Alguma coisa estava tentando acordá-la. Ela movia a cabeça no travesseiro, em protesto, mas a sensação persistia. Sonolenta, Hermione abriu os olhos, lutando contra as ondas de sono que tentavam arrastá-la de volta.
O quarto estava escuro como breu. Os olhos conseguiam apenas focalizar o mostrador luminoso do relógio de cabeceira. Os ponteiros indicavam alguns minutos depois das três, o que arrancou um gemido de cansaço da castanha, enquanto ela se enfiava mais sob as cobertas.
Um leve barulhinho perturbou o silêncio. Parecia alguém batendo em vidro. Sustentando-se num dos cotovelos, Hermione prestou atenção, os sentidos alerta, sem ter certeza de ter ouvido ou simplesmente imaginado o som.
Escutou-o de novo. Alguém estava batendo na porta de correr de vidro que dava do seu quarto de dormir para o pátio do quintal. Nenhum criminoso iria bater antes de entrar. Hermione afastou as cobertas e saltou da cama, tendo certeza de que era Rony Weasley.
Ninguém mais estaria batendo na porta àquela hora da noite.
Descalça, dirigiu-se à porta de vidro e puxou o cordão para abrir as cortinas verde-limão que iam do teto ao chão. O luar iluminava a figura alta lá fora, os cabelos vermelhos embelezados à luz prateada. Soltando a tranca da porta, Hermione abriu-a para deixar Ronald entrar.
- O que está fazendo aqui? - sussurrou enquanto ele entrava. - São três horas da manhã.
O mesmo luar que delineara o corpo masculino entrava agora pela porta de vidro para iluminar Hermione. As pernas nuas dela tinham um brilho sedoso, a bainha da camisola vermelha chegando pouco acima dos joelhos. O olhar de Rony fez uma inspeção geral, chamando a atenção da castanha para seus trajes soltos, mas sugestivos, com a parte superior da camisola desabotoada. Os dedos moveram-se imediatamente para fechar a frente da camisola.
- Sei que horas são - respondeu Ronald, sorrindo enquanto se dirigia para ela. - Acabo de largar o serviço, e quis ver você.
- Podia ter telefonado.
As mãos dele pousaram nos seus ombros, e Hermione se retesou. Não lhe parecia direito Rony estar no seu quarto a essa hora, mesmo que estivesse planejando casar-se com ele.
- Não se pode fazer isso por telefone. - A boca grudou-se à dela num beijo longo e doce, mas ele não fez nenhuma tentativa de tomá-la nos braços.
- Ainda me ama, meu bem?
- Não acha que iria parar de amá-lo assim tão depressa, não é?
Pareceu-lhe subitamente romântico que Ronald Weasley tivesse atravessado meia cidade de moto para vê-la e assegurar-se de que ela ainda o amava.
- E parou! - insistiu Rony, querendo ouvir as palavras.
- Não - respondeu Hermione, com um pequeno meneio de cabeça. - Ainda o amo.
Ele a envolveu nos braços, apertando-a forte, o queixo pousado na cabeleira castanha. O abraço fê-la sentir-se querida e segura. Não havia exigência de beijos apaixonados. Ele parecia apenas querê-la nos braços.
Com a cabeça pousada na base do seu pescoço, Hermione acariciava a lapela do blazer dele. Um suspiro cheio de felicidade escapou-lhe dos lábios enquanto baixava os cílios, satisfeita.
- Arriscou-se demais vindo até aqui a esta hora - murmurou, enquanto ele esfregava o queixo no alto da sua cabeça. - Sabe que meu pai já não confia em você... devia mesmo ter telefonado.
- Vale o risco poder abraçá-la e saber que ainda quer se casar comigo. Quer, não é mesmo?
A boca se movia de encontro ao cabelo despenteado dela.
- Sim, quero casar com você. Ou acha que tenho o hábito de admitir homens no meu quarto no meio da noite?
- Espero que não - respondeu Rony aspero; depois continuou, num tom mais sério:
- Provavelmente, devia ter-lhe telefonado, mas sem dúvida seus pais teriam ouvido o telefone tocar e atendido para ver quem estava ligando. Não podia correr o risco de que pudessem escutar a nossa conversa.
Ela franziu as sobrancelhas, intrigada.
- Por quê?
Rony não deu uma resposta imediata; ergueu uma das mãos e tocou o rosto dela.
- É muito linda, sabia! Ter você como mulher não vai ser assim tão ruim, depois que eu lhe ensinar algumas coisinhas.
- Hum, e você até que poderia dar um marido bem decente - replicou Hermione ao comentário brincalhão -, mas está fugindo do assunto. O que queria conversar comigo?
- Quem sabe devesse ter telefonado. - Os dentes brancos faiscaram quando sorriu. - É difícil demais me concentrar quando estou com você nos braços. Fico ligado nos seus ombros macios e curvas perigosas. - As mãos deslizaram pelo tecido sedoso das mangas compridas para agarrar as mãos dela. - Venha. Vamos sentar-nos para poder conversar.
Segurando-a de leve pela mão esquerda, levou-a até a cama. Hermione sentou-se junto ao pé do leito, dobrando as pernas sob o corpo. Ronald soltou-lhe a mão para acender o pequeno abajur da mesinha-de-cabeceira. O brilho suave lançou uma pequena réstia de luz sobre a cama.
- Você está tornando tudo isso muito misterioso - disse Hermione, disfarçando a confusão num murmúrio trocista, enquanto Rony se sentava na beira da cama, mantendo uma certa distância entre eles.
- Não foi minha intenção. É só que, desde que você partiu hoje à tarde, tenho pensado no que falamos. Hermione, não agüento esperar um ano para casar com você.
- Parece uma eternidade - concordou ela, com um suspiro langoroso.
Rony debruçou-se para a frente, transmitindo um sentimento de urgência.
- Não precisamos esperar para casar. Você já tem vinte anos. Não precisa do consentimento dos seus pais.
- Sei que não, mas...
- O que ganharemos esperando um ano? - argumentou ele. - Não temos que provar coisa alguma aos seus pais... e definitivamente nos amamos. Quanto à bênção deles, gostaria que pudéssemos tê-la, mas se desejam omiti-la, ou impor condições, como a espera de um ano, então podemos dispensá-la. Depois que estivermos casados, terão que me aceitar.
- Está sugerindo que a gente fuja para se casar? - indagou ela, mordiscando o lábio inferior.
- Estou. Não quero esperar um ano, seis meses, sequer uma semana - declarou.
- Mas, e quanto à faculdade, ao seu emprego? Onde vamos morar! - argumentou Sheila.
- Sei que não é prático nem lógico casar agora - admitiu Rony, correndo os dedos pela espessa cabeleira ruiva. - Devíamos esperar pelo menos até o verão, quando me formo, mas desde quando o amor é prático ou lógico! É uma necessidade física e emocional.
- Não sei. - Soltou a respiração num longo suspiro. - Talvez não seja para a mulher a mesma coisa que é para o homem.
- Talvez você não sinta essas necessidades tanto quanto eu.
- Não é verdade - negou ela, rapidamente. - Eu as sinto.
Ele perscrutou o rosto dela durante alguns segundos silenciosos.
- Sabe o quanto desejo proclamar ao mundo que a bela mulher ao meu lado é minha esposa, Sra. Hermione Weasley?
- Tanto quanto desejo ouvi-lo dizer essas palavras.
Jamais imaginara que Ronald Weasley pudesse ser tão romântico, dominador... e até mesmo possessivo, e não percebera nele esse lado tradicionalmente romântico se não essa noite. Parecia não combinar com ele.
- Então vamos fugir e casar amanhã, no máximo depois de amanhã. Podemos ir para o México e casar em questão de horas.
- Quero, sim...
O tom de incerteza na voz dela impediu a afirmativa de ser uma concordância total.
- Mas o quê? - disse ele, mencionando a palavra que ela apenas sugerira.
- Eu... preciso de tempo para pensar.
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N/A: Pessoal, eu mudei a classificação da fic para NC18, pois há cenas de sexo no decorrer da estória... por isso eu ja aviso que irei mudar a classificação ainda hoje. ^^
Espero que continuem lendo a estória do mesmo jeito. *-*
Beijos =*
Angel_S