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5. Capítulo 5


Fic: Amor sem fim


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Harry acariciou as costas de Gina até chegar à nuca e ao cabelo, e a puxou de forma delicada, mas decidido, para que o encarasse. O olhar quente en­controu o dela com uma força que era pura sensuali­dade.


— Prometo que não vai se arrepender da minha companhia — declarou com voz rouca e sensual. — Vou lhe proporcionar uma vida com a qual nunca so­nhou.


— Não precisa me dar nada — declarou Gina, tentando decifrar o real significado das palavras dele. Porém, não conseguia se concentrar, pois algo bem mais poderoso e físico dominava seus pensamentos e sua atenção.


Suavemente, Harry brincava com o laço que prendia o penhoar de Gina. Ela prendeu a respira­ção, antecipando o que viria em seguida. Os seios es­tavam rígidos de desejo, os mamilos rosados e ma­cios estavam túrgidos nas extremidades. Entre suas coxas, sentia algo palpitar com mais intensidade. Ela se retesou, envergonhada pela profundidade de seu desejo.


— Espero que não tenha objeções a que eu lhe ofe­reça um pouco de prazer... — Provocou ele, forte­mente excitado e se deleitando com o efeito explosi­vo que ela exercia sobre sua libido.


— Prazer é b-bom — gaguejou Gina, enquan­to ele abria o penhoar, revelando a fartura dos seios alvos.


— Macio como veludo.


A voz dele era rouca e sensual, enquanto esfregava ambos os bicos dos seios de Gina com o polegar e o dedo indicador. Com um gemido de satisfação, preencheu as palmas das mãos com os seios exube­rantes e deliciosos.


O prazer tomou conta dela por inteiro, extraindo de seus lábios entreabertos sons e gemidos de varia­dos tons.


Com um movimento fluido, ele se afastou um pou­co e se despiu. O coração de Gina batia forte e as pernas estavam trêmulas. Apoiou a cabeça no traves­seiro e ficou admirando-o. Estava exageradamente curiosa e não conseguia parar de olhar para ele. Harry permanecia tão confiante despido quanto em seu terno.


E aquela autoconfiança era tão sensual quanto a elegância de seu corpo rijo e másculo. Descartou a úl­tima peça e, então, voltou rapidamente para a cama. Sua virilidade fez Gina salivar.


Regozijando-se, com os olhos arregalados de as­sombro, que ela tentava, sem sucesso, disfarçar, Harry usou a língua para fazer uma incursão pene­trante por entre os lábios dela, e uma contração involuntária tensionou os músculos abaixo dos quadris de Gina. Ele enterrou a boca no torço dela antes de descer e, com os dentes, tocar-lhe de leve os mami­los. Ela gemeu, arquejando. Um desejo ardente e de­licioso avivava o doce calor em seu ventre. Agarrou-se aos ombros dele, e, quando Harry se levantou le­vemente para beijá-la na boca, Gina aproveitou para explorar o torso musculoso, traçar a pelagem fina e macia do peito que conduzia ao sexo rijo dele.


— Mostre-me do que você gosta — sussurrou ela. vacilante.


Harry lhe disse sucintamente e teve grande pra­zer em ser seu guia. Ela se dedicou com esmero e ino­cente entusiasmo à nova experiência. Foi uma aluna tão dedicada que Harry se viu forçado a concluir o exercício muito mais rápido do que imaginara.


Alguns segundos depois, ele conseguiu recobrar o controle e a beijou com sofreguidão.


— Você me tira do sério, pedhi mou.


Fazer amor com ele havia intensificado seu desejo e seu grau de frustração. Estremeceu na segurança dos braços dele, ciente da sensação quente embaixo de seu ventre. Quando ele se deslocou, ela trincou os dentes para abafar um grito. O desejo era tão intenso que pressionou o rosto contra o ombro de Harry, embriagando-se com o perfume familiar da pele dele. Ele mudou de posição, abrindo-lhe as coxas e acariciando-a. O aumento repentino da temperatura a fez mover rapidamente os quadris para a frente e para trás. Para completar o estado de puro êxtase em que se encontrava Gina, Harry fez uso da boca, com habilidade e erotismo, procurando deixá-la ainda mais excitada.


— Harry... por favor.


— Se ainda está falando é porque não conseguiu desfrutar o suficiente.


A intimidade que existia ali era um doce tormento que a deixou fora de si, tamanha a satisfação. Uma ânsia desesperada a dominava e a pressão aumenta­va. Sentia muito calor, e no instante que a sensação irresistível se transformou em uma tortura libidinosa, o clímax a fez ter convulsões, e Gina se entregou ao êxtase.


Harry não perdeu tempo em encaixar o corpo sedento de forma que encontrasse passagem na car­ne sensível dela. E o fez com uma precisão implacá­vel. Ela respondeu com um gemido febril e descon­trolado.


Ele intensificou a penetração e uma excitação in­tensa a envolveu. O movimento poderoso de Harry enviava pequenas ondulações de prazer por todo o corpo de Gina. Ele lançava-se com ímpeto, com movimentos rápidos e decididos. Surpreendida, pois acreditava que não pudesse ocorrer novamente, Gina atingiu mais uma vez o clímax.


Harry saiu de cima de Gina e deitou ao seu lado, abraçando-a com ternura. Depois, apanhou uma das mãos dela e beijou seus dedos.


— Foi maravilhoso.


Não havia um único músculo que não estivesse do­lorido. Gina estava exausta depois de tudo e da in­tensidade de prazer. O ar condicionado estava conge­lando e a transpiração em seu corpo a fez tiritar.


— Está com frio? — perguntou Harry.


— Sim. Estranho, não? — murmurou ela.


Ela estava quieta demais, pensou ele. Talvez esti­vesse sentindo-se desvalorizada? Como sua experiência de vida lhe dizia que suas amantes sempre esperavam receber presentes, pensou que aquele era o momento de mostrar o guarda-roupa completo que havia mandado comprar para ela.


— Vou apanhar algo para você vestir — Harry disse, saindo da cama.


— Esqueci de trazer um agasalho. — Na verdade. Gina preferia ter tido a coragem de sugerir que o calor do corpo dele e as carícias logo a aqueceriam novamente. Porém, a insegurança ameaçava tomar conta de seu ser novamente. Agora que o que havia acontecido se transformara em um caso amoroso, percebia que não fazia idéia de como era viver esse tipo de relacionamento. Queria a certeza de que o que existia entre eles não era casual. Ao mesmo tempo, sabia que estava sendo precipitada e carente, criando muitas expectativas antes da hora. Não ousaria pôr tudo a perder com perguntas e cobranças.


Harry entrou no closet e abriu as portas.


— Venha aqui... quero mostrar uma coisa. Gina se levantou e vestiu a camisa que Harry havia despido. Perguntou-se o que haveria para ele mostrar a ela dentro de um guarda-roupa. Ao entrar, ficou em estado de choque.


— Todas estas roupas aqui são suas.


As sobrancelhas delicadas arquearam-se e Gina não disfarçou o desconforto.


— Como assim, minhas? Harry deu de ombros:


— É um presente para você. Amanhã virá uma equipe de modistas para aceitar o que não ficar bom.


Espantada com o que ouvia, Gina abriu uma das gavetas e passou os dedos sobre lingeries de seda e renda. Como ele ousava comprar-lhe roupa íntima? Trincou os dentes, irritada. Ficou observando o resto do vestuário pendurado no cabide e notou que as eti­quetas eram de um estilista muito famoso. O rubor surgiu em seu rosto.


— Não acredito que você realmente ache que é certo fazer esse tipo de coisa — disse seriamente, cruzando os braços. — Posso não ter roupas da moda, mas isso não significa que quero que você as compre para mim!


— Meu único intuito era agradá-la.


— Por acaso foi você que as escolheu? Por acaso sabe quais são as minhas cores preferidas? — per­guntou, abruptamente.


— Não — ele foi forçado a admitir, mordendo os lábios com impaciência. Qual era o problema dela? Por que não estava grata, como tantas outras mulhe­res haviam estado anteriormente? Por que era tão di­fícil satisfazê-la?


— Não faz idéia de quais são minhas cores favori­tas nem está interessado em saber. Quer que me vista como um bibelô para o seu prazer, não para me satisfazer.


Faíscas despontaram nos olhos negros de Harry.


— Não é verdade.


— Se não gosta de mim do meu jeito, não há nada que possa fazer! — proferiu Gina com veemência, desafiadora. — E, pelo menos, tenha a sensatez de perceber que gastar milhares de libras com alguém como eu, só porque me levou para a cama, é algo bas­tante ofensivo! Não precisa ficar me lembrando que é milionário.


Aquela acusação deixou Harry furioso. Jogando as mãos para o alto em um gesto irritado, ele voltou para o quarto, possesso.


— Pare de falar como se minha riqueza fosse um defeito.


— Com certeza é uma barreira entre nós. Não sou uma prostituta que você precisa comprar com roupas e presentes. É assim que está me fazendo sentir!


— Theos mou... você é impossível! — exclamou Harry, mais frio que um iceberg. — Um presente não é um insulto e deveria ser aceito com graça e edu­cação. Sou um homem generoso e a sua atitude, sim, é ofensiva. Você não tem modos. E por falar nisso, nenhuma prostituta se esforçaria tão pouco para me satisfazer!


A crítica a atingiu em cheio. As lágrimas brotaram e arderam no canto dos olhos, visto que não estava acostumada com discussões tão violentas. E jamais lhe haviam dito que não tinha boas maneiras. No en­tanto, sentia que era errado aceitar um guarda-roupa tão absurdamente caro. Caso vestisse aquelas roupas compradas por ele, a sensação de inferioridade só au­mentaria. No entanto, quem sabe, aceitando os pre­sentes e vestindo-se de acordo com o mundo de Harry, a enorme disparidade social e financeira não se­ria amenizada e ele se sentiria mais confortável?, uma voz em seu interior sugeriu. Afinal, o que era certo fazer... o que era errado?


Atordoada com tantos pensamentos conflitantes foi até o terraço tomar ar e se acalmar. O ar frio da noite a fez se encolher em um dos sofás. Alguns minutos depois uma das empregadas apareceu e lhe ofereceu um luxuoso cobertor de caxemira.


Do quarto, Harry ficou observando Gina co­brindo-se com o felpudo e quente abrigo que ele havia mandado para ela. Enrijeceu os maxilares em evidente sinal de insatisfação. Ninguém discutia com ele muito menos uma mulher. O que a tornava tão beligerante? Tão crítica com relação a ele?


Com uma postura prontamente decisiva e perspiscaz que o tornava tão temível no mundo dos negócios Harry abriu a porta da varanda e saiu atrás de Gina. Sem hesitar, pois estava acostumado a supe­rar qualquer obstáculo, inclinou-se, pegou-a no colo e voltou para o quarto.


Gina deu um gritinho, por causa do susto que le­vou.


Deixou-a na cama e a encarou desafiadoramente. Com o peito nu e uma calça jeans surrada, ficou ali parado alguns segundos sem tirar os olhos de Gina. Então, disse, apertando suas bochechas com de­licadeza:


— Achei que fosse vibrar com o novo guarda-rou­pa.


Gina fez cara de criança abandonada e ficou he­sitante:


— Me desculpe... não pensei pelo seu ponto de vista.


— Também não vi o seu lado. Você é diferente do resto das mulheres. Mas é por isso que a quero tanto.


Harry roçou os lábios molhados sobre os dela, como uma carícia, e depois intensificou o beijo. O gosto sedento do beijo dele a deixou sem ar. Pensamentos perturbadores que a estavam importunando, aos poucos, amainaram.


Harry deitou o corpo forte e poderoso sobre ela. demonstrando-lhe sua excitação. Um arrepio a asso­mou, deixando-a ardente. De repente, o desejava de­senfreadamente, com uma ferocidade desvairada...


No dia seguinte, Gina se espreguiçou e buscou Harry com uma das mãos. O lugar ao seu lado esta­va vazio, e ela abriu os olhos. A porta do banheiro não estava de todo fechada e pôde ouvi-lo no banho. Olhou o relógio com um sorriso satisfeito e vagaroso. Eram quatro da tarde.


Mais cedo, naquele mesmo dia, Harry havia voa­do com ela a Marrakech para o café-da-manhã em um fabuloso e tradicional hotel. Depois, a levou para co­nhecer uma das mais populares feiras do Marrocos, também naquela cidade. Tinham retornado para o castelo nas montanhas na hora do almoço. No terra­ço, onde foi servida a refeição, eles se sentaram sob as árvores e desfrutaram do ar primaveril do deserto.


Bem antes de o último prato chegar, eles já haviam saído da mesa para fazer amor.


O telefone tocou na cabeceira da cama. Havia no­tado que Harry nunca deixava de atender a qual­quer ligação. Após um segundo de hesitação, ela al­cançou o aparelho e o atendeu. Uma enxurrada de pa­lavras estrangeiras a fez perceber que sua intenção de ser prestativa fora em vão.


— Perdão ... em que posso ajudá-la — perguntou Gina em inglês.


— Quem é você? Alguma secretária nova? — A mulher do outro lado da linha perguntou rispidamen-te. — Passe-me para o meu noivo.


Gina franziu a testa, confusa:


— Seu noivo? Quem gostaria de falar com ele?


— Cho. Quem mais? — A mulher respondeu com escárnio. — Vamos, chame logo ele... Não tenho o dia todo!


Gina pôs o telefone na cama com a mão trêmula. Descobriu que não estava conseguindo respirar di­reito. Curvou-se como se tivesse levado um soco no estômago. Devia haver algum mal-entendido, pen­sou. Talvez a mulher estivesse brincando ou mentin­do, por alguma razão. Afinal, Harry não seria capaz de enganá-la de forma tão vil. Seria? Não podia ser tão ingênua. Podia? Percebeu, com o coração aperta­do, que nunca havia perguntado se ele tinha alguma mulher. No entanto, Harry sabia que ela acreditava que ele fosse solteiro.


Levantou-se e vestiu o penhoar de seda turquesa que havia posto mais cedo. Enquanto amarrava o laço sobre a cintura com mãos trêmulas, pelo fone que ha­via deixado apoiado na cabeceira, ouvia a mulher que continuava falando com irritação e raiva.


Harry apareceu com uma toalha enrolada na cin­tura. Ela apontou para o telefone:


— Cho está na linha.


Ele ficou imóvel por apenas uma fração de segun­do e os traços do rosto elegantemente bronzeado e belo não o traíram nem por um instante. No entanto, naquele momento Gina soube que não havia ne­nhum mal-entendido, nenhuma piada ou mentira: o homem por quem havia se deixado apaixonar louca­mente estava comprometido com outra mulher. A temperatura do corpo despencou e ela começou a suar frio. O choque era tamanho que o estômago co­meçou a provocar desconforto em Gina.


Harry lançou um olhar arguto para ela. Estava pálida. Ele não conseguia se concentrar na conversa com Cho, que, como sempre, estava relacionada com um dos temas extravagantes e inapropriados da festa de casamento. Não tardou muito a encerrar a conversa e dispensar a noiva. Pôs o telefone no gan­cho e se voltou para Gina.


— Não era desta maneira que você deveria saber sobre Cho — lamentou ele. — Mas até você vir para cá, acreditava que já soubesse da existência dela. Meu noivado é do conhecimento de todos.


— Mesmo assim, tinha que ter me contado.


A voz quase lhe faltou, pois a cada palavra que ele pronunciava, o pesadelo se tornava ainda mais real e mais difícil de suportar.


— Tinha a intenção de contar a você quando vol­tássemos para Londres.


— Depois de ter se divertido à vontade? — ironi­zou ela, sentindo-se extremamente humilhada. — Há quanto tempo está noivo?


— Há uns dois meses. Não vi razão para introme­ter esse assunto entre nós.


Gina estava decepcionada demais com a desco­berta e apenas conseguiu balançar a cabeça, incrédula com o argumento dele. A conversa tinha sido um ver­dadeiro nocaute, pois a reação dele estava sendo inver­sa ao que ela havia imaginado.


Harry não estava se desculpando ou inventando desculpas. Na verdade, nem ao menos assumia o pró­prio erro.


— Quero que pense a respeito e considere o fato de que o que tenho com Cho não tem nada a ver com a relação que tenho com você.


Uma risada cáustica e mortificada saiu da boca seca de Gina:


— Não preciso que me digam isso. Posso não ser muito sofisticada, mas mesmo uma pessoa como eu sabe a diferença entre um anel de noivado e o equiva­lente a um fim de semana promíscuo e sujo!


O corpo enérgico de Harry se enrijeceu.


— Não foi isso que aconteceu entre nós.


— Não sei o que aconteceu entre nós, pois desde o primeiro dia tenho vivido uma mentira — anunciou Gina violentamente. — Por que me envolveu nesta situação tão sórdida? E para que quer ficar noivo se não pretende ser fiel?


— Talvez porque fidelidade não seja tão impor­tante para algumas pessoas como é para você — reve­lou Harry. — Só posso garantir que minha cons­ciência está tranquila com relação ao meu noivado.


— Bem, o problema é seu ... e da sua noiva, que deve estar tão desesperada que aceitou essas condi­ções. Mas, pelo menos, ela teve escolha.


Gina o olhava, admirada com a expressão im­passível dele e com a teimosa recusa em admitir que havia cometido um erro.


— Eu não tive essa chance. Você mentiu para mim...


— Não contei nenhuma mentira — insistiu ele.


— Mentiu ao omitir a verdade.


Placas vermelhas coloriram as bochechas de Gina, tamanha era a raiva que sentia.


— Ontem à noite, você sabia que eu não imagina­va que estivesse noivo, pois deixei claro que não estaria com você se não fosse solteiro. Mas você prefe­riu ficar calado.


— Tínhamos acabado de fazer amor. Não vi senti­do algum em desapontar você aqui, tão longe de casa.


Foi naquele preciso momento que Gina perdea a paciência, pois ficou claro que Harry era muito teimoso.


— Em outras palavras, pôs seu conforto em pri­meiro lugar e decidiu que seria melhor me fazer de tola. Em nenhum momento se preocupou se eu estava traindo meus valores ao me envolver com um homem que está planejando casar com outra mulher. Ou se o fato de saber que nossa relação não é algo especial e único me deixa enojada!


O rosto bonito dele estava rígido, contrariado.


— Claro que me preocupei. Mas não dá para viver a vida toda seguindo regras tão rígidas.


— Principalmente se essas regras se chocam com os desejos do sr. Harry Potter, não é verdade? — Gina o confrontou. — Tenho bons motivos para respeitar os valores que escolhi seguir.


Harry a analisou com olhos brilhantes e in­tensos.


— Há muito tempo não desejo uma mulher como desejo você. Desistir da nossa história nunca foi uma opção.


— E, obviamente, estamos falando apenas de sexo, pois meu irresistível poder de sedução não é su­ficiente para impedir que você se case com outra pes­soa. O curioso é que antes me acusou de não saber me comportar. Não acha que tinha o direito de saber que seria apenas um caso passageiro, um fogo de palha? Se tivesse algum respeito por mim, não teria me tratado maneira!


— Você está equivocada. O que senti por você foi atração explosiva. E não acredito que negar sentimentos torne alguém uma pessoa melhor.


Com esta réplica pungente, Harry foi até o closet e pegou uma roupa limpa para vestir.


— Conversaremos sobre isso quando estiver mais calma. Acho que discussões são perda de tempo e de energia.


— Não me importa o que acha. Quero apenas que me arranje um jeito de sair daqui o mais rápido possível. — Ela ergueu o queixo e reuniu todo o seu orgulho para esconder a dor que sentia. — Também não vou me importar se tiver que ficar horas no aeroporto operando pelo próximo vôo para Londres.


— Isso é loucura. Por que vai embora? Não faz sentido dizer que o que existe entre nós é casual — insistiu Harry veementemente. — Quero você na minha vida.


— Sinto dizer que esse é um daqueles raros casos em que você não consegue o que quer.


Os olhos verdes de Gina cintilavam cheios de censura.


— Não vou deixar você ir embora.


— Não tem escolha.


Gina escancarou a pequena mala que havia levado e começou a guardar os poucos itens que trou­xera de casa. Ela o odiava, porém a aterrorizava o fato de que a imagem angustiante dele nos braços de outra mulher a torturava lentamente. Para se manter sã, tratou de permanecer ativa e prática.


Harry observou-a empilhar seus pertences. Não gostava de confrontos emocionais. Não lidava com emoções, ponto final. Nunca havia se metido em con­fusões amorosas ou em promessas e muito menos deixado se levar por histórias com finais felizes para sempre. Mas sabia que ela acreditava naquilo tudo e que a tinha magoado. Preferia dar um tempo para que ela se acalmasse. Não acreditava que ela fosse, sim­plesmente partir e abandoná-lo.


Uma hora depois, Hamid o informou que Gina estava no salão principal com a bagagem. Harry fi­cou olhando para a tela do computador e se deu conta de que não havia feito nada durante todo aquele tempo.


Vestida com uma blusa branca e uma saia jeans e com os gloriosos cabelos presos na nuca, ela estava de pé, em frente à janela.


— Entendo que esteja decepcionada, mas acho que poderia ser mais flexível — disse Harry terna­mente.


— Harry ... — sussurrou Gina, interrompendo-o. — Ser flexível é apenas uma forma diferente de dizer ser usada por você, e não sou masoquista. Mas já cheguei à conclusão que tudo o que aconteceu en­tre nós não foi inteiramente culpa sua. Tenho minha parcela de culpa também.


Os olhos cor de ébano semicerraram-se.


— Como assim?


Gina queria contar a ele sobre Luna, porque es­tava convencida de que seria a última vez que o veria.


— Para que você entenda, tenho de voltar nove anos no tempo, que foi quando vi você pela primeira vez. Tinha 14 anos.


Harry estava intrigado.


— A primeira vez? Como? Onde?


— Você visitou minha irmã gêmea na clínica para crianças.


Ele franziu a testa, desconcertado.


— Em uma clínica?


— O nome dela era Luna... e, não, você não repa­rou em mim em nenhuma das visitas. Era apenas uma das fãs no meio das pessoas em volta do carrinho de chá. Minha irmã tinha leucemia e pouco tempo de vida. Um dia, você voltou com o cantor da banda fa­vorita dela. Luna ficou exultante. Você era o ídolo dela e naquele dia se tornou o meu também, por ter sido tão generoso e bondoso com ela.


Harry estava chocado com o que ela lhe dizia. Também perdera uma irmã gêmea quando era adoles­cente, mas era um assunto proibido para ele. Além disso, aquela revelação havia conseguido penetrar sua armadura de homem frio e calculista. Ele era o herói dela. Aquilo era mais doloroso que uma surra.


— Sua irmã, Luna, morreu?


Gina fez que sim, estampando a tristeza nos be­los olhos verdes.


— Sinto muito. Durante anos visitei centenas de crianças. Infelizmente não me lembro dela — admi­tiu ele.


— Faz muito tempo. Não esperava que se lembras­se. Apenas queria que soubesse que mesmo que tudo dê errado entre nós, no campo pessoal, sempre serei grata por você ter feito minha irmã tão feliz enquanto estava viva.


— Não quero sua gratidão, pedhi mou. Esse tipo de gratidão é algo que nunca quis de ninguém.


— Mas, pelo menos, espero que isso explique o motivo que me fez ter agido tão impulsivamente, quando, finalmente, tive a chance de falar com você pessoalmente. Tinha essa falsa imagem da sua pessoa — uma imagem imatura, infantil. E sei que acabei causando a impressão errada também.


— Theos mou ... Não diga isso, não é verdade.


— Preciso ir.


Gina não se permitia voltar a encará-lo. Hamid já lhe havia avisado que o helicóptero a aguardava para levá-la até o aeroporto. Harry tinha o poder de deixá-la débil e hesitante, mas estava determinada a ser forte e ir embora com dignidade.


— Você não me causou nenhuma impressão erra­da — rebateu ele. O sotaque estava mais carregado do que de costume. — Quando vi você, o estrago já estava feito. Meu instinto de caçador é muito forte e quanto mais você resistisse mais eu a desejaria. Me desculpe por ter magoado você. Mas pense bem antes de ir embora e dar as costas ao que temos juntos. Algo tão especial não se encontra com facilidade.


— Mas foi uma farsa — rebateu ela, com tanta amargura que precisou lutar para esconder.


Harry observou o helicóptero partindo. O perfil imponente e solene estampava pura frustração. Foi até o bar e serviu-se de uísque. A partida de Gina havia desencadeado reações adversas e desconfortá­veis nele.


Talvez fosse até melhor que ficasse um tempo sem vê-la. Afinal, não era nenhum herói, e nem tivera a ilusão que fosse. Pensou que seria típico de Ginevra Weasley se entregar a um homem apenas se ele fosse um maldito herói!


E, no entanto, ele havia se comportado como um cafajeste, pensou, com a consciência pesada. Tinha se aproveitado da inocência de uma virgem que o vira, videntemente, sob um prisma adolescente e apaixonado. Recordou-se dos olhos cheios de vida de Gina, quando ela o viu no primeiro dia, na sala da reunião. Perguntou-se o que teria de fazer para trazer aquele brilho de volta, e não tinha dúvidas da sua ha­bilidade para alcançar aquela meta.


No entanto, terminar com Cho não era algo ne­gociável, ponderou. A escolhera para ser sua esposa, e não era homem de voltar atrás. Só havia vaga para o papel de amante. Gina teria que entender e acei­tar isso. Daria a ela a chance de se familiarizar com o conceito da palavra condescendência. Recusava-se a pensar na possibilidade de que ela acabasse se mos­trando teimosa e contestadora.


Depois de algumas horas de atraso no aeroporto, Gina conseguiu retornar a Londres em uma manhã cinza e úmida. Sentiu falta da luz vívida do sol quase tanto quanto a falta de Harry. Ele havia feito com que um avião da Potter a levasse até Londres. Du­rante o vôo, por causa da tripulação, teve que prender o choro e manter os olhos secos. Ao chegar em casa, pensou como o apartamento que alugara era descon­soladamente frio e escuro.


Não tardou em advertir-se de que aquele era o mundo real. O seu mundo real. Agora entendia por­que o Marrocos parecera um conto de fadas. Como pôde iludir-se achando que seria algo sério e duradouro? A relação afetiva não tinha sido mais que um affaire passageiro, e ela, um objeto de desejo fortuito do milionário grego para quem uma única mulher, claramente, nunca seria suficiente. Ele a tinha esco­lhido porque ela fora inacreditavelmente fácil.


No dia seguinte, foi despertada pela entrega de um magnífico buque. Disse para si mesma que não iria ler o cartão, e apesar da beleza das flores ter lhe causado lágrimas nos olhos, ainda assim, as jogou no lixo.


Recusou-se a cair no equívoco de acreditar que amava Harry. Como poderia amar alguém que mal conhecia?


Tinha que esquecê-lo, e logo. Mas o desejo por ele a consumia como uma dor constante. Não sabia como exterminar o impulso veemente e impaciente de pelo menos ver o rosto de Harry uma vez mais. Como conseguiria algum dia perdoar-se pelos erros que co­metera?


Disposta a voltar a trabalhar e ansiosa para ganhar mais dinheiro, passou na agência de empregos para dizer que estava livre novamente. Por sorte, tinha tra­balho naquela noite, em um supermercado. Quando acabou seu turno, estava verdadeiramente cansada. Mal conseguia andar pela rua no caminho para casa. O que era bom, pois o cansaço a impedia de pensar.


De repente, notou que uma limusine a seguia. O chofer parou no acostamento e abriu a porta para que ela entrasse.


— Por favor, vá embora! — pediu ela em voz bai­xa, rezando para que nenhum de seus colegas de tra­balho estivesse vindo, mais atrás.


O automóvel continuou seguindo-a até em casa, e quando ela subia as escadas, Remus apareceu, carre­gando um enorme baú cheio de roupas.


— Remus ... por favor — murmurou ela, fatigada. — Não quero isso.


Ele deixou o baú em frente à porta de entrada do edifício de Gina.


— O sr. Potter nos mandou apanhar a senhora no trabalho e lhe entregar estas roupas.


Gina implorou que ele tirasse o baú de perto e ele assentiu, levando-o de volta para o carro.


— Ele ainda está no Marrocos? — Não conseguiu controlar a curiosidade.


— Em Atenas ... a trabalho.


Não devia ter perguntado; onde Harry estava ou o que fazia não era mais problema seu.


Ficou feliz quando a agência de empregos telefo­nou avisando que havia uma vaga temporária de uma semana em uma grande companhia de seguros. Mais tarde, a vizinha, filha da sra. Tonks, pediu que Gina ficasse algumas horas com a mãe, pois precisava sair. Contente, porque poderia se distrair um pouco e esquecer temporariamente os problemas, Gina desceu para a casa da senhora para lhe fazer compa­nhia.


No apartamento havia televisão a cabo e a senhora Tonks insistiu que Gina ficasse à vontade para es­colher o programa que desejasse.


Com o controle remoto, zapeava pelos inúmeros canais quando se deteve em um deles, perplexa. A primeira coisa que viu foi a foto de Harry com um título abaixo anunciando o documentário sobre a vida amorosa do milionário grego. O programa já ha­via começado, mas Gina teve tempo de ver uma oriental incrivelmente bela entrando no convés de um imenso iate branco. A partir dali, não conseguiu mais despregar os olhos da televisão e, ainda assim, nada lhe causava mais sofrimento que assistir aquele pro­grama.


Sentia vergonha da sua curiosidade mórbida de sa­ber quem era Cho. O que descobriu sobre ela e a re­lação com Harry apenas a deixou mais ressentida e humilhada. Ao lado de Cho Chang, com o cabe­lo preto e perfeito, a aparência de supermodelo e lin­damente maquiada, Gina via a si mesmo como uma pobre coitada em guerra constante com a balan­ça. O que mais a impressionou foi o fato de que uma mulher tão linda como Cho não fosse suficiente para satisfazer Harry. Será que ele era um mulherengo inveterado? Incorrigivelmente viciado em ex­periências novas e desafios?


Porém, ao longo do documentário, descobriu que Harry conhecia Cho desde a adolescência, e cada comentário sobre as fotos do casal fazia com que o coração de Gina se contraísse. Eles realmente pa­reciam ser o casal perfeito. Ambos eram gregos, lin­dos, ricos e sofisticados. Gina sabia que não tinha nenhuma daquelas qualidades e perguntou-se como havia conseguido chamar a atenção de Harry. Apesar de doloroso, tinha de admitir que ele se preocupava verdadeiramente com Cho. Do contrário, porque um homem com tantas opções e com tanta expe­riência iria escolher se casar com ela?


Assim que saiu do trabalho, no dia seguinte, Gina foi direto à farmácia e comprou um teste de gravi­dez. Estava à beira de uma síncope. O resultado não tardou a sair: positivo.


Subitamente, sentiu-se nova demais e muito assus­tada. Havia conseguido fazer tudo errado: engravida­do na primeira relação sexual com um estranho. E para piorar, o pai da criança, Harry Potter, não li­gava a mínima para ela e, certamente, não queria que tivesse um filho dele. E, naturalmente, Cho Chang tampouco iria querer.


Gina ficou se lamentando duramente por um bom tempo, tomada pela culpa e pelo desconsolo. Sa­bia quão miserável se sentiria se o homem com quem fosse se casar engravidasse outra mulher. Cho, que era uma vítima naquela história, ficaria arrasada e humilhada se descobrisse. Além disso, seria um constrangimento em dobro por causa da opinião pú­blica, visto que eles eram conhecidos na mídia. Caso a imprensa descobrisse que Harry havia engravida­do uma de suas funcionárias temporárias, no mesmo dia a história seria capa de todas as revistas de mexe­ricos e dos jornais sensacionalistas.


Uma onda amarga e dolorosa, cheia de arrependi­mento, a invadiu. Como iria sustentar aquela criança que crescia em seu interior? Com o que recebia, mal conseguia alimentar-se direito. Bebés precisavam de vários cuidados e roupas. Uma creche era financeira­mente inviável. Como iria conseguir trabalhar e cuidar do filho? E se não fosse capaz de se manter em um emprego estável, a criança teria o futuro prejudi­cado e ficaria sem referência, um exemplo em que se espelhar, pois estariam sempre vivendo em condi­ções de pobreza e necessidade.


Ao meio-dia foi chamada pelo gerente-geral ao primeiro andar. Ele parecia um tanto nervoso. Se por um lado estava preocupada que tivesse feito algo er­rado, por outro sentia-se grata por poder sentar em um lugar confortável e aquecido.


Quando a porta se abriu, levantou-se, surpreen­dida. Um gemido surdo saiu de seus lábios entreaber­tos pelo fato inesperado: Harry estava bem à sua frente.


— O que está fazendo aqui? — Gina balançou a cabeça, incrédula.


 


 


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OI gente desculpa a demora, mas eu tava muito ocupada!!!!


Anna: É grego sim a maioria significa tipo Minha querida, e meu deus


que bom que vc está gostando!


bjs


 

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