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21. Estranha Aliança


Fic: O Mistério de Starta - por Livinha e Pamela Black - Último Capítulo no AR!


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Capítulo 21


 


Estranha Aliança


 


Ele estava olhando para sua porta havia vários minutos, porém, a expressão vazia mostrava que não via nada. Afinal, como uma fechadura poderia ser tão interessante? Assim como fora com Syndia, Draco tinha a leve impressão de que já ouvira falar daqueles tais pergaminhos. E essa impressão ele tivera apenas no decorrer daquela manhã, quando já estava no Ministério da Magia, trabalhando. Contudo, nada lhe vinha integralmente à memória. Parecia até que devia ser ocultado o mais profundo e totalmente possível.


Mas algumas palavras voltavam à sua memória e ele conseguia fazer as conexões necessárias para entender tanto o fato de elas estarem tão bem ocultas por sua mente quanto o motivo de tudo isso lhe fazer um estranho sentido. Cada vez mais, ele se sentia afundar no dia em que Lúcio levara Narcisa à morte.


Dentre os gritos de repreensão de Lúcio e os de medo de sua mãe, Draco distinguiu as palavras “sangue-puro”, “purificação mágica”, “deuses” e, principalmente, “Starta”. Quando tinha os pesadelos, as palavras não apareciam com tanta clareza. Eram apenas as sensações que acometiam Draco. Por mais que anos se passassem desde a morte da mãe, ele não conseguiria perdoar Lúcio por ter feito tal crueldade. E achava que apenas essa perda irrecuperável fora a responsável por ter esses pesadelos.


Agora, no entanto, sabia que havia algo mais em tudo isso. Assim como Syndia, Draco tinha a estranha sensação que sabia o que estava acontecendo ou o que estava para acontecer. E se ele conhecia seu pai como pensava conhecer, seria algo bem sórdido e repugnante, que não se deteria por Lúcio encontrar-se morto.


Deixando seu trabalho de lado, Draco levantou-se e saiu do escritório.


– Não vou voltar depois do almoço, Short – ele declarou ao seu assistente enquanto passava por ele. Nem se dignou a olhá-lo.


– Algum problema, Sr. Malfoy?


– Nada que eu não possa resolver.


Embora seu primeiro pensamento fosse ir até Syndia assim que deixara o Ministério da Magia, apenas para ver o que ela descobrira e se estava bem, Draco foi para sua casa. Ele conhecia o pai muito bem. Com certeza ele teria alguma informação em sua vasta biblioteca da mansão Malfoy.


E Draco não se enganou, embora estivesse quase perdendo a esperança por custar a encontrar algo. Porém, bem atrás de uma estante que ele sabia ocultar um nicho na parede, ele encontrou – em meio a livros de Artes das Trevas – um caderno de capa de couro de dragão muito velho e gasto, no qual continha algumas anotações particulares de Lúcio, e dentro deste caderno alguns pergaminhos mais velhos ainda, sem, contudo, uma palavra que Draco conseguisse entender. Mas as anotações de Lúcio foram bastante para fazer seu sangue gelar.


Elas diziam de uma cidade onde duas pessoas puras governariam o mundo bruxo, e logo o mundo dos impuros seria extinto. Os semi-puros tomariam seus respectivos lugares, ou seja, a pior posição que um escravo poderia tomar. Tudo seria como deveria ser. E, mais abaixo, Draco conseguiu ver:


Cidade: Starta. Deus puro: D. M.


Apenas na frente da palavra “Deusa” que não havia letra ou palavra, apenas um ponto de interrogação. E, mais abaixo, vários nomes que pareciam fazer parte da tal Ordem de Starta e também dos Cavaleiros da Deusa. Se não fosse a cisma de Syndia ou o fato de Draco saber que seu pai seria insano o bastante para fazer valer o que aqueles papéis diziam, ele pensaria que tais escritos seria apenas uma piada ou uma história muito mal escrita que deveria se desenvolver. No entanto, ainda havia coisas a serem descobertas. Como, por exemplo, aqueles pergaminhos que tinha em mãos.


Saindo de casa o mais rápido possível, Draco foi até Syndia. Precisaria saber o que a mãe da moça havia dito a ela para saber se, realmente, tudo aquilo tinha alguma ligação. Se o que ele encontrara em sua casa era algo relacionado com o que Syndia tinha em sua própria casa.


– Oi, Syndia – ele a cumprimentou entrando na casa. Intentou dar um beijo nela, mas a expressão de Syndia parecia mandá-lo ir embora.


– O que você está fazendo aqui, Draco?


– Vim ver como você está. Foi falar com sua mãe, hoje? O que ela disse a você?


– Você está preocupado com o que ela tenha me dito? – Syndia retorquiu indo até a cozinha. Se continuasse com ele, não saberia se o azararia ou apenas bateria nele.


– Claro! Isso estava preocupando você, ontem.


– Ela não disse nada com que eu não consiga lidar.


– Syn, o que há de errado? O que ela disse?


Com as mãos fechadas em punho apoiadas no balcão, Syndia fechou os olhos.


– Draco, eu preciso pensar em algumas coisas. Você poderia me deixar sozinha, por favor?


– O que está acontecendo? O que você descobriu? O que sua mãe lhe contou, Syndia?


– Draco, vá embora, sim? Tenho que fazer algumas coisas, conversaremos depois. – Por mais que sua mãe acusasse Draco, Syndia não queria fazer nada sem conseguir pensar um pouco mais. Ainda estava confusa, precisava checar, ter a certeza absoluta que Draco não tinha nada a ver com tudo isso. Ele não poderia ter algo relacionado ao ataque a seus pais.


Ele a olhou por um tempo.


– Tudo bem. Só queria te perguntar uma coisa sobre aqueles pergaminhos que você tem aqui. Pode me emprestá-los? Queria verificar algumas coisas.


– Verificar? – Ou simplesmente me tirar a única fonte de compreensão, Draco Malfoy?, pensou frustrada.


– Isso.


– Eles não estão aqui – falou a primeira coisa que lhe veio à mente.


– Mas você disse que-


– Joguei fora. – Syndia deu de ombros. – Não tinham nada do que eu esperava, então dei fim neles.


Certa vez, Draco dissera para Syndia que era especialista em verificar quando mentiam para ele. Entretanto, até uma criança de cinco anos perceberia a mentira naquelas palavras. Não entendia por que Syndia não estava confiando nele. Sentia vontade de saber por que, mas algo também o ordenava a ficar quieto e ir embora como ela pedira antes. Então foi isso que ele fez. Porém, não sem antes deixar uma prova de que ele se importava com ela.


Por isso, assim que alcançou a porta que Syndia mantinha aberta, não lhe deu chances de se afastar; levou rapidamente a mão direita para nuca da moça e a puxou para um beijo. Foram apenas alguns segundos de resistência. Ela correspondera ao beijo tão desesperada quanto ele, talvez até mais. Quando se separaram, pareciam não querer fazê-lo. Com a mão no rosto de Syndia, mantendo seus lábios ainda próximos, Draco falou:


– Eu vou mudar isso. O que quer que você esteja pensando, eu vou mudar.


Então saiu, não ouvindo a resposta de Syndia:


– Faça isso, por favor, Draco – ela falou, sentindo sua garganta se apertar.


Draco não foi para sua casa, entretanto. Não suportaria estar em um lugar que lhe lembrasse muito de Lúcio. Que lhe lembrasse todos os ensinamentos, todas as concepções, tudo que lhe lembrasse de uma vida que lhe parecia muito diferente da que ele vivia agora ao lado de Syndia. Ou uma vida que ele vivia até alguns minutos atrás. Ele não queria que uma voz cruel aparecesse em sua mente, repreendendo-o por simplesmente não estar seguindo os ensinamentos de seu pai ao se envolver com Syndia.


Ele sabia que havia algo errado. A mãe de Syndia devia ter dito alguma coisa que a deixara esquiva daquela maneira. Mas, o quê? O que havia acontecido para que Syndia o tratasse daquela maneira?


Draco sabia que se fosse com outra pessoa, ele nunca estaria se questionando. Se fosse outra situação, mandaria a pessoa às favas tão logo percebesse que não era mais uma presença desejável para alguém. Ele não se importava. Nunca se importou que alguém dissesse que ele era mesquinho, egoísta e inconfiável. Ele era tudo isso e sabia. E, mais ainda, admitia.


Enquanto era apenas um estudante em Hogwarts, não fizera amigos. Apenas tinha um grupo de pessoas no qual fazia parte, o qual lhe poderia render favores e status. Um grupo de garotos bruxos de sangue-puro com famílias ricas e bem quistas no mundo bruxo. E se acontecesse algo que fizesse Draco trair a confiança de algum deles para seu próprio benefício, ele faria sem se importar. E sabia que o mesmo seria feito com ele. Porém ele confiava demais no nome Malfoy.


Ele pensava que apenas pessoas imbecis confiavam em alguém. Confiança se tem até o momento em que você consegue controlar a pessoa; quando se perde o controle, não há como confiar que tudo será dito, feito e esclarecido. Draco confiava demais em seu próprio nome, em seu próprio status de Malfoy puro-sangue. E sempre condenara Potter por ter cega confiança em seus amigos idiotas.


Draco parou de andar tão logo o nome de Harry cruzou seus pensamentos.


– Ótimo, agora você está sentindo inveja do Potter Perfeito – resmungou para si mesmo.


Meneando a cabeça, olhou em volta para saber onde aparatara. Quando percebeu onde estava, entretanto, não conseguiu conter uma curta risada. Ele estava justamente no lugar em que estivera com Syndia pela primeira vez: o parque perto do restaurante trouxa em que jantaram. Merlim, ele realmente estava apaixonado por aquela mulher. E lhe era incrivelmente frustrante não saber o que havia acontecido de errado.


Entretanto, determinado a descobrir o que estava acontecendo, Draco decidiu voltar para sua casa. Alguma informação teria que tirar daqueles velhos pergaminhos, uma vez que Syndia não permitiria que ele utilizasse os dela. E então, tudo se explicaria por que suas lembranças da morte de Narcisa e o ataque aos pais de Syndia lhe pareciam estranhamente relacionados.


Estava prestes a chegar no lugar onde se podia aparatar, quando o som de risadas altas chamou sua atenção, desviando o olhar para um pequeno grupo de dois casais. Apesar das risadas, os três desconhecidos não teriam chamado a atenção de Draco em absolutamente nada. Porém, olhando-os agora, percebeu alguns traços semelhantes a pessoas conhecidas, ao menos em um casal. Draco riu, ironicamente. Parecia que alguém estava disposto a fazê-lo se lembrar do maravilhoso Trio de Hogwarts.


O homem, alto e de cabelos negros e curtos, usava óculos de aros negros e de formato oval; se fossem redondos, só faltaria a cicatriz para lhe lembrar do Potter. Já a mulher tinha os cabelos castanhos e enrolados, não tão lanzudos quanto os de Hermione Granger em sua época na escola, mas que o lembrava da irritante Sabe-Tudo.


Um pensamento fez Draco dar um meio sorriso. Um pensamento que, se Lúcio realmente estivesse morto, o faria se revirar no túmulo quando visse o plano que se formava na mente de Draco se concretizar. Um pensamento que estava deixando até Draco frustrado. Porém era algo que ele deveria fazer. E deveria fazer o quanto antes.


xxx---xxx


Hermione sentiu uma pontada no lado esquerdo inferior de sua barriga. Respirando profundamente, ela acariciou a região


– Acalme-se, querida. Logo, logo você sairá desse espaço apertado – falou um pouco ofegante.


– Algum problema, Mione? – Rony perguntou preocupado, aproximando-se da esposa.


– Não – ela falou, controlando sua respiração. – Belle vai herdar sua altura, não tem outra explicação, Rony – ela falou entre divertida e um pouco mal humorada. – Com sete meses, não tem como ela se mexer tanto ainda e ser tão grande. Ai, ela está apertando meus pulmões.


Rony fez uma expressão de preocupação que seria cômica, se ele realmente não estivesse tão preocupado.


– Temos que ir ao Saint Mungus.


– Não precisa, Rony. Isso é normal.


– Então vou mandar uma coruja para minha mãe. Ela teve sete filhos, deve saber se isso é realmente normal.


Hermione bufou, exasperada.


– Não precisa incomodar sua mãe, Rony. Francamente, estou dizendo que isso é normal. Só estou resmungando porque... Bem, porque ainda não me acostumei.


Rony, porém, não pareceu ouvir o que Hermione dissera. Debruçou-se na mesa de escritório que havia na sala e escreveu uma pequena carta para sua mãe. Assim que Pichitinho voltasse da Toca, mandaria a carta para ela. Ou simplesmente usaria uma coruja do Ministério, afinal, estava indo trabalhar mesmo...


– Rony, você vai se atrasar – Hermione falou, suspirando.


– Hã? Ah, verdade. Você vai ficar bem?


Hermione rolou os olhos, mas sorriu.


– Sim, amor. Vou ficar bem. Nós duas vamos.


Rony sorriu e deu um demorado beijo na esposa para depois, finalmente, ir trabalhar.


Quando a lareira perdeu o tom esverdeado por causa do Pó de Flú, Hermione olhou satisfeita para o pedaço de papel que tinha em mãos e que conseguiria surrupiar do bolso do casaco de Rony. Sem carta para a Sra. Weasley, sem cuidado excessivo. Por mais que ela adorasse os cuidados de Rony para consigo, havia momentos em que Hermione queria simplesmente ficar sozinha em sua casa, aproveitando a licença que tirara no trabalho para cuidar de sua gestação. Não querendo que sua filha nascesse prematura, pedira esses dois últimos meses no Ministério, e seu chefe concedera. Pelo visto os bruxos eram bem mais compreensíveis com as mulheres grávidas do que os trouxas. Ou talvez fosse apenas seu chefe, mesmo.


Tirando esses pensamentos da cabeça, Hermione foi até a cozinha a fim de pegar algo para comer. Porém, seus passos foram interrompidos por fortes batidas na porta. Franzindo o cenho, pois não esperava ninguém a essa hora em sua casa, esqueceu-se de sua fome e foi atender a porta. Rapidamente, o estranhamento da visita inesperada logo cedo foi substituído pela surpresa da visita em si.


– Malfoy? O que você está fazendo aqui?


Draco fez uma careta com os lábios ao ouvir o tom surpreso de Hermione. Certo que ele não esperava um “Seja bem-vindo”, mas essa surpresa o incomodou, fazendo-o sentir que ele realmente não era bem-vindo naquele lugar. Bom, se ela levasse em consideração que para ele estar ali era um enorme sacrifício, então ele ficaria menos intolerante a tudo. Deixando esses pensamentos para depois, entretanto, falou:


– Posso entrar, Granger? Precisamos conversar.


– Precisamos? Sobre o quê? – a surpresa ainda não deixara Hermione.


– Certo, sou eu quem precisa falar com você. Posso entrar agora? – ele retorquiu com impaciência.


Hermione chacoalhou a cabeça como se com isso conseguisse se livrar da surpresa que sentia. Dando licença, deixou que Draco entrasse. Ela inda pode ouvir um “finalmente” sussurrado e irritado dele.


– Desculpe, Malfoy, mas não é todo dia que o vejo por aqui, não é? Queria o que, que eu o recebesse com um abraço?


– Não, essa parte eu pulo com prazer, Granger.


Hermione rolou os olhos e cruzou os braços na altura do peito. Isso chamou a atenção de Draco, pela primeira vez, para a enorme barriga da mulher.


– Quer dizer que você e o Weasley estão se reproduzindo? – falou sem conseguir evitar.


– Eu posso estar grávida, Malfoy, mas ainda tenho força o bastante para te chutar daqui sem precisar de magia. Diga o que quer e vá embora antes que eu perca minha paciência.


Ele pensou em dar uma resposta a altura. Porém, não foi para isso que Draco procurou Hermione. Precisava dela, pois sabia que ela era a única em quem poderia confiar, embora soubesse que ela não tinha confiança alguma nele. Respirando fundo, decidiu recomeçar aquela conversa.


– Certo. Ah... Desculpe por minha grosseria, Granger – falou devagar, gostando da surpresa que passou pelos olhos da moça. – Eu não estou aqui à toa, como você deve imaginar, afinal, nunca fiz visitas cordiais a você.


– Então veio para quê, além de insultar a mim e a minha família?


– Não vim aqui para insultá-la. Vim aqui para – ele respirou fundo, hesitando em suas palavras por um segundo. – Vim para pedir sua ajuda.


Hermione ergueu as sobrancelhas, seus braços ficando frouxos. Porém, ela se recuperou, mantendo os braços cruzados e deixando seu rosto apenas com uma discreta curiosidade.


– Ajuda? Que foi, se meteu em alguma encrenca de aspecto legal, Malfoy? Sinto muito, mas estou de licença.


– Sei que você está de licença, afinal, não está indo ao ministério. Eu pensei em falar com você ontem mesmo, mas achei melhor pesquisar um pouco mais. Sei que você conhece bem Runas Antigas, e se eu ainda me lembro como você era uma certinha que sabia de tudo, com certeza deve ter algum livro a sua disposição com escritas antigas. Encontrei essas escritas em casa e queria que você as traduzisse para mim.


Isso era o máximo que Draco conseguiria para fazer o pedido. Hermione riu.


– E se eu não quiser, Malfoy? Não acho que eu seja obrigada a fazer algo desse tipo, principalmente para você, ainda mais com esse pedido tão deseducado e estranho.


Draco respirou fundo e passou a mão nervosamente no cabelo. Sabia que teria que ser mais persuasivo e, também, educado.


– Eu sei que nunca fui a personificação da educação quando me dirigia a você. Mas, agora, eu não preciso de sua ajuda apenas para meu prazer, afinal isso não vai fazer nada bem para meu ego. Não está fazendo. Só que há mais coisas envolvendo essa tradução. Preciso de sua ajuda, Granger.


– E o que te leva a pensar que irei te ajudar, Malfoy?


– Syndia.


Apenas o nome da amiga teve o poder de deixar Hermione sem resposta. Ela permitiu-se pensar apenas por um segundo tudo o que estava acontecendo. Draco Malfoy em sua casa, pedindo ajuda. Ofendendo-a quando entrou em sua casa, mas depois se desculpando. E, ainda por cima, dizendo que o quer que fosse que ele queria, não era para seu bem próprio. Alguma coisa estava muito errada em tudo isso.


– E que coisas seriam essas que envolvem essa tradução? Você vai ao menos falar o que Syndia tem a ver com isso?


Dessa vez foi Draco quem se calou. Não sabia se devia confiar totalmente em Hermione Granger. Contudo, por mais que seu ego dissesse que o que estava fazendo ia além do bom senso, ele também sabia que essa era sua única chance de descobrir o que estava acontecendo e em qual porcaria seu pai estivera metido. E ele sentia que essas traduções seriam a chave de tudo. Portanto, Draco entregou o que estava em suas mãos para Hermione.


– Este é um caderno com anotações de Lúcio. E esses papéis – falou mostrando os papéis que estavam dentro do caderno – têm inscrições antigas, alguns com símbolos de Runas, outros não. Preciso que você traduza para eu saber exatamente o que Syndia tem a ver com isso.


– Malfoy, o que está acontecendo? Olha, não que eu não queira ajudar, mas isso está muito estranho.


– Confie em mim, Granger: vai ficar pior.


Hermione o olhou por um momento. Não reparara antes, mas algo no olhar de Draco a perturbou. Já vira aquele tipo de olhar antes, porém eram nos olhos de Harry quando ele tivera que se afastar de Gina na última batalha. Ele sentira esse medo quando, depois de afastar-se dela, pensara que não voltaria a vê-la quando a procurasse novamente depois de tudo. Medo de perdê-la para algo poderoso demais, até para ele. Preferiu, então, olhar para o que tinha em mãos.


– O que é tudo isso?


– Leia o caderno primeiro, se quiser, ele terá maiores explicações – suspirou Draco. – Quanto aos pergaminhos, não faço ideia do conteúdo, além de que são a base das anotações de Lúcio. Resumindo... é algo relacionado ao que o Lorde das Trevas queria quando fez aquelas guerras.


– O quê? – a voz de Hermione quase sumira.


– Os pais de Syndia foram atacados, mas isso você já sabe. E eu tenho quase certeza que foi por isso – Draco falou, apontando para o que Hermione tinha em suas mãos. – Quando você ler esses pergaminhos, verá por que tenho quase certeza disso. Não consegui entender muita coisa, mas tudo indica que isso envolve uma seita, alguns bruxos de sangue puro e uma cidade escondida há anos. Mais que isso, não posso te falar.


– Não pode por quê?


– Porque não sei. Não consegui decifrar esses papéis. Por isso preciso de você.


– Malfoy, eu... Eu não sei. Isso tudo parece tão estranho. E por que eu? Por que você veio até minha casa para me pedir isso?


– Porque, apesar de ser estranho, eu confio em você, Granger. Apenas em você. E acho que só você é capaz de traduzir tudo isso o mais rápido possível e sem alarmar a sociedade bruxa inteira.


– Bom, eu... – Olhando para o material que tinha em suas mãos, Hermione suspirou. – Vou ver o que posso fazer, Malfoy.


– Certo. Eu tenho que trabalhar, agora. Venho aqui mais tarde, Granger, para ver se você teve algum progresso.


Hermione rolou os olhos quando Draco se virou e foi até a porta. Ainda de costa para a moça, ele abriu a porta, mas não saiu.


– Ah... Granger, olha... – Virando-se para ela, sentiu-se totalmente constrangido. – Eu...


Hermione deu um meio sorriso.


– Não há de quê, Malfoy.


Draco deu um meio sorriso e foi embora.


Porém, por mais que tentasse, ele não conseguia trabalhar de maneira alguma. Sua mesa estava repleta de papéis, mas nada conseguia prender sua atenção totalmente. O dia parecia demorar a passar e ele pedia, com todas as suas forças, que a Granger conseguisse um bom progresso quando voltasse a falar com ela ao fim do dia.


Draco riu com esse pensamento esperançoso. Nunca poderia imaginar que um dia estaria dependente de alguém como estava em relação a Hermione Granger, a garota que ele vivia chamando de sangue-ruim. Porém, lá estava ele, pedindo ajuda à amiguinha do Potter Perfeito e esposa do Weasley Bobão. Sim, ele realmente evoluíra...


Apesar desses pensamentos sarcásticos, contudo, foi com alívio que Draco viu que o dia de trabalho terminara. Praticamente deixando sua mesa da mesma maneira que ele encontrara de manhã, saiu do escritório.


Nem sequer reparara que Elliot Short não estava mais em sua mesa.


xxx---xxx


Syndia praticamente se debruçara sobre os papéis que ela conseguira da casa dos pais. Não os havia jogado fora, como dissera a Draco. Como poderia fazer isso, sendo que eles estavam em sua cama quando ele fora até sua casa? Sendo que ela estava tentando traduzi-los desde que chegara do hospital?


Ela praticamente não fizera nada durante aquele dia, a não ser ler, ler e ler. Não conseguia desgrudar os olhos daqueles papéis antigos com escritos desconhecidos em sua maioria. O diário de seu avô Shady não ajudava muito, mas o bastante para saber por que seus pais foram atacados, além de conseguir dar razão à sua mãe.


Existiam ali detalhes sobre Starta. Detalhes que Syndia e Gui deixaram passar ao visitar aquela cidade dias atrás. Detalhes que não estavam no que ela encontrara na biblioteca do Ministério da Magia. Tudo o que Syndia tinha com ela, em sua casa, dizia o mesmo que sua mãe lhe contara no dia anterior.


A seita, a mulher marcada, a Ordem de Starta e a cidade. No entanto, os pergaminhos que Syndia custava entender por ter palavras muito antigas, pareciam ser o manual de um ritual. Syndia só conseguia compreender que a palavra “Aisha” era o nome da deusa, ou da criatura dêitica, por causa do diário de seu avô. Mas ela não gostava disso, pois, no diário, seu nome estava na frente de Aisha, como se ela e a deusa fossem a mesma pessoa. Não poderia ser...


Mas então você nasceu... Você tinha o olho de Hórus.


A voz de sua mãe parecia gritar em sua mente. E, junto da certeza de que Syndia era a escolhida e que isso estava escrito naqueles papéis e no diário de seu avô, também estava em sua mente da certeza do envolvimento de Draco. O nome dele também constava no diário. E, à frente, uma nota de Shady:


“Lúcio precisará criar bem o filho dele com os princípios de sangue-puro, e com certeza o garoto gostará de ser o escolhido de Hórus. Lúcio também terá que lembrá-lo de que terá que influenciar minha neta, ou então fazer com que ela fique menos esquiva na hora do ritual. Mas eu ainda procuro um meio de evitar isso. Não quero que Syndia corra o risco de morrer como aconteceram com outras mulheres.”


Syndia conhecia Draco. Sabia de suas concepções, de seus princípios. E sua mãe dissera que ouvira da própria boca de Lúcio que Draco não seria problema.


Naquele momento, sentiu ganas de ir até Draco, exigir a verdade, forçá-lo a confirmar todas as suas suspeitas, denunciar Lúcio Malfoy para o Ministério. Por outro lado, Syndia gostaria de apenas chorar em sua casa, sozinha. E foi isso que ela fez por momentos infindáveis, até ouvir o som de alguém entrando em sua casa.


xxx---xxx


Quando chegou à casa de Hermione no início da noite, Draco pensou que estaria preparado para tudo. Mas, mal sabia que ainda seria surpreendido. E de uma maneira nada agradável.


Ao ver a expressão de Hermione, sentiu um bolo se formar em seu estômago.


– O que você descobriu, Granger? – perguntou sem rodeios, entrando na casa.


– Coisas nada boas, Malfoy – ela respondeu, gesticulando para que ele a seguisse até a sala, onde vários papéis e livros estavam espalhados. – Muita coisa estava ilegível, outras com palavras que eu não faço idéia do que significam. Eu precisaria de mais tempo para traduzir tudo, talvez pegar alguns livros no ministério.


– Mas? – retorquiu Draco, sentando-se no sofá, ao lado de Hermione.


– Mas tem uma coisa aqui que me preocupa. Datas.


– Datas?


– Exatamente. Só que eu acho melhor irmos pelo começo. Como você bem percebeu, esses papéis falam mesmo de uma seita. São bruxos de sangue-puro que têm uma figura dêitica representada por uma mulher. Além desses bruxos... – Hermione falou, procurando um papel que continha sua caligrafia – Aqui. Além dos bruxos, há também uma ordem que é encarregada de procurar essa mulher e então realizar um ritual. Só que essa ordem também protege uma cidade chamada... ah, sim, Starta. Sei que isso parece irônico, mas é exatamente a cidade que Syndia estava procurando há alguns meses.


– Ela chegou a ir à essa cidade – Draco disse entre os dentes. – Mas parece que não descobriu nada, ela e o Weasley.


– Qual Weasley?


– O mais velho, Gu-alguma coisa. Guto, eu acho.


– Gui.


– Que seja. Eles foram até a cidade, mas não viram nada relevante.


– Bom, se realmente havia algo relevante lá antes, eu não sei, mas agora com certeza tem. Como eu dizia, essa tal ordem tem que procurar a figura dêitica. E essa mulher nasce com uma marca, entende? Essa marca mostra que ela é a encarnação da Deusa.


– Deusa - riu Draco. – Isso é completamente insano.


Hermione o olhou como se ela fosse uma professora repreendendo um aluno que já estudara aquela determinada matéria, porém se esquecera dos detalhes principais.


– Nós temos Voldemort para provar que há coisas insanas demais no nosso mundo, Malfoy.


– OK, Granger, me ilumine – irritou-se Draco. – O que mais há nesses papéis? Aí está escrito quem é a deusa, por acaso?


– Não – ela respondeu como se fosse óbvio. – Mas diz que também há um deus. Só que ele é como se fosse um aliado, alguém que a apoiará mais que todos, ficará ao seu lado para sempre.


– E? O que mais, Granger? – perguntou Draco para apressá-la ao vê-la procurar outras anotações próprias.


– Só diz que ambos têm sinais no corpo...hum... – Encontrando os papéis que queria, novamente, Hermione falou: – São duas meias-luas. Na mulher, uma lua crescente? Não, algo que lembre um olho, tem até o desenho, mas acima dele tem a lua sim. É crescente, significando o crescimento, sempre aumentar a magia...não, o poder. Isso, um olho, como se conseguisse ver tudo, e encimando uma lua crescente, mostrando que ela sempre aumentará seu poder. E o homem... uma lua decrescente? Isso. Como se apagasse diante da deusa e... Hum... Isso, mais pelo fato de ser o aliado, sempre ficando em segundo lugar. Não há muitos detalhes do deus, Malfoy. Parece que seu pai preocupou-se em ter papéis apenas sobre a deusa.


– Já eu não acho que foi apenas ele quem se preocupou – murmurou Draco consigo mesmo.


– Como assim?


– Apenas um palpite. Mas quanto a esse ritual, Granger? Isso tem um período para acontecer?


– Não. Mas, ao que tudo indica, o ciclo lunar é importante. E tem outra coisa também – diz mostrando um papel a ele.


– O quê?


– Não sei se você sabe, mas houve manifestações de magia algumas semanas atrás.


– E daí?


– E daí que aqui fala que, quando os deuses se conectarem, o mundo todo saberia.


Draco pensou por um momento. Pessoas querendo a todo custo os papéis que estavam com Syndia, ela mesma especulando sobre tudo isso, o ataque aos pais da moça e, também, o fato de seu próprio pai ter papéis importantes sobre tudo isso. Somando-se, também, ao fato de sua mãe ter ido para um lugar com seu pai, dez anos atrás, e não voltar viva. Eles foram para Starta, algo em Draco o dizia isso. Mas o que sua mãe tinha a ver com aquilo? E se seu raciocínio estivesse certo, seria ele, Draco, o deus? Contudo, por que ele não fora também com sua mãe daquela vez?


Porém Hermione também dissera sobre manifestações de magia. Ele mesmo se sentira estranho nas vezes em que beijara Syndia. Um arrepio que não tinha nada a ver com excitação ou desejo. Um arrepio incrivelmente forte também quando beijara Syndia pela primeira vez...


– Granger?


– O que foi, Malfoy? – perguntou Hermione, pois percebeu o rosto de Draco mudar à sua frente.


– Por acaso essas manifestações de magia que você está falando aconteceram na noite do aniversário da Syndia?


- No aniversário da Syndia? E por que...?


- Granger!


- Bom, eu não sei... Deixe-me pensar... Acho que foi sim, pois o Rony e o Harry foram chamados no dia seguinte ao aniversário da Syndia pelo Quim. Os aurores foram investigar essas manifestações. Eles foram para todo lugar, da América do Sul, até na China. – Ela olhou para Draco. – O que você está pensando, Malfoy? O que a Syndia tem a ver com tudo isso?


Como Draco não respondeu, continuou apenas pensando, Hermione olhou suas anotações. Naquele momento, o nome de sua amiga começando a interligar-se com o que ela havia lido.


– Não... Nada a ver, Malfoy. Ela não pode ser a Deusa. Eu estava lá no aniversário dela, nada aconteceu. Não houve conexão com nada.


– Enquanto vocês estavam lá, não ocorreu mesmo. Não sei se você sabe contar, Granger, mas Syndia e eu estamos juntos desde o aniversário dela. E seu eu te falar do beijo que trocamos... ou melhor, do jeito que nos “conectamos”...


– Mas vocês não podem ser os deuses! Por Deus, isso seria muito estranho. O que vocês têm de tão especial?!


Draco ergueu as sobrancelhas, como se ela o tivesse ofendido. Hermione bufou.


– Por favor, Malfoy, estou falando sério! – irritou-se.


– De uma maneira louca e insana, acho que somos, se você realmente quer saber, Granger. Hei, você tem um calendário lunar aqui?


– Não. Por que eu teria algo assim?


– Porque, ou eu muito me engano, ou amanhã é o último dia da lua nova – Draco murmurou.


– O ciclo lunar – Hermione disse. Draco se levantou. – Aonde você vai?


– Preciso sair.


– Isso eu estou vendo. Mas, por quê?


– Acho que eles vão pegá-la hoje.


– Como assim, hoje?


Porém, antes que Draco respondesse ou tivesse qualquer reação, o som de alguém chegando pela lareira fez-se ouvir.


- Amor? Cadê... – Rony estacou quando viu que sua esposa estava com uma visita. Uma visita nada bem-vinda. – Malfoy? – Virando-se para Hermione, continuou, irritado. – O que ele está fazendo aqui? O Halloween chegou mais cedo, por isso a presença da Doninha Fantasma?


No entanto Draco conseguiu pensar rapidamente, sem se afetar com a grosseria. Sabia o que deveria ser feito para proteger Syndia, embora isso lhe custasse muito mais do que fora pedir ajuda para Hermione, mais cedo.


– Chame o Potter, Weasley. Preciso falar com vocês dois. É urgente.


Rony riu.


– Eu tenho mais o que fazer, Malfoy, e o Harry também, então dê o fora de minha casa.


– Não, não vou.


– O quê, vai ficar para o jantar? – falou furiosamente sarcástico.


– Eu não te suporto, Weasley, isso é fato mais do que comprovado. Mas, infelizmente, vocês são os únicos em quem eu posso confiar no momento.


– Eu não quero que você confie em mim, Doninha. Quero apenas que você caia fora da minha casa. Agora!


– Rony! – Hermione o repreendeu. – Acho melhor vocês se controlarem. Já você, Malfoy, seria melhor ir até a casa de Syndia. Se você estiver certo, o ritual terá que ser feito amanhã.


– Vou fazer isso agora. Já vocês, chamem o Potter. Vou trazer Syndia para cá e veremos tudo isso.


Mal Draco fechou a porta da casa, Rony virou exasperado para Hermione.


– Mas que raios foi tudo isso?


Draco aparatou praticamente em frente a casa de Syndia, sem se importar se algum trouxa poderia tê-lo visto. Estava preocupado demais com ela para se importar com isso.


Quando alcançou a porta da casa, entretanto, sua agitação esvaiu-se ao notar a porta da frente apenas encostada. Sabia que não fora Syndia quem a deixara assim. Portanto, cautelosamente a abriu.


A passos leves entrou pela sala, não se preocupando em fechar a porta. Seus olhos varreram a sala à medida que seu coração se agitava. A organização minuciosa de Syndia não estava presente; em seu lugar, uma bagunça que fez Draco respirar mais rapidamente. Havia dois vasos quebrados, a mesa de centro da sala estava revirada e o mancebo perto da porta estava caído.


Embora quisesse gritar por Syndia, localizá-la naquela casa, sabia que era burrice. Ela provavelmente não estaria ali, e quem quer que tivesse atacado-a poderia estar esperando por ele. Então Draco subiu as escadas, devagar.


Quando entrou no quarto, tudo estava aparentemente como deveria estar. Draco olhou minuciosamente ao redor, não conseguindo diagnosticar nada mais que uma pequena bagunça nos lençóis da cama e a porta do guarda-roupa encostada.


- E onde estão esses papéis?


- Aqui, comigo. Guardados dentro do meu guarda-roupa.


- Por que esse lugar?


- Bem... É um lugar seguro, eu acho...


– Será? – perguntou-se Draco ao lembrar a conversa que tivera com Syndia no dia anterior.


Olhou cada canto daquele guarda-roupa, retirando algumas caixas de sapatos e cobertores, mas sem se preocupar em colocá-los novamente no lugar. Apalpando, conseguiu encontrar o que lhe parecia um fundo falso de uma gaveta na parte superior do maleiro. A tampa fez barulho ao ser retirada, e ele pensou ter ouvido um som em resposta, no andar de baixo da casa. Paralisado, apurou os ouvidos a fim de ouvir mais alguma coisa, contudo o silêncio persistiu. Voltando sua atenção para o buraco da gaveta, percebeu alguns papéis dobrados. Eles pareciam ter sido guardados rapidamente, pois estavam um pouco amassados por terem ficado pressionados por um grosso livro.


Retirando-os, Draco olhou para aqueles papéis. Ele precisou de poucos segundos para perceber que tudo ali tratava apenas de um assunto: a seita que Lúcio também registrara vagamente nos papéis que o próprio Draco encontrara em sua casa.


– Merda.


– Draco Malfoy?


O susto que Draco levou misto a querer apontar sua varinha para quem havia entrado no quarto quase fez os papéis caírem.


– O que quer?


– Eu lhe trago um recado.


Os olhos vidrados de Eleonora não deixavam dúvidas. Ela estava sob a maldição imperius.


– Qual recado? De quem?


– Você deve procurar Elliot Short, ele lhe dirá o que fazer. Não faça nada estúpido, pois as consequências não serão boas. Você deve fazer exatamente o que ele lhe disser, sem contrariar. A nossa raça depende de sua colaboração neste momento.


Eleonora fechou os olhos por alguns segundos, depois, piscou-os freneticamente.


– O que está acontecendo? Draco Malfoy? O que... O que estou fazendo no quarto de Syndia?


Com apenas dois passos, Draco aproximou-se de Eleonora.


– Sra. Prescott, preciso de sua ajuda. O que a senhora lembra antes de agora?


– Como assim? Eu nem sei como vim parar aqui! Oh, meu Deus, preciso procurar um médico! Será que estou com Mal de Alzheimer?


– Sra. Prescott, por favor – Draco disse entre os dentes, se segurando para não chacoalhar a mulher que ele segurava pelos ombros. – Eu preciso saber se a senhora se lembra de algo antes de se ver aqui, na casa da Syndia.


– Eu...eu não sei. – Draco soltou-a, exasperando-se. – Eu estava em minha casa – Eleonora disse firmemente, censurando-o com o olhar –, cozinhando. Então, ouvi alguém se aproximar de mim. Foi um susto danado, devo dizer.


– Você viu a pessoa? Sabe quem é?


– Não, não sei quem é. Quero dizer, não o conhecia, mas...


– Mas?


– Ele me lembrou você – Eleonora falou hesitantemente. – Bem, era mais velho que você, é claro, mas tinha a mesma cor dos olhos, o mesmo nariz... O cabelo era mais comprido também, bem abaixo dos ombros.


– Está me dizendo que viu um fantasma?


– Estou dizendo o que vi, Sr. Malfoy – irritou-se Eleonora.


– É que... Não é possível. Você está descrevendo meu pai.


– E o que seu pai estaria fazendo em minha casa?


– Exatamente. O que meu pai estaria fazendo em sua casa, se ele está morto?


Mas essa pergunta Draco fez apenas para si mesmo. Sem olhar novamente para Eleonora, ele saiu da casa de Syndia. Pelo visto, tinha muito mais coisas naquela história do que ele sabia.


Primeiro, Eleonora Prescott sob comando da Maldição Imperius, mandando um recado, supostamente, de seu pai para se encontrar com Elliot Short. O que Short tinha a ver com aquilo?


Porém, antes de encontrar-se com seu assistente como era a intenção de Draco, ele deveria ir até a casa da Granger notificá-la do que estava havendo. Depois procuraria Short.


– Onde está a Syndia, Malfoy? – Hermione perguntou assim que ele entrou. – Você não foi buscá-la?


– Eles a levaram.


– Como é? – Rony perguntou, levantando-se do sofá.


– A casa estava revirada, Weasley. Nem sinal da Syndia.


– O que você mais sabe sobre tudo isso, Malfoy? – Harry, que estava vindo da cozinha com Gina, perguntou para Draco. – Hermione nos disse que isso tudo é uma seita, algo com o que Voldemort idealizara.


– Isso mesmo, Potter. Mas, dessa vez, acho que vai dar certo. Muito certo. – Virando para Hermione, Draco entregou-lhe os papéis que trouxera da casa de Syndia. – Eu encontrei isso, complementa o que te trouxe antes. Parece que o avô de Syndia também tinha algo a ver com Starta.


Hermione pegou os papéis e o diário de Shady, abrindo este e tratando de lê-lo ali mesmo.


– E tem outra coisa – Draco continuou.


– O quê?


– Meu pai.


– E o que um morto tem a ver com tudo isso? – Rony perguntou.


– O que tem a ver é que Lúcio não está morto. Está vivo. E muito bem, vale ressaltar. – Ele explicou seu encontro com Eleonora.


– Um momento, aí, Malfoy. Explica essa porcaria direito. Como assim, seu pai está vivo? O próprio Quim foi verificar, viu o corpo dele, fizeram testes...


– E nós falamos com a Sra. Vechten ontem, no hospital – Harry falou, seguido de Rony. – Ela disse que não se lembrava dos atacantes.


– Não sei se vocês sabem - Draco falou com desprezo -, mas existem duas coisas: uma chamada mentira e outra chamada magia. E tem bruxos que conseguem verdadeiros milagres com elas, Potter.


– Vá para o inferno, Malfoy.


– Rony, pare com isso, por favor – irritou-se Hermione. – Precisamos agir o mais rápido possível. Harry...


– Vou avisar o Quim.


– Não – Draco disse enérgico. – Com certeza tem pessoas no Ministério que estão infiltradas a pedido da Ordem de Starta. Se eles souberem que descobrimos isso, podem se precipitar.


– Ordem de Starta? Mas que monte de porcaria é essa, por Merlin?


Draco bufou exasperadamente.


– Achei que a Granger tivesse explicado a vocês, Weasley. Mas não temos tempo para explicar tudo duas vezes – ele falou, impaciente. – Precisamos apenas saber o que é tudo isso, mas se formos envolver mais alguém, é melhor explicar tudo de uma vez, sem perca de tempo.


– Harry, você é o chefe dos aurores, em quem você confiaria sua vida para nos ajudar?


– Certo, ahm... Acho que sei quem chamar. Tem alguns nomes que eu...


– E desses nomes, Potter, em quais deles você confiaria a vida da Weasley? – Draco perguntou sombriamente, interrompendo Harry e apontando Gina com a cabeça. Isso fez Harry pensar por mais algum tempo.


– Bem... – falou por fim. – Podemos chamar a Tonks, e aquele novato, Gabe, que é parceiro dela. Ele é bem inteligente. Podemos chamar o Remo também, e com certeza o Prof. Dumbledore seria de grande ajuda.


– Aquele velho mal aguenta segurar uma varinha, Potter! – exasperou-se Draco.


– Te garanto que ele será de grande valia, Malfoy. Vocês resolvam tudo aqui que eu vou até Hogwarts – Harry falou.


– Hei, tem o Smith, que é uma bosta de dragão, mas é confiável – disse Rony.


– Ótimo. Reúnam todos eles. Assim que eles chegarem, Granger, conte tudo o que interessa. Enquanto isso, vou ver o que consigo com os pais de Syndia. A mãe dela deve saber alguma coisa, já que foi ela quem alertou Syndia. Precisamos descobrir alguma coisa que preste.


– Mas eles não se lembram de nada, Malfoy – Rony falou, retirando a cabeça da lareira enquanto chamava Zacharias Smith.


– Eu tenho certeza que conseguirei algo com Lyx Vechten, Weasley – Draco retorquiu entre os dentes. E ele conseguiria, nem que para isso tivesse que usar legilimência.


– Hei, Weasley, o que você quer? – a voz de Zacharias chamou a atenção de todos.


– Que você venha até minha casa. Tem uma porcaria acontecendo, e estamos convocando uma reunião de última hora.


– Na tua casa? E por que eu iria?


– Porque você vai querer provar o quão arrogante você é, seu imbecil. E ande logo, não temos o dia todo.


– E por acaso o Quim está sabendo dessa reunião?


– Ele também está vindo.


– Então conte comigo.


– Como eu disse – Rony falou, olhando para Draco –, um bosta de dragão, mas que vai ajudar.


Hermione revirou os olhos. Já Draco não disse nada. Apenas saiu e dirigiu-se para o hospital. O tempo estava correndo e ele tinha muito que perguntar para Lyx.


– Quem diria – murmurou Harry – que um dia o Malfoy se preocuparia tanto com alguém a ponto de pedir ajuda para nós.


– Eu disse a vocês que ele tinha mudado – falou Hermione.


– Eu vou chamar o Quim, ou ao menos deixá-lo de sobreaviso – Harry falou para os amigos, preparando a lareira para ir até Hogwarts. – Se tudo isso virar merda, alguém deve estar preparado.


 


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"N/B Sonia: O que é que eu posso dizer, além de... CAPÍTULO IRREPREENSÍVEL, Betinha!!! De coração, todo ele está redondinho e perfeito! E me deixou com a boca cheia d'agua pelo próximo... Vem luta por aí, e das boas!!! Uuuuhhhuuuuuuuuuuuu!!!! Sem falar no desfecho desta envolvente história de amor entre Syn e Draco, que vai ser, tenho certeza, nada menos que WOW! mil vezes!!! - ;D - Eu imagino o quanto Draco a ama, se por ela foi capaz de engolir o orgulho quilometrico em quatro dimensões que possui, e ir pedir ajuda para o trio. O TRIO!!!! Põe amor nisso! =D - Muito bom! - Então, estou eu aqui, querida Liv, IMPLORANDO, por uma breve atualização! Tem dó de mim! Meu pobre core já tá tão gasto, tadinho, não pode sofrer ansiedade assim, não!... O.O - Hihihihihihi... - Aplausos garota!! Muitos!!! E aplaudindo, fico esperando! ;) - Te adoro! Parabéns novamente! Beijoooooooossssssssss!!! P.s.: só o Draco para ter tanta certeza, de cara, que o deus é ele mesmo... Kkkkkkkkkkkkkkk!!!!!


N/A – Livinha: Pois é, agora alcançamos o clímax da história! *--* Sempre minhas partes favoritas..hihi.


Agradeço a todos que estão acompanhando a fic, e dessa vez é certo que o próximo capítulo sai muito mais rápido, pois estou de férias do trabalho e da facul, esse mês.


Beijo especial para minha querida, inestimável e imensurável Beta! Sem ela, minha cabecinha tinha entrado em parafusos por causa desse capítulo que à primeira vista não saiu do meu gosto.


Beijo também para minha querida amiga-irmã Pamela Black, que está cada vez mais enfurnada em seu trabalho e não consegue voltar para esse mundo delicioso de Starta.


E, claro, beijos e mais para Kelly e Paty! Obrigada, meninas!


A todos um beijo especial e espero que tenham gostado do capítulo. =D


FELIZ ANO NOVO!


Livinha

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