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ATENÇÃO: Esta fic pode conter linguagem e conteúdo inapropriados para menores de idade então o leitor está concordando com os termos descritos.

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18. Capítulo 18


Fic: Uma segunda chance para viver


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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N/A: Conforme prometido, capítulo especialmente dedicado às leitoras apaixonadas pelo Sirius Black. Perdão, rapazes!






Ela aguardou alguns segundos, constrangida, esperando que ele esboçasse alguma reação. Como Sirius permaneceu calado, olhando-a como se tivesse visto um dementador, Hermione resolveu tomar a iniciativa.

- Oi, Sirius... – disse ela numa voz suave – Eu... Será que eu posso entrar?

Ele sentiu como se seus músculos sofressem de uma paralisia temporária. Não conseguia se mexer para lhe dar passagem, não conseguia responder ao que ela lhe falava, nem mesmo conseguia fazer um aceno de cabeça; apenas olhava estupefato para a visão surpreendente que o destino havia trazido à sua porta. Naquele instante ele pôde apreciar inteiramente o quanto ainda gostava daquela mulher, o quanto ela ainda mexia com ele, mesmo depois de tantos meses de fuga e afastamento. E aquela evidente gravidez que ela ostentava fazia suas entranhas se retorcerem de uma forma sufocante, pois tudo o que sua mente conseguia pensar era que ela estava carregando no ventre um filho do homem que ela amava de verdade, um filho do outro, daquele que a roubara de si.

Ele saiu de sua letargia apenas quando ela deu um passo à frente, em direção à soleira da porta, obrigando-o a recuar um passo para dentro do hall.

- C-claro... E-entre... – gaguejou ele, segurando a porta aberta para que ela passasse.

Logo que ele trancou a fechadura, ela lhe perguntou, parecendo visivelmente embaraçada:

- Os outros também estão aqui?

Por “outros” ele entendeu imediatamente que ela se referia aos demais habitantes da casa.

- Foram a uma reunião no Ministério... – explicou ele, tentando ordenar seus pensamentos – Apenas eu e os elfos estamos aqui.
- Ótimo. – disse ela com as bochechas ligeiramente avermelhadas – Porque é com você mesmo que eu preciso conversar. E a sós. A não ser, é claro, que você também esteja de saída... – acrescentou ligeira, com medo de estar sendo inconveniente – E-eu posso voltar outra hora e...
- Não! – interrompeu o homem, fazendo um esforço descomunal para não perguntar à morena o que diabos ela estava fazendo ali – Vem... vamos até a sala para conversarmos.

Os dois caminharam num silêncio constrangido, o que tornava muito mais audível o ranger agourento das tábuas do assoalho que pisavam pelo caminho. Ao chegarem, Hermione buscou um canto do sofá para se sentar, sem esperar pelo convite dele. Sirius se sentou no outro sofá e ponderou que estava muito difícil fazer seus olhos não pousarem o tempo todo sobre a barriga dela. Mas como ele supostamente deveria reagir ao fato de ela aparecer sem mais nem menos na Inglaterra e bater à sua porta, naquele estado? Antes que ela pudesse abrir a boca para falar, ele comentou, estudando as reações dela:

- Não sabia que você estava grávida...
- É, eu sei... – admitiu cabisbaixa. Ela mesma não conseguia entender como havia conseguido omitir isso dos amigos durante tanto tempo.
- Algum dos outros tem conhecimento disso? – inquiriu ele.

Ela sacudiu a cabeça em negativa.

- Porque você escondeu de todos nós um fato tão importante da sua vida está além da minha compreensão... – murmurou Sirius.

Ele notou que ela trazia um semblante triste, talvez até um pouco envergonhado, que contrastava de forma quase poética com aquele rosto tão bonito. Hermione estava incrivelmente linda apesar do seu avançado estágio de gravidez, fazendo Sirius invejar ainda mais o homem que compartilharia com ela aquela felicidade. Machucado por este pensamento, ele perguntou de uma forma um pouco mais grave:

- O que exatamente você queria conversar comigo, Hermione?

A garota levantou os olhos para encará-lo, refletindo no quanto era difícil despejar tudo aquilo sobre ele. Ela não podia prever que tipo de reação Sirius teria ao saber que era o pai daquela criança e temia ser agredida verbalmente pela terceira vez em menos de vinte e quatro horas.

- Bem... eu... – ela hesitou algum tempo, procurando a melhor forma de iniciar a conversa, e então disse - Eu e Vítor estamos nos separando.

Sirius não sabia se ficava feliz por saber que ela deixaria de ser uma mulher comprometida e inacessível ou se ficava triste por ela, em virtude da dor que ela certamente devia estar experimentando. Afinal, era Krum quem ela amava, e acabar o casamento enquanto ela estava grávida não deveria ser nada fácil.

Mas a segunda coisa que lhe passou pela cabeça foi o que verdadeiramente o perturbou: Por que ela estava lhe contando aquilo? Não seria muito melhor ela pedir conselhos sentimentais para Gina ou Harry, que a conheciam melhor, do que pedi-los justamente a ele?

Ele ensaiou dizer um “Sinto muito”, mas sabia que isso não seria completamente verdadeiro, de forma que optou por comentar:

- Eu não sei o que pode ter acontecido para vocês tomarem tal decisão, mas acha mesmo que essa é a melhor hora para se separarem? – perguntou ele, quase sem acreditar no que estava fazendo – Quer dizer, você está esperando um b...
- O filho não é dele. – interrompeu Hermione, olhando para Sirius de maneira quase temerosa, mas muito significativa.

O homem arregalou os olhos, chocado e completamente consciente do que aquilo podia representar. Seu coração batia loucamente dentro do peito e ele abriu e fechou a boca uma porção de vezes tentando falar algo, até que com muito custo perguntou:

- V-você está querendo dizer... está querendo dizer que...

Hermione apenas confirmou com um aceno.

Sirius soltou uma exclamação de assombro e botou as duas mãos na cabeça, sem conseguir acreditar. Seus olhos ficaram desfocados e ele pareceu subitamente fora da realidade.

- Me desculpe... – disse a garota nervosa - Eu juro que eu tentei pensar numa maneira melhor de lhe contar isso, mas... A verdade é que já deveria ter contado há muito tempo. E antes que você fique totalmente revoltado comigo, eu queria esclarecer que eu não sabia que estava grávida quando me casei. Eu sei... fui uma covarde de ter ocultado isso durante vários meses, mas tente entender o desespero que eu estava...

Ainda atônito, Sirius se levantou do sofá e começou a caminhar a esmo pela sala, parecendo que não enxergava nem ouvia nada do que ela estava lhe dizendo. Hermione se calou e ficou acompanhando-o com o olhar, e reparou que as mãos dele tremiam ligeiramente. O homem foi se encostar no parapeito da janela e ficou olhando para o lado de fora, como era seu hábito sempre que queria refletir sobre alguma coisa.

De onde estava, a garota contemplava com ansiedade as reações de Sirius. Ele tinha ficado anormalmente quieto, movendo-se no máximo para trocar o apoio do corpo de um pé para o outro, enquanto estava imerso em seus pensamentos. Ocasionalmente ele soltava um suspiro e Hermione imaginava que ele iria dizer algo, mas então o silêncio imperava outra vez, deixando-a cada vez mais nervosa.

Após aqueles minutos intermináveis de silêncio, ele finalmente murmurou numa voz rouca, completamente incrédulo:

- Eu vou ser... pai? – perguntou ele para si mesmo, testando o som da palavra em sua boca. Hermione só podia ver sua retaguarda, mas podia bem imaginar a expressão de choque que deveria estar gravada no rosto dele. - Deus, não é possível... – suspirou o belo homem, ainda de costas para ela. Ele então murmurou alguma coisa inaudível enquanto contava os dedos das mãos e a seguir perguntou em voz alta – Sete meses, é isso?
- É... mais ou menos. Essa é a 31ª semana... – respondeu a garota baixinho.

Ele virou o corpo para encará-la e, pela primeira vez desde a grande revelação, pareceu de fato enxergá-la.

- Por que você não me contou antes, Mione?
- Desculpe... – murmurou a garota de cabeça baixa - Eu estava muito nervosa... – ela então ergueu os olhos e ele pôde contemplar cada linha de desespero que dava para enxergar através de seus belos olhos castanhos - Fazia tão pouco tempo que eu tinha casado quando descobri que estava esperando um filho seu! Eu senti meu mundo desabar... Tentei pensar no que seria o melhor a ser feito e... e... pra falar a verdade, eu achei que você não iria gostar nem um pouco de saber disso...

Sirius fechou os pulsos, numa reação automática desencadeada pela sua tensão. Havia tantas coisas passando pela cabeça dele ao mesmo tempo. Era tão absurdamente surpreendente saber que a mulher por quem era secretamente apaixonado e por quem sofria há meses sem conta estava gerindo um filho dele... Era uma reviravolta grande demais numa história que parecia sem esperanças. Por outro lado, ele ainda não se sentia pronto para encarar uma responsabilidade como aquela, embora em nenhum momento tivesse cogitado a possibilidade de não assumi-la. Afinal, ele jamais viraria as costas para um filho... E doía tanto ler aquele desespero nos olhos dela, ver que ela tentara preservar o próprio casamento mesmo sabendo que o filho não era do búlgaro... Absolutamente inconsciente dos sentimentos de Hermione, só o que ele tinha entendido do que a garota dissera foi que ela estava em pânico diante da possibilidade de perder o marido, o que inevitavelmente o fez se sentir incomodado. Merlim, que sensação maldita de ciúme era aquela? E, para piorar, ela ainda lhe vinha dizer que achava que ele não iria gostar de saber da gravidez... Bom, quem poderia culpá-la depois da forma patética com que ele permitiu que ela partisse da Inglaterra?

- Eu fico tão triste de ver que essa é a imagem que você tem de mim... – disse ele por fim, de forma pausada – Apesar dos meus inúmeros defeitos, eu sou um homem de caráter, Hermione. É uma pena que eu tenha conduzido de tal forma as coisas entre nós naquela semana que você não tenha tido tempo de perceber isso.
- Me desculpe, Sirius, me desculpe por ter pré-julgado o seu comportamento dessa forma.
- Eu não a censuro por ter pensado assim... Eu só lamento que você tenha demorado tanto para vir me contar a verdade, porque eu gostaria de ter estado ao seu lado desde o começo. Nem imagino como deve ter sido difícil pra você passar por tudo isso sozinha, escondendo de todo mundo o que estava acontecendo...

Hermione olhou para ele absolutamente surpresa. Sirius estava compadecido de sua situação? Não estava furioso por ela ter aparecido sem mais nem menos trazendo-lhe um problema daquele tamanho?

- Eu não entendo... – comentou a garota - Como você não está com raiva de mim? A culpa disso tudo é minha! Eu vacilei, esqueci de tomar a poção anticoncepcional e... e... acabei nos colocando nessa situação bizarra!
- Eu não vou negar que... bem, de fato você poderia ter sido mais cuidadosa... – ponderou ele num tom grave, que fez Hermione se encolher de vergonha no sofá – Por outro lado, eu sei bem o estado em que lhe deixei quando você foi embora daqui, não ache que eu sou tão desligado a ponto de não ter percebido. Então, se há culpa de alguém nessa história, ela é mais minha do que sua, Mione... – admitiu ele, fazendo os olhos da garota se arregalarem de surpresa diante de tamanha auto-crítica – Eu não esperaria que você se lembrasse de tomar coisa alguma estando arrasada daquele jeito... A verdade é que eu também nem me preocupei com isso naquele dia... Você me pergunta se eu estou zangado com você? Não, é claro que não estou, querida. Nós fizemos isso juntos, eu jamais jogaria o peso da responsabilidade exclusivamente sobre os seus ombros. Talvez... – começou ele com um olhar triste – eu é que deva lhe pedir perdão, por de uma forma ou de outra ter acabado separando você do homem que ama.
- Não se culpe pelo fracasso do meu casamento, Sirius. – comentou a garota emocionada - Quem sabe um dia eu não converso com mais calma com você a respeito disso, mas... saiba apenas que o fim do meu casamento talvez fosse algo inevitável. Não se sinta responsável por isso.

Os dois se calaram momentaneamente e Sirius contemplou a garota diante de si, bestificado. Ela parecia ainda mais linda e mais doce do que ele sempre a considerou... Um filho, ele iria ter um filho com ela! Era assustador pensar que em menos de dois meses teria um bebê pequenino e frágil no colo, mas nem por isso ele deixava de sentir uma grande felicidade. A novidade era chocante e boa ao mesmo tempo. E Sirius até se surpreendia um pouco com a própria reação. Jamais achou que receberia a perspectiva de ser pai com alegria, mas ele sabia que o que fazia toda a diferença era quem era a mãe da criança.

- Obrigada por não ter me escorraçado daqui... – comentou a garota desanimada.
- Por que eu faria uma coisa dessas? – inquiriu o homem surpreso.
- Sei lá... Depois que o Vítor e o meu pai fizeram isso, acho que era o que eu estava esperando...
- O seu marido eu até entendendo, não deve ter sido muito fácil pra ele... – ponderou Sirius, meneando a cabeça – Mas... o seu pai?
- É... – ela suspirou entristecida - Ontem à noite, logo que voltei da Bulgária, fui procurar refúgio na minha antiga casa, mas eu teria passado a noite na rua se não fosse pela intervenção da minha mãe. Papai está furioso comigo!
- Eu sinto muito. – Disse ele puxando-a para um abraço, que o fez repentinamente se lembrar do quanto tinha sentido falta daquele abraço nos últimos meses – Mas está tudo bem agora, vai ficar tudo bem... Você fica aqui comigo, ok?

Ela se afastou um pouco para olhá-lo e falou com seriedade:

- Eu não vim aqui pedir abrigo, só vim lhe contar porque era seu direito saber. Não se preocupe que eu tenho algumas economias guardadas e vou logo procurar um espaço para alugar e...
- Você e sua mania de se sentir inconveniente dentro da minha casa! – ralhou Sirius num tom mais carinhoso que de sermão – Por favor, fique aqui. Pelo menos até essa criança nascer. Eu não posso lhe segurar aqui depois disso se você não quiser, mas agora eu lhe peço isso de coração. Fica!

Hermione pareceu considerar a proposta dele favoravelmente, mas estava insegura de aceitar.

- Eu não quero lhe constranger a nada, Sirius. Você só se envolve com essa gravidez o quanto estiver disposto a se envolver...
- E você acha o que? Que eu vou abandonar vocês dois? Ficou maluca? – antes que ela começasse a protestar outra vez, ele disse, enquanto lhe acariciava o rosto – Me deixa cuidar de vocês, Mione. Você já me ocultou o que estava acontecendo por tempo demais. Eu quero fazer parte disso, percebe?

A garota lhe sorriu em agradecimento, emocionada. Receber todo aquele apoio dele facilitava tanto a sua vida! Sirius brincou um tempo com os cachos que lhe pendiam sobre a face e então perguntou preocupado:

- Aliás, qual foi a última vez que a senhorita se alimentou decentemente?
- Já faz algum tempo – admitiu ela -, mas eu não tenho fome... Na verdade, eu queria lhe pedir outra coisa, se puder.
- Tudo o que você quiser. – devolveu ele, incapaz de controlar as manifestações de seus sentimentos por ela.
- Estou há muitas horas sem dormir. Entre contar para o Vítor, vir para a Inglaterra, falar com meus pais e com você... eu...
- Shhh... – Sirius a silenciou com o dedo indicador – Acho que você vai ficar bem confortável na sua antiga cama. Peço para Dobby arrumar o quarto num estalar de dedos.
- Obrigada. – murmurou a garota, genuinamente agradecida. Contar para Sirius a verdade descarregara toda a tensão que ela vinha acumulando nos ombros e, como finalmente começava a relaxar, o cansaço foi sentido com força total. Ela precisava desesperadamente de algumas horas de repouso, porque suas últimas vinte e quatro horas tinham sido absurdamente extenuantes.

Poucos minutos depois, ela já estava descalça e quentinha, aninhada sob fofas cobertas que pareciam fazer sua sonolência duplicar. Após providenciar tudo para que ela se sentisse confortável, Sirius disse antes de sair:

- Estarei lá embaixo. Se precisar de alguma coisa, é só chamar.
- Hã... você não tinha que ir ao curso do Ministério hoje? – indagou a garota, preocupada.

O homem sorriu de canto, parecendo conformado.

- Tinha. Mas agora já é tarde demais para eu ir até lá.
- Oh, Sirius, me desculpe. – pediu Hermione, intimamente se perguntando quantas vezes tinha dito aquela frase nas últimas horas.
- Não se preocupe, eu tenho direito a três faltas por semestre. E eu acho que hoje era um dia pelo qual valia a pena faltar... – explicou com um sorriso.

A garota lhe devolveu o sorriso e ficou observando-o sumir pela porta. Ele tinha acabado de sair de seu raio de visão quando a garota chamou:

- Sirius!

Ele espiou de volta pelo batente e então Hermione disse:

- Obrigada... Por tudo.

Já sentindo disposição para brincar com ela agora que eles pareciam estar vagarosamente recuperando um pouco da antiga cumplicidade, Sirius disse com um ar de troça:

- Vê se pelo menos tenta disfarçar um pouco essa expressão de surpresa com o meu comportamento, Granger!

E sem dizer mais nada, desapareceu outra vez, deixando-a rindo sozinha debaixo das cobertas.






Sirius ficou satisfeito de ver que a garota conseguiu descansar um pouco, pois ela tinha chegado ali parecendo psicologicamente tão esgotada... Por alguns momentos, enquanto bebericava uma cerveja amanteigada solitariamente na cozinha, ele tentou se colocar no lugar dela. Mesmo que lamentasse a demora dela em vir lhe contar, ele também não sabia como teria reagido se estivesse naquela situação. Ela devia estar mesmo bem angustiada para não ter nem mesmo contado a Harry e Rony que estava grávida. Por ter deixado a mentira se estabelecer por tanto tempo, acabou gerando para si mesma um problema muito mais difícil de resolver... Não conseguia nem imaginar como tinha sido a reação do marido dela, e temia que o búlgaro idiota (ele não resistia a pensar em Krum com tal alcunha) a tivesse agredido em meio à sua decepção. Mas agora as coisas seriam diferentes... Sim, ele iria cuidar dela. Bem, Hermione definitivamente não era o tipo de mulher que gostava de ser “cuidada”, pensou com um pequeno sorriso, mas ele era teimoso o suficiente para persistir até derrubar as suas barreiras.

Tomou mais um gole de cerveja e consultou o relógio. Já estava quase na hora que tinha marcado para aquela pequena reunião convocada às pressas. Assim que Hermione adormecera, ele tinha enviado corujas para Harry, Gina, Ron, Melanie, Lupin e Tonks pedindo que se unissem a ele no final da tarde para uma conversa importante. Ele pensou que essa talvez fosse a melhor forma de começar a assumir sua responsabilidade. Queria contar aos amigos mais próximos o que estava acontecendo antes que um deles se deparasse com a figura gravidíssima de Hermione por aí. Ele sentia que ela já tinha sofrido demais e queria lhe poupar dos olhares de condenação dos amigos. Se eles soubessem por Sirius sobre aquele bebê, até conversarem com ela iriam estar mais calmos e prontos para dar o apoio de que ela precisava. Ele iria ser um verdadeiro escudo para protegê-la da atitude acusatória dos outros.

Um a um, eles foram chegando, alguns cansados e outros alegres, após mais um dia normal de trabalho. Quando todos estavam presentes, Sirius se sentou na ponta da mesa e fez um gesto indicando para os demais também se acomodarem. A expressão cansada em seu rosto fazia-o parecer dez anos mais velho, deixando Harry intrigado com o motivo daquela reunião marcada tão de repente.

- Obrigado a todos por terem vindo. Saibam que eu não lhes teria incomodado se o assunto não fosse sério.

O silêncio que se abateu sobre a cozinha foi absoluto, tornando possível ouvir até a respiração das pessoas. Todas aguardavam com expectativa o que Sirius tinha a dizer. Ele esperou apenas que Dobby terminasse de servir o chá e se retirasse para prosseguir.

- Hermione está aqui...
- Aqui? – impressionou-se Gina, rompendo a mudez dos expectadores – Onde? Queremos vê-la...

A ruiva se calou ao ver a expressão séria no rosto de Sirius. Obviamente aquela conversa ainda não tinha acabado.

- Decidi falar com vocês antes que a encontrassem, porque a situação é um tanto quanto delicada... – explicou Sirius, tenso - O fato é que o casamento dela acabou.
- Mas já? – questionou Rony sem se conter, mas logo sua indiscrição foi presenteada por uma cotovelada de Melanie em suas costelas, de forma que se calou.
- Pobrezinha... - lamentou Harry – Como ela está?

Para surpresa de todos, Sirius respondeu de forma calculada:

- Grávida. – e com uma sobrancelha sugestivamente arqueada, acrescentou - De sete meses.

Vários suspiros de assombro foram ouvidos. Logo todos os jovens começaram a falar ao mesmo tempo:

- Por que ela nos escondeu isso?
- Como aquele babaca a abandona grávida?
- Ela por acaso não confia mais em nós?
- Eu vou quebrar a cara desse imbecil!

A voz de Sirius se sobrepôs a todas as outras:

- O filho não é do Krum.

O silêncio voltou a reinar soberano. Ninguém conseguia digerir a informação. Como assim o filho não era do marido dela? A única pessoa que entendeu na hora o que aquilo significava foi Lupin, que olhou para o amigo na ponta da mesa de olhos arregalados. Sirius lhe devolveu um olhar angustiado e logo baixou a vista para a mesa, constrangido ao pensar no quanto seu amigo o havia prevenido para não aprontar nenhuma besteira como aquela. Tonks, que estava ao lado do marido, notou o intercâmbio de olhares dos dois marotos e enfiou a cabeça nas mãos, quase sem conseguir acreditar no que sua mente acabara de entender.

Os demais também teriam conseguido captar a mensagem de olhassem para a expressão no rosto da auror, mas estavam todos concentrados em Sirius, pensativos, chocados demais para observar o que se passava em volta. Era muito estranho para aqueles jovens pensar que a irritantemente certinha Hermione Granger tinha engravidado de outro homem, que não o seu próprio marido. Não mais se contendo, Rony perguntou:

- Mas quem diabos pode ser o pai dessa criança?

Sirius inspirou e expirou profundamente antes de responder. Com a cabeça erguida, como se estivesse pronto para receber as reações negativas, ele confessou:

- Eu.

Gina deixou escapar a xícara de chá que tinha nas mãos e o barulho da louça se quebrando serviu bem para ilustrar o choque da ruiva. Harry afundou um pouco mais na cadeira e ficou olhando para Sirius com um olhar indecifrável. Foi Rony quem recuperou a fala primeiro.

- Mas... c-como? Como isso é possível? Você... você foi para a Bulgária atrás dela?

Sirius não precisou responder, pois Melanie puxou o braço do marido e comentou de forma perspicaz.

- Nós estamos casados há sete meses, Ron. A Hermione só estava há pouco mais de seis...

Sirius mordeu os próprios lábios e confirmou a suposição da loira com um aceno de cabeça, sem olhar para nenhum deles em particular.

- Você... e a Mione... Você e a Mione... – balbuciou o ruivo, com as orelhas vermelhas ao pensar no verbo que ficou faltando em sua frase - na semana do meu casamento?

Antes de se dirigir a Rony para lhe responder, o maroto deu uma olhada de esguelha para o afilhado, meio surpreso por ele não estar tendo a mesma reação do ruivo e preocupado com o que aquele mutismo poderia indicar. Mas logo sua atenção foi desviada completamente para Gina, que se pôs de pé e avançou a passos largos para a extremidade da mesa, parecendo disposta a socar cada pedacinho do corpo de Sirius. Na falta de coragem de fazê-lo, ela apenas disse, transtornada:

- Seu bastado! Como você teve coragem de deixá-la se casar sabendo que ela estava esperando um filho seu?
- Eu não sabia! – exclamou Sirius desesperado, olhando diretamente para a ruiva – Hermione também não. Ela se casou logo em seguida, nem desconfiava que estava grávida. Eu juro! E ela só me contou isso hoje.

Harry puxou a namorada pelo braço e fez com que ela se sentasse, mas não aplacou a fúria da ruiva.

- Que seja! Mas você acha que eu não consigo ler nas entrelinhas, Sirius? Você a usou, como faz com todas as outras, e depois a abandonou. Eu conheço a minha amiga... ela não teria se casado com Vítor a não ser que você agisse como o cachorro que sempre é. – condenou Gina.
- Você nunca vai acreditar em mim, mas eu não a usei. – rebateu o homem num tom quase suplicante – Me envolvi de verdade com ela...
- Não seja cínico! – protestou a garota – Você a levou para a cama e depois lhe virou as costas, não foi? Finalmente aquela tristeza dela no casamento do Rony faz sentido...

Tonks ameaçou intervir na discussão para contar o que sabia, mas o primo a fez se calar apenas com o olhar que lhe dirigiu. Ele sentia que era seu dever esclarecer as coisas por ali.

- Gina, por favor, olhe pra mim. – pediu Sirius. Com os olhos cravados nas pupilas da ruiva, ele disse – Eu não estou mentindo. Eu nunca achei que iria causar uma confusão dessas na vida dela. Eu não fiz de sacanagem, eu realmente me envolvi com a Mione. É fácil me julgar e me condenar quando você não sabe de tudo o que aconteceu. – os olhos dele escureceram, e Sirius deixou que a emoção rompesse aquela casca de sarcasmo que geralmente vestia - Se você tivesse a mais pálida idéia... do quanto doeu quando ela foi embora... Eu queria tanto ter tido mais tempo para me acertar com ela, mas ela foi para a Irlanda. Eu cheguei até a cogitar a possibilidade de pedir que ela desistisse do casamento, mas eu a ouvi dizendo... – e aqui você é a maior testemunha de que o que eu estou falando é verdade! - ...eu ouvi ela lhe dizendo, na véspera da cerimônia, que amava o Krum. Eu não tive coragem de fazer nada. Eu só queria que ela fosse feliz! Eu nunca a teria deixado sofrer sozinha se soubesse que ela estava grávida de um filho meu. Eu queria ter tido a oportunidade de cuidar dela desde o começo, mas ela não me deu essa chance. Por favor, não piore o meu sofrimento!

Aquela explicação desarmou a fúria da ruiva completamente. Ela chegou até a sentir pena de Sirius, pois nunca o tinha visto tão desesperado e ele parecia estar sendo muito sincero. Ela colocou uma mão sobre o braço dele e disse:

- Me desculpe. Eu acho que foi muita coisa para digerir ao mesmo tempo...
- Tudo bem. – respondeu o homem, se recompondo – Eu sabia que vocês não iriam reagir bem à notícia. Foi por isso mesmo que eu quis lhes falar antes, pois assim vocês descarregam a indignação em mim, e não nela. Acho que ela já sofreu o suficiente.

Melanie concordou com a cabeça e resolveu perguntar:

- Como ela está?

Sirius pensou em responder sobre todo o cansaço e o medo que a garota aparentava estar sentindo, mas logo viu que seria muito complicado conseguir explicar. Incapaz de traduzir em palavras o real estado de Hermione, até porque ele pouco tempo tivera para sentir como ela estava lidando com aquilo tudo, Sirius disse apenas:

- Linda. Essa injeção de hormônios fez muito bem pra ela.

Gina sorriu em solidariedade.

- Acha que eu posso vê-la agora?
- Depende... A senhorita vai controlar esse seu gênio difícil? – gracejou Sirius – É claro que pode... imagino que ela já deva estar acordada à essa altura. Só me faz um favor? Leve uma bandeja com sopa e torradas pra ela... Ela não quis comer nada desde que chegou, estou começando a ficar preocupado. Quem sabe você é mais persuasiva que eu para convencê-la a se alimentar...

A ruiva concordou prontamente, e logo foi providenciar a refeição de Hermione, deixando Sirius e Harry se encarando na ponta da mesa. Decididamente, pensou a garota, os dois precisavam ter uma boa conversa.






Hermione estava sentada numa cadeira ao lado da janela do quarto, seu vulto escuro recortado contra os últimos raios de sol daquele dia, que se infiltravam pelo vidro. Ela acariciava a barriga com um ar pensativo, alheia à chegada de Gina, que a observava em silêncio. Quando passou seu choque inicial por rever a amiga depois de tanto tempo, ainda da porta a ruiva comentou:

- Então Sirius não mentiu sobre o que acabou de me contar...

Hermione reconheceu imediatamente a voz de Gina, mas continuou olhando para o lado de fora. Ela estava sentindo tanta vergonha por não ter lhe confiado antes aquele segredo, que foi incapaz de se virar para encará-la.

- Sobre a gravidez? – perguntou a morena baixinho, num tom mais de afirmação do que propriamente de questionamento. Mas ela foi totalmente surpreendida pela ruiva, que disse:
- Não. Sobre o fato de você estar linda grávida.

Havia carinho no tom em que ela dissera aquilo. Emocionada, Hermione olhou em direção a porta e constatou que Gina inacreditavelmente lhe sorria. As duas garotas, amigas de longa data, trocaram mil palavras com um único olhar e a morena se sentia muito agradecida por não enxergar nojo ou julgamento nos olhos da outra.

A ruiva trazia nas mãos uma badeja com um prato que emanava uma fumacinha de calor no ar frio daquele fim de tarde. Quase como se o assunto da gravidez não fosse importante, ela explicou:

- Sirius me mandou trazer alguma coisa para você comer. Espero que goste da sopa de ervilha que a Whinky fez.
- Obrigada, Gina, mas eu não tenho fome... – disse Hermione, cujo estado emocional abalado lhe roubara o apetite completamente.
- E daí? – perguntou a ruiva num tom autoritário muito parecido com o de sua mãe, enquanto se aproximava e apoiava a bandeja nos braços da cadeira em que a amiga estava sentada – O bebê tem “fome”. Se não come por você, ao menos coma por ele.

Havia muita verdade naquele argumento para querer discutir, então Hermione pegou a colher que jazia ao lado do prato e passou a se alimentar devagar, sem nenhuma pressa. De vez em quando ela erguia os olhos do prato apenas para ver Gina caminhando de um lado para o outro do quarto, parecendo que fazia um esforço descomunal para se manter calada. Hermione riu interiormente pensando quanto tempo levaria até o sangue Weasley se manifestar e ela finalmente despejar todas as perguntas que queria fazer, mas ela obviamente não ajudaria Gina com isso. Era muito mais confortável ter a amiga apoiando-a sem pressioná-la de nenhuma forma.

Hermione já tinha comido mais da metade do prato de sopa quando a ruiva finalmente estacou no meio do quarto e se deu por vencida.

- Ok, ok! Eu prometi para o Sirius que eu não iria fazer isso, mas eu simplesmente não estou agüentando! – exclamou Gina angustiada. Parecendo absolutamente incrédula, ela perguntou – Como você deixou isso acontecer?

A morena não precisava nem de Legilimência para saber que a frase completa que a ruiva queria ter dito era “Como você deixou isso acontecer, sendo medibruxa? Sendo tão racional? Sendo Hermione?!”

- Se faça essa pergunta mais oitocentas e trinta e duas vezes e você vai começar a entender como eu me sinto. – respondeu a morena com um sorriso triste.

A ruiva notou o desconforto da amiga, então resolveu fazer uma piadinha para desanuviar o ambiente.

- Bem, para quem reclamava de nunca ter vivido uma paixão intensa na vida, você quebrou o jejum em grande estilo, hein? – comentou Gina com um sorriso zombeteiro - Que o Harry não me ouça, mas... Sirius Black! – disse ela se abanando teatralmente.
- É... – respondeu Hermione num tom aborrecido - Sou mais uma na lista interminável de bruxas que ele já conquistou...

Gina deu um sorrisinho a esse comentário e se sentou na cama da amiga, de onde a encarou de forma franca. Quase com medo de lhe dizer o que pensava, a ruiva arriscou:

- Acho que você não deveria julgar o Sirius desse jeito... Você não viu a forma como ele acabou de falar de você lá embaixo...

Hermione fitou a outra desconfiada, mas teve que reconhecer que as ações dele não estavam mais tão previsíveis quanto costumavam ser.

- Bom, eu não vou negar que estou surpresa com a forma madura com a qual ele tem encarado tudo isso, mas daí a achar que ele se importa mais comigo do que com as outras já é uma viagem grande demais... Ah, sei lá... Também não é hora agora de ficar me preocupando com isso. O que está feito, está feito.
- Só pare de ser tão defensiva com ele, Mione. Eu mesma fiquei chocada de ver o cuidado e o carinho que ele tem com você... Talvez haja mais em Sirius Black do que enxergam os nossos olhos...

A morena sentiu suas faces se aquecerem ligeiramente diante da perspectiva que Gina insinuava, e decidiu rapidamente mudar de assunto.

- E os garotos, como reagiram a isso tudo? – perguntou Hermione preocupada.
- É, bem... você sabe como eles são superprotetores em relação a você... – explicou a outra com uma careta - Ficaram meio passados com a notícia, mas vão acabar se acostumando com a idéia. O que me deixou surpresa foi ver que o Harry ficou ainda mais assustado que o meu irmão... Ele não conseguia nem falar nada. Mas eu sei o que é isso. Na ótica dele, você é como uma irmãzinha, e o Sirius o pai que ele não teve. Então conceber a idéia dos dois juntos deve soar quase como um incesto na cabeça dele... – ponderou Gina, se levantando para colocar uma mão nos ombros da amiga - Mas se o seu medo é perder a amizade ou o apoio deles, pode parar de pensar besteira... Eles só estão preocupados com o seu futuro, nunca iriam lhe recriminar pelas escolhas que você fez. Nós somos seus melhores amigos, Mione. E vamos continuar sendo, sempre.

A morena olhou para a outra com visível emoção. Não havia dinheiro no mundo que pudesse comprar a felicidade de ter amigos tão queridos como aqueles, apoiando-a nas horas mais difíceis. Sua vida podia estar passando por alguma turbulência, mas era um pouquinho mais fácil encarar os desafios sabendo que não estava sozinha.






Depois que todas as visitas foram embora, Sirius subiu para dar uma olhada em Hermione e encontrou-a sentada na cama, usando uma das camisas de flanela e a calça do pijama que pertenciam a ele. O homem sorriu debochado diante daquela cena, pois as vestes ficavam tão grandes nela que a garota dava a impressão de ter encolhido vários centímetros.

- Bonito visual... – comentou ainda da porta do quarto.
- Desculpe, mas eu não tinha uma roupa limpa pra vestir e estava desesperada por um banho. – explicou Hermione sem graça - Whinky apanhou estas roupas no seu quarto, espero que não se incomode...
- Com o fato de você tomá-las emprestado, não. – falou ele sisudo, enquanto vinha se sentar aos pés da cama dela - Mas o que realmente está me incomodando é perceber que a sua barriga cabe dentro da minha camisa, e com folga! Acho que preciso fazer um regime...

Hermione leu o sarcasmo nos olhos dele e lhe sorriu abertamente, coisa que ela não se lembrava de fazer há algum tempo.

- Você continua o mesmo... – comentou a garota, divertida.
- Acho que não. – respondeu ele, num tom bem diferente, que a fez perceber que agora ele falava sério – Tem acontecido muita coisa na minha vida nos últimos tempos... não sou mais o mesmo Sirius Black que você conheceu.

Ela apenas ficou observando o homem diante de si, refletindo qual seria o alcance daquilo que ele dizia. Mas não teve tempo de pensar demais sobre o assunto, porque ele retomou a palavra.

- Me desculpe por hoje, mais cedo... eu estava completamente em choque pela notícia. Acabamos nem conversando direito sobre a gravidez...
- O que você quer saber? – perguntou ela calmamente.
- Ah... se está tudo bem com o bebê e com você... Fisicamente, eu quero dizer.
- Tudo absolutamente normal, fique tranqüilo. O obstetra sempre me diz que é um feto extremamente saudável.
- Sei... – anuiu Sirius com um sorriso – E você sabe se é menino ou menina?
- Na verdade não. – confessou cabisbaixa – Nas consultas pré-natais eu nunca quis saber o sexo do bebê... o que é um reflexo da mentira que eu estava vivendo, sabe? Eu tinha medo de começar a imaginar o rostinho, as roupinhas, que nome daria... e a criança se tornaria tão real que eu não suportaria mais sustentar a história toda.

Sirius percebeu a tristeza profunda no olhar dela e veio se sentar mais perto, numa distância que fosse suficiente para poder tocá-la. Ele estendeu o braço até os cabelos dela e lhe fez um carinho desajeitado e sincero.

- Tudo isso agora é passado. Não sofra mais por uma escolha errada que você já conseguiu reverter. – ele desceu os dedos até o queixo dela e a forçou delicadamente a erguer a cabeça - Vê? Todos sabem da verdade agora, e eu, seus amigos e sua mãe estamos apoiando você. O seu pai é questão de tempo... Eu duvido que ele vá virar as costas para o próprio neto.
- Mesmo assim... – ela murmurou, uma lágrima quente escorreu devagar sobre sua bochecha – Eu vou carregar para a sempre a culpa pelo mal que fiz ao Vítor.

Sirius instintivamente recolheu a mão quando ouviu tal comentário. Ele entendia que ela se sentisse parcialmente responsável pela miséria do ex-marido, mas aquela tristeza era uma demonstração clara do carinho que ela sentia pelo búlgaro, e ele achou muito difícil controlar o seu ciúme. Ainda assim, ele gostava demais daquela mulher para vê-la sofrer sem tentar fazer nada para ajudar.

- Quanto a isso, só o tempo irá curar as feridas. O que eu lhe peço é que você não tente carregar o mundo nas costas, Mione. Você não fez nada de errado ao se casar com ele... você não tinha consciência de que estava grávida. E quer saber? Você também não fez nada errado quando se envolveu comigo.

Ela enxugou o rosto e lhe deu dirigiu um olhar descrente.

- Eu não sei o que você pensa a respeito, mas dos verdadeiros erros a gente se arrepende. – colocou Sirius, e com coragem, acrescentou – E com certeza eu não tenho qualquer arrependimento por ter vivido intensamente aqueles dias com você.

Hermione sentiu suas faces corarem, mas buscou o olhar dele e sorriu timidamente.

- Tem razão. Eu também não me arrependo de nada do que aconteceu entre a gente naquela semana. Principalmente por causa disto. – disse ela contemplando feliz a própria barriga.

Sirius se sentiu emocionado sem nem ter tempo de vestir uma máscara de homem durão. Ele se uniu a ela no ato de contemplação da “morada” do filho deles e perguntou hesitante.

- Será que eu... posso?

Ela viu a mão estendida dele, parada a meio caminho de tocá-la, esperando autorização, e lhe sorriu.

- É claro que pode.

O homem levou os dedos vagarosamente até o corpo dela, tremendo ligeiramente de nervosismo.

- O bebê não morde, sabe? – gracejou ela.

Sirius sorriu sem despregar os olhos da barriga dela e sutilmente a tocou, maravilhado com aquela sensação. O abdômen estava bem rígido, mas parecia ao mesmo tempo extremamente delicado. Ele ousou fazer um carinho na barriga dela e prontamente sentiu o bebê chutar. O homem imediatamente ergueu a vista para Hermione, num misto de susto e alegria.

- Acho que ele gostou de você... – ela comentou bem humorada.

Sirius voltou sua atenção para a barriga, e ficou recebendo os chutes da criança com um ar abobalhado. Depois de algum tempo, ele disse com a voz embargada de emoção:

- Deve ser uma sensação incrível sentir ele se mexendo dentro de você.
- Você não faz idéia... – suspirou a garota.

Para decepção de Sirius, logo depois o bebê pareceu aquietar outra vez. Vendo a expressão de desapontamento no rosto dele, Hermione brincou:

- O que você queria? Já está na hora de ele dormir, sabe?
- Ao contrário da mãe, que dormiu a tarde inteira e agora vai passar a madrugada andando pela casa e procurando algo interessante pra fazer. – acusou Sirius estreitando os olhos.
- Engano seu. Acho que eu estou com o cansaço acumulado de várias noites mal dormidas... Por incrível que pareça, estou com sono outra vez...
- Que bom. – disse ele se levantando – Também vou me deitar porque, afinal, não devo perder aulas dois dias seguidos. Mas dou um jeito de passar aqui na hora do almoço pra ver se está tudo bem, ok?

Hermione olhou para ele escandalizada e protestou:

- Sirius, eu estou grávida, não estou doente! Quer parar de bancar o protetor?
- Você pode até mandar que eu me afaste de você se quiser, e eu vou ser obrigado a aceitar. Mas você não pode me mandar ficar afastado do meu filho, portanto... – disse ele encolhendo os ombros.

Ela atirou um travesseiro nele, rindo. Ele o apanhou e, ao se abaixar para devolvê-lo na cama, se aproximou de Hermione e lhe deu um beijo na testa.

- Boa noite, mamãe. Até amanhã.
- Boa noite, Sirius...
- Qualquer problema, eu estou logo aqui no quarto ao lado.
- Eu sei... – murmurou com um sorriso de agradecimento.

Assim que Sirius fechou a porta, Hermione se largou na cama e suspirou. Era inacreditável o quanto ele estava sendo maduro, fofo e responsável. De fato, ele tinha razão quando disse que não era mais o mesmo homem que ela conhecera. Onde aquele Sirius estivera escondido durante esse tempo todo?






N/A: Alguém viu o Sirius perdido por aí? Porque ele é meu, ta? =P

Última atualização antes do lançamento de Deathly Hallows, meus amigos, então eu queria deixar clara a minha política anti-spoilers. Infelizmente nenhum de nós tem como evitar que pessoas maldosas entrem aqui para postar spoilers nos comentários, então eu aconselho fortemente que vocês fiquem um tempo sem ler as reviews deixadas pelas outras pessoas. Mas assim que eu terminar a leitura do livro 7 eu vou fazer uma verdadeira patrulha aqui nos comentários e deletar qualquer um que tente estragar a surpresa para aqueles que só vão ler a versão em português, ok? E fiquem tranqüilos, pois independente do que aconteça na história oficial, eu não vou mudar nada no projeto da minha fic (então não existe nem a mais remota possibilidade de eu lhes contar indiretamente algo sobre a saga de HP).

Meus sinceros agradecimentos pelos comentários deixados por Carla Lígia Ferreira, Mione Malfoy, Regina McGonagall, Vivian Malfoy, Brezinha, Lily Evans, Nana, Mymim, Fernanda Soares (bem vinda a bordo!), Debyh Wood, Nath Black, Monalisa Mayfair, Rhaissa Black, Caroline Marques (bem vinda a bordo![2]) e Sophi Potter (achei que você tinha se esquecido de mim! Hehe).

Beijinhos e até o capítulo 19!

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