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1. Único


Fic: Another Chance at Cheap Romance - JL - Capítulo único.


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Another Chance At Cheap Romance
baseada na letra de Rock n Roll, Eric Hutchinson (letra e tradução:  x | Assistir no YouTube: x)


“Advance the plot to see how far it's gonna go
All depends, so ditch the friends and grab a cab
Another chance at cheap romance”
(Avance o enredo para ver o quão longe isso vai
Tudo depende então dispense os amigos e pegue um táxi
Outra chance de romance barato)


- POTTER!

James não sabia se ficava puto por estar sendo chamado por Cornell exatamente às oito horas e trinta e nove minutos (da noite) – o que significava muito depois do expediente – ou se ficava extremamente surpreso por ele ter realmente se levantado daquela cadeira e saído do seu escritório para vir chamá-lo.


- Sim? – ele soou extremamente simpático, mas não ia fazer mais porra nenhuma. Era sexta-feira , pelo amor de Deus, e ele estava esperando pelo fim de semana desde... Segunda.

- Onde está o controle de presenças mensal? Não consigo achar em lugar algum.

Trabalhar nos Recursos Humanos não era coisa para James. Preencher folhas de pagamento, analisar currículos e cuidar do salário de outros funcionários era um desperdício enorme dos três anos que tinha passado estudando em Cambridge. Pena que ele tenha sido expulso depois se envolver num “acidente” – ainda mais porque depois dessa o pai dele o tinha deserdado. É claro que ele não tinha outro filho e já estava em uma idade muito avançada, então ia acabar perdoando seu único filho... O que ele faria com todo aquele dinheiro, caso contrário? Filantropia?... Mas por ora, James tinha que se virar. E por se virar ele queria dizer agüentar aquela merda de emprego que Sirius tinha arranjado para ele no Bristol Times. (N/A: bristol times hahaha Desculpem por isso)

- Eu não sou responsável pelo controle de presenças – ele respondeu. – Lamento. Bom final de semana, senhor Cornell.

Dizendo essas últimas palavras, James se retirou da sala, ignorando os chamados do seu chefe. “Lide com isso, velho” ele pensou. Ele se perguntava se todos os chefes do departamento de RH eram esse porre.

Quanto entrou no elevador vazio, ele já estava pensando em que lugar devia aparecer. Certamente um bem longe dali, ele não queria ter o infortúnio de esbarrar com alguém do jornal. Pelo amor de Deus, ele não queria topar com Jonathan, do caderno dos esportes, doente pelo Bristol City. Ele ia começar a encher os ouvidos de James falando sobre como o time ia sair da terceira divisão esse ano, ele tinha certeza absoluta disso. Terceira divisão. James jamais ia agüentar torcer para um time da terceira divisão. Bom era ver jogo da Champions League. (N/A: pesquisinha básica de futebol, certo? Como diabos eu ia saber que existe um Bristol City? Então pesquisei times de Bristol, e descobri dois, ambos da terceira divisão da Inglaterra. Meu interesse por futebol se resume ao Grêmio, e basicamente só quando é Libertadores. Fim).

James tirou o celular do bolso e buscou o número de Sirius nas chamadas recentes. Ele atendeu no terceiro toque.

- E aí, cara? Cornell te liberou? – perguntou Sirius, falando alto; um burburinho soava num volume elevado ao fundo.

- Não tenho muita certeza disso – James respondeu, falando alto também e saindo do prédio. – Boa noite, Alfred – ele cumprimentou o porteiro, que desejou uma boa noite de volta. Ia ser boa, ele sabia. – Deixei ele falando sozinho.

James ouviu a risada alta de Sirius do outro lado da linha. Talvez ele já estivesse bêbado.

- Está querendo perder o emprego? – Sirius perguntou, mas definitivamente não como se o estivesse censurando. Ele parecia divertido. – Não importa, hoje é sexta e ninguém deveria pensar em trabalho. Cara, você devia aparecer aqui.

- Aqui onde? – ele perguntou, enquanto entrava no seu Camaro conversível estacionado do outro lado da rua, no estacionamento rotativo. Seu bebê era uma das reminiscências da época em que podia desfrutar da fortuna dos Potter. É claro que ele ainda não tinha precisado pagar nenhum imposto sobre o valor do carro; ele não queria pensar nisso, ele mal teve dinheiro para pagar o seguro. E vender o carro... Estava fora de cogitação. James precisava dar uma conversada com seu pai e voltar a estudar em qualquer faculdade que o aceitasse antes que tivesse de se desfazer do seu carro.

Ele se perguntava se a faculdade comunitária o aceitaria quando lembrou de Sirius no celular.

- Aqui no Sargent Pepper's, onde mais? (N/A: Cara, eu descobri que aqui na minha cidade tem um pub chamado ‘Sgt Pepper's Lonely Hearts Club Band’ e fiquei extremamente emocionada quando vi. Sou metida a fã dos Beatles, sabe como é.).

Isso significava mais uma horda de colegas de trabalho; Sgt. Pepper's era o preferido deles. E a outra opção de James era procurar algum lugar para ir e ficar sentado sozinho no bar se enchendo de cerveja. Entre dois males, era o pior.

- Beleza, estou aí em cinco minutos.

Ele desligou o telefone e só então tirou o carro da vaga do estacionamento. Deus sabia que ele não tinha dinheiro para pagar uma multa de trânsito por falar no telefone ao volante.


x


Ele tinha demorado cinco minutos para chegar ao lugar. Os outros quase dez foram para achar um lugar para estacionar. A solução foi estacionar na rua sombria duas quadras atrás. Não era um bom lugar para deixar o carro, mas pelo menos ele ainda estava pagando o seguro, então se alguém resolvesse dar um sumiço no seu Camaro... Alguém ia ter que cobrir o estrago.

Ele avistou seus conhecidos em uma mesa nos fundos do bar. Quer dizer, ele avistou a cabeça loiro-platinada de Tiffany/Brittany da publicidade. Não tinha como não ver aquilo. E mesmo que ele fosse a pessoa mais vistosa e chamativa do lugar, James ainda não tinha certeza quanto ao nome dela.

- Noite – ele cumprimentou sentando em uma cadeira vazia ao lado de Lupin e imediatamente chamando alguém para atendê-lo.

- Então você estava preso no prédio até agora, James? – Tiffany perguntou. Ou Brittany.

- É. E o melhor de tudo é que ninguém vai me pagar hora extra por isso – ele reclamou, mas sentindo-se mais alegre quando sua Heineken e aqueles bolinhos de camarão regados a óleo reutilizado que ele tanto gostava chegaram. Maldita política de empresa. “Banco de horas” era a coisa mais estúpida de que ele já ouvira falar. Então ele ia acumular as horas a mais que passava no escritório e depois seria obrigado a tirar um dia de folga para não fazer droga nenhuma, já que nem dinheiro ele tinha. Era exatamente disso que ele precisava: dinheiro extra.

James reparou que era o único da mesa bebendo cerveja; o restante deles estava acompanhado de drinques caros que James não tinha dinheiro para pagar. Quer dizer, é claro que ele tinha. Mas se fizesse disso um hábito de todo final de semana, no fim do mês provavelmente teria de abrir mão de coisas tipo leite, arroz e água encanada. Tranquilo.

As garotas, a maioria universitárias, já que eles estavam perto do campus da Universidade de Bristol, passavam por ele soltando sorrisos convidativos, o chamando. Pelo menos para isso ele não precisava do dinheiro da família. Seu charme de nascença tinha sido conservado, rico ou pobre. Ele sabia que a noite ia ser boa.

O momento só não tinha chegado ainda, de modo que tudo que ele fez foi ficar sentado ouvindo o restante das pessoas na mesa puxar papo uns com os outros enquanto dava respostas monossilábicas às perguntas sem fim de Brittany. Ele não conseguia suportar o jeito Paris Hilton dela. Isso continuou por pelo menos uma meia hora, até que algo (ou alguém) finalmente chamou sua atenção.

A garota ruiva e alta que entrou no bar, acompanhada de mais duas garotas. Ela vestia uma camiseta cortada, provavelmente manualmente, skinny escuro, saltos incrivelmente altos e usava maquiagem pesada, tipo rockstar. E ela era muito, muito gata. Era isso que ele estava procurando. Personalidade. Não garotas do tipo quero-ser-socialite.

- Pode olhar. É só o que você vai conseguir – Sirius anunciou para James na outra extremidade da mesa. Como os dois estavam do mesmo lado da mesa, foi fácil para Sirius ver o que o amigo estava olhando. Ele quase riu internamente. Todos os caras tinham a mesma reação.

Tiffany virou para ver para quem os dois (e o resto dos homens da mesa também) olhavam tão fixamente. Ela viu aquela garota nojenta balançando seu cabelo ruivo e longo, e revirou os olhos.

- Vadiazinha – ela comentou, como quem não quer nada.

James conseguiu parar de olhar para a garota dos seus sonhos a quinze metros de distância e olhou para Brittany.

- Você a conhece? – ele perguntou. Tiffany olhou para ele como se ele fosse completamente idiota.

- É claro que eu a conheço. Todo mundo conhece Lily Evans – ela respondeu com ar de superioridade, franzindo o nariz ao dizer aquele nome. “Lily Evans” não significava nada para James. Talvez porque ele não morasse na cidade há mais de seis meses? – Ela escreve uma coluna semanal para o caderno de variedades no Times. Nunca viu? A coluna “It Girls”? – a garota franziu o nariz novamente; ela claramente tinha uma grande aversão pela tal Evans.

James sinceramente não se lembrava de ter visto uma coluna chamada “It Girls” no jornal nenhuma vez. E ele certamente nunca tinha visto aquela garota no prédio do Bristol Times.

- Ela é, supostamente, uma it girl porque todas as garotas da cidade querem ser como ela – Tiffany continuou, em tom de desprezo. Como se mesmo a idéia de se parecer com aquela linda garota ruiva fosse extremamente repulsiva.

- Se você olhar em volta, todas elas se parecem, de qualquer maneira – Lupin comentou, dando de ombros e tomando um gole de sua bebida. Ele já nem tinha muita certeza de quantos drinques tinha tomado.

- Exatamente – Tiffany concordou, olhando em volta e soltando um suspiro de desaprovação. – Pelo amor de Deus! Por que alguém ia querer se parecer com ela? Ela parece estar eternamente presa no Halloween, e ainda por cima é uma completa putinha.

James virou para Tiffany. Aquilo tudo deveria ser pura inveja.

- Você por acaso tem algum... Problema com ela, T... – Tiffany? Ou Brittany? – Gata? – ele soltou sem conseguir pensar em mais nada. Aquele certamente não foi o tratamento correto, já que Tiffany/Brittany abriu um meio-sorriso involuntário. Bem, o estrago estava feito.

- Não, só estou falando a verdade. Quero dizer, não é minha culpa se ela sai com um cara diferente toda semana, sabe-se lá o que eles fazem – ela soltou, carregada de veneno. – Qualquer um consegue tirar proveito.

James voltou a olhar para a garota que estava sentada no bar junto a algumas amigas. Ela não parecia nada com uma “putinha” ou “vadiazinha” como Tiffany descrevera.

- Pare de blasfemar a garota – Sirius a repreendeu, chamando a atenção de James de volta para a sua própria mesa. – Ela me dispensou, lembra? E a Lupin?

- Talvez ela tenha alguma coisa contra jornalistas – Tiffany sugeriu. – Vocês foram os únicos, até onde eu sei.

- Isso é tudo o que ela faz? – James continuou a perguntar, interessado, ignorando todo o veneno que Brittany soltava.

- Ah, não. Nas horas vagas ela estuda na Universidade de Bristol... Especialização: inutilidade – Brittany continuou. Ela realmente não conseguia refrear seus instintos.

- Tiffany, pelo amor de Deus, você nem a conhece – Emmeline, outra colega de trabalho que estava com eles reclamou. – Pare de ser venenosa, inveja é algo muito feio – ela acusou em um tom de voz que demonstrava que já estava farta daquilo. Não era só ela. – E, por sinal, James, eu a conheço e já vi ela na redação algumas poucas vezes. A especialização dela é bioquímica.

James levantou as sobrancelhas em sinal de admiração. Uma “it girl”, bioquímica? Isso não era algo que se via todos os dias. Não que ele de fato soubesse alguma coisa sobre o que estava in ou out.

- Tudo bem – Tiffany (esse era mesmo o nome dela, ao que parecia) concordou, se rendendo. – Talvez vocês devessem se filiar ao fã-clube dela, como o resto daqueles idiotas – ela sugeriu, indicando as garotas que pareciam tentar parecer com Lily, e alguns caras que estavam por perto também.

“Talvez eu devesse” pensou James, sem conseguir desviar o olhar daquela ruiva no bar.


x


- Outro Cosmo, por favor – Lily Evans pediu ao bartender de maneira entediada. Ela já estava sentada naquele bar há bons quarenta e cinco minutos e nada de interessante tinha surgido. Nenhum cara interessante. Até parece que ela queria um personal trainer que só tinha músculos (não que todos eles fossem feitos só de músculos, claro que não! Mas aquele era) ou um vocalista de banda de garagem sem chance alguma enfiando a língua na garganta dela. Não importava se era por uma única noite, ela não conseguia deixar de lado a ambição. Caras com grandes idéias e futuros pela frente eram muito mais sexy. Como Bill Clinton. Exceto que Bill Clinton tinha, aparentemente, problemas com a monogamia. Pobre Hillary.

Pelo menos ela tinha seu Cosmopolitan, já que nem suas amigas estavam sendo uma boa companhia. Elas não tinham padrões de qualidade tão altos. E depois Lily era quem ficava mal falada na faculdade. O conhecimento geral era de que se ela voltava sozinha para o dormitório, era porque a noite tinha sido um fracasso. Até parece. Só Marlene, sua colega de quarto (que no momento estava se divertindo bem mais com um ruivo que parecia estar prestes a atravessar uma linha muito tênue), era quem podia saber a verdade. E a verdade era que Lily não era uma vagabunda qualquer.

- Cara, pode me conseguir uma Heineken? – Lily ouviu uma voz masculina à sua direita e desviou o olhar fixo do seu Cosmo para ver quem chegava. Ele era bem bonito, para falar a verdade. Alto, cabelo escuro, olhos quase verdes, mas ainda assim castanhos, óculos de grau e parecia ter saído direto do trabalho, no escritório. Mas era jovem como ela. – Ei – o cara a cumprimentou com um sorriso, percebendo seu olhar sobre ele. Dentes alinhados! Uau, isso continuava a melhorar a cada segundo.

- Ei. – Lily sorriu de volta.

- Então, meus amigos me contaram que você escreve para o Times... – ele começou a falar, sentando no banco ao lado dela, mesmo que já tivesse recebido sua cerveja.

- É, é verdade – ela confirmou, desconfortável. – Eu os conheço?

- Eles trabalham no jornal. – James deu de ombros. – Eu sou James, por sinal. James Potter.

- Lily Evans – ela se apresentou, embora soubesse que não era necessário; obviamente já tinham passado algumas informações sobre ela para o tal Potter. – Então, você está na Universidade? – ela tentou.

Ele pareceu hesitar antes de responder.

- Não, eu já me formei. Cambridge.

James sabia que não deveria mentir, mas pelo que ele tinha ouvido, se isso fosse para a frente, acabava pela manhã. E “fui expulso de Cambridge” nunca soava impressionante. E ele foi expulso por causa de um acidente, ele não era um pervertido, ou criminoso, ou perseguidor, ou assassino.

- Uau, Cambridge – ela se admirou. James sorriu. As pessoas gostavam de saber que ele estudava em Cambridge (quando ele ainda estudava lá), a reação era sempre parecida. – Em que você se formou?

- Ciências políticas – ele respondeu. Era mentira sobre ter se formado nisso, mas essa era mesmo a especialização dele enquanto ainda estava em Cambridge. E ele tinha acabado como um subordinado nos Recursos Humanos.

Lily quase riu internamente. Bonito e ambicioso ele mesmo. Ciências políticas em Cambridge? Isso era o máximo.

- Soa interessante – ela aprovou, bebendo um gole do Cosmo.

- E você? Estuda? – ele perguntou, embora já soubesse a resposta, antes que ela perguntasse se ele estava trabalhando e ele tivesse que criar uma boa história. E crível, ainda por cima.

- Bristol University, bioquímica – ela respondeu. – A maioria das pessoas não acredita que eu estou estudando bioquímica na primeira vez que eu comento, mas é a verdade.

- Por que eu não acreditaria? – ele indagou, dando seu sorriso mais cativante. James se perguntou se ela ainda estaria falando com ele se o negócio não tivesse chances de ir pra frente.

Ela deu de ombros e bebeu mais um gole do Cosmo.

- Como eu disse, a maioria das pessoas acha que eu estou brincando. Acho que aquela história de não julgar um livro pela capa não é muito levada a sério. Whatever. Isso realmente não importa.

- Você realmente gosta de Cosmopolitan? – James perguntou de repente, sem conseguir se segurar. – Ou só bebe porque é... bonito?

Ela riu antes de responder.

- Falando sinceramente, quando eu bebi um Cosmo pela primeira vez foi só por causa de Carrie Bradshaw e Sex and The City – ela admitiu. – Não que eu seja influenciada pela televisão com facilidade. – O que era meio que uma mentirinha. Ela se deixava influenciar de vez em quando, mas é claro que ela não pegava personagens da televisão como modelos de conduta, só como entretenimento. – Mas aí acabei gostando... E deu no que deu. Por quê?

- Curiosidade. – ele deu de ombros, tentando não julgá-la por gostar de Sex and the City. Ele gostava de Velozes e Furiosos ou Duro de Matar, por exemplo. – E toda a minha vida eu vou ir muito mais por uma cerveja gelada do que por essas frescuras...

Ela riu de novo.  Ele sorriu. Ele já estava fazendo a garota rir com freqüência. Isso era bom.

Eles continuaram a conversar e James só teve que contar algumas mentirinhas inocentes para sustentar o script que tinha bolado para si mesmo. E então, em um piscar de olhos, antes que ele compreendesse, ele a estava beijando no bar e ela estava correspondendo. Ela claramente queria aquilo tanto quanto ele.

- Caramba – ela comentou quando ele a soltou e voltou a se sentar direito no banco, e depois bebeu o último gole do Cosmo. James não sabia o quanto a vodca já havia afetado a garota, mas ele realmente não se importava; não era culpa dele se ela escolhera (ou tinha dinheiro para bancar) alto teor alcoólico.

- Eu preciso... Vou no banheiro – ele falou se levantando e ela assentiu. Talvez ela o tivesse afastado?, ela se perguntava.

Ao invés de pedir mais um drinque ao bartender, Lily fez o que achava que era mais inteligente: andou em direção aos toaletes e descansou o corpo na parede ao lado da porta do banheiro feminino. Ela não ia deixar aquele James Potter escapar naquela noite.

Quando ele saiu do banheiro, pareceu surpreso em vê-la ali. Mas não surpreso de um jeito ruim, ela não pôde deixar de reparar. Ela sorriu daquela maneira, aquela que ela sabia que seduziria qualquer cara que ela quisesse. Ainda com o sorriso no rosto, ela andou na direção dele.

- Ei, James Potter – ela falou, empurrando-o contra a parede, e depois o beijou. Ela gostava da maneira como ele a beijava, e como ele a prendia como se ele jamais fosse deixá-la sair dali porque ele a queria muito, muito, muito.

- Não acredito que estamos dando uns amassos na porta do banheiro – ela falou com a voz entrecortada enquanto sentia os lábios dele em seu pescoço.

- Verdade – ele murmurou contra a pele dela, mas não parecia se importar muito.

- Você já esteve nos dormitórios da Universidade de Bristol?  - ela perguntou de repente, de maneira direta e sem rodeios.

Ouvindo isso, ele foi obrigado a parar tudo o que estava fazendo e olhar nos olhos dela para saber se ela estava falando sério. Estava, ao que parecia.

- Não. Isso é um convite? – ele não conseguiu evitar.

- Se quiser – ela respondeu sem rodeios de novo. – Tenho certeza de que você vai achar a arquitetura adorável e...

Ela foi interrompida pelos lábios dele sobre os dela.

- Certo – ele respondeu, por fim.

- Legal – ela consentiu sem parecer muito afetada. Ela não parecia nem um pouco afetada, na verdade. Parecia estar seguindo uma rotina muito entediante. Que legal, agora James era entediante. Bom, não tinha importância. Aquela ruiva era gostosa pra caramba e ele era quem estaria entediado não tivesse resolvido trocar uma idéia com ela. – Eu preciso avisar minha colega de quarto e perguntar se ela se incomoda com isso... Têm dias em que ela realmente quer arrancar todos os meus fios de cabelo por sugerir que eu gostaria de usar o quarto – Lily matraqueava sem muito controle das palavras. – Não que eu faça isso muito freqüentemente – ela se apressou em explicar. – É só que Lene não tem muita paciência comigo e o nível de tolerância dela é muito baixo...

- Eu espero no bar – ele falou, interrompendo o falatório dela, e a garota assentiu.

Cinco minutos depois ela apareceu ao lado dele, que tinha pedido uma garrafa d’água, depois de pensar por muito tempo. Como era caro comprar água, cara. Se um dia ele abrisse uma importadora de água de algum aqüífero brasileiro ou qualquer outro lugar que dispusesse de uma quantidade absurda do negócio, ele nunca ia vender para bares e pubs. Ninguém compra água nesses lugares, é quase como comprar ouro dentro da garrafa. As coisas que você pode pensar enquanto espera alguém sentado em um bar com uma boa quantidade de álcool nos sistema são surpreendentes.

- Então? – Lily falou.

James pegou as chaves do carro no bolso, mas ele estava sóbrio o suficiente para saber que não devia dirigir com aquela quantidade de álcool no sistema. Ele não tinha dinheiro para multas de trânsito; um táxi era uma escolha muito mais viável e inteligente.

- Eu só vou avisar o pessoal que estou indo. Um minuto.

Ela concordou e sentou para esperá-lo.

- Cara, você se deu bem hoje! – Sirius exclamou assim que ele aproximou da mesa onde os amigos estavam sentados. Tinha havido pouca movimentação por lá.

- Pois é – James concordou rapidamente só para cortá-lo. – E estou indo embora com Lily...

- Estão vendo? Vagabundinha – Tiffany comentou na sua voz mais enjoada, mas James a ignorou. Ele já não sabia responder por que (ou como) todos a agüentavam.

- Emmeline? – James chamou e ela olhou para ele de maneira indagadora. – Você é a pessoa mais responsável dessa mesa, possivelmente de todo o bar... Eu iria te dever o resto da vida se você levasse meu carro.

- Levar seu carro até seu apartamento... E ir para o meu como?

- Pode ficar com ele, eu vou buscar amanhã.

- Sabe que se me pegarem dirigindo quem vai pagar a multa é você – ela disse.

- Ninguém vai parar você com toda a sua... Maestria ao volante – ele continuou. Ela não ia dizer que não, é claro.

- Ah... Minha maestria ao volante... – Ela riu. – Tudo bem, James. Eu faço isso. Só porque sei que você não quer acabar batendo em um carro de uma família e causar danos a pessoas inocentes. E isso é muito bacana da sua parte.

- Claro. – Também era por isso, claro. Ele só não tinha pensado nesse motivo ainda. James entregou as chaves e os documentos do carro a ela. – Está naquela viela duas ruas atrás. Leve algum dos caras com você, não acho que deveria aparecer lá sozinha nessa escuridão.

- Tudo bem, pai – ela ironizou, mas ele estava sendo sincero. Ele já se preocupava em deixar um carro lá, imagine uma garota. – Não se preocupe, farei isso.

- Valeu. Eu te devo uma... Mais uma. Boa noite – ele terminou, falando para o resto da mesa e seus amigos pareceram animados, fazendo comentários sobre como a noite ia ser boa, ou sobre como James tinha se dado bem. Se ele não concordasse com tudo isso, provavelmente teria mandado eles calarem a boca e irem pra bem, bem longe. Mas ele não ia fazer isso.

James encontrou com Lily já do lado de fora do bar. Eles pegaram um táxi até o campus da universidade, e pode-se dizer que a corrida foi muito proveitosa. Para ambos.

- Apresento a você a Universidade de Bristol – Lily começou a falar quando eles entraram no prédio e foram obrigados a parar de beijar para conseguirem... Bem, andar até o dormitório. – Sei que Cambridge é muito mais legal...

James a interrompeu:

- Não sei de onde é que você tirou isso. Cambridge é só uma universidade como qualquer outra. Ponto.

Ela riu alto enquanto eles andavam pelos corredores. James se perguntou se ninguém ia reclamar que eles estavam infringindo o horário de silêncio, mas estão percebeu que era incrivelmente cedo para os padrões universitários.

- Pode ficar à vontade – Lily falou de modo irônico quando abriu a porta de seu quarto. James passou pela soleira da porta e, quando ela acendeu a luz, pôde ver que o quarto era como qualquer outro quarto ocupado por duas garotas universitárias.

Ele imediatamente sentiu falta da época em que tinha seu próprio quarto em um alojamento.

- Então... Vai querer jogar xadrez ou canas...

Lily não conseguiu terminar a piadinha que tinha começado, porque James não deixou. Ele agarrou sua cintura e a beijou durante muito tempo.

- Legal, agora o quarto está girando – ela falou, dando uma ênfase estranha na última palavra, quando ele deitava sobre ela na cama. Eles estavam indo rápido nisso. Mas nem passou pela cabeça dela dizer pra ele se acalmar. Quer dizer, ela tinha convidado ele para ir junto ao dormitório.

- Não está para mim – ele falou, quase como se estivesse exibindo sua grande tolerância ao álcool.

- Da próxima vez vou comprar cerveja barata também – ela disse e ele riu. – Aposto que amanhã vou acordar com dor de cabeça – reclamou, soltando um muxoxo.
 
Ela sentiu a boca dele na sua de novo e resolveu ignorar a tontura idiota porque ele era tão bom. Enquanto ela falava, James estava se perguntando se devia contar a ela que tinha sido expulso da faculdade por causar um incêndio em uma sala de aula depois de tocar um cigarro aceso numa lixeira cheia de papel amassado. Foi a coisa mais estúpida que ele já tinha feito. Ele nem fumava, para começar. Só estava fumando aquele numa tentativa frustrada de desestressar. Mas pelo menos ninguém tinha morrido ou ficado seriamente injuriado por causa do acidente. Duas garotas precisaram ir ao hospital por inalarem muita fumaça quando estavam dormindo, mas elas ficaram bem depois de tudo. James até mandou um pedido de desculpas e um caixa de chocolates Godiva para elas. Mas o reitor não tinha ficado muito impressionado com o gesto. De modo que ele acabou expulso.

James sabia que devia dar uma chance de Lily rejeitá-lo por ser um idiota que conseguiu ser expulso de Cambridge porque tinha merda no lugar do cérebro... Mas não parecia que ela ia mesmo rejeitá-lo naquele estado.

E eles não tinham nada a perder mesmo. Eram jovens e, até onde ele sabia, sem compromisso. Ele
sabia que estava ganhando esta noite... E a garota também, James concluiu. Ele era bom nisso, não era? Era isso que ele tinha ouvido dizer.

- Você é incrível – ela sussurrou com a voz arrastada para ele.

James riu. Ele já devia estar se apaixonando por ela. Ou talvez fosse a cerveja. Mas mais provavelmente estava sendo idiota e se apaixonando antes de passadas 24 horas. Antes de 12 horas! Antes de o dia raiar.

Era tudo culpa daquela porcaria de melancolia pelos tempos em que era universitário e sem preocupações maiores do que quando era a próxima festa da medicina ou ganhar a próxima partida de rugby.

Lily sorriu involuntariamente quando sentiu os lábios dele nos dela de novo. Ele realmente era incrível, e ela nem estava dizendo isso porque estava bêbada. Porque ela não estava bêbada. Só o que ela conseguia pensar era em como aquele cara, além de ter todo aquele futuro promissor e toda aquela ambição pelos quais que ela estava sempre procurando, era extremamente apaixonante. E ela nem se sentia ridícula por admitir isso.


And they fall in love as they fall in bed.


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N/A:
Adoro essa música, então eu estava ouvindo e percebi que ela, de fato, tinha uma história, então pensei em uma fic. E até que acabei gostando quando terminei, apesar de ela não ter ficado grande coisa. Quando eu reli acabai achando um lixo sem sentido, mas vamos ver o que dizem outras pessoas. Ah, o que acontece do momento em que eu parei em diante fica por conta da imaginação de vocês hahaha. Até porque o verso que eu coloquei ali para terminar é como a música termina mesmo, entón... Sabe, é muito subjetivo. “Eles se apaixonam enquanto caem na cama”, traduzindo bem literalmente, é um verso inteiramente subjetivo. Não implica nenhuma situação e tal. AUHAUAHUA

Eu basicamente segui o que diz a letra, só criando as histórias dos personagens e traços da personlaidade. E não gosto muito dessa Lily, mas gosto do James e de todas as decepções da vida dele. Coitado! :B Mas pelo menos ele nunca mais vai acender um cigarro na vida. Aliás, eu realmente não sei se a brasa de um cigarro pode causar um incêndio tipo numa sala de aula. Já ouvi que pode queimar a mata, mas não sei mesmo. De qualquer maneira, cigarro é morte, então não fumem!

E só pra esclarecer, eu não acho o Bill Clinton sexy UAHAUAHAUAH Isso é só a Lily, e vocês sabem que os personagens não têm que enxergar sob a perspectiva do... erm, autor, e sim o autor pela do personagem. Mesmo que seja uma perspectiva bem, bem estranha.

Tudo bem, vou parar antes que a nota fique maior que a fic em si.

Beijo,
Fernanda M

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