- JULIET ANNE JONES!
Revirei os olhos enquanto dedilhava o violão. Estava sentada no chão do Salão Comunal, e o grito discreto de Rose chamou a atenção de todos lá. Alguns riram, outros olharam para mim assustados. A maioria naquele salão jamais se atreveria a encarar a ira Weasley, mas eu não sou a maioria. Ainda mais por causa de uma calça jeans.
- Já vou, Rose, já vou. - Resmunguei, me levantando. Dei um chutinho sem querer num garoto atrás de mim, ele me olhou, erguendo a sombrancelha.
- Oh, desculpe James. - Falei, tocando seu ombro. Algumas garotas na sala fecharam a cara. Pelo amor de Deus, eu não posso encostar em nenhum cara?
Ele riu, balançando a cabeça.
- Nah, não foi nada, Juliet.
As garotas ainda me encaravam, mesmo eu já estando ereta, pronta para subir as escadas.
- Olha, me desculpem - Comecei, irritada, olhando para elas. -, mas qual é o problema de vocês? Eu não posso nem encostar em James Potter que vocês já fecham a cara. Centenas de garotas fazem isso todos os dias - sem ofença, James -, e vocês só fecham a cara para mim. Eu não sou pior nem melhor do que ninguém então cresçam e se vocês pensam que eu vou parar de fazer o que eu faço só porque vocês acham ruim, desculpa, mas cara feia pra mim é fome. Ou falta de homem.
As garotas que me encaravam abriram a boca, exasperadas. Outras riram alto, alguns garotos assoviaram e James deu uma cotovelada de aprovação na minha canela.
Eu subi as escadas para o dormitório feminino do sexto ano correndo, o violão batendo levemente contra a minha perna.
Quando entrei no quarto, Rose estava sentada na penteadeira, parecendo tranquila. Ergui as sombrancelhas.
- Eu ouvi o seu discurso. - Ela comentou, feliz. - Muito bom, July!
Eu ri, pensando o quanto Rose era volúvel.
- Obrigada, Weasley. - Larguei o violão sobre a cama. - Mas e ai? Por que aquele escândalo?
Rose se virou para mim, os olhos cerrados.
- Suas roupas.
Lá vamos nós de novo.
- Rosie, bonitinha, tudo bem, eu mudo de calça, satisfeita? - Eu não estava para discussões.
Ela sorriu, satisfeita, enquanto se levantava e abria seu armário. Rose não era o que eu chamava de vaidosa ou obcecada por aparência. Mas éramos, garotas, não? Gostamos de roupas, gostamos de nos sentirmos bonitas. E sim, tínhamos uma grande obcessão por calças jeans.
Ela atirou para mim uma calça jeans preta, do jeito que eu gostava: Skinny sequinha.
- Quando você comprou isso? - Ergui a calça na altura dos olhos, subindo uma sombrancelha.
- Eu não uso só roupas bruxas, certo? Eu e minha mãe fomos as compras um pouco depois do Natal, e eu meio que esqueci completamente de te entregar essa calça.
- É minha? - Perguntei.
Rose riu pelo nariz.
- Claro, Jones! Eu comprei para você. Não! - Ela gritou, vendo que eu estava prestes a negar. - É sua, não quero nem saber.
Eu não gostava de receber presentes. Na verdade, eu nunca ganhei um presente dos meus pais (que por acaso eu mal vejo. Eles viajam pelo mundo e nem uma carta me mandam), e não sentia falta. Deve ser por isso que eu não consigo ganhar nada de ninguém.
- Vou comprar algum livro para você hoje, tá bom? Nah! Sem discussão.
Rose sorriu para mim, com as mãos na cintura, e eu sorri de volta. Não conseguíamos discutir em hipótese alguma.
- Vamos, Weasley! Os garotos estão esperando! - Berrei, do primeiro degrau da escada. O Salão Comunal já estava vazio, apenas com as crianças do primeiro e do segundo ano. Scorpius me avisara que ele e Albus nos esperariam na saída da escola.
- Já vou, já vou! - Rose gritou de volta, e eu ouvi o barulho do atrito de seus pés contra os degraus da escada. Logo ela estava parada ao meu lado, vestindo uma calça jeans clara e reta, com uma blusinha sem mangas branca. Simples, mas Rose.
Eu também não estava muito diferente. Usava aquela calça justa e escura que Rose fizera questão em me dar e uma blusa mais compridinha azul, com desenhos de cogumelos (Cogumelos!), e um sapatênis de uma marca trouxa, Vans.
- Demorou, hein. - Impliquei, e Rose me mandou aquele olhar Weasley que metia medo em todo mundo. Menos em mim.
Nós fomos caminhando até a saída da escola trocando alfinetadas - Éramos assim, nos amamos, mas adorávamos implicar uma com a outra.
Encontramos Albus e Scorpius parados na saída colégio, próximos as filas de alunos que se preparavam para a última visita a Hogmeade antes das férias. Eles estavam com os braços cruzados e batiam pé, impacientes.
Eu dei uma risadinha, próxima o bastante para que os dois garotos me olhassem curiosos.
- Nada! - Falei, tilintando. Tilintar?
- Você parece feliz... - Scorpius comentou, quando eu e Rose emparelhamos com os dois e eles apertaram o passo, indo em direção ao amontoado de alunos próximos.
Rose segurou o riso, me lançando um olhar irônico. Eu devolvi com uma careta infantil.
- Por que eu não estaria? Está um dia lindo. - E realmente estava, o céu estava azul, completamente sem nuvens, e o sol fazia um calor agradável. - Né, Al? - Eu olhei para ele, sorrindo.
Albus ergueu uma sombrancelha, como se falasse eu hein.
- Ooooolha, Potter, é um avanço! - Scorpius praticamente gritou, fazendo gestos exagerados com as mãos. - Ela está falando sobre o clima. - Rose jogou a cabeça para trás, rindo alto. Albus sorriu divertido e eu me lancei num tapa contra o ombro de Scorpius.
Nós quatro caminhamos até Hogsmeade falando sobre nada. De vez em quando eu ou Scorp lançávamos piadinhas de mal gosto, mas que serviam para descontrair. Em um determinado pedaço do curto caminho até o vilarejo, Albus se aproximou de mim e passou o braço pelo meu ombro.
Eu não me afetei, como de manhã. Eu só sorri, soltando um pouco do meu peso em cima dele. Vi, pela visão periférica, Rose balançar a cabeça, rindo.
Vi também um grupo de garotos do terceiro ano, andando próximos. Eu podia sentir a aura de diversão de Scorpius, louco para colocar o pé na frente e fazer um deles cair. Eu observei os meninos discretamente, com o pressentimento de que eles estavam a procura de alguma coisa. Dois desses garotos me lançaram um olhar e se assustaram quando notaram que eu os observava. Foi no mínimo divertido ver um deles empurrar o que parecia ser o mais velho dos garotos, em cima de mim. Ele esbarrou em mim e eu o segurei antes que caísse de bunda no chão. O rosto do menino estava completamente vermelho.
Eu sorri para ele, meio irônica. Ele tropeçou para longe de mim, como se eu fosse uma estátua que ganhou vida. Rose gargalhou.
Passei o resto do caminho até o Três Vassouras com cara de idiota, imaginando o que aquele grupo de terceiro anistas queria comigo.
- Eles provavelmente acharam que você era a oitava maravilha do mundo, mas levaram um susto quando olharam de perto. - Scorpius comentou casualmente, enquanto nos sentávamos numa mesa próxima a uma janela, no Três Vassouras.
Eu ri quando Rose o chutou por baixo da mesa, logo depois se inclinando sobre a mesa, em minha direção.
- July, você já se olhou no espelho? Ou prestou atenção nas conversas de corredor?
Eu revirei os olhos.
- O que eu quero com as conversas de corredor, Weasley?
Rose voltou se sentou decentemente na cadeira, cruzando as mãos em cima da mesa.
- Você não é assunto naquele colégio por causa do seu rolo com Albus, ou por causa da Automatic Loveletter, Jones. - Ela explicou, e eu apoiei meu rosto na mão esquerda, entediada. - Você é bonita, Juliet, e até as crianças do terceiro ano sabem disso. Por que você acha que aquelas garotas ficam te olhando torto? Porque elas tem inveja! - Eu franzi a testa, debochando. - Não faça essa cara, você sabe muito bem. Você é uma das melhores artilheiras de Hogwarts, tem amigos perfeitos - Eu tive que rir, sendo seguida por Albus e Scorpius. -, tem o seu casinho com o Potter - Ela sublinhou o sobrenome de Albus, como se isso fosse realmente importante. Ele revirou os olhos. -, está numa banda, tem uma puta voz e sem contar a popularidade. É óbvio que aqueles garotos iam esbarrar em você de propósito, e é claro que aquelas garotas iam achar ruim você tocar em James Potter.
- Ei! O que meu irmão tem haver com isso? - Albus perguntou.
Eu ri e contei para o ocorrido no Salão Comunal. Ao final, ele parecia levemente convencido.
- Finalmente você tomou alguma atitude - Albus falou, rindo. - Também fico feliz pelo fato de você não querer nada com James.
No momento em que eu ia responder com alguma ironia, a porta do Três Vassouras se abriu com um tilintar, e por ela passou uma figura que fez o ambiente cair num silêncio chocado.
Harry Potter fez um aceno para Madame Rosmerta, a senhora dona do bar, e olhou em nossa direção. Como se apertassem um interruptor, no momento em que o Sr. Potter deu seu primeiro passo, a cacofonia se instalou.
- Oi, pai. - Albus cumprimentou, quando o Sr. Potter puxou uma cadeira, bagunçando os cabelos do filho, e se juntou a nós, sorrindo.
- Bom ver vocês, garotos... - Ele falou, parecendo cansado. Harry Potter era um homem que beirava os 50 anos, mas em ótima forma - Ao contrário do meu pai. Se bem que faziam mais de cinco anos que eu não o via. Enfim. A semelhança de Albus com o pai era assustadora; exatamente o mesmo cabelo preto e espetado, os mesmos olhos verdes.
- Aconteceu alguma coisa, tio? - Rose perguntou, depois que o Sr. Potter apertou a mão de Scorpius e tocou o meu ombro.
Ele suspirou, cansado.
- Na verdade, sim, aconteceu. - Suas mãos se fecharam sobre a mesa. - Tive que conduzir os aurores para controlar aqueles malucos seguidores das Artes das Trevas. - Sr. Potter revirou os olhos, como se debochasse do próprio esforço. - Sinceramente, foi fácil. - Eu ri, exultante. Albus sorriu para o pai e pegou minha mão, que repousava em cima da mesa.
Harry Potter olhou para a mão do filho na minha e sorriu.
- Então, Juliet, vai passar as férias conosco? - Sr. Potter foi direto, e Albus começou a brincar com meus dedos, quase esperançoso.
Eu suspirei.
- Veja bem, Sr. Potter... - Comecei, olhando nos olhos dele. - Acho que sim. Não quero ficar sozinha em casa. De novo. E como a Sra. Potter me disse no último Natal que não se importaria se eu passasse as férias lá... Então a resposta é sim. Eu só... Só não quero incomodar.
- E você não vai. Você é muito bem-vinda lá em casa, Juliet. E Albus fica muito menos reclamão quando você está por perto. - Sr. Potter falou, e antes que o filho pudesse rebater, ele se levantou. - Bom, eu tenho que ir. Esquadrões para organizar. - Ele revirou os olhos mais uma vez e se despediu de nós.
Quando ele botou o pé para a rua, eu encarei Albus. Ele parecia meio corado, e Scorpius tinha um sorriso sacana estampado no rosto.
Eu me espreguicei lentamente, minha mão largando a de Albus. Me inclinei para ele, pousando meu rosto no seu ombro.
- Quer dizer que você reclama menos quando eu estou por perto... - Eu puxei minha cadeira para perto da dele, e me abracei ao seu pescoço.
Albus pareceu levemente extasiado.
Antes que eu pudesse me dar conta, eu tinha me agarrado a Albus, nós dois nos viramos de lado, de frente para o outro, abraçados. Eu enterrei meu rosto em seu peito, e ele passou os braços pelas minhas costas. Ouvi o som de duas cadeiras se arrastando e ouvi as vozes de Scorp e Rose se afastando. Suspirei. Eles tinham as saídas estratégicas nas horas mais convenientes.
Uma das mãos de Albus subiu para o meu cabelo, me fazendo um cafuné. Eu ri, erguendo a cabeça, e enterrando as minhas mãos nos cabelos dele.
Muitas pessoas - garotas - já me perguntaram por que nós não assumíamos de vez. Eu não sabia responder. Talvez eu fosse uma daquelas garotas que tem medo de relacionamentos sérios, mas Albus nunca chegou a comentar nada do tipo comigo. Nós éramos amigos desde o primeiro ano, e depois do quinto, começamos a nos envolver de outra maneira. Com beijos ocasionais.
Mas esse ano... Esse ano nós começamos a nos tratar mesmo como namorados. Andávamos abraçados, de mãos dadas.
- Ei, Juliet, Albus! - Rose gritou da entrada, Scorpius ao seu lado. - Vamos?
Eu sorri para ela.
- Vamos!
Nós saímos para as ruas cheias, e eu comprei um livro que eu nem consigo pronunciar o nome para Rose. Ela quis voltar no segundo seguinte para o castelo, para poder começar a ler o mais cedo possível. Eu, Albus e Scorpius demos algumas reviradas de olhos mas cedemos.
Quando chegamos, Rose subiu correndo para o dormitório e os garotos avisaram que ficariam pelo Salão Comunal. Eu beijei Albus e subi as escadas atrás de Rose. Ela já estava jogada em sua cama, o nariz enfiado no livro. Eu ri, balançando a cabeça.
Quando fui me deitar, notei que havia um envelope em cima da minha cama. Enruguei a testa, estranhando.
Não tinha remetente, só um Para J. A. Jones em um dos lados.
A carta não estava lacrada, então eu só puxei o papel. Não era uma carta grande.
"Eu sei quem eles são.
Eu sei o que eles fizeram.
Eu sei por que eles fogem.
Você não é bem-vinda, você é uma intrusa.
Nós a queremos longe daqui.
Aguarde, mas não relaxe."
Eu ofeguei enquanto as lágrimas rolavam pelo meu rosto.
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N/A: Bom, dessa vez foi rápido! JSOIANSIOAJSOASJOAISJ Terminei o capítulo e pá! Já postei :) Quero comentários, gente, por favor KKK Até o próximo post!
Ana Rivera.