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4. Capítulo 4


Fic: Fora da Lei


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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A noite estava clara com a meia lua e estrelas brilhantes. Harry cavalgava distraído, discutindo consigo mesmo. Era uma estupidez estar ali quando podia estar naquele momento se acarinhando com Cho, exceto que Cho não fazia carinhos, o que ela mais fazia era devorar. O sexo com ela era quente, apaixonado e direto. No final das contas, negocio era negocio.


Pelo menos com ela sabia o que o esperava. Usava os homens, mas Harry não se importava com isso. Cho não esperaria caixas de bombons, nem o convidaria a tomar chá aos domingos.


Gina Weasley era muito diferente. Uma mulher assim queria um homem que se vestisse bem para cortejá-la. E provavelmente flores. Pôs seu cavalo pra correr. Primeiro teria que lustrar as botas, antes de poder sentar-se a conversar coisas sem importância. Com ela o sexo seria... xingou-se. Não se acostumaria a uma mulher assim. Nem sequer pensava nele, e se pensasse...   


A ele não interessava.


Então que diabo estava fazendo indo a sua casa no meio da noite?


-Estúpido, murmurou.


Acima de sua cabeça um falcão noturno voou baixo para pegar sua presa sem fazer nenhum ruído. A vida era sobrevivência e sobrevivência implicava em ser duro. Harry compreendia isso e aceitava. Mas Gina... balançou a cabeça. Para ela a sobrevivência consistia em verificar se suas fitas combinavam com o vestido.


O melhor que faria era voltar à cidade. Mas não fez isso.


Pelo que sabia, os maiores erros que homens cometiam sempre estavam relacionados com três coisas: dinheiro, whisky e mulheres. Nenhuma das três era importante o bastante para ele  ter que  lutar por eles, e não tinha a intenção de mudar isso.


Se bem que não havia dúvidas de que aquela mulher era diferente. E isso era o que mais lhe preocupava. Sempre tinha tido um bom olho para pessoas e essa qualidade lhe tinha ajudado a sobreviver. Não conhecia Gina, não sabia o que o fazia sentir o desejo de protegê-la. Talvez estivesse se tornando mole com os anos, mas não acreditava nisso.


Não podia evitar sentir algo por ela, que havia viajado sozinha de tão longe, só para saber que seu pai tinha morrido. Tinha que admirar também a teimosia que a fazia ficar na mina velha. Era uma estupidez, mas a admirava por isto.


Encolheu os ombros e seguiu cavalgando. De qualquer forma estava perto da casa, e podia dar uma olhada para assegurar-se que não tinha atirado no próprio pé com o rifle do seu pai.


Ouviu o fogo antes de vê-lo, levantou a cabeça, como um lobo que pressente o inimigo. Seu cavalo se debateu e mostrou o branco dos olhos. Quando Harry viu a primeira chama, pôs o cavalo a galope.


Que aquela mulher estúpida tinha feito agora?


Em sua vida, tinha tido algumas ocasiões onde sentira o verdadeiro medo e não havia gostado do sabor. Então ele sentiu, enquanto em sua mente surgia a imagem de Gina presa dentro da cabana em chamas.


Outra imagem voltou a sua cabeça, uma velha imagem, de fogo, choro e tiros. Então, também tinha conhecido o medo. O medo, o ódio e uma angústia que tinha jurado não sentir nunca mais.


Suspirou aliviado ao ver que era o estábulo que queimava e não a casa. Viu dois cavaleiros que se escondiam nas rochas e freou seu cavalo. Sacou o revolver e continuou seguindo. Então viu Gina estendida no chão, saltou da sela e correu até ela. Estava pálida como a lua e cheirava a fumaça. Ao chegar a seu lado um cachorrinho marrom começou a grunhir. Harry colocou-o de lado.


-Se pensava em cuidar da casa, chegou muito tarde.


Colocou a mão no peito da moça e sorriu ao sentir as batidas. Ergueu-lhe a cabeça com gentileza, e então sentiu o sangue quente em seus dedos. Olhou de novo para as rochas, com olhos ameaçadores. Segurou-a com cuidado e a levou para dentro de casa.


O único lugar que podia deitá-la era o colchão. O cachorro começou a ganir e a saltar no pé da escada quando Harry começou a subir. O homem o fez ficar quieto e se preparou para colocar uma atadura na ferida.


Gina com dores e enjoada, sentiu algo frio na cabeça. Por um momento acreditou que fosse irmã Angelica, a freira que cuidava dela no colégio, quando tinha febre. Mesmo estando toda dolorida, era um alívio estar ali, a salvo em sua cama, sabendo que alguém estava cuidando dela. A irmã cantava para ela e segurava sua mão quando ela pedia.


Gina gemeu e buscou a mão da irmã Angélica. A mão que segurou a sua era tão dura quanto o ferro. Confusa pensou que seu pai tinha ido buscá-la e abriu olhos.


A princípio tudo lhe pareceu muito vago, como se olhasse a cena através da água. Lentamente conseguiu focar os olhos num rosto. Recordava as feições de linhas duras e a pele bronzeada, um rosto sem lei. Havia sonhado com ele. Levantou uma mão para tocá-lo, era duro e morno. Uns olhos verdes a observavam. Sim, havia sonhado com ele.


-Não, não me beije – sussurrou.


O rosto sorriu


-Acho que eu posso me controlar. Beba isto.


Levou a xícara aos lábios dela, que bebeu com vontade. O whisky a esquentou por dentro.


-É horrível, não quero.


-Trará um pouco de cor às suas faces – disse ele, mas deixou a xícara de lado.


-Eu só quero...


Mas o whisky reanimou Gina, e Harry teve que segurá-la para que ela não saltasse da cama.


-Espere, se levantar agora, vai cair de cara no chão.


-Fogo – tossiu ela. Se agarrou a ele e deixou a cabeça cair em seu peito. – Está pegando fogo.


-Eu sei - uma onda de prazer e alívio o invadiu e ele lhe acariciou o cabelo. Ela tinha a face encostada em seu coração. – Está quase acabado.


-Pode espalhar. Tenho  que detê-lo.


-Não vai espalhar - acariciou as costas dela com gentileza – Não há nada para alimentá-lo e não há vento. O estábulo se perdeu e foi tudo.


-Consegui tirar os cavalos – murmurou ela.


A cabeça dava voltas, mas a voz dela e as carícias a tranqüilizavam. Fechou os olhos.


-Não sabia se poderia tirá-los de lá.


-Mas você fez muito bem - queria dizer mais coisas, mas não sabia como; passou-lhe um pano úmido pelo rosto – É melhor que descanse agora.


-Não vá embora .- a moça segurou a mão dele e levou-a às faces- Por favor não vá embora.


-Não irei a parte alguma - tirou-lhe o cabelo do rosto. – Durma.


Precisava se afastar dela. Se ela voltasse novamente os olhos para ele, se voltasse a tocá-lo, estaria perdido.


-O cachorro estava latindo. Achei que ele queria ir para fora, e...- voltou a si abruptamente – Sr Potter! Que faz aqui? – olhando ao redor do mezanino – Não estou vestida.


O homem deixou o pano cair no recipiente com água.


-Foi difícil não notar isso – pegou a manta e a cobriu com ela. – Está melhor assim?- perguntou.


-Sr Potter – disse ela envergonhada – Eu não entretenho cavalheiros no meu quarto.


Harry pegou a xícara de whisky e tomou um gole. Agora que ela tinha voltado ao normal, compreendeu o quanto ela estava assustada.


-Não há muito divertimento em tratar de um ferimento.


Gina se apoiou nos cotovelos e o quarto deu voltas. Deu um gemido e colocou a mão na parte de traz da cabeça.


-Acho que me bateram na cabeça.


-Também acho – pensou nos cavaleiros, mas não disse nada.- Como eu a socorri e a trouxe até aqui, acho que tenho o direito de saber o que aconteceu.


-Eu mesma não sei - suspirou e se recostou no travesseiro que havia comprado aquela mesma manhã. – Eu ia me deitar quando o cachorro começou a latir. Ele queria sair, assim que desci vi o fogo. Não sei como começou, era dia ainda quando eu alimentei os cavalos, assim não levei o lampião para o estábulo, nem nada que pudesse provocar fogo.


Harry tinha suas próprias idéias a respeito, mas não disse nada. Gina levou a mão à cabeça e fechou os olhos.


-Corri para desamarrar os cavalos. O estábulo queimava muito depressa. Nunca tinha visto nada igual. O teto começou a ceder e os cavalos estavam aterrorizados. Não conseguiam sair. Li em algum lugar que os cavalos se assustam tanto com o fogo que ficam paralisados e podem queimar vivos. Não ia permitir que isso acontecesse.


-Por isso entrou para livrá-los.


-Estavam gritando – franziu o cenho ao recordar-se. Pareciam mulheres gritando. Era horrível.


-Sim, eu sei – recordou outro estábulo, outro fogo no qual os cavalos não tiveram tanta sorte.


-Lembro que cai quando saí pela última vez. Acho que a fumaça que sufocava. Comecei a levantar. Não sabia o que fazer. Então senti um golpe. Talvez um dos cavalos, ou talvez eu voltei a cair. – Abriu os olhos e olhou para ele. Estava sentado na cama, com os cabelos despenteados e os olhos escuros e intensos - E logo você estava aqui. Porque está aqui?


-Passava pela estrada e vi o fogo – olhou para o whisky no copo – Também vi alguns cavaleiros se afastando.


-Afastando-se? – Gina ficou indignada – Quer dizer que alguém passou por aqui e não tentou me ajudar?


Harry a olhou por um tempo. Parecia muito frágil, como uma louça frágil guardada numa cristaleira na sala. Mas frágil ou não, tinha que saber o que enfrentava. – Acho que não vieram ajudar.


Ficou olhando para ela até que percebeu que ela entendeu o que ele queria dizer. Em seus olhos ele viu um brilho de medo. Aquilo era o que ele esperava. O que ele não esperava, mas não deixou de admirar foi a paixão que acompanhava o medo.


-Vieram aqui para queimar meu estábulo. Por quê?


Havia esquecido que vestia apenas uma camisola, que era mais de meia noite e estava sozinha com um homem. Ficou sentada, com as cobertas na cintura. Seus seios pequenos subiam e desciam com sua respiração. A raiva tinha devolvido a cor às faces e o brilho aos olhos dela.


Harry terminou o whisky, fazendo um esforço para afastar a imagem dela da mente.


-Parece lógico supor que queriam lhe causar problemas, talvez fazer com que fosse embora.


-Isso não faz sentido. Ninguém se importa com uma casa de adobe e um estábulo velho.


Harry colocou o copo no chão.


-Você se esqueceu da mina. Algumas pessoas são capazes de fazer coisas muito piores que incendiar algo, por causa de ouro.


Gina emitiu um gemido de desgosto.


-Ouro? Acha que meu pai viveria assim se houvesse alguma quantidade significativa de ouro?


-Se você acredita  que não há ouro, porque permanece aqui?


Gina olhou para ele.


-Não espero que entenda. É a única coisa que tenho. A única coisa que ficou do meu pai, foi este lugar e um relógio de ouro. – pegou o relógio da mesinha ao lado da cama e apertou em sua mão. – Eu tenho a intenção de conservar o que é meu. Se alguém estiver brincando comigo...


Harry a interrompeu.


-Não creio que tenha sido brincadeira. É mais provável que alguém ache que esse lugar vale mais do que você disse. Tentar queimar cavalos vivos e bater em  mulheres não é o que se pode chamar de brincadeira. Nem aqui.


Gina levou a mão novamente à ferida na cabeça. Ele estava dizendo que alguém a havia golpeado e provavelmente tinha razão.


-Ninguém vai me tirar daqui. Amanhã vou relatar o incidente ao xerife e encontrarei um modo de proteger minha propriedade.


-E como seria isso?


-Não sei – apertou o relógio com força - Mas encontrarei um jeito.


Harry pensou que talvez fosse assim, e talvez como não gostava de gente que ateava fogo às coisas, ele lhe ajudaria.


-É provável que alguém se ofereça para comprar sua propriedade – murmurou.


-Não vou vender. E não vou sair correndo. Se voltar à Filadélfia será porque eu decidi que quero fazer isso, não porque me obrigaram.


Aquela era uma atitude que ele respeitava.


-Certo. Acho que amanhã terá muito trabalho, então será melhor dormir.


Dormir? Como poderia dormir? E se voltassem?


-Se não se importa, dormirei lá fora.


Gina olhou-o bem nos olhos. Ele cuidaria dela, só teria que pedir-lhe. Mas não podia fazer isso.


-Bem se quiser ficar, será bem vindo, sr. Potter – puxou a manta até os ombros – Estou novamente em dívida com você. Você está sempre me ajudando.


-Isso não é nada. – começou a se erguer, mas mudou de idéia – Tenho que lhe perguntar uma coisa.


A jovem sorriu.


-Sim?


-Por que me pediu para não beijá-la?


Gina apertou a manta com força.


-Como disse?


-Quando voltou a si, me olhou e disse para não beijá-la.


A jovem sentiu que corava, mas lutou para manter a dignidade.


-Acho que eu não estava no meu juízo perfeito.


Harry pensou por um momento e sorriu, estendeu a mão para tocar seu cabelo.


-Um homem poderia entender isso de várias maneiras.


A jovem deu um suspiro. A luz iluminava-lhe o rosto, dando um aspecto misterioso e excitante.


-Sr. Potter, eu garanto...


-Me deixe pensar – chegou mais perto dela, tanto que a jovem sentiu sua respiração, sobre os lábios – Talvez estivesse sonhando com meus beijos.


-Lógico que não!!!


Mas sua negativa não foi nada firme e os dois perceberam.


-Tenho que pensar nisso também.


O problema era que tinha pensado muito naquilo. A aparência dela, com seu cabelo solto pelos ombros e os olhos escuros, um pouco assustados, tirava dele toda a vontade de pensar. Sabia que se tocasse nela, cairia na cama com ela e tomaria tudo que desejava.


Gina pensou que ele ia beijá-la. Teria que chegar só um pouco mais perto e seus lábios cobririam os dela. Poderia tomá-la em seus braços, naquele momento e não haveria nada que ela pudesse fazer. Talvez não quisesse fazer nada a respeito.


Mas ele se levantou. Pela primeira vez ela se deu conta que ele tinha que se abaixar para não bater a cabeça no teto. Seu corpo se colocou  na frente da luz. O coração dela batia com tanta força que ela achava que ele estava ouvindo. Mas não consegui decidir se era de medo ou excitação. Ele se inclinou e apagou a vela.


E na escuridão, desceu e se perdeu na noite.


Gina se encolheu debaixo da manta. Não sabia o que sentia, tinha certeza que não conseguiria dormir. Mas dormiu assim que terminou de pensar.


Quando Gina despertou, a cabeça doía. Gemeu e sentou-se na borda da cama. Apoiou a cabeça nas mãos. Gostaria de pensar que tudo tinha sido um pesadelo, mas a dor que sentia na base do crânio, lhe dizia que era tudo verdade.


Começou a vestir-se cuidadosamente. O melhor que podia fazer no momento era avaliar os prejuízos e torcer para que os cavalos voltassem. Não tinha dinheiro para comprar outros dois.


A luz do sol a fez cambalear. Se apoiou contra a porta para reunir forças antes de sair.


O estábulo havia desaparecido, em sue lugar havia um monte de madeira enegrecida e queimada.


Decidida, Gina foi até lá. Podia ainda sentir a fumaça. Se fechasse os olhos podia ainda ouvir o ruído das chamas comendo a madeira seca. E o calor. Nunca se esqueceria do calor intenso.


Mesmo que o estábulo não valesse muita coisa, era seu. Numa sociedade civilizada, um vândalo teria que ser punido por destruir propriedade alheia, e ela se asseguraria que a justiça fosse feita. Mas, no momento, estava sozinha.


Sozinha. Ficou parada escutando. Nunca havia ouvido tanto silêncio. O único ruído que escutou foi a respiração do cachorro, que estava sentado a seus pés.


Os cavalos haviam sumido, e pelo visto Harry também. Decidiu que era melhor assim, já que se recordava muito bem do que sentira quando ele tocara seu cabelo, sentado na sua cama. Era uma estúpida. Era terrível admitir, mas se sentia estúpida e fraca, e o pior de tudo é que queria se entregar.


Não tinha vergonha disso, mas se considerava mais preparada, para que voltasse a ocorrer. Um homem como Harry Potter não era alguém com quem uma mulher pudesse se envolver sem risco. Ela realmente não tinha muita experiência com homens, mas reconhecia um homem perigoso quando via um.


Não duvidava que havia muitas mulheres atraídas por ele. Um homem que matava sem arrependimentos, que ia e vinha de acordo com sua vontade. Mas ela não. Quando resolvesse entregar seu coração seria para alguém que a compreendesse e respeitasse.


Suspirou e se agachou para acariciar o cachorro. Pensou que quando se casasse, seria com um homem digno e educado, um homem que a queria e protegeria, não com armas  e punhos, mas com sua honra. Se amariam muito e criariam uma família. Ele seria educado e forte e respeitado na sociedade.


Essas eram as qualidades que haviam ensinado a ela a buscar num marido. Gina acariciou a cabeça do cachorrinho e pensou pela primeira vez em sua vida que talvez o que haviam lhe ensinado não era necessariamente verdade.


Bem, e dai? Naquele momento tinha muito mais coisas que pensar do que em romance. Teria que reconstruir o estábulo, depois teria que buscar uma carroça e cavalos.


Tirou um pouco de madeira queimada dos sapatos. Estava a ponto de ceder a tentação de dar um pontapé, quando ouviu o som de cavalos se aproximando.


Entrou em pânico e ia começar a gritar pedindo ajuda. Logo pensou que Deus ajudava aqueles que se ajudavam, então correu para a casa, com o cachorro atrás.


Quando voltou a sair, os joelhos estavam tremendo, mas segurava o rifle de seu pai com as duas mãos.


Harry a observou, de pé no umbral da porta, com uma expressão de raiva e medo nos olhos, e compreendeu tristemente, que aquela era um tipo de mulher pela qual um homem estaria disposto a morrer.


Desmontou do cavalo.


-Agradeceria se apontasse a arma em outra direção.


A jovem suspirou aliviada.


-Sr. Potter, achei que tinha partido.


Baixou o rifle e se sentiu uma boba, mas não pela arma, e sim porque quando o viu, esqueceu todas as idéias sobre o que queria e não queria e teve que reprimir o desejo de atirar-se em seus braços.


-Encontrei os cavalos.


Harry ficou um tempo amarrando os cavalos, e então se voltou para ela.


-Não estavam muito longe.


Tirou-lhe o rifle e o apoiou contra a parede da casa.


-Agradeço-lhe muito.


Como estava nervosa se agachou para pegar o cão nos braços. Harry não tinha se afastando ainda e recordava muito bem a sensação do rosto dela contra a palma da sua mão.


-Não sei o que fazer com eles até a construção do novo estábulo. – olhou para ele – Já tomou café?


O homem colocou o chapéu para traz.


-Não.


-Se você conseguir arranjar um local para proteger os cavalos, ficarei encantada em preparar-lhe o café.


Harry ia fazer aquilo de qualquer jeito, mas se ela lhe oferecia algo em troca, estava mais do que disposto a aceitar.


-Você sabe cozinhar?


-Naturalmente. Cozinhar foi uma parte muito importante da minha educação.


-Trato feito, então.


Começou a se afastar e Gina ficou observando.


-Sr. Potter? Como prefere seus ovos?


-Quentes – respondeu sem se voltar.


Gina entrou em casa e começou a arrumar as panelas. Faria para ele o melhor café da manhã de sua vida. Respirou fundo e se esforçou para se concentrar. Pensou na receita de biscoitos que haviam lhe dado no dia anterior e pôs mãos a obra.


Trinta minutos mais tarde, Harry estava de pé no umbral da porta. O cheiro era maravilhoso. Havia esperado encontrar o prato cheio de ovos queimados e em vez disso, viu um prato cheio de biscoitos recém assados cobertos com um pano limpo. Gina se movia pela cozinha, cantando uma canção. E o cachorro se espalhava num dos cantos.


Harry nunca pensava em como seria ter uma casa, mas se tivesse pensado, seria algo parecido com aquilo. Uma mulher bem vestida que cantava na cozinha  e um cheiro apetitoso no ar. Um homem podia fazer quase qualquer coisa se soubesse que a mulher certa o aguardava.


-Bem a tempo – disse ela contente consigo mesma. - Tem água fresca na tina  pra você se lavar.Temo não poder oferecer muita coisa. Estou pensando em comprar algumas galinhas. Na escola nos ensinaram como criá-las. Ovos frescos são uma maravilha, não?


Harry levantou os olhos da tina e a observou. Suas faces estavam rosadas pelo esforço, e ela havia dobrado as mangas da blusa, e mostravam braços com a pele branca como leite. Sem dizer nada, sentou-se.


Gina não sabia quando ficava mais nervosa, se quando falava ou se quando ficava quieto olhando-a Voltou a tentar conversar.


-A senhora Cobb me deu a receita dos biscoitos. Espero que sejam tão bons como ela disse.


Harry pegou um e mordeu.


-Estão bons – disse.


-Por favor, sr. Potter, seus tão efusivos comprimentos vão me subir a cabeça – tirou uma porção de ovos da frigideira – Me apresentaram várias senhoras da cidade, pareceram muito amáveis.


-Não conheço muitas senhoras na cidade – ele comentou.


-Compreendo – pegou um biscoito e comprovou deliciada que estavam ótimos. – Hermione Granger é muito simpática. Teve a gentileza de me dar um cachorro.


Harry olhou para o cão.


-Foi assim que o conseguiu?


-Sim, queria ter companhia.


Harry partiu um pedaço de biscoito e deu para o cachorro.


-Ele é pequeno agora, mas crescerá bastante.


-Verdade? – A jovem se inclinou para olhar o cachorro. – Como sabe?


-Por suas patas. Ele anda meio esquisito porque são grandes para ele.


-Que ótimo ter um cachorro grande.


-Talvez isso não lhe sirva muito - situou ele, inclinando-se para acariciá-lo – Acho que tem um nome.


-Latiffe.


Harry parou com o garfo a meio caminho da boca.


-Que tipo de nome é esse para um cachorro?


-É o nome de um pirata que tinha a mesma marca preta ao redor do olho. Como um retalho.


-É um nome muito pomposo. Bandido seria melhor.


Gina ergueu as sobrancelhas.


-Eu nunca poria um nome assim.


-Mas um pirata é um bandido, não é?


-Pode ser, mas fica Latiffe.


Harry olhou o cachorro sem deixar de mastigar.


-Aposto que você  acha esse nome bobo, não é, amigo?


-Você quer mais café, sr. Potter?


Gina se levantou, frustrada, pegou o café do fogão. Sem esperar resposta, se colocou do lado de Harry e encheu sua xícara.


O homem pensou como ela cheirava bem. De um jeito suave e sutil, como um jardim de flores silvestres na primavera.


-A ensinaram muito bem. – murmurou.


-Como disse?, perguntou, olhando-o.


-Cozinha muito bem.


Colocou a mão sobre a dela, para evitar que o café se derramasse da xícara. Em seguida a deixou ali, sentindo a textura da pele e a rapidez de seu pulso. A jovem não se ruborizou, nem tirou a mão. Simplesmente olhou de volta para ele.


-Obrigada – disse – Fiquei feliz que gostou.


-Você se arrisca demais – comentou ele.


Quando se assegurou que ela entendia o que ele disse, tirou a mão devagar.


A jovem levantou o queixo e colocou o bule  no fogão. Como se atrevia ele a fazê-la sentir-se assim e depois deixá-la.


-Você não me assusta, senhor Potter. Se queria me machucar, já me machucou.


-Talvez sim, talvez, não. As mulheres como você esgotam os homens.


-As mulheres como eu? - perguntou ela desafiadora – E  como são as mulheres como eu?


-Suaves. Suaves e teimosas e sempre prontas a se jogarem nos braços de um homem.


-Está totalmente enganado. – respondeu ela, friamente - Não tenho nenhum interesse em jogar-me nos seus braços, e nem de homem nenhum. O meu único interesse no momento é proteger minha propriedade.


-Pode ser que eu esteja enganado. Podemos ver isso depois. Enquanto isso, o que pensa em fazer para proteger a propriedade.


A jovem começou a recolher os pratos.


-Logicamente, vou informar o xerife.


-Isso não a prejudicará, mas também não irá ajudar em nada, se voltar a ter problemas. O xerife está há dez milhas daqui.


-E o que você sugere?


Harry havia pensado naquilo e tinha a resposta pronta.


-Se eu fosse você contrataria alguém para ajudá-la aqui. Alguém que pudesse dar uma mão no trabalho e que saiba usar um revolver.


A jovem sentiu um brilho de interesse, mas o afastou para responder com calma.


-Você mesmo, suponho.


Harry sorriu – Não duquesa, não quero um trabalho assim. Estava pensando em Hagrid.


A jovem franziu o cenho e começou a esfregar a frigideira.


-Ele bebe.


-E quem não? Dê-lhe duas refeições e um lugar para dormir, e ele trabalhará bem. Uma mulher vivendo aqui sozinha, está pedindo problemas. Os homens que colocaram fogo no estábulo, podem fazer coisa muito pior que dar-lhe apenas uma dor de cabeça.


-Talvez tenha razão.


-Eu tenho. Alguém tão inocente como você, não tem senso comum para fazer outra coisa a não ser morrer aqui fora.


-Não precisa me insultar.


-È verdade, duquesa.


A jovem apertou os lábios.


-Eu disse que não...


-Vou lhe fazer uma pergunta – ele interrompeu – Que teria feito esta manhã se não fosse eu que lhe trouxesse os cavalos?


-Me defenderia.


-Já atirou com um rifle antes?


-Não, nunca, mas acho que não é complicado. Além do mais não tenho intenção de atirar.


-O que pensa fazer com ele? Dançar?


Gina pegou um prato.


-Sr. Potter, estou farta de vê-lo se divertir às minhas custas. Compreendo que para você não tem importância matar um homem, mas me ensinaram que matar é pecado.


-Você se engana - ele sussurrou – Sobreviver não é pecado. É a única coisa que importa.


-Se você pensa assim, tenho pena.


Harry não queria a compaixão dela. Mas queria que ela vivesse. Aproximou-se dela, tirou-lhe os pratos da mão.


-Se você ver uma serpente, a matará, ou vai ficar esperando que ela pique você?


-É completamente diferente.


-Se ficar aqui por algum tempo, não vai parecer tão diferente. Onde estão os cartuchos do rifle?


Gina olhou para a estante às suas costas. Harry pegou os cartuchos, examinou-os e depois a segurou pelo braço.


-Vamos, Vou lhe dar uma aula.


-Não terminei de lavar os pratos.


-Pode esperar.


-Não lhe pedi que me ensinasse nada. – disse ela seguindo-o.


-Se for segurar uma arma, tem que saber utilizá-la - pegou o rifle e sorriu. A menos que tenha medo de não aprender.


Gina desamarrou o avental e o deixou sobre a porta.


-Não tenho medo de nada.

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