Quando Gina tinha terminado de cumprir seus deveres, ajudando a eliminar os animais nocivos e tirar o lixo do quarto dos pais, foi para seu próprio quarto. Estava mais suja que uma lata de lixo. Lavou-se e mudou de roupa, pondo um vestido verde-claro com uma sobretúnica de tom mais escuro por cima, decorada com fios de prata circundando a gola. Minerva ajudou-a a pentear os cabelos, prendendo-os no alto da cabeça, formando uma coroa, e dizendo-lhe que ela estava muito bonita, mesmo com alguns cachos escapando a toda hora.
Gina aguardou Minerva sair do quarto e amarrou uma fita em uma segunda faca, atando-a ao redor da coxa, sob o vestido. Depois prendeu uma corrente de prata que combinava com sua sobretúnica em torno da cintura, deixando-a cair abaixo da cintura e apoiando, logo acima dos quadris, outro punhal. Ia usá-lo para cortar a carne, uma vez que era o único talher usado à mesa e, como cada um trazia o seu, ninguém ia considerar incomum que ela o portasse. Mas também poderia usar o punhal para matar Pettigrew se houvesse necessidade, refletiu.
O pequeno Rony e o principal escudeiro de Harry, Neville, estavam aguardando no salão quando ela abriu a porta. Atrás deles estavam três soldados, todos segurando espadas desembainhadas.
— Com vossa permissão, vamos esperar em seu quarto até os visitantes terem partido — anunciou o escudeiro. — Devo fazer companhia ao vosso irmão, e eles — disse Neville indicando os guardas com a cabeça — vão tomar conta da porta.
Gina recuou um passo e permitiu que os dois passassem. Acariciou o irmão no alto da cabeça, e disse a Neville:
— Há um tabuleiro de xadrez e também de damas no baú ao lado da lareira.
— Jogo os dois muito bem — gabou-se o escudeiro.
— Não sei jogar — respondeu o irmão dela.
— Claro que sabes, Rony — respondeu Gina. — Só que te esqueceste. Vais te lembrar, com o passar do tempo.
Ela fechou a porta depois que passou e foi devagar até o alto da escadaria. Pelos sons que vinham lá de baixo, soube que Pettigrew e seus homens tinham chegado. Hesitou no último degrau, sentindo a coragem se esvair, e admitiu que não sabia se ia ser capaz de passar a noite sem tentar matar o tio.
Tocou o punhal ao seu lado, acariciou-o como se tivesse vida e sussurrou:
— Nossa hora chegará.
— Com quem estás falando? — indagou seu avô às suas costas. Gina virou-se e tentou sorrir. Ficou aliviada ao vê-lo, pois sabia que ele a ajudaria a enfrentar aquela noite.
— Com meu punhal — disse ela. — Estou consolando minha arma. Não me consideras louca, não é?
— Não — respondeu ele sacudindo a cabeça. — E teu punhal tem nome?
— Estás bulindo comigo? — disse Gina. O sorriso que dirigiu ao avô agora era mais natural.
— Não estou, não — respondeu o avô. — É bastante comum as pessoas darem nomes aos seus punhais ou espadas.
— Pensei que só reis fizessem isso.
— Eles também, filha. Lembra-te das histórias do poderoso rei Carlos Magno? — Quando ela assentiu, indicando que se lembrava, o avô disse: — Há canções que falam do amor dele por sua espada, que ele chamava de Joyosa. Juro.
— O nome que Rolando deu à espada que trazia no cinto foi Durindana, e há também canções falando dela — exemplificou Gina.
— Então não estás louca ao falares com teu punhal, Gina — disse o avô. — Aposto que teu marido fala com a arma dele — acrescentou.
Gina duvidava disso, mas respondeu:
— Sei que ele gosta muito da arma, mas acho que não fala com ela, não. — Viu-se prendendo o riso diante daquela conversa ridícula.
— Os cavaleiros são cheios de superstições, acho eu. Dar nome às suas armas, fazer...
— Isso é muito sério, esse negócio de matar ou ser morto. O cavaleiro sabe que sem sua arma ele perde a capacidade de lutar. Por isso é que dá tanto valor a ela. Tudo que ele usa para sobreviver tem importância.
— Estás caçoando de mim — disse Gina. — Não acredito em ti.
— Tua educação é falha, minha neta — respondeu o avô. Então pegou a mão dela e começou a descer os degraus. — A lança do cavaleiro é uma arma muito útil, não?
— É.
— A retidão da lança simboliza a verdade na forma de pensar do cavaleiro, e a ponta de ferro sugere força.
— Então não se pode usar uma lança curva — disse Gina, sorrindo de seu comentário absurdo.
— Claro que não — respondeu o avô —, e ela seria bastante ineficaz.
— E as outras coisas?
— O elmo indica modéstia; e as esporas, diligência.
— Meu marido não costuma usar elmo, portanto isso quer dizer que não é modesto? — perguntou em tom de zombaria.
— Não me venhas com brincadeiras quando estou tentando te ensinar uma coisa. — A voz do avô saiu meio sufocada pelo riso.
Tinham atingido o piso e começavam a entrar no salão quando ele sentiu a neta apertar-lhe mais o seu braço, aflita. Mesmo assim, sua voz continuou no mesmo tom brincalhão, ao dizer:
— Agora ouça bem, minha neta: o escudo é quase tão importante para o cavaleiro quanto sua espada, embora ele não seja enterrado com o escudo, é claro.
— E o que o escudo significa para o cavaleiro?
— Que, ao usá-lo, ele protege seu corpo e, portanto, se lembra de usar seu corpo para proteger seu suserano. No caso do teu marido, o suserano dele é o rei Fudge.
— E o arco e as flechas que fizeste para mim? O que representam?
— Sabes que os soldados não usam arco pequeno — repreendeu o avô. — Esses são para uso dos cavaleiros.
— Meu pai considerava minha nova arma...
— Ineficaz?
— Na verdade, ele a chamava de ridícula e inútil.
— Já basta! Estás me magoando, pois fui eu quem fiz as flechas, eu mesmo, e sabes muito bem disso! — Depois ele riu e acrescentou baixinho:
— Por que pensas que te dei um presente assim tão fora de propósito?
— Para irritar meu pai, é claro — respondeu Gina sorrindo. Estava olhando direto nos olhos brilhantes do avô, e mal notou que eles se encontravam no centro do salão, cercados pelos homens de Harry e pelos soldados de Pettigrew.
— Admito — respondeu ele, prendendo o riso.
— E foi por isso também que me deste os cães. Eram tão pequenos quando comecei a cuidar deles, mas sabias, não sabias? Sabias como iam ficar grandes.
— Sabia, sim — o avô dela imediatamente respondeu. — Mas não disse nada ao teu pai.
— Estou surpresa por ele não ter te desafiado — a declaração de Harry voltou a atenção do avô para ele. Estava parado ao lado de Gina, com um sorriso de boas-vindas no rosto.
— Era uma brincadeira nossa — explicou o avô. Pegou a mão de Gina, pousada em seu braço, e a colocou no braço de Harry.
— Arthur não só esperava minhas visitas com expectativa, mas exigia que eu fosse vê-lo. — Gina mostrou-se surpresa, e o avô confirmou.
— Juro. Ele mandava me chamar. Achavas que eu só aparecia quando me dava na veneta?
Ela confirmou, e ele continuou:
— Arthur mandava me dizer que eu estava deixando de cumprir meus deveres de pai para com sua esposa. Aí eu viajava para Weasley e ele fingia estar tão surpreso quanto todos os outros quando eu chegava.
O avô piscou para Gina e virou-se outra vez para Harry.
— Eu a trouxe cá para baixo, meu senhor. A ti cabe o dever de tirar-lhe o punhal.
Harry assentiu, mostrando que entendia, e puxou Gina para bem perto de si.
— Não desejas me cumprimentar esta noite? — perguntou ele de mansinho.
— Não — respondeu Gina. — E conservarei meu punhal ao meu lado.
— Só com minha permissão — disse o marido em tom brando. — Não gosto dos teus cabelos assim torcidos no alto da cabeça. Solta-os quando estivermos juntos.
A mão de Gina subiu automaticamente até os cabelos. Depois ela percebeu qual era o objetivo dele.
— És tão perverso quanto meu avô, meu senhor. Confundes-me com bobagens, quando há assuntos mais sérios que precisam ser discutidos. Não gostas mesmo do meu penteado? — Não pôde deixar de perguntar, e quase mordeu o lábio inferior por se comportar de modo tão tolo.
— Não — respondeu Harry. — E tuas roupas também não me agradam muito — acrescentou ele. Viu as costas de sua esposa se arquearem em protesto, e fez o máximo para não sorrir. — Amanhã vamos tratar de confeccionar novas túnicas e sobretúnicas para ti.
— Tem alguma coisa em mim de que gostes? — perguntou Gina. Deixando sua irritação transparecer, puxou sua mão do braço dele.
— Pode ser — respondeu Harry. — Vou pensar no assunto, depois te comunicarei.
A estratégia dele estava dando certo. Obrigando-a a pensar em outras coisas, esperava que, quando ela se encontrasse cara a cara com Pettigrew, não tivesse tempo para ficar com ódio. Ela agora era como a chama de um fósforo e, contanto que ele e o avô continuassem a jogar copos d'água nela, as labaredas não aumentariam a ponto de se tornarem um inferno de emoções descontroladas.
Gina olhou em torno e viu que os homens de Harry estavam sendo amistosos com os novos soldados. Todos tinham canecas de cerveja nas mãos, e o clima já estava ficando descontraído.
— Onde está ele? — Não havia inflexão na voz dela quando fez essa pergunta.
— Lá fora — informou-lhe o marido. — Está vendo que reparos e mudanças fizemos no castelo.
— Talvez fosse melhor eu ir lá recebê-lo — sugeriu Gina em voz neutra.
— Pois eu acho que não — respondeu Harry. Diante do olhar intrigado dela, prosseguiu. — Deste-me tua palavra de que não tentarás feri-lo, portanto sei que irás mantê-la.
— Então por que...
— Vem comigo para a mesa — disse ele mudando de assunto. — Não sairás do meu lado esta noite.
Gina concordou, e uma vez mais pegou o braço de Harry. A multidão dividiu-se quando eles atravesaram o salão, indo até a comprida mesa. Harry inclinou-se para a esposa e sussurrou:
— Olha em torno de nós, mulher. Estás reconhecendo algum desses homens?
— Ainda não — respondeu ela, virando o rosto para ficar apenas a alguns centímetros do rosto do marido. Ela sentia-se muito segura assim tão perto dele, e isso lhe deu coragem para olhar em torno, analisando cada um dos recém-chegados. — Muitos estavam de capuz — recordou ela ao marido.
Quando Harry pegou a mão dela e passou o braço com toda a naturalidade em torno de sua cintura, ela entendeu que Pettigrew tinha entrado no salão. Sentiu a mão do marido pousar no punho da espada.
Gina endireitou os ombros e tirou a mão do marido da sua cintura com toda a delicadeza.
— Vais confiar em mim como confio em ti com relação a este assunto? — perguntou.
Harry olhou para sua esposa e confirmou.
Ela deu-lhe as costas e ficou vendo o tio, que se aproximava deles. Sirius vinha ao seu lado, com cara de nojo.
O olhar dela estava tão frio quanto granizo no inverno, seus olhos parados, sem piscar, enquanto analisava o tio. Ele estava vestido como um galo, em tons de vermelho berrantes, a não ser pela mancha marrom no meio de sua pança protuberante, e Gina achou que ele andava se pavoneando todo como um galo também.
Pettigrew olhou para ela de relance e, vendo seu olhar firme, sentiu-se nervoso. Desequilibrou-se ligeiramente, e virou-se para olhar para o marido de Gina.
— Boa noite, Lorde — disse ao chegar à mesa. Foi obrigado a virar-se para a sobrinha e tomar conhecimento de sua presença, embora temesse essa tarefa. — Estás muito bem, minha sobrinha.
Gina nada respondeu, só continuou a olhar firme para ele. Pettigrew pigarreou e sentou-se em frente ao casal.
— Fiquei desconsolado pelo que sucedeu a tua família, Gina. Também estou inconsolável — acrescentou mais do que depressa.
Colocaram uma taça de cerveja diante dele, e o homem agarrou-a, quase a derrubando na pressa e no nervosismo em que estava. Engoliu o conteúdo dela em apenas dois goles, e tentou encobrir o arroto enquanto enxugava o rosto com a beirada da manga.
— Onde está o menino? — perguntou então.
— Não o verás — a voz de Gina saiu cortante.
— Já passou da hora de ele dormir — declarou Harry, seu tom quase agradável.
Não vai dar para agüentar isso, pensou Gina olhando o homem ali sentado, na maior tranqüilidade, diante dela. Não dá para comer na mesma mesa que esse desclassificado. Ela virou-se para olhar para o marido, desejou que ele entendesse, e depois fez menção de levantar-se. Harry não permitiu. Pôs a mão em seu ombro e a segurou, fazendo-a sentar-se de novo, embora, para Pettigrew que estava observando o casal de perto, tenha parecido uma demonstração de afeto meio desastrada da parte do suserano. Os olhos de Pettigrew iam de um para o outro sem parar, mil coisas lhe passando pela cabeça. Graças a Deus não expus meus verdadeiros sentimentos por Gina ao marido, pensou ele com um arrepio. Por algum motivo o suserano tinha se deixado enfeitiçar por ela, e provavelmente iria ficar indignado se eu dissesse o que penso dela.
Pettigrew fitou Gina e sorriu. Mas que pena ela não ter morrido com os outros, pensou. Uma mocinha desobediente e rebelde assim, sempre tão indiferente a suas tentativas de chamar-lhe a atenção. Ela parecia ter a capacidade de enxergar através de seu verniz e lhe detectar o ódio. Ele não gostava dela, não, detestava-a... todos eles, pensou. Eles estavam tentando tirar-lhe o que devia ser dele. E quando ele estivesse mandando ali, ela iria embora com o marido. Isso também era uma pena, pensou. Ele teria gostado de ter a chance de fazê-la tão infeliz quanto ela o estava fazendo se sentir agora. Teria gostado de, finalmente, vingar-se dela. De arrancar aquela expressão de desdém de seu rosto, com pele e tudo, e casá-la com um de seus amigos. Seu sadismo com as mulheres ensinaria-lhe uma lição da qual ela não se esqueceria até chegar ao inferno. Seu sorriso aumentou enquanto se deleitava com essa fantasia, e ele quase soltou uma gargalhada. Mas se conteve a tempo e tossiu.
— Pensaste em minha justa reivindicação? — perguntou Pettigrew a Harry, com o cuidado de pôr ênfase na palavra "justa".
Que reivindicação? perguntou-se Gina. Ela voltou-se para o marido e aguardou sua resposta.
— Não discutiremos a lei e tua reivindicação esta noite — respondeu Harry. Fez sinal para seus criados e apontou para o copo vazio de Pettigrew.
Este, sem a menor intenção de insistir no assunto, concordou com um sinal de cabeça. Podia esperar. E ia conseguir o que queria, sem dúvida alguma, pensou. A lei estava ao seu lado.
Olhou para Gina outra vez e precisou desviar rapidamente o olhar. Ela sabe, pensou, mas não pode fazer nada! Seus olhos semicerraram-se e seus ombros começaram a tremer de tanta força que ele estava fazendo para suprimir o riso. Então sentiu seu pênis endurecer por causa de seus pensamentos, e meteu a mão disfarçadamente entre as pernas, ocultas pela toalha da mesa. Não pode fazer nada, repetiu enquanto se acariciava, nada. Não tem prova, sua depravada, gritava ele mentalmente, em delírio.
Ah, isso ele podia lhe dar! Sim, ele lhe diria que ajudou a planejar tudo, e mais ainda: fui eu quem forneci a planta e informei as falhas da fortaleza, e meu único remorso é que não pude estar presente quando eles todos foram mortos. Mesmo assim, senti grande prazer só em ouvir o relato... tanto prazer que precisei que meus três parceiros sorvessem minha ejaculação, um após o outro. Foi o melhor dia da minha vida, concluiu.
Arriscou um olhar para Harry, e seu sorriso desapareceu. Ela tinha conseguido seduzi-lo, aquela rameira! Virou a cabeça dele e inventou falsidades sobre mim, por isso ele me olha com tanto nojo.
Mas não importa, consolou-se. A lei é a lei, meu Lorde. Não podes fazer nada também; és muito honesto, pensou, e quase se descontrolou e riu alto. Precisas ter provas antes de acusares alguém ou lhe negares algo.
Gina notou que não conseguia olhar para o tio nem mais um segundo sequer. Passou a manter os olhos baixos e não disse mais nenhuma palavra até o fim da refeição. Recusou-se a tocar nos alimentos. Estavam impuros porque Pettigrew estava à mesa. Percebeu que Pettigrew comia como se fosse sua última refeição neste mundo. E podia ser mesmo, pensou ela, só para aliviar seu tormento. Talvez Harry mudasse de idéia, visse que Pettigrew era o único por trás dos assassinatos. Ela sabia que estava se enganando, sabia que Pettigrew não era o único envolvido. O raciocínio de seu marido fazia sentido. Pettigrew era extremamente estúpido, estúpido demais... Mas, Deus do céu, aquela espera estava ficando insuportável.
Quando terminou o jantar e os serviçais tiraram a mesa, Pettigrew ficou de pé e passou a pavonear-se pelo salão. A cada copo de bebida ficava mais atrevido, percebeu Gina, bancando o bobo.
Fechou os olhos para não vê-lo, e desejou que fosse possível tapar os ouvidos também. O excesso de bebida desinibia as pessoas mais do que o normal e o barulho no salão estava ficando ensurdecedor.
Foi então que ela escutou aquela risada. Era mais um grito estridente, um som estranho, contudo algo que ela já tinha ouvido antes, no dia do massacre. Seus olhos se abriram de repente ao reconhecer aquele som, e ela tentou encontrar quem o havia produzido. Havia muita gente bloqueando-lhe a visão. Iria encontrar o dono daquela risada de qualquer maneira, pensou. Ficou de pé, assustando o marido com seu ímpeto, mas seus olhos não estavam voltados para ele. Continuou a procurar, esquadrinhando a sala toda, com toda a atenção, esperando.
O som se fez ouvir de novo, e ela o encontrou. O soldado que o produzira estava perto da arcada, rindo com um grupo de homens. Ela decorou seu rosto e sentou-se de novo. Aparentemente calma, virou-se para o marido e disse:
— Perto da porta. Um dos assassinos.
Harry virou-se quando sua esposa ficou de pé em um pulo. Tinha visto a palidez em seu rosto, a tensão em seu gesto. Sentiu vontade de sacar a espada e ficar de pé diante dela, protegê-la, mas não podia. Precisavam ter uma prova. E, assim, continuou sentado procurando fazer cara de quase entediado, caso Pettigrew ou um dos homens dele notasse o comportamento estranho da sua esposa.
Ficou visivelmente aliviado quando ela descobriu um dos assassinos. Não perguntou se sua mulher tinha certeza, pois sabia que tinha.
— Não te disse que teu tio era burro? — comentou ele. Gina não conseguiu responder. Estava com os olhos fixos no soldado.
— Só um tolo traria os mesmos homens de volta ao local do crime — resmungou ele.
— Ele estava de máscara — disse Gina, virando-se para o marido. — Mas a risada dele era muito estridente e incomum... e eu me lembrei dela. O que farás agora?
— Cuidarei disso — respondeu Harry em tom sombrio.
— Não me respondeste — insistiu Gina. Ela descobriu que as lágrimas estavam lhe toldando a visão, e viu que tinha atingido o limite de paciência. Precisou enxugar os cantos dos olhos com as costas da mão para evitar que as lágrimas lhe escorressem pelas faces.
Harry lhe roçou o rosto com a mão e aparou uma das lágrimas.
— Não deixe que ele te veja chorando. Isso lhe daria prazer e o faria sorrir; aí eu teria de matá-lo e nossos planos de pegar o mandante iriam por água abaixo.
Gina ficou encantada com aquelas palavras ternas e com a suave carícia do marido. Olhou bem fundo nos olhos dele, leu a ternura neles e, nesse instante, viu de relance o homem interior, em geral tão bem escondido por trás daquele exterior de aço.
Estava para dizer:
— Farias isso por mim? — mas não disse, pois sabia que ele faria. Em vez disso, sussurrou: — Esqueceste com quem estás lidando, senhor. Eu já te disse que nunca choro.
Ela então o presenteou com um lindo sorriso, e Harry sentiu que era o melhor de todos os presentes que ele já tinha recebido. Precisou conter-se para não tocá-la. Ultimamente, segundo percebeu, via-se tocando-a, acariciando-a e mesmo beijando-a diante dos outros. Sabia que não devia, mas quando ela estava por perto ele parecia não se importar. Ela me fará agir feito um cachorrinho, seguindo-a por toda parte se eu não me cuidar, e meus homens não me verão mais como um líder. Então pigarreou, para poder libertar seus pensamentos, e disse:
— E tu te esqueceste, esposa. Eu já te disse para confiares em mim.
— Mas eu confio em ti — protestou Gina — e respeito tuas decisões. Se não respeitasse, Pettigrew já estaria morto.
Harry foi obrigado a sorrir. Seus pensamentos com relação às habilidades dela o agradaram. Ele ficou de pé e pegou seu cotovelo.
— Demonstraste coragem considerável hoje, Gina, embora eu não esperasse menos, entendes? Mesmo assim, preciso dizer-te que estou contente.
— Então encontraste algo em mim que te agrada? — indagou Gina, aprovando o bom humor do marido.
Quando Harry admitiu que o que ela tinha dito era verdade, ela afirmou:
— Então já que estás tão contente comigo, poderias me dizer o que vais fazer com...
— Eu te direi em breve — interrompeu Harry. — É preciso cuidar dos preparativos primeiro. Agora penso que é hora de te retirares. A cantoria está ficando indecorosa e tua presença está deixando os homens constrangidos.
— Constrangidos! Pensas que me importo que...
— A cerveja lhes soltou a língua — Harry segredou, interrompendo-a. — E depois que saíres, eles vão falar mais abertamente, com menos restrições.
Ele estava certo, ela precisava admitir.
— Esperarei até que termines — disse ela. — Por mais tarde que seja, esperarei por ti. E aí, contar-me-ás teu plano?
— Isso veremos — respondeu Harry misterioso. Acompanhou-a até o quarto deles. Ela não tentou beijá-lo quando chegaram à porta, e ele ficou decepcionado. Tinha se acostumado a suas demonstrações indevidas de afeto, e isso o intrigou. Mas não havia tempo para isso agora. Ele tinha muito o que fazer, e antes de a noite terminar.
Gina encontrou o pequeno Rony enrodilhado, em um sono profundo, no meio da sua cama.
— Ele chama o seu nome no meio de seus pesadelos — disse o escudeiro chamado Neville a Gina.
— Obrigada por tua ajuda esta noite, Neville — disse Gina. — Fiquei despreocupada, sabendo que velavas por meu irmão.
O escudeiro enrubesceu diante daquele elogio. Ofereceu-se para levar o menino para seu quarto, mas Gina lhe disse que seu avô ou Sirius viriam para levá-lo para a cama.
Quando ficou só, descobriu que estava tremendo. Tirou os sapatos e sentou-se na cama para soltar os cabelos. Onde seu avô teria ido para desaparecer desse jeito? perguntou-se. Ela ia perguntar a Harry se havia motivo para sua ausência durante o jantar, mas não teve chance. Tinha sido até bom ele ir embora, concluiu Gina, e muito provavelmente isso tinha sido idéia apenas dele. Ela não podia imaginá-lo se contendo perto de Pettigrew.
O sono de seu irmão ficou agitado. Gina deitou-se ao lado dele e lhe acariciava as costas sempre que ele gritava. A voz dela pareceu acalmá-lo, pois sua respiração foi ficando mais e mais regular. Dentro de minutos, Gina também estava dormindo.
Harry só voltou para o quarto às primeiras horas da madrugada. Encontrou a esposa adormecida, ainda vestida, sobre as cobertas, com o irmão aninhado ao seu lado. Viu que ela estava descalça e sorriu. Ela parecia mais vulnerável sem os sapatos, pensou ao erguer o menino e levá-lo até a porta, onde Sirius o aguardava.
— Leve-o até o avô e deixe-o dormir com ele — ordenou baixinho.
Fechou então a porta e virou-se para a esposa. Ela parecia tão tranqüila, tão inocente, assim adormecida. Ele achou difícil despir-se, preferindo, em vez disso, olhar para ela, e deixou cair a espada de tão distraído. Ela fez um estardalhaço ao bater no chão de pedra, produzindo um som que Harry considerou alto o suficiente para acordar um defunto. Mas a única reação de sua esposa àquela barulheira infernal foi virar-se de bruços.
Ele terminou de despir-se e começou a despir Gina. O fecho no alto da sua túnica desafiou-lhe os dedos destreinados, mas ele persistiu até abri-lo. Harry fez uma pausa na tarefa de despir a esposa para tocar-lhe a pele macia e impecável e notou que ela se arrepiava sempre que a tocava, mais especialmente na base da espinha. Gina começou a tremer, e Harry apressou-se, terminando de despi-la. Ele tirou-lhe as roupas de baixo e depois fez nova pausa. Sorriu ao ver a faca presa à coxa da moça, sacudindo a cabeça diante dessa sua precaução. Ela tem muita confiança em sua própria capacidade de se defender, pensou, e perguntou-se se ela teria pensado na possibilidade de a faca ser facilmente tomada dela e usada contra ela mesma. Provavelmente não, concluiu ele. Agradava-lhe o fato de ela pensar que era assim poderosa, mas também lhe tornava a tarefa ainda mais difícil. As mulheres não tinham tendência, por natureza, a perderem os sentidos diante de uma batalha e agarrar-se com gratidão aos seus protetores? Não era verdade que eram fracas e se fiavam na força dos seus cavaleiros? Ora, decidiu ele, em algum ponto ao longo do caminho, sua Gina tinha deixado de assimilar essa informação importantíssima sobre a feminilidade. Ninguém a instruíra, ninguém lhe dissera que era fraca e necessitava de constante orientação. Estranho, mas essa lição esquecida agradava ao Lorde. Era suficiente ele saber que ela precisava dele... mesmo se ela não soubesse!
Depois de falar com o avô da moça, Harry teve uma idéia clara de onde exatamente sua esposa tinha adquirido uma opinião tão radical sobre si mesma. Sim, o avô dela era uma figura e tanto, tanto em suas roupas quanto nos maneirismos, mas cheio de lealdade e outras qualidades que também o redimiam. E bom que eu não tenha o costume de julgar um homem pelas aparências, pensou Harry, elogiando-se conscientemente.
Harry bocejou pela terceira vez. Aliviado porque a esposa estava adormecida, não quis acordá-la. Ela ia querer que ele respondesse a suas perguntas naquela mesma hora, e ele estava fatigado demais para lhe dar as longas explicações necessárias. Sob circunstâncias normais, ele não discutiria esses assuntos com sua esposa, mas, nesse caso, era direito dela, era sua a família que estava enterrada no extremo sul do pátio.
Gina tornou a tremer. Erguendo-a, Harry afastou as cobertas e colocou-a sob a colcha. Descobriu que precisava se controlar para afastar os desejos que lhe enchiam a mente e o corpo quando a tocava. Ela precisa dormir, disse a si mesmo enquanto passava os dedos de leve pela coxa da moça. Com um suspiro conformado, virou-se para sua espada no chão. Pegou-a e a colocou do outro lado da cama, e aí se deitou ao lado da esposa.
A ferida das suas costas estava cicatrizando, e portanto cocava. Ele alongou os músculos, movimentando o tronco para trás e para a frente várias vezes antes de conseguir encontrar uma posição confortável para dormir. Estava para puxar a esposa para aninhá-la entre seus braços e dormir aconchegado contra seu corpo, quando Gina teve a mesma idéia, porém ela foi mais rápida. Virou-se e se aconchegou contra ele, jogando a perna sobre as coxas do marido rápido demais para ele se esquivar ou se proteger. O resultado foi um gemido alto de dor, pois ela o acertou exatamente onde não devia.
Gina tentou controlar o riso, mas achou impossível.
— Estás acordada, esposa? — A surpresa na voz dele a fez rir mais ainda.
— Como poderia não estar? — perguntou ela a ele.
— Há quanto tempo? — perguntou ele, empurrando-a para que se deitasse de barriga para cima, e ele pudesse fitar-lhe o rosto.
— Desde que abriste a porta, meu senhor — admitiu Gina. Ela deu um sorriso escancarado, e tentou rolar para entre os braços dele de novo, porém Harry a prendeu à cama com as mãos, olhando-a exasperado.
— E, no entanto, me deixaste despi-la quando tu é que devias ter me despido? — indagou ele, a voz roufenha.
— É mais uma de tuas regras, marido? — provocou Gina.
— É — anunciou Harry. — E a desrespeitaste. — Os olhos dele a provocavam, assim como seu peito, roçando contra os seios dela bem devagarinho.
— E qual é o castigo, marido — sussurrou Gina, achando difícil continuar naquele tom de brincadeira. A proximidade dele estava deixando-a toda quente, e ela percebeu que sentia vontade de beijá-lo.
Harry leu o desejo em seu olhar e sorriu.
— Deixarei que escolhas a punição, esposa — disse ele em voz rouca.
— Então terei de beijá-lo, meu senhor — disse Gina, suspirando de um jeito afetado.
— E isso lá é punição — indagou Harry com uma das sobrancelhas erguida. Falou de um jeito ríspido, os olhos emitindo fagulhas douradas.
Gina não respondeu, só continuou a olhar para o marido com um jeito que fez o ardor nas entranhas do rapaz quase explodir de tanta paixão. Vai com calma, disse a si mesmo, devagar, para ela poder aproveitar também. Ele deu um suspiro trêmulo e rolou, ficando deitado de costas.
— Então, beija-me, Gina. Mas, antes de mais nada, precisas me chamar de Harry.
— Por quê? — perguntou a moça. Ela apoiou-se em um cotovelo e contemplou o marido.
— Gosto de ouvir tua voz dizendo meu nome, e não o dizes com tanta freqüência quanto eu gostaria.
— Como queiras, Harry — sussurrou Gina ao seu ouvido. Ela afastou-se, viu que ele sorriu e gostou disso. — E agora eu te beijarei — avisou ela. — Tenho tua permissão, Harry? — provocou.
— Tens, sim, Gina — respondeu Harry.
— Então vem cá, meu senhor — disse Gina, esperando. Harry não se mexeu. Gina começou a tamborilar com as pontas dos dedos no peito dele, mas isso não causou lá grande reação também.
— Estou cansado demais — anunciou Harry. — Tu terás de vir a mim.
— Cansado demais para virar-se para o meu lado? — perguntou ela, tentando parecer irritada.
— É verdade, sim — disse Harry. — Além disso, tu é que tens de me procurar. Sempre, Gina. — Suas palavras aumentaram de intensidade, e Gina ficou curiosa para saber o que ele estava tentando lhe dizer.
Ela sentou-se na cama e empurrou os cabelos para trás dos ombros. Harry precisou se conter para não estender a mão e tocá-la. Queria que ela tomasse a iniciativa, mas não era capaz de explicar seu raciocínio, só que desejava que ela é que lhe pedisse carinho. Ele pôs as mãos atrás da cabeça e sorriu para ela.
A expectativa de tocá-lo a excitou. Mesmo assim, era melhor não deixar transparecer que estava muito ansiosa. Acautelou-se, pois se ele soubesse o efeito que exercia sobre ela, teria mais uma arma para usar contra a esposa. Não, de jeito nenhum, concluiu ela. Antes de mostrar qualquer emoção, ela o faria desejá-la tanto quanto ela o desejava. Talvez, pensou ela cheia de uma confiança renovada, ainda mais.
Ela pôs as mãos dos dois lados do peito do marido e devagarinho começou a se aproximar da sua boca. Mas quando estava a ponto de roçar-lhe os lábios, mudou de direção e beijou-lhe o queixo. Ele estava meio barbado, e os pêlos que estavam nascendo causaram cócegas nos lábios da jovem. Ela sorriu consigo mesma e o beijou de novo, no peito, permitindo que seus seios o acariciassem de um jeito que as mãos não poderiam imitar. Harry não disse uma palavra, mas sua respiração acelerou-se, e Gina entendeu que ele estava reagindo às suas carícias. A boca da moça desceu ainda mais, até os mamilos ocultos sob o espesso tapete de pêlos no peito do marido, e a língua dela circundou cada um deles, fazendo o marido estremecer. Mas mesmo assim ele continuou calado, e Gina soltou uma gargalhada baixa e gutural. Ela se sentia uma ninfa sedutora com poder absoluto sobre o homem que reagia a seus carinhos. Era uma sensação fantástica.
As mãos de Harry lhe tocaram as faces, e ele suavemente a puxou para cima.
— Ainda estou esperando o meu beijo — disse ele, a voz grossa e aveludada.
— Aqui? — perguntou ela com inocência, apontando-lhe os lábios, — Ou aqui? — sugeriu, tocando-lhe a ponta do nariz. — Ou talvez — murmurou, deslizando a mão até abaixo da cintura do rapaz — aqui?
O olhar de Harry disse a Gina que ele não conseguiria ficar passivo àquilo por muito tempo. Ela o estava fazendo perder o controle, toque após toque. Ele sabia qual era seu jogo, e ficou assombrado diante da desinibição que ela estava demonstrando; se ele conseguisse, teria permitido que ela continuasse só para ver até onde chegaria, entretanto seu corpo estava imperiosamente exigindo a satisfação de suas necessidades, tornando-se cada vez mais dolorosamente insistente a cada segundo que passava.
— Beija-me agora — ordenou ele, acariciando-lhe os ombros para suavizar a aspereza da voz.
— Seja feita tua vontade, Harry — sussurrou Gina. Ela não sorria mais quando voltou à cabeça dele e tocou-lhe a boca com seus lábios. O beijo foi o fim do jogo para ambos. A boca de Gina abriu-se para permitir que o marido introduzisse a língua nela, as mãos dela prenderam-lhe o rosto para mantê-lo parado no lugar. E aí as brasas da paixão se acenderam, e Gina também perdeu o controle. Parecia que não conseguia saciar a sede que sentia dele, puxando-lhe os cabelos da nuca para mantê-lo preso.
Harry rolou, virou-a de barriga para cima e cobriu-lhe o corpo com o seu, enquanto continuava a beijá-la. O gosto dela, adocicado pela cerveja, fazia sua sede aumentar ainda mais. Suas mãos acariciavam-lhe e tocavam-lhe o corpo todo com uma pressa ofensiva e, quando sua mão deslizou para baixo, entre as coxas dela, sentindo a umidade ali, entendeu que ela também estava sentindo a mesma paixão.
Ele não conseguiu esperar mais. Nem Gina. Ela abriu as pernas e arqueou o corpo contra o dele, louca para que ele a penetrasse. Harry estava tão ofegante que não conseguia falar, não conseguia articular palavras para lhe dizer o quanto ela lhe agradava, só conseguia gemer de necessidade. Mergulhava fundo, estremecendo para se controlar, e ouvia-a soltar gritos. As unhas dela lhe arranharam os ombros, e ela tentou empurrá-lo.
— Estás me machucando, Harry — soluçou ela no ouvido dele enquanto continuava tentando se livrar dele.
Ele a escutou e, imediatamente, parou o que estava fazendo. Apoiando-se nos cotovelos, olhou-a nos olhos e viu as lágrimas escorrendo-lhe pelo rosto.
— Psiu — consolou-a —, não vai demorar muito, Gina. A dor vai passar — E inclinou-se para beijá-la, mas ela virou o rosto.
— Estou muito dolorida — sussurrou ela. — Precisas parar. Ela agora estava chorando tanto de dor quanto de desejo, ambos conflitantes dentro de si. — Mas também não quero que pares, Harry.
Ele não podia parar, queria lhe dizer que não, e sabia que ela não entenderia. Ela não tinha experiência sexual para entender isso. Suspirando, rolou com ela para um lado, torcendo para continuar a ter paciência, e, segurando-lhe firmemente os quadris, manteve-se dentro dela, murmurando o tempo inteiro palavras que esperava que a acalmassem.
Harry puxou uma das pernas dela para cima e descansou-a sobre um lado do seu quadril.
— Agora vai ficar melhor — disse ele, e quando os soluços pararam, ele viu que tinha dado certo. Beijou-a então, um beijo longo, intenso, que se destinava a acabar com a resistência e tornar a despertar-lhe a paixão, e depois de algum tempo Gina começou a corresponder. As mãos dela deixaram de empurrar o peito do marido e começaram a acariciá-lo de novo. E a dor passou, ou foi esquecida, diante da renovada paixão da moça.
— Está melhor? — perguntou ele, achando que não ia conseguir ficar dentro dela durante muito mais tempo.
Gina gemeu, em resposta, e seus quadris começaram a ondular contra o corpo do marido. Era só dessa excitação que Harry precisava. Sua boca cobriu a dela, abafando-lhe os gemidos, enquanto suas mãos puxavam seus quadris para mais perto. Ele queria movimentar-se devagar, mas não conseguiu, metendo o pênis até o fundo na vagina dela, cada vez mais fundo. Ouviu-a soltar novo grito, e achou que estava lhe causando mais dor, mas mesmo assim não conseguiu parar até a explosão abalá-lo, fazendo-o precipitar-se do alto do cume que tinha acabado de alcançar. Sentiu-a tremendo sob seu corpo e só então percebeu que tinha rolado a moça de barriga para cima e suas pernas estavam apertando as dele com a força da sua reação.
Quando a respiração dele se acalmou e ele sentiu-a relaxar sob si, Harry perguntou:
— Estás te sentindo bem?
Ela balançou a cabeça afirmativamente contra seu ombro, e Harry ficou aliviado. Rolou para o lado e puxou-a para perto de si, olhando os seus olhos de relance. Eles ainda estavam vidrados de paixão, fazendo Harry pensar que continuava querendo mais.
— Eu não te satisfiz? — indagou preocupado. Gina apertou-se contra o corpo dele e apoiou a cabeça em seu ombro.
— Estou satisfeitíssima, Harry — sussurrou. Sua voz estava repleta de deslumbramento e prazer sonolento. Ele se preocupa por não estar me dando prazer, entendeu ela, e sentiu um contentamento cálido percorrer-lhe o corpo. Logo, pensou ela, entenderá o quanto está começando a me amar. E um dia, refletiu, um dia ele me dirá, com palavras.
— E eu, te satisfiz? — indagou ela, embora soubesse no fundo de seu coração que tinha conseguido. Tinha ouvido o marido gritando seu nome e sentido a força da explosão de seu gozo apenas segundos antes da sua explosão. Sim, ela se lembrava de ter gritado seu nome também.
Mas antes que ele respondesse a sua pergunta, Gina tinha pegado no sono. Dando uma risadinha de leve, ele fechou os olhos. A felicidade existia ali, no quarto deles. Estava presente sempre que Gina se encontrava a seu lado. Ele admitiu isso sem sombra de dúvida e adormeceu sorrindo.