CAPITULO 53 – VARRENDO PARA BAIXO DO TAPETE
Eles voltaram no meio da tarde em silêncio. Hermione havia se tornando muito mais agradável depois de ter acabado com os nervos de Molly e conseqüentemente com os nervos de Rony.
Conversara com Arthur sobre técnicas de plantio e sobre cavalos. Muito surpreso ele ouvira uma confissão dita com tanta naturalidade que o chocou.
-Sempre quis ter um cavalo de porte! Nossos cavalos são para o trabalho e não tem uma raça nobre. Meu irmão tinha um, mas nunca me deixou montar e quando morreu, seu cavalo desapareceu.
Rony guardou esse comentário em sua mente para o futuro. Um futuro que não incluísse os gritos histéricos de Molly Wesley.
Quando entraram na casa ela rumou direto para a cozinha sabendo que ele a seguiria. Não havia ninguém, por isso ela colocou seu plano em ação. Antes que ele pudesse abrir a boca para brigar ela tirou um recipiente e descobriu pondo sobre a mesa.
-Fiz hoje cedo – mostrou e ele.
Rony olhou da torta de nozes para Hermione. Era sem dúvidas um plano bem armado. Ela preparara a moeda que barganharia seu perdão depois de humilhá-lo diante dos pais dele.
-Há mais alguma coisa que queira que eu releve? – ele perguntou olhando para ela cúmplice.
-Posso ter deixado sua amante trancada no quarto o dia todo – ela respondeu suave, cortando uma generosa fatia do doce e estendendo para ele em um pratinho com colher. – Pedi a Juanita que escondesse.
-Acha que comerei tudo sozinho?
-É um homem grande. – não era um elogio, mas sim um teste. – Notei que tem um bom apetite.
Hermione vinha se descobrindo como mulher, e saber que tinha poder sobre ele era gratificante!
Ainda não descobrira que o maior poder que possuía era ela mesma, mas vinha descobrindo aos poucos do que era capaz!
Rony sorriu, rendendo-se ao seu charme.
-Não poderá me enrolar sempre – avisou provando o doce. – Às vezes tenho vontade de levá-la a Londres para apresentá-la aos chefes doceiros das melhores doçarias. Mas tenho medo de perdê-la diante de alguma proposta irrecusável!
-Porque diz isso? – não compreendia a que se referia.
-Tem um talento natural Hermione – ele apanhou sua mão e beijou a palma – suas mãos são capazes de criar os doces mais saborosos que já provei. Se não acredita em mim, Harry pode confirmar.
-Qualquer um pode cozinhar bem... – ela ficou envergonhada, pois ainda era desconcertante o modo como ele falava com ela. Elogiava seus dotes todo o tempo!
-Sim, qualquer um pode cozinhar bem, mas cozinhar como você é dádiva de poucos – ele insistiu em segurar sua mão – sente-se ao meu lado e prove. Está delicioso.
Audaz, ele estendeu a colherinha com o doce em sua direção e ela abriu a boca, tentada pelo gosto doce, e também pela expressão animada de Rony.
Parte sua exultava em saber que sequer se importara por ter aprontado contra a ex-amante. Será que no fundo, fizera isso apenas para testar até onde ia seus sentimentos para com aquela cortesã?
-Está delicioso não é? -ele perguntou.
-Não gosto muito de doces – ela confessou e ele abriu um lindo sorriso.
-E do que mais não gosta Hermione?
-Não gosto de ficar sem saber as coisas que vão acontecer – ela confessou sentindo-se péssima por isso. – Eu...
-Não precisa explicar. Entendo perfeitamente. Também não gosto de ser deixado de lado.
-Eu percebi – ela resmungou e ele instigou-a a falar mais – está sempre atrás de mim, parece que me segue como uma sombra!
-Sinto, mas não posso evitar. É algo novo para mim também, pois nunca fui possessivo com as mulheres. – ele terminou o doce e pediu mais.
Hermione o serviu sem esconder o prazer de fazer isso. Tinha algumas defesas baixas e ele adorava ver que se tivessem oportunidade, poderiam conversas e interagir com paz e sossego. Ela era uma companhia maravilhosa.
-Não posso deixar de relevar ter contado a minha mãe sobre Lilá. É seu direito estar aborrecida comigo.
-Como se sentiria se eu colocasse um ex-amante dentro da sua casa? – ela perguntou a queima roupas.
Rony sentiu um gosto amargo na boca e abandonou o doce, empurrando o prato, desgostoso.
-Não possui ex-amantes – ele disse amargo – era virgem. Não repita isso nunca mais.
-Poderia ter um ex-namorado. Alguém a quem tenha amado no passado – ela provocou, olhando para ele e empurrando o prato para ele de volta – Coma, fiz porque pediu lembra-se?
Desfazendo a carranca, ele retomou o prazer de provar seu doce e observou quando ela levantou-se e cortou metade da torta embalando-a.
-O que vai fazer? – perguntou curioso.
-Deixei uma péssima impressão com sua mãe – ela contou de costas, a voz um pouco insegura – pedirei a Duran que leve, como um pedido de desculpas.
-Minha mãe entendeu exatamente o que sente – ele disse, levantando-se e a fazendo girar de frente para ele – Ela sabe que é completamente apaixonada por mim e que esteve lutando a tarde toda para não me agarrar e fazer amor comigo bem no meio de sua sala. Viu, é simples!
-Nossa quanta modéstia – ela disse espantada pelo gracejo e pensando se não havia um fundo de verdade nisso. Sem notar suas mãos se apoiaram em seus antebraços fortes, e ela percebeu o quanto estava confortável ali.
-Depois do jantar, arrume uma desculpa para se recolher mais cedo. Quero que me espere, sob os lençóis, sem vestir nada. – ele disse baixo, rouco e excitado.
-E pretende me deixar esperando-o por quanto tempo exatamente? – havia provocação em sua voz.
-Tempo suficiente para relembrar Harry que não pode seduzir minha irmã, me certificar que ambos estejam em seus quartos deitados e só. Não é muito tempo Hermione – lhe sorriu.
Ela maneou a cabeça.
-Prometi a Gina que veria as revistas de moda que Harry trouxe da capital – ela desculpou-se, satisfeita em negar a ele aquele capricho – Por alguma razão Gina acha que gostarei de ver esse tipo de coisa.
-Talvez porque são amigas e ela te conheça – ele provocou frustrado.
-Ou talvez, por só ter a mim e uma cortesã como companhia feminina. A escolha acaba sendo muito obvia não é?
Rony teve vontade de sacudi-la para fazê-la cair em si e parar de menosprezar a si mesma!
-Envie Duran, minha mãe ficará encantada – ele mudou de assunto.
-Farei isso tão logo me solte – havia um quase riso em sua voz.
-Decisão difícil – ele fingiu pensar – Me contento em fazer planos para mais tarde – disse ao soltá-la contrariado.
-Pois não se esforce demais. Pretendo cumprir minha obrigação e dormir rapidamente – ela retrucou, fingindo concentrar toda sua atenção em embalar o doce.
-Me dê mais um pedaço, para lembrar o quanto pode ser doce quando quer – ele retrucou também, esperando que o atendesse.
Não estavam brigando, apenas se alfinetando e Rony poderia jurar que havia um ar menos tenso entre eles dois.
Alguns minutos depois, no mais completo silêncio ambos comiam a tal torta, e era sem dúvida o ultimo pedaço existente, e ambos nem notaram que dividiam o mesmo prato, quando Harry e Gina regressaram junto a Duran.
Gina abriu um sorriso envergonhado quando notou que o irmão olhava para seu rubor com atenção demasiada e apressou-se a fugir de perguntas indiscretas.
Harry parecia incapaz de encarar o amigo. Arrumou algum pretexto e desapareceu também.
Hermione levantou-se e seguiu Gina, achando ter notado algo em suas roupas.
Conseguiu alcançá-la antes que fechasse a porta de seu quarto e com olhos arregalados, Gina a viu entrar. Em poucos segundos estava chorando desolada.
-É sangue em sua roupa? – Hermione a fez levantar da cama, olhando para seu vestido onde havia uma marca de sangue na altura das virilhas – Isso é sangue?
-Oh Hermione, não conte a Rony! – ela implorou – Por favor, ele brigará com Harry! A amizade será destruída! Além disso, Harry me prometeu casamento!
-Ginerva... – ela a fitou incrédula - Não creio que possa ter feito isso!
-Eu... Foi minha culpa – ela se apressou a dizer – Eu... Dei um dólar para o menino de Juanita nos deixar sozinhos na lago. Harry não sabia de nada! Queria apenas um beijo! Juro Hermione, queria apenas beijá-lo! Mas os beijos não tiveram fim... Eu... Oh... Foi tudo tão lindo! – seu sorriso se abriu formidável diante da lembrança – na beira do lago, foi tão lindo... Tão perfeito... Jamais me arrependerei...
-Foi uma traição para seu irmão! Seu amigo e sua irmã o traíram! Tenho que contar!
-Não faça isso! Papai é capaz de matar Harry! Ou obrigá-lo a casar-se comigo!
-É claro que se casará com você! – Hermione estava definitivamente furiosa com Gina e Harry.
-Obrigado? Acha que desejo viver o inferno em que você e Rony vivem? Jamais obrigarei Harry a nada!
-Meu Deus, como é tola! – Hermione segurou seu braço e a forçou a sentar-se na cama, aflita demais para ser carinhosa – e se esse homem for embora? Ginerva, e se ele disser que não foi ele? Como vai provar? Está longe de sua casa, há outros homens nessa fazenda, empregados! Nenhum juiz no mundo vai acreditar na sua palavra se o adversário for um homem tão rico como Harry! É bem provável que sua família perca tudo tentando reparar sua honra! Como pode agir sem pensar?
-Eu... Eu o amo – ela disse, tremula – Hermione... Eu não pensei... Eu...
-É claro que não pensou! – ela revidou furiosa – Agora não adianta lamentar!
-Não lamento... Do fundo do meu coração. Não posso lamentar algo que me fez tão feliz - ela disse, chorando dividida entre tantos sentimentos.
Hermione lembrou-se de sua primeira noite e em como aquilo mexera com seu coração.
Não era a mesma pessoa desde aquela noite.
-Não contarei a Rony por enquanto. Esperarei até Harry pedi-la em casamento. Mas saiba que se isso não acontecer, a responsabilidade será toda sua Gina. Contará a sua família e aceitará o que vier sem reclamar!
-Do que está falando? – havia pânico em sua voz.
-Desonrada, terá que se conformar em casar com o melhor homem que seu pai puder achar. Mesmo que não o ame – ela foi categórica. – E tem mais – notou o medo nos olhos azuis – Isso não pode voltar a acontecer, por mais que o ame, por mais que ele insista, por mais que lhe faça promessas. Se amanhã, até o fim do dia não lhe pedir em casamento, se afaste!
-Por quê? O mal já está jeito! – ela disse assustada.
-Porque será ainda pior se ficar grávida. – lembrou-a.
-Acha que posso... – ela ficou em pânico.
-Não – disse apenas para tranqüilizá-la – Controle seu amor Gina, para não se prejudicar e levar a ruína toda sua família. Mesmo que Harry seja um canalha, ainda assim não merece morrer, muito menos um de seus familiares merece passar o resto da vida numa prisão.
-Eu o amo tanto Hermione – ela derramou lágrimas aflitas e Hermione compadeceu-se.
Sentou ao seu lado na cama e abraçou-a como no passado. Com todo seu carinho.
-Dê uma oportunidade a Harry, diga-lhe porque não o deixará se aproximar mais. Se for honrado e estiver apaixonado a pedirá em casamento. E se não o for... É melhor que case com outro a viver uma vida de amarguras.
-Acha... Que ele me ama? – havia muita fragilidade em sua voz.
-Acho que Harry é um bom homem. Se lhe fez amor sabendo que é virgem, é porque tem fortes idéias a seu respeito. Apenas não se conteve.
-Isso é possível? Um homem não se conter? – perguntou cheia de esperanças.
-Homens pensão como animais quando estão... Desejosos de uma mulher. – ela disse corando um tanto envergonhada.
-Aprecia... Do mesmo modo que eu apreciei quando meu irmão a tem por esposa? – Gina precisava conhecer mais.
-Odeio dizer que sim – ela revelou antes que pudesse conter as palavras. –Agora, tire esse vestido e me espere. Trarei água para que se lave. E me deixe sumir com esse vestido antes que Juanita o veja. Ela é boa, mas tem uma língua cumprida e não gosta de você.
Apressada, Hermione ajudou-a a tirar o vestido e as roupas intimas, reconhecendo marcas vermelhas na pele branca de sua amiga, e vendo o pequeno sorriso que ela emitia ao notar também.
-Não sorria desse jeito. – ela mandou, sorrindo também – O que tem nessa cabecinha? Vento?
-Amor – Gina disse rapidamente – Tenho amor em minha cabeça e em meu coração!
-Sim, sim, o amor. Como não pensei nisso? – ela ironizou, fazendo uma trouxa com o vestido e o calção intimo. Escondeu-os entre um lençol velho e disse antes de sair.
-Espere e reflita. Não pode deixar seu irmão suspeitar disso!
Apressada, ela quase morreu de susto ao dar-se de cara com Rony na sala, perguntando-lhe porque lavaria roupas tão tarde.
-Gina... É impossível que beba vinho sem destruir alguma peça de roupa – ela disse apressada e nervosa – É seu melhor vestido, não seria agradável se ficar com uma mancha.
Num canto da sala, Harry tinha a cabeça baixa e quando ela o olhou ele ficou ainda mais envergonhado. Seus olhos verdes lhe diziam que jamais poderia olhar novamente para o amigo de cabeça erguida.
-Melhor será avisar Gina que Juanita terminou o jantar – ele disse se aproximando e Hermione se afastou segurando a trouxa de roupas contra o peito, apavorada.
-Acho melhor que ela não desça. Vou levar água para que se refresque e a deixarei deitada. Pobrezinha, pegou muito sol essa tarde e está com os nervos a flor da pele - disse olhando para Harry.
-Não será possível que tenha sido picada por algum inseto venenoso? – Rony perguntou lembrando-se que a irmã era alérgica a abelhas desde a infância.
-Não, e se o fosse, teria sido uma cobra peçonhenta – revidou com ódio, olhando para Harry com amargura.
Culpado, ele não ousou defender-se e sem entender aquela troca de olhares, Rony deixou-a ir.
Havia algo acontecendo entre Hermione e Harry e que Deus o ajudasse, mas isso não iria acabar bem.
AUTORA: Gente, eu me enganei, a NC vem no próximo capitulo. Olha só, agora a Hermione tem que se preocupar com os problemas da Gina também!
Próximo capitulo dia 27. Aí sim, vem a NC.
Então é Natal de novo! Nem preciso dizer que desejo felicidades a todos e muita alegria nesse dia! (e muitos presentes também!).
Observação importante: Feliz Natal para a minha beta que me convenceu a ter uma beta (eu relutava com a idéia) , e agora se tornou imprescindível. E insubstituível!
Feliz Nata para as meninas que ainda tentam conversar comigo no MSN apesar de ficar caindo a conexão o tempo todo e deixá-las na mão se querer!
Feliz Natal também para minha família, que me sobrecarrega com seus planos e desejos, e sobretudo a Lubert, que é o homem mais estranho e bobo do mundo!
Esse ano ganhei vários presentes de Natal e o maior deles foi meu casamento, que nem sabia que queria. Que sequer suspeitava como seria importante para mim e que agora, é minha vida!
Gente, Feliz Natal!
P.S: a fic de natal está postada: TRAQUINAGEM DE NATAL.
Beta: A Gina só apronta cara, mas que menina levada, dá vontade de dar umas boas palmadas nela, isso sim!!!