeça e deixou-se ficar ao lado do sonserino que a desagrava tanto quanto o próprio Malfoy.


Os ingredientes e o livro de Poções magicamente apareceram em frente à Hermione, em cima da carteira, e ela, sem fazer algum tipo de comentário, voltou ao preparo da poção. Ao seu lado, Blaise sentou-se na cadeira e ficou a galopar os dedos finos e longos por sobre a carteira.


-Não está pensando que eu farei esta poção sozinha, está? – Indagou Hermione sem parar de cortar as folhas valerianas em sentido vertical.


-Estou. – Ele respondeu de forma rude e rápida.


-Tens a consciência de que posso, propositalmente, errar esta poção? – Hermione ouviu uma risada abafada.


-Não. Você não tiraria zero só pra me fuder, Granger. Não é idiota...


Hermione olhou para o garoto que estava sentado ao seu lado com o coração batendo rápido em indignação. –Você também não precisa ser tão rude, Zabini. Tais palavras não são aceitas em salas de aula!


-Ah, é? E o que vais fazer, Sangue-Ruim? Tirar pontos da Sonserina? Assim, deliberadamente, na frente de Snape, por causa de uma palavra como fuder? Não seja ridícula, perderia mais pontos para Grifinória por abuso de poder.


-Ah, Blás, dá um desconto... Granger só fala isso porque nunca fudeu ninguém...


Hermione virou o rosto enrubescido em raiva para trás, encarando Parkinson, autora do comentário. –Desculpe-me, Parkinson, por talvez não ser tão dada como você, que sai fudendo com qualquer um! De fato, não me surpreenderia se acaso fosse vista com Canino!


O rosto pálido de Parkinson logo se transformou num vermelho tão escarlate quanto tomate. As sobrancelhas finas e negras se encontraram e os olhos também negros demonstravam raiva intensa. Quando a garota de cabelos curtos e negros ia responder, Emile deu um pequeno empurrão com o cotovelo na cintura da menina, avisando-a sobre Severo Snape.


-Divertindo-se entre os sonserinos, senhorita Granger? – A voz de Snape irônica fez Hermione virar-se para frente.


-Não, senhor. – Ela respondeu olhando para baixo. –Apenas não me sinto confortável tendo que fazer dupla com Zabini. Além do fato dele não estar a me ajudar em nada.


-E acaso precisas de ajuda? És uma Sabe-Tudo, não és? Melhor fazer sozinha, senhorita Granger, ou Blaise poderá fazê-la errar...


Hermione cerrou os punhos nervosa quando escutou risadinhas ao seu lado proveniente do garoto. Snape contorceu o grande nariz mais uma vez e afastou-se da carteira, subindo os degraus para olhar as poções feitas de Parkinson e Bullstrade.


Blaise Zabini apoiou a perna sobre a mesa e olhou para Hermione com o rosto em deboche. Hermione franziu a testa irritada. –Então Granger, queres que te ajude na poção? Já eu não garanto nada sobre minha ajuda te dar nota máxima...


Hermione apenas voltou a preparar a poção. –Deixa que eu faço sozinha...


-Deus, você é tão manipulável... Não te incomoda o fato de nós sonserinos sermos capazes de te controlar tão facilmente?


-Vocês não me controlam, Zabini. Tampouco sou manipulável. Apenas não sou estúpida o suficiente para perder pontos e tirar zero por causa de pequenas neuroses com sonserinos. – Ela respondeu jogando os pedaços longos e finos de folhas no caldeirão, misturando-os com o mel aberrudo.


-Se Snape te pedisse para pular do alto da Torre de Astronomia ou perderia pontos, você pularia?


-Está usando o Reducto ad Absurdum... – Ela comentou com a voz alimentada em irritação. Percebeu que o sonserino não havia entendido. – É quando você se utiliza de um argumento reduzindo-o a algo absurdo ou impossível para criticar o argumento lógico dito por outra pessoa... E eu não gosto disso.


-Você é realmente uma intragável Sabe-Tudo, não é?


-Pelo menos eu sei alguma coisa. Não sou uma intragável burra. – Hermione piscou os olhos castanhos e ao ouvir um ruído da cadeira ao lado se arrastar, virou o rosto para encontrar os olhos verdes azeitonas do alto sonserino, que agora estava em pé, com as mãos nos bolsos da calça escura do uniforme.


-Não gosto de você, Granger... – Ele disse formando com o canto dos lábios finos uma careta de asco. –É bem prepotente para uma Sangue-Ruim.


-Também não sou sua fã, Zabini. – Ela respondeu voltando a atenção á poção quase pronta em cima da mesa.


Hermione pegou a vagem suporífera e a amassou com a faca prateada, liberado o líquido esverdeado o colocou no caldeirão. Mexeu três vezes no sentido horário e logo acrescentou o suco de cogumelo vermelho dando uma cor rosada á poção. Mexeu mais cinco vezes no sentido anti-horário e sentou-se na cadeira.


Blaise a olhou curioso. –Pronto? Já terminaste?


-Já. Agora só precisamos deixar a poção descansar por cinco minutos e ela estará na cor e textura ideal.


Zabini soltou um ‘hmm’ e sentou-se, cruzando os braços e batendo os pés no chão, acompanhando um ritmo inexistente. Hermione ainda escutava comentários maldosos atrás de si ditos por Pansy Parkinson, mas apenas se deixou ignorar. Pouco a pouco, os alunos iam terminando a poção do Morto Vivo e se sentavam aguardando o término da aula ou a liberação de Snape.


Hermione engoliu um pouco de saliva e cruzou os braços entre si, olhando para um canto qualquer no chão que a fizesse esquecer que estava rodeada por sonserinos. Quando a voz de Neville ecoou por toda a sala, Hermione olhou para trás, em direção ao amigo.


Neville tinha o braço direito levantando e temerosamente olhava para o caldeirão na mesa, vendo a poção borbulhar numa leve coloração magenta. Quando escutou a voz de Snape, completou:


-Terminei, senhor.


Os alunos se olharam entre si e logo buchichos entre os sonserinos eram feitos. Snape saiu do degrau em que estava e caminhou em direção á carteira de Neville. Retirando a varinha de dentro do bolso interno da capa extremamente preta, fez parecer, em cima da mesa de madeira, um copo equivalente a 500mls. Despejou o conteúdo do caldeirão pequeno dentro do recipiente transparente.


-Senhorita Granger, vá ao centro da sala! – Ele disse repentinamente fazendo alguns alunos se assustarem, inclusive Hermione.


Ela engoliu em seco e obedeceu ao professor, colocando-se no centro da sala, em frente á mesa do professor, a vista de todos os alunos ali presente. Snape desceu os degraus restantes e entregou o copo a Hermione.


-A senhorita disse há exatamente quarenta minutos que confiava nas habilidades do senhor Longbottom. Para provar que Neville Longbottom é sim um aluno de grande conhecimento em poções e não precisa de vossa ajuda, beba-a!


Hermione arregalou os olhos castanhos. Os sonserinos debocharam rindo junto com os risos dos corvinais. Lufenses e Grifinórios pareciam aterrorizados com o fato da melhor aluna de Hogwarts beber uma poção feita por Neville.


A garota buscou Neville com os olhos e o viu completamente assustado e temeroso de que aquela poção pudesse talvez matá-la. Hermione engoliu em seco e olhou para o líquido no copo transparente. Magenta. Magenta assim como o livro dizia. Uma pequena coloração rosada.


O quão difícil era aquilo? Neville tinha a capacidade sim de fazer tal poção! A única parte que faria aquilo sair errado seria as vagens e os cogumelos, coisas as quais Hermione havia alertado Neville quando estavam fazendo juntos. Ele não poderia ter errado os outros ingredientes, era só cortá-los e adicioná-los á vagem e o mel aberrudo.


E não somente isso. Hermione precisava mostrar ao próprio Neville que ele era capaz de grandes coisas. Assim como ela o já havia visto fazer. Neville foi um dos melhores alunos da AD no quinto ano ao seu lado. Ele só precisava de confiança, como a que tinha nas reuniões de grupo na Sala Precisa.


Hermione levou o copo a boca e quando sentiu o líquido tocar-lhe os lábios, fechou os olhos e bebeu a poção sem pensar em nada. O coração de Hermione batia um pouco agitado, mas nada fora da normalidade. Ao terceiro gole, a castanha já fora capaz de sentir o corpo amolecer-se e um sono irremissível pesar sobre os olhos cor de mel.


Hermione não fora capaz de chegar ao quinto gole, os olhos já fechados ficaram extremamente pesados e a força do corpo pareceu extinguir-se. Inconscientemente, Hermione soltou o copo, espatifando-se em pedacinhos ao se encontrar com o chão, e, adormecida, caiu sobre o chão em cima dos pequeninos cacos de vidros.


Ao sentir um morno vento sobre o rosto, abriu os olhos castanhos e viu o céu num azul tão claro que aparentava ser pintado á lápis de cor. Deitada sobre o que seria grama, Hermione fechou os olhos de forma sonolenta e uma alegria tenra invadiu o corpo e a alma, fazendo-a sentir-se plena de tudo sem mesmo possuir nada.


Seus ouvidos escutaram o canto dos pássaros que em cima das copas das árvores moravam e um sorriso tranqüilo se fez no rosto dela. Os braços estavam abertos, estendidos horizontalmente e um pouco de cócegas nas mãos sentia pelo fino toque da grama em seus dedos. Fora capaz de sentir até mesmo formigas caminhando por cima das mãos.


Estava sonhando? Tudo aquilo parecia tão real, nitidamente real. Um sonho poderia ser assim? Hermione nunca tivera sonhos realmente interessantes ou tão detalhistas a ponto de sentir cócegas com formigas.


Abrindo os olhos castanhos mais uma vez, deixou-se observar o azul do céu acima, e logo seus olhos acompanharam o movimento das asas de uma cotovia. Hermione respirou fundo e o ar extremamente puro daquele local atingiu os pulmões em cheio, levando-o consigo o agradável aroma de algumas flores que ali poderiam ter.


Ao sentir mais algumas formigas passearem sobre seus dedos, Hermione virou o rosto para o lado esquerdo e viu que embaixo de sua mão continha algumas flores grandes e de cor arroxeada um pouco amassadas. Não estava sobre grama. Hermione estava deitada sobre um campo que se parecia de lírios.


Os lírios eram altos e provavelmente chegariam aos joelhos de uma pessoa em pé. Exalavam um odor fino e agradável que realmente pareciam ser o lugar ideal para as moradas das cotovias.


Hermione levantou-se com cuidado para não amassar ou machucar os lírios tão bonitos. Percebeu então que vestia o uniforme da Grifinória de Hogwarts. Passou a mão direita sobre a esquerda e a coçou levemente para tirar a sensação de cócegas deixadas pelas formigas que até pouco tempo passeavam por ali, e então usou ambas as mãos para limpar a roupa que vestia.


Os olhos cor de mel se arregalaram mais do que jamais haviam feito quando percebeu a imensidão roxa que se arrastava por aquele campo. Era enorme.


No lado esquerdo, um pouco afastado de onde Hermione estava, havia árvores altas e de galhos finos que formavam o início, ou um término, de um bosque. Nas copas dessas árvores, cantorias de várias espécies de pássaros eram feitas deixando aquele campo com total tranqüilidade. Bem á frente, ao término do belo campo, Hermione pôde ver um grande lago e, sentada no que parecia ser uma enorme pedra cinzenta, uma garota.


Hermione começou a caminhar em direção á moça sentada á margem do lago, esperando que não fosse algo assustador, afinal o homem de correntes que aparecera no seu sonho noite passada poderia voltar para atormentá-la naquele. De repente seria o rosto do homem misterioso no corpo de uma mulher...


Não, não era.


A garota era jovem, aparentando seus vinte e poucos anos, de pele branca macia e suave. Os olhos eram castanhos claros e lindamente simplórios. Os cabelos também castanhos claros, quase loiros, longos e lisos caíam-lhe até o meio das costas, ondulando-se nas pontas. Duas tranças bem feitas nas laterais do cabelo prendiam-se a uma mecha fina na cabeça e terminando também em uma fina trancinha. A franja era lateralmente um pouco longa, cobrindo os olhos. As mãos estavam cobertas por luvas pretas de couro.


Hermione até se assustara quando repentinamente a garota virou o rosto para trás. Contudo, não demorara a perceber que a garota ali á sua frente não parecia lhe ver. Como se Hermione nem no campo estivesse, e sim somente ela.


-Timcanpy? – Ouviu a menina chamar com uma voz contente. Hermione franziu as sobrancelhas confusas sem entender o que ela quis dizer.


Ao chegar mais perto da moça, Hermione ouviu um zunido e procurou pelo o que seria responsável por aquilo. Um objeto extremamente dourado alado chamou a atenção de Hermione, porém ele parecia desaparecer enquanto voava no céu azul. Quando o objeto pousou sobre as palmas das mãos da garota, Hermione pôde reconhecer o que era.


Extremamente parecido com um pomo de ouro usado num jogo de Quadribol, o objeto era pequeno, do tamanho de uma noz, dourado e com asas amarelas maiores que as de um pomo de verdade. O que a diferenciava de um pomo de ouro normal, era uma fina e longa cauda que tinha presa ao corpo redondo. Tal cauda tinha, ao final, um pequeno tufo de pêlo e um anel prateado no centro da cauda, provavelmente identificando-o como pertencente áquela garota. No corpo redondo, bem no meio, havia uma cruz branca bem parecida com a cruz dos Templários da Idade Média.


Fora aí então que Hermione supôs estar na Idade Média. Mas como poderia sonhar tão detalhadamente com a Idade Média? Época esta que muitos estudiosos não foram nem capazes de escrever?


-Tens que tomar cuidado, Timcanpy, ou um gato poderá comê-lo!


Timcanpy deu um pulinho na mão da garota como se entendesse o que ela quis dizer. A forma como o pomo se movimentava deu a Hermione a impressão de que Timcanpy era relativo a algum bichinho de estimação naquela época. Embora não tivesse olhos, boca ou mesmo orelhinhas, aquele bichinho era capaz de entender os comandos da dona e até mesmo ter a consciência de quem se tratava.


-Qualquer gato que comer Timcanpy morreria instantaneamente.


Hermione virou o rosto em direção á voz masculina que repentinamente surgira no campo. Percebera que um sorriso divertido aparecera nos lábios da garota ali ao seu lado e ela correu para se aproximar ao garoto próximo ás árvores do bosque. O forte e longo abraço que entre os dois se formara deu a Hermione a idéia de que eram enamorados. 


Timcanpy, o bichinho, voava parecendo feliz sobre as cabeças dos dois.


O garoto não pareceu normal aos olhos de Hermione. Embora fosse jovem também, supostamente a mesma idade da garota, tinha os cabelos extremamente brancos, curtos, porém volumoso, caindo sobre os olhos estrondosamente castanhos. O rosto pálido e sagaz era livre de qualquer caminho de barba ou bigode, porém com as costeletas já altas, indicando que não tardaria a ter os pêlos de homem. O nariz era enxuto e estreito, combinando perfeitamente com o formato do rosto.


-Soube que irá a Cidade das Esmeraldas amanhã. – Ele disse ao ouvido da garota numa voz misturada em felicidade e tristeza. Ainda estavam abraçados um ao outro, como se nenhum dos dois quisessem que o outro fosse embora.


-Sim. Encontrar-me-ei com o Maravilhoso Merlim para que ele possa me curar.


Hermione arregalou os olhos castanhos em susto e surpresa. Mago Merlim? Estava em que época afinal? Mago Merlim existiu algo em torno de 900 D.C, antes mesmo de Hogwarts ser construída por Gryffindor, Salazar, Ravenclaw e Hufflepuffle... Como poderia estar ali? Como poderia estar sonhando com Mago Merlim?


-Talvez ele não possa...


A garota pareceu ofendida com o comentário e se afastou um pouco para trás, desfazendo o abraço apertado que até então os dois pareciam não querer soltarem-se. – Ele pode sim! Ele é o Maior Sábio do mundo! Ele me curará desta maldição!


-Não deposite tantas esperanças. Bem quero que ele consiga expurgar isto de dentro de ti, porém já nasceste com isto e talvez ele não possa simplesmente tirá-lo sem lhe ferir...


-Tenho esperança, Fiyero! – Ela disse confiante numa voz melodiosa. – Preciso ter! Afinal, o que é a vida sem esperança? Esperança é tudo que me resta... É tudo o que nos resta para sermos capazes de viver juntos com os demais! Gabrielle me disse que se há alguém capaz de me salvar, esse alguém é Merlim! E em Merlim hei de confiar!


-Ela irá contigo á Cidades das Esmeraldas? – O garoto de cabelos brancos chamado Fiyero perguntou curioso.


A garota confirmou com um aceno positivo. –Sim. Ela é minha melhor amiga, estaremos juntas nesta jornada. Quisera eu que tu viesses conosco...


-Adoraria. Sempre quis visitar a Cidade das Esmeraldas, contudo preciso ensinar a meu irmão sobre a magia de nossa família. – A voz do garoto soara triste e sem força. – Ficarei triste por não poder ver-te.


-Ah, Fiyero, serão só alguns dias.


-Alguns dias podem representar meses e anos, Rhosywen! Nem sabe ao menos onde fica a Cidade das Esmeraldas! – Ele rebateu nervoso e até raivoso. Timcanpy fez um zunido em cima de suas cabeças.


 A garota Rhosywen riu divertida e virou-se, dando as costas para o Fiyero, olhando para o sol que já caia no céu, dando-o um tom alaranjado e magenta, causando entre os galhos das árvores um crepúsculo pequeno e de baixa intensidade.


-Nas montanhas, onde as pedras brilhantes crescem sobre o céu poente, os rios transbordam por entre os bosques e os rouxinóis cantam o amanhecer por todo o tempo... Lá, perto aos grandes e mágicos matagais, entre os animais e fadas, encontrará a Cidade das Esmeraldas! – Ela disse apontando o dedo indicador para uma direção aparentemente desconhecida.


-Não consigo ser tão otimista... A meu ver, pessoa alguma é capaz de livrar-te desta maldição...


Rhosywen abaixou os olhos castanhos tristes para os lírios arroxeados no campo. A mão direita pousou sobre a outra e ela retirou a grossa e pesada luva escura de couro da mão esquerda.


Na costa da mão esquerda, bem ao centro, havia um corte vertical bem fino, uma espécie de abertura, que dela se formavam mais quatro, como a estrela dos quatro pontos cardeais. Dentro dessas aberturas, algo de estado indefinido, mas que a Hermione pareceu plasma, emitia uma luz verde e brilhante por toda a extensão das finas aberturas.


Hermione nunca havia visto tal coisa em toda sua vida.


-Não posso perder as esperanças, Fiyero... Também sei que é difícil me livrar disto, mas Merlim é minha única chance e não posso desperdiçá-la...


-Sim, tens razão... Desculpe-me pela minha costumeira grosseria. Retirar toda a esperança que se tem é algo indigno e injusto...


Fiyero a abraçou forte por trás na cintura. Timcanpy pousou sobre os ombros de Rhosywen e ela estendeu o braço esquerdo acima, como se pudesse alcançar ao sol. –Verás, Fiyero, verás que Merlim me salvará!


Hermione piscou os olhos cor de mel quando viu na mão esquerda de Rhosywen, no dedo anelar, o anel de titânio e safiras azuis que havia comprado na velha loja da Madame Malterg. Rapidamente, Hermione retirou de dentro da blusa social branca do uniforme a correntinha de prata que prendia o anel amaldiçoado. Aquele anel pertencia áquela garota? Pertencia á Rhosywen de mil anos atrás?


-Hermione? – Ouviu alguém a chamar. O casal á sua frente passaram a ficar embaçados, tal como o bosque e o grande campo de lírios. –Hermione?


Hermione abriu os olhos pesados e mesmo com a visão embaçada, reconheceu os rostos de Harry, Ron e Neville á sua frente. Dobrou alguns dedos das mãos e logo sentiu que faixas os enrolavam. Os olhos castanhos da garota reconheceram o teto mágico de Hogwarts, mostrando o céu cinzento em nuvens pesadas de chuva. Sentia no rosto algumas bandagens e esparadrapos.


-Quase a mataste, Neville! – Reclamou Rony aborrecido para Neville ao seu lado. Os dois estavam sentados sobre banquinhos de madeira ao lado direito da maca que Hermione estava deitada.


-Desculpe... – Ele pediu com o rosto rosado em vergonha.


-Você está bem, Hermione? – Indagou Harry preocupado sentado sobre um banquinho de três pés feito de madeira do lado esquerdo da cama. Hermione virou o rosto em direção á voz do garoto.


-O que aconteceu? – Ela perguntou tampando um forte bocejo com a mão enfaixada. Os olhos castanhos se fixaram no pulso e ela franziu a testa confusa. –Por que estou com minhas mãos enfaixadas?


-Você bebeu a poção de Neville e sem aviso prévio desmaiou perante toda a sala. Como largaste o copo de vidro, ele se quebrou e você caiu por cima dos cacos machucando as mãos e um pouco o rosto. – Explicou Harry pacientemente. – Não se preocupe, segundo Madame Pomfray poderá sair ainda hoje da enfermaria e até mesmo ficar no dormitório amanhã sem ter que ir pras aulas.


-Eu não vou perder aula! – Exclamou Hermione definitiva, ajeitando-se na cama da enfermaria. Sentiu uma pequena dor nas costas e apoiou a mão direita na região lombar. –Então a poção estava correta? – Ela indagou com um pouco de afirmação na voz.


-Mais ou menos. Professor Snape disse que eu só mexi a poção no sentido anti-horário três vezes, não cinco, e então ela não estava definitivamente correta. Mas que isso não afetava em nada a poção, apenas diminui o tempo de sonho...


-E você sabe como é o Snape... – Completou Harry levantando as sobrancelhas negras.


-Mas acabei ganhando um Excede Expectativas. – Um sorriso orgulhoso e gentil apareceu no rosto de Neville e Hermione sorriu também.


-Você é a única pessoa de Hogwarts corajosa suficiente de beber uma poção feita por Neville... – Ron comentou fazendo um gesto negativo com a cabeça. Todos riram.


-E não deveriam estar na aula de Defesa Contra as Artes das Trevas?


Os garotos levantaram as sobrancelhas e riram um pouco desconcertados. Harry foi quem se pronunciou. –Não exatamente. Está de noite, Hermione, você dormiu por quase um dia inteiro!


Os olhos castanhos piscaram instantaneamente. Um dia inteiro? Dormira por um dia inteiro?


-E é porque Neville errou a poção e diminuiu o tempo de sonho... – Disse Ron com uma careta fazendo os três garotos rirem.


-Está melhor? – Perguntou Harry preocupado.


-Sim. Já não sinto mais o efeito da poção. Ah, e em falar nisso, parabéns, Neville! – Ela disse virando o rosto para o amigo do outro lado. Neville abaixou o rosto um pouco envergonhado.


-Você precisa de mais confiança, Neville! Desde o primeiro ano, você é meio frouxo... tá na hora de mostrar que é homem! – Comentou Ron firmemente pousando o braço direito sobre o ombro esquerdo de Neville.


-E você é muito corajoso, não é, Ron? – Indagou Hermione levantando as sobrancelhas. –Afinal, quem foi que teve medo de cérebros no Ministério?


Harry e Neville riram da careta de Rony e logo os quatro ali presentes riram juntos. Hermione percebeu que no canto da cama estava a edição do dia do Profeta Diário e ela levantou as duas sobrancelhas com surpresa.


-Há algo de mais importante no Profeta? Li a primeira página sobre a morte de Narcisa Malfoy e acabei me esquecendo do resto...


-Não muito. De importante só a morte de Narcisa mesmo... – Respondeu Harry segurando o jornal nas mãos e procurando por algo interessante. –Há relatos de outras mortes, mas de pessoas que não conhecemos... Uma tal de Azmaria Toffin morreu na França, Iolanda der Vaart morreu na Holanda e Mark Kloyster, editor da revista ‘Bruxos e Bruxas que abalam’...


-Não o vimos por todo o castelo... – Disse Ron com a voz baixa se referindo a Malfoy.


-Ah, certamente está na sua mansão tentando descobrir a verdade sobre a morte da mãe. Não se pode querer que ele assista ás aulas com o acontecido... – Novamente, a imagem de Malfoy chorando voltou á mente de Hermione.


-Não acham que Lucius poderia tê-la matado? – Perguntou Neville também baixinho.


-É o que também acho, mas Ron e Hermione não concordam... – Hermione notou um tom fino de raiva na voz de Harry, mas se deixou ficar calada.


-Eu sei lá, por mais que ache Lucius um cara mal e aterrorizante, também não consigo vê-lo matando a própria esposa. São casados há mais de 15 anos... tanto tempo junto com o outro acaba-se tendo sentimento entre si.


-Não há sentimento entre Comensais, Ron! – Harry rebateu o comentário do amigo de forma irritada.


-Não entre Comensais... Mas esses Comensais possuem família, Harry, e não se pode dizer que eles não se importam com elas... – Concluiu Hermione completando o comentário do ruivo.


Harry abaixou o rosto e baixinho pediu desculpas aos amigos. –É, talvez tenham razão. Desculpe pela irritação.


-Tudo bem, cara, a gente entende... – Confortou Ron sem se abalar com a suposta raiva do amigo.


Um ríspido ruído fora feito na Ala Hospitalar quando as cortinas brancas do cubículo que Madame Pomfray ficava foram arrastada para o lado esquerdo. A enfermeira caminhou em passos apertados em direção á maca de Hermione, única estudante ali presente. No alto da cabeça, tinha um chapéu alto branco com uma cruz vermelha, e nas mãos algum copo com líquido transparente que se parecia apenas água.


-Ah, já acordaste! Vamos, senhorita Granger, beba isso e poderá voltar para o seu Salão Comunal. – A enfermeira entregou-lhe o copo e Hermione o pegou com as duas mãos. Lentamente, Hermione levou o copo á boca e bebeu o líquido transparente como fora lhe ordenado.


Devolvera o copo á mulher e com a ajuda de Harry, Ron e Neville, levantou-se da maca cuidadosamente. Ao lado da maca, tinha um criado-mudo de madeira que em cima estava os sapatinhos marrons de boneca e sua varinha. Hermione calçou os sapatinhos e guardou a varinha entre o cinto e o cós da saia cinzenta. Limpou o canto dos lábios delicadamente com os dedos enfaixados e os quatro saíram da Ala Hospitalar.


-Ah, não se preocupe com a sua mochila, Hermione... Ron e eu fomos á biblioteca buscá-la na hora do almoço e já está na Grifinória. – Disse Harry lembrando-se do que Hermione havia dito a Neville na hora da aula de poções.


Hermione soltou um ‘hm, obrigada’ e desviou os olhos para o chão de pedra. Ele havia visto? Harry poderia ter visto o garoto morto? Hermione realmente se sentia mais aliviada em saber que o garoto ruivo não era Rony e nem que precisaria voltar áquele lugar para pegar seus livros esquecidos, mas era irrefutável o fato de que não poderia evitar a biblioteca de Hogwarts por todo o ano letivo.


Um baixo ‘bip’ foi feito e Hermione olhou no relógio de prata que tinha no pulso as horas. Nove e quarenta e dois. Um arrepio passou por toda a extensão da espinha dorsal.


-Ah, não! – Ela disse com a voz esganiçada e as mãos enfaixadas sobre a cabeça. Os garotos olharam para ela curiosos e confusos. –Estou atrasada para a minha ronda!


-Você sofreu de um sono irremissível, Hermione, não precisa se preocupar com isso!


-Sou Monitora-Chefe, Rony, não posso ser irresponsável a esse ponto! Se já não bastasse, cheguei atrasada na aula do Snape. Se continuar assim, perderei meu distintivo! – Rebateu extremamente temerosa de que aquilo fosse acontecer naquele mesmo instante.


-Você também é monitor, Ron... – Disse Neville piscando os olhos.


-Eu nem ligo pra essa porcaria... – Respondeu indiscretamente chateado com os deveres que tinha como monitor da Grifinória. Ele respirou fundo e ficou ao lado de Hermione. – Vamos, Hermione, faço a ronda com você.


Harry e Neville se despediram dos dois com um aceno e foram juntos ao Salão Comunal da Grifinória. Ron e Hermione caminhavam juntos, lado a lado, para as masmorras, local onde seria a ronda de Hermione por aquela noite.


-Achou algo sobre o anel? – Ele perguntou curioso.


-Nada realmente diferente do que Madame Malterg nos disse. Esses anéis só podem ser usados por pessoas que possuem alguma relação consangüínea com a família criadora ou então será atacada pela maldição e morrerá. Instantaneamente.


-E não há como descobrir a qual família pertence?


-Acho muito difícil, Ron. Esses anéis devem ter sido construídos na Idade Média e tais famílias já podem estar extintas. Séculos e séculos se passaram e essas famílias devem ter seus representantes com outros nomes... Difícil realmente saber a quem poderia pertencer esse anel.  – Ela respondeu e viu Ron confirmar seu pensamento.


Rhosywen. Esse era o nome da garota que usava o anel. O que Hermione não entendia era o motivo de ter sonhado com ela. Além disso, será que aquela garota, Timcanpy e Fiyero realmente existiram? Mais do que nunca, Hermione quis ir á biblioteca, mas ao lembrar-se do sonho noite passada e do corpo, negou com a cabeça.


-Quem acha que matou Narcisa? – Hermione perguntou ao amigo e o viu olhar para o chão pensativo.


-Você-Sabe-Quem. – Ele disse levantando os olhos azuis e pousando-os sobre os castanhos de Hermione. Viu a garota fazer um aceno positivo indicando que ela também concordava com ele.


-É. Acho que também foi ele, mas não parece haver uma explicação razoável...


-Você-Sabe-Quem não precisa de explicações razoáveis para matar os outros, Hermione. -Hermione piscou os olhos castanhos e soube que Ron estava certo.


Os dois chegaram ás geladas e inglórias masmorras.


-Farei a ronda nos outros corredores enquanto você faz neste, tudo bem? – Ron apenas confirmou com a cabeça, direcionando-se para a primeira sala daquele corredor.


Hermione puxou a varinha de dentro do cinto, conjurou um lumus, fazendo aparecer na ponta de sua varinha mágica um facho de luz e caminhando de forma altiva se foi para o próximo corredor.


Algumas estátuas de cavaleiros se mexiam um pouco, causando um ruído metálico e assombroso, mas nada que realmente assustasse Hermione. Era acostumada áquelas estátuas de Hogwarts. Até mesmo as gárgulas de pedra se mexiam no alto da Torre de Astronomia.


Por um lado, Hermione concordava um pouco com Ron. Não era tão agradável ser Monitora-Chefe depois que se tinha o cargo. Era obrigatório fazer as rondas todas as noites em pelo menos um local específico, ser responsável por todas as reuniões, e ás vezes até por alunos inconseqüentes. Os privilégios de monitores não faziam tanta diferença para Hermione, afinal, preferiria muito mais dormir na Grifinória do que no quarto reservados para os monitores e muito raramente tirava pontos das outras casas. Tal ato, á vista de Hermione, era de responsabilidade apenas para os professores. Se o cargo de Monitora-Chefe não fosse tão importante para Hermione, certamente, ela já estaria deixado o distintivo para outra pessoa.


Ao virar o corredor, Hermione vira mais seis portas pesadas de madeira, três de cada lado, com correntes e cadeados trancando-as. Aquelas portas nunca foram libertadas daqueles cadeados desde o tempo em que ela entrara em Hogwarts. O que poderia ter de tão misterioso dentro daquelas salas? Chegando ao centro do corredor, Hermione percebeu que os ruídos metálicos provenientes das estátuas pararam e um silêncio sepulcral se instalava naquele lugar.


Ao dar um passo a frente, a última porta do lado direito entreabriu-se e Hermione estancou de repente. O coração bateu forte em agonia e ela engoliu em seco. Sua forte intuição dizia que ali havia algo estranho, porém ela não poderia ignorar. Se a porta estava aberta provavelmente relataria a presença de um aluno ou dois e Hermione não podia deixar de vistoriar aquela sala.


Os olhos cor de mel encararam a maçaneta redonda da porta e internamente travava uma batalha interior entre sua intuição e sua razão, esta última pedindo-lhe que entrasse naquela sala e visse o que estava acontecendo.


Decidiu obedecê-la.


Hermione virou o corpo e caminhou vagarosamente em direção á porta destrancada. A estátua prateada ao lado balançou-se e Hermione começou a sentir medo. E se fosse mais um cadáver? Ou quem sabe o prisioneiro de seus sonhos?


Temerosamente, girou a maçaneta e empurrou a porta para trás, abrindo-a e apenas colocando a cabeça dentro da sala, com a ajuda do feitiço lumus procurou pelo estranho dentro daquela sala.


Suas sobrancelhas se juntaram ao perceber que não havia nada por ali. Ela passou a costa da mão esquerda sobre a testa e respirou aliviada. Estava tão impressionada com aquele anel preso ao pescoço que estava começando a imaginar coisas sem sentido, tendo medo por nada. Era melhor esquecer aquilo e voltar aos estudos como sempre fizera.


Negando com a cabeça, Hermione soltou um sorriso bobo e virou-se, sentindo o coração se destroçar em milhões de pedacinhos. As pernas de Hermione pareceram chumbadas no chão, pois não eram capazes de se mover. Os olhos cor de mel se arregalaram mais do que jamais haviam feito e os dedos finos soltaram a varinha mágica. O objeto caiu, rolando pelo chão de pedra vagarosamente parando exatamente aos pés da estátua prateada de cavaleiro.


Lágrimas de medo correram pelos olhos e pelo rosto de Hermione ao perceber que no centro do corredor, á sua frente, balançando ao ritmo da brisa que chegava ás masmorras, havia um corpo estendido no alto do teto, enforcado com uma corda no pescoço.


Não era um garoto jovem, ao contrário, um homem de meia idade. Os cabelos eram curtos e tão negros quanto a asa de um corvo. No alto da testa, passando pela sobrancelha esquerda grossa e negra, indo até o final da mandíbula, havia uma longa e fina cicatriz. Os olhos eram extremamente, magicamente azuis escuros e ‘olhavam’ apenas o vácuo á sua frente. A corda ao redor do pescoço apertava-o forte e uma quantidade mínima de sangue e saliva escorria pelo canto direito da boca.


Hermione engoliu em seco enquanto seus ouvidos escutavam o pequeno ranger da corda indo e vindo num movimento que acompanhava a leve brisa. Os olhos de Hermione arderam e ela sentiu mais lágrimas descerem dos olhos. Fechou os olhos tentando limpá-los.


Quando os abriu, afastou-se sentindo as pernas tremerem como se fossem feitas de gelatinas. Os olhos azuis do cadáver a encaravam! Ele estava olhando para ela! Hermione deixou mais lágrimas escorrerem pelos olhos e quando viu os lábios do homem formarem um pequeno sorriso, ela saiu correndo daquele corredor.


Hermione corria o máximo que podia. Limpou mais uma vez as lágrimas dos olhos com as mãos e quando o seu corpo trombara com o de Malfoy, Hermione caiu no chão soltando sem querer um soluço de choro.


Malfoy levantou-se do chão limpando a roupa que vestia e sem nem olhar para Hermione ou dizer alguma coisa, caminhou para o corredor onde se encontrava o enforcado.


-Não vai pra lá não! – Pediu Hermione levantando-se do chão com a voz temerosa e esganiçada. Malfoy parou de andar e olhou para trás, encarando os olhos castanhos da grifinória. – Não vai não!


-Como queres que eu vá para o meu Salão Comunal então, Granger? – Ele indagou levantando a sobrancelha fina direita. Hermione engoliu em seco.


-Eles estão por toda a parte, Malfoy!


-Está louca, Granger... – Disse Malfoy voltando a andar sem se preocupar com os avisos de Hermione.


Ao chegar no próximo corredor, Draco levantara as sobrancelhas curioso. A cada segundo se convencia mais de que Granger estudava tanto que começava a ver coisas inexistentes. Não havia nada ali! Negando com a cabeça, se recriminando pelo pequeno medo que Hermione lhe causara, Malfoy voltou a caminhar em direção a uma tapeçaria marrom presa á parede que daria acesso ao Salão Comunal da Sonserina.


As mãos ele colocou no bolso da calça escura e logo sentiu seus dedos encontrarem algo supostamente desconhecido. Franzindo a testa, Draco tirou o objeto do bolso com os dedos e os olhos cinza encararam um lenço branco de seda, com detalhes e bordas em tons pastéis que se circulavam e no canto do lencinho formavam um grande H. Malfoy lembrou-se da noite passada quando a própria Granger oferecera o lenço para que não chorasse mais.


-Tenho que devolvê-la... Ah, faço isso amanhã.


Draco disse guardando novamente o lenço de seda no bolso e voltando a caminhar para a tapeçaria sem perceber que atrás de si, balançando-se para frente e para trás, o homem enforcado seguia os passos de Malfoy com os olhos extremamente azuis e um sorriso demoníaco no rosto.

Primeiro Capítulo :: Próximo Capítulo :: Capítulo Anterior :: Último Capítulo

Menu da Fic

Adicionar Fic aos Favoritos :: Adicionar Autor aos Favoritos

 

_____________________________________________


Comentários: 0

Nenhum comentário para este capítulo!

_____________________________________________

______________________________


Potterish.com / FeB V.4.1 (Ano 22) - Copyright 2002-2026
Contato: clique aqui

Moderadores:



Created by: Júlio e Marcelo

Layout: Carmem Cardoso

Creative Commons Licence
Potterish Content by Marcelo Neves / Potterish.com is licensed under a Creative Commons
Attribution-NonCommercial-ShareAlike 3.0 Unported License.
Based on a work at potterish.com.