CAPITULO 88 – QUASE CONFISSÃO
Rony tinha as sobrancelhas enrugadas na testa, analisando seu bom humor e sua vivacidade. Era tão atípico vê-la contente! Depois de negar as insistentes ofertas do conde em trazer o enxoval da corte, Hermione deixara claro que estava satisfeita com um enxoval comprado no armazém da cidade, e que ela e Gina poderiam bordar as peças.
A mera sugestão de encomendar vestidos com Suzan em determinado momento, a fez parar e olhar para ele com fúria nos olhos.
Ele deveria estar ansioso para ver seu flerte. É claro. Embora um sogro juiz não se comprasse a um sogro conde, Rony não era de desprezar as oportunidades, como ele mesmo dizia.
Repetiu mentalmente as palavras de Juanita sobre mulheres grávidas nervosas gerarem filhos agressivos. Precisou contar até mil antes de concordar com apenas um aceno.
Ficou de pé no quarto de Suzan, usando apenas as roupas íntimas, enquanto mãe e filha tiraram suas medidas.
-Sempre tão magra – Suzan desdenhou – Não sei por que seu marido quer lhe dar mais vestidos. Eles lhe caem terrivelmente mal.
-Preciso de vestidos novos por causa do bebê – respondeu com falsa casualidade – Vestidos de grávida, e espero que saibam fazê-los. E um vestido de festa, pois meu pai é um conde.
-Seu pai? – A mãe de Suzan superou a surpresa pela gravidez, em nome de um peixe maior. – Seu pai está mordo, querida.
-Meu verdadeiro pai – ela disse no mesmo tom – Acaso não viu a carruagem lá fora?
Mãe e filha deixaram-na de pé sobre o banquinho onde tiravam as medidas e correram para a janela, olhando para a rua.
-Ele está muito feliz com o neto.
-Não está grávida! – Suzan disse a beira das lágrimas. Lágrimas de ódio. – Porque Rony não veio pessoalmente contar?
-E porque meu marido viria lhe contar da minha gravidez? – Hermione sentia prazer em machucá-la – Ele tem seus assuntos para tratar. Não tem tempo para essas tolices. Se não podem fazer os vestidos... – estava prestes a sair da banqueta quando a mãe de Suzan interferiu.
-Posso fazer modelos mais soltinhos, e outros próprios para a gestação. Precisará também de roupas íntimas apropriadas. Suzan, busque uma agulha no seu quarto – ela disse com uma expressão que não deixava dúvidas sobre querer tirar sua filha inexperiente do combate.
Raposa velha pensou Hermione.
-Esperto de sua parte Hermione. Quase me enganou com sua expressão contrariada. – a velha disse quando ficaram sozinhas – um filho sempre prende um homem!
-Imagino que sim – disse com pouco caso, achando que a mulher estava mais incomodada do que ela!
-Um pai conde? Isso quer dizer que será uma condessa quando ele morrer...
-E meu marido será um conde – ela lembrou, erguendo as vistas para a mulher.
A mãe de Suzan parou de tirar as medidas, sustentando o olhar.
-Um conde viúvo é sempre um bom partido – ela disse afinal, mudando a seguir o assunto.
Hermione não disse mais nada, mas estava pálida quando saiu do banquinho. Apressou-se para vestir o vestido e até mesmo deixou aquela asquerosa mulher abotoá-lo, tudo para poder sair dali o mais rápido possível.
Era uma ameaça de morte.
Na sala, Hermione fez sinal para que Gina levantasse. Sua vontade era berrar e esbravejar, deixando claro que não tinha medo de suas ameaças. Mas tinha um filho em sua barriga. Uma criança que não quisera, mas que existia, e agora, seria o centro de sua vida, e só por ela se acalmou.
-Não quero mais os vestidos – ela disse calma como nunca, encarando a mãe de Suzan, e ignorando as perguntas de Suzan – Pedirei a meu pai que traga um enxoval da corte – era apenas para humilhá-las – Duvido que meu marido continue mantendo negócios com seu pai agora que não precisamos de dinheiro.
Suzan pretendia argumentar, mas sua mãe a impediu. Orgulhosa, abriu a porta e as deixou saírem. Sabia quando ganhava, mas sabia também quando perdia.
Na carruagem, muito maior que a de Harry, apenas Rony e o cocheiro as esperavam.
-Onde está o conde? – Gina perguntou acomodando-se no estofado.
-Mostrei a ele onde fica o cemitério. Ele precisava ficar só. – contou notando a palidez de Hermione – Encomendou os vestidos?
-Não. Desisti – contou, respirando aliviada por não estar mais naquela casa.
-Brigou com Suzan? – ele perguntou já prevendo o inevitável.
-Não. Foi algo que a mãe dela me disse. – nem sabia por que estava contando estas coisas.
-E o que ela lhe disse? – ele estava sentado ao seu lado, esperando que contasse.
-Contei que tenho um pai conde, ela estava me provocando e quis... Colocá-la em seu lugar. – estava envergonhada – ela disse que um dia seria uma condessa, e obviamente, você seria um conde. E que... Um conde viúvo é um bom partido. Soou como uma...
-Ameaça de morte? – ele segurou sua mão – Esta na hora de definitivamente cortar relações com o Juiz e sua família. Subestimei o desespero deles em casar a filha. – havia um traço de preocupação em seu rosto.
-Aonde vai? – ela segurou sua mão, quando ele pareceu querer sair da carruagem. – Não é necessário essa conversa ser agora! – reclamou – É um covil de cobras. Termine o trabalho que ele lhe deu, e encerre o contato com dele, sem um combate.
-Está preocupada comigo? – ele sorriu satisfeito diante dessa possibilidade.
-Ah, meu Deus, esse homem não me dá um minuto de sossego! – puxou a mão, contrariada – Preciso de tecido, Juanita pode fazer alguns vestidos para mim. Não preciso de laços e de fitas afinal!
-Não havia decidido ficar mais calma? – Gina perguntou sussurrando – Está sendo nervosa de novo!
-E você? Está vigiando meus nervos? - ela respondeu mal educada.
-E o que mais tenho a fazer? – Gina disse desgostosa – queria que um milagre trouxesse Harry de volta. Ou ao menos tivesse a confirmação que... – olhou para o irmão em dúvida -... Que tanto espero.
-Ela acha que está grávida – Hermione contou, decidida a se acalmar e não guardar mais nenhum segredo. – Seria bom ver mais alguém sofrendo, afinal.
-Não sinto enjôos fortes como os seus. Mas tenho vertigem às vezes... E não... Bem, não tive minha regra esse mês – ela estava corada por falar essas coisas diante do irmão.
-Irá parar com o trabalho pesado Gina - ele disse olhando para a irmã com tanto carinho que doeu em Hermione. – Harry sabe?
-Não. Só contei até agora para Hermione.
-Harry ficará muito orgulhoso quando souber – ele tinha certeza disso.
Gina pareceu precisar ouvir algo assim.
-De qualquer modo, preciso buscar a intimação da qual Percy falou. Se não o fizer, dará a impressão que estou me escondendo. – ele suspirou desanimado. – Ao menos, segundo Percy, a história do tiro não vazou. Não havia nenhum conhecido no bar naquele momento.
-É necessário que o acompanhe ao gabinete do juiz? – Hermione perguntou, incomodada com essa idéia.
-Não. – ele sorriu, levando sua mão aos lábios e beijando a pele com carinho. – Prefiro que me espere na casa de chás. É mais fresco, e pode comer e beber um delicioso chá na minha ausência – disse galante.
Gina disfarçou um sorriso, olhando para fora da carruagem, enquanto se aproximavam do cemitério. Edgar esperava em frente ao portão. Tinha a expressão triste e desolada, mas Gina notou como fez esforço para não demonstrar ao juntar-se a eles.
-Deseja visitar sua família Hermione? – Rony perguntou e ela afastou os olhos, maneando a cabeça.
-Hoje não... Ainda é cedo.
Quis explicar que não era capaz de encarar todo o passado de sofrimento e privação, sabendo que boa parte de seu sofrimento fora culpa do homem a quem tinha tanto amor.
As duas desceram na casa de chás, depois de Rony e o conde ficarem diante do prédio onde ficava o gabinete do juiz. Gina estava animada com a idéia de tomar um delicioso chá, levando-se em conta que raramente ia até ali, pois os pais não tinham razão para gastos tão pouco eloqüentes.
Ela sentou-se numa das mesas e mostrou a Hermione algo dentro de sua bolsinha de mão.
-Harry deixou comigo, para que usasse em sua ausência. Hoje, sou eu quem pagará nosso chá. – ela disse orgulhosa.
Hermione maneou a cabeça, e mandou-a guardar aquilo antes que chamasse muita atenção.
Era estranho estar em um lugar bonito e tão vontade. Usava um vestido novo, e estava arrumada, coisa incomum em seu passado. Pelo visto, era verdade quando diziam que as pessoas se acostumam muito rápido com a vida boa e os prazeres do luxo.
-Peça o que quiser, eu pagarei – Gina lembrou-a quando ia fazer seu pedido.
Enquanto Gina fazia seu monólogo, contando a velhinha que era a dona do local sobre seu casamento fugido, e a novidade da gravidez de Hermione, ela se dedicou a escolher o que comeria.
-Hermione? Posso fazer uma pergunta? – Gina falou com voz hesitante.
-Se eu disser que não, você ficará calada? – ela perguntou sorrindo.
-Não mesmo! – ela também riu – Não ficou brava como Rony achou que ficaria ao saber do bebê. Confesse, está feliz não está?
-Vai contar ao seu irmão? - ela perguntou, enquanto admirava o delicioso bolo que era colocado diante de si. Chá gelado e suco de frutas. Em outros tempos não teria apetite para tanto!
-É claro que não. Somos amigas, não posso contar seus segredos, assim como não conta os meus! – ela disse como se fosse óbvio.
-Somos amigas? – Hermione desistiu de comer, imóvel, olhando para Gina em expectativa.
-Sempre fomos. – ela disse envergonhada – Estava magoada e sentindo muito a sua falta para perceber isso. Eu... Sinto muito por todas as vezes que te ofendi Hermione. Nunca foi por maldade pura, mas sim porque sentia muito a sua falta.
-Eu... – Hermione não sabia o que dizer. Não era boa com palavras ou demonstrações de sentimentos. Sentindo a garganta apertar, ela apenas maneou a cabeça e Gina teve a sensibilidade de mudar de assunto.
Mesmo que falassem de amenidades, havia um brilho de lágrimas nos olhos de Gina, e em dado momento Hermione segurou sua mão sobre a mesa e sorriu:
-Eu sinto muito também.
-Ótimo. – ela disse apertando sua mão – temos que ser maduras agora que seremos mães – ela disse e as duas acabaram rindo.
-Tão madura quanto uma maçã podre – Hermione alfinetou.
As duas conversavam e riam, enquanto devoravam os deliciosos lanches, quando o sorriso morreu na face de Hermione.
-O que foi? – Gina perguntou olhando em volta a retendo a ar – Eu não acredito!
-Não levante! – Hermione mandou com voz cortante.
O doce em sua boca tinha virado azedo e precisou respirar fundo antes de desviar os olhos da imagem provocadora, e olhar para Gina com superioridade.
-Não falaremos com esse tipo de gente! Não se atreva a falar com ela!
Hermione se convenceu que era a melhor postura. Retomou a colher e insistiu em comer até o fim seu doce, sob o olhar insistente de Lilá Brown. Ela estava sozinha, tão bem trajada e pintada que doía em Hermione notar as diferenças entre ambas. Tão linda e tão desejável, Lilá pertencera a Rony por muito tempo.
Seus encantos e sexualidade foram o bastante para manter o interesse dele por meses, e olhando para ela era impossível achar que não existia nada entre eles. Um homem pode enlouquecer com tanta beleza. Até mesmo casar-se num engano, num enlevo de paixão.
Sentia tanto ciúme que seus olhos estavam cheio de lágrimas e seu maxilar doía de tanto que apertava os dentes para não gritar e ir embora.
Durante quase uma hora manteve-se firme, enquanto Gina conversava amenidades para distraí-la.
-Não quer mesmo ir embora? – Gina sussurrou – Podemos esperar Rony em outro lugar...
-Não sou eu quem deve sair – ela respondeu novamente, decidida a não ceder.
Estava quase decidindo, quando para seu total alívio, uma cabeça ruiva surgiu pela porta da frente da doçaria.
Estava sério e irritado, mas sua expressão suavizou quando encontrou seu olhar. Um belo sorriso em sua direção que não pode apagar sua raiva, e humilhação.
-Rony, é melhor irmos – Gina disse ansiosa, olhando para Hermione.
-Imagine, aqui está mais fresco! Além disso, preciso de algo gelado. A conversa com o juiz foi extremamente...
Hermione pousou a mão sobre seu antebraço, num toque que o fez se calar. Rony tinha uma voz alta, e ela olhou na direção de Lilá, deixando óbvio a que se referia.
-Talvez seja melhor irmos – ele decidiu, mas ela maneou a cabeça.
-Já disse, não sou eu quem deve sair.
-Está abatida. – ele não podia tirar os olhos de Lilá, a raiva sobrepondo-se a preocupação com Hermione – E é tudo culpa minha que não mandei essa mulher embora quando chegou a nossa casa!
-Pare de falar tão alto, e beba se está com sede – ela reclamou, oferecendo-lhe seu copo de suco. – Não estou abatida, estou irritada, mas isso não é razão para irmos embora. Recuso-me a sair como se fosse à errada nessa história perversa! Afinal, sou eu quem deveria exigir que ela fosse posta para fora! – respirou fundo – Me conte como foi à conversa com o juiz.
-Ficou impressionado em conhecer um conde de verdade – ele sorriu para o conde, que apenas retribuiu o gesto, ocupado com seu refresco – isso até descobrir que é meu sogro. Quando contei da veracidade do nosso casamento, e da ida de Harry a Londres atrás das provas legais, e, sobretudo do nosso bebê, ele ficou definitivamente fora de si.
-Não entendo o porquê disso. – o conde disse injuriado – Está seguindo leis próprias, pois não há embasamento algum para as ameaças que fez!
-Ele esperava um bom momento para me dar um golpe e arranjar um casamento para a filha. – Rony explicou – creio que pensa, que se não me casarei por vontade, será a força. E Lavander lhe trouxe a munição para usar contra mim. Não é preciso ser muito inteligente para saber que não sou o tipo de homem que preferiria ser preso a casar com uma jovem bonita e bem nascida - ele ironizou – nunca pensei que meu senso de liberdade e espontaneidade me levasse a isso!
-Ambição, você quer dizer – ela retrucou – se não fosse tão ambicioso não estaríamos nessa enrascada!
-Se não fosse minha ambição também não estaríamos casados, Hermione! – lembrou-a brandamente.
-É exatamente disso que estou falando – ela retrucou calmamente.
Com a sombra de um sorriso, encarou-o esperando que tivesse coragem de dizer que não tinha razão. Rony pensou em arquitetar um longo discurso sobre não se rebelar contra o marido, mas apenas sorriu e curvou-se para beijá-la. Um beijo modesto e discreto, para não ofender quem estivesse olhando.
-Não faça isso em público – ela reclamou com os lábios muito perto dos deles.
-Venha comigo ao sallon e não faço em público – ele sugeriu.
-D-do que está falando? – empurrou-o chocada demais para acreditar no que ouvia.
-Acaso não sabe que o cabaré também tem quartos para uma noite só? – controlava a vontade de rir.
-A-acha que iria a um lugar desses? – gaguejou o corpo pegando fogo diante da mera sugestão.
Rony notou como afastou o olhar, as mãos um pouco trêmulas. Queria apenas provocá-la, mas ao notar sua excitação, sentiu o fogo correr em suas veias também.
-Entramos pela porta dos fundos, ninguém verá... – sussurrou quase em seu ouvido.
-Meu pai... Sua irmã... – ela pôs um das mãos sobre seu peito empurrando-o um pouco, para tentar respirar. Seu cérebro não achava grandes desculpas para dizer não. – Oh, não me proponha esse tipo de coisa...
-Tem razão – ele segurou o riso vendo sua decepção – Não podemos fazer isso, recomendações de Aporah. Lembra?
Hermione conteve um grito de raiva e frustração. Como pudera esquecer? Revoltada, fechou a cara e virou o rosto para o outro lado, tentando puni-lo com sua indiferença.
O conde e Gina conversavam sobre Londres e sobre Harry, a quem Edgar conhecia de alguns encontros políticos e sociais. Entretidos, não prestavam atenção neles.
Porém, de outra mesa, Lilá não tirara os olhos de sobre eles. A maneira como Rony cochichava a seu ouvido. A maneira como olhava para ela. Rony não era um homem de cochichos. Dizia o que tinha a dizer e ia diretamente à cama. Objetivo e direto.
Aqueles sorrisos de flerte inocente e sedutor, como se apesar do casamento, ainda estivesse seduzindo-a e conquistando-a, trouxeram lágrimas a seus olhos e revolta ao seu coração.
Vivia como uma prisioneira na fazenda Wesley, mas havia escapado ao saber que Rony estaria na cidade, na esperança de vê-lo e explicar sua loucura de amor.
Ele era seu. Era a única coisa que lhe importava! Se não fosse seu, que apodrecesse na cadeia, não se importava!
Hermione comprou o olhar daquela mulherzinha, sabendo o que pensava. Achava que estavam brigando por conta das mentiras sobe o falso casamento. Mas estava muito enganada.
Certo ou errado, não se desfaria desse casamento. Estava decidida a manter seu casamento, e a causa era secreta demais para que se permitisse confessar.
Rony acompanhou aquela troca de olhares, imaginando como poderia um homem achar que entenderia duas mulheres tão diferentes. Hermione e Lilá eram água cristalina contra vinho intoxicante.
Embora, muitas vezes, Hermione tivesse o mesmo efeito de uma bebida forte e de procedência desconhecida. Como agora, seu olhar não deixava margens para dúvidas sobre até onde iria para defender o que desejava.
Desviando o olhar, Hermione voltou-se para Rony que estava inclinado em sua direção.
-Quando será que poderei sentir os movimentos? – ela perguntou baixo, incauta, arquitetando uma doce vingança.
-Do bebê? – ele sorriu achando ser seu interesse verdadeiro – Em poucas semanas – ele notou a forma como ela olhou para Lilá, provocadora.
-Não pode sentir nada ainda? – ela segurou sua mão, e colocou sobre sua barriga.
Ele entendeu na mesma hora. Esfregava na cara de Lilá a gravidez. Verdadeira e legalmente grávida de Rony. Um trunfo.
Lilá mordeu o lábio ao ver a forma carinhosa como ele acariciava a barriga de Hermione. Não havia dúvidas da razão daquele toque. Tremendo, ela levantou-se, chamando atenção pelo estardalhaço, e andou meio caminho em direção a eles, até mudar de idéia e partir.
Vitoriosa, ela empurrou-o para longe, ocultando um sorriso de satisfação.
-Deveria me magoar em ser usado? – ele provocou.
-Não, a menos que tenha provas concretas e em mãos de que não me enganou já sendo casado – ela retrucou.
Certo, ele não era de se ofender fácil, pensou. Achando que ela merecia esse pequeno momento de revanche, deu de ombros, entrando em uma conversa com o conde.
Por vários minutos, mantiveram uma conversa, enquanto ela se mantinha silênciosa.
Hermione observava seus gestos harmoniosos em se servir e beber, sua educação e refinamento em total harmonia com seus gestos másculos. Era difícil admitir, mas não abriria mão desse homem.
-Podemos ir agora? – Gina perguntou de repente, quase sorrindo pelo modo sonhador como Hermione olhava para Rony sem que ele notasse.
-Preciso ver tecidos – Hermione informou subitamente irritada.
Seus próprios pensamentos sensuais, a deixavam envergonhada e cabisbaixa. Não tinha controle sobre si mesmo, e era algo constrangedor e assustador!
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À noite, a casa estava quieta quando Rony se despediu do conde. Eles haviam sentado na sala para conversar sobre sua situação em relação às acusações de Lilá e a posição que o juiz tomara.
Hermione havia ido se deitar mais cedo, silenciosa, e intrigantemente quieta. Algo a incomodara além de ter visto Lilá. Algo mais profundo que não lhe causara apenas raiva. Causara-lhe pensamentos profundos e desconcertantes.
O quarto estava na penumbra, à exceção de uma vela acessa ao lado da cama. Hermione estava deitada de lado, do lado de Rony, e abriu os olhos quando ele entrou.
Se ela não queria conversar, por ele tudo bem, estava cansado, mais do que gostaria de admitir. Com movimentos lentos, despiu-se e deitou-se, fazendo Hermione se mover para o lado.
Ele gemeu de contentamento ao sentir a maciez dos travesseiros.
-Está cansado? – ela perguntou baixinho.
-Sim. E você?
-Exausta – confessou, atenta a olhar para ele, na pouca luz que os banhava.
-Está magoada comigo por ter visto Lilá? – perguntou apagando a luz da vela.
O escuro foi bem vindo para Hermione.
-Não. Tenho outras razões, mas hoje, não estou brava com você – foi sincera.
-Fico feliz – ele riu no escuro.
Era uma sensação única conversar com um homem, na intimidade de um quarto, no escuro com a certeza de que não queria estar em nenhum outro lugar que não fosse esse!
-Queria não estar tão cansado – ele revelou, tateando no escuro, até achar a curva do seu quadril e puxá-la para seus braços.
Hermione riu suavemente, quando ele lhe fez cócegas na barriga ao acariciá-la. Seu sorriso foi morrendo e se apagando, na escuridão, ele não viu. Acariciava o filho, dizendo a ele o quanto o queria.
O quanto o esperava e desejava. Uma menina talvez, para alegrar seus dias. E lhe dar muitos cabelos brancos com sua teimosia e impertinência, tal qual a mãe.
-Nunca quis um marido – ela disse na escuridão, depois de um tempo de completo silêncio.
Ele ainda tocava-a, acarinhando e relaxando seu corpo, para o sono que sentia cada vez mais próximo.
Não queria admitir. Não concebia a possibilidade de relevar o que guardava tão intimamente dentro de si. Estaria frágil quando ele soubesse.
Engolindo em seco, achando que sufocaria com tantos segredos guardados no peito, lembrou-se do medo e da dor ao achar que estava morto.
Rony sentiu sua tensão e beijou sobre seus cabelos, abraçando-a contra o corpo, achando que Hermione tinha mais a dizer apesar do longo silêncio.
-Também nunca quis um bebê – ela confidenciou.
Preparando-se para o pior, ele esperou.
Era verdade. Tivera pavor à vida toda, sobretudo após a morte do irmão e da família, de ter um filho que pudesse morrer ou ser apartado dela. Tinha medo da dor.
E ter um marido ambicioso e aproveitador não ajudava muito a afugentar esse sentimento! Era provável que ele fosse mesmo casado com Lilá em segredo, e que tivesse culpa em ter ambicionado outro casamento apenas para seu bem pessoal.
Era provável também que seu interesse nesse momento se devesse apenas ao pai conde. Mas era notável também, que sempre estivera da mesma forma para com ela. Desde antes, pobre, mal cuidada e gritona. Sempre atencioso e amoroso.
E principalmente, seu olhar era o mesmo.
Refugiando o rosto contra seu pescoço, ela deixou-se ficar abraçada, uma perna sobre as dele, o braço em sua barriga enquanto ele mantinha os braços em volta dela, uma das mãos acariciando seus cabelos com tanto carinho que quase lhe causava lágrimas nos olhos.
-Hermione? – estava começando a se desesperar, esperando o momento em que diria o quanto o odiava e detestava a idéia de ser mãe.
-Eu quero. – ela respondeu, sem entrar em detalhes.
-Quer um marido ou um bebê? – o alívio o fez ficar em alerta.
-Não sei o que fazer – ela admitiu, sem notar que não respondera.
-Não faça nada - apertou-a gentilmente entre os braços, aumentando a intimidade – Apenas guarde as garras e me deixe te levar.
-Você? Mas e se me levar a um precipício?
Ele sorriu, e sabia que ela sorria no escuro também.
-Então, já sei que cairemos ambos, pois me levará com você, não é amor?
Ela quase gemeu diante do chamado carinhoso.
-Hum-hum – acomodou-se melhor, achando que não tinha muito sentido confessar seus verdadeiros sentimentos se ele aprecia conhecê-los melhor que ela mesma!
-Quero um beijo de boa noite – ele disse no escuro, a voz um pouco rouca pela emoção de achar que ela finalmente diria o que tanto esperava ouvir. Mas estava enganado. Ou era medo, ou apenas não havia nada a confessar.
-Sempre quer um beijo de boa noite – ela respondeu, se movendo e procurando seus lábios. Os dois riram quando ela beijou sua bochecha por engano.
Foi um beijo curto e doce, e alinhando-a novamente em seus braços, ele murmurou:
-Quando passar esse mês, e puder tocá-la, vou querer mais que apenas um beijo de boa noite.
-Grade novidade – ela resmungou, adormecendo em seguida.
Rony sorriu, e achou que deveria ser o suficiente.
Hermione queria o bebê a aceitava um marido.
Então, deveria ser suficiente.
Ou não?
AUTORA: Esse ano vou pular carnaval, sendo assim, não vai ter postagens até sexta-feira que vem. Sei que vão compreender a minha necessidade de diversão, cerveja e muito sexo e folia!
Heheheheheheheheheheheheh
Brincadeirinha, gente. Vou passar o carnaval em família, e provavelmente vamos para a praia! Achei que esse ano não conseguiria, mas finalmente apareceu uma alma caridosa para oferecer a casa de praia para nós! (é que esse ano estamos duros demais para alugar uma....snif,snif...)
Sendo assim, minha beta tb vai pular carnaval, e espero que vocês também façam o mesmo!
Próxima atualização é no dia 20/02.
Como consolo posso dizer que já escrevi capítulos muito emocionantes, inclusive uma nc de acelerar o coração! Hehe, mas tudo isso só depois do dia 20.
Deixem-me saber se irão me abandonar, ou se vão esperar meu regresso! Ah, e me desejem boas férias e bom carnaval, a mim e a Mi, porque a gente suou esse ano, para a fic ter chegado até aqui!!!!!
Beijos para todos, e bom Carnaval antecipado!!!!!