Acho que estava sonhando, sentia uma mão percorrer todo o meu íntimo em questão de segundos...
Mas o sonho parecia tão real...
Eu sentia seu hálito quente e mentolado em minha nuca, e com certeza eu queria todo aquele sabor somente para mim.
Ao abrir meus olhos, deparei-me com Melissa ainda dormindo. Ela tinha um sono leve e profundo ao mesmo tempo, inimaginável... mas para mim, era possível. Aliás, tudo parecia ser possível aquelas férias.
Virei-me para seu lado e fiquei a observá-la. Por alguns segundos a mirei de cima a baixo, e era uma cena linda. Eu já estava totalmente conformada, realmente havia me apaixonado por uma garota.
Mas é claro, o pior daquilo tudo era a realidade que viria após as férias, eu ficaria longe dela, quem sabe até para sempre.
Pensar naquilo já me doía, e não nos conhecíamos sequer há uma semana. Ela parecia ser alguém que estava comigo há anos. Acredito que nunca tinha sentido algo tão intenso antes. Era incrivelmente único... e já começava a ser doloroso...
Me aproximei mais e consegui sentir o calor de seus lábios... a beijei sutilmente... Ela não acordou.0
Levei minha boca até seu pescoço, o perfume de orquídeas ainda estava lá, como sempre... e como sempre eu não conseguia deixar de me embriagar com ele.
Olhei mais uma vez seu lindo rosto, tão limpo e perfeito, tão intenso e marcante... Era uma linda mulher... talvez fosse mesmo impossível não se apaixonar por ela...
Talvez...
Talvez... mesmo que nós não tivéssemos acontecido... eu admirasse sua beleza.
Continuei a admirando por minutos, até que simplesmente ela abriu seus olhos.
Sorri.
- Bom dia... – disse Melissa com um recíproco sorriso. Sua voz rouca certamente havia atingido minhas veias cerebrais.
- Bom dia... – respondi.
Ela olhou mais adiante, até a cortina de saída.
- Parece cedo... – disse com o cenho franzido.
- Será? – Acompanhei seu olhar até a cortina. Realmente, parecia cedo, o dia ainda não estava muito claro por além dos pesados panos.
Ela olhou seu relógio de pulso.
Sorriu.
- Seis e meia da manhã ainda... – Sua voz rouca continuava a me atingir.
- Muito cedo mesmo...
- Você está triste? – perguntou Melissa de repente.
Não esperava tal pergunta, não tive resposta de imediato.
Nos encaramos por alguns segundos, e finalmente aleguei.
- Acho que um pouco.
- Por causa de ontem? Tudo vai ficar bem...
- Não... não sobre ontem... – respondi logo. – Acho que só estou pensando um pouco na volta pra casa...
- Não pense nisso agora, ainda temos uma semana... – disse sorridente. – Ou ao menos seis dias, já que iremos embora na sexta-feira.
- Parece pouco perto de você – retruquei também sorrindo.
Ela me beijou. Tão doce... tão parecido com o primeiro beijo entre nós...
Era tão diferente de Dino... Dino... O que ele estaria fazendo naquele momento?
Será que se beijando com alguma morena de olhos brilhantes assim como eu estava a fazer?
Irônico... Irônico e trágico que eu estivesse pensando naquilo enquanto Melissa me beijava. Irônico e trágico que eu estivesse enganando Dino.
Perfeito e triste que eu estivesse tão feliz ali com ela, e tão traidora com outra pessoa.
Interrompi o beijo. Imediatamente sentei na cama ficando de costas para ela, pondo meus pés firmes no chão.
- O que houve? – Ouvi sua voz preocupada se aproximar do meu ouvido.
Apenas balancei a cabeça em sinal negativo.
- Tem certeza? – Sua voz estava ainda mais perto de meu ouvido.
Agora balancei em sinal afirmativo.
- Eu acho que não parece... – Sua doce e rouca voz estava mais uma vez me invadindo.
Em um segundo já tinha esquecido qualquer coisa que poderia ter pensado e me feito mal. Me virei em um abrupto movimento e a enlaçando pelo pescoço a beijei. Foi um beijo diferente. Envolveu-me por todo o corpo, foi gostoso como nunca, gostoso como Melissa.
A deitei na cama levemente, e um segundo depois já não havia roupas em nossos corpos. Nem leveza em nossos movimentos.
Nós fizemos sexo como se fosse a última vez. Por que por algum motivo, parecia que seria realmente.
Por pelo menos duas horas ficamos ali naquela cama... nos encontrando, nos acertando, nos envolvendo como duas enlaçadas e apaixonadas amantes, e foi maravilhoso.
Melissa - e eu não conseguia deixar de reparar - parecia ter uma língua talhada por anjos, dedos talhados por anjos... Eu não saberia dizer, se alguém no mundo poderia um dia me conceder mais prazer que ela...
E não era só isso... Eu não conseguiria dizer, se até mesmo eu poderia dar o mesmo prazer para mais alguém, e daquela forma... por que afinal, com ela, eu me sentia livre para tudo e qualquer sensação...
Já eram dez da manhã. Eu havia acabado de sair do banho e arrumava algumas coisas na mala. Melissa ainda estava se vestindo dentro do banheiro.
- Com licença. – Ouvi uma voz um pouco reconhecida adentrar a cabana.
Mirei a entrada do local e me deparei com o semblante preocupado de Senhorita Spencer.
- Vocês foram as únicas meninas que não estavam para o café...
- Ah... sim... acordamos um pouco tarde... – disse tentando parecer convincente. – Mas já estávamos até nos arrumando para irmos ao museu com todo mundo – continuei, falei a primeira coisa que me veio à mente.
- Não haverá mais visitas – disse Senhorita Spencer em um tom agora totalmente preocupado.
- Como assim? – perguntei instantaneamente.
- Aconteceu algo grave... – começou, perecia escolher as palavras – uma tragédia...
Meu coração doeu. Eu já sabia do que ela poderia estar falando.
- Que tragédia?
- Acredito que vocês tenham lido a matéria do jornal local de antes de ontem... Quarta-feira... Sobre o ataque na copa nacional...
- Sim... O que tem?
- Aquele mesmo homem foi morto ontem aqui na cidade, encontraram o corpo hoje cedo no mar ao pé das ruínas... – ela dizia bem transtornada. – Foi um Avada Kedavra a razão da morte. Os aurores acham que foi algum seguidor de você-sabe-quem, pensam que é melhor irmos embora, todos achamos melhor. As meninas já estão se arrumando, e tem permissão para irem até o corujal mandar cartas à suas famílias avisando.
- Você está falando sério? – exclamei quase incrédula.
- É claro que estou! Não brincaria com uma coisa dessas! – afirmou com certo peso na voz. – Avise a Melissa, e vão até o corujal se quiserem, mas rápido, estaremos partindo ao meio-dia no máximo.
Ela se retirou sem me dar tempo de nem mesmo respirar.
Sentei na cama inconscientemente, uma porção de sentimentos ruins se apoderava de mim. Não sabia o que fazer, não mesmo.
- O que houve Gina? – de repente ouvi a voz de Melissa se aproximar.
Ela estava vestindo uma roupa leve e enxugando o cabelo com a toalha.
- Senhorita Spencer acabou de sair daqui... Ela disse que teremos de ir embora!
- Por que?!
- Acharam o corpo daquele velho, acham que foram comensais da morte! – disse alterada enquanto me levantava da cama. – O que vamos fazer? Contar a verdade?!
Por alguns momentos Melissa parecia paralisada. Até que finalmente esboçou alguma reação.
- Seria a melhor coisa, mas não podemos fazer isso! Não seria muito justo com a Corinne... – ela se sentou com expressão incrédula. – Irônico, mas não seria justo.
- Eu sei... – estava um pouco mais calma. – Quer dizer, teremos de ir mesmo?
Ela me olhou, por um momento pensei ter visto os olhos brilhantes marejados de lágrimas.
- Acho que sim... – disse Melissa abaixando a cabeça.
- Senhorita Spencer disse que todas as meninas já estão se arrumando, e que temos permissão para irmos ao corujal mandar uma carta às famílias – disse me sentando ao seu lado. – Só temos de ser rápidas, meio-dia o ônibus vai partir...
Silêncio.
Os sentimentos ruins continuavam se misturando em mim, me faziam querer desaparecer da face da terra.
Também fitei o chão. Parecia haver um imenso buraco em meu peito.
- De ontem pra hoje eu imaginei que algo assim pudesse acontecer, mas preferi continuar com o pensamento positivo... – pronunciou Melissa.
- Eu não pensei...
- O que é mais terrível é que não terei mais seis dias com você.
Toquei sua mão e nos fitamos.
Seu olhar era muito penetrante naquele momento, eu queria sorrir, queria poder dizer algo que a animasse, mas estava totalmente incapacitada de fazer qualquer coisa assim.
- Eu nunca vou esquecer você. – Foi a única frase que consegui pronunciar.
Ela me beijou em seguida. Seus lábios... eram tão inesquecíveis realmente. Eu começava a temer mais que nunca o imenso breu que poderia vir a ter minha vida sem ela. Sem seus beijos, seus abraços, seus olhares e sorrisos atrevidos.
O beijo cessou e ela se levantou, caminhou até sua mala.
- Vou começar a arrumar minhas coisas então... – Sua voz estava me atingindo demais, estava carregada de melancolia e tristeza.
Eu não podia agüentar aquilo.
Também me levantei.
- Não tenho muito o que arrumar, então vou primeiro ao corujal... Você não vem? – perguntei incerta.
- Na verdade não, minha tia saberá que cheguei daqui a algumas horas, infelizmente – ela disse sem ao menos olhar pra trás.
- Certo... Então vou indo.
Virei-me e caminhei até a saída. Parei antes de me retirar, meu coração emitia batidas fortes, minhas mãos tremiam.
Um segundo e comecei a caminhar por entre as barracas do acampamento. Todas as garotas corriam de um lado ao outro com roupas nas mãos, e lembranças em sacolas. Poucas pareciam calmas.
Estava um dia bonito apesar de tudo, o sol brilhava ao longe, os pássaros cantavam... pássaros me lembravam Melissa...
Quando cheguei à entrada do acampamento, observei que o ônibus que havia nos transportado até ali já estava no local.
- Aonde vai menina? – Um Auror encarregado de vigiar a entrada me perguntou.
- Vou ao corujal, fiquei sabendo que poderia.
- Nome.
- Ginevra Molly Weasley.
- Certo – disse o Auror enquanto anotava meu nome em um bloco que estava em sua mão. – Não demore.
- Não vou demorar.
Desci a rua não muito rápido, queria observar bem todos os lugares onde passei ótimos momentos aqueles dias. Aquilo parecia fazer dissipar parte da angustia em meu peito.
Assim que cheguei ao corujal mandei uma breve carta para minha casa pedindo que alguém fosse me buscar em King’s Cross. Ainda havia três ou quatro meninas do acampamento no local.
Parei em frente ao restaurante Todos os Sabores. Era ao lado do corujal.
Fiquei olhando para dentro do lugar por alguns minutos. Quando as meninas que restavam dentro do corujal passaram por mim resolvi entrar no restaurante.
Estava pouco movimentado. Sentei em uma mesa de apenas dois lugares perto da entrada. Fiquei observando o cardápio por alguns segundos embora já soubesse o que queria.
- Posso ajudar? – O mesmo garçom de rabo de cavalo que havia atendido eu e Melissa no outro dia estava parado ao meu lado com a mesma pena de repetição rápida.
- Eu quero uma dose desse licor de menta.
- Claro. Só isso?
- Só.
- Com licença então Senhorita.
Fiquei esperando um pouco quando de repente ouvi uma voz masculina ao meu encalço perguntar.
- Posso lhe fazer companhia?
Olhei para trás e de imediato não reconheci o rapaz. Era um garoto alto e muito bonito, que com certeza já tinha visto antes, só não lembrava aonde.
- Então... Posso?- ele perguntou mais uma vez, sorrindo.
- Tudo bem.
Se sentou.
- Onde está a Melissa? – Naquele momento me lembrei.
O garoto era um dos garçons do Sorrateiros e Andantes... Ernesto. Ele estava muito bem vestido. Um terno de linho preto e uma rosa muito vermelha no bolso do paletó.
- Arrumando as coisas para ir embora. Teremos de ir logo... – o respondi.
- Então é verdade que já estão indo...?
- Sim... mataram um homem.
- Eu sei. Sou amigo do filho do morto.
- Sério? – arregalei meus olhos.
- É... – ele respondeu pensativo. – Na verdade estou preparado para o enterro, vai ser daqui a meia hora.
- Nossa... eu... sinto muito pela perda dele, acho...
- Acha?
- É... bom... Veio tomar café? – Tentei fugir do assunto.
- Não. É que não me dou muito bem com enterros... então quero tomar alguma bebida forte pra não ficar tão apreensivo. – Ele sorriu sem graça.
- Eu pedi uma dose de licor de menta, se quiser me acompanhar...
Ele riu.
- Vou te acompanhar, mas não com licor de menta.
O garçom chegou com meu pedido.
- Por favor, eu quero um Whisky de Fogo – pediu Ernesto.
- Certo.
- E me traga mais um desse também – pedi logo a ele.
O garçom olhou incerto para mim e meu copo ainda cheio, mas se retirou sem dizer nada.
Dei um gole no licor. Delicioso. Me fez reviver mentalmente o sabor do gosto de Melissa. Lembrei-me de minha língua passando por sua pele, sua barriga, seu pescoço...
Me daparei com o olhar intrigado de Ernesto.
Sorri e bebi de uma vez todo o conteúdo do copo. Ele arregalou levemente os olhos. - Nossa, você está mesmo com sede hein...
- Não é bem esse o nome – disse sorrindo.
Ele também sorriu.
- Então... Não deveria estar arrumando suas coisas também?
- Deveria, mas... ainda tenho... – Olhei para os lados e não avistei nenhum relógio pelo restaurante. – Que horas tem?
Ele olhou seu relógio de pulso.
- Dez e cinqüenta.
- Então, ainda falta um pouco... Sairemos daqui meio-dia.
- Hum, certo...
O garçom voltou com o Whisky e meu novo licor de menta. Colocou os copos e se retirou.
Ernesto deu grandes goles de sua bebida, e eu também dei no licor.
- Qual o seu nome? Não fomos apresentados aquele dia no bar.
- É mesmo... Sou Gina Weasley.
- Prazer Gina. Sou Ernesto Primen.
- Eu me lembrava do seu primeiro nome.
Ele sorriu com os olhos.
- Que bom...
- Bom?
- É... É bom uma menina tão bonita como você lembrar meu nome.
Sorri também.
- Sei... – suspirei e continuei deliciando meu licor. Lembrando de Melissa, e tentando afastar qualquer sentimento ruim.
- Gostou desses dias aqui na cidade?
- Gostei muito.
- Ah, que ótimo, espero poder te ver novamente por aqui.
- Quem sabe... Gostaria de voltar aqui com a Melissa.
- Com a Melissa?
- É.
- Vocês já se conheciam?
- Não. Nos conhecemos no trem.
- Hum... mas... pareciam tão intimas, tão... amigas aquele dia.
- Amigas?
- É... na verdade... – E ele terminou seu Whisky e acenou para o garçom. Também terminei o meu licor. – Pareciam um pouco mais que isso... ainda mais conhecendo aquela menina como conheço... – ele disse assim que o garçom se retirou.
- É mesmo...? E como você conhece?
- Hum... Da outra vez que ela esteve aqui, atraia tantos olhares de garotas...
Fiz olhar de grande interesse.
- Nós conversamos um pouco enquanto aquela sua prima se divertia com a Sarah...
- E ela ficou com alguma menina aquela vez? – não me contive em perguntar.
- Não... Mas ela me contou que gostava de meninas mesmo, e que se conhecesse alguém legal ficaria... Mas, parece que ela ainda estava um pouco decepcionada com alguma paixão por ai...
- Acho que dessa vez então ela finalmente encontrou alguém legal – disse sorridente.
- Realmente... – ele disse estreitando até mim um olhar maroto. - E por fora é algo bem mais que legal...
- O que quer dizer?
Ele gargalhou profundamente. Não me respondeu, apenas continuou a me olhar, estava um pouco mais recostado na cadeira, mais à vontade.
- Não vai me responder? – insisti.
O garçom de rabo de cavalo voltou com as bebidas.
- Quero dizer que você é sexy... – finalmente respondeu após dar um grande gole de sua bebida.
Não esbanjei reação, apenas bebi meu licor, mais uma vez rapidamente.
Terminando com toda a bebida que havia no copo, o pus sobre a mesa e fiquei a fitar o garoto bem vestido que estava à minha frente.
Ele fez a mesma coisa.
Meu rosto estava queimando. Meus olhos ardiam levemente. Estava começando a sentir vontade de dançar, de me soltar. Eu sabia o que estava acontecendo. Era realmente engraçado o que o álcool podia fazer com as idéias de alguém. Existiam sentimentos ruins ainda em mim, apesar de qualquer coisa, mas eles estavam quase disfarçados agora. Eu precisava de mais umas doses.
Chamei o garçom.
- Quero mais uma dose de licor – disse sem rodeios. – Uma não. Duas logo.
- Tem certeza? – o garçom perguntou com total expressão de duvida.
- Tenho... – respondi com expressão de obviedade.
Olhei para Ernesto.
- Ah... E um Whisky... – ele disse como se tivesse se esquecido do que fazia ali.
Assim que o garçom se foi olhei através da janela. O sol havia ido embora e começava a cair uma fina chuva lá fora.
- Então Gina... O que você acha de...
Ele parecia não conseguir terminar a frase. Achei graça.
- De?
- Você realmente está com a Melissa então?- perguntou sorrindo, como se não acreditasse em Papai Noel.
Sorri também.
Apoiei meus cotovelos na mesa e inclinei meu corpo para seu meio.
- Chega mais perto – pedi.
Ele fez a mesma coisa. Estávamos realmente perto. Coloquei firmemente uma de minhas mãos em seu queixo e o apertei levemente.
- Você está bêbado por acaso? – perguntei bem séria.
- Não... talvez um pouco alegre... – respondeu com a voz abafada por conta de minha mão.
- Então por que fez essa pergunta? – continuava séria apesar de ter vontade de rir da cara dele.
- Oras... por que você e ela são muito lindas para estarem com garotas...
O soltei e me recostei novamente na minha cadeira enquanto gargalhava.
O garçom voltou com o Whisky de Fogo dele e minhas duas doses da menta, pôs na mesa e se retirou.
Ernesto também se recostou e ficou me olhando com cara de espanto.
- Então pronto garoto. Se somos lindas, qual a surpresa por estarmos juntas? – perguntei como quem vê total obviedade na resposta.
- Ah...
- Por que? – o cortei. – Do que você acha que precisamos? Acha o que?
Virei minha primeira, ou melhor, pelas contas... quarta dose.
- Bom... talvez... se você quisesse precisar de mim...
O olhei sinceramente. Não sabia se estava achando graça ou tocada com o que ele havia dito.
Mas achei melhor parar por ali.
Virei minha última dose. Abri minha bolsinha com o único dinheiro que tinha e o coloquei sobre a mesa. Com certeza minha conta não daria muito menos que aquilo.
Levantei-me. Ernesto me olhava intrigado.
- Já vou indo – disse dando um passo pra trás, me senti um pouco tonta. Ele se levantou aparentemente para tentar me ajudar, levantei a mão indicando para ele ficar onde estava. – Estou bem, só tenho que ter cuidado com a hora.
Em seguida sai do lugar, fui andando um pouco rápido, a chuva fina estava leve e gostosa, mas ainda assim gelada. Me sentia um pouco entorpecida, um pouco exausta, febril, porém eufórica, agitada. Tudo o que eu queria era apenas chegar até Melissa.
Quando virei no inicio da pequena ladeira na rua do acampamento pude avistar novamente o ônibus. Os Aurores e responsáveis pelo acampamento também estavam ao lado de fora.
Senti uma mão se fechar firmemente sobre meu pulso. Virei-me. Era Ernesto, ainda bem vestido, mas molhado. Seu cabelo um pouco claro e ondulado caia sobre o rosto fino com a ajuda da chuva. Em seus olhos parecia haver algo querendo me prender.
- Não precisava ter ido embora daquele jeito...
- Você sabe que eu tenho que ir.
- Não parecia estar com tanta pressa há cinco minutos atrás...
Me puxou para mais perto, cheguei a sentir seu hálito de álcool.
- Não faça isso. Eu não quero – disse o empurrando um pouco. Soltou meu pulso.
Ele me fitou sério.
- Tudo bem, desculpe – pediu.
Suspirei.
- Apesar de qualquer coisa, eu gostei dela – eu disse em uma tentativa de desabafo.
- Gostou?
- Gosto – afirmei. – E não quero falar sobre isso, apenas quero voltar pra minha barraca. Com ela. Quero poder ter meus últimos momentos com ela. Meus últimos minutos.
- Tudo bem... já pedi desculpas... – ele disse dando alguns passos pra trás.
- Eu já fui errada com uma pessoa, nunca seria com ela também – eu continuava a falar, parecia querer me convencer de que em nenhum momento havia passado pelo meu pensamento beijar aquele garoto.
- Com que pessoa? – Ele parou de andar. Já estávamos há uma distancia considerável.
- Não importa! – me exaltei um pouco. – O que te deu o direito de querer tentar me beijar? – Continuava exaltada.
- Nada! Ok?! – Agora ele também parecia exaltado. – Foi um erro!
- Ótimo! Então Adeus.
Ele se foi e eu continuei o caminho. Ainda estava um pouco nervosa, mas logo as sensações boas de embriaguez voltaram a se sobressair.
Assim que entrei na barraca vi Melissa deitada em sua cama olhando para o toldo. Ela parecia cantar uma canção em voz baixa, apenas para si. Foi uma linda cena. Fiquei observando por alguns segundos.
Ela ainda não tinha notado minha presença à entrada do local. Vestia a mesma roupa que usava quando nos conhecemos, a varinha para fora da calça jeans surrada... Mas... havia uma coisa diferente. Ela estava com a orquídea quase murcha entre os dedos da mão...
Me aproximei de sua cama. Ela me olhou. Eu sorri.
- Gina... Onde você esteve...? Ta molhada... Já é onze e vinte... – ela disse se sentando, olhos pouco assustados.
- Eu sei... – disse ainda sorrindo.
Me inclinei um pouco e a beijei. Ela retribuiu delicadamente.
Não quis pensar em nada, apenas me sentei sobre ela me encaixando em sua cintura com minhas pernas e envolvendo seu pescoço com meus braços. Ela também me envolveu com os seus.
Continuamos nos beijando por um tempo. Quando cessamos ela me olhou sorrindo.
- Você bebeu... – ela afirmou.
- Menta – disse também sorrindo.
- Menta... Ainda temos uma garrafa... não precisava ter ido...
- Precisava. – A cortei e ela pôs a orquídea quase murcha na minha orelha.
A beijei novamente. Beijo ardente, preciso, gentil, marcante, sincero.
Suas mãos invadiram minhas costas. Senti um arrepio. Em seguida também quebrei o contato de sua blusa com a pele. Sua pele, aliás, estava tão quente, tão viva e ávida.
Tentei inclinar-me sobre ela, e ela entendeu o recado. Uma de suas mãos alcançaram meus seios vestidos de sutiã. Mais um arrepio.
Ainda naquela mesma posição continuamos a nos beijar, parecia necessário, obrigatório.
Senti sua mão levantar meu sutiã, ela acariciou meu seio assim como da primeira vez que o tocou. Contida, serena.
Eu parei de beijá-la e suspirei em seu ouvido.
Me ergui um pouco mais. Mais uma vez ela entendeu a mensagem.
Com sua outra mão desabotoou a calça que eu usava e percorreu meu sexo úmido ainda por cima da calcinha. Eu suspirei mais forte.
Pude sentir sua respiração se alterar.
Ela era como eu, pensava como eu, queria aproveitar nosso último momento. Não me importava se nos vissem, se alguma coisa errada acontecesse. Só precisava daquilo, necessitava dela, do seu calor, do seu toque, do seu interior... em mim.
Fomos nos deitando sobre a cama, ainda com meu corpo inclinado sobre o dela. Nos olhamos bem nos olhos. Suas pupilas estavam dilatadas.
Sorri quando vi uma de minhas mechas ruivas cair sobre seu lindo rosto.
Levei uma de minhas mãos até minha calcinha e pude sentir seus dedos. A tirei de lá bem devagar e levantei a peça. Recoloquei sua mão.
Eu estava muito molhada, muito exitada, o contado de seus dedos em mim era provavelmente mortal naquele momento.
Conforme ela me masturbava, meus pensamentos se anuviavam cada vez mais, eu me sentia muito mais entorpecida, extasiada. Tudo se esvaia de mim.
Cheguei o meu corpo o mais perto possível do dela. Seu outro braço se agarrou a minha cintura e me puxou mais, como se o máximo não fosse o suficiente. E não era.
Nos beijamos mais. Ela parou por um momento o contato, mas deixou sua mão no mesmo lugar.
Suspirei pesadamente.
- Não acredito que estamos fazendo isso... – ela sussurrou em meu ouvido.
A olhei fundo. Em seguida me ergui um pouco enquanto levantava minha blusa, um dos seios aparecendo... Levantei também sua blusa, sutiã de renda preta, bonito... Combinava com ela... Também o levantei um pouco e me deitei novamente sobre ela. Ao menos um pedaço de sua pele eu necessitava sentir.
Ela abaixou um pouco minha calça e calcinha. Eu retirei a varinha de sua calça e também a abaixei um pouco juntamente à calcinha.
- Pois eu acredito – Afirmei.
Voltamos a nos beijar. Beijos cada vez mais encontrados, enlaçados, perfeitos.
Enquanto nos perdíamos em nossos mundos e nossas bocas ela voltou a me masturbar. Eu a imitei.
Suspiramos juntas e sentimos prazer juntas.
Quando ela me penetrou com seus dedos fiz igual. Quando aumentou a velocidade também aumentei.
Nos perdemos por minutos em sensações, pensamentos, momentos, paixões intermináveis.
Sarcasticamente não demorou muito.
Ouvimos um barulho alto lá fora e infelizmente nos demos conta do mundo real...
Enquanto nos levantávamos e nos arrumávamos demos boas gargalhadas com a realidade da loucura pelo tempo que começávamos a infligir. Mas ainda assim não parávamos de nos beijar.
Arrumei minhas coisas rapidamente e Melissa me ajudou.
Meio dia e quinze saímos da barraca, as malas nas mãos, os cabelos desarrumados, as roupas tortas... sorrisos nos olhos, nas bocas. Embriaguez indo embora... Realidade chegando...
Senhorita Spencer vinha em nossa direção, parecia furiosa. E pudera, fomos as últimas a deixar o lugar.
A volta até a estação de Rye não foi muito proveitosa. Apenas ficamos quietas olhando a paisagem. Todas as meninas a nossa volta pareciam estar tomadas por angustia, mas ainda assim conformadas com a volta precoce pra casa.
Eu não estaria conformada por muito tempo.
Tudo girou de uma forma exorbitante. Horas magníficas, mágicas, dias incríveis, intocáveis.
E a realidade?
E agora que tudo está indo embora...?
Por que é essa a sensação que toma conta de mim agora. É essa infeliz sensação que me faz não querer ir pra casa. É isso que me faz querer ficar presa aqui.
Agarrada a esse trem, a essas paredes onde ainda posso vê-la... Sei que ela estará em minha memória por tantos mais dias... E agora?
Eu não tenho vontade própria. E por que seria o destino tão cruel?
Então... por que?
Não existe razão? Não existe segurança?
Existe medo? Favor, obediência, tremor, pavor, raiva, amor?
Eu sabia que isso ia acontecer de qualquer forma. Sabia que nunca mais a veria.
Talvez devesse ter pensado antes de agir, antes de deixar esse sentimento majestoso de afeto, carinho, tensão e tesão tomar conta de mim... mas... eu não tive culpa... eu só...
- Pequena Gerpet...? – ouvi sua voz indagar.
Despertei bem devagar, estava com a cabeça apoiada sobre os braços na ampla janela do trem que se dirigia a King’s Cross.
A mirei e percebi que meus olhos estavam um pouco molhados.
Me ergui e a encarei. Ela estava sentada bem à minha frente. Não havia mais ninguém conosco na cabine.
- Oi... – pronunciei, a voz um pouco abafada.
- Tudo bem...? – ela perguntava um pouco insegura. – Não parecia estar tendo um sono muito tranqüilo...
- Acho que não estava mesmo... Nem poderia.
Silêncio.
- Quer passar essa semana na minha casa? – ela perguntou de repente.
A olhei surpresa.
Na verdade gostei da idéia de inicio, mas logo a tirei da cabeça.
- Acho melhor não...
Ela esbanjou olhos tristes e decepcionados. Me odiei por aquilo.
- Mas, por que não? – perguntou com a voz rouca.
Suspirei.
- Melissa você sabe, as coisas a partir daqui não vão ser tão boas – mais um suspiro. – Tenho medo de nunca mais conseguir estar sem você.
Agora seus olhos já estavam com mais vida, e não tão decepcionados. Aquilo me motivou a tentar terminar meu pensamento.
- Nós não vamos nos ver por pelo menos mais um ano, mesmo que eu vá passar essa última semana de férias na sua casa.
- Eu sei... mas e se trocássemos cartas? Vamos fazer isso não é?
- Melissa, agora é o mundo real. Agora o meu sonho lindo com você acabou... entende?
- Eu entendo Gina, eu sabia que seria assim, mas... tinha uma esperança ainda. Tinha esperança de que esse dia ainda fosse demorar a chegar...
- Eu não queria que fosse assim.
Silêncio.
- Eu pretendo voltar pra Inglaterra quando me formar – ela o quebrou.
- Estamos por viver uma guerra.
- Eu sei.
- Não sei como vão ser os próximos anos, e... eu queria tanto poder rever você...
- Nós podemos...
- Eu não sei se podemos... Tenho um namorado ainda... e não sei como vai ser quando o encarar...
Ela desviou seu olhar para a janela e suspirou.
- De qualquer forma, se eu conseguir continuar com ele, não posso me corresponder com você – eu disse, e aquelas palavras foram duras pra mim, com certeza pra ela foram piores.
- Eu te entendo.
Também desviei meu olhar para a janela. Parecia que algo havia quebrado no meu interior.
Eu e Melissa descemos juntas do trem na plataforma 5.
Avistei meu pai, Roni e Hermione bem ao meio da estação.
- Lá estão eles.
Melissa os olhou quando apontei.
Fomos andando.
- Seu pai é o moço mais velho alto e ruivo...
- Meu irmão Roni é o apenas alto ruivo e a menina é uma de minhas melhores amigas... Hermione.
Hermione, aliás, correu e me abraçou forte.
Nos soltamos sorrindo.
- Ah Gina, que bom que você está bem! – ela disse feliz e satisfeita.
Meu pai também já havia se aproximado, também o abracei. Roni apenas me deu uns tapinhas nas costas rapidamente.
- Essa aqui é a Melissa gente, nos conhecemos no acampamento.
- Prazer... – ela disse um pouco encabulada.
- Prazer! Eu sou Hermione, e esse é o Ronald.
- Pode chamar de Roni – ele concertou rapidamente.
- E eu sou Artur Weasley, muito prazer também... – disse satisfeito. - Precisa de uma carona? – perguntou educadamente. – Estou com carro – terminou sorrindo.
- Não tudo bem, eu estou bem.
- Certeza? – perguntei olhando em seus olhos.
- Certeza.
A abracei com força e inspirei quem sabe pela última vez seu perfume de orquídeas.
Senti vontade de chorar quando algo pareceu estar sendo arrancado do meu peito.
- Eu vou sentir saudades... pra sempre... – sussurrei com a voz tremula em seu ouvido e me afastei.
Seu olhar brilhante ainda era o mesmo. Assim, eterno.
O gosto da menta ainda estava em minha boca. O cheiro das orquídeas ainda florescia em mim...
Durante todo o caminho pra casa Hermione insistiu que havia algo errado. E eu insistia em dizer que não.
Na toca todos estavam extremamente bem.
Minha mãe, Fleur e Harry haviam ficado para preparar o jantar, e realmente foi uma exelente refeição.
Minimamente um por um perguntava como tinha sido aquela semana no acampamento, e eu precisava sempre estar lembrando de Melissa. Até mesmo Fred e George apareceram aquela noite e perguntaram sobre o passeio. Eu era obrigada a mentir um pouco.
Antes de dormir Hermione pela última vez perguntou se realmente não havia nada que gostaria de conversar, e mais uma vez eu neguei.
Aquela madrugada foi intensa e tenebrosa, parecia não ter fim.
Meu sono estava extremamente perturbado, uma mistura de opressão e infelicidade tomava conta da minha cabeça.
Arnold, meu mini-pufe, se juntou a mim e quando finalmente estava conseguindo dormir um pouco em paz uma coruja entrou pela janela e pousou em minha perna.
Era Binns.
Fui até a escrivania, acendi a luz rapidamente e li a carta tentando não incomodar Hermione.
Querida Gina,
Espero que esteja bem, soube que já voltou de viajem.
Ansioso por noticias suas.
Beijos, Dino.
Não estava com cabeça para aquilo, mas ainda assim peguei uma pena e escrevi brevemente atrás do pergaminho que ele havia mandado.
Tudo ocorreu bem apesar de qualquer coisa.
Nos falamos melhor no Expresso de Hogwarts.
Até breve, Gina.
A mandei novamente pela pequena corujinha fantasmagórica e tentei voltar a dormir. Felizmente consegui.
Os dias daquela semana se passaram em tamanha monotonia, mas consegui distrair minha cabeça mais do que pensava. Fred e George estiveram muitas vezes em casa, eles sempre foram divertidos, e aquele ano pareciam estar mais que nunca. Talvez pelos tempos que começávamos a viver. Precisávamos realmente de toda a alegria que eles possuíam.
Fleur me irritava bastante, mas isso também era algo para me distrair. Perturbá-la era até agradável.
Eu, Ron, Mione e Harry jogamos ainda um pouco de quadribol, e também me levava embora pensamentos e sentimentos ruins. Mas ainda assim o mínimo detalhe que escapava podia me lembrar Melissa. Eu precisava estar sempre na contenção. Sempre bloqueando a imagem de seus olhos brilhantes da minha cabeça.
Já era sábado, no dia seguinte embarcaria no Expresso de Hogwarts, tudo estava indo bem.
O almoço estava sendo feito e eu organizava uma pilha de roupas limpas na cozinha para levar para meu quarto, enquanto minha mãe vigiava as comidas e Fleur não parava de falar sobre como gostaria que fosse os preparativos de seu casamento com Gui.
Não agüentava mais sua voz irritante, então tratei de pegar minhas roupas e subir.
Topei com Harry no patamar da escada. Ele trazia alguns uniformes sujos de quadribol.
- Eu não entraria na cozinha neste momento... – o alertei – Tem muita Fleuma por ali...
- Vou tomar cuidado para não cair – brincou Harry.
Ao chegar em meu quarto guardei as roupas de que ia precisar na mala, e quando terminei tudo fiquei a observar o sol brilhar lá fora, através da janela do quarto.
- Posso ficar aqui ao seu lado?
Era Hermione.
- É claro – respondi.
- Gosto de ver o sol também.
Silencio.
- Hermione...
- Oi.
- Acha que estou tão diferente assim?
- Não acho que esteja diferente.
- Não?
Ela me olhou com um sorriso amigável.
- Agora na verdade, você está quase normal... – ela começou. – Eu diria que estava um pouco quieta demais, como se estivesse sentindo muito falta de alguma coisa sabe...
- Sei perfeitamente o que quer dizer, e... talvez seja isso.
Ela mirou novamente o sol lá fora.
- Você acha que uma pessoa poderia estar sendo errada traindo alguém, mesmo que estivesse seguindo seus desejos e sendo completamente feliz naquele momento? – perguntei tentando desabafar.
Ela suspirou.
- Ai você realmente me perguntou algo de que não sei a resposta – ela alegou.
Me olhou novamente sorrindo. Agora um sorriso de quem compreende as coisas.
Eu nunca soube se ela realmente compreendeu alguma coisa nas entrelinhas, na verdade, acredito que dificilmente tenha percebido.
- Fique tranqüila e viva Gina. – Me abraçou e se foi.
A partir dali eu quis mesmo ficar tranqüila.
No dia seguinte foi fácil e simples chegar no Expresso de Hogwarts, dois carros do Ministério nos levaram até a estação e embarcamos sem nenhum problema.
Mal eu entrei no trem, encontrei uns amigos e fiquei conversando com eles no corredor. Ainda precisava encontrar Dino, arranjar uma cabine para me sentar com ele e guardar minha mala. É... Precisava encontrar Dino... ainda estava com medo de como seria.
Senti alguém tocar em meu ombro, imaginei que fosse ele, mas imaginei errado. Era Harry com seu malão.
- Quer procurar algum compartimento? – ele perguntou.
- Não posso, Harry, prometi me encontrar com o Dino – respondi tentando parecer animada, não estava tão desanimada afinal. – Te vejo depois.
E então fui procurá-lo. Precisava logo disso.
Não foi difícil achá-lo, ele já tinha separado uma cabine para nós.
Ele estava sorridente, me ajudou a guardar minha mala e em seguida me abraçou. Veio me beijar, correspondi.
Foi estranho, mas preciso.
Nos sentamos juntos.
Mantemos silencio por alguns minutos, ele segurou firme minha mão.
- Está bem? – ele perguntou finalmente.
Pensei um pouco antes de responder.
- Estou.
- E como foi no acampamento?
Pensei mais. Talvez aquela resposta desse um xeque-mate em qualquer coisa que estivesse por vir.
- Acho que foram os melhores dias da minha vida até agora.
N/A:
Primeiramente, desculpem mesmo a demora. Foi realmente uma demora absurda, mas só agora consegui por minha Internet de vez, e, além disso, tava estudando muito pro vestibular, mais o trabalho... Então era complicado ter um tempo pra me dedicar à escrita.
De qualquer forma está pronto e é isso gente. Finalmente está ai o último capítulo. xD
Por favor, não queiram me matar nem nada, mas esse era o final planejado desde o inicio.
Comentem, preciso saber o que acharam!
Ah! E não se esqueçam de que realmente haverá uma continuação. Eu avisarei pela própria fic quando ela se seguir.
Bjos e espero que tenha sido uma boa fic realmente ^^