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87. BEM DIANTE DO NARIZ!


Fic: O Acordo Perfeito RxHrm- Fic completa by marja


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CAPITULO 87 – BEM DIANTE DO NARIZ!


 


 


 


 


 


 


“Outro dia e outra oportunidade de fazer tudo diferente”


Essa frase fazia sentido a cada segundo. Hermione havia acordado cedo e disposta, como não acontecia há meses, saiu da cama e deixou-o dormir.


Antes mesmo de Juanita chegar para seu trabalho, já havia tirado Gina da cama, e as duas trabalhavam na cozinha. O café da manhã estava pronto e fresquinho antes das cinco da manhã. Para muitos era madrugada, mas para o trabalho da fazenda, era dia claro!


Com um ânimo que parecia renovado, ela preparou o pão, colocando Gina para amassá-lo. Preparou até mesmo biscoitos para os empregados! Gina reclamou do gasto desnecessário, mas Hermione deu de ombros.


Para a família, um delicioso bolo de nozes.


Quando Juanita chegou para o trabalho, insone e com Ruanzito chorando agarrado em suas pernas, apenas resmungou um bom dia enviesado e foi cheirar suas panelas, enquanto Hermione apanhava o menino e ia para o quarto onde seu novo pai dormia.


Ela bateu duas vezes na porta, enquanto sussurrava bobagens para o menino, acalmando seu choro.


O conde abriu a porta com sono, surpreso por ser acordado pela filha.


-O café da manhã está quase pronto – ela disse um pouco tímida.


-Descerei em minutos... Ou melhor, quer entrar e conversar enquanto termino de me vestir?


Insegura, e verdadeiramente tímida, seguiu para dentro do quarto. Edgar estava completamente vestido, mas tinha a camisa faltando alguns botões para fechar, estava descalço e despenteado.


Ele lavou a face com a água de uma bacia que estava no canto do quarto, e secou-se com demasiada calma, como se estivesse dando-lhe tempo para se adequar a estar sozinha com ele, com a porta apenas encostada.


O convite induzia a uma conversa, e o fato de ter aceitado entrar, conduzia a aceitação de que precisam conversar.


Hermione colocou o menino de pé sobre a cama e segurou seus bracinhos, para que ele não sentasse. Ruanzito era preguiçoso, mas já andava e corria para todos os lados com os irmãos, mas quando estava dentro de casa, queria ser mimado.


-Não me contaram que era avô – o conde disse olhando para o menino com uma expressão estanha, e Hermione levou um susto.


-Não é meu filho. É filho de Juanita. Ela tem muitos – deixou o menino sentar e brincar com o travesseiro, prestando atenção no conde.


O conde notou como ela deixou as mãos caídas ao longo do corpo, fechadas e tensas. Era uma menina tensa.


-Não fique nervosa na minha presença. – ele pediu gentil - Meu único desejo é conhecê-la melhor, saber seus gostos, suas alegrias, e se possível ser o responsável por seus sorrisos. – uma nuvem cobriu os olhos dele ao dizer – Não pude fazer Madeleine sorrir. Sinto por isso até hoje.


-Mamãe nunca foi feliz. Ela não gostava dessa fazenda como meu... Como Antenor gostava – confessou, baixando os olhos – Mamãe sonhava em ir a Londres e cozinhar em grandes doceiras. Conhecer as lojas movimentadas e ver as ruas apanhadas de gente. Antenor prometeu isso a ela quando se casaram.


-Madeleine era só uma criança quando se casou – ele disse apenado – assim como você também é muito nova. Não podemos mudar o passado Hermione, mas podemos mudar o futuro. Não estou aqui para interferir em sua vida, mas se estiver infeliz, posso ajudá-la.


Hermione não teve coragem de olhar para ele. Não queria falar sobre seu casamento e a possibilidade de desfazê-lo, ou simplesmente abandoná-lo. Por isso mudou rapidamente de assunto.


-Tenho me comportado com muita grosseria e gostaria de dizer que me arrependo. Não é justo da minha parte.


-Pelo contrário. – ele se aproximou, mas não o bastante para assustá-la – Fiz uma escolha errada ao abrir mão de você e de sua mãe. Madeleine tinha o direto a escolher a vida que a fazia feliz, mas você não. Era apenas uma semente, crescendo em um ventre. Deveria ter ficado nessa cidade e visto-a crescer, mesmo que a distância. Interferido quando necessário. Mas fui fraco e achei que a dor de perder um amor seria menor a distância. Estava errado sobre isso também.


-O passado não muda, não é mesmo? – ela tentou sorrir, usando de suas palavras – todos fazem coisas estranhas quando estamos sofrendo...


-Gosto de seu marido Hermione – ele disse ficando sério demais – me preocupa, no entanto, sua ambição. Você mesma disse várias vezes que...


-Oh, não leve a sério o que digo quando estou furiosa – ela tentou rir para espantar a seriedade da situação – sou muito desbocada e sempre... Desconto ‘nele’.


-Então, está dizendo que Ronald é um bom marido?


Era uma pergunta simples.


Bons maridos não colocam suas mulheres de quatro no sofá da sala e praticam sodomia!


Não mesmo! Bons maridos não levam tiros em bares, ou praticam sexo com suas mulheres estando bêbadas e desmaiadas!


Mas maus maridos também não se preocupam em vê-las sorrirem, muito menos desejam suas esposas do modo como Rony a deseja!


Sua expressão fácil a entregava, em todos os sentimentos conflitantes, e o conde estendeu a ela uma das mãos, num mudo pedido de trégua e entendimento.


-Vamos descer, o cheiro do café está me deixando faminto.


-Sim, claro – ela aceitou o toque, ajudando o pequeno Ruanzito e sair da cama e lhe dar a mão.


Os três desceram as escadas, e na sala Rony os esperava. Havia se vestido, e tinha os cabelos molhados. Hermione quis lhe perguntar se havia lavado a cabeça em água fria como era seu horrível hábito! Aquilo acabaria num grave resfriado! E um resfriado enquanto convalescia de um tiro era desesperador demais para cogitar!


-Bom dia conde – Rony cumprimentou sorrindo, sem tirar os olhos de Hermione, que corou furiosamente quando ele olhou para seu decote, claramente lembrando-se da noite passada e do que fizera em seus seios. – sente o cheiro? Hermione cozinhou para nós e está prestes a provar as melhores guloseimas que já teve a honra de comer!


Edgar riu de seu entusiasmo, olhando para o modo envergonhado da filha.


Alguma coisa acontecera durante a noite, e ela evitava olhar para o marido. O menino de Juanita correu para a cozinha, e Hermione nem tentou impedir, pois teria que passar por Rony. Estava constrangida pelo modo como usara do corpo masculino para se satisfazer. Do modo selvagem como o instigara a possuí-la!


O conde, interpretando seu constrangimento de forma errônea, notou naquele exato momento que seu genro tinha a camisa dobrada acima dos cotovelos, pois fazia muito calor, e pode ver claramente as marcas e arranhões na pele. Seus olhos se chocaram ao encontrar marcas de dentes em sua mão esquerda.


Olhando para a filha cabisbaixa, e achando que havia apenas um modo de um homem punir uma esposa malcriada, e que aquelas marcas eram prova incontestável que a filha sofria maus tratos, foi curto e grosso ao dizer:


-Desejo levar Hermione comigo para Londres o mais rápido possível.


A frase pesou no ar entre eles.


Hermione olhou para o homem com o coração disparado. Ir embora? Ele estava louco? Aquela era sua casa! Sua vida, seu marido estavam ali! As palavras, no entanto, ficaram presas em sua boca.


-Hermione conhecerá Londres, mas não desse modo – Rony foi diplomático – Poderemos fazer uma visita em breve e...


-Quero tirar minha filha definitivamente daqui. – ele cortou. Pondo-se em frente à Hermione, numa postura que poderia ser de proteção.


-Não pode levar minha mulher para longe de mim – Rony encarou-o, por mais que desejasse ser afável, não aceitaria isso!


De forma alguma perderia Hermione! Nem que para isso precisasse brigar com seu pai.


-Não permitirei que minha única filha, minha única herdeira em bens e título fique nessa casa mais nem um minuto. Desejo sua felicidade, e para mim, está claro que não a encontrará nesse lugar, e muito menos ao lado de um marido espancador!


Rony olhou para as próprias mãos e braços, para onde ele apontava.


-Um marido espancador? E porque as marcas estão em mim e não em Hermione?


Ela achou que desmaiaria. As vistas estavam turvas. A qualquer momento os dois se engalfinhariam bem na sala, e na sua frente.


-Decida agora Hermione – Edgar disse, olhando para a filha com severidade.


-Decidir...? – aflita, olhou para Rony e então para ele.


-Não posso ter certeza se é feliz ou não, precisará me dizer. Deseja ficar nessa casa, com esse homem, ou deseja a liberdade e futuramente outro marido? Em minha posição social, nada é impossível! Não é preciso que fique sua vida toda presa a um casamento infeliz como fez sua mãe!


-Isso mesmo Hermione. Decida – Rony instigou, furioso com a ousadia do sogro.


Hermione não sabia, mas para ele tanto fazia sua decisão. Por nada no mundo sairia daquela casa! Se fosse preciso a seqüestraria e sumiria no mundo com ela! Mas não permitiria que fosse apartada de si, sendo sua vontade ou não!


Hermione puxou ar com força.


Os dois esperavam uma resposta.


Não podia simplesmente virar as cosas para tudo que era seu. Claro, como dissera o conde, com dinheiro poderia ter a fazenda de volta. Não era impossível para quem tinha dinheiro.


Estava livre como um passarinho afinal. Não precisava ficar.


Agoniada, sentiu um aperto no peito, como se estivesse sufocando. Iria embora.


Não era seu sonho mais secreto? Acabar com aquele casamento torturador?


Não, não era. Como poderia mentir a si mesma? Não podia viver sem esse homem infernal!


Não podia ir embora.


E não poderia dizer que queria ficar. Não conseguia admitir. Tinha que pensar.


E pensar rápido.


Os dois a encaravam a espera de sua resposta, e se não fosse rápida, eles decidiriam por ela. Só de pensar que poderia estar entrando em um trem para longe, sem Rony, já era o bastante para sua mente embaralhar.


Homem dos infernos!


-Não posso partir – ela disse afinal, talvez querendo ganhar tempo.


“Pense rápido Hermione”, disse a si mesma.


-Pode partir. E deve fazê-lo se for sua vontade. Diga minha filha. Diga se quer partir ou não!


Posta na parede, ela se afastou dos dois.


Estava acuada, e Rony sabia. Só de olhar ele sabia.


Passando uma das mãos na testa, pensou em simular um desmaio, mas quando se recuperasse teria que responder de qualquer forma. E poderia ser um incentivo ao conde achar que não estava com boa saúde e levá-la contra a sua vontade!


-Eu não posso partir – respondeu novamente, acuada ao extremo.


-E porque não? – o conde tentou se aproximar, mas ela se afastou.


Ao notar que estava muito perto de Rony, se afastou, assustada ao olhar para ele. Estava furioso com o conde ou com ela.


Tanto fazia.


Tinha que pensar rápido.


-Porque não pode ir embora? – o conde tornou a repetir, muito perto, muito decidido a arrancar dela uma resposta.


Rápido.


Rápido.


Rápido.


-Porque estou grávida.


As palavras saíram de sua boca sem que o cérebro houvesse processado-as. Um súbito alivio fez seu coração bater mais leve. Tinha uma desculpa para não partir!


Era perfeito.


Mas e agora?


Em pânico pelo que dissera, saiu correndo.


O que mais faria?


Tentou se trancar no quarto, mas a porta foi forçada. Ela tentou com todas as forças resistir, mas Rony irrompeu no quarto. Ele trancou a porta e encarou-a.


Pronta para uma briga, arregalou os olhos quando ele abriu um lindo sorriso e se aproximou, segurando suas mãos, orgulhoso e feliz.


-Quando descobriu? Juanita lhe contou?


A pergunta não fez sentido. Encarando-o, teve certeza que esse homem estava louco!


-Esperaríamos, Aporah concordou que não era a melhor hora... Achei que contaríamos mais a frente – ele falava coisas sem sentido. – Foi difícil conter esse segredo, mas deveria saber que descobria! Sempre tão esperta! Diga-me, sabe há muito tempo?


-Saber...?


Rony registrou sua confusão. Estava lívida, completamente atordoada, e não fazia idéia do que ele falava.


-Mentiu para o seu pai? – ele perguntou de repente, achando estar entendendo tudo errado.


-Eu... - ela puxou as mãos, soltando-se e impondo uma distância segura entre eles. Não teve coragem de olhar para ele. -... tinha que dizer algo!


-Então, não sabia ainda da gravidez! – ele ficou aparvalhado com a descoberta. – Mentiu porque não quer ir embora!


-Que gravidez? – ela quis bater nele por está-la confundindo.


-Está grávida Hermione – não havia mais como esconder, ele decidiu.


-Eu disse isso apenas para ganhar tempo. Para não ter que... - ela parou ao entender – Disse que Juanita sabe que estou grávida?


-Foi ela quem me contou. Fazem uns dois meses que notamos.


-Eu não estou grávida! - ela manou a cabeça desacorçoada – imagine! Os chás de Juanita...


-São calmantes, ineficazes, pois continua nervosa como sempre – ele tentou fazer graça.


Ela ficou olhando para ele.


Um olhar parado. Chocada demais para falar.


-Juanita notou que seu apetite mudou, sentia enjôos matinais. Fraqueza, desmaios... Sintomas inegáveis de uma gravidez.


-Impossível – ela disse se apegando a lógica – Eu sangrei esse mês. É impossível!


-Isso nos confundiu, mas minha mãe disse que é possível, que já passou por algo assim antes e Gina nasceu logo depois. Hermione...


Ela se afastou no instante em que tentou tocá-la.


-Os mal estares... Eu achei que estivesse doente! – sua voz se alterou.


-Lhe garanti que não era para se preocupar. Mantive-me afastado quando os empregados adoeceram, pois tinha medo de contaminá-la sem querer e contaminar o bebe também.


-Deus... Não é possível! Eu fui surrada! Não poderia ter me mantido grávida depois disso! Se estivesse grávida eu o perderia! – sua voz estava definitivamente alterada agora.


-Não há palavras para descrever um milagre Hermione.


-Não. Está fantasiando! Porque não me contariam? Se estivesse grávida, porque manter segredo logo de mim? Ou acha que quando a barriga crescesse eu não notaria?! – algo mudou em sua expressão e ela sentou na beira da cama, achando que desmaiaria – meus vestidos... Estão tão apertados!


-É claro que iria saber Hermione. Quis contar logo, mas Juanita me convenceu que seria melhor esperar passar os três primeiros meses.


-Por quê?


Sua voz soou rachada, vulnerável.


-Porque, primeiro você passou por uma longa recuperação, não precisava de mais sobressaltos, depois... Juanita achou que ficaria muito nervosa com a descoberta e poderia... Poderia fazer mal ao bebe.


-Eu faria mal ao bebe? - seus olhos se arregalaram.


-Não, seus nervos alterados poderiam fazer mal a gravidez, como, aliás, fizeram. Quase o perdeu há três dias Hermione. A índia que trabalha para meus pais pode curá-la. Mas quase o perdeu.


-Como puderam me esconder isso?! – furiosa, de repente, levantou-se e enfiou o dedo diante do rosto de Rony, cobrando-o – Sabe as bobagens que fiz? Eu não sabia que corria riscos! Acaso é louco?


-Hermione...


Ela se afastou novamente, escapando dele e de sua tentativa de acalmá-la.


-Jamais teria me metido na história de Harry e Gina se soubesse que esperava um bebê! Tem idéia de quanta tensão passei? De como me senti mal por agir as espreitas, acordada a noite, vigiando se Gina iria ou não para o quarto de Harry! Deus, jamais teria deixado aquela cobra sob o mesmo teto que eu e meu bebê! Como pode deixar Lavander aqui dentro sabendo que eu esperava um filho? Você é completamente insano!


Surpreso com sua revolta foi ele que não entendeu.


-Eu teria contado se fosse mais calma! – revidou – Agora mesmo, está gritando, mesmo sabendo que espera um filho!


Ter essa verdade jogada em sua cara à fez se calar.


-O que senti eram enjôos? – ela perguntou de repente.


-Sim, e é por essa razão que se sentiu tão mal e por tanto tempo. Aporah cuidou de você no outro dia e me recomendou que não lhe fizesse amor completamente por um mês, para que esteja completamente curada. Pela mesma razão.


-Nossa como sou tola – ela disse para si mesma. – Como pude não perceber...?


-Não se culpe, sempre há muito em que pensar Hermione. Sua vida não tem sido fácil. – ele falou manso, para não sobressaltá-la – Sente-se – ele pediu apontando a cama.


Aturdida ainda, sentou-se. O vestido repuxou nas costuras, e ela deu-se conta do quanto era óbvio.


-Mas eu não posso ter um filho - ela disse baixinho.


-E porque não? É mulher. É saudável, porque não poderia ter um filho?


-Porque ele vai morrer e eu vou... Morrer junto, como aconteceu com minha mãe. A cada filho morto, ela morria um pouco. – confessou, sentindo tanta dor dentro de si que lamentou ser capaz de sentir alguma coisa.


-Isso não vai acontecer. Nosso filho não será um agregado xucro e criado para ser um brigão. Será um homem culto. Saberá se portar e cuidar da mãe. E se for uma menina... Bem, ela saberá se cuidar se puxar a mãe.


Nem seu senso de humor pode abrandar seu desamparo.


-Deus, e se nascer como você? - ela disse de repente – Nunca mais terei paz na vida! Será um gozador e vai irritar muita gente!


-Hermione, nós não vamos recriar a história dos seus pais, porque não somos como eles. Olhe para mim – pediu, sentando ao seu lado - Acha que não terá amor para um bebê seu?


-Não sei – foi sincera.


-Mas eu sei. Tem tanto amor aí dentro que trasborda – ele tocou sobre seu coração – Amor o bastante para defender Gina, para defender minha amizade com Harry. Para cuidar dos meninos de Juanita e temer pela vida de Duran, como se fosse seu irmão. Amor o bastante para ser capaz de salvar minha vida. Hermione, você é feita de amor. Por isso sofre tanto. Porque ama demais.


-Serei uma mãe horrível – disse consciente disso – nem ao menos podia me contar da minha própria gravidez!


Rony riu de seu desespero. Ela se deixou tocar, e Rony segurou seu queixo, beijando seus lábios muito de leve.


-Seremos pais horríveis, nós dois. A menos que comecemos a nos entender.


-Sempre se aproveitando de uma oportunidade... – ela disse, começando a sorrir.


-Vamos ter um filho juntos. Não somos mais inimigos Hermione.


-Nunca foi meu inimigo – ela disse, e consciente da quase declaração, corrigiu – Apenas não o suporto.


-Acha que pode me suportar por algumas horas? - ele perguntou mudando a abordagem, segurando sua mão e a ajudando-a a se levantar.


-Por quê? – ficou desconfiada.


-Porque vamos passear. Ir à cidade e encomendar um lindo enxoval de bebê, além de vestidos novos para você – ele sorriu quando notou um pequeno sorriso em sua face – Vai precisar de roupas maiores e mais folgadinhas quando estiver redonda como uma bolinha de ping-pong...


-Ainda não o perdôo por não ter me contado antes! - ela avisou – Poderia ter sido mais cuidadosa! Ah, quando penso nas coisas que fiz, sem saber que poderia me fazer mal...!


-Não fique assim – ele abraçou-a e Hermione o abraçou com força pela cintura, escondendo o rosto em seu peito.


Quando notou que ela não o soltaria tão cedo, entendeu que apesar de receber a notícia com mais suavidade que o esperado, ela estava muito emocionada.


-Quer ficar um pouco aqui? Podemos deitar e eu fico te abraçando até que sinta vontade de me bater novamente... O que acha? – tentou alegrá-la.


-É melhor falar com meu... Com meu pai – ainda era difícil se referir a ele assim – Estou presa a você para o resto da vida, e agora é verdade – seu ar de descaso e desdenho quase o ofendeu.


Hermione limpou o que poderiam ser lágrimas em sua bochecha, mas ele não teve tempo de ter certeza e então sorriu muito de leve, envergonhada.


-Preciso mesmo de vestidos maiores.


Rony conteve um largo sorriso para não a ofender. Ofereceu a mão, mas ela recusou. Se recompondo, abriu a porta e saiu, deixando-o para trás.


Não fora tão ruim, pensou. Ao menos ainda estava vivo para contar essa história aos netos.


Antes que ela chegasse à cozinha, ele sussurrou em seu ouvido:


-Mentiu ao seu pai para não ter que me deixar.


-A fazenda está em seu nome - ela revidou nada disposta a cooperar.


-Seu pai é um homem rico. Poderia ter a fazenda que quisesse! – argumentou.


-Eu quero essa! - ela olhou para trás, com um ‘que’ de desprezo que o excitou – além disso, um filho não deve crescer longe do pai, por pior que ele seja.


Engolindo essa resposta, ele acercou-se de seu braço e a levou junto dele para a cozinha.


O conde não comia. Estava obviamente nervoso, e se levantou no momento em que eles entraram no recinto. Juanita sorriu para Hermione, e havia tanta sinceridade em seus olhos, e felicidade por finamente saber, que Hermione sentiu vontade de abraçá-la.


-Fui eu quem fez as marcas em Rony – ela disse ao pai, antes que o assunto recomeçasse – não peça que explique como – corou furiosamente. – ainda a pouco, não estava com medo dele, estava constrangida.


-Preciso ter certeza que não corre riscos nesse casamento – ele exigiu.


-É claro que não corro riscos – ela disse cansada dessa conversa – nós brigamos o tempo todo, mas isso não quer dizer que nos odiamos. Apenas não nos suportamos.


-O que Hermione quer dizer é que me ama, mas não vai admitir jamais – ele completou.


-Como alguém pode amar um homem completamente louco?


Ignorando sua acidez, ele sorriu.


-Vamos ser pais. As brigas vão acabar porque Hermione vai se acalmar. Não vai?


Havia desafio em seu olhar.


-Sim, eu vou. – ainda bem que alguém não poderia morrer por admitir algo desse tipo, ou Hermione estaria morta agora mesmo!


-É melhor que se acalme Hermione – Juanita interferiu – Mulheres nervosas na gravidez, geram crianças agressivas. Não quer ter um menino brigão, quer?


Sabendo que esse era um ponto delicado, Juanita passava seu recado.


-Não é fácil ficar calma o tempo todo – ela disse começando a se desesperar.


-Pois se esforce, assim como todos nos esforçaremos para que nada a aborreça. – Juanita ficou mais perto, talvez incerta sobre demonstrações de carinho na frente do conde – Foi difícil guardar esse segredo, mas também foi divertido, vê-la tão tontinha, sem notar nada! – havia muita doçura em sua face, e Hermione procurou-a espontaneamente para um abraço. – Está feliz com o bebê não é?


Hermione recebeu esse abraço de mãe com a garganta apertada.


-Me enganou sobre os chás, e deveria estar furiosa. Mas não estou. – confessou.


-Então, é a prova de que não fiz nada errado – a voz de Juanita também parecia embargada. – Sente-se e coma. Precisa se alimentar cada vez melhor!


-Sairemos para comprar o enxoval, agora que Hermione sabe de tudo. – Rony contou e os olhos de Juanita brilharam.


-Venha conosco – Hermione pediu, mas Juanita negou com um movimento da cabeça.


-Leve sua cunhada, ela precisa de um descanso.


Gina que estava acordada há horas cuidava do galinheiro nesse exato momento, e Hermione pediu licença para sair e procurá-la. Havia um brilho risonho em sua face, e seus olhos brilhavam com genuína felicidade.


Rony sentou pesadamente na cadeira, e o sogro olhou-o sem compreender.


-Não é fácil conviver com Hermione. Ela se protege o tempo todo. Ter cuidado de tudo sozinha por tanto tempo e ter perdido a família a fizeram ter medo da felicidade. Quando nos casamos, se negava a ser minha esposa de fato, não queria engravidar, tinha pavor dessa idéia. Não quis um marido para não se apegar a ninguém. Às vezes, eu consigo dobrá-la, como ontem à noite, ela briga, tenta me ofender e me afastar, mas sempre acaba se entregando. É uma moça adorável. Apaixonada pela vida. Antes de morrer, os pais conseguiram enfiar em sua cabecinha que ela não tinha direito a ser feliz. Que a irmã mais nova deveria ter um futuro brilhante, enquanto ela merecia o trabalho árduo e o sofrimento. E Hermione não quer ver que estavam errados. Esse tipo de coisa deixa uma pessoa marcada. Então conde, ainda vai ver marcas como essa – ela mostrou a mão - ou coisa pior, porque ela luta como uma gata selvagem para não demonstrar o que realmente quer. E não posso fazer nada, a não ser levá-la ao extremo, e ver se de alguma forma, ela começa a ver a vida de outro modo.


O conde ouviu quieto.


Devia um pedido de desculpas ao genro, mas ele não era o tipo de homem de se desculpar, e não parecia que Ronald fosse o tipo de homem que necessitasse de pedidos de desculpas.


Por isso, ambos apenas seguiram conversando, sem tocar na discussão de pouco tempo antes.


 


 


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Gina ergueu os olhos e enxotou uma galinha antes de desdobrar o corpo e finalizar a tarefa de alimentá-las.


Hermione andou até ela e ficou parada olhando para Gina com expectativa.


-Eu estou grávida, já sabia? – perguntou direta.


-Sim... Rony teve que me contar, eu sou insuportável demais, não queria que te irritasse nesse momento difícil.


-Sim, é insuportável, mas precisarei de ajuda com o enxoval – segurava um sorriso de contentamento.


Gina soltou um risinho, achando graça.


-E acaso não estava bordando seu próprio enxoval Hermione?


Surpresa, ela compreendeu que tinha razão.


-Juanita!


-Sim, ela é muito esperta – Gina riu – Meu irmão achou que fosse detestar a idéia de ter um filho. Como se sente?


-Enganada. – confessou – Mas não posso mentir que não entendo a razão...


-Rezo para também estar grávida. – ela confidenciou. – Quero saber se está feliz Hermione?


-Precisamos nos apressar, ou não teremos muito tempo para as compras, pois sairemos tarde! - ela fugiu da pergunta, virando as costas e voltando para casa.


Gina ficou olhando-a ir, o pensamento longe. Pensava em Harry e na solidão que sentia.


 


 


 


 


 


 


 


 


AUTORA: Só a Hermione para descobrir a própria gravidez desse jeito inusitado!  Mas agora, ela já sabe! Finalmente!


Beijos


 

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