Capítulo 09.
Noite Sangrenta.
Com um sorriso nos lábios, Hermione recebia o visitante. Abraçou feliz ao rapaz ruivo, de intensos olhos azuis. Há muito tempo não se viam, e a morena pudera notar algumas mudanças superficiais no velho amigo. Rony estava mais maduro, seus trejeitos apresentavam isso, embora tivessem a mesma idade.
Levou-o para dentro, e fechou a porta. Ele contava que estava de passagem, mas que se encontrara com Sirius numa das andanças em caçadas e ele contara que todos estavam em sua casa, e tivera saudades. Hermione corou nesse momento, o rapaz afagava seu queixo de forma terna, a mesma forma com que se olhavam.
- Harry está lá nos fundos, mexendo naquele carro. E John saiu com a namorada. – fizera uma careta ao mencionar Scarlett. – Puxa, como é bom ver você outra vez.
- Hei até que enfim o John tirou o pé da lama. - brincou o ruivo. - Gina me disse que os viu.
- Sim, estávamos com uns probleminhas nessa ocasião, mas está tudo bem agora. – sorriu. – Quer ir ver o Harry?
- Sim. Estava passando por essas bandas, resolvi parar. - disse botando a mão nos bolsos.
- Que bom, sentimos falta de ver os amigos... Venha comigo. – falou estendendo a mão a ele, e juntos foram até a garagem nos fundos.
Harry estava inclinado sobre o carro, e ajustava qualquer coisa em seu motor. Resmungava sem perceber que tinha companhia.
- Fala aí ruim de roda. - gritou Rony.
- Fala aí ruim de mulher... - escarneceu o moreno.
Os dois sorriram, e Harry jogou a camisa nas costas. Cumprimentaram-se, enquanto Hermione os assistia. Desviou os olhos do moreno, pois estava com certas pendências a serem resolvidas com ele. E mesmo o fato de ele estar sem camisa, não a fazia abrandar o gênio.
- Não teria tanta certeza, eu fui recebido por um mulherão quando cheguei. – comentou Rony, e a moça sorriu sem jeito.
O moreno não respondeu, só sorriu forçado limpando o suor do rosto.
- Que foi eu disse algo errado? – perguntou Rony.
- Não ligue para ele, deve estar de mau humor. – Hermione falou. – Então, vai ficar por muito tempo?
- Não muito, mas o suficiente pra tirar sarro do John e do Harry.
- Que bom! – exclamou radiante, enquanto o outro moreno se mantinha sério. Notava o quanto Rony olhava intensamente para Hermione, e não estava gostando nada daquilo, ainda mais porque estavam brigados. Era um ponto a menos a seu favor.
Continuou a andar, queria tomar um banho, acabar com o suor em seu corpo. Estranhou a ausência dos outros dois, que ficaram a conversar animados. Fora ignorado por ela outra vez, uma décima vez naquela tarde. E estava se irritando... Muito mais porque agora, fora trocado não pelo silêncio, e sim por Rony.
Mas ela que o beijasse, se mereciam os dois, não mostraria que estava afetado com tudo aquilo. Sabia que Hermione o fazia apenas para provocá-lo, e não ia cair na dela. No entanto, minutos mais tarde, quando desceu já de banho tomado, os pegara numa cena prá lá de intrigante. Ambos estavam no sofá a centímetros um do outro. Seus rostos praticamente quase se tocavam, e Rony só não a beijava por falta de coragem.
Irritado, a vira sorrir timidamente, enquanto o ruivo colocava para trás, uma mecha do cacheado cabelo da caçadora.
- Seus cabelos ainda cheiram a mel. – sussurrou.
- Sim, ainda uso a mesma marca de xampu.
O moreno revirou os olhos. Marca de xampu, que besteira. Desceu as escadas completamente, e pigarreou alto, não sendo notado.
Então decidiu sair de carro, se ela podia fazer aquele joguinho, ele também podia, ou simplesmente ir tomar umas bebidas e se sentir superior a ela. Não ficaria ali pra ver aquele flashback de amor e amizade entre Ron e Mione.
- Ué, Harry saiu? – a moça indagou, virando-se para a porta.
- Acho que sim, mas quem liga pra isso. - disse o ruivo sorridente.
- É que ele anda meio esquisito... Mas deixa pra lá. – sorriu brevemente. – Como vai Molly?
- Bem, cozinhando muitas salsichas como sempre. - riu o ruivo. - Lembro que sempre fazia isso para o café da manhã.
- Era tudo muito fácil quando éramos crianças, sua casa parecia uma colônia de férias. Lembro-me de sempre ir passar uns dias, ainda mais quando... Quando Harry e John estavam lá. Era divertido...
- Você sempre teve uma queda por ele... - riu o ruivo vendo John e Scarlett entrarem.
Hermione suspirou aliviada, pela interrupção. Não queria conversar sobre isso, ainda mais com Rony, já que ele deixara em outras ocasiões o quanto aquilo o decepcionava. Decepcionava o amor que nutria por ela.
John gargalhou contente, assim que viu o antigo amigo.
- Hei, meu Deus, é mesmo Ronald Weasley?
- É sou eu, e me contaram que você deixou a vida de gay e arrumou uma namorada. - brincou.
- Aposto que quem disse isso não vale um tostão. – disse e riu. – Você e Harry só pensam em mulher, por isso são grandes amigos... Mas é verdade. – puxou Scar pela cintura. – Scarlett Hayden, este é Rony Weasley. E esta gata é minha namorada.
- Ai que rasgação de seda, me poupem disso. – Hermione disse sorrindo.
- Hei, sem ciúmes. - disse a loira. - Pensei que tivéssemos passado dessa fase.
- Eu não estou com ciúmes, garota! – resmungou. – Acho que virou hábito você dizer isso. Harry nem está aqui... – disse praticamente se entregando.
- Até as irmãs tem ciúmes das namoradas dos irmãos. - sorriu olhando o namorado. - E eu passei do status de garota, sou mulher há muito tempo e o John bem sabe disso.
- Sim, concordo... Uma mulher muito insuportável. – retrucou.
- Que tal tomarmos uma cerveja na cozinha, Rony? Essas duas vão longe... – John disse, sorrindo torto.
- E perder o show? - indagou sentando no sofá. - Nem por um decreto.
- Não vai ter show algum, querido. – disse Hermione. – Quem está com fome? – se levantou do sofá, estava inquieta, e sabia o motivo...
- Onde está o Harry? - perguntou a loira logo depois abraçando o namorado e falando baixo em seu ouvindo. - Entendi o mau humor dela.
- Ele saiu, não disse pra onde ia. – Rony respondeu.
- No mínimo foi atrás de um rabo de saia... Eu estou com fome! – disse Hermione nervosa, e de fato estava com fome.
- E eu com sono... - disse Scarlett. - Então aproveite John Potter, tenha sua noite de homem com o seu amigo ruivinho, enquanto eu durmo.
...
John sorriu ouvindo outra das piadas de Rony, era ótimo ver o amigo outra vez, o lembrava os tempos de garotos, onde jogavam bola, corriam e caçavam sapos... Tempos em que os pais ainda eram vivos.
Estacionaram entrando minutos depois no bar e John não se surpreendeu ao ver o irmão sentado numa das mesas, afinal era o bar preferido dele.
Vários copinhos estavam vazios sobre a madeira escura da mesa, e Harry olhava pra um ponto fixo. Os dois recém chegados se aproximaram, ambos sorrindo, imaginando o porquê daquela “fossa”. Rony ainda não tinha muita certeza, mas John sabia exatamente do que se tratava. Meneou a cabeça e riu.
Tocou no ombro do irmão que se assustou.
- Calma aí, sou eu. – John disse, erguendo a sobrancelha.
- Ah, é você. - olhou para o ruivo com raiva. - E o Judas.
- Judas? – indagou Rony, sorrindo. – Porque eu sou Judas? – sentou-se na cadeira de frente para Harry, e John ocupou a do lado.
Harry riu em escárnio, não estava bêbado, mas era bom se refugiar na bebedeira fingida para dizer umas boas verdades a Rony.
- Eu estou com a Hermione e você vem com o papinho mole pra cima dela, dizendo que estava com saudades e que o cabelo dela cheira a mel. - disse sério. - Sabe o que você é Rony... Você é um traidor.
- Ela não me disse nada sobre isso, de vocês estarem juntos. E não fizemos nada demais, Harry. – o ruivo disse, encostando-se no espaldo da cadeira. – Estava mesmo com saudades dela.
- Eu sei que tipo de saudade... - murmurou bebendo outro copo de uma bebida que nem sabia o nome, mas sabia que era muito, muito forte.
- Não precisa ficar com ciúme, sinto lhe informar, mas o único homem que Hermione ama, é você. – disse Rony pesarosamente. – Será que devo acrescentar “infelizmente”?
- Será que devo acrescentar: que tal um belo soco? - imitou.
- Vamos com calma pessoal. – John apaziguou, enquanto os outros dois se encaravam. – Acho que precisamos beber...
- Vai me bater por tratar Hermione bem? Eu realmente não entendo... – Rony continuou.
O trio foi interrompido por uma morena com um belo decote, em seu rosto as lágrimas corriam livres, fato que chamou a atenção dos homens.
- Por favor, me ajudem... Tem um homem atrás de mim, ele tem... Tem dentes enormes. - disse ofegante.
Os rapazes se entreolharam intrigados, e prontamente se puseram a ser solícitos ao dilema da moça. Ela dizia coisas sem nexo, e rapidamente. Estava tremendo.
- Fique calma está bem, vamos te ajudar. – disse John. – Não vamos? – voltou-se para os outros dois que assentiram, quase que hipnotizados pela garota.
- Ele era horrível e estava no meu carro, ele estava lá... E tinha sangue, muito cheiro de sangue. - disse mais nervosa.
- Deve ser um vampiro... - disse Harry baixo.
- Talvez seja outra coisa, temos que averiguar primeiro. – disse Rony.
- Você tem razão. – concordou John.
Os olhos lacrimejantes da moça se voltaram para eles, esperando. Então eles se levantaram, Harry deixou uma nota na mesa, seria o suficiente para pagar pelas bebidas consumidas. Ligeiramente, os três caminhavam para fora. A misteriosa garota seguia na frente.
Os ombros que tremiam com choro agora não mais tremiam por esse motivo, - quando atravessaram a porta dos fundos -, mas por uma gargalhada tão forte que foi difícil acreditar que vinha da pequena figura a sua frente; a morena se virou e perceberam o que a fazia rir, os olhos cobertos por uma nata negra lhes mostravam que haviam caído em uma armadilha.
- Merda! – exclamou John, recuando instintivamente.
Perceberam que a mulher não estava sozinha. Ao seu lado surgira um homem engravatado, como se fosse um advogado de sucesso; o demônio sorriu abraçando-a, sorriu mais ainda ao ver que recuavam de medo.
Estavam desarmados, e diante de dois demônios...
O homem de terno preto, assim como seus olhos, sorriu roçando seu corpo ao da mulher. Divertia-se em ver os três caçadores tão vulneráveis. À medida que recuavam o cheiro de medo era ainda maior.
- Olá irmãos, Potter! - disse o homem. - E veja que trouxeram mais um com eles, Lauren. Pena que vai ser um peso morto e teremos de nos livrar dele.
- Não teremos problemas com isso... Mas você disse que seria fácil, meu bem, e foi mais do que isso. – a garota disse. – Apenas algumas lágrimas e um bom decote despertaram a atenção dos rapazes.
- Que cretina! – Rony exclamou.
- E por um acaso você acha que vamos lhe seguir de boa vontade, docinho? - perguntou Harry.
- Gostamos de um bom desafio. – ela voltou a dizer, sorrindo com o canto dos lábios cheios. Os cabelos pretos cintilaram, quando Lauren deu um passo à frente.
- O que querem? Matar-nos? - questionou o moreno para a alegria do demônio.
- Queremos o que todo demônio quer: sofrimento, dor, tragédias, angústia... Sangue. - disse cada palavra pausadamente, um sorriso em cada uma delas. - E depois a morte, mas a morte é sem graça, bom é lhes ver se contorcer de dor, pedindo que a morte os abrace... Isso sim é bom.
- Além de tudo isso, queremos uma pequena contribuição... – a mulher disse, rindo. Sua risada fina ecoou na rua deserta. – Mas antes, temos que acabar com uma pessoa.
Seus olhos negros fixaram-se em Rony. O rapaz sentiu o coração acelerar violentamente dentro peito. Reconhecia o perigo naquela situação, e pudera senti-lo quando ela falara aquilo.
- Quer dizer suas últimas palavras? - questionou o demônio.
- Seria muito clichê se eu dissesse: vai para o inferno? – Rony desdenhou. Sabia que não estava em posição disso, mas fora inevitável.
- Nos encontraremos lá... - retrucou o demônio. - Adeus ruivinho.
Segundos foram mais do que segundos.
O som do osso se quebrando se fizera ouvir, e por frações os Potter não entenderam nada. Pensaram ser um blefe do demônio, mas depois ao ver a cabeça de Rony cair para o lado e logo o corpo seguir o mesmo caminho, entenderam exatamente o que havia acontecido.
- Não se espantem... Ele nem sentiu... Foi uma morte rápida. É contra nossos preceitos, mas é eficiente. – Lauren comentou. – E quanto a vocês, não terão a mesma sorte.
- Rony. - murmurou Harry chocado. - Ele...
- Está morto, passou o cabo da boa esperança, esticou as canelas, se encontrou com São Pedro, ou melhor, com seu pai e sua mãe no inferno. - gargalhou seguido da mulher.
Harry se ajoelhou e o John o seguiu, os olhos estáticos de Rony o “encaravam” petrificado e o calor se esvaíra de sua pele.
- Droga, Ron... - murmurou fechando os olhos do ruivo.
- Vocês vão pagar por isso. – John murmurou, entre dentes, enquanto se levantava. Compartilhava de um mesmo lamento e uma mesma fúria que o irmão.
- Não garotão. - disse o demônio piscando. - Vocês vão, e pagar muito caro.
Logo tudo se converteu em nada, o silêncio pairou no ar, e os quatro, não estavam mais lá, a única prova que um dia estiveram ali era o corpo inerte de Rony no chão.
...
Hermione levantou-se outra vez do sofá, naquele meio minuto em que se dispusera a sentar-se. Sentia um aperto estranho no peito, e a preocupação a deixava agoniada. Olhou no relógio de novo, e não pudera esconder seu real sentimento. Este era um misto de várias coisas.
Com o celular nas mãos, ligou para Harry. Perdera a conta de quantas vezes fizera uma chamada que não fora atendida. Se ele estava bravo, pelo menos atenderia só para ter o prazer de desligar em sua cara, mas ele não o fazia...
- Droga, Harry... Atende esse telefone!
Decidiu procurar por conta própria, daria umas voltas no quarteirão e procuraria por Harry, ele não iria assim tão longe, afinal estava na pista de um lobisomem na cidade vizinha. E John também não havia chegado e ele não tinha motivos para demorar, afinal não tinha problemas com sua namorada, enquanto a Harry não podia dizer o mesmo.
Deveriam estar no bar, então lá seria sua primeira busca.
Chegou perto da janela, impaciente pela caixa de voz do celular de Harry. Aquela mensagenzinha era ridícula... Puxou um pouco a cortina, e franziu o cenho. Ouvira um ronco de motor, ou era impressão sua?
Abriu a porta da casa satisfeita e sorriu ao ver o impala. O coração disparou ao escutar os motores se silenciarem e o carro ficar todo escuro. Desceu os degraus da frente, e correu até lá. Seu coração gelou quando percebera que não havia ninguém ali. Enfiou o celular no bolso, e dera a volta, indo até a porta do motorista. Estava trancada.
Correu de volta para a casa e acordou Scarlett afinal era o namorado dela também estava em risco.
- Ai Hermione, o que foi? - perguntou à loira meio adormecida.
- Tenho a ligeira sensação de que os meninos estão com problemas, e não é coisa da minha imaginação. Levanta daí, vamos procurar por eles.
- Eles ainda não chegaram? - olhou o relógio no pulso e fez um som de raiva. - Quatro horas da manhã, ou eles beberam todas e esqueceram até o próprio endereço ou estão muito encrencados.
- Queria pensar que estão bêbados por aí, mas não... Não é isso que meu coração está dizendo. – disse com dificuldade. – O impala está na frente de casa, e não tem ninguém.
- Acho que sei onde eles podem ter ido, tem um bar a dois quarteirões daqui que eles costumam parar pra beber, eu mesma já foi várias vezes para lá com John, podemos começar a investigação de lá...
- Era exatamente para lá que pensei em ir. – disse indo para a porta. – Sei onde Harry guarda chaves extras do carro, podemos ir nele.
- Então vamos para lá...
...
Os gritos de Harry seguidos dos de John compunham uma música macabra que os demônios apreciavam. Os cortes feitos pela ponta da faca afiada ainda jorraram sangue e o álcool ardia em brasa quando jogado na pele exposta.
Os dois irmãos estavam amarrados em duas cadeiras, de frente uma para a outra. Enquanto seus algozes se divertiam, cada um sofria vendo o outro ser torturado... John gemeu quando Lauren ocupou-se de passar a ponta da faca em seu rosto, ela puxou seus cabelos, fazendo com que sua cabeça pendesse para trás. Em seguida, descera a lâmina por sua pele suada e suja de sangue, e pressionou a ponta de metal, de tal modo que o perfurasse.
O rapaz gritou, tentando se soltar. A faca penetrou ainda mais no ombro.
O homem pegou uma das mãos de Harry, arrancando unha por unha da mão já ensanguentada do moreno.
- Que tal a outra mão? - perguntou o demônio. - Pense pelo lado bom Potter, você não vai precisar de manicure por um bom tempo, nem de mais nada, seu final será em um caixão, ou aqui mesmo.
Harry o olhou furioso, seus olhos reviraram, e ele engoliu em seco. A dor era tanta que o impedia de demonstrá-la.
- Isso não poderia ser menos gratificante. – Lauren disse, passando o dedo sobre o sangue que escorria da cabeça de John. – Você é até apetitoso, meu querido...
- Mas será melhor quando for morto... - disse o outro demônio. - Vai queimar como churrasco no inferno.
- Sim! – ela exclamou contente. – Mas antes, ainda tem um bom pedaço a enfrentar... Não são tão corajosos?
- Somos tão corajosos, quanto você é uma vadia. - murmurou Harry.
A mulher arqueou a sobrancelha, e aproximou-se dele. Desferiu-lhe sem piedade um tapa em sua face. Harry baixou a cabeça devido ao impacto, e depois tornou a erguê-la, cuspindo sangue.
- Fique quietinho sim? – ela disse friamente.
- Você ficou ofendida? - murmurou fraco, mas com um pouco de senso de humor - É uma vadia e eu não vou ficar quieto.
- Tem mesmo certeza? – voltou a ficar perto de John, e encostou a lâmina maciça no pescoço de do rapaz. Sorriu afetadamente. – E agora, vai ficar de boca fechada, bonitinho?
- Você vai nos matar, mas eu sei que vai demorar umas horinhas pra isso... - tossiu cuspindo sangue. - Você vai ter de esperar um pouco...
- Realmente. - concordou o demônio. - Ainda faltam as namoradinhas de vocês...
John retesou-se ao ouvir aquela menção.
- Não vai machucá-las. – ele disse.
- Não iremos, só vamos matá-las. - disse o demônio. - A isca já foi jogada.
...
Hermione e Scarlett haviam chegado ao bar, à primeira coisa que intencionaram a fazer fora procurar os rapazes com o olhar. Todo canto fora vasculhado, mas eles não estavam ali. E novamente a morena sentira aquele sentimento estranho.
A loira se aproximou do balcão sorrindo para uma das garçonetes já conhecida.
- Hei, vazio hoje... - comentou olhando as cadeiras vazias. - Aconteceu alguma coisa?
No segundo em que a moça demorara em lhes responder fora o bastante para deixar Hermione tonta.
- Pois é, estamos quase fechando hoje, vocês não ouviram as sirenes? – ela disse.
- Não, o que houve? – tornou a perguntar a caçadora morena.
- Houve um assassinato nos fundos do bar. Mataram um cara.
As duas se entreolharam assustadas.
- Você viu o corpo? - perguntou a loira tentando andar por entre as lembranças da garçonete.
- Oh, se vi. Eu mesma o encontrei. – então ela vislumbrou o rapaz caído no chão, o pescoço quebrado. – Pobre homem.
Scarlett se enregelara, e afastou-se bruscamente do balcão. Hermione agradecera a informação e seguiu atrás da loira, que se sentou numa das cadeiras.
- O que foi? O que você viu? – perguntou aflita.
- Rony... - disse somente.
- O que disse...?
- Eu vi o corpo dele. - completou.
- Não... Ele... – Hermione balbuciou, sentindo a garganta queimar. – Ele não pode estar morto! – engoliu em seco. Seus olhos se marejaram rapidamente, quando Scarlett assentiu veemente. – Oh, me Deus!
- O pescoço estava quebrado e não havia sangue...
A morena tapou a boca, e estava visivelmente desnorteada. Não controlou mais o choro, e saiu do bar. Estava de fato sufocada, e o ar da noite fria, lhe desafogou os pulmões, assim fizera o pranto que fora doloroso. Encostou-se na parede de pedra, e deixou-se mergulhar naquela notícia cruel. E ainda nem sabia o que havia acontecido com John e Harry.
Scarlett a seguira. Condoia-se pela dor da outra, mal conhecia Rony, mas com Hermione era diferente, pelo visto eram amigos de infância.
- Escute, eu sei que está triste, mas eu consigo sentir o John, sei que está vivo e encrencado... - disse a loira. - Precisamos fazer algo.
Hermione a encarou, e assentiu, limpando as lágrimas.
- E o Harry...
- Sim, está vivo! - tranquilizou. - Mas não temos muito tempo, precisamos voltar à mansão, o Sirius deve estar lá.
- Tem razão.
Juntas saíram rapidamente em direção a mansão, com o mesmo pressentimento na cabeça, Harry e John estavam em perigo.
...
A tortura continuava com os Potter, até que o demônio conjurou uma cadeira e sentou-se de frente para os irmãos sorrindo.
- Sabe... - começou. - Tentem adivinhar a minha parte preferida da bíblia...
- Nenhuma? – balbuciou John, sorrindo cansado.
- Oh, tem uma sim...
- A parte em que todos vocês se fodem? - questionou Harry logo em seguida levanto um tapa do demônio.
- Sua querida mamãe nunca lhe ensinou a ter modos, Potter? – Lauren resmungou, irritada. – Quem vai se dar mal aqui, são vocês, ainda não perceberam?
- Vá pro inferno. - respondeu o moreno.
- Hei se acalmem... - pediu o demônio. - E a resposta para o que disse é que minha passagem preferida da bíblia é a parte da traição de Judas... Como alguém próximo pode trazer tanto mau e em tão pouco tempo, o beijo doloroso no mestre que irá morrer, um amigo tão generoso que no fim acaba por matá-lo. Isso me faz lembrar a história dos pais de vocês...
...
As luzes da casa estavam todas acesas. O carro de Sirius estava defronte a calçada, e estranhamente tudo estava silencioso. O vento não zunia... Os sinais característicos da noite estavam silenciados. Coincidência ou não, o velho caçador se encontrava por ali, sentado em seu sofá, com uma calma que não lhe era comum. Não em sua circunstancia.
Fitou com seus olhos sombriamente mais escuros, a porta da frente se abrir e por ela passarem duas jovens de aparência cansada e abatida. Notou que Hermione havia chorado tal as marcas das lágrimas e a vermelhidão do rosto bonito.
Quando ela o vira, ficou ligeiramente mais aliviada.
- Sirius, graças a Deus! – exclamou.
- Olá, Hermione... Scarlett. Eu esperava por vocês. - sorriu sentando-se mais ereto, enquanto afiava uma faca. - Porque o choro Hermione?
- Rony... Ele está morto. E Harry e John, nós... Não sabemos onde eles estão. – disse fracamente.
- Sentem-se meninas. - disse apontando o sofá que as duas sentaram-se preocupadas. - Eu sei onde eles estão e para onde em breve irão, não se preocupem, vão se encontrar com eles!
As duas se olharam intrigadas, a impressão que tiveram de estar tudo bem, logo se esvaia à medida que Sirius falava naturalmente. Ele estava estranho, diferentemente daquele homem gentil e bom. Algo nele arrepiava Scarlett.
- O que quer dizer com isso? – Hermione arriscou a perguntar.
O homem sorriu lhes mostrando o feitiço debaixo do tapete que as aprisionava temporariamente no sofá. Sorriu em deboche passando a mão no rosto de Hermione.
- O Alicerce do escolhido é mesmo assim, tão fraca?! - postou os olhos na loira. - E a profetiza inteligente, encurralada como uma ratinha...
- Sirius? - questionou Scarlett. - Alicerce? Profetiza? O que...
Assustada com o rumo das coisas, Hermione não se permitira indagar nada. Ainda nem se refizera da morte de Rony, e parecia que ainda havia muito por vir.
- Vamos voltar a dez anos atrás... - disse o homem. - Eu tinha leucemia, estava fraco e morrendo. Mas então, dias depois da morte de meus melhores amigos Thiago e Lilian Potter, e de meus também amigos os Granger, eu renasci como fênix das cinzas e muito mais vivo que eles... - sorriu outra vez. – E ninguém desconfiou de nada. Belos caçadores são vocês!
A morena o olhou fixamente, se relembrando do fatídico dia em que recebera a noticia da morte dos pais, fora um pouco depois que Thiago e Lilian morreram.
- Acaso está louco! – exclamou saindo do transe. – Não pode estar envolvido nisso. Mentiu para todos nós!
- Sim, sim! Menti, trai e blá, blá, blá... - voltou a afiar a faca suspirando. - Você não tem idéia do que é ter seus dias contados, a morte tão perto que chega a assustar. Então o demônio do contrato me ofereceu uma alternativa, matar meus amigos em troca da minha vida... Eu nem hesitei.
- Agora eu entendo. - disse a loira saindo do silêncio. - No dia em que o demônio possuiu meu pai ele lhe disse que você devia a ele...
- Porque fez isso? – Hermione perguntou. – Porque os traiu? Por que nos enganou?
- É muito burra para ser o alicerce de Harry... - disse penoso. - Para viver, é claro! Para ter dez anos a mais... O demônio me ofereceu dez anos de vida em troca da dos pais de vocês e agora dez anos depois, me oferecem o fim do acordo com as suas mortes... - suspirou sarcástico. - E não vai ser tão difícil, afinal eu tenho a lança de Miguel e a faca de Lúcifer, perdidas há milênios e então encontradas por mim...
- Por isso viajava o tempo todo, por isso nos manteve bem aqui em sua casa, onde poderia nos vigiar! – a morena acusou, e Sirius rira assentindo.
- Bem... Se vamos morrer, pode ao menos nos explicar que diabos são as palavras: alicerce, profetiza, lança de Miguel e faca de Lúcifer? - pediu a loira tentando ter mais tempo para um plano.
- A profecia do fim do mundo. - falou assoprando a ponta da faca. - Há milênios um grupo de sábios, pessoas além de qualquer fé, que não se importam nem com “os de cima nem com os de baixo”, tiveram visões e escreveram um presságio...
- Que profecia?! – Hermione perguntou entre dentes. Estava nauseada com a quantidade de informações que recebia.
- Nasceram quatro guerreiros em sua geração, deles um seria o salvador e de seu mesmo sangue viria à perdição. O alicerce dará força à luz para matar aquele que trará dor ao mundo e a poderosa profetiza lhes mostrará o fim.
- Está achando que os quatro guerreiros somos nós? - indagou Scar. - Que Hermione é o tal do alicerce e eu uma profetiza... Eu não tenho visões, eu leio mentes.
- Harry salvando o mundo, é meio ilógico também, não acha? – Hermione retrucou.
- Mais ainda há a outra parte, afinal só resta a John o papel daquele que irá trazer a perdição. - concordou a loira.
- Bem, você ainda não teve visões, pois pela profecia, elas se iniciariam ao final desse ano, em dias talvez você as tenha... - lhe disse o homem. – Mas isso não será possível, não as irá ter, vai morrer antes disso. Não só você, mas o alicerce também... E seus namoradinhos estão sendo torturados por dois amiguinhos meus do inferno... E quanto à lança e a faca, elas também fazem parte da profecia.
Hermione estranhamente sorriu, e o fitara.
- Mas ainda há uma esperança, estou errada? – perguntou séria. – Me lembro de uma história antiga, há três armas capazes de matar um demônio, e falta uma... Não é?
- O colt... Uma arma tão forte, que é capaz de matar um demônio e não, não existe esperança, afinal vou usar as duas armas que encontrei para matá-las. - disse o homem. - Mas só por curiosidade, na profecia, Harry mataria John com essa aqui. - disse lhes mostrando a faca.
...
- O Sirius? - questionou Harry. - Só pode ser mentira. - disse por minutos esquecendo a dor que lhe preenchia o corpo
- Falamos muitas mentiras, mas de vez em quando falamos verdades. Está doendo em seu coraçãozinho, está Potter? – Lauren perguntou e soltou uma gargalhada estridente.
- Pensem garotos, façam as contas. Dez anos atrás, a cura vinda do nada seguida da morte de seus pais. - disse o outro demônio.
John abaixou a cabeça, pensativo. Tudo que os demônios diziam fazia realmente sentido. Embora muito machucado, sua mente trabalhava a mil. Fora um baque e tanto naquela época ao saber da morte horrível dos pais. Tiveram que viver com estranhos, e posteriormente com os Weasley. Logo Hermione se juntara a eles, pois ficara também órfã, e a morte de seus pais tão brutal quanto à de Thiago e Lilian.
- Só estou esperando o aviso do Black. - disse o demônio relaxadamente. - Parte do trato dele é matar suas namoradinhas...
- À uma hora dessas elas já são presas fáceis. – murmurou Lauren, sorrindo.
- Hermione e Scarlett... - murmurou Harry contendo a raiva.
- Eu iria querer ser uma mosquinha para saber o que está acontecendo lá nesse momento...
...
Hermione ficara em silêncio depois de tudo que lhe fora revelado, ainda não podia acreditar naquela vil traição. Era terrível pensar que uma pessoa da qual confiaria sua vida, fora tão desprezível assim. Tomando sem permissão controle de outras tantas vidas, das quais incluía a dos pais e a sua própria.
Seu coração apertado se contraíra ainda mais. Não tinha tanto medo por si, temia por Harry, por não poder vê-lo, e estar com ele.
- Hermione. - lhe chamou Scarlett, mas a boca dela continuava fechada. - Estou na sua mente, não podemos deixar ele nos ouvir, temos que quebrar esse feitiço... Alguma idéia?
- Tenho uma faca na minha bota, mas precisamos distraí-lo. – respondeu, sem tirar os olhos de Sirius, que sorria para elas.
- Ele virá nos matar agora, creio eu. - anunciou a loira. - Se ele vier primeiro a mim, você pega a faca e o mata, e se o contrário acontecer eu pego a faca e o mato. Mas antes temos que descobrir onde está Harry e John. Ele deve saber...
- Sim, com certeza o desgraçado sabe...
Mal terminou sua linha de pensamentos, e Sirius se aproximou delas. O sorriso desdenhoso tornara-se sádico.
- Uma pergunta antes de morrer? - pediu a loira.
- Fale... - disse o homem empunhando a faca.
- Onde estão John e Harry nesse momento?
- Nos esgotos da 37 com a 12 . - disse. - Não deve ser um lugar muito bom pra morrer, mas enfim, eles superam...
- Sim, eles superam... – Hermione disse secamente.
- Quem quer ser a primeira? - disse lhes dando seu sorriso mais sádico.
- Pode escolher seu cretino. – a morena dissera.
- Só porque falou será você!
Aproximou-se de Hermione e sibilou a frase “tenha a honra de morrer com uma faca tão poderosa" e traçou uma fina linha no lado esquerdo de seu rosto, o sangue brotava ao passar da faca. Ela fechara os olhos diante a dor que queimava em seu rosto. Escutara a risada de Sirius. Escutara Scarlett se mexer lentamente, e tão concentrado estava em fazer-lhe mal, o homem não via nada além.
Os passos como que de uma dança foram rápidos e objetivos, a loira cortou a linha do feitiço e levantou acertando o punhal nas costas do homem perfurando-o lentamente. Ele ofegou baixando à guarda tempo suficiente para Hermione se levantar, e se não fosse por uma interrupção da outra, iria acabar com o serviço que Scarlett havia começado.
- Olha horário Hermione, vai dar meia noite daqui a dois minutos... - disse a loira. - Não vamos matá-lo, vamos deixar os cães do inferno, fazerem isso de forma mais dolorosa. Atingi um dos nervos de sua coluna, está paralisado e vai ficar esperando por... - olhou de novo ao relógio. - pelo um minuto. O qual será o mais longo de sua vida, vamos sair daqui...
A morena assentiu e se inclinou perto de Sirius.
- Não vou sujar minhas mãos com você, e creio que os cães do inferno farão melhor serviço...
Saíram apressadas e fecharam a porta a tempo do ponteiro anunciar um novo dia... Sirius iria sofrer e isso era um bálsamo para suas almas.
A meia noite entrou e com ela um vento forte que varrera tudo, e abriu a porta da casa. O rosnado intenso e amedrontador do cão do inferno soara pronto para pegar o que era seu de direito. A alma de Sirius Black, o traidor.
Sirius se arrastou, e sentou-se como pudera no sofá, o sangue se esvaia, mas não com tanta rapidez que o matasse, iria sofrer nas garras do cão.
As velas usadas para iluminar o local aos poucos foram apagando conforme o monstro passava, uma a uma. Sirius podia ver, ele era a face do terror, os dentes afiados como pequenas facas sedentas por sangue. Por seu sangue.
Pegou a última vela acesa e com uma lágrima, assoprou e apagou-a.
Logo o rosnar fora mais intenso, o som da roupa sendo rasgada e logo a pele, - deixando cair aos poucos suas vísceras -, os ossos se quebrando com um som oco e distinto, formavam uma orquestra macabra. Por mágica, depois de tudo ainda estava vivo, a dor era insuportável, a cada ato do cão um calor lhe formigava e queimava a pele.
O último pensamento que lhe permitiu pensar foi o de que Hermione e Scarlett haviam levado a lança e a faca, mas pelo menos iriam matar algum dia os idiotas, e iria se sentir vingado. No entanto, não houve tempo, logo não sentiu mais nada e o único som a ser ouvido foi o das gotas grossas de sangue que pingavam e sujavam o chão.
...
A luz parca que entrava por algumas frestas, iluminava o semblante esgotado dos dois irmãos. O sangue escorria por seus rostos, e os demônios que lhes torturavam se deliciavam com a cena que viam. Era tudo muito desolador, e sangrento.
John se mantinha ainda mais calado depois que soubera da traição de Sirius. Agora as pessoas que podiam confiar se reduziam a um numero mínimo. E isso o enchera de raiva, um ódio tão grande que o fortalecia.
- Há essa hora suas namoradinhas devem estar no inferno. - disse o demônio pegando um sabre afiado, colocando-o a poucos metros de distância de um deles. - Que tal levarmos vocês para lá também...
- Se eu fosse vocês não as subestimariam tanto. – John disse, secamente.
- Elas não tem chance meu rapaz, foram mortas por um cara que achavam ser amigo delas... - explicou entediado. - Não tinham porque se preocupar, com um possível ataque de Sirius, afinal ele é de casa.
- Idiota. - disse Harry cuspindo sangue no rosto do demônio.
- Agora é a parte que vocês choram como duas moçinhas... Podem começar. – Lauren provocou, batendo em Harry outra vez.
Os demônios se prepararam para matá-los e John e Harry fizeram o mesmo gesto, fecharam os olhos para não ver a morte, mas por segundos não aconteceu nada. Não tiveram coragem de abrir os olhos.
- John, você está vivo? - perguntou ainda no escuro.
- Estou... – murmurou ele.
Ouviram passos, e ainda o medo não deixara seus corações, apenas outro tomou o lugar. Agora não viam praticamente nada, só ouviam ruídos intensos e vozes baixas.
- Eu disse que eles não sabem se virar sem agente. – alguém sussurrou.
- As salvadoras chegaram. - anunciou à loira. - Levando com elas dois demônios diretamente pro inferno.
John sorriu, presumiu que Harry fizera o mesmo. Enfim tudo estava acabado por um momento.
- Ainda bem que a cavalaria chegou. – permitiu-se brincar, o moreno mais novo.
Uma luz vinda de lanternas os iluminou. A claridade machucava os olhos dos dois Potter; aliviada por ver que estavam parcialmente bem, mas vivos, Hermione sorriu, deixando o orgulho de lado, se aproximou de Harry.
- O Ron... - tentou dizer. - Ele... Ele.
- Morto. Eu sei. – disse se lamentando. – É uma pergunta idiota, mas você está bem? – perguntou abaixando-se perto dele, para desamarrar suas mãos.
- Estou... Mas podem nos explicar como mataram os demônios? - perguntou Harry vendo os corpos estirados no chão.
Scarlett que desamarrava os pulsos do namorado o explicou: - São armas milenares, a lança de Miguel e a faca de Lúcifer, são duas de três armas poderosas, usadas pra matar demônios... - a loira deu um beijo no rosto sujo de John e prosseguiu. - Estava nas mãos de Sirius, ele... Iria nos matar usando-as.
- E a terceira é o colt. Ainda não encontrado. – emendou Hermione. – Era isso que aquele demônio queria. De alguma forma seu pai sabia de algo, por isso ele pensou que também saberiam. E Sirius... Ele... Estava em uma pista, possivelmente, mas seu tempo se esgotara.
- Aquele desgraçado miserável! – praguejou John. – Gostaria de ter colocado minhas mãos nele.
- Não sujamos nossas mãos. - disse Scar. - O cão do inferno fez o serviço sujo...
- Muito sujo. – concluiu Hermione, olhando para Harry.
- Acho que é melhor irmos logo, temos de pegar nossas coisas na casa dele e ir pra outro local... - ofegou Harry.
As duas assentiram, e ajudaram a tirá-los das cadeiras. Estavam muito feridos, e cobertos de sangue. Apoiaram-se nas namoradas, e saíram do esgoto podre e escuro. O ar úmido da noite fora um alivio para John e Harry, o ultimo sorrira ao ver seu carro parado ali perto.
- Ainda bem que sei onde ficavam as chaves reservas. – Hermione lhe segredou.
- Olá, belezinha... - disse alisando o capô.
...
Já em um hotel, Harry tentava limpar o sangue incrustado em suas costas, estava dolorido e o esforço não ajudava em nada. Praguejava quando escutou a porta ser aberta, e por ela Hermione passar, com algo nas mãos. Não achou que ela fosse procurá-lo, e surpreendeu-se, ficando feliz por isso.
- Scarlett está cuidando de John, e achei que não seria legal você ficar sozinho. – ela disse um tanto acanhada. – Eu te ajudo com isso.
- Obrigado. - disse relaxando ao toque delicado da moça em suas costas. - O Sirius ele... Eu ainda não posso acreditar.
- Foi um choque muito grande... – murmurou, pegando algodão e gaze. Molhou-os numa solução anticéptica e em seguida passou cuidadosamente sobre os ferimentos de Harry. – Também não consigo assimilar que ele tenha traído nossos pais, e ainda quisera fazer algo semelhante conosco.
- Perdão... - disse depois do silêncio que brotou entre os dois.
- O que? – ela perguntou confusa.
Harry tomou suas mãos, e a fizera sentar-se na cama ao seu lado. Passou os dedos, acariciando a face dela, que fechara os olhos, sentindo aquela cálida forma de carinho.
- Temos agido como crianças... - começou. - Ciúmes, brigas... E não é tempo pra isso. Antes de o Ron morrer eu estava brigando com ele, por ciúmes de você...
Os olhos dela se encheram de lágrimas, e Hermione mordeu o lábio.
- Não vale à pena ficarmos perdendo tempo com essas besteiras. Tive medo de perder você, hoje.
O moreno a abraçou esquecendo-se da dor e das frustrações do dia, a sensação tão grata de ter Hermione nos braços.
- Não vamos mais brigar Hermione. - anunciou o moreno.
- Vamos tentar não brigar, eu farei tudo para isso acontecer. – ela disse, e ambos se soltaram. – Eu te amo tanto...
- Eu também te amo, Mione. - disse sorrindo. - Mas será que dá pra você esfregar as minhas costas? Estão muito doloridas.
Ela riu, revirando os olhos cheios de lágrimas.
- Eu disse que cuidaria de você, mas não vai se acostumando. – disse se aproximando mais dele, Harry sorriu outra vez antes de beijar-lhe nos lábios.
...
Alguns dias depois dos fatos ocorridos, o quarteto se instalara numa casa alugada, num local um tanto deserto, propicio tanto para se esconderem quanto para que pudessem controlar quem ou o que passasse por perto. A não ser o fato de a traição de Sirius ainda assolar sendo uma ferida ainda em aberto, os jovens caçadores estavam bem, seguindo suas rotinas, como faziam antes.
Na cozinha, Scarlett e Hermione conversavam animadas, enquanto os dois rapazes abestalhados com a cumplicidade, observavam a cena. A loira se levantara da mesa e seguira para a pia.
- Vou lavar os pratos, mas não se acostumem! - anunciou sorrindo.
- Hei John, ganhou uma namorada e uma empregada. - brincou Harry.
- Que pensamento machista, Harry! – Hermione exclamou, batendo-lhe de leve, enquanto sentava-se em seu colo.
- Exatamente... - foi interrompido pelo barulho de um prato caindo no chão, iria brincar com a loira sobre sua falta de jeito, mas não o fizera ao perceber que ela se encontrava ajoelhada, com as mãos segurando a cabeça e gemendo de dor, os cacos de vidro cortando a sua pele.
John se levantou rapidamente, segurando a namorada nos braços. Os olhos dela ficaram opacos, e ela tremia. Assustada Hermione, olhou para Harry. Não sabiam o que estava acontecendo.
- Scar... – o moreno murmurava, tentando trazê-la de volta. Fitou brevemente ao irmão, ambos estavam ofegantes.
Ela não lhe respondeu, só arquejava de olhos fechados. Os três se olharam receosos, longos minutos se passaram até que a garota voltou a si.
- Eu... - disse apalpando os olhos. - Eu estou cega...
- O que? – indagou John sem acreditar ainda no que havia acontecido. – O que houve, Scar?
- Eu tive uma visão. - disse sendo ajudada por John. - Por favor, alguém pode molhar um pano com água gelada, eu consigo ver os contornos de vocês, acho que foi uma perda temporária.
- Eu faço isso. – disse Hermione, correndo para buscar uma toalha de rosto. Minutos depois, voltou, trazendo-a.
Chegou perto de Scarlett que estava agora sentada na cadeira, onde John se mantinha do seu lado, e Harry mais um pouco a frente, encostado no balcão, refletindo sobre tudo.
- O que eu vi foi horrível. - começou a loira, lágrimas caindo por sua face. - Eu vi uma guerra, anjos e demônios na terra, corpos espalhados por todo o lugar e um cheiro de podridão tão forte que não era possível suportar...
Hermione estremeceu-se, e passou a toalha nos olhos fechados da outra. Lembrando-se do que Sirius dissera a elas naquela noite horrível.
- O que mais você viu? – John perguntou.
- Eu vi você John... - lembrou à loira. - Mas não era mais você e também Harry e Hermione.
- Você está muito nervosa. – disse Hermione, tentando ela mesma se acalmar.
- Não, não dá pra me acalmar. - disse tirando o pano dos olhos. - Eu vi você Harry, matando o John e você o ajudou Hermione e o pior, vocês estavam gostando de fazê-lo.
O silêncio culminou-se ali. Nenhum dos quatro se atrevera a falar. Era impactante demais aquela notícia.
- Isso não pode ser verdade. Não vai acontecer realmente, você não é vidente. – disse John, perplexo.
- Sirius disse que as visões viriam. – Hermione falou, baixando os olhos.
- Acho melhor se sentarem. - pediu a loira. - Temos uma longa história para contar a vocês dois.
....
N/a Olivia: Provavelmente quando você leu te deu uma enorme vontade de chingar o Sirius de tudo quanto é nome, ou você ficou tão chocado que não houvew reação, ou voc]ê já esperava...
ENFIM, VAI SER PAULEIRA APARTIR DE AGORA!
Gente, respondendo as perguntas do Márcio Black, A segunda temporada vem aí com força total kkkkkkkkkkk
e estamos super empolgadas! Vlw pelo super incentivo, comentarios como o seu nos motivam!
Gente, espero que vocês gostem, foi de coração e fiquem com Deus...
bjjjjjjjjjjjjjj da Olivia
N/A Lenora: Ainnn gente foi muito bom ( momento sonserina) verem vocês se descabelando, endoidando por que a fic iria "acabar" HAHAHAHAHA. Juro que nao foi intencional... Mas espero que gostem desse capt, e nossos leitores especiais continuem comentando as autoras amam comentários. O Six foi mal, e tudo ocorreu muito ironicamente, ele nessa historia é o TRAIDOR hehehe. Surpresos ou nao comentem!
Beijos amados e até o proximo...
SPOILER: A segunda temporada tem muita coisa legal, tahhh muito mara!
SESSÃO COLIRIO:
