CAPITULO 49 – NOVO ACORDO PERFEITO
Hermione havia adormecido. Cansada pela estafa física e emocional, havia adormecido. Rony desistiu de abordá-la e saiu do quarto.
Tinham muito a falar, mas apenas quando estivessem em pé de igualdade. O almoço estava na mesa, e a despeito do olhar de desprezo de Lilá diante da comida caseira e das louças simples, ele conseguiu comer bem.
Juanita preparou uma bandeja para Hermione e antes de sair conteve uma resposta ao ouvir a pergunta da visita:
-Meu pobre Rony, quanto sofrimento uma mulher doente não deve lhe trazer! Qual o mal que a aflige além claro, da pouca beleza?
Não ficou para ouvir a resposta e não houve de qualquer forma, grandes respostas.
-Hermione teve um acidente há poucos dias, ainda está convalescendo, no mais, sua saúde é de ferro!
-Não negue meu querido, este casamento o faz infeliz. – Lilá insistiu.
-Para quando é seu filho? - ele perguntou desejando que fosse o mais breve possível.
-Uma semana no máximo - ela disse orgulhosa – verá como se parece com você, quando nascer um belo menino ruivo de olhos azuis!
-Assim como metade das crianças de Londres - ele retrucou. – Não é meu filho Lilá. E mesmo que fosse jamais terei como saber.
-E não pode acreditar em mim depois de tudo que vivemos? – havia um traço de fragilidade em sua voz.
-Lavander – Harry pediu em voz cortante – Respeite a casa de Rony. Está aqui por piedade. Não torne tudo mais difícil.
Gina olhou para Harry como se olha para um herói.
Rony perdeu o interesse no pequeno embate entre Lilá e Harry quando Juanita voltou com a bandeja intocada.
-Hermione ainda dorme? – Gina perguntou preocupada.
-Não. Mas está enjoada. A comida não lhe desce. Eu no seu lugar estaria do mesmo jeito, pois há um sapo atravessado em sua garganta do tamanho dessa rapariga! – ela disse olhando para Lilá e então para Rony.
-Não aceito ser chamada dessa forma! – Lilá repreendeu-a e Juanita soltou um risinho irônico.
-Usa roupas melhores que as que usei, mas ainda assim é mais sórdida que a pior das rameiras. Ao menos de onde vim não se ousava bater na porta das senhoras decentes atrás de seus maridos! Se havia um pingo de vergonha na cara das meretrizes e de seus amantes!
Rony soltou um palavrão antes de sair da mesa e da cozinha.
Para ele chegou ao limite toda aquela situação!
Com Hermione acordada, não havia porque fugirem da conversa que precisavam ter!
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Hermione estava de pé, limpando o rosto em água fria quando ele entrou. Estava enjoada e tonta, e a água ajudava a refrescar o calor. Quando o viu entrar e trancar a porta desejou desmaiar ou morrer, assim, fugiria do confronto!
-Sente-se bem? - ele perguntou reparando em sua palidez.
-Como poderia? – ela rebateu.
-Pensei ter me explicado. – ele devolveu.
-Oh sim, explicou-se. O que não tem explicação é a razão para sua amante continuar na minha casa!
-Nossa casa! - ele corrigiu, detestando seu tom de voz.
-Essa casa foi construída pela minha família. Não importa quanto tempo passe, essa sempre será apenas a minha casa! – respondeu imóvel, com medo de se mover e revelar o quanto estava zonza.
-Adquiri o direito a casa no momento em que nos casamos e posso decidir quem fica e quem sai!
-Sim, e exerce esse direto a revelia da minha vontade – ela satirizou. – Primeiro Gina, depois Harry e agora sua amante. Tenho medo de perguntar quantas pessoas ainda terei que suportar sob o meu teto apenas para satisfazê-lo!
-Não tenho culpa que tenha aceitado se casar! Porque não disse não e se livrou disso, hein Hermione? – ele ironizou maldoso, querendo feri-la do mesmo modo que ela fazia com ele.
-Não jogue sobre mim a responsabilidade de suas mentiras! – ela resumiu, cuspindo fogo.
-Minhas mentiras?
-Convidou sua irmã apenas para oferecê-la para seu amigo rico! Acha que sou tola? Está de olho na fortuna de Harry! Estreitando os laços com sua fortuna e prestígio! E o convidou mentindo que desejava sua amizade, quando seu único intento era fazê-lo ser seduzido por sua irmã! E agora aparece uma mulher enganada por suas mentiras de amor! Um grande mentiroso é o que você é!
-Nunca menti para Harry. Nunca quis um tostão de sua fortuna! - ele sentiu-se indignado, não por Harry que o conhecia, mas por ver sua Hermione pensando essas coisas horríveis dele! – Gina está aqui para ajudar em sua recuperação. E depois, para me permitir ter uma desculpa para usar o quarto que é meu por direito! - ele estava realmente indignado – Porque minha esposa acha muito justo me chutar do quarto como um menino bobo!
-Sorte minha fazer isso ou a esta altura essa cama poderia estar insuportavelmente cheia!
Ultrajado com a insinuação avançou em sua direção.
-Não ouse me intimidar fisicamente! – ela alterou a voz – não posso me defender!
Ele estacou no chão, incrédulo.
-Pensa tão mal de mim?
Ela afastou o olhar, para que não soubesse da verdade sobre seus pensamentos.
-Sinto que seja incapaz de compreender e aceitar Hermione. Lilá foi minha amante, eu sequer a conhecia nesse tempo. Não mando na vontade das pessoas e não sabia de sua vinda. Não me peça para jogar na rua uma mulher grávida e sozinha a beira do parto!
-Porque não pode ficar na casa de seus pais? – era uma pergunta válida.
-Minha mãe jamais permitiria – ele confessou.
-É uma vergonha, eu sei. – ele se aproximou menos indignado – Sente-se irritada e ofendida, eu também sei disso. Lilá é terrível, mas não deve ouvir as cosas que ela diz. Não deve acreditar em suas mentiras Hermione. Sou eu quem vive ao seu lado. Não descumpri nenhuma das promessas que lhe fiz. Porque não pode aceitar e acreditar em minhas boas intenções?
-Não quero essa mulher aqui! – reafirmou.
-Tão pouco eu quero. Pense Hermione no escândalo que será se Lilá e seu filho morrerem por causa do parto após a mandarmos embora.
-Ela não morrerá no parto apenas por não a acolhermos!
-Mas sem cuidado e assistência, poderia acontecer e não estou disposto a me defender a Ford sobre minha amante e um filho morto!
-Não me venha com essa historia de novo Wesley! - ela exigiu, ficando sem reação quando ele fechou os olhos, inconformado e lhe deu as costas.
-Ford pode acreditar em nosso casamento, mas não vai se arriscar a perder dinheiro diante de um escândalo! Não finja que não sabe disso!
-E agora você quer me dizer que vai recomeçar com suas armadilhas novamente? – ela desafiou.
-E por acaso será preciso?
Era uma pergunta maior. Perguntava se depois de tudo que viveram até aquele momento, ela seria capaz de virar as costas para o que sentiam e voltar a tratá-lo com indiferença.
-Dessa vez não haverá nenhum Ford no quarto ao lado! - ela disse adorando saber que o perturbava e irritava. Era bom para que sentisse o gosto da fúria, assim como ela sentira diante daquele beijo em Lilá. E principalmente diante da eminência de que outros beijos aconteceriam bem diante do seu nariz!
-Pensa que Gina não nos entregaria? - ele debochou – ela te detesta! Ao primeiro grito de recusa ela vai ter o prazer de nos denunciar e ‘me livrar’ de você! - ele reforçou a dúvida sobre a segurança que ambos tinham naquele acordo precário.
-Pense Wesley, ela pode até contar a Ford, mas as conseqüências não serão piores que a humilhação que passará diante de sua família! -Acaso acha que vão duvidar dela? – notando que não entendia sentiu prazer em explicar – O que seus irmãos dirão de um homem incapaz de despertar qualquer sentimento em uma mulher tão insignificante quanto eu? O que eles dirão quando souber que é preciso dominar e forçar para ter aquilo que os outros têm de livre e espontânea vontade! Dirão pelas suas costas que não é homem suficiente para uma mulher!
Era verdade, ele pensou seus irmãos não lhe diriam isso, mas estariam penando.
-Estive certo desse o começo! É uma louca! - usou de ofensas para escapar dessa verdade.
-Pior ainda. Tão pouco viril a ponto de ser rejeitado por uma louca!
Havia satisfação em sua face. Ela acertava em cheio, e ele não podia dizer nada.
Acuado, com as mãos na cintura andou em volta de si, procurando uma saída.
Apesar da raiva, ela não pode deixar de admirar sua estatura, seu porte e sua presença. Era um homem forte e decidido e seus olhos lhe diziam que acharia uma saída. Hermione o colocara contra a parede, mas ele reverteria o jogo.
Disso ela tinha certeza!
Por um segundo, Hermione se perguntou se era isso que desejava secretamente. Que ele achasse um jeito de desfazer as coisas a seu favor. Dobrá-la. Obrigá-la a aceitar o que sua personalidade e sua auto defesa repudiavam!
Ele parou olhando para ela com amargura, esticando o braço em sua direção num gesto de irritação, como se apontasse para ela.
-É seu direito me rejeitar. Mas saiba que é meu direito te punir por isso. Não faça ares de medo, sabe que não vou te punir fisicamente! – havia uma sombra de satisfação nele também ao dizer – Hoje mesmo sua criada estará na rua.
-Juanita? – ela nem soube por que perguntou.
-Tem um bom tempo que decidi mandá-la embora. E agora é a hora. – notando que estava sem palavras ele completou – Você me faz sangrar, eu te faço sangrar também. É assim entre nós Hermione. Priva-me do que mais desejo. E eu te privo de algo que lhe faça bem. Até que um dia realmente nos odiemos.
Simples assim, ela pensou.
Rony estava coberto de razão.
-Juanita não tem para onde ir com os filhos – era quase como se apelasse para seu bom senso.
-Mais uma razão para pensar Hermione.
-O que quer dizer com isso? – seu sangue gelou em suas veias, mas o pulsar acelerado de seu coração desmentia qualquer medo.
-Você me dá o que eu quero, e eu faço o que te faz feliz – ele quase sorriu. – Afinal, o tipo de homem que sou não tem escrúpulos em manipular a própria esposa!
-Quer algo em troca da permanência de Juanita? E o que você quer?
Estava em seus olhos que ela sabia muito bem o que ele queria! E sua respiração ter se acelerado era um claro indício que além da revolta em ser acuada, ela sentia mais, um sentimento de antecipação inexplicável!
-Quero que cumpra seus deveres de esposa - disse amaciando o tom, pois sabia que Hermione iria chiar!
-E quais exatamente são meus deveres de esposa? – era uma pergunta suave, mas que escondia sua verdadeira intenção.
-Estar ao meu lado na cama todas as manhãs em que acordar. Sorrir sempre que me ver, e me beijar sempre que voltar. Não fugir de mim. E principalmente, vir de boa vontade aos meus braços à noite para fazermos amor. São essas as suas obrigações!
-Sorrisos falsos, beijos sem sentimento e entrega sem valor – ela repetiu apenas para magoar.
-Exatamente isso - ele concordou deixando claro que não estava brincando.
-Acha que me prestarei a isso a vida toda por causa de Juanita? -jogou verde – Aprecio sua companhia, mas não há esse ponto!
-O resto da vida não, uma semana - ele barganhou, achando melhor baixar o preço antes que ela desistisse!
Afinal, não era tolo. Nem louco.
-Não faria a maldade de mandar Juanita embora - ela disse a si mesma.
-Quem fará a maldade é você, Hermione. Dizendo não, será você que a colocará no olho da rua!
-Uma semana... - ela repetiu, sentando-se na beira da cama, e apoiando uma das mãos no colchão.
Pensativa, pesou os prós e os contras.
Bem lá no fundo, uma voz a alertou que não era necessário ceder. Afinal era dona daquela casa e tinha sua parte dos lucros. Poderia recontratar Juanita quando bem entendesse, por mais que isso significasse uma guerra! Mas havia o fato de Juanita ser maltratada todos os dias, mesmo que não acreditasse que Rony fosse capaz disso...
-E a sua amante? Fará parte do acordo? – ela perguntou para irritar novamente.
-Lilá é um peso nas minhas costas. Além disso, não é certo manter relações com uma mulher a beira de dar a luz.
Não negava a possibilidade se ela não estivesse grávida.
Se não fosse tão cabeça dura ou não estivesse com tanto ciúmes, teria notado que não insistiria tanto em fazer amor com a mulher se quisesse ter a amante.
-Sete dias – ela praticamente rosnou – Sete dias de farsa!
-Exatamente - ele cruzou os braços – começando por essa noite naturalmente. Afinal, vamos recomeçar o que começamos ontem e hoje.
Ela fechou os olhos humilhada.
-Só vou fazer isso porque preciso de Juanita comigo – ela defendeu-se, sem dizer claramente o ‘sim’. – Não o quero perto de mim!
-Sim, eu sei. Deixou isso bem claro agora a pouco, diante de Lilá e de Harry. Todos nós sabemos como me deseja bem longe da sua vida, não é necessário repetir.
Ele não demonstrou alegria com o acordo. Muito menos euforia. Apenas virou as costas e saiu do quarto batendo a porta atrás de si.
Hermione sentiu algo estourar em seu peito, sem saber por que vinha chorando tanto.
Conteve os soluços, mas não pode evitar o pranto. Deitou-se e puxou um travesseiro, abafando contra ele o indigno som do choro.
Chorava por ela, pela fazenda, por seus pais. Por Rony que não a deixaria em paz jamais. Mas chorou principalmente pela imagem ainda viva em sua memória daquele beijo que Lilá Brown dera em Rony bem na sua frente!
Do outro lado da porta, Rony esperou antes de se afastar. Pretendia apenas recuperar o controle antes de voltar à cozinha, mas ficou estarrecido ao ouvir seu choro.
Não era algo esperado de Hermione, ela não chorava com freqüência. Nem pela família perdida, nem por nada!
No final de tudo, talvez ele apenas fosse pior que qualquer outra dor que pudesse feri-la.
Derrotado, regressou para terminar seu almoço.
Autora: Tadinha da Hermione... hehe...
Eu chorava era de felicidade... hehe....
Beta: Mas que acordo maravilhoso, e o negócio vai ferver!!!