FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout  
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout
 

(Pesquisar fics e autores/leitores)

 


 

ATENÇÃO: Esta fic pode conter linguagem e conteúdo inapropriados para menores de idade então o leitor está concordando com os termos descritos.

::Menu da Fic::

Primeiro Capítulo :: Próximo Capítulo :: Capítulo Anterior :: Último Capítulo


Capítulo muito poluído com formatação? Tente a versão clean aqui.


______________________________
Visualizando o capítulo:

4. Capítulo 3


Fic: Meu Querido Guerreiro


Fonte: 10 12 14 16 18 20
______________________________

O casamento será hoje! Gina não conseguia entender o motivo de toda aquela pressa, não podendo fazer nada para deter os preparativos. Seu suserano já ha­via decidido. E suas exigências por uma explicação foram completamente ignoradas. Era como se Harry estivesse em uma corrida contra o tem­po e precisasse estar casado até o anoitecer. Aquilo não fazia nenhum sentido para Gina.


Harry ergueu-a do cavalo e a levou para dentro do castelo como se fosse uma trouxa, subindo a escadaria curva e entrando no quarto dela antes que ela pudesse recuperar o fôlego.


— Preciso falar com meu irmão — exigiu ela, a boca encostada no pescoço do cavaleiro, mas ele recusou sacudindo a cabeça. Que homem mais cabeça-dura, meu Deus!


— Depois do casamento — finalmente lhe disse ele, ao jogá-la na cama. — Vou mandar preparar um banho para ti — acrescentou. E depois disso saiu.


Pela primeira vez, desde que encontrara Gina, Harry sentia prazer em ver que ela ficara praticamente muda. A cara de confusa que ela fez quando ele anunciou que se casariam naquele mesmo dia era inesque­cível, e ele se deleitaria recordando-se daquela fisionomia durante muitas noites. Excelente, pensou Harry. Ele pretendia mantê-la assim confusa.


Na verdade, ele não entendia por que estava com tamanha pressa de se casar; só sabia que não podia passar outra noite sem tê-la ao seu lado. E como o padre tinha vindo orar pela alma dos mortos, Harry não via por que esperar. Não seria um casamento tradicional, em que os noivos proclamariam seus votos nos degraus da igreja do castelo, pois a igreja tinha sido totalmente queimada. A cerimônia ia acontecer no grande salão, mas mesmo assim o casamento seria válido. E uma vez que ela fosse dele, em nome e corpo, Harry encontraria a paz. Só aí ele poderia voltar a se ocupar de seus afazeres de suserano e guerreiro.


Gina tentou entender os motivos que levaram seu senhor a querer se casar com ela, e finalmente chegou à conclusão de que ele estava fazendo aquilo para protegê-la e para honrar seu pai.


— Ele provavelmente acha que não conseguiu proteger meu pai e a família — disse Gina em voz alta, pois seu pai tinha sido leal a Harry esperando sua proteção. Era o costume da época. Mesmo assim, antes de tudo, era dever de seu pai, Arthur, proteger o próprio lar, não o de Harry.


Gina andou de um lado para outro do quarto muito mal-hu­morada, quando dois homens entraram no aposento com uma enorme tina de madeira. Eles voltaram com baldes de água fervendo, várias vezes, até a água quente estar quase transbordando da tina. Ninguém disse uma só palavra durante todo esse processo. Gina ficou de cara fechada o tempo todo, e os dois homens deram sorrisinhos amarelos.


Um banho quente, em vez da água fria da cachoeira, era uma idéia bem sedutora. Gina achou as lascas de sabão, com fragrância de rosas, que sua mãe lhe dera em seu último aniversário ainda envoltas no pano branco de linho, no fundo de seu baú. Descarregando a raiva em seus cabelos, ela esfregou o couro cabeludo até ele começar a arder em protesto. Tinha pensado que um banho a acalmaria e a ajudaria a colo­car as idéias em ordem, mas viu que não conseguia relaxar. Pettigrew não havia chegado ainda, e Gina viu-se rezando para alguma desgraça acontecer a ele no caminho para Weasley. Não, resolveu depois; não queria que seu pedido se realizasse, pois achava que ele merecia uma morte mais apropriada. Não podia admitir que sua sede de vingança se frustrasse assim.


O fogo da lareira estava aceso, e Gina, envolta na colcha da cama, ajoelhou-se diante de seu calor, tentando secar os cabelos. Tinha tanto o que pensar, problemas demais para resolver, além de sentir um cansaço imenso.


Lorde Harry encontrou-a desprevenida assim. Seu olhar refletia ternura quando ele se encostou na porta para observá-la. Gina ouviu a porta se abrindo, mas recusou-se a se virar para o intruso. Ajeitou a colcha no corpo, apertando-a mais sobre os seios, e continuou a secar os cabelos. Se tivesse se virado, teria percebido a ternura no olhar do cava­leiro, o sorriso que ele deu quando a viu procurando se cobrir melhor com a colcha. Ele a achava uma verdadeira ninfa, a mais sedutora e mais encantadora que já vira em toda a sua vida, toda macia, sedosa, lisinha. A luz do fogo iluminava os ombros nus da moça emprestando-lhes uma cor dourada, mas pela tensão de seus músculos ele notou que ela estava enfurecida. Aquela sua atitude ligeiramente revoltada o excitava tanto quanto sua aparência. Ele tinha a impressão de que aquela moça, ao soltar os bichos, seria capaz de arrasar um homem menos macho.


Gina não conseguiu aturar mais aquele silêncio.


— Vai ficar aí de pé a noite inteira? — indagou. Virou-se, e ele viu que seu rosto estava corado pelo calor do fogo, seus olhos de um azul fulgurante.


— Não estás cheia de expectativa diante da idéia de se casar co­migo? — A voz dele saiu baixa, sua expressão zombeteira aos ouvidos de Gina.


Uma leoa, pensou Harry, pela juba formada de cachos ruivos e pela expressão selvagem e cautelosa em seus olhos. Ele procurou conter a ânsia de agarrá-la, de tocá-la.


— Para mim tanto faz — mentiu Gina. Depois ficou de pé, achando que ficar ajoelhada na presença dele lhe daria a impressão de que ela era do tipo submissa. Fosse ele seu suserano ou não, ela jamais lamberia suas botas.


Harry respondeu ao comentário dela com um meneio de cabeça e foi até a janela. Ergueu a pesada pele de animal que evitava a entrada do ven­to e contemplou a floresta lá fora. Era como se tivesse se esquecido de que ela estava presente, pensou Gina, perguntando-se o que devia fazer.


— Não precisais vos casar comigo, meu senhor. Vossa proteção é suficiente — comentou Gina. — E estais em posição de se casar com qualquer uma... até mesmo por amor.


Ele agiu como se não tivesse escutado uma só palavra dela, então Gina continuou a aguardar.


— Os tolos se casam por amor. Eu não sou tolo. — Não se dignou a virar a cabeça para olhá-la, continuando a olhar pela janela enquanto falava. Estranho, mas a voz dele, embora firme, não expressou nenhuma emoção.


Tolo, repetiu ela. Ele achava o amor uma tolice. Ela não discordava dele. Era capaz de ser tão realista quanto ele. E ele estava certo. As pes­soas não se casavam por amor. Não era prático. E mesmo assim... havia nela a esperança de que se apaixonassem um pelo outro. Uma tolice de verdade. Não era suficiente ela se sentir atraída por ele? Achá-lo fisica­mente agradável? Não, ela admitia, a beleza física não devia ter importân­cia em um relacionamento duradouro. Sua mãe tinha-lhe ensinado isso. Era o que havia dentro de cada um o que determinava que o casal era perfeito. Além disso, Gina sentia um pouco de medo de Harry, o que não caía bem mesmo! Ela detestava sentir medo. Já tinha percebi­do uma inclinação para a teimosia na personalidade do futuro marido, maior do que a dela. Sem dúvida, seria um relacionamento complicado e, depois de tudo pelo que tinha passado recentemente, a perspectiva de mais complicações lhe parecia tão terrível como ter de aturar uma cons­tante e forte dor de dente.


Gina compreendeu que Lorde Harry sabia muito pouco sobre ela, não tinha a menor idéia da mulher que estava recebendo por esposa. O que pensaria quando descobrisse que ela sabia muito mais sobre a arte de caçar e escorchar um coelho do que sobre bordados e tarefas domésticas? Com que freqüência seu pai tinha posto a culpa de seus modos rebeldes em sua descendência saxã? Culpado o pai saxão de sua mulher pelos modos desregrados da filha? Tinha sido o avô que lhe havia dado o falcão e depois os mastins em duas de suas visitas anuais ao castelo, tudo para irritar o marido da filha. Os dois costumavam pro­vocar-se mutuamente. E tinha sido Gina que havia tirado vantagem do confronto entre os dois homens. O avô gabava-se de que sua neta era uma legítima descendente de seus ancestrais vikings, e só precisava apontar para seus cabelos ruivos, seus olhos azuis e seu porte orgulhoso para provar o que dizia.


Entretanto, se o avô tinha alguma culpa pela independência de Gina, também o pai era culpado. Ele não a havia tratado como um filho durante tantos anos?


Como seu avô se daria com Harry, perguntava-se Gina, se um dia eles se conhecessem? Será que aquele gigante cortês iria provocar Harry como provocava seu pai? A idéia do caos que ele podia causar fez Gina sorrir. Harry virou-se da janela a tempo de surpreendê-la sorrindo. E se perguntou qual o motivo, franzindo a testa.


Gina fitou-o nos olhos e esperou. Notou então que ele também tinha tomado banho, pois seus cabelos estavam molhados e ligeiramente encaracolados em torno da gola. Tinha mudado de roupa e usava agora uma túnica negra como a noite, com seu brasão bordado em fios dou­rados no lado direito do peito. O tecido estava bem esticado sobre seu peito musculoso e, cada vez que Gina o via, o homem lhe parecia mais descomunal do que antes. Ela não gostava de se sentir intimidada por ele, mas não conseguiu sustentar seu olhar por muito tempo, pois era tão ardente que a moça temeu que ele percebesse o terror que ela estava procurando esconder com tanto cuidado.


— O padre está esperando — anunciou ele, de repente, com um tom surpreendentemente gentil.


— Então não mudaste de idéia? — perguntou Gina, sua voz não mais que um sussurro.


— Não, não mudei de idéia. Vamos nos casar — respondeu Harry. — Veste-te. Os guardas irão escoltar-te quando estiveres pronta. Não me faças esperar — avisou. Sem aguardar a resposta dela, virou-se e saiu do aposento, batendo a porta com tanta força atrás de si que as achas de lenha na lareira se deslocaram, tamanha a intensidade do vento produzido pelo impacto.


Gina viu-se correndo para cumprir as ordens dele. Queria que aquele casamento passasse logo e se consumasse o mais rápido possível. Vestiu uma túnica branca simples, enrolando uma corrente de ouro na cintura, como único enfeite. Seus cabelos estavam úmidos e foi difícil penteá-los, mas ela finalmente conseguiu prendê-los na nuca com uma fina fita como gaze.


Suas mãos tremiam quando ela abriu a porta e seguiu os guardas pelo corredor, rumo ao seu destino.


Harry estava parado ao pé da escadaria, com a mão estendida. Gina pousou a mão na dele e entrou ao seu lado no salão.


Ficou assustada ao notar que todos os homens da sala estavam se ajoelhando, com as cabeças baixas. Era assombroso ver tantas pessoas demonstrando tamanho respeito.


A bênção do sacerdote chamou-lhe a atenção para os votos que eles estavam por trocar. Ele estava pedindo a ela que se dedicasse toda, corpo e alma, a cuidar do homem que estava ajoelhado a seu lado.


Estava tudo acontecendo depressa demais. Gina nem mesmo se lembrava de ter se ajoelhado. Como é que ele tinha segurado a mão dela? De onde tinha vindo o anel? "Prometo ser-te fiel... Amando-te e respeitando-te todos os dias..." A voz monótona do sacerdote insistiu, em uma exigência discreta. Não sei se o amo, Gina viu-se pensando, ao repetir as palavras "Eu, Ginevra Molly Weasley, recebo-te..." Sua voz era um fio, mas o padre pareceu satisfeito, inclinando-se para diante com um sorriso benevolente no rosto enrugado ao ouvir suas respostas.


— Eu, Harry James Potter... — A voz dele, proclamando seus muitos títulos, saiu firme e clara. E depois que tudo terminou, Harry a ajudou a ficar de pé. Ele lhe deu um beijo firme e depois a virou, enquanto o sacerdote apresentava o casal a todos. Ela ouviu seu suspiro profundo apenas segundos antes de o salão encher-se de vivas retumbantes.


O barulho e os gritos avolumaram-se e tornaram-se cada vez mais intensos. Gina viu seu irmão, de pé, ao lado do acompanhante do Lorde. Ela instintivamente começou a andar em sua direção, mas foi detida pela mão do marido.


— Espera — instruiu ele, pousando-lhe a mão no braço.


Ele fez um sinal de cabeça para Sirius, e as pessoas abriram ca­minho. Sirius trouxe Rony à presença do casal. O garotinho não conseguia tirar os olhos de Harry, em uma atitude de franca admira­ção. Nem mesmo olhou de relance para sua irmã.


— Acho que ele não está se lembrando de ti — disse o marido. — Mas isto mudará — acrescentou, quando viu a tristeza da moça —, pois ele voltou a falar e agora fala o tempo todo.


Gina concordou e sorriu, depois se ajoelhou diante do irmão, para os olhos de ambos ficarem no mesmo nível. Ele fingiu que não a viu quando ela pronunciou seu nome bem baixinho.


— Rony, eu sou sua irmã — insistiu pela segunda vez. O peque­no finalmente se virou quando Sirius lhe cutucou a nuca.


— Eu vou ser cavaleiro — gabou-se ele. Depois, lembrando-se de ser educado, ajoelhou-se e curvou a cabeça.


— Vou defender-vos, senhora, deste dia em diante. — E espiou Harry disfarçadamente para ver se ele tinha gostado do seu comportamento.


Harry aprovou e ajudou Gina a se levantar. Ela virou-se para pegar a mão do irmão, mas viu que ele já estava no meio do salão, seguindo Sirius.


Gina voltou-se para o marido e permitiu que ele a conduzisse até a mesa, ao banquete de casamento.


— Onde estão Thor e Garth? — indagou ela ao se sentar.


— Quem? — perguntou-lhe o marido.


— Meus cães — explicou Gina. — Eles se chamam Thor e Garth. Meu avô é quem escolheu seus nomes — acrescentou com um leve sorriso. — Estava imaginando se o pequeno Rony não se lem­braria deles.


— Os cães estão trancados lá embaixo — respondeu Harry. — Seu irmão tem medo deles.


— Não pode ser! — Gina exclamou. Tinha atingido seu limite para as surpresas do dia. — Ele os conhece desde que eram filhotinhos...


— Não estou mentindo — A voz de Harry saiu baixa, porém firme. Gina olhou com grande atenção para o marido sentado à mesa ao seu lado, mas não conseguiu perceber nada por sua expressão. Era como se ele usasse uma máscara para esconder cuidadosamente suas emoções. Mesmo assim, achou que podia ter ofendido seu marido.


— Eu acredito em ti — disse. — Não estava insinuando que estás mentindo — explicou —, só expressando minha surpresa.


Sua explicação agradou o marido, e ele lhe concedeu um sorriso que mostrou lindos dentes brancos. O sorriso era quase juvenil, mas a cicatriz que lhe marcava a face destruía qualquer sugestão de que fosse algum jovem folgazão. Isso e a forma como ele a olhava, pensou Gina com um arrepio de nervosismo. Seus olhos guardavam uma promessa sensual de algo que estava por acontecer.


— O menino esconde-se atrás de Sirius sempre que os cachorros aparecem. Os animais obviamente se lembram do teu irmão — disse ele — e estão sempre tentando convidá-lo a brincar. O futuro herdeiro das terras de Weasley lamuriou-se até Sirius não conseguir aturar nem mais um lamento. Se o braço dele for tão forte quanto seus pulmões, teu irmão será um guerreiro e tanto quando crescer.


Agora era Gina quem sentia vontade de se lamuriar. As lágri­mas brotaram-lhe nos olhos, e ela cerrou a mão, formando um punho, só então percebendo que Harry a estava segurando. Imediatamente a abriu para ele não pensar que ela estava perdendo o controle.


— Ele nunca teve medo de nada nem de ninguém — disse Gina. — Meu pai temia que ele nunca tivesse juízo. — A tristeza lhe pontuou a explicação.


Harry pareceu não se deixar afetar por sua tristeza.


— Ele viu coisas demais para não mudar... — e lhe entregou uma taça cheia de vinho tinto suave antes de acrescentar: — Com o tempo, teu irmão vai sarar. Essas coisas são assim mesmo.


E eu, vou sarar também? Perguntou-se Gina. Será que o tempo apagará a memória dos gritos da minha mãe até eles não significarem mais nada para mim? Será que o tempo tornará aquele crime menos atroz? E se sarar incluir esquecimento, então talvez as feridas devam per­manecer abertas e sangrando. Eu não posso pôr o ódio de lado, pensou Gina, até que Pettigrew esteja morto.


— Meus parabéns, minha senhora. — As palavras ditas de maneira educada, em uma voz familiar, chocaram Gina. Sua cabeça ergueu-se de repente e seus olhos encontraram os olhos da serva mais velha de sua mãe, Minerva.


— Minerva — exclamou a jovem com um sorriso. — Pensei que tivesses morrido. — Gina virou-se, o sorriso ainda aberto, e disse ao marido: — Desejo apresentar-te a criada mais leal de minha mãe, Minerva. Minerva — disse ela, voltando o olhar de novo para a mulher de cabelos brancos —, o suserano do meu pai, Lorde Harry James Potter.


— Nada disso, Gina — contradisse o marido dela, os lábios encostados em seu ouvido. — Não mais o suserano do teu pai, mas teu marido.


Gina corou ligeiramente e meneou de leve a cabeça diante daquela delicada reprimenda. E aí corrigiu seu erro:


— Meu marido, Minerva... — começou. E aí desviou a atenção para o número de rostos familiares trazendo bandejas de comida para o salão. — Onde...? Como...?


— Todos eles voltaram, agora que estais aqui — disse Minerva, de mãos unidas diante do corpo. Estava olhando para Gina, mas sentindo o Lorde franzir o cenho; portanto, emendou-se: — Quando ouvimos dizer que vosso marido tinha salvo nosso lar dos bárbaros, então voltamos.


A serva olhou de relance para o suserano e depois baixou os olhos respeitosamente.


— Com sua permissão, meu senhor, vou ajudar minha senhora a se preparar para esta noite. Sua criada pessoal foi morta durante a chacina.


Harry concordou com um sinal. A criada sorriu, estendeu a mão como para afagar Gina, mas depois mudou de idéia. Gina percebeu essa hesitação da serva, então foi ela quem afagou de leve a cabeça de Minerva.


— Obrigada, Minerva, e graças a Deus que estás bem — disse. Quando a criada voltou a desempenhar suas funções, Gina voltou-se para o marido. E em seus olhos havia lágrimas.


Harry ficou espantado diante da atitude da esposa. Havia uma força em sua fragilidade. Ela não era como as outras que ele havia co­nhecido, fato que havia notado desde o início. Uma dignidade silenciosa irradiava de Gina. Seu temperamento era genioso, Harry sabia, mas as lágrimas eram contidas.


Ele sentiu vontade de vê-la sorrir outra vez.


— E tu, lamurias-te tão alto quanto teu irmão? — indagou-lhe. Gina não soube dizer se ele a estava provocando ou não.


— Eu nunca me lamento — disse ela, sacudindo a cabeça. Aí achou que se gabando assim dava a impressão de ser muito afetada.


O marido sorriu encantado.


— E nunca sorris para seu marido? — indagou ao seu ouvido.


Aquele bafejar cálido e suave contra o lóbulo da sua orelha pare­ceu-lhe uma suave carícia, e Gina foi obrigada a afastar-se antes de poder responder:


— É cedo para dizer — tentou contestar, e sua voz parecia então um sussurro rouco a seus ouvidos. — Faz apenas alguns minutos que me casei, senhor. — Aí, olhou-o nos olhos, os dela fulgurantes de ma­lícia, e Harry ficou mudo diante da intensa cor deles. Ela se tornava cada vez mais magnífica, mais desejável, e ele se perguntou como isso era possível.


— E estás gostando de estar casada? — perguntou ele quando finalmente conseguiu voltar a falar.


— Será uma adaptação muito difícil — respondeu Gina, a voz bem séria. Ela continuou enfrentando o olhar dele sem desviar os olhos, e acrescentou: — Não conheço muito bem meu marido, e as histórias que circulam sobre ele são bastante tenebrosas.


Harry ficou chocado. Achou que ela devia estar brincando, pelo brilho que tinha nos olhos; mas sua expressão era neutra e sua voz muito séria. Ele ficou sem saber o que responder. Ninguém jamais tinha falado com ele assim.


— Sou teu marido — disse Harry, franzindo o cenho. — Que histórias ouvistes sobre mim? — quis saber.


— Histórias demais para repetir — respondeu Gina, tentando não rir.


— Vais me contar todas! — A voz dele saiu bem alta, combinando com sua mudança de gênio. Assim que ele berrou a ordem, desejou não ter feito aquilo. Não queria amedrontar sua noiva na noite do casamento, mas obviamente tinha conseguido. Gina tinha virado a cabeça para longe dele, protegendo o rosto do seu olhar. Agora, mesmo sem jeito, Harry tentaria abrandá-la. O problema, claro, é que ele não sabia muito bem como fazer isso.


Bateu com o cálice na mesa para desabafar sua frustração, e virou o queixo de Gina para si com a ponta de um dedo. Decidiu que ia simplesmente sorrir para ela, para que ela soubesse que ainda estava em suas boas graças.


Porém o que ele não esperava era o sorriso que se formou no rosto dela, junto com um riso suavemente musical que lhe chegou aos ouvidos.


— Estava só brincando contigo, marido. Por favor, não feches a cara. Não tive a intenção de te aborrecer. — disse Gina, tentando controlar seu sorriso.


— Não sentes medo? — E ao se pegar fazendo aquela pergunta absurda, foi obrigado a sacudir a cabeça.


— Não gostas de que gracejem contigo? — Gina respondeu com outra pergunta.


— Não sei se gosto desse tipo de gracejo — disse Harry, ten­tando parecer sisudo, mas fracassando nesse intento. O sorriso dela era como um sol entrando naquela sala úmida e iluminada a velas, aquecendo-o. — A menos que eu seja o autor da pilhéria — admitiu ele com um sorriso amarelo.


Gina tornou a sorrir e disse:


— Então este casamento...


— Um brinde! — O convite partiu de Sirius, em voz alta e vigo­rosa. Gina olhou para cima de relance e viu o vassalo segurando um cálice bem acima da cabeça. Equilibrado precariamente em um ombro estava o pequeno Rony, soltando risadinhas enquanto se segurava na cabeleira do cavaleiro com ambas as mãos.


Harry ficou irritado diante daquela interrupção. Estava gostando da troca de gracejos com a esposa e imaginando como ela continuaria aquela brincadeira. Obrigou-se a voltar às festividades, mas primeiro murmurou a Gina:


— Mais tarde, minha esposa, vais me contar essas terríveis histórias que estão circulando sobre o meu caráter.


Ainda olhando para Sirius e seu irmão, Gina respondeu baixinho:


— Talvez, meu senhor. Talvez.


Uma espécie de certeza começou a insinuar-se em Gina a cada gole do vinho revigorante. Aliás, ela já estava se sentindo toda aquecida, por dentro e por fora.


— Onde encontraste este vinho, meu senhor? Não estamos acostu­mados com tal qualidade — disse ela.


— Nem quando comemoram? — Harry perguntou, surpreso.


— Bebíamos cerveja em todas as ocasiões — respondeu Gina. — E comíamos dos pratos uns dos outros — acrescentou, referindo-se aos pratos de madeira que os criados estavam colocando na mesa.


— Seu pai era um homem de posses — declarou Harry.


— Sim, mas frugal — disse Gina. Então ela riu e se inclinou para o marido, a mão descansando sobre a dele com toda a naturalidade. — Meu avô costumava zombar muito do meu pai, dizendo que ele era sovina — confessou a moça em tom de conspiração.


— Gostas muito do teu avô, não gostas? — perguntou Harry, sorrindo do comportamento dela.


— Sim, somos muito parecidos — reconheceu ela. Tomou mais um gole do seu vinho e sorriu para o marido por cima da beirada do copo.


— Já basta — decretou Harry, tirando-lhe o cálice da mão. — Quero-te consciente na noite de núpcias.


Seu lembrete indelicado do que estava para acontecer tirou a ale­gria de Gina. O sorriso sumiu e ela abaixou os olhos, fitando o prato. Tinha comido apenas um pouquinho da torta de codorna e não havia provado o cisne, nem as tortas de frutas silvestres preparadas para a ocasião.


Ela observou as iguarias que estavam sendo postas na mesa. As pessoas soltaram ooohs e aaaahs de admiração quando um pavão assado, coberto com sua própria pele e plumas, foi colocado diante dela. Harry serviu-a depois de ter lavado as mãos com o pano molhado que seu escudeiro lhe apresentou. Um pajem ajudou Gina.


O sacerdote e vários militares que serviam Harry em troca das suas terras reuniram-se ao casal à mesa. O pequeno Rony não teve permissão para sentar-se com eles por causa de sua pouca idade e posição, mas cada vez que Gina o via, notava que suas boche­chas estavam tão inchadas de comida quanto as de um esquilo. Tinha modos muito parecidos com os dos seus cachorros, pensou ela, mas logo iria se tornar um dos pajens de Harry e aprender a maneira correta de proceder.


Vários dos homens começaram a dizer versos de uma balada po­pular um tanto atrevida. E aí um escudeiro ruivo, bastante corado pelo vinho, começou a cantar em uma profunda voz de barítono. O salão ficou em silêncio e todos escutaram sua canção.


Sua balada era sobre um herói chamado Rolando e sua fiel espada, Joyosa, e como conduziu corajosamente seus soldados à vitória em uma batalha na Antigüidade. Segundo os versos, Rolando avançou bem à frente dos invasores cantando em voz alta enquanto brandia a espada inúmeras vezes no ar como um malabarista. Foi o primeiro a morrer e não ofereceu resistência. E agora era uma lenda.


Para Gina, Rolando era um completo idiota. Ela deduziu que não era nada romântica. Mortos estavam mortos, tivessem se transfor­mado em lendas ou não. Ela se perguntou se Harry concordaria com este seu pensamento.


— Chegou a hora — anunciou Harry quando terminou a canção e os vivas à memória de Rolando foram deixando de ecoar no salão. Ele a pegou pelo cotovelo, fez sinal a seu servo e ficou de pé. — Vai na frente. Eu me encontrarei lá contigo em breve.


Gina queria sair do salão sim, mas seu destino seriam as gran­des portas que levavam ao exterior do castelo e não ao seu quarto. Ela quase sorriu diante dessa sua intenção infantil de fugir. Quase.


Ergueu a bainha do vestido e seguiu Minerva, procurando não deixar de enxergar a luz da tocha que a serva carregava, parando apenas uma vez no caminho, ao subir a escada curva. Encontrou o marido no meio de um grupo de homens, vendo-a afastar-se. Ele parecia não prestar nenhu­ma atenção à conversa dos soldados, olhando encantado para sua noiva. O coração de Gina disparou diante dessa carícia sensual, a promessa que seus olhos escuros lhe faziam.


— Senhora? — a voz de Minerva a chamava, mas Gina não se sentia capaz de vencer a força que mantinha seus olhos presos aos dele.


— Sim — murmurou ela, e depois —, já vou — mas só quando a serva a puxou pelo cotovelo ela foi capaz de virar-se para a boa mulher.


Minerva ficou falando sem parar das novidades da aldeia até ter ti­rado todas as roupas de Gina e posto fogo nas achas da lareira. Os cabelos de Gina continuaram presos pela fita no alto da cabeça, com vários fios caídos emoldurando-lhe os lados do rosto. Ela afastou uma mecha solta para o lado e vestiu a camisola que a serva segurava aberta para ela.


Ter Minerva ali, ajudando-a, contribuiu muito para acalmar Gina. O dia havia sido muito cansativo. Gina sentia-se ao mesmo tempo exausta e agitada.


— Vossas mãos estão tremendo — comentou a aia. — É de alegria ou medo?


— Nenhum dos dois — mentiu a moça. — Estou só muito can­sada. Foi um dia bem longo.


— Senhora... Vossa mãe alguma vez vos falou sobre os deveres de uma esposa? — perguntou Minerva com uma brusquidão que fez as faces de Gina corarem.


— Não — respondeu ela, afastando o olhar do de Minerva. — Mas eu ouvia as histórias que minhas irmãs contavam. Além disso, as mulheres não têm de fazer nada, têm? — Notava-se em sua voz um tom de pânico, um eco de seu tumulto interior.


A serva fez que entendia.


— Quando o homem se excita, deseja que sua companheira corres­ponda — disse ela, com toda a calma. — Temo que ele se zangue se vós...


— Não me importa se ele se zangar ou não — Gina respon­deu, endireitando os ombros. — Só espero que ele acabe logo seja lá o que for que tenha de fazer.


— Há como fazer que tudo termine bem rápido — explicou a cria­da. Ela dobrou a beirada do lençol sobre a colcha e virou-se para a Gina. — Mas vais precisar de coragem... e ousadia, minha senhora.


Gina sentiu-se intrigada diante daquela conversa. Minerva não es­tava nem um pouco constrangida com aquele tema delicado e falava com uma expressão de grande tranqüilidade, como se estivesse debatendo sobre as formas de se rechear uma codorna. Minerva, Gina recordou-se, tinha pelo menos três vezes a sua idade, e talvez fosse por isso que via as coisas com aquela tranqüilidade toda.


— O que devo fazer? — indagou Gina, decidida a fazer qual­quer coisa para encerrar logo a noite de núpcias.


— Seduzi-lo — anunciou Minerva, confirmando diante da expressão intrigada de Gina. — Ele está louco para ir para a cama contigo — disse ela. — Vi os olhares ardentes que lhe lançava. Os homens só se controlam até certo ponto, senhora. Precisais...


A porta do quarto se abriu de repente e Harry preencheu a mol­dura. Gina estava de pé em frente à lareira, sem perceber que a luz do fogo lhe revelava a silhueta esbelta através da camisola fina. Sentiu um nó no estômago ao ver o olhar que o marido lhe lançou vagarosa­mente, centímetro por centímetro, desde o alto da cabeça até a pontinha dos dedos, que apareciam abaixo da bainha da camisola, mas ela en­frentou aquele olhar e agüentou firme sua avaliação, rezando para seu tremor passar logo.


Minerva saiu do quarto, e Gina ficou a sós com o marido. O olhar dele a intimidava, e quando ela não conseguiu agüentá-lo mais, virou-se de costas para ele, fingindo aquecer as mãos ao fogo. Sua mente procu­rava imaginar o fim da conversa que estava tendo com Minerva. Seduzi-lo? Bancar a prostituta? Teria sido esta a sugestão da aia? Não, decidiu, jamais seria capaz de fazer isso. E como que seduzir um homem apres­saria alguma coisa?


Percebendo que poderia dar a impressão de que estava tentando se esconder, Gina virou-se devagar para o marido. Ele estava sentado na beirada da cama, tirando as botas sem tirar os olhos dela.


Se ao menos ele sorrisse, pensou Gina, em vez de parecer as­sim tão sério, tão compenetrado... Ela sentia como se ele conseguisse enxergar o que havia dentro dela, como se conhecesse seus sentimentos e pensamentos mais íntimos, desnudando-lhe a alma... e a capturando. Ele parecia capaz dessa façanha, e Gina quase fez o sinal da cruz, mas conteve-se a tempo.


Sem dizer nada, Harry ficou de pé e começou a tirar o resto das roupas, surpreso ao ver que suas mãos estavam tendo dificuldade de abrir aquelas fivelas simples. Se não soubesse que não era nada daquilo, acharia que as mãos dele estavam tremendo. Continuava a fitar a esposa, dese­jando que ela lhe demonstrasse aquele medo que ela mantinha tão bem escondido. Ele sabia que o medo existia, disfarçado naquela postura rígi­da. Mesmo assim não ficou zangado quando ela não demonstrou medo algum. Ela era sua esposa, sua propriedade. E ele tinha escolhido bem.


Gina o viu tentar abrir as fivelas várias vezes. Quis sugerir que ele prestasse atenção no que estava fazendo em vez de olhar para ela sem parar, mas achou que ele pensaria que estava implicando com ele. Em vez disso, aproximou-se dele devagarinho, com um sorriso erguendo-lhe os cantos da boca, e desatou as três fivelas.


Harry observou-a, inspirando a fragrância adocicada e refrescante que ela exalava.


— Eu devia mudar teus curativos — disse Gina, recuando um passo — e aplicar mais pomada.


— Já cuidaram disso — respondeu Harry, sua voz rouca. Estava tirando o resto das roupas enquanto falava. Gina tentou se recordar de que já o tinha visto nu antes, mas naquela ocasião ele estava incons­ciente e ardendo em febre. O desejo do homem por ela agora tinha mo­dificado consideravelmente seu físico, e essa transformação a apavorou.


— Não tenhas medo. — A ordem, pronunciada em voz baixa, con­fundiu Gina. Harry pôs as mãos nos ombros dela. Não a puxou para si, mas pareceu conformar-se em lhe fitar demoradamente os olhos, o nariz, e mais especialmente a boca.


— Não estou com medo — contradisse Gina, a voz clara e forte. — Já te vi sem roupas antes. — Diante do olhar intrigado de Harry, Gina explicou: — Quando cuidei de ti, foi necessário...


— Eu me lembro — disse Harry, sorrindo por dentro do jei­to como o rosto da sua esposa se corou ao confessar isso. Suas mãos começaram a massagear suavemente os ombros da esposa, acariciando-lhe os músculos contraídos e tensos que sabia que tinha causado. — Eu também te vi sem roupas — disse ele.


Suas palavras assustaram Gina, e ela apenas vagamente tomou consciência de que as mãos dele tinham descido para sua cintura, até o nó que lhe atava a camisola.


— Quando foi isso? — perguntou, franzindo o cenho.


— Na cachoeira — respondeu Harry. — Estavas tomando banho.


— E ficaste assistindo? — perguntou ela, ao mesmo tempo enver­gonhada e um tanto indignada.


— Eu já havia decidido casar-me contigo, Gina. Era meu direito. Gina empurrou as mãos dele para longe e recuou outro passo.


Sentiu a cama atrás dos joelhos e viu que não ia poder recuar mais.


— Quando foi que decidiste — perguntou ela, a voz num sussurro — que te casarias comigo?


Harry não respondeu e ficou ali de pé esperando.


Ele não estava contribuindo para amenizar o momento, e a incer­teza do que ia acontecer era torturante. Preciso terminar logo com isso, decidiu Gina. Devagar, desatou o nó da camisola. Antes que perdes­se a coragem, tirou a camisola e a deixou cair no chão.


— E ainda me queres? — perguntou, a voz rouca, e, segundo ela esperava, sedutora.


Pelo olhar surpreso no rosto do marido, Gina viu que seduzir um homem talvez não fosse difícil como pensava. Ele a olhou de um jeito tão ardente que ela sentiu o calor envolvê-la como em um abraço. Sentiu-se como se estivesse sendo acariciada.


— Quero sim, esposa, eu te quero — respondeu Harry, sua voz hipnótica. — Vem até mim, Gina. Deixa-me fazer-te minha.


Não demoraria para fazê-lo perder totalmente o controle, deduziu Gina com ingenuidade. A seguir, imaginava que ele a jogaria sobre a cama e a possuiria. Seria doloroso, ela sabia, mas terminaria logo.


Uma necessidade insuportável de fazê-lo abraçá-la antes, acariciá-la e consolá-la fez a cabeça de Gina girar. Ela deu o primeiro passo e estava a um suspiro de distância dele quando parou e ergueu as mãos até os cabelos. Puxou a fita, libertando-os, e aquela coroa apertada de cachos desfez-se rapidamente, caindo-lhe abaixo dos ombros. E mesmo assim seu marido não se mexeu. Não pareceu alucinado de excitação nem lascívia, e então Gina viu que ia precisar caprichar bem mais na sedução do que imaginara a princípio, para poder obrigá-lo a perder todo o controle.


Ela ficou na ponta dos pés e passou os braços ao redor do pescoço dele, aproximando-se do seu corpo até seus seios tocarem o tapete quente de pêlos que cobria o peito do homem. O contato da pele dele na dela foi surpreendente; os olhos dela se arregalaram diante da sensação. Harry então sorriu, como se estivesse gostando daquela sua agressão.


Ele a ergueu e a colocou delicadamente na cama. Antes que ela pu­desse se afastar para lhe dar espaço, Harry se deitou por inteiro sobre ela, todos os músculos e tendões poderosos tocando a sedosa e macia pele da moça, do pescoço aos pés. Seu corpo parecia ser capaz de engolir o dela. Ele se apoiou nos cotovelos para tirar um pouco do peso de cima dela e ficou assistindo à reação da esposa a esse contato íntimo.


Gina fechou os olhos diante das sensações que se entrechocavam dentro de si. A pele dele era como aço morno; sua masculinidade, a própria fragrância que era Harry, a embriagava. Ela sentiu-se tremer e corajosamente tentou abrir as pernas, sabendo, bem lá no fundo, que a força daquela virilidade toda dele iria arrebentá-la. Não vou gritar, re­petiu consigo mesma, vezes sem conta, apertando os olhos como se isso pudesse ajudá-la a diminuir a dor do que estava para acontecer.


— Estou preparada — sussurrou ela ofegante.


Harry sentiu-a se preparando para o que ele estava para fazer e sorriu.


— Mas eu não — sussurrou ele em resposta, e seu sorriso ampliou-se ainda mais quando os olhos da moça se abriram com óbvia aflição e confusão. Os olhos estavam cheios de ternura e fagulhas douradas que mostravam sua animação. Isso não tem graça, Gina sentiu vontade de gritar. Em vez disso, murmurou, como se suplicasse:


— Termina logo, marido.


Tentou mover as pernas, afastando-as uma da outra, mas Harry bloqueou-lhes os movimentos com suas próprias pernas. Gina olhou-o nos olhos e esperou. Umedeceu os lábios com a pontinha da língua, um gesto inconsciente, e obrigou seu corpo a relaxar.


E aí Harry, bem devagar, abaixou-se e beijou-a, um beijo profun­do e arrasador que fez Gina ficar totalmente desorientada. Sua boca abriu-se sob aquele terno assédio, e ela aceitou a língua invasora dele com um suspiro, puxando-o mais para perto de si. Durante alguns momen­tos intermináveis ele continuou a provar a doçura que ela lhe oferecia. Ele exigia e ela dava, desejando que aqueles beijos embriagadores não terminassem. Quando ele afastou a boca e passou para a garganta dela, Gina tentou obrigá-lo a beijá-la na boca de novo. Harry lhe segu­rou as mãos e prendeu-as com uma das suas, mas ela não se sentiu pri­sioneira, pois seu polegar acariciou suavemente as palmas de cada uma, causando arrepios que lhe atingiram a ponta dos dedos. Ela sentia-se como se estivesse prestes a penetrar em uma tempestade e relâmpagos estivessem lhe percorrendo os membros. Harry passou para o lado dela, mantendo uma das suas pernas musculosas bem firme sobre as per­nas dela. E durante o tempo inteiro, sua boca continuou provando-lhe a pele, movendo-se com deliberada lentidão até os seios trêmulos da moça. O tormento estava se tornando insuportável, e ela não conseguiu conter o gemido que ecoou por todo o quarto quando a boca do marido finalmen­te lhe tocou um seio. A língua dele lhe estimulou o mamilo até deixá-lo ereto, vibrando e circundando-lhe com uma insistência excruciante que empurrava Gina cada vez mais para o olho do furacão. Finalmente, ele fechou os lábios em torno do mamilo duro, sugando-o até tremores de prazer sacudirem Gina.


Ela não percebeu que seus quadris tinham começado a ondular de um jeito bastante erótico, para a frente e para trás. Bem dentro dela, esta­va se desenvolvendo o calor de uma intensa necessidade, e Gina não conseguiu mais permanecer passiva. Libertou as mãos e começou a tocar e acariciar o marido. Seus músculos pareciam nós de ferro, os pêlos do seu peito eram crespos e quentes. Gina encantou-se com a diferença entre o corpo dele e o seu, querendo conhecê-lo por inteiro. Sua mão deslizou mais para baixo, mas parou de repente quando Harry arquejou bruscamente. Ela hesitou mais um segundo, e depois continuou sua exploração. Ao atingir o ápice do calor do seu desejo, a mão de Harry a deteve. Sua voz saiu ofegante quando ele disse:


— Não, minha esposa. Não tenho tanta paciência assim.


— Fiz alguma coisa que não devia? — perguntou Gina, hor­rorizada diante da possibilidade de ter feito algo horrível. Recolheu a mão de repente, mas Harry a pegou.


— Não — respondeu ele, acariciando-lhe a face com a outra mão. — Nada é errado entre marido e mulher. — Ele pôs a mão dela em torno do seu pescoço e olhou-a bem fundo nos olhos.


— Então por que...


A boca de Harry a impediu de fazer a pergunta. Seus movimen­tos então se tornaram mais bruscos, mais concentrados. Com o joelho ele abriu as pernas dela, e sua mão deslizou até os cachinhos macios que protegiam o âmago do desejo ardente da moça. Gina tentou tirar a mão dele dali, mas Harry nem ligou. A cada toque, cada carícia con­tra aquela maciez aveludada, Gina sentia que se descontrolava mais um pouquinho. Ela agarrou-se a ele, beijando-lhe o pescoço, o ombro, esfregando a língua contra sua pele quente, provando a camada salgada de suor, inalando o cheiro almiscarado que era seu marido.


As sensações que estava experimentando agora eram primitivas de­mais, novas demais. Ela se sentia assustada diante do poder que ele estava exercendo, e uma vez mais tentou afastar-lhe a mão.


Harry segurou-a, mantendo-a parada, com as mãos em seus quadris.


— Tu és tão linda, Gina. Eu quero te conhecer inteira.


A voz dele era um grunhido contra sua pele. Ele abaixou a cabeça até a cintura dela e começou a circundar-lhe o umbigo com a língua quente e molhada. Gina gemeu e automaticamente inspirou com força. Ten­tou encontrar palavras para protestar, para lhe dizer que não, o que estava fazendo era errado, ele não podia... Mas sua boca já estava descendo mais um pouco, e ainda mais, e todas as palavras, todos os pensamentos se afastaram com suas pernas trêmulas, explodindo em fragmentos de um prazer branco de tão ardente, tão intenso que ela pensou que fosse morrer de doce aflição quando a língua dele começou a acariciá-la naquele lugar. A língua dele roçando suavemente na parte mais íntima e mais protegida de seu ser, a carícia áspera do rosto dele, com a barba por fazer, contra a pele supersensível da parte interna de suas coxas, fez Gina ir às nu­vens. Ela suplicou-lhe, com seus gemidos, que parasse com aquela mara­vilhosa tortura, enquanto suas mãos o mantinham ali, preso contra ela.


— Teu gosto é tão bom... tão doce — ela o ouviu dizer em um sussurro ofegante.


Ele estava, pouco a pouco, levando-a à loucura.


— Por favor, Harry — gemeu ela, arqueando o corpo contra a boca do marido. — Por favor... — Ela não sabia o que pedia, só queria que aquela agonia terminasse.


— Calma querida — sussurrou Harry, mas Gina não en­tendia mais o que ele dizia. A voz dele era calmante, seu toque aluci­nante; ela arqueava os quadris com mais força e lhe passava as unhas pelos cabelos.


Seus movimentos frenéticos deixaram Harry louco de desejo. O corpo dele tremia, e Gina era capaz de sentir a fome desvairada apossar-se dele. Em vez de apavorá-la, isso a deixou mais excitada, fazen­do-a puxá-lo para seu rosto.


Foi aí que Harry perdeu mesmo o controle. Cobriu-lhe a boca com a dele, assolando-a sôfrego com a língua. Gina correspondeu àquela paixão, beijando-o sem parar com um desespero incontido. Viu-se transformada em agressora, louca para satisfazer suas necessidades, e Harry tentou deixá-la agredi-lo um pouco mais, até suas unhas, mergulhando-lhe nos ombros, ficarem dolorosamente insistentes.


— Eu te desejo como nunca desejei nenhuma outra — murmurou ele ofegante. Ajoelhou-se entre as pernas dela, suas mãos lhe sustentando os quadris. Gina estendeu os braços para ele e se pendurou em seu pescoço, tentando puxá-lo de volta para si. Sentiu-o hesitar, no limiar, e instintivamente arqueou o corpo no mesmo instante que ele a penetrou. A dor cortou-lhe a névoa sensual, e ela deu um grito. Tentou afastar-se, mas Harry segurou-a com firmeza contra o corpo e, só quando estava bem dentro dela, parou, dando-lhe tempo para adaptar-se a ele.


Ele lhe acalmou os soluços com palavras ternas, jurando várias ve­zes que a dor já havia passado.


— Terminamos, então? — conseguiu perguntar Gina, trêmula.


— Começamos agora — respondeu o marido. Ele parecia que tinha corrido durante muito tempo, e Gina sabia como ele estava precisan­do esforçar-se para se controlar por sua causa. Sua consideração por ela a fez querer agradá-lo. Ele ofegava encostado em seu rosto. Gina virou a cabeça e encontrou os lábios dele, beijando-o com paixão.


Harry retribuiu-lhe o beijo, segurando seu rosto entre as mãos. De­pois, devagar a princípio, começou a mover-se. E Gina esqueceu a dor.


Suas pernas subiram, envolvendo os quadris do marido. Ela o ouviu dizendo-lhe que o abraçasse, e ela apertou os braços em torno do seu pescoço. E aí não ouviu mais nada. Só conseguiu sentir. Um prazer cada vez maior começou a dominá-la. Ela movia-se no com­passo do seu coração disparado, rumo ao olho do furacão, e o marido a conduzia, a impelia.


— Agora, Gina — sussurrou ele ofegante —, goza comigo. — E ela gozou com ele; sentiu a separação de corpo e alma, sentiu uma explosão como se fossem relâmpagos espocando dentro dela enquanto o marido a penetrava. Foi aterrorizante e ao mesmo tempo magnífico.


Ela chamou o nome dele, e ouviu-o dizer o seu.


Passou-se algum tempo antes que Gina voltasse à realidade. A descida suave de volta ao presente foi amenizada pelo corpo do marido sobre o seu. Ela abriu os olhos e encontrou Harry sorrindo para ela.


— Eu não fazia a menor idéia... — murmurou. A sensação de des­lumbramento e assombro diante do que ambos tinham acabado de divi­dir era impossível de descrever, mas Harry percebeu, pela expressão de êxtase da esposa. Ele ternamente empurrou uma mecha molhada de cabelo, afastando-a da têmpora dela, e a beijou ali. Ela sentiu as boche­chas molhadas e percebeu que tinha chorado.


Ele sorriu de novo — um sorriso prazeroso e arrogante, segundo Gina deduziu —, e aí ela se perguntou quem tinha seduzido quem.


Fechando os olhos, sorriu. Harry rolou, deitando-se de barriga para cima, com um suspiro alto e satisfeito, e Gina imediatamente sentiu o frio do ar na pele brilhante de suor. O sono exigia sua atenção, o sono e o calor do corpo do marido. Ela puxou as cobertas para cobrir-se e cobrir o marido, e rolou para os braços dele, cutucando-o até ele virar para o seu lado e passar os braços em torno dela.


Ela estava para adormecer quando ouviu a voz do marido.


— Tu és minha. Era uma constatação.


— Sim, marido, sou tua — reconheceu Gina no escuro. — E tu és meu. — Seu tom desafiou-o a negar isso.


Gina esperou o que parecia, por causa de sua natureza impa­ciente, uma eternidade. Harry não respondeu. Sua respiração profun­da, uniforme, indicou-lhe que tinha adormecido. E sua irritação trans­formou-se em exasperação quando ele começou a roncar.


Gina recusou-se a desistir. Ele tinha exigido que ela fizesse uma jura, e agora queria ouvir a dele! Ela o empurrou com tanta força quanto podia e gritou em seu ouvido:


— E tu és meu, Harry!


Harry continuou sem responder, mas apertou-a rapidamente, e deu um leve sorriso. Para Gina, foi um reconhecimento da sua afir­mação. Era suficiente. A jura estava feita.


Satisfeitos, marido e mulher adormeceram.


n/a: comentem!!!!

Primeiro Capítulo :: Próximo Capítulo :: Capítulo Anterior :: Último Capítulo

Menu da Fic

Adicionar Fic aos Favoritos :: Adicionar Autor aos Favoritos

 

_____________________________________________


Comentários: 0

Nenhum comentário para este capítulo!

_____________________________________________

______________________________


Potterish.com / FeB V.4.1 (Ano 22) - Copyright 2002-2026
Contato: clique aqui

Moderadores:



Created by: Júlio e Marcelo

Layout: Carmem Cardoso

Creative Commons Licence
Potterish Content by Marcelo Neves / Potterish.com is licensed under a Creative Commons
Attribution-NonCommercial-ShareAlike 3.0 Unported License.
Based on a work at potterish.com.