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23. CAPÍTULO 21


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Capítulo 21


DEVIDO À CHUVA INCESSANTE, AO LONGO DE VÁRIOS DIAS A EQUIPE DE MANUTENÇÃO não foi capaz de limpar a pilha de quase dois metros de galhos secos. Ao retirar o entulho, os homens usavam botas de borracha preta e coletes amarelos sobre suas roupas de trabalho e, em pouco tempo, estavam cobertos de lama. Vernon, considerado o mais energético da equipe de três homens, havia atirado o último galho retorcido num carrinho de mão e estava voltando ao abrigo para fazer uma pausa e fumar pelo menos dois cigarros Camel sem filtro, quando um de seus colegas de trabalho começou a gritar feito uma garotinha, apontando e afastando-se ao mesmo tempo. Os olhos castanhos de Sammy pareciam querer saltar das órbitas.


Harry, o novo funcionário, usava lentes bifocais grossas, salpicadas de lama e chuvisco. Quando se aproximou para ver o que estava acontecendo com Sammy, ele também começou a gritar. Entretanto, não gritava como uma garota, mas como um papagaio.


— O que é que está acontecendo com vocês? — perguntou Vernon, aproximando-se dos colegas. Foi então que ele viu o que os outros viam: um dedão saindo para fora da terra.


Ele se abaixou, viu o esmalte vermelho lascado da unha e caiu sentado.


— Não toquem em nada — disse ele, como se estivesse engasgado, enquanto tentava se levantar. — A polícia não vai querer que a gente toque em nada porque o que temos aqui é uma cena de crime.


Harry olhava fixamente para o dedão, como se tivesse esperanças de que ele se mexesse.


— Como é que você sabe, Vernon?


— Porque esse é o local onde o crime foi cometido, seu burro. Pelo menos, foi aqui que enterraram o corpo. — Antes de continuar, ele fez uma pausa para, com certo drama, apontar para o dedo. — E isso faz desse local a cena de um crime. É assim que eles chamam na televisão, quando delimitam o espaço com aquela fita amarela. Sammy, pelo amor de Deus, pare de gritar.


Sammy tirou um lenço encharcado do bolso e limpou os olhos.


— Deveríamos fazer alguma coisa por ela... Não deveríamos fazer alguma coisa por ela?


Levando em considerando as circunstâncias, Vernon estava surpreendentemente calmo.


— Ninguém pode fazer nada por ela agora.


— Isso é um dedo de verdade, não é, Vernon? — perguntou Harry.


— O que você quer dizer com "de verdade"?


— Pensei que talvez pudesse ser de plástico ou de borracha. É possível que um dos alunos da universidade estejam tentando pregar uma peça em nós.
 


Aquela era uma possibilidade. Vernon inclinou-se para poder ver melhor.


— É verdadeiro, sem dúvida. Borracha não se decompõe tão depressa, e posso ver que não é plástico porque não tem brilho.


Sammy sentiu ânsia de vômito. Harry lançou-lhe um olhar de reprovação, empurrando-o para trás.


— A polícia não vai gostar nem um pouco que você vomite na cena do crime. Respire fundo — sugeriu ele.


— Você tem certeza de que o dedo está ligado ao corpo? — perguntou Harry.


— Você faz umas perguntas bem estúpidas. Eu não vou botar a mão aí para saber isso. Isso é trabalho para a polícia. Por que você não corre até o centro de convenções e usa o telefone para chamar a polícia? O Sammy e eu esperamos aqui.


— Não seria mais fácil se eu usasse meu celular?


— Pelo amor de Deus, será que todo mundo nessa terra tem um celular?


— Eu não tenho informações sobre os outros cidadãos norte-americanos — disse Harry. — Só sei que eu tenho o meu. E já faz mais de um ano.


Ele abriu sua capa de chuva, tirou um celular vermelho e discou o número da polícia.


 


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