Capítulo 05
Sara sentia que o tempo não passava. Resolveu tentar distrair a cabeça com algo que gostava muito de fazer: cozinhar. Foi para a cozinha.
***
***
Sara retirava o terceiro bolo do forno quando ouviu um barulho alto, mais alto do que de uma aparatação.
"As proteções! As proteções foram quebradas!"
E ela correu escada acima, colocando em si mesma um feitiço de desilusão. Ficou escondida num canto do corredor, de onde poderia ver quem estava ali, a varinha em punho. E logo o invasor se mostrou: era loiro, cabelos lisos e compridos.
"Malfoy!"
E ela tremeu ao lembrar de um dos argumentos de Rodolfo para que ela aceitasse se esconder: "Vou lhe dar apenas um motivo para que você suma, Sara: Lucius Malfoy. Ele costuma 'brincar' cruelmente com suas presas antes de dá-las de comer a Lobo Greyback."
- Eu sei que você está por aqui, Srta. Lestrange. - ela ouviu Malfoy dizer, suavemente. - Seu irmão não vai poder escondê-la por muito mais tempo, portanto, apareça e vamos adiantar nossa brincadeira! Por que atrasar o inevitável, querida? Sei que você deve ser muito gostosinha... para Rodolfo tê-la escondido todos esses anos, só pode ter sido por medo do que poderíamos fazer com você. - ele riu, um riso seco, cruel. - Prometo que serei muito... cuidadoso com você... e terá tanto prazer quanto eu.
Ela estava congelada de medo contra a parede do corredor. Malfoy subia as escadas, agora.
"Severus... onde está você?"
- Snape não chegará em casa tão cedo, Sara. E eu devo lhe dizer que sou muito melhor do que ele... - dizia Malfoy.
- Não era o que Narcisa costumava dizer. - era a voz de Snape.
E Malfoy se virou na metade da escada para dar de cara com Snape, um pouco ferido, mas pronto para lutar, a varinha em punho.
- Aliás, Lucius, se bem me lembro, você a matou justamente por ela ter jogado algumas verdades na sua cara, não foi? Algo a respeito de Travers e Avery... - provocou.
- Ela estava louca, por isso eu a matei. - ele desceu as escadas, voltando a sala. - Não posso ter ao meu lado uma cadelinha no cio que sai com qualquer um que prometa lhe dar um trato.
- Certo, Lucius, eu acredito. - ele manteve o tom irônico. - Mas o que o traz à minha casa, sem ter sido convidado? Ou melhor: o que o fez pensar que eu cairia no seu joguinho de me convocar para uma reunião que se provou ser uma armadilha?
- Sara Lestrange. Eu a quero.
- Sara Lestrange? Nunca ouvi falar.
- Ah, ouviu sim, Snape... eu sei que ela está aqui. - rosnou Malfoy.
- Quem lhe disse isso? Ou melhor: quem é essa Sara Lestrange?
- Não se faça de desentendido! Rodolfo me contou tudo. Eu o torturei para que abrisse a boca.
Sara levou as mãos à boca, apavorada.
"Ele torturou meu irmão!"
- Eu não posso ajudá-lo a ter o que quer, Malfoy. - disse Snape, sentando no sofá, como que despreocupado.
- Eu a quero, Snape!
- Pois, se bem me lembro, há uma certa... regra, instituída pelo próprio Lord das Trevas, onde a mulher de um Comensal só partilha o leito de outros quando for da vontade do marido dela ou com a permissão dele. Claro que, no seu caso, isso não se aplicou... - alfinetou ele.
- E...?
- E... que eu não permito e nem é de minha vontade que Sara partilhe do leito de qualquer outro homem que não o de seu marido, que neste caso seria eu.
Sara respirou fundo, aliviada. Sentindo-se salva.
- Você? Rodolfo entregou a irmã para você em casamento?
- Sim. De que outra maneira você acha que eu aceitaria? O que me traria de lucros ter uma mulher nesta casa se não pudesse tê-la em minha cama?
- Prove o que está me dizendo. Onde ela está?
- Certamente. Sara! - ele a chamou, esperando que ela interpretasse a personagem.
E ela se levantou de onde estava escondida, retirando o feitiço desilusório e ajeitando os cabelos e a roupa, simulou que saía do quarto de Snape e desceu as escadas.
- Sim, me chamou, Severus? - e ela se pôs ao lado do sofá em que ele estava sentado.
- O Sr. Malfoy aqui quer uma prova do nosso casamento.
- Que tipo de prova? - ela simulou corar, sabia que Snape jamais permitiria que ela passasse por qualquer espécie de situação vergonhosa. - O que deseja que eu faça, meu marido?
- Sente-se aqui em meu colo e... - ele olhou para Malfoy. - Um beijo seria uma prova suficiente, Lucius?
- Dependendo da intimidade do tal beijo. - provocou Malfoy, comendo Sara com os olhos.
- Sente-se em meu colo e me beije, Sara. - ordenou Snape, suavemente.
Ela sorriu intimamente e sentou-se em seu colo, de lado, envolvendo uma mão nos cabelos dele e a outra desabotoando a camisa preta.
- Com prazer, Severus. - sussurrou ela, maliciosa.
E Malfoy observou a intimidade com que Snape tomou os lábios dela, uma mão subindo o vestido que ela usava, acariciando-a nas coxas, a outra mantendo-a sentada em seu colo para que não escapasse. Enquanto Sara se entregava completamente às carícias dele.
Depois de alguns minutos de amassos, Snape olhou para Malfoy.
- Prova suficiente, Lucius. Agora, caia fora e nos deixe terminar a brincadeira à sós. - ele respirava descompassadamente.
- Snape, seu filho da mãe sortudo... - Malfoy tinha a voz rouca de desejo, observando Sara, os olhos famintos. - Deliciosa a sua esposinha...
- Exatamente: minha esposa. Dê o fora, Lucius!
E Malfoy aparatou.
Snape reestabeleceu rapidamente as proteções e olhou para Sara, ainda em seu colo.
- Desculpe tê-la feito passar por isso...
- Não se desculpe. - e ela se sentiu murchar, não imaginou que aqueles beijos intensos fossem apenas encenação, pensou que... "ah, esquece."
Ela fez que se levantaria do colo dele, mas Snape a segurou no lugar.
- Eu não pretendi me aproveitar de você.
- Você não fez nada do que eu não quisesse. - ela murmurou.
- Eu sei. - ele sorriu. - Eu estava acordado naquela outra noite, eu não tomei a poção para dormir...
Sara ficou vermelha de vergonha.
- Você...?
- Eu deixei que você se aproveitasse de mim, da mesma forma que você se permitiu agora a pouco. - ele a olhou, fixamente, queria saber quais eram as intenções dela. - Por que faz aquilo... e por que me permitiu tocá-la em frente à Malfoy?
- Porque... eu gostaria que o que você disse ao Malfoy pudesse ser verdade. - ela murmurou, encarando-o. - Eu queria ser, realmente, a Sra. Snape. Eu queria que... - e ela ficou ainda mais vermelha, encarando-o com os olhos pesados de desejo e amor. - ...terminássemos a brincadeira que começamos na frente dele.
- Não, Sara. - a voz dele se tornou profunda e pesada. - Você não iria querer nada disso. Eu sou um Comensal da Morte, sou muito mais velho. Eu não sou homem para uma mulher linda e delicada como você.
- Diz isso pro meu coração... faça ele e o meu corpo entenderem que você não é homem pra mim... porque não é isso que eu sinto quando estamos próximos... não é isso que eu sinto neste momento. - ela envolveu os dois braços no pescoço dele e aproximou os lábios, sentando-se de frente para ele, uma perna de cada lado do corpo dele.
- Não, Sara. - ele a sentiu sentar sobre seu membro e quase perdeu o último pingo de autocontrole. - Não. Eu não posso envolvê-la na sujeira em que estou metido, por favor... - ela o beijou os lábios, mordiscando. - Seu irmão a entregou à mim para que eu a protegesse até que fosse seguro passá-la à Dumbledore... - ela passou a língua sobre seus lábios, pedindo passagem para sua boca, ele não permitiu, arduamente, mas não permitiu. - Pare com isso, Sara.
- Não... não me interessa se é certo ou errado... eu já estou incompreensivelmente apaixonada por você e... - ela o olhou intensamente nos olhos. - ... louca de desejo. Me entregue à Hogwarts no dia 1º de janeiro mas, até lá, me faça sua prisioneira. Faça o que quiser comigo. - ela começou a abrir os primeiros botões do próprio vestido.
- Sara, pare! - ele segurou as mãos dela, olhando-a nos olhos. - O que você viveu hoje não lhe serve de lição? Nós não temos qualquer tipo de envolvimento e você já está em perigo!
- Eu estou em perigo desde o dia que eu nasci, Severus! Eu sou uma Lestrange! Eu carrego a maldição do nome da família, eu não chegarei aos 30 anos...
- Não diga isso.
- Mas é a verdade! Eu vou ser pega por um lado ou por outro desta guerra e aí... vão me matar.
- Eu... - aquilo era verdade, ele não podia negar.
- Eu não quero morrer sem saber o que é amar, não quero morrer sem ser amada, sem ter sentido o corpo do homem amado sobre o meu. - ela sussurava provocativa. - Eu já sei o que é amar... eu amo você.
- Mas eu não a amo. - disse ele, rígido.
- Bem, quanto a parte de ser amada... eu posso viver sem isso, eu acho. - ela o olhava, apaixonadamente, maliciosa.
Snape estava perdido. Não podia negar que a desejava, ela estava sentada sobre seu corpo, ela podia sentir o membro duro sob ela. Mas ele podia negar que a amava, ele já havia negado e continuaria negando.
- Chega! - ele rosnou de forma violenta e ela se assustou, percebendo que realmente passara dos limites, e saiu do colo dele, sentindo lágrimas lhe tomarem os olhos.
- Me desculpe pela... ridícula cena, Sr. Snape. - ela subiu as escadas. - Tenha uma boa noite.
E ele não respondeu ao cumprimento dela. Não confiava na própria voz naquele momento. Tudo o que queria era evitar que aquelas lágrimas rolassem pela face linda de Sara, ele queria envolvê-la nos braços e admitir que também queria o que ela queria: que a farsa contada à Malfoy fosse verdade, que eles pudessem terminar a brincadeira que começaram no sofá lá na cama dele.
- Chega... - murmurou para si mesmo e subiu as escadas, parando no corredor em frente à porta do quarto dela, ouvindo os suspiros e os soluços de choro. - Ah, Sara... se ao menos eu pudesse... - lamentou baixo e foi para o próprio quarto.
***
***
"Me entregue à Hogwarts no dia 1º de janeiro mas, até lá, me faça sua prisioneira. Faça o que quiser comigo."
Ai ai, Sev é realmente um homem controlado. E nós adoramos descontrolá-lo!!
Rsrsrs
Cadê?
Cadê?
Cadê os comentários?