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7. Capítulo 7


Fic: Fora da Lei


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Gina enrolou as mangas da sua camisa mais velha e pôs mãos a obra.


Quando colocou as roupas de Hagrid no rio, pensou que o melhor seria queimá-las. A água rapidamente ficou marrom. Começou a batê-la com um gemido de desgosto. Levaria tempo até deixá-la apresentável, mas estava disposta a acabar.


Deixou as calças na água e segurou a camisa do homem com a ponta dos dedos. Estava deplorável. Duvidava muito que as roupas tivessem visto água limpa em um ano. O que significava que a pele de Hagrid levaria o mesmo tempo para lavar-se. Ela cuidaria que ele limpasse direito.


Começou a sorrir enquanto trabalhava. A expressão de seu rosto quando ameaçou tirar-lhe o whisky, foi algo digno de nota. Pobre Hagrid! Podia parecer duro e perigoso, mas no fundo era um homem doce e confuso que necessitava de uma mulher que lhe indicasse o caminho.


A maioria dos homens precisava do mesmo. Ao menos era o que Luna dizia sempre. Enquanto batia a camisa contra as pedras, se perguntou o que o sua amiga pensaria do Sr. Potter. De cara ele não tinha nada de doce. Deveria tê-lo esbofeteado quando lhe beijou e desejou ter sido ela a se afastar. Da próxima vez... Mas não haveria próxima vez. Se Harry Potter voltasse a tocá-la ...teve que admitir que não sabia o que faria. Naquele momento ela o odiava por fazê-la desejar que a tocasse de novo.


Aquilo era absurdo. Ele era um homem que vivia do seu revolver, que pegava o que queria sem sentir remorsos. Sempre lhe ensinaram que a linha que dividia o bem e o mal era muito definida e que não deveria ser cruzada nunca.


Matar era um pecado gravíssimo, imperdoável. Sem hesitação ele havia matado e voltaria a matar de novo. Sabendo disso não deveria se importar com ele, mas se importava, o desejava e precisava dele.


Desejava que ele tivesse se oferecido para levá-la em casa. Em seguida pensou que aquilo era uma bobagem, ela queria uma vida ordenada. Pode não ter sido tão espetacular como imaginava antes, mas seria organizada e honesta. Se sentou nos calcanhares e olhou ao redor. O sol se punha lentamente, uma enorme bola de fogo no céu azul. Viu passar uma águia com as asas estendidas. E o riu avançava por entre as rochas.


De repente tudo aquilo lhe pareceu tão bonito. Levou a mão à garganta, surpreendida ao sentir que estava dolorida. Até então não tinha visto a beleza que havia em tudo aquilo. Pela primeira vez desde que chegara, se sentiu em paz com que a rodeava. Em paz consigo mesma. Havia feito bem em ficar ali, porque aquele era seu lugar.


Quando se levantou para estender a camisa numa pedra, sorria. Logo viu uma sombra e levantou a cabeça. Haviam cinco. Tinham o cabelo solto sobre os ombros nus e todos estavam a cavalo, menos um. Foi ele que se aproximou dela, sem fazer ruído. Uma cicatriz cortava o rosto da testa ao queixo. Viu a cicatriz e a faca em  sua mão e começou a gritar.


 


 


 


Hagrid viu o cavaleiro se aproximar e colocou a pistola sobre as cuecas largas. Saiu do estábulo com o sabão escorrendo pelo rosto. Harry parou o cavalo e o olhou com curiosidade.


-Não me diga que já chegou a primavera.


-Malditas mulheres – cuspiu Hagrid.


-É verdade? – desmontou e amarrou o cavalo a uma estava - Está indo a um baile?


-Não, não vou a parte alguma – Hagrid olhou para a casa de mau humor – Ela me ameaçou. Disse que se eu não tomasse um banho e deixasse ela lavar minha roupa, jogaria o whisky na terra.


Harry acendeu um cigarro, sorridente.


-Pode ser que não seja tão estúpida quanto parece – disse.


-Não parece – resmungou Hagrid – Mas é teimosa. Que faz aqui?


-Vim falar com você.


-Sei. Tenho olhos na cara. Ela não está.


-Eu disse que vim falar com você – insistiu Harry. –Trabalhou na mina?


-Dei uma olhada. Ela não me deixa muito tempo livre - pegou uma pedra e atirou para o cachorro pegá-la. –Sempre quer uma coisa ou outra. Mas cozinha bem. Disso não posso me queixar.


-Viu alguma coisa?


-Eu vi o lugar onde Arthur trabalhava. E onde houve o desabamento- cuspiu – Não posso dizer que foi agradável passar por ali. Talvez se me dissesse o que buscar exatamente.


-Vai saber quando encontrar – olhou para a casa e viu que Gina tinha posto cortinas nas janelas – Ela já foi lá alguma vez?


-Vai, mas não entra. Às vezes se senta ao lado da sepultura. É de cortar o coração.


-Você está ficando mole, velho.


-Eu no seu lugar, não falaria isso –começou a rir ao ver o olhar de Harry – Não fique bravo comigo, garoto. Faz muito tempo que o conheço. Pode ser que se interesse em saber que Draco Malfoy veio visitá-la.


Harry deu uma tragada no cigarro.


-Já sei. Ficou muito tempo?


-O bastante para beijar as mãos dela. As duas.


-Verdade? – perguntou Harry furioso – Onde ela está?


-Acho que no riacho.


Reprimiu uma gargalhada e se agachou para segurar o cachorro antes que ele saísse correndo atrás de Harry.


-Eu não faria isso se fosse você, amiguinho. Pode ser que sobre faíscas.


Harry não sabia bem o que faria, mas não acreditava que pudesse gostar de Gina. Na realidade, esperava que não gostasse. Decidiu que ela precisava de rédeas curtas e ele se encarregaria de atá-la. A idéia de Malfoy beijando-a, dava-lhe ciúmes horríveis.


Quando a ouviu gritar, sacou o revolver com rapidez. Atravessou o último pedaço do caminho com os gritos dela ressoando em seus ouvidos.


Quando chegou ao riacho, só viu a poeira que os cavalos levantaram ao se afastar. Mesmo àquela distância, reconheceu o perfil de Pequeno Urso. Guardou a arma no momento em que Lafitte chegava correndo pelo caminho.


-Chegou tarde de novo – disse ao cachorro.


Se voltou para Hagrid, que também chegava.


-Que aconteceu?


Harry ficou calado e o velho se aproximou para examinar o chão.


-Apaches – viu sua camisa estendida ao sol – Malditos sejam – correu até Harry – Espere, vou por uma outra camisa e minhas botas. Não vão se afastar muito.


-Eu vou sozinho.


-Eram quatro pelo menos.


-Cinco – corrigiu Harry, voltando à clareira – Irei sozinho.


-Escute, garoto, mesmo que fosse Pequeno Urso, isso não garante nada. A última vez não eram mais que meninos e seguiram caminhos diferentes.


--Era Pequeno Urso e eu não preciso de garantia nenhuma – Saltou sobre a sela – Vou trazê-la de volta.


Hagrid pôs a mão sobre a sela – Cuidado, por favor.


-Se eu não voltar até amanhã ao por do sol, vá buscar Slughorn. Deixarei um rastro para ele poder seguir.


Pôs o cavalo a galope e foi para o norte.


 


 


 


Gina não tinha desmaiado, mas não estava certa se aquilo tinha sido bom. Tinham-na colocado sobre o lombo de um cavalo e se obrigou a segurá-lo pela crina para não cair. O índio da cicatriz montava atrás dela. Segurou-a pelo cabelo para colocá-la em cima do cavalo e parecia fascinado pelo seu cabelo. Sentiu que ele aproximava o nariz do seu pescoço, fechou os olhos e começou a rezar.


Avançavam depressa. Os cavalos pareciam descansados e era obvio que conheciam o terreno. O sol era impiedoso. Gina fez força para não chorar. Não queria morrer chorando. Estava certa que a matariam. Mas mais que a morte o que a assustava e que poderiam fazer antes de matá-la.


Havia ouvido histórias horríveis sobre o que os índios faziam às prisioneiras brancas.


Seguiram subindo até que ar esfriou e as montanhas se encheram de vida, com pinos e riachos que corriam rápido. Quando os cavalos pararam, a jovem foi para a frente com os músculos doloridos pelo esforço da corrida.


Os índios falavam entre eles em uma língua que ela não conhecia. O tempo tinha perdido seu significado. Só sabia que tinham passado muitas horas porque o sol estava baixo e o céu começava a ficar vermelho no oeste.


Pararam e por um momento ela pensou em bater no cavalo para sair correndo. Em seguida a baixaram ao chão.


Três homens estavam se banhando na água do riacho. Um deles parecia pouco maior que uma criança, mas Gina duvidou que a idade importava muito. Deram água para os cavalos e não lhe deram nenhuma atenção.


Se apoiou nos joelhos e viu o homem da cicatriz discutindo com aquele que ela supunha era o líder. Tinha um rosto muito bonito, sereno e frio. Usava uma pluma de águia no chapéu e ao redor do pescoço um colar de algo que pareciam dentes brancos pequenos. A examinou com frieza e em seguida fez um sinal ao outro homem. A jovem começou a rezar de novo ao ver o homem da cicatriz avançar para ela. Obrigou-a a ficar em pé e começou a brincar com seu cabelo. O líder resmungou um ordem, mas o guerreiro se limitou a fazer uma careta. Segurou a garganta e Gina conteve um grito quando lhe arrancou o camafeu. Satisfeito, pelo menos por hora, empurrou-a até o riacho e deixou-a beber.


Gina bebeu com avidez. Talvez a morte não estivesse tão perto quanto temia. Talvez pudesse escapar de algum modo. Disse a si mesma que não perderia a esperança. Refrescou-se com a água gelada. Estava certa que alguém iria salvá-la.


O bandido a segurou pelos cabelos e a obrigou a ficar de pé. O camafeu pendia em sua cintura, Gina avançou sobre ele para tomar-lhe de volta. O índio a golpeou atirando-a ao solo e ela começou a lutar instintivamente, usando os dentes e as unhas. Ouviu um grito de dor e logo as risadas dos outros. Mesmo assim não deixou de debater-se e dar pontapés, outro índio não demorou a atar suas mãos com uma tira de couro. Então começou a soluçar de raiva. Voltaram a colocá-la sobre o cavalo e amarraram seus tornozelos por baixo do ventre do animal. Seguiram subindo.


Desejou ficar desacordada. Quando a dor nos braços e nas pernas se tornou insuportável, parecia a melhor forma de escapar. A altura a deixava tonta. Iam pela borda do cânion estreito que parecia ter uma queda sem fim.


Seja onde for que a estavam levando era um mundo diferente. Um mundo de bosques, rios e escarpas. Mas não importava. Morreria ou escaparia. Não havia outras opções. “Sobrevivência é a única coisa que importa”.


Quando Harry lhe disse aquilo, não tinha entendido, naquele momento sim. Havia ocasiões nas quais as únicas opções eram a vida ou a morte. Se para poder escapar tivesse que matar, ela mataria. Se não pudesse escapar e se eles lhe fizessem o que temia, encontraria um jeito de se matar.


Seguiram subindo interminavelmente. Ao seu redor, podia ouvir os gritos dos pássaros noturnos. O ar estava frio e ela estremecia em silêncio. Em seguida frearam os cavalos. Cortaram as cordas dos seus tornozelos e a fizeram apear. Não tinha forças para chorar, assim ficou imóvel. Devia ter desmaiado, pois quando voltou a si, ouviu o crepitar do fogo e o silencioso murmúrio dos homens comendo..


Reprimiu um gemido e tentou levantar-se, mas antes que pudesse fazê-lo, uma mão pousou em seu ombro empurrando-a para traz.


O índio se inclinou sobre ela e disse algo que ela não entendeu. Tocou se cabelo, levantando as mechas e deixando-as cair. Devia agradá-lo, porque sorriu e sacou uma faca. A jovem desejou que cortasse sua garganta de uma vez. Em vez disso, começou a cortar-lhe a saia. Gina bateu em suas pernas o mais forte que pode, mas ela a sujeitou com as suas. Ela então o golpeou com as mãos, e quando ele levantava o braço para bater nela, ouviu-se um grito. Seus seqüestradores se colocaram em pé com as flechas e rifles preparados. Gina então viu o cavaleiro  aproximar-se da luz.


-Harry!!!!


Quis correr até ele, mas a empurraram com força para traz. Ele não lhe fez nenhum sinal, avançou imperturbável até o grupo de apaches. Quando falou, o fez em uma língua que ela não entendia.


-Se passou bastante tempo, Pequeno Urso.


-Não pensei em vê-lo de novo, Olhos Verde.


Harry desmontou lentamente.


-Nossos caminhos se separaram. Agora voltam a cruzar-se – olhou para o que conhecia tão bem com os seus próprios. Entre eles havia um amor que poucos homens compreenderiam – Recordo uma promessa que dois garotos fizeram. Juramos com sangue que nunca um levantaria a mão contra o outro.


-A promessa feita com sangue não foi esquecida – Pequeno Urso estendeu a mão e os dois se estreitaram com força, desde a mão até o cotovelo. – Quer comer?


Harry assentiu e se sentou ao lado do fogo para compartilhar a carne. Pelo rabo de olho viu que Gina o olhava. Seu rosto estava pálido de medo e cansaço. Tinha a roupa rasgada e sabia que devia estar com frio, enquanto ele comia e bebia. Mas se queria salvar-lhe a vida, tinha que seguir a tradição.


-Onde está o resto da nossa tribo?


-Mortos. Perdidos. Fugindo – Pequeno Urso olhou para o fogo com tristeza –Os espadas largas nos têm caçado como aos cervos. Sobraram poucos e se esconderam nas montanhas. E seguem vivendo.


-Braço Torcido? Cesta de Palha?


-Vivem no norte, onde os invernos são longos e a caça é pouca – Olhou em seus olhos – As crianças não riem, Olhos Verde, nem as mulheres cantam.


Falaram sobre as recordações compartilhadas pelos dois, de pessoas que haviam amado. Seu vinculo seguia sendo forte, tão forte como era quando Harry vivia e se sentia como um apache. Mas os dois sabiam que o tempo tinha passado e as coisas tinham mudado.


Quando acabaram de comer, Harry se levantou.


-Você levou a minha mulher, Pequeno Urso. Vim para levá-la de volta.


-Não é minha prisioneira e sim de Falcão Negro. Eu não posso devolvê-la.


-Então, terá que guardar a promessa entre nos dois – se voltou para o índio com a cicatriz – Você levou a minha mulher.


-Não terminei com ela – levou uma mão à faca – Ficarei com ela.


Podia ter negociado com ele. Um rifle era mais valioso que uma mulher. Mas teria perdido a honra.


Havia dito que Gina era sua e só havia um meio de recuperá-la.


-Aquele que viver ficará com ela. Tirou os revolveres do cinturão e os estendeu a Pequeno Urso – Falarei com ela.


Avançou até Gina, enquanto Falcão Negro começava a cantar, se preparando para a luta.


-Espero que tenha aproveitado bem a comida – disse ela – E eu que pensei que tivesse vindo me salvar.


-Estou trabalhando nisso.


-Eu percebi. Sentado ao lado do fogo, comendo, contando estórias. Meu Herói !!!


O homem sorriu e a estreitou contra ele.


-Você é uma grande mulher, Gina, Fique quieta e deixe-me agir do meu modo.


-Leve-me pra casa – o orgulho a abandonou e ela se agarrou a sua camisa – Por favor, me leve pra casa.


-Eu o farei.


Segurou as mãos dela entre as suas e as apertou. Em seguida se levantou e começou seu próprio canto de luta.


Se existisse magia, queria que estivesse a seu lado.


Falcão Negro e Harry se colocaram lado a lado e o guerreiro mais jovem atou os punhos dos dois. O brilho das facas fez Gina levantar-se. Pequeno Urso colocou a mão em seu ombro.


-Você não pode detê-lo – disse-lhe num inglês claro e preciso.


-Não! – debateu-se ao ver as adagas – Oh! Deus, não!


-Derramarei seu sangue branco, Olhos Verde – resmungou Falcão Negro enquanto suas adagas se cruzavam.


Atados pelo pulso, atacaram, avançaram e se debateram. Harry lutava em silêncio. Se perdesse, Falcão Negro celebraria sua vitória violando Gina. Aquela idéia rompeu sua concentração e o índio rompeu sua guarda, e lhe cortou o ombro. O sangue começou a escorrer pelo braço. Se concentrou no seu cheiro para esquecer Gina e lutou para sobreviver.


No ar frio da noite, seus rostos brilhavam de suor. O ruído das navalhas e o cheiro do sangue havia espantado os pássaros. Só se ouvia a respiração dos homens esforçando-se para matar. Os demais índios tinha formado um circulo ao redor e observavam.


Gina estava de pé, com as mãos juntas na boca, reprimindo a vontade de gritar e gritar até ficar sem ar. Quando viu o sangue de Harry escorrer, tinha fechado os olhos. Mas o medo a fez abri-los de novo no instante seguinte.


Pequeno Urso continuava segurando-lhe o braço. Ela compreendeu que era uma espécie de troféu para o vencedor. Viu Harry afastar com esforço a navalha do índio e se voltou até o homem ao seu lado.


-Por favor, detenha-os, se deixar ele viver, irei com vocês. Não lutarei, nem tentarei escapar. Pequeno Urso afastou por um momento os olhos da luta. Olhos Verde havia escolhido bem a sua mulher.


-Só a morte pode pará-lo agora.


Gina viu um dos homens cair. Viu a faca de Falcão Negro cravar-se no chão, a uma polegada do rosto de Harry. Antes que pudesse tirar sua faca, Harry cravou a sua no corpo do oponente, e os dois rolaram até o fogo.


Harry não sentia o calor, só uma raiva fria. O fogo queimou-lhe a pele do braço antes que pudesse se afastar. O punho da sua faca estava escorregadio pelo suor, mas a lamina estava vermelha com o sangue de Falcão Negro.


Esgotado e manchado de sangue, Harry avançou até Gina. Sem dizer nada, cortou o couro que atava suas mãos com sua faca, guardou-a na bota e pegou os revolveres das mãos de Pequeno Urso.


-Era um bom guerreiro – disse seu amigo índio.


Harry atou os revolveres ao cinturão.


-Morreu como um guerreiro – estendeu a mão – Que os espíritos o acompanhem, irmão.


-Digo-lhe o mesmo, Olhos Verde.


Harry estendeu a mão para Gina, mas ao ver que ela cambaleava, segurou-a nos braços e a levou até o cavalo.


-Segure-se – disse, montando atrás dela. Saiu do acampamento sem olhar para traz, certo de que nunca voltaria a ver Pequeno Urso.


Gina não queria chorar, mas não pode evitar. Seu único consolo era que suas lágrimas eram silenciosas e ele não poderia ouvir. Pelo menos era o que achava. Levaram mais dez minutos cavalgando a passo lento, quando ele virou-a na sela para abraçá-la.


-Passou por um mau pedaço, Duquesa. Chore tudo que quiser.


Assim Gina chorou livremente, com a face apoiada no peito dele.


-Fiquei com tanto medo. Achei que iam...


-Eu sei. Não pense mais nisso. Acabou.


-Virão atrás de nós?


-Não.


-Como pode saber?


-Não seria honroso.


-Honroso? – levantou a cabeça para olhá-lo – Mas são índios.


-É assim. Não traem sua honra tão facilmente como o homem branco.


-Mas...- a jovem havia esquecido por um momento que ele tinha sangue apache. – Você parecia conhecê-los.


-Vivi cindo anos com eles. Pequeno Urso, aquele da pluma de águia, é meu primo – freou o cavalo e desmontou – Você está com frio. Farei uma fogueira e você pode descansar um pouco.


Tirou uma manta do alforge e a colocou sobre os ombros dela. Cansada demais para discutir, Gina se envolveu nela e sentou-se no chão.


Harry não demorou para acender o fogo e começou a fazer café. Gina mordeu sem vacilar um pedaço de carne seca que ele lhe deu, e foi para mais perto do fogo.


-Conhecia também o homem que lutou com você?


-Sim.


A jovem pensou que havia matado por ela, e teve que se reprimir para não começar a chorar de novo.


-Eu sinto muito – murmurou.


-Por que?


Serviu-lhe uma xícara de café.


-Por tudo. Apareceram de repente e não pude fazer nada – bebeu um gole de café quente – Quanto estava na escola, lia os jornais, ouvia histórias. Nunca acreditava realmente. Estava certa que o exército já tinha tudo sob controle.


-Lia sobre os massacres – disse ele com raiva – Sobre os colonos assassinados e assaltos aos trens. Lia que os selvagens cortavam os cabelos das crianças. Está certo. Mas lia também que os soldados entravam nos acampamentos e matavam e seqüestravam as mulheres e as crianças, muito tempo depois de terem assinado o tratado? Lia algo sobre a comida envenenada e as mantas contaminadas que enviavam para as reservas?


-Mas isso não pode ser...


-O homem branco quer a terra e a terra não é sua. Ou não era. – sacou sua faca e limpou o chão – Mas se apodera dela a qualquer preço.


A jovem não queria acreditar, mas lia nos olhos dele que ele dizia a verdade.


-Eu não sabia.


-Isso foi há muito tempo. Pequeno Urso e os homens como ele estão quase acabados.


-Como escolheu entre uma vida e outra?


Ele encolheu os ombros. –Não houve escolha. Não tenho suficiente sangue apache para ser aceito como guerreiro e me educaram como os brancos. Homem vermelho. Assim chamavam meu pai – Se calou chateado. Não gostava de falar sobre si. – Pede montar?


A jovem gostaria que ele continuasse, que lhe contasse tudo sobre sua vida, mas o instinto a conteve. Se o pressionasse, talvez não se entenderiam nunca.


-Posso tentar – sorriu e lhe tocou o braço – Quero tentar. Oh, está sangrando.


Ele olhou para o braço.


-Por vários lugares.


-Deixe-me ver. Deveria já ter cuidado disso.


Se ajoelhou e rasgou a manga da camisa dele.


-Não há nada que agrade mais a um homem que uma mulher bonita arrancando-lhe a roupa.


-Eu agradeceria se você se comportasse bem – disse ela sorridente.


-Ouvi que obrigou Hagrid a se despir. Ele disse que você o ameaçou.


A jovem começou a rir.


-Não tive outro remédio. Gostaria que tivesse visto a cara que lê fez quando lhe disse para tirar as calças.


-Espero que não faça o mesmo comigo.


-Só a camisa. Preciso enfaixar o braço.


Se pôs em pé para levantar as saias e rasgar uma anágua.


-Eu lhe agradeço muito – tirou a camisa – Eu me pergunto varias vezes quantas anáguas você usa.


-Isso não é um assunto apropriado para uma conversa. Mas é uma sorte que....


Voltou-se para ele e ficou sem fala. Nunca tinha visto o peito de um homem e nunca pensou que pudesse ser tão bonito. O de Harry era firme e delgado, com a pele escura e brilhante, à luz das chamas. Sentiu um calor repentino dentro de si.


-Preciso de água – murmurou – Tenho que lavar a ferida.


O homem estendeu-lhe o cantil sem deixar de olhá-la. Gina não disse nada: se abaixou a seu lado e começou a curar-lhe o corte que ia desde o ombro até o pescoço.


-É profundo, terá que ir ao médico.


-Sim, senhora.


-Acho que ficará uma cicatriz.


-Tenho outras.


Sim, isso mesmo. Tinha o corpo de um herói, disciplinado, magnífico e cheio de cicatrizes.


-Eu lhe causei muitos problemas - murmurou.


-Mais do que eu imaginava – sussurrou ele.


A jovem atou a atadura e voltou sua atenção para um outro corte que tinha nas costas.


-Esse não parece tão grave, mas deve estar dolorido.


Sua voz estava rouca. Harry sentia sua respiração sobre a pele. Quando ela limpou a ferida, estremeceu, mas o que lhe doía não era a ferida, e sim a luz do fogo que refletindo-se no cabelo dela. Gina inclinou-se para segurar a atadura e conteve a respiração.


-Tem alguns arranhões – tocou o peito dele fascinada – Precisa de um ungüento.


Ele sabia o que precisava. Sua mão segurou o pulso dela. A jovem o olhou, como atrapalhada pelo contraste da sua pele contra a dele. Moveu a mão e acariciou uma linha do peito de Harry. O fogo havia sido atiçado. Lentamente levantou a cabeça o olhou. Os olhos dele eram escuros, mas escuros do que jamais tinha visto.


Harry lhe acariciou as faces. Nunca tinha visto nada tão bonito e suave. Leu a paixão dos olhos dela. Se inclinou para ele com os olhos abertos, e ela se inclinou até ele, esperando. O homem a beijou com suavidade e a ouviu suspirar. Segurou-a mais perto contra si e sentiu o abandono dela. Gina chegou mais perto do peito dele e correspondeu ao beijo, maravilhada. Se apertou contra ele, desejando mais.


Harry sentiu que o desejo invadia seu corpo. Disse o nome dela, sem deixar de beijá-la, e levou a mão à gola rasgada da blusa dela.


Gina soltou um suspiro ao sentir a mão dele em seu seio. Sua palma era dura e calosa e ele voltou a beijá-la, e ela se apertou com força contra a mão dele. Havia experimentado a ameaça muito próxima da morte e agora, naquele momento, experimentava a vida e o amor.


Os lábios dele percorreram seu corpo até que ela não sentiu outra coisa alem de desejo. Começou a tremer. Harry tinha o rosto enterrado na garganta dela. O sabor dela o havia invadido totalmente e ele não desejava outra coisa. Ela estremecia debaixo dele, seu corpo tremia debaixo do seu. Cravou os dedos no solo e se esforçou para separar-se. Havia esquecido quem ele era e quem ela era. Por acaso não estava a ponto de fazê-la sua no chão? Ao afastar-se ouviu-a gemer.


Gina estava tonta, confusa, desesperada. Com os olhos semi-serrados, estendeu as mãos para ele.


E quando o tocou, ele se pôs de pé.


-Harry?


O homem sentiu uma dor horrível, como se tivesse levado um tiro no ventre e não fosse deixar de sangrar nunca. Em silêncio, apagou a fogo e começou a levantar o acampamento.


Gina percebeu enfim a sua distância e estremeceu.


-Que aconteceu?


-Temos que partir.


-Mas...eu pensei, quer dizer, parecia...


-Maldição, mulher. Temos que ir – atirou a manta para ela. Ponha isso.


A jovem a segurou contra seu corpo e o viu encilhar o cavalo. Não queria chorar. Mordeu os lábios e jurou não chorar nunca por ele. Ele com certeza preferia outra classe de mulheres. Colocou a manta sobre os ombros e foi para perto do cavalo.


-Posso montar sozinha – disse com frieza, quando ele segurou o braço dela para ajudá-la.


Harry assentiu, se afastou e montou atrás dela.

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