“Dê uma chance, porque você nunca saber o quão absolutamente perfeito algo pode vir a ser” – Autor Desconhecido.
Capítulo 10
- Lily? Filha – uma voz me chamava. Minha mãe. Com muito esforço, abri os olhos. Não é costume alguém que não seja o despertador do celular me acordar. – Parabéns, querida!
Depois de alguns segundos de esforço mental para compreender o que acontecia, eu entendi. É claro. Hoje é meu aniversário. Sweet Sixteen. A data do meu aniversário não é algo que realmente me traz animação.
- Obrigada, mãe – falei, enquanto ela me abraçava e desejava “muita saúde, felicidade, tudo de bom...”. – Obrigada – terminei, quando ela me soltou.
- Seu pai pode entrar com o seu presente?
Eu assenti, depois passei a mão no rosto. Devo estar linda.
- Parabéns, filha – papai disse, entrando no quarto carregando nas mãos... AI MEU DEUS. Um cachorrinho. Lindo! Um yorkshire. Own, own, own, ele é tão fofo.
- Esse é meu presente? – perguntei, a voz carregada de animação, pulando da cama. Minha visão ficou escurecida, porque levantei rápido demais. Eu me apoiei na minha mãe e esperei que passasse, e depois corri até meu pai.
- É esse mesmo – ele disse, já me estendendo o pequeno cachorro. Ele era tão pequeno, e parecia aterrorizado.
- Ele é lindo. – Abri um sorriso inacreditável. – Obrigada! – exclamei.
- Então, como vai chamá-lo? – Petúnia apareceu na porta, encostando-se ao batente da porta. – E feliz aniversário. – Ela sorriu amigavelmente.
- Como vou chamá-lo... Boa pergunta. – Eu pensei durante um minuto. Um nome saltou em minha cabeça. – Lennon.
- Ah, não – Petúnia soltou um muxoxo, revirando os olhos. – Não é uma homenagem pôr o nome do seu falecido ídolo em um cachorro, Lily.
- Bom, já que eu não tenho filhos para fazer como Liam Gallagher... Vai ter que servir. (N/A: Liam, do Oasis, realmente deu o nome ‘Lennon’ ao primeiro filho garoto dele. Acho legal, já que ele é tão fã dos Beatles e tudo o mais. O que não é legal é eu ficar falando tanto de Oasis aqui, já que eu nem gosto tanto assim deles.)
- É bom que fique só com o cachorro por enquanto. Nada de filhos – meu pai me alertou, sério, mas depois desatou em risadas solitárias.
- É pai, é claro que eu estou pensando em filhos nesse momento. É o sonho de toda garota: engravidar aos qui... dezesseis anos.
É bom eu me acostumar. Agora eu tenho dezesseis anos. Não é bom, não é legal. Só significa que mais um ano passou e eu não aproveitei direito.
No meio desses pensamentos deprimentes, eu prestei atenção à minha família, me desejando votos de felicidade e saúde tão cedo na manhã, e no pequeno animalzinho que eu segurava no colo. Eu não devia reclamar tanto. Hoje é meu aniversário e estou aquecida, vou ganhar um bolo, estou saindo para estudar. Eu tenho muita sorte.
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- Feliz aniversário, Lily! – Marlene exclamou assim que cheguei na escola. Ela estava me esperando no frio. Pelo menos o sol apareceu para o meu aniversário... Se não pode fazer calor, que pelo menos não chova.
Eu sorri em agradecimento para Lene, e ela me abraçou.
- Você sabe que eu desejo tudo, tudo de bom pra você, não é? – Marlene perguntou, antes de me soltar. Ela sorria verdadeiramente.
Eu assenti também com um sorriso no rosto. Lene me estendeu um embrulho cor-de-rosa.
- Sei que vai gostar – ela falou. – E nem invente de dizer que não precisava.
- Eu não ia dizer – garanti, estendendo a mão para pegar o embrulho. Eu desempacotei com muito cuidado, tentando ao máximo não rasgar o papel. Lene reclamou várias vezes que o papel não era o presente, que ele estava dentro de embrulho. Quando finalmente terminei (Marlene soltou um “aleluia”), exclamei de maneira alegre. Era uma edição de capa dura de Romeu e Julieta. E era incrivelmente linda.
- Ah, obrigada! – eu exclamei de novo, abraçando-a mais uma vez.
- Eu agradeço todos os dias por ter uma melhor amiga para quem é tão fácil comprar presentes – ela falou, enquanto andávamos em direção ao prédio A. Mas não conseguimos chegar. “Ei, aniversariante” alguém gritou, e eu não tive como não olhar. Sirius Black, no meio dos amigos usais, foi quem me chamou. Eu levantei a mão e acenei, de longe. “Vem cá”, várias pessoas na mesa chamaram. Eu troquei um olhar com Marlene; ela assentiu, me dizendo para ir. Eu dei de ombros e fui, junto com Marlene. Eu me pergunto como eles estão cientes de que hoje é meu aniversário.
- Bom dia – eu cumprimentei o pessoal, simpática.
- Feliz aniversário, Lily – Dorcas levantou da mureta onde estavam todos sentados para me cumprimentar. Ela me abraçou. Isso é estranho, eu os conheço de verdade há tão pouco tempo...
Depois de Dorcas, fui cumprimentada por todos eles, que me desejaram tudo de bom, como é de praxe, e eu sorria e tentava parecer animada com essa atenção toda. Ou com o fato de ser meu aniversário.
- Eu gostaria de poder convidar vocês para minha festa de aniversário, depois dessa recepção tão fofa, mas a verdade é que não vai dar... Uma vez que não vai ter festa alguma – eu me desculpei.
- Não acredito! – Jane exclamou, incrédula, embora eu já tenha mencionado a ela minha extrema falta de animação para comemorar meus aniversários. – São seus dezesseis anos! É especial.
- Depois ela vai fazer dezessete, dezoito... É tudo a mesma coisa – Lupin falou, revirando os olhos. É sempre bom ter um pouco de apoio, alguém que compartilhe a mesma visão que você.
- Exatamente – eu concordei, sem deixar espaço para ninguém retrucar.
- Bom, vocês dois são sem-graça e a opinião de vocês... Não conta, nesse caso – disse Jane, fazendo pouco caso da nossa opinião. – Lily, eu poderia organizar tudo para você. Quer dizer, você podia simplesmente ir à pizzaria ou a algum restaurante de comida mexicana, sei lá. Era só me dar os nomes de quem gostaria de convidar, eu os chamava, depois fazia a reserva... Muito simples.
- Jane, obrigada mesmo por se propor a fazer isso... Sério, eu aprecio muito a sua disponibilidade. Mas não, dessa vez não, obrigada – eu disse, tentando encerrar o assunto, mas sem querer parecer mal-agradecida e chata. Quer dizer, eu só não gosto de comemorar meus aniversários porque não vejo nada de mais neles, mas isso não afeta ninguém além de mim.
- Evans, ignore-a – James me instruiu, desviando os olhos de seu lindo e brilhante iPhone 3G para falar comigo. – Ela é psicótica.
- Ei, obrigada, Potter – Jane exclamou com a voz carregada de ironia. – É sempre bom receber um elogio desses tão cedo da manhã.
- Disponha – ele respondeu, e depois virou para falar comigo de novo. – O que vai fazer hoje à tarde?
- Ficar em casa...? – respondi confusa, sem saber onde ele queria chegar.
- O que você diria de ir a um lugar comigo? – ele sugeriu.
Então, o que eu deveria responder? Sim? Não? O QUÊ?
- Você não joga tênis nas sextas? – foi o que eu me ouvi pronunciando. Maravilha. Agora ele (e todos os amigos dele, e Marlene) vai pensar que eu decorei seu calendário. Boa, Lily.
- Sim, mas não nessa sexta.
- O...kay. Então, em que lugar? – perguntei. Não que eu vá sair com ele. Hoje é meu aniversário, pelo amor de Deus. Não é dia de sair com garotos, seja lá com que intenção a saída ocorra. Ou não... Já que, como eu falei repetidas vezes, não tem nada de mais em estar fazendo aniversário.
- Não vou contar, vai ter que ir comigo. Agora que eu provavelmente aticei sua curiosidade. Certo? – ele me olhou com expectativa. É, talvez um pouco. Tudo bem. Sim.
- Hm, eu deveria confiar em você? Garotas? – me dirigi a Dorcas e Jane... e Emmeline. Awkward.
- Totalmente – Dorcas respondeu com animação. – Na verdade é muito fofo. E James nunca é fofo. Deveria aproveitar esse momento, não vai se repetir muitas vezes.
- Tá, tudo bem – concordei por fim. – Vou confiar em você, Potter. Mas é bom que não estrague...
- Cara, se é um voto de confiança, não deveria ficar desconfiando. – Ele me interrompeu. – Tenho certeza de que vai gostar. Você mencionou isso uma vez.
“Tudo bem, tudo bem” eu respondi, porque o sinal soou e tínhamos de ir para a aula. Então comecei a pensar em que raio de lugar eu tinha mencionado... Que Potter me levaria para... Eu não sei. Quer dizer, Dorcas e Jane pareciam mesmo animadas ao exclamar sobre “James ter um encontro”, mas eu não acho que é isso que vai acontecer. Encontros no meio da tarde? Por sinal, quando ele já tem uma garota? Uma garota que parece uma Miss?
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- Então, vamos ter que andar mais quantas quadras? – perguntei a Potter enquanto andávamos para chegar ao tal lugar surpresa. Nós já tínhamos andado umas sete quadras, sem mentira, e isso pode parecer pouco para você, mas não para a Srta. Sedentarismo. Eu já estava com dificuldade para respirar naturalmente; Potter parecia nem ter caminhado.
- Uma duas quadras – ele respondeu, quando passamos em frente a uma loja de música, repleta de discos... Digo, CDs. Estava tocando Coldplay lá dentro, dava para ouvir da rua.
- Talvez... nós... pudéssemos... parar aqui – sugeri, de maneira entrecortada, tentando parecer muito mais cansada do que eu realmente me sentia. Quer dizer, depois de mais duas quadras eu provavelmente teria perdido uns dez quilogramas.
- Não – ele respondeu simplesmente. – E esse seu condicionamento físico, Evans? Não vai fazer nada a respeito?
- Haha – ri, irônica. – Primeiro: é meu aniversário e você não deveria ficar me tirando. Segundo: nem todos nós nascemos naturalmente atletas. Terceiro: a intenção é me fazer desmaiar no caminho, de tanto caminhar?
- Não me culpe – ele falou, levantando as mãos. – Culpe o país por não me deixar dirigir. Ou por não colocar uma linha de ônibus, ou metrô, ou qualquer coisa que chegue a todos os cantos da cidade.
Eu sorri. O que mais eu podia fazer?
Depois de mais uns dez minutos (e de eu ter... sabe como é, ter colocado os bofes para fora) nós finalmente chegamos. Era um parque.
- Um parque de diversões? – eu questionei, olhando confusa para ele.
- É... – ele falou, parecendo estranhamente desconfortável. – Você me disse que nunca tinha vindo num desses, nem quando era criança... Bem, Evans, não podemos deixar essa situação assim. Entende? Não pode passar para a vida adulta sem nunca ter andado no kamikaze... Brincadeira – ele falou rapidamente, provavelmente devido a minha expressão de extremo pavor. – Enfim. Você entendeu. (n/a: nunca sei se os brinquedos têm os mesmos nomes em lugares diferentes, mas é isso aqui: http://i280.photobucket.com/albums/kk199/femene/Kamikaze_Amusement_Rides.jpg)
- Vida adulta? Potter, eu estou fazendo dezesseis anos.
Ninguém vira adulto aos dezesseis anos, pela constituição... E nem psicologicamente, na minha visão. Vida adulta = trabalho + preocupações + contas para pagar + problemas para resolver + independência (em todo e qualquer sentido) + maturidade. Ou seja: não existe vida adulta até você sair da casa da mamãe. Só estou comentando.
- O verdadeiro problema é que você nasceu adulta, claro. – ele assentiu, sorrindo. – Vem, vou comprar as entradas.
- Vai ser inútil eu tentar pagar pelo meu próprio ingresso, certo? – eu perguntei, só por perguntar mesmo. Eu não tinha nem um pingo de esperança.
- É claro, é seu presente de aniversário – ele explicou. Como se fosse algo muito óbvio. A questão real que corrói a minha mente nesse momento (?) é... Por que eu estou realmente, realmente mesmo, achando isso tudo tão legal? Digo, ele ter me trazido num parque de diversões... Quando todo ano a escola faz aqueles carnavais de inverno e eu nunca vou porque eu não acho legal? E agora Potter me trouxe a um desses parques móveis, sabe, que saem pela estrada e ficam por um tempo em cada lugar... E parece realmente legal. Comprar pipoca e algodão doce, e dirigir o Carro-Choque e ganhar um ursinho de pelúcia na barraca das argolas. (n/a: again, eu nem sei se o nome daqueles carrinhos é carro-choque hahaha Vocês sabem, o bate-bate)
Considerando que quando todas as crianças só queriam ir à Casa Mal-Assombrada e andar na Montanha Russa, eu preferia fazer qualquer outra coisa... Bem, é estranho para caramba eu já estar gostando da idéia. Quando nós acabamos de entrar.
- O que vai querer primeiro, Evans? – ele perguntou, mas não deu tempo para que eu realmente respondesse. – Espera, tenho uma idéia. Comida.
Eu não me opus ao plano, então depois de alguns minutos eu tinha meu algodão doce lindo e cor-de-rosa, e Potter tinha comprado pipoca (e era uma quantidade anormal, só para constar).
- Então... Evans. Essa foi uma idéia ruim? – Potter perguntou, enquanto andávamos sem realmente saber onde estávamos indo. Ele parecia desconfortável, de novo. O que aconteceu com o senhor autoconfiança?
- O quê?
- Trazer você aqui.
- Ah... Não, é claro que não. Isto na verdade é fofo. Eu nunca estive em um parque de diversões antes... Mas é claro que você sabe – eu mesma me interrompi, percebendo que ele obviamente tinha prestado mais atenção nessa informação do que eu mesma tinha.
James simplesmente sorriu para mim.
- Só achei muito sinistro o fato de você não ter dito que precisava ir para casa estudar – ele falou, erguendo uma sobrancelha.
- Haha. O que, você acha que eu sou, uma máquina que só estuda? – eu indaguei. Ele deu de ombros, como se perguntasse “não é isso?”. – Tudo bem, talvez um pouco – eu admiti, rindo. – Às vezes não dá para controlar seus instintos, sabe como é...
- E sendo você um ser humano, o instinto pela busca de conhecimento, de respostas? – Apesar de o comentário parecer sério, o tom de voz e o sorriso de Potter deixavam clara a intenção dele ao fazer essa pergunta. Tirar uma com a minha cara.
- Não é sobre as respostas, Potter. É sobre as perguntas.
- Hã? – ele perguntou, a confusão estampada no rosto.
- Deixa assim – eu falei, virando para colocar o palito do algodão doce no lixo. – Agora que eu terminei... O que vamos fazer? Carro-choque? Esse é um dos brinquedos que sempre me interessaram, para falar a verdade.
- Claro, pode ser. Mas fique avisada, Evans. Eu acabo com qualquer um – ele me desafiou. É claro que eu entrei no espírito. James e seus amigos certamente estão me tornando muito mais competitiva. Seria legal ter esse espírito quando eu for atrás de uma vaga na faculdade... Sabe, lutar até a mor... o fim.
Era tudo muito divertido, para falar a verdade. Tudo. Mesmo que eu estivesse me sentindo a idosa por lá. Já que eu tinha medo de fazer tudo, medo de passar mal... Medo de dar reviravoltas desagradáveis no meu estômago. E também porque só tinha mesmo crianças no parque, àquela hora. James disse que era tudo minha culpa, já que ele sabia que eu ia recusar sair com ele à noite. Não é como se eu tivesse uma escolha, de qualquer jeito. Minha mãe me obrigou a aceitar um jantar de aniversário, com a presença da família e de Marlene e Alice, que são minhas amigas mais antigas, e do namorado jumento da Petúnia...
- Ok... Admito que parques de diversão são divertidos – eu disse, depois que nós descemos da roda-gigante. Fui eu quem insistiu sem parar para irmos à roda-gigante. James ficou com cara de entediado durante todo o negócio, mas o problema é todo dele. Roda-gigante me lembra totalmente de Ryan e Marissa em The O.C., sabe como é, ele morrendo de medo de altura, depois o primeiro beijo deles¹... Muito fofo.
James assentiu.
- E eu vou ganhar um daqueles ursinhos podres da barraca das argolas para você – ele acrescentou, andando rapidamente até a tal barraca, comigo em seu encalço. – Não se preocupe, eu sou mestre nesse negócio.
- Você é mestre em tudo? – eu perguntei, erguendo uma sobrancelha.
- Ah, não, Evans. Pode acreditar.
James conseguiu acertar as tais argolas nas primeiras tentativas. E depois fez aquela cara para mim, de “eu disse que eu era o mestre”. Eu o parabenizei pelo talento... para jogar as argolas.
- Qual deles você quer? – Potter indicou os vários bichos de pelúcia expostos na barraca.
- Hum... – eu analisei todos eles. – O urso branco com gorro rosa.
A garota da barraca me entregou o urso.
- Awn, ele é tão fofo – eu comentei com James, e nós dois começamos a andar em direção a um banquinho de madeira vazio. – Harry. É o nome dele.
- Harry? – ele perguntou, estranhando. – Por que você não pode pôr um nome normal... Como Knut?
Knut, aquele urso polar que ficou famoso num zoológico da Alemanha. Só que Harry, o meu urso, não é um urso polar. Ele só é branco.
- Esse urso não é um urso polar, Potter. E ‘Knut’ é o nome mais clichê ever. E, só para terminar, Harry é um nome lindo e vai ser o nome do meu primeiro filho.
- Sério que você já pensa em filhos? – ele perguntou, parecendo quase horrorizado. Tanto que parou o ato de sentar no banco antes de ouvir minha resposta.
- Não, não agora, pelo amor de Deus! – eu exclamei, sentando eu mesma no banco. – Só estou dizendo que o dia que eu tiver um filho... Depois da faculdade, quando estiver trabalhando e muito bem de vida... Bem, Harry é um nome bonito.
- Tá – ele concordou, sentando também, parecendo mais calmo. – Então, como está se sentindo com dezesseis anos?
Eu pensei na pergunta por alguns instantes. Pensei mesmo. Mas a verdade é que tudo está exatamente igual. Porque é claro que as coisas não mudam da noite para o dia quando você faz aniversário. A eventual “maturidade” ou “mudança de visão a respeito da vida” vêm com o tempo e com as experiências que você vive. E esse fato, na verdade, demonstra meus erros de julgamento, quando eu afirmei que as pessoas não mudam. Em algumas situações com certeza a mudança é falsa. Mas essa não é uma regra geral.
Porque nesse momento, eu sinto minha própria visão diferente daquela que eu tinha um mês atrás. E isso é bom.
- Igual aos meus últimos meses com quinze – respondi, por fim. – Mas diferente dos primeiros.
James não respondeu; ele só ficou em silêncio. Era a minha a hora de puxar conversa.
- Como vão os treinos? – perguntei, buscando alguma coisa que o interessasse. Não só o meu tipo de assunto. Mas acabei não deixando que ele respondesse. Porque eu tinha outra coisa para perguntar. – Espera, esquece isso. Tenho uma melhor. Nesse momento, como você se sente? Digo, de uma maneira diferente ou igual a seis meses atrás?
- Está me fazendo essa pergunta só porque eu acabei de fazê-la a você? E quer direitos iguais?
- Não. É por que eu realmente quero saber a resposta.
- Achei que você não acreditava que as pessoas pudessem mudar. – ele não respondeu à pergunta, novamente. E não, não soou como um desafio. Ele estava simplesmente declarando um fato.
- Eu estava errada – admiti, finalmente.
Ele ergueu as sobrancelhas, quase como se não acreditasse, e depois bagunçou o cabelo.
- Diferente. Sempre vai ser diferente. Quero dizer, há seis meses eu nunca ia conseguir enxergar essa cena que está acontecendo agora, nem usando toda a minha imaginação.
- Nem eu. – Me vi obrigada a concordar com ele, afinal, era verdade.
- Mas é bom que esteja acontecendo – ele falou, subitamente se aproximando de mim no banco. – Certo?
- Eu... eu acho – foi a resposta que eu consegui dar porque ainda mais subitamente, o rosto de Potter estava a cinco centímetros do meu. Ou menos. – Potter... O que está fazendo? – eu perguntei, nervosamente.
- Nada ainda.
- Pare – eu falei, empurrando-o para longe de mim, me afastando para a outra extremidade do banco de madeira do parque. – Eu não quero isso.
- Evans... Por que é que agora você anda comigo, fala comigo, têm passado tanto tempo comigo? Que tipo de mudança súbita aconteceu com você... ou com a realidade? – Potter questionou, mas ele não estava olhando para mim. O olhar dele estava fixo em frente.
Porque eu estou fazendo uma pesquisa de campo para escrever um conto para um concurso. Um conto que eu ainda não escrevi e tenho que entregar em exatamente uma semana. Um conto para o qual eu achei muito pouca inspiração no tempo em que passei com você. Só que mesmo assim eu não me afastei, quando percebi que todo o plano tinha ido por água abaixo.
- Eu não sei – foi toda a resposta que eu dei a ele, numa voz tão baixa que eu não tive certeza de que Potter tinha ouvido.
- Essa é uma merda de resposta, me desculpe – Potter falou. Isso fez com que eu erguesse as sobrancelhas para ele, mas ele não estava olhando para mim, de qualquer jeito.
- É a única que eu tenho – menti. – E você não deveria ficar estressado comigo porque eu não quis beijar você. Eu nunca prometi nada, nunca falei porcaria nenhuma. Tente enxergar a situação pelos meus olhos. Eu vi você com Emmeline na festa da Jane. Eu fiquei sabendo do tipo de situação em que vocês estão... Sério, “amigos com benefícios”? Que droga é essa, Potter?
- O que é que Emmeline tem a ver com isso? – ele perguntou, finalmente desviando o olhar para a minha direção. Os olhos deles meio que... lampejaram.
- Não é Emmeline – respondi, categórica. – É você. Mais do que qualquer outro motivo para eu ter rejeitado seus convites para sair a dois anos, é porque eu não queria ser mais uma Emmeline. Ou qualquer outra garota. Eu não queria ser mais um número para a soma final. Eu não queria ser “Lily da festa da Beltrana”. Não é assim que eu funciono, Potter.
Ele soltou um risada incrédula.
- Acha mesmo que você era... Que você é como uma daquelas garotas? Você não é uma garota qualquer que eu vi numa festa, achei interessante e com quem eu quis... Evans, eu chamei você para sair comigo, lá nos meus quatorze anos. Cara... Se fosse alguém que despertasse em mim o único interesse de dar uns pegas por aí eu não teria ficado esperando por dois anos.
Meu Deus. Ele nunca tinha falado nada direto assim. E isso me deixou muito nervosa e quase sem reação. Por um minuto.
- Desde quando você me esperou por dois anos? A não ser que a sua definição seja completamente diferente daquela que o resto do mundo usa.
- Talvez. – ele deu de ombros.
Eu abri a boca para falar mais alguma coisa, mas nada saiu. Então eu levantei do banco.
- Estou indo. Obrigada por ter me trazido aqui hoje. Foi muito... Gentil.
Virei as costas e comecei a andar muito rapidamente, sem nem pestanejar, e passei pela entrada do parque. Eu não estava realmente pensando em nada, devido à quantidade absurda de pensamentos na minha cabeça que faziam com que eu não conseguisse me concentrar em nada em particular. Eu só continuei andando, andando, andando até que eu chegasse à parada do ônibus.
Só que no meio do caminho eu, é claro, passei de novo pela loja de CDs. E outra música tocava agora, facilmente ouvida do lado de fora, e facilmente discernida também. Ela me fez parar.
I am trying not to tell you
But I want to
I'm scared of what you'd say
So I'm hiding what I'm feeling
But I'm tired of holding this inside my head
(Eu estou tentando não te contar
Mas eu quero
Eu tenho medo do que você vai dizer.
Então eu estou escondendo o que eu estou sentindo
Mas eu estou cansada de segurar isso na minha cabeça)
I've been spending all my time just thinking 'bout you
I don't know what to do
I think I'm fallin' for you
(Eu tenho passado todo meu tempo só pensando em você
Eu não sei o que fazer
Eu acho que estou me apaixonando por você)²
Eu continuei parada na frente da loja, olhando para o outro lado da rua, vendo as pessoas caminhar, os carros passarem, os prédios onde famílias moravam, o pequeno mercado... E então eu entendi. Eu entendi por que, mesmo quando eu já tinha percebido que Potter não era o garoto que eu imaginava, mesmo quando ele me inspirou muito pouco para escrever meu conto, mesmo quando eu tinha certeza de que estava enganada a respeito dele, eu continuei por perto.
E eu entendi porque, mesmo assim, eu me afastei e fugi dele há alguns minutos. Pode ser que eu realmente não concorde com a história com Emmeline, pode ser que eu não queria mesmo ocupar o lugar dela ou de qualquer outra garota sem significado para ele, mas há outro motivo.
Eu tinha continuado a passar tempo com James Potter, muito mais tempo do que parecia possível, porque aquele garoto que eu acabei descobrindo que ele era? Eu gostava dele. Eu gostava de sua personalidade, das coisas que ele fazia, da maneira como eu me sentia junto a ele.
Só que apesar disso, essa história toda começou graças a uma mentira. Eu estive mentindo para James durante todo esse tempo. Então no momento em que eu percebi que ele realmente queria alguma coisa comigo, de verdade, eu me senti tremendamente culpada, errada. Porque eu não podia fazer isso com ele. E então, eu usei Emmeline Vance e as outras garotas como desculpa. Eu joguei a culpa nele... Para não fazer algo que me deixaria culpada.
Porque eu gostava dele.
Sem que eu percebesse, quase como um ato involuntário, eu voltei a caminhar, mais rapidamente do que antes dessa pausa. Mas eu caminhava na direção oposta a de antes. Eu estava refazendo todo o caminho que tinha acabado de percorrer. Eu não tinha muito controle sobre o meu corpo.
Foi quase na entrada do parque de diversões que eu o vi, caminhando vagarosamente, olhando para baixo. Mas assim que ele levantou os olhos, eu sei que a primeira coisa que ele viu fui eu. Ele parou, mas eu continuei andando na sua direção.
- Você esqueceu seu urso – James falou, estendendo o pequeno urso branco, Harry, na minha direção.
- Verdade – eu concordei, pegando o ursinho da mão dele. Eu nem lembrava dele. – Mas eu também me esqueci de outra coisa. Outra coisa mais importante.
- Sério? – ele perguntou, confuso. – Eu não vi nada lá – ele se explicou, porque não tinha mais nada para me entregar.
- Eu sei.
Então eu me aproximei dele o máximo que podia, fiquei (o máximo que podia também) na ponta dos pés e colei meus lábios nos dele.
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¹ http://www.youtube.com/watch?v=uAlVr57OY10 – procurar esse vídeo me deixou com tanta saudade .-.
² Fallin’ For You – Colbie Caillat. Toca na novela das oito, pelo que eu sei, então ela é famosinha. E essa música ainda não tinha saído na época em que se passa a fic (início desse ano), mas isso são só detalhes.
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N/A: Acham que esse é um bom lugar para parar o capítulo? Muahaha. Enfim, isso aqui é basicamente a metade da fic. Porque ainda tem um pequeno fato que precisa ser explorado... O fato de a Lily estar mentindo para o James, e uma hora ele vai ter que descobrir... E a Lily ainda tem um conto para entregar, o resto do concurso... E enfim, essa fic é bastante planejada. Apesar de várias coisas acabarem surgindo com o passar do tempo.
Acho que era isso. Já deixo um Happy New Year pra vocês, talvez saia fic sobre o assunto no dia 31. Só talvez. Mesmo assim: muitas coisas boas em 2010, que eu passe no vestibular (tudo bem que o meu vestibular só vai acontecer em janeiro de 2011, mas whatever), que vocês também passem... Enfim. Em 2010 a minha maior preocupação vai ser essa mesmo. Mas que surjam muitas coisas boas, inclusive um James Potter para cada uma de nós. AE. hahaha
Fernanda M.