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30. Incubação


Fic: O contrato - Cap 37


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Cap. XXX


 



Tilintando de frio, carregando 15 quilos de equipamento, completamente careca dentro de um avião feito com uma gigantesca estrutura de metal que voava em direção à imensidão gelada fiordes adentro. Era exatamente desse jeito que Harry se encontrava uma semana depois de ter se alistado voluntariamente no exército.


Naquele fatídico dia, após o dramático parto de Hermione, ele caminhou por uma hora debaixo de chuva pesada até o local determinado como ponto de encontro aonde o veículo oficial viria buscar os novos recrutas. Aguardou sozinho por alguns minutos até que seus novos companheiros começaram a chegar de um em um. Eram basicamente garotos franzinos recém saídos da puberdade com algumas exceções que eram homens mais velhos com as cabeças já pintadas pelo tempo. Estavam todos longe dos moldes esperados para fuzileiros e eram visivelmente os últimos reforços que o exército havia chamado. A maioria absoluta carregava uma expressão fúnebre como se tivessem data e hora marcadas para o encontro com a morte, os poucos que não estavam assim traziam total apatia no olhar que demonstrava sua falta de esperança e indiferença que com o que o futuro lhes aguardava, não tinham medo de morrer, pois já estavam mortos. Nenhum parecia estar muito feliz e Harry nem ousou perguntar se havia mais alguém que estava naquele lugar por vontade própria.


Pontualmente no horário marcado apareceu na linha do horizonte, ruidoso, um veículo anfíbio, equipado tanto para andar água quanto na terra. Veio embalado em velocidade totalmente indiferente a buracos, arbustos ou pedregulhos que estivessem em seu caminho passando, destruidor, sobre todos esses obstáculos.


O carro parou muito próximo jogando-lhes água por todo o corpo. De dentro saiu um homem de meia-idade com o cabelo cortado bem rente, ao estilo militar, tinha uma generosa bigodeira grisalha e fumava um charuto. Definitivamente uma figura excêntrica, mas que impunha respeito suficiente para que ninguém se alterasse na sua frente.


_ Que decadência a minha. Eu devo ter incomodado muito alguém para acabar aqui rebocando recrutas desse pântano infernal... – disse o homem ainda encostado à porta aberta. Harry não sabia se ele estava falando sozinho ou com alguém dentro do carro.


_ Muito bem, moças! Eu sou o coronel Cornelius Fudge e serei seu anfitrião pela próxima semana que passarão em treinamento no meu campo de concentração em Liverpool onde aprenderão como não fazer muita merda em uma trincheira. – e terminou tirando o charuto da boca para dar uma cusparada grotesca para o lado – Agora... eu tenho uma lista com o nome de todos os que deveriam estar presentes aqui. Irei chamar cada nome e então vocês se identifiquem e entrem no camburão pela porta da traseira. É bom que estejam todos aqui, porque desertores não serão perdoados. - disse o homem com um brilho maligno no olhar - AGORA ABRAM BEM ESSES MALDITOS OUVIDOS PORQUE EU SÓ VOU FALAR UMA VEZ! ERNEST WEELT! – atendendo ao comando que o coronel havia acabado de dar um dos rapazes passou no meio de todos os outros e sumiu na escuridão atrás dos ofuscantes faróis do veículo militar – CARL McKENAN! ADAM PERL! – e o coronel continuou chamando, um por um -... LOUIS KERSH! HARRY POTTER!


Ao ouvir seu nome Harry repetiu o mesmo que todos os outros haviam feito antes dele, mas a reação geral diante da citação de seu nome definitivamente nada teve a ver com as anteriores. Vários pescoços, até então cabisbaixos, esticaram-se curiosos em sua direção. O garoto que havia sido chamado antes dele, o menor de todos, parou no meio do caminho para olhar para trás quase provocando uma trombada.


_ Ora, ora... o que nós temos aqui? Esse Harry Potter é o mesmo que eu estou pensando que é?


_ Er... Creio que sim, senhor. – respondeu Harry meio receoso sobre por qual tipo de humilhação ele iria passar em seguida


_ O que essa princesa está fazendo aqui no meio de todos esses moribundos desgraçados? Eu pensei que havia alguma lei, resolução ou alguma coisa assim que prevenisse a convocação da realeza em guerras, não?


_ Existe sim, senhor...


_ Mas então como?... não... não me diga que você se voluntariou para estar aqui?


_ Foi exatamente isso o que eu fiz... Senhor.


_ HAHAHA! Uma princesa que nunca viu dificuldade na vida se voluntaria no exército durante a época mais crítica para se fazer isso... caramba, assistir isso de perto vai renovar meus ânimos. Agora vá indo para o caminhão porque nós não temos a noite toda nem educação suficiente para ficar fazendo sala à altura de vossa imperiosa educação. ANDANDO EM FRENTE!


Harry assentiu e foi juntar-se aos outros dentro do veículo frio e mal iluminado e onde fazia um barulho ensurdecedor por conta das grossas gotas de chuva que caiam sobre a lataria.


Após horas apertadas e completamente mudas dentro daquele carro chegaram ao campo de Liverpool. Mal haviam descido e foram todos dispostos em fila indiana que, mais tarde, Harry descobriu servir para receber todo equipamento e uniformes além de leva-lhes até homens munidos com intimidantes maquininhas que os tosariam completamente os cabelos.


Foi uma semana de treinamento intensivo. A maioria daqueles homens que ali estavam nunca haviam pegado em uma arma de fogo alguma vez na vida e tiveram que aprender, em poucos dias, como fazer isso bem o suficiente para matar uma pessoa a poucos metros de distância. Por sorte Harry já tinha certa experiência, pois a caça sempre fora um esporte típico da nobreza bretã com o qual ele tinha familiaridade desde criança.


Após uma semana de profundo desgaste físico, muita lama, humilhações públicas e condições grosseiras. Todos os recrutas foram reunidos e avisados que aquele seria seu último dia no campo e que partiriam para o front no dia seguinte.


_ Atenção todos vocês! – começou o coronel Fudge diante daquela massa de cabeças ansiosas – Amanhã vocês partirão para campos diferentes e irão ajudar a reforçar os regimentos que já estão desfalcados depois de três meses de batalha. Aqueles homens que estão lá são seus veteranos e comem assistindo coisas com as quais vocês terão pesadelos por semanas. Não esperem ser recebidos como salvadores porque todos que estão lá sabem o quão incompetente e inexperiente todos vocês são. Estão indo para o inferno e alguns irão ficar por lá mesmo até o dia do juízo final, mas se forem fazer isso garantam de que tenha pelo menos um daqueles noruegueses desgraçados para fazer companhia a vocês. Agora ATENÇÃO! Vocês agora serão divididos em duplas e enviados à áreas diferentes, quando eu disser vocês podem vir até aqui nessa mesa ver quem será seu colega, para onde estão indo e qual avião vocês irão pegar. ENTENDIDO?


_ SIM, SENHOR! – responderam, firmes, todas as cabeças daquele pátio antes de se organizarem em uma fila indiana que terminava numa mesa cheia de listas controladas por oficiais de patentes maiores.


Não demorou muito para que chegasse a vez de Harry. Olhou o nome que estava ao lado do seu: LOUIS KERSH. Teve certeza que aquele nome estava no mesmo camburão que havia pegado na ponte uma semana antes, mas não sabia quem era porque os cadetes daquela região haviam se misturado com os de outras e já não sabia mais quem vinha de onde. No papel havia escrito ainda KRITWAINESEN 43. Aquilo provavelmente era o forte para onde seria enviado e o número de seu regimento.


Olhou em volta à procura do portão onde estava o avião que o levaria a Kritwainesen. Não demorou muito e o encontrou já parcialmente cheio, afivelou-se a uma das cadeiras, que ocupavam toda a lateral do avião deixando o centro reservado para cargas gigantescas, assim como todos os outros estavam fazendo e esperou que o Boeing decolasse sem se preocupar com o paradeiro de seu parceiro ainda desaparecido entre as centenas de outros rostos amedrontados naquele recinto.


***


Chegaram ao local de destino.


 


Uma espécie de abrigo subterrâneo encravado na neve com algumas escotilhas que se erguiam como sentinelas interligadas por trincheiras profundas o suficiente para proteger um homem de balas errantes vindas de território inimigo e que não eram intimidadas pela grotesca cerca de arames farpados circundante.


Todos os novos recrutas desceram do avião e foram orientados a correr o máximo que pudessem em direção à discreta abertura no chão que levava a uma intrincada rede de corredores estrategicamente construídos sob o solo que ajudavam a prevenir baixas tanto pelos tiros, quanto pelo frio de vários graus negativos.


Organizados, todos os recém chegados ficaram dispostos em filas, chamados pelo nome, de dupla em dupla e enviados para os respectivos regimentos que ajudariam a completar.


Quando o nome de Harry foi chamado ele se adiantou entre os outros até o local onde esperaria pelo seu colega antes de irem para o front de verdade. Assim que Louis Kersh foi chamado o menor e mais frágil dentre todos aqueles homens se locomoveu até onde Harry estava. Apesar da delicadeza física o rapaz tinha um brilho esperançoso nos olhos de um azul profundo.


_ Vocês dois! Regimento 43. Podem seguir por esse corredor até acharem um portão com o esse número escrito em amarelo e entrem. Lá será a nova casa de vocês por sabe-se lá quanto tempo. Boa sorte soldados!


_ Obrigado senhor! – disseram em uníssono Harry e Kersh enquanto batiam continência antes de saírem apressados e silenciados pela excitação corredor adentro a procura do número amarelado.


Chegaram em frente ao portão e entraram. Lá dentro havia doze homens andando de um lado para o outro aparentemente entretidos demais para perceber que dois novatos boquiabertos estavam parados logo na entrada sem a absoluta idéia do que fazer.


Depois de algum tempo um dos homens uniformizados que andava de um lado para outro parou em frente aos dois.


_ Quem son vocês? – perguntou o homem de olhos estreitos e um queixo tão pontiagudo quanto seu nariz com um carregado sotaque italiano


_ Somos os novos recrutas – respondeu Harry


_ Mas é claro... Tenente Tesaroll! Os novos calouros acabaram de chegar! – gritou o homem para algum lugar no fundo do pavilhão enquanto olhava para Harry e Kersh de cima a baixo como que analisando os dois bem sutilmente. Demorou um pouco mais em Kersh e expressou descrença com os olhos, provavelmente por causa da falta de fé na estrutura raquítica do companheiro de Harry.


_ O que foi Felini? – um homem negro excepcionalmente grande, tanto em altura quanto em massa muscular, e com uma voz possante veio caminhando em direção ao local – você me chamou?


_ Sim, tenente, dois dos novos calouros chegaram agora. – disse apontando os dois com uma inclinação de cabeça.


_ Ótimo. Só vieram vocês dois?


_ Sim, senhor.


_ Então os próximos devem chegar só amanhã. A central nos prometeu 5 novos recrutas ainda essa semana. Vocês vieram para recompor o nosso regimento por causa das baixas que já sofremos. – e começou a andar pedindo para ser acompanhado – Como vocês podem ver o nosso pavilhão está só com metade da população normal, que é de 24 cabeças, isso acontece porque aqui há uma grade de revezamento. Bom, normalmente esse tipo de coisa não é necessária, mas como uma sensação térmica de -15ºC algumas adaptações fazem parte da estratégia de sobrevivência. Como vocês devem ter percebido nesse momento há uma movimentação entre o pessoal porque em breve haverá uma troca de turnos: Quem está aqui irá para as trincheiras e ficará por lá pelas próximas 24 horas, quando haverá outra troca e o processo se repetirá até que essa guerra acabe ou que nós estejamos todos mortos.


Aquela proximidade tão banal de seu superior com a morte iminente fez os nervos de Harry estalarem de tensão.


Pararam em frente a um beliche.


_ Os dois ficarão alojados nessas camas aqui. Vocês têm sorte, os antigos donos delas não ficaram aqui por muito tempo, portanto estão semi-novas. Aproveitem a estadia enquanto podem, isso aqui não parece tão confortável à primeira vista, mas depois de um dia no front esse lugar vira um oásis. Falando nisso, a próxima troca de turnos será em uma hora e vocês dois já estão escalados. Preparem-se. – e virou de costas andando apressado para algum outro lugar.


Harry respirou fundo. Era agora. Depois de uma semana de expectativas e preparações ele estava a apenas uma hora de provar se seu título tinha alguma valia verdadeira.


Apressou-se em ocupar o a cama de baixo do beliche. Sempre achou que acordar muito próximo do teto era estressante. Agradeceu mentalmente por seu colega aparentemente não se importar com sua escolha. Harry sabia que naquele ambiente altamente pressurizado qualquer fagulha comportamental geraria conflitos de altíssimas proporções e como um dos objetivos de Harry era ser o mais discreto e incógnito possível qualquer tumulto evitado já era uma vitória.


Sentou-se em sua cama e olhou em volta. Todos continuavam intensamente atarefados, agora ele sabia, era por causa da troca de turnos próxima. Lembrou-se do aviso do tenente de que ele estava escalado e começou a se preparar imediatamente. Vestiu o uniforme pesado que lhe protegeria do frio e por cima dele uma série de cintos e coletes carregados de itens menores como cantis, rações, granadas e munição para seu fuzil. Calçou as botas grossas e impermeáveis sobre várias camadas de meias que amenizariam o frio externo.


Mal Harry havia terminado de se aprontar ouviu-se um apito seguido de um berro cuja voz ele identificou como pertencendo ao tenente Tesaroll.


_ ATENÇÃO SOLDADOS!!! DENTRO DE UM MINUTO O PELOTÃO 1 VAI CHEGAR. ASSIM QUE ELES ENTRAREM SIGAM O CAMINHO QUE LEVA ATÉ A TRINCHERA DA ALA NORDESTE! LÁ VOCÊS AJUDARÃO OS REGIMENTOS 12, 19, 22, 38 E 47 A FAZER A GUARDA. OS MAIS ANTIGOS VÃO NA FRENTE! BOA SORTE SOLDADOS!


_ SIM, SENHOR! – responderam todos aqueles homens com uma continência sincronizada.


O que aconteceu em seguida foi transtornante. Não podia ser ouvido nem o som das respirações, parecia que todos aqueles homens tinham certeza que iam morrer e estavam fazendo um minuto de silêncio para si mesmos numa homenagem grotescamente mórbida.


Depois da espera angustiante a porta se escancarou. Por ela passaram seres que pareciam já ter sido homens um dia. Totalmente apáticos, sujos, as extremidades queimadas de frio, alguns remendados por curativos manchados de sangue e carregados por companheiros que não aparentavam uma saúde tão melhor assim.


Harry teria ficado mais tempo analisando cada um dos recém chegados, mas a fila em que estava começou a andar em frente e sua visão foi interrompida deixando-lhe somente a angustiante certeza de que não havia 12 homens naquele grupo que acabara de ver chegar e que ele estava indo substituir.


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N/A: Feliz ano novo pessoal!

Eu vi os pedidos de vocês para que eu atualizasse na virada. Juro que tentei, mas viajei e só tive tempo de terminar o capítulo hoje. Ainda mais porque eu estou com uma dúvida imensa se boto ou não mais uma "mini-trama" dentro da fic porque eu fico com medo da fic começar a se estender demais. O que vocês acham?

Bom, agora um pedido!
Não sei se vocês viram na descrição da fic, mas eu a inscrevi no concurso do "Portal Potter Fics". Fiz a inscrição no espírito do tentar não custa nada... hiahiauhuiah  :p
Conto com a ajuda de vocês. O site é http://www.ppfics.com/, pra votar é rapidinho, não precisa fazer cadastro nem nada. "O Contrato" está inscrita nas categorias "Melhor Drama", "Melhor Universo Alternativo" e eu em "Melhor Autor".
Quem sabe a gente consegue essa hein? Porque se essa fic ganhar alguma coisa nessa vida a culpa vai ser toda de vocês, meus leitores queridos.

Muitos abraços para todos vocês, muitas felicidades em 2010 e até o próximo capítulo! =*


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