Colbie Summers era uma típica sonserina... Calculista, mentalmente fria, audaciosa, corajosa e astuciosa, mas todas essas características não transpareciam pela beleza que seu rosto e seu olhar carregavam. Colbie era linda, uma das poucas garotas que se valia a pena sofrer no mundo.
O rosto oval perfeitamente desenhado com feições firmes e ao mesmo tempo tão meigas, olhos verdes, nariz reto e levemente afinado, lábios finos, feições tipicamente infantis, mas ao mesmo tempo maduras o bastante para que se percebesse os 17 anos que a garota tinha. Era alta, tinha um corpo muito bonito e arrancava suspiros por onde passava, os cabelos negros e cortados rebeldemente caíam perfeitamente bem ao lado de seu rosto moreno. Mas o que chamava mais a atenção na garota era a sua personalidade.
Colbie pertencia a uma família tradicionalmente sonserina, seus pais e avós pertenciam a casa de Salazar e a pressão quando a garota ingressou em Hogwarts fora enorme para que o Chapéu a colocasse nessa casa. E de fato, isso acontecera, mesmo contra a vontade de Colbie. Ela sabia que seu coração era grifinório e seus pais também, esta era uma das principais razões de seus conflitos com a família. E para compensar, Voldemort estava no poder agora e todos estavam obrigando a garota a entrar para os Comensais da Morte, mas Colbie não queria, não pertencia a lado algum numa guerra que para ela, era sem sentido.
- Vamos Colbie, acorde! – A jovem morena ouviu os chamados incessantes de sua mãe, Colbie levantou-se cansada e completamente confusa, estava tentando lembrar o que sonhara. Forçando um pouco a mente, lembrou-se de choros, pedidos, guerra, violência... Aquilo não era um sonho, era a realidade desde que Voldemort tomara o Mundo da Magia. A morena caminhou até o banheiro e olhou-se no espelho, parecia cansada e deprimida.
- Não agüento mais essa guerra... – Colbie murmurou estressada enquanto lavava o rosto, a garota olhou o céu pela janela de seu banheiro. Tudo estava nublado e refletia bem o seu humor, os dementadores agora estavam à solta e ela não conseguia sorrir como antigamente. E ainda tinha seus pais querendo que ela ingressasse em uma causa que Colbie acreditava ser infundada.
- Vamos logo Colbie, não podemos deixar seus companheiros esperando! – Sua mãe gritara novamente no andar debaixo. Samantha Summers apoiava a causa de Voldemort e se orgulhava pela filha ser uma sonserina, Colbie se parecia muito com a mãe, carregava os mesmos traços delicados e ao mesmo tempo firmes, os cabelos lisos que caíam como uma cascata sobre as costas da senhora de 48 anos e os mesmos lábios finos e sedutores.
- Você quis dizer os “seus” companheiros não é? Porque eu mesma não faço questão de ter nenhum deles por perto... – Colbie sibilou enquanto descia as escadas carregando o malão com ajuda da magia. Samantha olhou a filha com um olhar desaprovador, não pelo que a garota dissera, já estava acostumada com a educação da filha, mas sim pelo que a garota vestia. Colbie pertencia a uma rica família inglesa, mas fazia questão que isso não ficasse evidente em sua aparência. A garota trajava uma calça jeans, all star convencional, uma blusa preta e uma jaqueta nos ombros.
- Querida, já estou acostumada com sua educação fora de série... Mas essa roupa, você não tem nada melhor pra vestir não? – Samantha murmurou com um tom repleto de acidez e veneno, a senhora adorava irritar a filha com seus comentários maldosos. Colbie respirou fundo e disse sarcástica:
- Olhe mãe, o que vem de você não me atinge mais... Bom dia papai!
O senhor que estava sentado a mesa sorriu para a filha e lhe deu um beijo no rosto. David Summers era completamente oposto ao que a esposa era, tinha o mais belo coração do mundo e ficara magoado profundamente quando a filha foi escolhida para Sonserina, ele sempre soubera o coração grifinório que batia dentro do peito de Colbie. O senhor de 55 anos era muito bonito, os cabelos grisalhos, os mesmos olhos verdes da filha e o mesmo rosto bondoso e carismático. Sempre apoiara Colbie em todas as suas decisões e não fazia idéia de que sua esposa estava tentando levar a filha para os Comensais.
- Só irei terminar meu café e já partiremos para a estação... – David anunciou sorrindo a filha que retribuiu, Samantha bufou impaciente e irritada. A Sra. Summers casara com David apenas por dinheiro e status social, nada além disso, não havia qualquer sentimento de afeto dentro do seu peito e fruto daquela união fria e sem sentimentos, nascera Colbie. A garota era completamente o oposto de Samantha e isso irritava a senhora profundamente.
- Pode ficar calmo papai, não marquei de encontrar ninguém na plataforma...
- Colbie Summers! Você sabe muito bem que tem quem encontrar na plataforma daqui a meia hora! – Samantha exclamou com os nervos a flor da pele, a indiferença da filha em relação ao futuro que estava reservado a ela deixava Samantha nervosa e mal-humorada. Colbie encarou a mãe com raiva e desprezo, os olhares de ambas se chocaram a ponto de perceber que nenhuma iria rebaixar-se aos olhos da outra, parecia até que saíam faíscas dos olhos de ambas. O contato visual foi quebrado quando o pai de Colbie percebeu o rumo que estava tomando a situação e disse preocupado:
- Vamos, queridas...
A família Summers saiu da casa no mais completo e absoluto silêncio, Colbie sabia muito bem o que a mãe reservara a ela e tinha muito medo. Como já dissera, não confiava em ninguém naquela guerra, não queria estar deste ou daquele lado... Só queria que aquilo acabasse e as pessoas voltassem a serem as mesmas...
A garota perdera as esperanças quando se tratava das pessoas, sempre fora muito magoada, nunca sequer se preocuparam com aquilo que havia em seu peito. Simplesmente, sempre se magoava quando gostava de alguém e as pessoas sempre deixavam de cumprir suas promessas com a garota, a única pessoa em que Colbie confiava era seu pai, aquele que sempre cumprira tudo o que dissera.
A família saiu de casa, o dia estava frio, o que não era muito comum para a época. Colbie conseguia visualizar o medo nos olhos das pessoas, também conseguia ver os dementadores sobrevoando a região. Os Paterson que eram vizinhos de Colbie haviam desaparecido há alguns dias e a garota tinha certeza que isso era obra de Voldemort e seus seguidores e sua mãe sempre dizia que eles mereceram o que tiveram por não apoiar o lado certo. Colbie sentia muito pelos Paterson, adorava o filho deles e o Sr. e Sra. Paterson sempre foram boas pessoas...
- Ande logo Colbie! – A garota ouvira sua mãe sibilar estressada antes de ambos entrarem no carro para se dirigirem a estação. Colbie obedeceu a mãe com um mau humor estampado no rosto, o pai olhou para as duas, preocupado, como se esperasse que irrompesse uma discussão ou um duelo ali. Quando os três estavam acomodados, Colbie bufou impaciente e comentou chateada:
- Eu não entendo o porquê da gente ir de carro a estação, se podemos aparatar...
- Porque não podemos levantar suspeitas Colbie, apenas por isso... – Samantha respondeu como se aquilo fosse a coisa mais óbvia do mundo, o tom usado pela mulher pareceu ser grosseiro aos ouvidos do marido, David fechou a cara e disse enquanto dirigia:
- Olhe como você fala com ela Samantha...
- Olha como você fala comigo David, não devo satisfações a você! – Samantha respondeu com um sorriso sarcástico nos lábios, sorriso este que calou o marido. Colbie ficou olhando a situação incrédula, não acreditava no tamanho da ignorância de sua mãe com seu pai.
Mas a garota não estava a fim de retrucar, desviou seu olhar para a janela do carro enquanto escutava sua mãe pronunciar xingamentos e palavras frias e maldosas a seu pai, estava cansada daquilo, queria ser independente... O céu estava cinzento e o tempo retratava bem como a garota estava, fria e triste... Mas ao longe, Colbie conseguiu ver um raio de luz sobressair-se entre as nubladas nuvens. A garota não sorriu, nem sentiu nada, mas seu coração acelerou e ela viu que tudo tinha uma esperança e que seu ano mal começara...
- Vamos Gina! Rápido! Não temos tempo! – Gina Weasley ouviu a voz apressada e temerosa de sua mãe preencher seu quarto, a mesma abriu as cortinas do quarto da filha e a chamou mais uma vez. Gina acordou apressada chutando as cobertas e procurando suas roupas no meio de toda aquela bagunça. A ruiva correu em direção ao banheiro onde fez tudo muito rápido. Estava para começar o seu sexto ano em Hogwarts e ela tinha medo, não sabia mais em quem confiar agora, seus melhores amigos e seu namorado estavam arriscando a vida lá fora e pela primeira vez, ela sentiu-se sozinha e desamparada como nunca.
Gina era uma típica grifinória, corajosa e ousada a ponto de arriscar tudo por aquilo que acreditava e quando se referia a esse “tudo”, Gina se referia a sua própria vida. A ruiva crescera e não era a mesma menina de sempre; estava muito bela agora, o rosto era perfeitamente desenhado, os lábios finos e rosados, os olhos castanhos que pareciam tão infantis e ao mesmo tempo tão maduros e aquele típico humor Weasley que qualquer um conhecia muito bem.
A ruiva, como sempre, fora bem moleca. Isso se refletia muito bem no estado em que se quarto se encontrava, como sua mãe dizia, parecia o quarto de um de seus irmãos. A ruiva bufou impaciente quando não encontrava sua varinha, mas sorriu ao ver que a mesma se encontrava ao lado de sua cama. Apanhou sua jaqueta, arrumou-se um pouco no espelho, apanhou o malão e desceu as escadas correndo quebrando quase tudo.
- Ei Gina, quero minha escada inteira até o final dessa guerra!
- Desculpe mamãe, mas foi a senhora que me apressou! – Gina respondeu meio rindo e meio emburrada. A Sra. Weasley deu um sorriso meio triste e Gina teve certeza que viu algumas lágrimas tentarem escorrer teimosas pela face da mãe, mas ignorou, a mãe não precisava demonstrar fraqueza diante de si, Gina sabia que ela não gostaria que sua filha mais nova visse isso. Gina encarou a mãe e sentiu uma enorme dor no peito, Molly estava magra e tinha um aspecto doente, não era de se duvidar quando toda a família lutava contra Voldemort. De uns tempos para cá, a Ordem havia tido várias perdas e Gina sabia disso como ninguém, bastava ver que a mãe vivia chorando pelos cantos.
Gina lembrou-se dos dias que se passaram. Pelo menos uma coisa boa havia ocorrido, Gui e Fleur haviam se casado finalmente e Gina pode ver Harry pela última vez antes do mesmo partir em uma jornada sem rumo e possivelmente, sem volta. A ruiva não podia negar que não estava preocupada, pois por trás daquela aparência firme e forte, ela chorava horas antes de ir dormir. Seu irmão, seu amado e sua melhor amiga estavam arriscando a vida por um povo que parecia morrer de medo de um maluco como Voldemort...
- Vamos logo Gina, nossos feitiços não durarão mais tempo... Temos que sair daqui agora! – Molly disse apressada a filha enquanto apanhava alguns objetos pela casa apressada e dando uma última olhada no relógio que carregava no bolso. Gina sabia que aquele relógio dizia a mãe como estavam os demais Weasley, mas no momento, ele sempre estava na posição de “Perigo Mortal” para todos. Gina puxou o malão com esforço e perguntou confusa a mãe:
- Mas mãe, cadê a Tonks?
- Ela está nos esperando ali no portão para aparatar conosco... – Molly respondeu apressada empurrando a filha para fora de casa, enquanto era empurrada pela mãe, Gina quis dar uma última olhada naquele local que sempre fora o mais seguro do mundo para ela. A ruiva abaixou a cabeça, sentia todo o peso da guerra em suas costas e agora que Dumbledore se fora, não podia negar que suas esperanças morriam aos poucos...
Mas mal sabia a ruiva que, algo chegaria para trazer novamente ao seu coração, algo muito forte e sem explicações que lhe traria de volta a vida e a vontade de viver... Algo que viria na forma do proibido, algo forte, algo como um amor maior e mais verdadeiro do que jamais tinha sentido...
Duas garotas, um só destino unido por um amor... Gina Weasley e Colbie Summers. Uma grifinória, outra sonserina... Isso nada impede que a força de um grande amor nasça entre elas! No meio da guerra, surge o mais belo sentimento...