- Não adianta, Hermione! Eu vou de qualquer jeito, nem que ele brigue comigo! Eu não sou mais criança, sou uma Auror formada, vacinada, maior de idade...
- E teimosa! Juliet, você está grávida! Não pode se arriscar assim!
- Eu sei que estou grávida, Hermione! E é por isso mesmo! Eu tenho que estar à frente da batalha ao lado do pai do meu filho!
- É suicídio, Juliet! E se eles descobrirem esse filho...
- Eles não vão descobrir, Hermione. O que eu não posso é abandoná-lo agora. Por mais que ele esteja me pedindo, eu não vou fazer isso. Nunca.
- Sabe... Eu me orgulho muito de ter vocês dois como companheiros nessa Guerra. Eu fico me perguntando se o Ronald faria tudo isso por mim.
- Hermione, deixa de ser boba! Claro que faria!
- É, acho que sim. – Enxugou algumas lágrimas. – Eu só tenho medo de perdê-lo nessa confusão.
- Isso não vai acontecer, ok? Você só tem que ser forte, ele precisa de você mais do que nunca.
- Eu vou ser. Ou melhor, nós duas seremos.
As amigas abraçaram-se. Lágrimas rolavam pelo rosto de ambas, mas tinham de agüentar. Haviam sido preparadas para isso desde a época de Hogwarts, quando ainda ficavam de namoricos pelos cantos e a única coisa com o que se preocupar eram os exames.
Juliet lembrava-se muito bem de como conhecera Hermione. Harry Potter a apresentara e, pouco depois, viraram amigas. Bons tempos aqueles. Mas acabaram. E novos tempos estão por vir...
- Sr. Ministro!
- Meu caro Steve! Como vai? Hum, olá senhorita!
- Ministro, essa é Juliet Brooke. Veio como minha convidada.
- Com o mesmo bom gosto de sempre Steve...
O Ministro riu, Steve – parecendo sem-graça – olhou Juliet como se desculpando. Ela apenas sorriu, timidamente.
- Espero que vocês aproveitem o jogo. – E saiu pelo Camarote à procura de alguém.
- Sinto muito, Juliet. Cristovan não é muito delicado.
- Tudo bem, Steve. Você não teve culpa. Vamos nos divertir!
- Meninas, esse aqui é o Thomas! Tom, essas são as meninas: Katerina, Mary, Vanessa, Emily e seus respectivos acompanhantes.
- Bem, oi todos vocês!
- Ele não é uma gracinha? Também acho! Aliás, acho que vamos para o Camarote, o Ministro deve estar esperando... Encontro vocês mais tarde no Giovanni’s? Ótimo, então. Vamos, Tom!
Por volta as 20:45 o Ministro levantou-se, apontou a varinha para a própria garganta e, após um sonorus dirigiu-se a Multidão:
- Meus caros torcedores! Esta noite vamos conhecer o grande campeão da Liga Nacional de Quadribol. Para não atrasar mais o jogo, espero que os Red Pixie e os Green Moke façam um jogo limpo e que todos possamos apreciar um belíssimo espetáculo.
Os jogadores entraram em campo, montados em suas vassouras de última geração e a torcida foi ao delírio.
- Que comece o jogo!
O Ministro lançou o pomo. Era o início da disputa.
Alicia não estava mais na sala aconchegante de um apartamento Londrino, Hermione e Juliet não estavam mais abraçadas à sua frente. Aparecera, agora, numa sala grande, um tanto velha, com uma extensa mesa de mogno lotada de pergaminhos, mapas, penas, tinteiros, xícaras de café e muitas pessoas ao redor, em silêncio.
Algumas usavam um manto azul-marinho que lhes cobria a face. Outras estavam, apenas, olhando para o chão.
Dumbledore entrou na sala e todos se agitaram.
- Acalmem-se. – Sua voz era séria e um tanto sombria. – Em poucos minutos alguns de vocês estarão saindo daqui para enfrentar o lado mais sombrio de nosso mundo. Temo que alguns de vocês não voltem e lhes dou o total direito de desistir agora. Não serão tidos como covardes, mas como aqueles leais aos próprios sentimentos. Os que têm medo não sobreviverão à batalha, então prefiro que fiquem por aqui. – Uma pausa, onde Alicia olhou ao redor e não viu sua mãe; voltou, então, a atenção para Dumbledore. – Como esperava, nenhum de vocês se manifestou. Vocês são a esperança de todos nós. Muita coisa depende de vocês, mas independente de quem saia vitorioso desta Guerra, quero que vocês saibam que fizeram o melhor que puderam.
A porta foi aberta por uma Hermione esbaforida e uma Juliet séria. Todos olharam e enquanto Hermione tomava seu lugar à mesa, um dos encapuzados levantou-se e caminhou até Juliet, que trajava um manto azul-marinho com o capuz abaixado.
- Juliet! Não...
- Shh... Eu não posso deixar você ir sozinho e nem abandonar a Ordem numa hora dessas. Fomos preparados para isso e vamos conseguir. Temos de ser fortes e colocar nossos princípios acima de qualquer sentimento. Quando eu me cobrir com esse capuz não serei mais Juliet Brooke, serei uma lutadora da Ordem. Não vou esquecer tudo o que me disse ontem e nem quero que você o faça. Meu coração permanecerá com você, mas eu tenho de fazer isso. Por mim, por você e pelo nosso filho. – Juliet aproximou-se da figura de capuz e beijou-a docemente. – Eu amo você. Para sempre. – E colocou o própri capuz.
Todos olhavam em silêncio a cena. Hermione enxugava suas lágrimas e segurava a mão do encapuzado à sua direita. Dumbledore tinha o olhar perdido. Juliet tomou seu lugar à mesa e Dumbledore tornou a falar:
- Vocês são a Ordem da Phoenix. Muitos morreram antes de vocês e esperamos que nenhum mais tenha que morrer depois. Vocês têm o poder de mudar o futuro que Voldmort planeja. Agora vão! Os encontrarei na batalha! E, quanto aos que ficam, contamos com sua incansável dedicação para que tudo corra como o planejado. Boa sorte. E até o fim.
Num único movimento, os encapuzados misturaram-se e sumiram pela porta. Aquela seria a última vez que a Ordem completa reunia-se no Largo Grimmauld, 12. |