Steve estacionou o carro na parte VIP do estacionamento que, àquela hora, já estava lotado. O estádio exalava excitação. Tudo explodia nas cores dos times. De um lado os Red Pixie, da Cornualha, e do outro o Green Moke, direto da fronteira com a Irlanda.
O verde e o vermelho dominavam cada canto para qual se olhava. Juliet sorriu, radiante.
- Não sabia que você gostava tanto de Quadribol, Juliet.
- Mais do que você pode imaginar, Steve... Há uns 15 anos que eu não vejo um jogo ao vivo...
- Fico, então, feliz ao saber que parte desse sorriso é por minha causa.
Juliet corou. Por sorte um outro carro parou bem perto de onde estavam e, dele, saltaram dois belos jovens.
- Christine, querida! Que bom que chegou, não quero entrar muito tarde. Sabe que até o camarote é um caminho demorado.
- Ah, papai! Que é isso? Estava me arrumando. Uma mulher tem que estar sempre bonita! – Christine sorriu e olhou Juliet dos pés à cabeça e, em seguida, olhou para o pai.
- Claro! Onde estou com a cabeça? Christine, essa é Juliet Brooke, uma amiga minha. Juliet, minha filha Christine e...
- Thomas Fletcher, senhor. E boa noite senhora Brooke.
- Você e sua irmã sempre com essa mania de senhora; sei que são bem educados, mas não façam eu me sentir velha! – Sorriu.
- Prazer, Juliet. Espero que possamos aproveitar bastante essa noite em família.
Novamente, Juliet ficara sem graça. Família? A garota estava confundindo as coisas.
- Acho melhor subirmos logo! – Steve completou, cortando o estranho silêncio.
- É, acho que está certo, papai. Quero apresentar o Tom pras meninas!
Juntos, e em silêncio, seguiram para as rampas de acesso.
- Aly... E se der alguma coisa errado?
- Suse! Você está com medo?
- Claro que não! Eu só... Estou um pouquinho nervosa. E acho que você também deveria estar!
- E estou, ok? Só tô tentando não pensar nisso agora...
- Ok, então... Vamos lá.
O mais silenciosamente possível, as amigas seguiram até o escritório e fecharam a porta ao entrar. Alicia dirigiu-se ao armário onde a penseira costumava ficar. Respirou fundo e o abriu.
- VAZIO?!
- SHHHH!
- Vazio?! Oh, Merlin! Ela tinha que estar aqui! Eu tenho certeza que é aqui que minha mãe costuma guardar!
- Calma, Aly! Pensa devagar... Tem certeza mesmo que é aí?
- Tenho! Certeza absoluta!
Susan deixou-se cair numa poltrona e, assim que seu corpo tocou o macio couro, levantou-se!
- JÁ SEI! Quero dizer, já sei.
- Já sabe o que, Suse? – Aly estava visivelmente desapontada olhando o armário vazio.
- Accio.
- O que?
- Accio penseira!
O rosto de Alicia iluminou-se. Como poderia ter esquecido do feitiço convocatório? Além disso, sua casa era legalizada no mundo bruxo, podia usar magia ali. Sua mãe assinara a autorização e tudo o mais!
- Susan, eu não sei o que seria de mim sem você!
Riram e Aly, após fechar o armário, correu para o quarto sendo logo seguida pela amiga.
Os dois casais chegaram ao andar central do estádio e, então, separaram-se. Christine foi encontrar as amigas na saleta VIP e disse que ocuparia seu lugar quando o jogo começasse. Tom a seguiu.
Juliet respirou fundo.
- Tudo bem, Juliet?
- Claro! Só estou me preparando!
Steve sorriu.
- Você está linda, acredite. – E estendeu-lhe o braço.
- Se não é meu caro chefe do Departamento de Esportes Mágicos! Steve!
- Friederich! Que bom vê-lo por aqui! Sinal que nossos departamentos não estão juntos apenas na burocracia e organização!
- Não tenha dúvidas disso, meu caro! E a bela dama que a acompanha, é..?
- Juliet Brooke, muito prazer.
- De certo que o prazer é meu, Friederich Wimblow, chefe do Departamento Nacional de Magia. Talvez já tenha ouvido falar, não?
- Claro que sim! Vocês, junto com o Departamento do Steve organizam os melhores eventos esportivos do calendário bruxo!
- Vejo que a senhorita está bem informada, então!
- Juliet, apenas, por favor.
- Desculpe interromper seu papo, Fred, mas devo levar Juliet ao camarote.
- Ah, claro! Tudo bem! Aproveitem o jogo.
- Fred é um velho que se acha jovem... Sempre atrás das mulheres bonitas. – Piscou para Juliet que rira.
- Divertido, ele. Mais do que parece nos longos e intermináveis discursos do programa mágico de esportes.
- Muito bem informada essa minha acompanhante. Acho que escolhi muito bem!
Caminharam e cumprimentaram mais algumas pessoas até chegarem à entrada do Camarote. De braços dados, Steve conduziu Juliet até um dos melhores assentos do lugar. Alguns convidados, já sentados, lançaram-lhes um breve olhar e logo voltaram às suas conversas.
- Daqui a pouco o Ministro e os demais convidados já estarão acomodados. Podemos esperar aqui ou andar mais um pouco, o que prefere?
- Acho que podemos esperar aqui. – Juliet sorriu e passou a olhar a multidão verde e vermelha que enchia o lugar.
- E então... Chegou a hora, né?
- Isso é com você, Aly. Eu sou só a vigia.
- Certo, então... Accio Penseira!
Um minuto inteiro passou e as amigas não pronunciavam uma palavra. Mal respiravam.
Sobressaltaram-se quando ouviram uma batida surda contra a porta. Alicia correu pra abrir. Assistiram a bacia prateada vir pelo ar. Susan adiantou-se para pegá-la.
- Voilà.
- Funcionou...
A voz de Alicia soava distante.
- Agora é com você, Aly. – Susan colocou a Penseira sobre a escrivaninha de Alicia.
A menina aproximou-se, devagar, da bacia prateada. Mil pensamentos borbulhavam à superfície.
- Já sabe o que fazer, né? Se alguém bater na porta, me puxa de volta!
- Boa sorte.
E, então, Alicia mergulhou o rosto no mar de lembranças da mãe. |