CAPITULO 74 - EXPLOSÃO
Os primeiros raios de sol queimavam no horizonte quando Rony acordou com o som ensurdecedor de algo batendo contra a porta. Gritos na rua indicavam que havia problemas. Hermione acordou tão assustada quanto ele, e quando Rony levantou-se e vestiu apenas a roupa íntima, buscando sua arma que estava escondida dentro de uma gaveta, Hermione também pulou da cama assustada.
Vestiu o penhoar que usara na noite passada, e não se lembrou da própria arma. Estava assustada e o seguiu até a sala.
Novas batidas.
Alguém batia com muita força e quando uma vidraça estourou entenderam que na verdade eram pedras.
-Pedras? – ele gritou - QUEM É O MALDITO JOGANDO PEDRAS NA MINHA CASA?
Seu grito fez Hermione tremer.
A pessoa que jogava as pedras cessou e eles ouviram o som de outros gritos, de homem. Batidas na porta anunciaram que o audacioso invasor achava que seria recebido.
Furioso, Rony abriu a porta quase arrancando o trinco, à arma em risque. Como um raio, uma massa de tecido amarrotado entrou empurrando Hermione para fora do caminho. Pela porta aberta, avistaram Harry desmontando do cavalo, com a mesma expressão furiosa que havia nas faces de Ginerva.
-AQUI! – ela jogou algo sobre Rony, furiosa demais para fazer sentido – AQUI ESTÁ A PROVA! NINGUÉM ACREDITOU EM MIM, MAS ESSA É A PROVA!
-O que está acontecendo? – Hermione perguntou chocada com o que acontecia.
Gina estava aos prantos, descontrolada, a roupa amassada e o cabelo desgrenhado.
-EU DISSE QUE A LEVARIA DE VOLTA! – o grito de Harry e sua invasão na casa fizeram Hermione se calar.
Ele não parecia muito melhor, a roupa amarrotada, a camisa aberta e solta pela pressa de se vestir. Os cabelos espetados, os óculos mal colocados na face.
Ele agarrou o braço de Gina e sua fúria era tanta que não ligou par aos dois:
-PARA MIM CHEGA DE SUAS GROSSERIAS E MALCRIAÇÕES! Chega Ginerva! – ele ordenou - Controle-se! Seus pais esperam que a leve de volta! E não vou fazer isso se estiver nesse estado...
-Hipócrita! - ela se soltou, massageando o braço ferido pela sua própria brutalidade – Hipócrita! Mentiroso! Infiel!
Seu corpo se dobrou num pranto compulsivo e Hermione a acudiu sendo empurrada com tanta força que foi ao chão. Rony apressou-se a ampará-la, temendo por sua saúde e do filho que carregava.
-MERETRIZ! CORTESÃ! VADIA! – Gina estava fora de si, e apanhou um enfeite de sobre uma mesa ao lado do sofá jogando na parede com toda sua força até espatifar-se no chão – LEIA MEU IRMÃO! Leia as palavras tórridas que seu amigo escreveu para sua mulher! LEIA!
Rony soltou Hermione, apanhou a caderneta de sobre o chão, olhando para Harry.
-É meu diário particular, e não escrevi as palavras que estão aí – ele avisou com os olhos amedrontados – não sei como, é minha letra, mas não escrevi!
-Afinal, qual a razão desse escândalo? – Hermione elevou a voz incrédula – quebrou uma vidraça! Poderia ter acertado alguém! Ginerva deveria estar em casa, com seus pais, seu noivo e não...
-O que? Não deveria ficar fora de mim ao ler a exatidão da traição que sofri? Não devo ficar louca de dor pelo meu noivo e pela única pessoa que chamei de amiga na vida? ME TRAIRAM! Como pode Hermione?
Gina escorregou, se apoiando no sofá, o pranto roubando suas forças.
-O que diz nesse diário? – ela perguntou a Harry.
Petrificado pela sordidez da situação, ele apenas respondeu:
-Até ontem contava das minhas impressões dessa terra. Hoje, há um relato completo de nossas relações íntimas em seu quarto, pelas costas de seu marido – disse amargo.
A face de Hermione empalideceu de tal modo que achou que ia desmaiar, então, uma risada escapou e ela gargalhou:
-Porque escreveu isso Harry? É alguma brincadeira que não compreendo?
-Eu não escrevi. – ele disse – É o que tenho gritado para Ginerva desde o amanhecer quando ela encontrou-o.
-Encontrou? Simples assim? Seu diário particular, zanzando pela casa, a ponto de qualquer um encontrá-lo? – ironizou.
-Como eu disse, até ontem ele era meu. Agora, não o reconheço.
Hermione suspirou olhando para Rony e estendendo uma das mãos, notando que ele lia.
-Me deixe ver essa tolice.
Como ele não lhe entregou ela se aproximou para ler junto. Depois de um parágrafo corou fortemente e olhou para Rony, achando que essas palavras eróticas lembravam muito que eles mesmos haviam feito naquela sala há poucas horas atrás.
-Quanta bobagem. É sua letra? – questionou.
-Sim, é sua letra – Rony fechou o diário olhando para Harry com algo que a assustou – É ficção?
-O que quer dizer? - ele perguntou mais alto acima do choro de Gina.
-Ora Ginerva, cale a boca e escute! – Hermione se irritou definitivamente – Se quer resolver a situação, escute!
-O QUE TEM PARA RESOLVER? – ela teria avançado em Hermione se ela não tivesse se escondido atrás da sólida proteção que representava o corpo de Rony.
-É uma fantasia? Um desejo secreto? É sua letra Harry. Não há engano. Tenho que saber se é uma fantasia ou se é real.
-Ah, pelo amor de Deus! - Hermione não acreditou nisso, olhando para Harry cúmplice.
-Não olhe para ele desse modo! – Rony elevou a voz a fazendo ficar muda de espanto – É a letra de Harry. Está entendendo Hermione? Não é uma mentira ou um rasgo em um vestido. É a letra de Harry.
Sua veemência a calou, e o choque da desconfiança deixou uma expressão horrível em sua face.
-Não é a minha letra, mas se prefere crer. Então, prefiro assumir ser uma fantasia – ele disse, baixando a cabeça humilhado.
Não tinha conhecimento sobre como àquilo era possível, mas preferia levar a culpa a estragar o casamento de seu amigo. Não poderia ver uma mulher levar a responsabilidade pelas mentiras e crueldade de outra pessoa.
-Rony – Hermione segurou em seu braço – Conhece esse homem desde crianças. Como pode achar que faria algo dessa natureza? Eu... Não posso crer que seja tão cruel a esse ponto!
-Prefiro assumir a culpa pelo que não fiz a causar danos – Harry lamentou olhando para Gina – Como posso me casar com alguém incapaz de ouvir o que digo? – era um lamento infeliz, pois doía admitir que Gina o fizesse infeliz a revelia do tamanho do amor que lhe tinha.
-Nem pense em desmanchar esse casamento! – Hermione ergueu a voz furiosa com a idéia de ele usar isso para se livrar de suas responsabilidades.
-Porque tanto interesse nesse casamento Hermione? – Rony agarrou seu braço sem aviso, trazendo-a bem perto, olhos nos olhos, com uma fúria que ela desconhecia – Pretende ocultar seus pecados casando Harry? Ou talvez apenas facilitar sua presença para encontros nas minhas costas?
Muda, não respondeu nada.
Estava zonza, com uma vertigem horrível de ser pega daquele modo abrupto, mas não reclamou, também não respondeu. Não podia contar a verdade sobre Gina e Harry.
-RESPONDA! - Ele a sacudiu com força, obrigando Harry a interferir.
-Não faça isso Rony. Vai se arrepender de machucar sua mulher! – ele tentou apelar para sua razão.
-Minha mulher! Tem certeza que é apenas minha mulher? – mudando de alvo, ele soltou Hermione que se apoiou no sofá, sentando-se, pois suas pernas não a sustentavam – Tem certeza que sabe que Hermione é minha mulher?
Frente a frente, altos e imponentes, os dois pareciam prestes a se agredirem.
-Não escrevi as palavras que leu. Mas não posso provar. Então, assumo a culpa, mas assumo sozinho. Seja lá o que esta acontecendo só tem a ver com nós dois Ronald – ele disse se apegando a razão – Não deveria ter vindo, esse não é meu lugar. Achei que pudesse ter uma família ao lado de sua irmã, e talvez ser feliz, mas ela não está preparada para ser esposa. É mimada e inconseqüente. Não poderá, não ouve.
-COMO PODE DIZER ISSO? – Gina saiu da inércia, avançando pela sala, as lágrimas correndo, sua face transfigurada em dor e revolta – COMO PODE DIZER ISSO DEPOIS DE...
Suas palavras morreram, pois Hermione agarrou seu braço segurando-a e tirando sua atenção.
Rony olhou para a palidez de Hermione e então para Harry.
-Tirou a virgindade da minha irmã? – foi sua pergunta seca e direta.
-É claro que não – Hermione tentou interferir – é claro que...
-CALE A BOCA HERMIONE! - ele gritou enfurecido, empurrando Harry com ambas as mãos. Ele não se defendeu, mas andou para trás em sinal de alguém que não quer briga. – CONFESSSE!
Gina parou de chorar no momento em que entendeu o que acontecia. Rony tinha esquecido a arma sobre o sofá, e Hermione apanhou sem ter onde esconder, pois vestia o penhoar. Apavorada por isso, se afastou em direção ao quarto. Gina barrou sua passagem. Olhou para arma em suas mãos e deixou-a passar conscientizando-se do que fizera.
-Meu irmão, eu não quis dizer isso... Eu... - gaguejou apavorada.
-DIGA A VERDADE! – ele gritou na cara de Harry.
-Sim, eu fiz amor com sua irmã. – assumiu a culpa – Vergonhosamente usei de sua confiança e não pude me controlar.
-Eu não acredito nisso! – Rony avançou. Sendo barrado por Hermione que voltava do quarto. Ela ficou entre os dois homens.
A única que coisa que enxergava era sua Hermione defendendo a vida de outro homem.
-Chega! Vocês dois precisam conversar e...
-SAI DA FRENTE! - ele mandou, agarrando-a pelos ombros e empurrando para o sofá. Hermione caiu sentada, e não teve tempo de se erguer antes do primeiro soco atingir Harry.
Ele cambaleou, mas não fugiu.
-SEU FILHO DA PUTA! – ele acertou outro soco. – DESONROU MINHA IRMÃ EMBAIXO DO MEU NARIZ! – outro soco e Harry quase caiu.
Desesperada por Harry não se defender, Gina se intrometeu.
-Foi minha culpa! Eu o tentei! Foi minha culpa! Eu juro irmão! Foi minha culpa! – sendo empurrada por Harry que temia que ela se machucasse em meio à briga, Gina chorou – Por favor, não briguem! Por favor, não o machuque irmão!
-Se afaste Gina – Hermione a chamou, puxando-a pela mão para longe dos dois.
-Minha irmã Harry – ele limpou o suor da testa com o antebraço nu. E nem notou que vestia apenas a calça íntima, vestida na presa de ver o que se passava na rua – Confiei e abusou da minha irmã!
-Eu quis contar – Harry limpou o sangue que fluía de sua boca em sua camisa até então de linho caro, e não teve coragem de fitá-lo – Só Deus sabe como quis contar. Faltou-me coragem.
-É verdade – Hermione argumentou, se aproximando imprudentemente – Eu pedi que não contasse. Eles vão se casar. O mal está feito, acabou. Não há razão para brigarem! Serão cunhados!
-NÃO HAVERÁ CASAMENTO! – Gina gritou a voz estrangulada – Não posso me casar com um homem que ama outra mulher! Que se casa comigo por obrigação!
-Não é verdade! – ele argumentou olhando para Gina com dor no olhar. Tentou se aproximar, mas reacendeu o ódio em Rony.
Avançando sobre Harry os dois acabaram no chão, entre socos.
-Meu Deus! – Hermione não sabia o que fazer – Olhe o que você fez! – virou-se para Gina furiosa - Vá chamar alguém antes que eles se matem!
Gina saiu correndo, e Hermione correu para a cozinha apanhando um balde com água. Frenética, ouvindo angustiada o som da briga; os gritos, as ofensas vindas da sala, ela voltou correndo.
Sem pensar duas vezes, jogou a água fria sobre os dois.
O susto os separou. Rony levantou-se, havia sangue em seu queixo e nariz.
-Oh Deus, vocês querem se matar? – ela perguntou olhando de um para o outro com um dor no peito horrível ao ver o estado de ambos.
Molhados, suados e sangrando. Harry tinha os óculos quebrados, a lente espatifada, e sangue corria em sua boca.
-Onde está minha arma? – havia algo tão horrível nos olhos azuis, que Hermione não conteve a vontade de chorar, e se aproximou. – Vou matar esse desgraçado e honrar minha família!
-Não fale isso. – assustada, abraçou-o pela cintura, esperando acalmá-lo e acalmar o medo que sentia – Por favor, não pense nisso!
Rony sentiu a fúria aumentar. Hermione chorava por Harry. Pela possibilidade de fazer mal a ele! A dor era tamanha que ele olhou para Harry como quem olha para o pior inimigo.
Esse olhar cortou o coração de Harry, que baixou a cabeça, achando insuportável ficar ali.
-Por favor, Harry, vá embora – ela pediu – Por um tempo, vá embora até ele se acalmar.
-São amantes – ele disse baixo, afastando-a com repulsa – são amantes.
-Não, não somos - disse convicta – Acredite em mim, em seu melhor amigo. Seja adulto!
-É infiel. – ele constatou.
-E porque negaria? Não acordamos nada sobre fidelidade! Esqueceu? – com raiva jogou isso em sua cara – Ouça o que digo! Está louco pelas criancices de sua irmã!
-Como vou encarar meu pai depois disso? – olhou para ela com tanta dor nos olhos, o orgulho destruído, que ela sentiu o coração quebrar.
-Ninguém precisa saber. Eles se casam. É um bom casamento. Não faça disso uma tragédia!
O ódio ferveu dentro de Rony, estava prestes a mandar tudo para o inferno e lavar a honra da família quando Gina voltou correndo com Suarez meio vestido as presas, com sua arma na mão.
-Suarez! – Hermione sentiu alívio correr por suas veias – Leve Harry daqui. Pelo amor de Deus, tire-o daqui!
-Tire-o daqui ou o mato! – Rony gritou.
Culpado, Harry não respondeu e se deixou levar.
Gina correu até a varanda observando Harry subir no cavalo a qual pegara de seu pai na presa de segui-la. Gina achara aquele maldito diário ao acordar, ao lado de sua cama, lera e então saíra da casa como um cometa atrás de explicações.
Perturbado, Harry subiu no cavalo, mas ignorou o empregado de Rony, seguindo sozinho em direção oposta da casa dos Wesleys. Seguia para a cidade.
Ele iria embora.
Melhor assim. Não suportaria um casamento sem amor. Culpa. Remorso. Eram os únicos sentimentos que Harry lhe tinha. Lágrimas correram em suas faces.
-ME SOLTE!
Dentro da casa Rony afastou-se brutalmente, não deixando Hermione se aproximar.
Furioso, marchou para o quarto atrás de suas roupas. Iria se vestir e ir atrás de Harry. Talvez o matasse. Talvez não.
Estava perdido.
Hermione sabia do perigo de bater de frente com um homem descontrolado, mas não temeu ao segui-lo. Dentro do quarto ela segurou-o quando ele tentou se afastar.
-Por favor, me escute – pediu, quase implorando.
-Cale a boca, não quero ouvir sua voz. – ele avisou, sentando-se na beira da cama.
Ficou vários minutos sentado fitando o vazio, pensando nos últimos acontecimentos e suas incoerências.
Quando Hermione o viu enterrar a cabeça entre as mãos desesperado se aproximou ajoelhada no chão, na altura de seu rosto.
-Eu descobri no dia que aconteceu. Gina arrumou um modo de ficar sozinha com Harry no lago. Aqui dentro de casa, não conseguiria. Juanita não compactua com essas coisas. Nem eu. Contou-me do modo como o tentou. Tente entender Rony, seu amigo está apaixonado e não soube controlar o próprio sentimento. – sua voz era suave, como o conto de uma flauta mansa querendo acalmar uma fera – Gina nem percebeu a loucura que cometeu. Harry... Ficou arrasado de culpa. Eu o fiz prometer que não contaria. Que se casariam e ele assumiria a responsabilidade pelos atos impetuosos. Foi esse o grande segredo que tínhamos; nada além. Nunca houve nada entre nós. Eu... Talvez tenha sido apenas isso, imaginação e fantasias, e Harry tem vergonha de assumir. Não pode culpar um homem por sonhar, pode? – achou melhor ir pelo caminho mais fácil. – É a única família que Harry possui- mesmo nela havia tristeza ao dizer isso.
Rony ergueu os olhos, haviam lágrimas de raiva e dor nas pupilas azuis.
-Como acha que me sinto? É um irmão a quem esmurrei! – disse entre dentes, a voz presa pela emoção.
-Sim, e todos os irmãos brigam – ela amenizou – Não é porque nunca aconteceu antes que é o fim do mundo. Rony pense. Não faz sentido! - tentou sorrir, tudo para acalmá-lo – Não quero nem o marido que tenho quanto mais um amante! Se desejasse outro, porque ainda estaria aqui? Harry é rico, simplesmente pagaria a hipoteca e teria a fazenda e a liberdade. Não é assim? Que sentido faz ter um amante desse modo?
-Harry traiu minha confiança. – era seu último apelo de ódio falando.
-Sim, e você traiu a dele ao sequer lhe dar uma chance de se explicar – revidou.
-Agora eu sou o culpado? – revoltou-se.
-Alcoviteiro, jogou sua irmã nos braços de Harry! – lembrou-o – como pode exigir que Harry tenha autocontrole quando você não o tem?
-Fantasias... São apenas fantasias? - ele ergueu uma das mãos e tocou seu rosto, deixando-a um tanto assustada sobre ser um carinho ou uma ameaça.
-Divagações tolas. Todos as temos. Harry apenas foi tolo de colocá-las no papel.
-Isso não muda o fato de minha irmã estar desonrada – ele enrijeceu o maxilar, o orgulho virado em nada.
-Ora homem, não seja tolo! Gina terminaria sua vida casada com um homem xucro, apanhando e sendo infeliz ao lado de algum beberrão pobre e malcriado! Trouxe para ela um bom partido, que a tratará como uma rainha. O que importa se já consumaram o casamento? Ninguém precisa saber!
-Tão simples? - ele ironizou.
-Casamos para ter uma fazenda hipotecada, e segundo você isso também fazia sentido – atirou de volta, no mesmo tom.
-Harry sempre foi como um irmão – ele disse em tom arrependido, limpando o sangue da boca com culpa.
-Um irmão que há essas horas está indo para cidade, sem escolta, exibir seus sapatos caros, seu relógio de ouro pendurado no colete e sua linhagem real, em algum bar, enchendo a cara e se expondo a ser morto por algum infeliz que esteja de passagem. – lembrou-o. – Harry será roubado e morto antes que tenha tempo de pedir desculpas por ter quebrado seu nariz!
-Quebrei seus óculos, não o nariz – se defendeu.
-Então se lembre disso da próxima vez em que perder o controle – disse amarga. – Vai atrás dele?
-Vou – decidiu, apesar da contrariedade. – Ele vai se casar com Gina ainda essa semana!
-Que assim seja. E se ela não aceitar, então, a culpa será dela. Que vire meretriz ou freira. Terá feito sua parte de irmão.
-Acha que cumpri minhas obrigações? – ele perguntou com um tom doloroso de culpa na voz.
-Fez mais por Ginerva do que ela merece – lembrou-o, apressada em separar suas roupas.
Rony se vestiu rapidamente, parando surpreso quando ela surgiu no quarto com uma toalha molhada. Hermione limpou o sangue em seu rosto e o corte em sua boca.
-Quando voltar eu farei um curativo. – disse envergonhada pelo excesso de zelo.
-Porque convenceu Harry a não me contar? – ele perguntou, barrando sua passagem – Porque mentiu para mim?
-Era uma coisa que não queria saber. – ela confessou - Quis evitar que dois amigos brigassem sem razão. Harry é um bom homem e vai fazer Gina feliz. Eles se apressaram, é verdade. Mas não é por isso que quatro pessoas precisam ter suas vidas destruídas! Se você matasse Harry, perderíamos a vida de um homem honesto, perderia a sua vida, pois seria preso. Gina perderia sua honra diante da sociedade a acabaria casada com um homem horrível, ou então, num convento, desperdiçando sua mocidade. E eu... Perderia a fazenda – não quis dizer que perderia o marido. Soaria muito romântico.
-Tem razão – ele disse seco – Preciso ir.
-Sim, precisa.
Hermione sentiu vontade de lhe contar que ontem a noite iria pedir para que dormisse com ela no quarto, como um casal, que esse convite se estendia a toda a intimidade que ele desejasse. Mas não disse nada, apenas o deixou ir.
Abalada pelas últimas emoções ela andou a passos lentos para a sala. Gina estava sentada no sofá, em estado de choque, ou algo assim.
Fechando os olhos, Hermione pediu ajuda aos céus para dar conta de tantos problemas.
Beta: E o negócio começa a esquentar de novo, vocês mal perdem por esperar o que está por vir!