Entrou no grande salão de sua casa irritado. Não gostava de viajar e além de tudo havia motivos fortes para odiar aquela casa.
Ouviu passos apressados vindos da escada, quando ergueu os olhos viu Frederick sorrindo e caminhando em sua direção. Harry Potter franziu o cenho, por que diabos o homem estava tão feliz? Não havia nada com o que se contentar, absolutamente nada.
- Sr. Potter. – o lacaio fez uma mesura.
- Pegue um cavalo e parta. Quero que se encarregue dos meus pertences, quero-os aqui o mais cedo possível. – sua voz era fria e séria.
- Terei o imenso prazer de fazer isso, mi lorde, mas antes tenho que lhe deixar a par de tudo o que aconteceu em sua ausência. – Frederick disse, os olhos brilhando de excitação. A ganância quase o sucumbia por pensar no contentamento do patrão ao ver-lhe a jóia preciosa que conseguira para ele.
Harry ergueu a sobrancelha espessa e negra. O semblante já contrariado piorou demasiadamente. Nunca gostara da maneira como o criado se comportava, achando que tinha tanta liberdade, como se fosse um amigo de longa data, não um subordinado que lhe devia antes de tudo obediência.
- Não desejo ficar a par de nada nesse momento, Frederick. – começou a andar em direção as escadas. – Já disse o que terá de fazer, por tanto parta logo.
- Mas... Meu senhor, eu acho... – Harry parou e voltou-se para ele, que se encolheu diante do olhar gélido e arrogante. – Farei o que me mandou, logo terá seus pertences seguros.
- Ótimo. – sem lhe dirigir mais nenhuma palavra, deu-lhe as costas e terminou de subir as escadas.
Não prestou atenção no caminho, seus pensamentos estavam longe, na verdade estava furioso. Havia perdido uma importante soma de dinheiro e teve de voltar a sua mansão. Entrou no corredor, sem dar importância aos criados começou a abrir os botões das vestes. Precisava de um bom banho e logo depois iria usufruir do corpo de Valentiny.
Sorriu por conta disso, estava prestes a entrar em seu quarto quando viu algo ao final do corredor, sua visão durou pouco tempo, logo em seguida ouviu uma porta sendo fechada. Bufou irritado e seguiu até lá, ele era a única pessoa que utilizava os quartos desse andar, nem mesmo Valentiny os utilizava.
Não bateu na porta, com força segurou o trinco e a empurrou. Deu um passo e parou, olhando o que era para ser alguém em cima da cama, só conseguia distinguir o vestido, que por sinal era horrível. A pessoa estava encolhida, o quarto estava escuro, a única luz que entrava provinha dá porta aberta atrás de si. Fechou os punhos com força, sua raiva havia aumentado.
- Quem é você? – sua voz ecoou pelo quarto. – O que diabos, faz aqui?
Hermione sentiu o coração congelar-se naquele momento. A voz masculina era forte e seu timbre a assustara demais, assim como seu porte visto na semi-escuridão. Ele era muito alto, e a moçinha sentiu tanto medo, que fechou os olhos com força, sem conseguir proferir uma resposta a qual fora dada ao homem pelo silêncio.
Fato este o aborrecera ainda mais. Harry deu um passo à frente, resoluto em sua decisão. E ainda mais em sua curiosidade. Quem era aquela pequena criatura que se encolhia como um rato diante de um gato faminto e enorme?
- Quero respostas. E exijo-as agora. – trincou os dentes ao ver o corpo a sua frente se encolher novamente.
Hermione tentou acertar os pensamentos, mas estava com tanto medo que não tinha como fazê-lo. E não saberia o que responder àquele homem que lhe berrava. Tremeu, quando o sentiu mais perto de si.
Atreveu-se a fita-lo, os olhos cheios de lágrimas impediram uma nitidez maior.
- Eu... e-eu, sou... – não pudera mais continuar, pois o nó em sua garganta se apertara.
- Maldição. – furioso agarrou o braço feminino e o puxou. Hermione engoliu um grito de dor, apenas soltou um gemido fraco e fechou os olhos. Lorde Potter puxava com força o braço que havia machucando quando Xavier a tinha empurrado contra o chão da cozinha, e a dor era imensa. – Fale logo. – ordenou ele, sacudindo-a com força.
- Está doendo... – ela reclamou, não suportando mais ter os dedos fortes dele a machucá-la ali. Tanto que o receio dera lugar à dor. Hermione soluçou compulsivamente, mas nada o fizera afrouxar a mão.
Sem dar importância a sua reclamação nem aos soluços a puxou para fora da cama e a fez caminhar em direção a porta.
- Se não vai falar por bem, falará por mal. – grunhiu.
Arrastou-a pelo corredor, extremamente furioso. Hermione não tinha forças para protestar, deixando-se se arrastar por ele. Sentia o osso dentro da carne latejar, o braço estava formigando tamanha era a força usada por Harry. Mas ele não enxergava sua dor, não enxergava nada, senão a sua fúria descontrolada.
Desceu as escadas rapidamente, olhou para os lados a procura de seu lacaio.
- Frederick. – gritou terminando de descer os últimos degraus.
Parou no meio do grande salão, mas ninguém apareceu. Gritou novamente, então lembrou-se que o tinha mando atrás de seus pertences. Sua paciência já havia se esgotado fazia tempo e a falta de explicação o fazia ficar fora de si. Olhou para a mulher atrás de si, ela mantinha a cabeça abaixada, viu o medo em seus olhos na única vez que ela o tinha encarado e com certeza o veria de novo. Bufou e a fez ficar em sua frente.
- Dirá de uma vez por todas o que está fazendo em minha casa ou terei que forçá-la a dizer?
Hermione hesitou, pensava em algo para dizer, então lembrou-se do que Leena dissera. Ergueu o olhar, ainda raso de lágrimas.
- Fui contratada para trabalhar aqui, senhor. – disse muito baixo.
- Não contratei nenhuma rameira para trabalhar aqui. – explodiu raivoso. Forçou-a ir em direção a porta e a empurrou para fora, depois bateu a porta com força, trancando-a.
Quando fora jogada para fora da mansão, Hermione se desequilibrara e caíra no chão, chorando, no alpendre que fronteava a casa. Massageou o braço dolorido, e gemeu quando tocara nele. Estava inchado, e vermelho, ficaria com uma marca a mais na pele. A qual se juntaria com as tantas outras.
O coração se acelerou ainda mais, pensando no que seria dela, agora que não tinha mais para onde ir, pois ficara muito claro que o homem havia-a expulsado dali. Então ele deveria ser Lorde Potter... Um convidado nunca agiria assim, como se fosse dono de tudo ali.
Seus pensamentos então foram até a criaturinha que deixara no quarto branco. Ele precisava dela, tanto quando ela precisava dele. E pensar que tinha aquele monstro como pai, era ainda mais atemorizante.
Não conseguira se levantar de imediato, então quando a porta se abrira novamente, Hermione ainda estava no chão. Leena abafou um lamento com as mãos, e o patrão a fitou friamente.
- O que ainda faz aqui? – perguntou Harry aproximando-se. – Já ordenei que se retirasse. Tire-a daqui imediatamente. – ordenou para Leena. Olhou para o corpo frágil e o rosto marcado de lágrimas da mulher no chão e viu que ela na verdade não passava de uma criança. Estudou o braço inchado e machucado, mas não se importou com ele.
A moçinha se levantou sem jeito, os cabelos caíram-lhe sobre a face, e escondiam o rubor delas. Leena a ajudou, examinando o braço machucado. Precisava antes de tudo de cuidados, ou a menina nunca mais teria bom uso do membro importante. Fitou ao duque, ele permanecia com sua carranca de costume, e olhar impenetrável. Ele não se condoia por aquela situação...
- Mi lorde, peço que me escute por um minuto. – a criada disse, cheia de coragem.
- Não tenho tempo para isso. – deu as costas às mulheres entrando em casa. – E de uma vez por todas tire essa sem-teto de minha propriedade. – bradou.
- Lorde Potter – Leena correu até ele, sabia que se falhasse seria castigada, mas precisava tentar. -, deixe que a menina fique, eu a contratei... Pois... – engoliu em seco. Todos temiam o patrão e nesse momento precisava ser firme. -... Conheci seus pais que morreram de enfermidade, há alguns meses. Sei que não se importa com isso, mas creio que ela será de grande valia para o senhor. Ela pode cuidar do bebê, já que a senhorita Valentiny irá partir.
Harry parou de andar subitamente e respirou fundo.
- Não é necessário contratar ninguém, e pouco me importa se os pais da garota morreram. – virou-se para Leena. – Não faço caridade. E você pode cuidar da criança. – seus olhos adquiriram um tom mais escuro, podia ser vista toda a frieza que eles possuíam.
- Senhor, eu não terei tempo de cuidar do menino, ele precisa de atenção redobrada, já que está crescendo. Estou ficando velha, e não tenho juventude para tomar conta dele. – argumentou incisiva.
Harry desviou o olhar de Leena para Hermione, ela permanecia do lado de fora, ainda no mesmo lugar. Segurava o braço machucado com cuidado, e evitava encará-lo de qualquer maneira.
- Se ela trabalhar aqui terá que fazer mais do que apenas cuidar da criança. – viu Leena assentir rapidamente. – Qualquer falha que ela cometer, mesmo que seja mínima, sairá daqui imediatamente. – encarou mais uma vez a garota, esperava que ela possuísse vestidos melhores, aquele já deveria ter ido para o lixo há muito tempo. – Compreendeu? – perguntou à velha senhora.
- Sim, mi lorde. A menina não cometerá nenhuma falha, eu lhe asseguro. – sorriu brevemente. – Com licença, senhor. – Harry anuiu, saindo dali. Precisava de um merecido descanso o quanto antes.
A criada seguira até Hermione, afagou-lhe os cabelos, e sorriu ternamente.
- O que ele disse? Vai me mandar mesmo embora? Eu não tenho para onde ir, não quero voltar para Xavier. – a morena disse assombrada, esquecendo-se até mesmo da dor em seu braço.
- Ele a permitiu ficar. – sorriu. – Mas terá que exercer outras tarefas além de cuidar de Alex. – o sorriso diminuiu um pouco. – Tentarei achar uma tarefa que não seja tão pesada para você, querida.
- Não me importo Leena, já trabalhei duro nos anos em que mamãe e eu éramos sozinhas. – explicou, e permitiu-se sorrir. – Ficarei aqui com Alex, e cuidarei dele. – emendou radiante.
- E Alex ficará contente em ter você. – segurou o braço de Hermione com delicadeza. – Agora vamos entrar, essa braço precisa de cuidados.
**
Naquela manhã, Hermione não podia esconder o sentimento de felicidade que a corroia por inteiro. Há dias não se deparara com a presença marcante de Lorde Potter. Ela fazia o que podia para que isso sempre fosse possível, ficava na cozinha, ou no quarto de Alex, e fora acomodada junto às outras criadas. Por intermédio disso, conhecera todas elas melhor. Brenda, a exímia cozinheira corpulenta, era muito falante. Gertie, a sua ajudante era mais comedida, mas Hermione entendera que ela passara por muito na vida antes de se fixar ali. Ela e sua filhinha, Rachel, a qual se tornara uma pessoa muito especial para ela.
Neste momento, a menina separava com esmero as roupinhas brancas e verdes de Alex. O menino se agitava em cima da pequena cama que fora colocada recentemente ao quarto. Mexia as perninhas, enquanto tentava agarrar os próprios pés.
Hermione sorriu largamente. Já o amava tanto que não enxergava sua vida sem o pequeno.
- Rachel, veja se a água está morna sim? – ela pediu a menina de cabelos cheios e ruivos. Pequenas sardas pintavam seu nariz delicado, e os olhos eram intensamente castanhos.
A garotinha colou delicadamente a mão na água e sorriu para Hermione.
- Está quentinha. – os olhos castanhos brilharam ao ouvir a risada de Alex quando Hermione o pegou no colo. Rachel ajudou a colocá-lo na água, Alex ria e batia os pés e as mãos, se deliciando com as sensações. O braço da morena ainda estava machucado impedindo-a de movimentá-lo, por isso Rachel a ajudava sempre que podia.
A morena molhou suavemente o topo da cabeçinha dele, umedecendo os cabelos negros e finos. Os cílios grandes guardaram gotículas cristalinas, quando o bebê bateu os braçinhos com mais força na água. Gesto que molhara Rachel, que se inclinara para vê-lo banhar-se.
- Desculpe não avisá-la que também tomaria um banho, querida. – Hermione disse, sorrindo, ao passo que a menina rira.
Rachel sorriu.
- Não faz mal. – agitou a mão na água, prendendo a atenção de Alex. – Adoro água. – olhou para Hermione. – Ficará o dia inteiro com ele?
- Se Leena não tiver nada pra eu fazer, creio que sim. – ela respondeu. – Gosta tanto quanto eu de cuidar dele, não é?
- Adoro! Antes ficava na cozinha com Brenda, mas não tinha a menor graça. – sorriu abertamente. – Com vocês é muito mais divertido.
- Depois do banho – falou a moça, passando a barra de sabão no corpinho do bebê -, darei a mamadeira a Alex e contarei uma história, talvez possa ser minha ajudante. O que acha? – sugeriu, sorrindo, ao ver que ela se animara com a idéia.
- Verdade? – os olhos brilharam. – Deixa mesmo? – Hermione assentiu e Rachel a abraçou pela cintura. – Muito obrigada, Mione.
- Eu quem agradeço pela ajuda que está me dando. – disse, pegando Alex com o outro braço, tirando-o da pequena tina de cobre.
O menino reclamou, dando um choramingo, e ela prontamente o calou com um carinho e um beijo terno. Sorrindo, depositou-o outra vez na cama, e ao lado de Rachel começou a secá-lo.
- Alex pensa que você é a mamãe dele, porque cuida dele todos os dias. – a garotinha comentou, alisando uma pequena meia.
- Sim, eu o amo muito. Acho que ele percebe esse carinho.
Rachel anuiu, e ficou pensativa.
- Então se você é a mãe dele, tem que se casar com Lorde Potter. – refletiu, fitando a moça que ficara tensa. – Vai se casar com ele, Mione?
A morena tremeu ao pensar no pai do menino, há muito conseguira tira-lo do pensamento, e conseguira expulsar o medo que ele a fazia sentir. No entanto, o comentário de Rachel fizera com que tudo voltasse.
Nunca se casaria, nem com o duque, nem com qualquer outro que fosse. Apesar da tenra idade, a menina nutria sonhos fantasiosos sobre o casamento, dos quais ela mesma já havia tido, mas agora, sabia que era tudo uma ilusão. Um homem não poderia amar a uma mulher, e respeitá-la. Eles apenas estavam interessados em seu prazer, subjugavam a todas para isso.
Um calafrio a percorreu por inteiro, ao pensar. Então, forçou um sorriso, e encarou Rachel.
- Não me casarei nunca, querida.
***
Deixou o quarto de Valentiny e subiu em direção ao seu. A noite ainda estava em seu início, e Harry não estava satisfeito. Passara a tarde com ela, sentia desejo, luxuria pela loira, mas agora era como se um balde de água fria o tivesse atingindo. Pensou que sairia satisfeito do quarto, sorriu mal-humorado, estava tremendamente enganado. Começava a ficar contente com a decisão de Valentiny em ir embora, jamais tinha pedido que ficasse, mostrava–se indiferente e sentia-se assim, mas agora um contentamento o invadia por causa de sua partida.
Suspirou, talvez uma dose de whisky e um bom banho conseguissem aliviar o que Valentiny não conseguira.
Lentamente subia as escadas, a frustração o invadia e a raiva também, havia mandado Frederick atrás de seus pertences, e até agora não tinha noticias dele.
Não reparou que a porta do quarto não estava fechada como deveria, mas sim entreaberta.
Entrou no quarto e estancou, se achava Frederick incompetente mudou de idéia ao ver a garota em seu quarto.
- O que faz aqui? – gritou furioso.
Hermione ofegou, apertando o lençol que tinha nas mãos. O tecido liso e macio se tornara sanfonado com a pressão de seus dedos. Voltou-se, trêmula, para o homem furioso à porta.
- Estou trocando os lençóis, Lorde Potter. Leena... ela... – gaguejou quando ele entrou no quarto. – me mandou aqui.
- Ela sabe que não é permitida a entrada de ninguém em meu aposento. – fechou a porta atrás de si. – O que procurava? – perguntou aproximando-se. - Conheço bem seu tipo, por isso acho melhor começar a falar.
Ela negou com a cabeça, intimamente insultada pelo comentário. Não era uma ladra, possuía bom caráter, o qual era ignorado por muitos. Essas pessoas julgavam-na erroneamente, chamando-a de meretriz e ladra.
- Não procuro por nada... – abaixou a cabeça, apertando o lençol contra o corpo.
- Não minta. - aproximou-se mais, parando a centímetros dela. – Olhe para mim, quando estou falando. – ordenou.
- Desculpe, mi lorde. – temerosa o encarou, mesmo tendo consciência de que não conseguiria suportar manter o olhar preso nele.
O modo como Harry, se vestia displicentemente, fizera seu coração disparar. Os olhos dele, estavam mais frios do que o normal, e isso a assustara. Se não fossem tão cruéis, ela poderia admirá-los por possuírem um tom pouco comum. Eram como os de Alex, só que os do menino, refletiam amor. E tudo que via nos olhos do duque eram raiva e ódio.
- Tem medo de mim? – seu sorriso era sádico. Harry não precisava perguntar, a resposta estava clara no rosto da garota. Ela tinha medo dele, muito medo. As mãos ainda seguravam com força o lençol e os olhos estavam úmidos pelas lágrimas.
Ao vê-lo se aproximar mais, sorrindo daquela maneira, Hermione se afastou indo para o outro lado da cama. Tropeçando, e agitada. Não deveria ter entrado ali, nunca! Respirou fundo. As lembranças de Xavier nas noites de tempestade vieram a tona, muito intensas. Ele sorria daquele jeito todas as vezes que a possuía a força.
Comprimiu um soluço, mas não evitou os ombros de tremerem.
- Terminarei... Num... Minuto, mi lorde. – ela disse entremeio ao choro que crescia. Na verdade, sua vontade era de fugir correndo dali, mas qualquer coisas que fizesse para irritá-lo mais, poderia causar-lhe maior dano. Portanto, enfrentaria o medo nesse momento.
- Não tocará em mais nada. – elevou a voz. Viu a garota estancar no lugar, passou os olhos por todo o corpo até se concentrar no rosto mais uma vez. O vestido preto manchado cobria o pescoço e os braços, estava pequeno para ela, qualquer um podia notar isso, não apenas nas mangas e no busto como também no comprimento, o vestido acabava acima de seus tornozelos e era possível ver as botas horríveis por baixo dele. Comprimiu os lábios, outro vestido que precisava ir para o lixo. Franziu o cenho com uma curiosidade repentina, o que ela fazia para se sustentar? Leena, o havia informado sobre ela. Sabia seu nome e que os pais haviam morrido e estranhamente não haviam deixado nada para ela, nem mesmo a propriedade onde viviam. Certamente não poderia confiar em alguém como ela. – Onde trabalhava antes? – perguntou sério.
- Apenas ajudava minha mãe nos serviços domésticos. – respondeu com dificuldade, ainda doía falar nela, ou apenas mencioná-la. – Nunca trabalhei para ninguém antes, senhor.
- Tenho certeza que se trabalhasse para alguém, já a teriam expulsado. – sorriu mais uma vez, um sorriso que não chegava aos olhos. – Como irá acontecer aqui.
Hermione mordeu o lábio, morreria se tivesse que ir embora. O duque parecia se divertir com seu sofrimento, e alarde.
- Não me mande embora... Por tudo que é mais sagrado! – ela disse, humilhando-se.
- Já faço muito por deixá-la permanecer aqui. – não havia emoção em sua voz. – Invadiu meu quarto sem permissão, mexeu em meus pertences, ainda acha-se digna de confiança? – deu a volta na cama, indo de encontro a ela.
- Está tudo no lugar, não bisbilhotei em seus pertences pessoais, senhor. Só estava... – choramingou. – Estava mesmo trocando os lençóis. Mas por favor – olhou para ele suplicante. – Não me mande embora de sua casa, eu não teria para onde ir... E morreria de tristeza ao deixar Alex sozinho.
Harry olhou em volta, realmente tudo parecia estar no devido lugar.
Mesmo assim, seu rosto era impassível, não demonstrava nenhuma emoção, nenhuma compaixão pela menina que tremia em sua frente.
- Quantos anos têm?
- Dezoito. – respondeu.
Hermione permaneceu em silêncio, ele parecia estudar seu destino. Afinal, estava mesmo nas mãos daquele homem. Só esperava intensamente que ele fosse por pelo menos um momento solidário a seus infortúnios.
- Dezoito primaveras. - Harry ponderou por um tempo. – É o jovem o suficiente para procurar outro trabalho.
Harry chegou perto o suficiente para tocá-la, ergueu a mão e segurou-lhe o queixo, fazendo com que o olhasse.
- Não sei de onde veio, nem para onde irá. Pegue apenas suas coisas e saia daqui. – sem se dar conta, Harry ainda segurava o queixo tremente a menina. Mesmo vendo o pavor em seus olhos, não pode deixar de admirar-lhe a beleza. Era linda, ainda que usasse o cabelo escondido e o horroroso vestido.
A moça tentava inutilmente desvencilhar o olhar do dele, mas Harry a segurava de modo com que pudesse ver claramente o quanto a aterrorizava. Grossas lágrimas pendiam dos olhos castanhos, de fato ela sofria muito. Agora estava realmente perdida...
Seguiu com o olhar uma lágrima que rolou pelo rosto da morena a sua frente, mas não teve nenhuma reação.
Um pequeno sorriso brotou de seus lábios, ao imaginá-la no lugar de Valentiny. Seu corpo reagiu ao pensamento, por conta disso apertou com um pouco mais de força o queixo e o ergueu, conseguiu ver uma pequena parte do pescoço escondido e franziu o cenho ao ver ali uma marca vermelha. Somente quando ergueu os olhos, viu o pânico e as lágrimas grossas que escorriam.
- Irei embora... – soluçou. – Mas, me solte, e me deixe em paz! – exclamou esganiçadamente.
Potter riu.
- E se não a soltar? – aproximou seu rosto do dela.
Ela fechou os olhos, entendendo muito bem as palavras dele. Se não a soltasse, estaria presa a suas vontades. Chorou ainda mais, tanto ou mais, como no dia em que perdera a mãe. Porque Deus era tão ruim com ela, pensou Hermione. Porque ele colocava pessoas cruéis em seu caminho?
- Por favor, não me machuque, eu imploro...
O Lorde se afastou o suficiente para ainda tocá-la. Assustou-se com a tamanha intensidade do medo. Sentiu seu coração se apertar ao vê-la desse jeito, mas logo voltou com seu sentimento frio e impenetrável.
- Não vou machucá-la. – disse bruscamente. Voltando a segurar-lhe o queixo. – Vai gostar disso. – abaixou a cabeça e buscou os lábios dela.
- Não... – murmurou antes que ele tomasse sua boca sem permissão. Seus lamentos foram sufocados por aqueles lábios firmes, as mãos dele a imobilizaram. O medo a devastou por completo.
Forçou os lábios femininos a se abrirem para ele, quando conseguiu encontrou a barreira dos dentes, grunhiu insatisfeito. Escorregou a mão pela a cintura e quadris e surpreendeu-se com as curvas tentadoras. Sentia o corpo tremente dela contra seu, as mãos femininas empurrando seu peito, tentando movê-lo desesperadamente, mas ele queria mais e voltou a beijar os lábios, tentando aprofundar novamente o beijo.
Suas tentativas não encontravam o sucesso que seu corpo almejava, queria a empregadinha entregue ao seu desejo, mas ela resistia. Tentou mais uma vez, e sentiu-a rija, fria. Não lutava mais, apenas ficara inerte, fato que esfriara seu desejo.
Afastou-se e viu o desespero estampado no rosto pálido, ela não o encarava e tremia furiosamente em seus braços. Ergueu-lhe novamente o queixo e trincou os dentes quando mais uma vez ela tentou se afastar. Mesmo tentando empurrá-lo, o duque passou com facilidade o braço por sua cintura e com a outra mão segurou-lhe a nunca.
Ela debateu-se com mais vigor quando a beijou novamente.
- Abra a boca. – ordenou Potter.
- Por favor, não. – soluçou. – Não me machuque, deixe-me ir. – colocou as mãos nos ombros fortes e tentou afastar o corpo.
- Só quero beijar-te. – rosnou e puxou o corpo esbelto, colando-o contra o seu.
- Não, não. – balançou a cabeça desesperada.
Harry segurou o braço machucado de Hermione sem se dar conta, apertou-o e a encostou na parede. Um grito baixo saiu dos lábios de Hermione, quando ela sentiu a dor em seu braço, aproveitando-se do momento Harry tomou a boca dela, dessa vez conseguindo aprofundar-se.
Hermione não retribuía o beijo, tentava a todo custo soltar-se, lembranças de Xavier inundavam seus pensamentos deixando-a ainda mais apavorada. Mordeu a língua do duque e o viu recuar.
Harry afastou-se quando sentiu a mordida, fora fraca, mas isso o fez parar o beijo e voltar si. Soltou-a e recuou mais um passo, viu o corpo fragilizado escorregar ao chão. Ela apenas chorava baixinho e soluçava. Hermione escorou-se mais na parede, segurou com delicadeza o braço machucado, recolheu as pernas até perto de seu tronco e abaixou o rosto, Harry podia notar de longe que ela ainda tremia.
Bufou irritado e deu as costas à garota, indo em direção a uma mesinha onde repousava uma garrafa. Encheu o copo e com um gole só o esvaziou. Respirou fundo várias vezes e se virou, a menina continuava ali, se prestasse atenção ainda poderia ouvir os soluços baixinhos.
Aproximou-se dela cauteloso, quando chegou mais perto a viu encolher-se.
- Saia daqui. – ordenou.
Hermione não ergueu a cabeça, movimentou-se com dificuldade até que ficou de pé. E caminhando o mais rápido que pode chegou a porta e saiu do aposento.
***
Oooooie!!!
Uhull, antes tarde do que nunca, hein!!
Aí está o capítulo três, e vocês puderam ver que o Harry não foi nada gentil com a Mione.
E olha, já vamos adiantar que por um bom tempo o Harry vai continuar assim!!
Pois é, somos más!! hehe.
E claro, mil perdões pela demora!!
Espero que tenham gostado do capítulo!!
Até a próxima atualização, Xuxus.
Beijones!! ;)