“A única coisa previsível a respeito da vida é a sua imprevisibilidade.” - Ratatouille
Capítulo 11
- Verdade – eu concordei, pegando o ursinho da mão dele. Eu nem lembrava dele. – Mas eu também me esqueci de outra coisa. Outra coisa mais importante.
- Sério? – ele perguntou, confuso. – Eu não vi nada lá – ele se explicou, porque não tinha mais nada para me entregar.
- Eu sei.
Então eu me aproximei dele o máximo que podia, fiquei (o máximo que podia também) na ponta dos pés e colei meus lábios nos dele.
Demorou alguns instantes até que James tivesse alguma reação – ele simplesmente ficou parado, completamente imóvel... Mas quando, sei lá, ele compreendeu o que estava acontecendo naquele momento, James passou os braços pela minha cintura e me puxou para perto. O mais perto possível. E eu simplesmente fiquei ali, sentindo-o perto de mim, sem realmente pensar... Tirando o fato de que uma vez na minha vida eu fui imprevisível e espontânea. E eu gostava disso.
- Ei... – eu falei, quando me afastei dele em busca de ar. – Nós... Devíamos sair daqui. Da rua – foi o que eu consegui falar.
- É – James concordou. – É.
Mas ele se aproximou de mim e me beijou de novo. Eu totalmente não acreditava que isso estava acontecendo.
- Sério, nós devíamos sair da rua – eu falei, de novo, me afastando e encostando numa parede azul Royal. Eu nunca pintaria minha casa de azul Royal, embora eu goste muito dessa cor.
Como se isso fosse interessante para alguém.
- E para onde você quer ir? – James perguntou, se encostando à parede ao meu lado. Ele sorria.
Eu dei de ombros. Não fazia a menor diferença.
- Vamos só andar – eu sugeri – até encontrarmos algum lugar interessante e aquecido – completei, desencostando da parede e começando a andar, com as mãos nos bolsos do meu casaco, sem esperar que ele me seguisse.
- Isso foi interessante – James falou me alcançando facilmente, já que sua preparação física é inúmeras vezes maior.
- Isso o quê?
- Você me beijar.
- Ah. Que... bom – essa foi mesmo a minha resposta. Eu nunca pensei que pudesse ser tão eloqüente assim. Tanto quanto uma pedra seria. – Talvez nós devêssemos parar naquele café – eu sugeri, indicando o pequeno café de aparência rústica na esquina. Eu não sabia muito bem como continuar a conversa, na verdade, então apelei para a história do café e acrescentei uma informação que eu sabia que ele não ia deixar passar: – Eu estou congelando.
- Claro – James concordou, embora parecesse que o plano não o tinha agradado muito. Mas também não parecia que ele estava disposto a discordar dele.
Nós entramos no café e eu imediatamente senti a temperatura agradável do estabelecimento; foi um alívio. Além do mais, era tudo tão bonito lá dentro, a decoração bem planejada em todos os aspectos. E o melhor de tudo, ainda tinha várias mesas vazias, já que era metade da tarde de um dia útil.
Pegamos uma mesa e eu finalmente pude tirar meu casaco e recuperar, pelo menos em parte, o movimento dos meus braços que estavam presos no meio de tantas peças de roupa. Mas para conseguir minhas mãos de volta, eu precisava imediatamente de um café quente.
- Café no meio da tarde com Lily Evans – James comentou distraidamente folheando o cardápio. – É como se eu tivesse atravessado a ponte da meia idade.
Ele piscou para mim e voltou a procurar alguma coisa para pedir entre os vários tipos de capuccino e brownies.
- Às vezes eu me esqueço dessa sua enorme capacidade para fazer piadas, James – eu respondi, rindo um pouquinho.
Ele deu de ombros. Isso tudo é tão esquisito. Eu estava brigando com Potter há meia hora, daí fugi dele, voltei e o beijei e agora estamos tomando café juntos. Mas provavelmente combina comigo. Quero dizer, eu sou um oximoro ambulante, certo? Porque eu sou tão fria e calculista distante e ao mesmo tempo sempre estive procurando, como diz Marlene, pelo príncipe no cavalo branco. Porque eu julgava tanto James pelas coisas que ele fazia e não conseguia enxergar o que eu mesma estava fazendo. O que eu ainda estou fazendo. Porque estou enganando ele, mesmo que tenha mudado de idéia a seu respeito.
- No que é que está pensando? – James perguntou, me lembrando por um instante de Edward Cullen, de Crepúsculo, sabe, e sua mania irritante de perguntar o que Bella estava pensando a cada quarto de segundo. Mas toda semelhança acaba por aí (embora eu ainda não tenha realmente descartado aquela teoria sobre Potter ser um vampiro, já que ele faz milhares de coisas, tem uma vida social ativa e ainda consegue tirar só notas altas na escola).
- Estou pensando que isso tudo é... Diferente – eu respondi com um dar de ombros. – Mas não deixa de ser bom.
Ele sorriu para mim e assentiu.
- Duvido muito que alguém acredite se eu contar o que aconteceu aqui hoje – foi tudo o que ele disse. E eu, com minha mania de pensar demais, prontamente comecei a me perguntar se... esse negócio entre mim e Potter... começava aqui e terminava aqui. Não faz sentido. Por que um garoto que, supostamente, estava a fim de você há dois anos te largaria logo depois de você finalmente ceder? Hm?
- Não é você que sempre consegue quem quer que seja? – eu tentei parecer indiferente.
James soltou um risada bem-humorada.
- Até parece – ele disse. – Mas me deixa satisfeito saber que é essa história que rola pelos corredores da Marion Collins.
É claro que eu já sabia disso. Não tem como você sempre receber respostas afirmativas para as suas investidas, nem mesmo se você for o Príncipe William ou alguma coisa assim. Eu sou a prova viva disso. Eu provavelmente rejeitaria Sua Alteza Real o Príncipe William de Gales se ele me chamasse para sair. Mesmo que ele seja da família real. Porque plebeus e nobres não deveriam se misturar. Supondo que numa realidade completamente alternativa em que eu fosse mais velha e mais interessante, eu realizasse algum ato de honra ao povo britâncio ou whatever, e me colocassem para conhecer a Rainha e algum príncipe caísse de amores por mim. Bem, eu não diria não ao Harry, ele é mesmo muito bonitinho. E o sangue de Lady Di corre em suas veias (e nas veias do Willy também, eu sei).
Um dia vou escrever um livro chamado Os Devaneios de uma Adolescente Londrina. Mas duvido que alguém vá se interessar.
- Sabe sobre o que deveríamos conversar? – eu falei, tentando me concentrar mais na conversa com James e menos na vida que eu teria se por acaso me tornasse uma princesa. – Sobre as viagens que você já fez. Qual foi o lugar que mais gostou de visitar? Dentre todos aqueles em que eu sei que já esteve?
- Hm – ele pronunciou, pensativo. – Espanha, talvez.
- Isso foi inesperado. O que é que tem de tão interessante na Espanha?
- Espanhóis. – ele riu. – Touradas. Praias. Sei lá.
Quem imaginaria que Potter teria achado touradas interessantes? Eu não, certamente. Não consigo pensar em nada mais chato do que isso. Provavelmente o que mais me atrairia na Espanha seria Barcelona e seus ares cosmopolitas.
James continuou a me contar sobre suas andanças pelo mundo, que eram bem mais vastas do que as minhas. Eu gostaria muitíssimo de poder dizer que já estive no Egito, na África do Sul ou no México (aliás, James disse que latinos são muito mais legais com estrangeiros do que europeus, e que lá no México ninguém parecia se importar muito com a precariedade de seu espanhol e o trataram muito bem). Talvez se eu ficar com Potter ele vá tentar me impressionar no próximo verão e vai me levar para conhecer a Austrália (que é o destino que os pais dele estão planejando agora). Não que isso seja de primeira necessidade para mim, seria só uma conseqüência.
Nós ficamos ali, simplesmente conversando e tomando café por uma boa hora, até eu perceber que já estava começando a escurecer e que eu precisava ir para casa.
Até porque à noite eu tinha que estar arrumada e parecendo muito satisfeita com o jantar que minha mãe estaria oferecendo em homenagem aos meus dezesseis anos.
E porque eu tinha passado o dia inteiro longe do meu novo filhote de Yorkshire.
Então nós caminhamos pra caramba para pegar o metrô, e não o ônibus, embora fosse horário de pico e mesmo que não precisássemos ficar trancados no engarrafamento, íamos ter de ficar atulhados entre montes de pessoas. Embaixo da terra, para piorar a perspectiva.
Quando estávamos na estação anterior à minha (que era antes da de James), ele conseguiu dar um jeito de me beijar, bem rapidamente, antes de dar tchau. E depois eu desci do metrô. Como num lindo romance dramático de Hollywood, em direção ao meu destino. Hahaha.
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- Lily, desce, meu bem – ouvi minha mãe berrando lá embaixo. Eu estava deitada na cama aproveitando a companhia do Lennon, meu novo bebê. – Visita para você!
Não era hora de os convidados chegarem, de modo que eu fiquei intrigada. E chateada. Não é segredo que eu não sou nem um pouco fã de comemorações do meu aniversário.
- Eu vou ter que deixar você aqui, Lennon. Desculpe. – Falar com o cachorro é sempre um bom sinal.
Fechei a porta quando saí do quarto – Deus me livre se a minha priminha de quatro anos resolvesse entrar e fazer estrago/o cachorro sair de lá – e depois desci as escadas pondo um sorriso no rosto para fingir que estava super animada. Ninguém que está indo desejar os parabéns a você deveria receber uma cara feia em troca.
Mas o sorriso se tornou verdadeiro quando vi quem estava na sala de estar com meus pais.
- Brian! – eu exclamei quando tive um vislumbre do meu único primo ruivo. Só ele, além de mim, herdou a característica mais bacana da família. – O que está fazendo aqui? – eu corri para abraçá-lo.
- O que mais? – ele riu. – Vim dar os parabéns pessoalmente.
- Não acredito que viajou trezentos quilômetros só para vir aqui. Não vai estar nada animado – eu o adverti. – Mas ao menos vai poder ver sua família.
Brian tinha se mudado para North Yorkshire há dois anos para fazer faculdade. Ele era totalmente meu primo preferido, mas eu quase nunca mais o via e muito raramente conseguia falar com ele pela internet.
- É claro que vou – ele concordou. – E vou perder as aulas de segunda, o que é uma bênção. Mas vamos falar de coisas mais importantes. Presente – ele anunciou, me estendendo um embrulho prateado exatamente no formato de um CD.
- Obrigada. – Eu peguei o embrulho da mão dele. Desembrulhei com muito cuidado, porque é claro que eu já devo ter comentado que não vejo necessidade em destruir o papel que envolve o presente, para depois descobrir que era o disco da Taylor Swift. De jeito nenhum Brian ia pensar em comprá-lo para mim espontaneamente. – Quem foi que você contatou para descobrir que eu queria isso? – eu perguntei. – Ah, e muito obrigada! – acrescentei antes que soasse mal-educada.
- Petúnia. – Ele deu de ombros.
- Coitado de você – eu falei num tom de voz solidário. – Mas fico ainda mais agradecida depois de saber que você falou com a Petúnia por mim.
- Lily! Pare com isso, sua irmã nem está aqui – minha mãe me repreendeu. Eu ri.
Depois fiquei conversando com Brian sobre a vida universitária e quais eram as chances de ele me apresentar ao reitor (nenhumas, basicamente) e me ajudar a conseguir uma vaga (Brian disse que eu não precisava disso para conseguir entrar na universidade, mas eu tenho minhas dúvidas). Até Petúnia chegar para me atazanar (tudo bem, ela nem incomodou, se comportou direitinho) e depois meus familiares começaram a aparecer.
Mas eu estava esperando mesmo era por Marlene e Alice, tinha certeza de que elas iam estar interessadas nos acontecimentos da última tarde.
De modo que, quando elas chegaram, decidi ser bem mal-educada com o resto dos meus convidados e fui lá para cima, para o meu quarto, com as duas. Levou pelo menos uns cinco minutos para elas desgrudarem do Lennon (que ficou apavorado com as duas loucas, coitadinho) e prestarem atenção em mim.
- Tudo bem, aniversariante, seu desejo é uma ordem. Estamos prestando atenção – Alice disse com simpatia e uma risada.
Lene foi bem mais direta:
- O que é que quer falar?
- Obrigada por demonstrar todo esse interesse – falei com sarcasmo, mas depois segui adiante sem esperar qualquer resposta. – Sabem que James me levou para sair hoje à tarde, certo?
- É, estamos sabendo – Alice concordou. – Rolou alguma coisa? Tipo, finalmente?
- Ei! Como assim, finalmente?
- Sabe, Lily, existe uma linha bem tênue entre “ódio” – ela fez aspas com os dedos – e amor. Então eu meio que já sabia, principalmente depois que você começou a andar com ele, e falar nele, que isso ia acabar acontecendo. Mais cedo ou mais tarde.
Até parece. Eu não odiava ele antes, mas qualquer sentimento de repulsa que eu sentia, antes de tudo isso acontecer, era verdadeiro. Eu só mudei de opinião a respeito do garoto. Mesmo assim, preferi ignorar o discurso Amor x Ódio de Alice.
- Whatever. O que importa mesmo é que... Bem. Nós nos beijamos – eu falei, bem diretamente antes que começasse com meus rodeios tradicionais. – Bastante.
As duas bateram palminhas e soltaram risadinhas como se fossem retardadas.
- Bom, eu estava certa – Alice disse por fim. Eu revirei os olhos. Ela parecia mais animada do que Marlene, provavelmente porque não sabia de toda a história do conto e da pesquisa que eu estava fazendo, nem da mentira que eu estava contando a James. Isso me preocupava um pouco. Eu ia ter de deixá-lo saber da verdade mais cedo ou mais tarde, mas não fazia a menor de idéia de qual poderia ser sua reação. Eu sabia que ia ter que conversar com Lene sobre isso depois, mas uma coisa de cada vez.
- Então? – Lene começou – Como foi?
- O que é quer que eu diga?
- Se ela beija bem – ela explicou. Revirei os olhos de novo.
- Até parece que eu fico comentando isso... Tá, tudo bem. É claro que ele beija bem, Marlene. Que pergunta idiota.
Ela deu de ombros.
- Só estava me certificando se a história que se houve pelos corredores é verídica.
Eu ia dar uma resposta para ela, mas meu celular tocou bem na hora. Olhei no visor: Clarissa V. Clarissa Vermont me ligando?
- Alô?
- Oi, Lily – disse Clarissa do outro lado da linha, parecendo estranhamente tímida. – Só estou ligando para desejar um feliz aniversário.
- Ah – falei um pouco surpresa. – Obrigada!
- E... Bem, queria agradecer por ter me dado, sabe, uma chance de não ser uma víbora. Você foi uma das únicas pessoas que se aproximou de mim naquela escola por vontade pró... Bem, por vontade do Sr. Turner, mas ele não obrigou você a ser legal comigo, certo? Então, por ser assim como você é, Evans, você merece muitas coisas boas no próximo ano.
Sinceramente? Não era algo que eu esperava ouvir de Clarissa Vermont. Não porque eu tinha uma visão errada dela, mas porque se o colégio inteiro a chamava de víbora, era porque existia um motivo. E tinha mesmo. Ela sabia disso e tinha me contado que preferia afastar as pessoas. Mas eu já admiti que as pessoas são capazes de mudar se tiverem algum bom motivo. Ou se ganharem uma chance de mostrar o quão legais podem ser.
- Valeu, valeu mesmo – eu agradeci com sinceridade. – E espero que nesse ano possamos... Possamos nos tornar amigas, talvez? – sugeri.
- É, eu acho que sim – ela respondeu, parecendo tão insegura a respeito quanto eu estava. – Bem, era só isso mesmo que eu queria falar.
- Certo. Obrigada. Tchau!
Clarissa se despediu e desligou. Eu ainda estava meio perplexa quando larguei o telefone de volta em cima da escrivaninha.
- Não quero ser intrometida e perguntar quem era, então vou ser intrometida e perguntar sobre hoje com James, pode ser? – Lene soltou uma risada.
- Não vai dar. Eu tenho convidados lá embaixo loucos para me perguntar como vai a escola, se eu estou namorando, se estou cuidando dos meus dentes direitinho... E minha mãe vai arrancar meu couro se eu não fizer sala para eles.
As duas ignoraram o exagero que eu tinha acabado de fazer e concordaram em nome da boa educação. Lá vou eu. Eu deveria pagar James para vir à festa e me acompanhar fazendo o papel de namorado, de modo que a minha família pararia de me incomodar com perguntas como “e aquele garoto?”, referindo-se a um garoto aí que alguns deles chegaram a conhecer e sobre quem eu tento não pensar muito a respeito. Mas não acho que James ia concordar, afinal, ele tem bastante dinheiro. Deu pra ver pela casa modesta dele. E por aquela TV LED que eu ainda estou invejando.
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O último convidado só foi embora depois da meia noite. Desde quando aniversários em família terminam nesse horário? (Bem, aqui é sempre assim mas e nas famílias normais?...). Mas tudo bem, porque era o Brian e eu não o via desde o Natal e provavelmente não vou vê-lo até... Bom, não sei. Mas vai demorar bastante.
De qualquer maneira, eu estava realmente ansiosa para vê-los indo embora, de modo que eu pudesse trocar a roupa que estava usando pelo meu pijama de flanela da Hello Kitty e fazer o que eu estava ansiando fazer desde que cheguei em casa: sentar na frente do computador e, finalmente, escrever meu conto. Eu tinha exatos sete dias para deixá-lo nos escritórios da Publisher (porque sim, o conto tinha de estar impresso e nunca ia dar tempo de enviar pelo correio) e eu não tinha escrito nem uma mísera linha. É claro que eu tinha aquele primeiro conto, do qual a professora Cole não gostou... Mas se ela não tinha gostado, ninguém na revista ia gostar. E utilizá-lo ser jogar todas as minhas chances pela janela.
Mas eu tinha tido uma idéia. Eu tinha lido o tema da terceira fase de novo e ele dizia claramente que a garota acabava descobrindo que o atleta Lista-A e bonitão por quem ela era tão apaixonada não era nada do que ela esperava. E por que essa garota nerd esperaria que ele estivesse preocupado com as crianças passando fome, por exemplo? Ou com os milhares de infectados com o vírus HIV na África que não recebem tratamento nenhum, como aqui, e são completamente esquecidos pelo resto mundo? Por que essa garota imaginaria que o cara não gostaria da maneira como a popularidade separava os alunos e excluía pessoas que não eram em nada piores do que os “populares”, mas que eram diferentes e eram deixados para escanteio?
Por que ela pensaria que ele não ficaria com ela apesar de ela ser uma nerd, mas que ele nem veria a situação toda por essa ótica?
O garoto do meu conto não seria James, ele seria bastante diferente. Só que James tinha me inspirado. Porque ele tinha mostrado que aquele título de jogador de futebol garanhão era um rótulo tão grande quanto geek idiota. E que, da mesma maneira como um nerd não é só um nerd, um jogador de futebol não é só um jogador de futebol.
E eu acho que talvez fosse isso que a Professora Cole queria que eu enxergasse quando me disse para ir fazer “pesquisa de campo” para o meu conto.
Quando comecei a preencher a folha em branco do Word, não parei mais. E assim, pouco depois das quatro horas da manhã, eu tinha terminado meu conto. E tinha gostado muito dele. No final das contas, James tinha mesmo me inspirado. Só que não da maneira que eu tinha esperado.
Como estava acordada há quase vinte e quatro horas, nem reli nada, simplesmente desliguei o computador e fui dormir. Eu teria todo o fim de semana para deixar a história perfeita, e na segunda-feira o levaria para a professora Cole.
Agora eu precisava dormir e agradecer pelo dia de aniversário que tinha recebido. Se o dia de hoje servisse de prévia, parecia que meus dezesseis anos iam ser muito, muito bons.
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N/A: ei, folks! Eu sei que eu demorei para postar, mas como eu expliquei no aviso, estava fazendo vestibular (mas foi só um teste, eu ainda estou indo para o terceiro ano) e depois fui viajar... E só consegui terminar agora :/ E desculpem, eu sei que esse capítulo é um saco, mas é que agora que as coisas com James mais ou menos se resolveram, tem outras coisas que precisam entrar em foco. Tipo o conto. E a Clarissa. Acreditem quando eu digo, ela ainda vai ser bem importante.
Ah, antes que eu esqueça: Lúuh e Nath, não passei, não. Fiz 566 pontos e o argumento do último aprovado pelo acesso universal (ou seja, quem não tem direito às cotas para escola pública ou para negros) foi 607. Mas a experiência foi muito válida. E Nath, que pena que você não passou, mesmo :/ Mas não desiste, guria! Conheço tanta gente que não passou na primeira tentativa, ou mesmo na segunda, mas não desistiu e acabou conseguindo! A não ser que você não se importe com isso e esteja com planos de fazer outra faculdade, claro ;) E já que você perguntou, fiz pra jornalismo.
Beijo,
Fernanda M.